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Assistam nosso documentário "O silêncio dos homens", na íntegra

Um filme sobre as dores, qualidades, omissões e processos de mudança dos homens — fruto de uma pesquisa com 40.000+ pessoas e meses de gravações

Após mais um ano trabalhando com uma rede envolvendo quase 50 pessoas, está lançado "O silêncio dos homens":

Link YoutubeFone de ouvido e tela cheia antes de dar o play, por favor ;-)

O que nos motivou a fazer o filme?

Em 2016 lançamos o nosso primeiro documentário com pesquisa, que escutou mais de 20.000 pessoas. Ele nos mostrou que 7 em cada 10 homens não falam sobre seus maiores medos e dúvidas com os amigos.

Já notávamos o mesmo fenômeno em nossas rodas de conversa há mais de 10 anos. E, à medida em que nos aprofundamos no estudo sobre masculinidades, observamos como esse silêncio está na raiz de vários outros problemas.

Violência doméstica, ausência de mulheres em posições de poder na política e economia, assédio, altíssimas taxas de suicídio, homicídio, mortes no trabalho e encarceramento entre os próprios homens... a lista é longa.

Silêncio aqui tem sentido amplo. É emocional, verbal, social, tanto individual como coletivo. Estamos falando de uma rigidez psicológica, que se torna um vulcão quando associada aos "mandamentos da masculinidade": ser bem-sucedido profissionalmente, não agir de modos que pareçam femininos, não levar desaforo pra casa, dar em cima das mulheres sempre que possível, não expressar emoções, dentre outros.

O silêncio observado entre os homens não é uma grande conspiração masculina, é como fomos criados. A maioria de nós foi treinado para sufocar o que sente, aguentar o tranco e peitar a vida, como machos.

Acontece que essa maneira de existir e estar no mundo tem causado danos, para as mulheres, para outros homens e para nós mesmos. E como tem acontecido ciclicamente ao longo da história com os papéis de gênero, é tempo de mudar.

Um imenso obrigado a todos e todas que colocaram esse projeto de pé conosco!

Natura Homem e Reserva, agradecemos profundamente pela viabilização do projeto! Sem a crença legítima, recursos e imensa energia de vocês, esse filme não existiria. Nossas longas reuniões, ligações e encontros para construir um projeto único foram essenciais. Carol, Tom, Thiago, Felipe, Andrea, Biancas. Rony, Joana, Marcelo, Tato. Vocês são especiais.

Juliana Fava liderou a etapa qualitativa do estudo, por meio da qual conversamos com dezenas de especialistas, com o olhar afiado de Caio César na filtragem desses diálogos. Zooma Inc. trouxe seus 16 anos de experiência para conduzirmos uma pesquisa quantitativa única, que alcançou incríveis 47.002 respostas. Rodrigo, Leandro, Helena, Kandi, Priscila e Roberta pavimentaram esse caminho e mergulharam nessa montanha de dados para extrair as histórias mais significativas. Monstro Filmes foi (está sendo) brilhante em toda a produção, captação, direção e montagem do documentário, capitaneada por Luiza, Ian, Ciça, Higa, Ed e mais um time de talentos. Estudio Nono, que fez a maravilhosa identidade visual, pelas mãos de Inara e Jorge.

Agradecemos a ONU Mulheres e Campanha #ElesporElas pelo apoio institucional, que vai ajudar essa mensagem a chegar mais longe.

Cá no PdH, Ismael dos Anjos foi incansável na coordenação do projeto. Felipe cuidando dos aspectos negociais e jurídicos, Luciano do editorial, Gabi do PR, Rachel das exibições voluntárias pelo país, Bia e Carol das finanças e administrativo. Contamos ainda com Gustavo Venturi como consultor de pesquisa em gênero e masculinidades.

Um total de 32 pessoas envolvidas diretamente por quase um ano. Considerando as pessoas que passaram pelo projeto brevemente, são mais de 50.

Esse é um projeto feito para furar bolhas e dialogar com todos e todas. Não à toa, também surge do ventre de uma imensa rede de coletivos, com pessoas negras, brancas, hetero, não hetero, trans, progressistas, conservadoras, jovens, adultas, velhas, de norte a sul do país.

Queremos contribuir para que o tema masculinidade seja pautado de modo construtivo. Não podemos falar apenas do que falta e falha nos homens, é essencial sonharmos outras masculinidades possíveis, saudáveis.

 
Kadu dos Anjos, líder do centro cultural "Lá da Favelinha", em BH (gravamos por lá também).

Por isso miramos nossa luz em responsavelmente mapear soluções, não em buscar culpados.

Esse trabalho marca ainda o nascimento do Instituto PdH — novo posicionamento de nosso braço de pesquisa, o antigo "PdH Insights", com atuação desde 2016. Instituto PdH significa Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento em Florescimento Humano.

Nosso foco já é e seguirá sendo a pesquisa e desenvolvimento em florescimento humano (mergulhe aqui caso queira entender melhor o termo). Ou seja, tomando nosso mundo interno como eixo, vamos mergulhar em diversos campos — sendo masculinidade apenas um desses territórios.

Nosso trabalho mais recente pelo foi o projeto "Construindo pontes e derrubando muros: como conversar com quem pensa muito diferente de nós?".

Voltando ao silêncio, com o que exatamente os homens andam sofrendo?

Identificamos em nosso estudo que 6 em cada 10 deles declaram lidar hoje com algum tipo de distúrbio emocional. Os principais distúrbios são:

  • ansiedade
  • depressão
  • insônia
  • vício em pornografia
  • e, em seguida, vícios em álcool, drogas, comida, apostas e jogos eletrônicos

É provável que você sofra ou tenha sofrido com algum desses, sem falar com ninguém. O fechamento emocional atua como uma camisa de força para muitos homens, tornando ainda mais difícil tudo que enfrentam no dia a dia.

Hoje, 83% das mortes por homicídios e acidentes no Brasil são de homens. Vivemos 7 anos a menos que as mulheres e nos suicidamos quase 4 vezes mais. 17% de nós lida com algum nível de dependência alcoólica. Quando sofremos um abuso sexual, demoramos em média 20 anos até contar isso pra alguém. Cerca de 30% enfrentam ejaculação precoce ou disfunção erétil. Homens são 95% da população prisional no Brasil, sendo que a maior parte dos encarcerados são jovens, periféricos e com ausência de figura paterna. Negros e LGBTs sentem muito mais boa parte disso.

Os homens sofrem, mas sofrem calados e sozinhos.

Mas será que existe um movimento de transformação dos homens acontecendo?

Para respondermos essa pergunta, conversamos com as pessoas por trás de inúmeras iniciativas, que estão de norte a sul do país, como Projeto MemohHomem PaternoPrazerEleRoda5070AfropaiSERTALá da Favelinha e várias outras.

Preferimos que vocês tirem suas próprias conclusões à respeito dessa pergunta, após assistirem o documentário completo.

Esse é um movimento de homens comuns, e de coragem

Por tudo isso, esse documentário é um convite para abrir nossos corações e termos conversas sinceras com nossos amigos, amigas, esposas, esposos, familiares, filhos, parceiros de trabalho.

É um chamado para assumirmos responsabilidade, como homens, pelo cultivo do futuro que queremos. 

Esse é um movimento de coragem, coragem pra assumir responsabilidade, para escutar as mulheres, pra sermos vulneráveis e nos ajudarmos a construirmos vidas melhores. 

Não é um movimento de homens virtuosos e bonzinhos, de caras desconstruídões sensíveis, muito menos de "novos homens", é um movimento de homens comuns, como eu e você. 

 
Leo Piamonte (um dos entrevistados do documentário) e seus filhos; o hoje e o amanhã. Foto: Ian Leite

Empolguei. Quero ajudar e ser anfitrião(ã) de uma exibição do documentário ou até mesmo iniciar um grupo de homens em minha região!

Fantástico. 

Mais de 900 pessoas se cadastraram para realizar uma na estreia e mais de 150 dessas sessões são públicas. Há gente fechando auditórios em escolas, igrejas, universidades, empresas e teatros, em todos os estados do país, além de Argentina, Portugal, França e Alemanha.

Esse é o poder da energia voluntária em torno de uma motivação ampla e genuinamente benéfica.

Se cadastre aqui para ser anfitrião(ã) (leia com atenção as instruções e observe os links indicados). Você vai receber o filme em HD e pode usá-lo para fazer quantas sessões quiser, seja em espaços públicos ou privados.

Leia também todos os detalhes sobre como organizar sua sessão. E aqui nosso guia prático para iniciar um grupo de homens (não deixe de mergulhar nos links sugeridos por lá, são preciosos).

* * *

Como nos provoca Bell Hooks (fonte constante de inspiração para nós) nesse excelente livro, "o que foi e ainda é necessário é uma visão de masculinidade em que a autoestima e o autoamor da pessoa formem a base de sua identidade.".

Se deseja fazer algo já, mergulhe em nosso mapeamento com "129 projetos, iniciativas e pessoas que trabalham com a transformação dos homens, no Brasil e no mundo". Ou caia de cabeça em nosso guia prático para iniciar um grupo de homens. E nos siga no instagram, todas nossas novidades serão divulgadas aqui e por lá.

Mãos à obra?

Mecenas: Natura Homem

Compre aqui.

Novo Natura Homem Dom é inspirado no homem que tem o dom de unir sua força e doçura. Acreditamos que há diferentes formas de masculinidades e apoiamos esse movimento. O homem não precisa encarar sua realidade de forma tradicional ou radical. Não há mais motivos para ser extremista. Esse homem aprendeu a seguir sua compaixão e decidiu agir da sua forma no mundo, encontrando balanço para quais batalhas valem a pena encarar e como as enfrentará.

Natura Homem Dom celebra o homem que chora, o homem que ri, o homem que demonstra sentimentos, o homem que diz 'Te amo'.

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publicado em 29 de Agosto de 2019, 20:31
File

Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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