Papo de Homem

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“Você me completa”: sobre relacionamentos e incompletude


Publicado por Marina Graminha Cury em 09.1.2010 às 15:50 em Ladies Room, Sexo e Relacionamentos

Semana passada uma amiga me perguntou se era verdade que a gente sempre busca na pessoa com quem a gente se relaciona o nosso pai ou a nossa mãe. Muitos amigos me fazem este tipo de pergunta por saberem que eu estudo psicanálise – e eu achei engraçado porque é muito curioso como ela é difundida na mídia, sempre de uma maneira muito determinista.

Já ouvi frases do tipo: “Meu pai é cafajeste, por isto só namoro cafajeste, Freud explica”. E pronto: a pessoa se contenta com isto e para por aí, não se questiona, nem tenta mudar.

Quando minha amiga me fez esta pergunta, eu já tinha escrito boa parte do texto aqui para o PdH, mas a pergunta dela me fez questionar sobre o que seria legal falar para pessoas – que não são psicanalistas – sobre relacionamentos amorosos, pela visão da psicanálise. E reescrevi o texto.

Em primeiro lugar, a resposta que dei a ela: sim, vamos buscar algo do nosso pai e da nossa mãe, do nosso familiar (aqui, no duplo sentido mesmo), do que nos constituiu. E não, o que vamos buscar nunca é relacionado a nossa mãe e pai reais, mas sim à imagem que temos deles.

Nossa eterna incompletude


Cena clássica do filme Jerry Maguire. “You complete me”… Será mesmo?

Somos inseridos no universo social quando nascemos por pessoas, mas que para nós, quando bebês, exercem papéis de figuras – materna ou paterna. A maneira como encaramos estas figuras é completamente única.

Expliquei para a minha amiga: se você entrevistar 5 irmãos, gêmeos quíntuplos, que nasceram juntos, foram criados pelo mesmo pai e pela mesma mãe e perguntar a cada um deles como eles veem seus progenitores, eu garanto que cada um vai descrevê-los de uma maneira diferente. Isto porque, na medida em que nos relacionamos com os outros, esses outros vão nos marcar de maneira completamente subjetiva – e vamos levar estas marcas, nossas e particulares, para a vida.

Mas isto não quer dizer que estas marcas são imutáveis; a cada encontro nos deparamos e fazemos novos arranjos, releituras destas nossas formas de relacionar, mas sempre com influência daquilo que já vivemos.

Segundo a psicanálise, quando nascemos, passamos por um momento em que vivemos um estado de completude – mãe e bebê (e de novo, não estou falando da mãe real e sim de quem exerce esta função materna) vivem de forma simbiótica, como se fossem um. E isto é imprescindível para a sobrevivência do bebê, pois o bebê humano nasce muito despreparado (se estamos vivos é porque alguém exerceu esta função). É necessário que a mãe se volte inteiramente para ele e atenda todas as suas necessidades, inicialmente, só biológicas.

Posteriormente, com os cuidados que recebe, com a voz, o olhar da mãe, o bebê cria uma demanda de amor, de ser amado e receber tudo daquela mãe – não só da ordem biológica, mas sim da ordem simbólica. Porém, esta demanda vai ser frustrada, pois é impossível sustentar uma satisfação infinita e completa a esta demanda de amor. Aquele estado de completude vai ser perdido para sempre. E é importante que seja, pois a partir da falta dessa satisfação infinita é que o bebê vai se voltar para o mundo, se inserir socialmente.

posicao-fetal
A primeira vez que sua namorada o abandonou você ficou chorando em posição fetal?

É esta falta de completude, que nunca vai ser alcançada, pois não dá para retornarmos a este estado primitivo, que vai instaurar nosso desejo – que nada mais é nossa busca incessante por satisfação – e que nos coloca na vida, em movimento. Tal desejo é único e por isto a maneira de levar a vida de cada um é única.

As relações amorosas também são, na verdade, movidas pelo nosso desejo. Buscamos os modelos de relações que conhecemos, na maioria das vezes, de forma inconsciente. E aí acontece, muitas vezes, um desencontro: se meu desejo é único e do outro também é, como conciliar os desejos diferentes para ficarmos juntos?

Philippe Julien, no livro Abandonarás teu pai e tua mãe (2000), trata deste assunto. Segundo Julien, para os pais conseguirem fazer com que seus filhos sejam educados para o mundo, eles devem passar aos filhos a lei do desejo, fundada na concepção de que não existe completude nem no ser humano, nem em suas relações; existem escolhas.

Para Julien, as relações conjugais são pautadas em três dimensões: o amor, o gozo e o desejo.

O amor e suas ilusões

O amor é baseado no devotamento, na atenção, na ideia de constituir um 1 de 2. O amor é da esfera do nosso imaginário, ou seja, daquilo que espero, imagino, que o outro tenha que me completa e se baseia naquelas marcas que trazemos conosco das nossas relações primeiras. É da ordem da imagem.

Hoje em dia, é o amor que é supervalorizado pela mídia, que retrata em filmes e novelas histórias impossíveis, nas quais a identificação com o outro é suficiente para se estabelecer uma relação duradoura. A mocinha olha para o mocinho e – pimba!!! – se amam loucamente e se completam; e isto é suficiente para que sejam felizes para sempre.

Não estou dizendo que o amor não é importante para uma relação. Claro que é, pois este encantamento com o outro faz com as pessoas se abram para este outro. Mas basear um relacionamento apenas nesta esfera é perigoso, já que o outro é sempre de carne e osso e, portanto, sempre diferente da imagem que fazemos dele.

Depois do arrebatamento passional, surgem frases como “Ele não era como eu imaginava” ou “No começo era diferente”. Era diferente porque se baseava apenas na ilusão, na imagem – e ela, como Narciso teve a oportunidade de descobrir rapidamente no lago, é fugaz e trapaceira.

espelho
Quanto do outro é o outro e quanto é sua projeção?

O gozo que nos move

Para Julien, há dois tipos de gozo: o sexual, que é o gozo do corpo do outro e o não-sexual. Gozo aqui não é o equivalente ao orgasmo, mas é um conceito psicanalítico que aponta para a energia psíquica que nos move, falando de uma maneira bem simplificada.

Mais ou menos assim: temos uma quantidade de energia, que fica no limite entre o físico e o psíquico, que precisa ser liberada o tempo todo – pela nossas ações, pensamentos e sentimentos – para manter o aparelho psíquico “estável”, sem grande quantidade de excitação, pois, com muita excitação, sentimos desprazer.

Assim, cada um busca ações e maneiras de se relacionar no mundo de modo a provocar esta descarga de energia – que provoca alívio, mas muitas vezes dor também. O sexo não deixa de ser uma das maneiras de liberação desta energia, mas existem muitas outras. O gozo sexual, por exemplo, não ocorre apenas no sexo, mas sim em todas as nossas ações que provocam uma descarga parcial desta energia.

Para Nasio, “o gozo é um lugar vazio de significantes” (p. 29), ou seja, algo do qual não se consegue falar exatamente, pois é da ordem do impossível. Mas bons escritores e escritoras conseguem se aproximar da descrição do gozo, como Hilda Hilst, nesse trecho de A obscena senhora D (2001):

“A paixão é a grossa artéria jorrando volúpia, é a boca que pronuncia o mundo, púrpura sobre a tua camada de emoções, escarlate sobre a tua vida, paixão é esse aberto do teu peito e também o teu deserto” (p. 29)

Esta descrição fala do corpo. Ao ler, imediatamente você sente como é, embora sempre, na leitura, não dê para descrever exatamente as reações do corpo que sentimos neste gozo (que é esta energia nessa descrição de Hilda sobre a paixão).

Esta dimensão também é importante para uma relação, mas também não sozinha, já que o alívio provocado pelo gozo é o que nos move. Mas Julien (2000) de novo fala que relacionamentos baseados nestas duas dimensões são (1) medíocres, amor por identificação ao outro; ou (2) subversivos, baseados apenas no gozo sexual.

O desejo e nossa falta

quebra-cabecas
Eu, você e todos nós: sempre incompletos

Para Julien, “se o amor é dom daquilo que somos, o desejo é, ao inverso, dom daquilo que não temos e daquilo que não somos: é confissão da falta, do vazio” (p. 35).

O autor afirma que a lei do desejo “é a única que pode sustentar a diferença entre os sexos” (p.37). Esta diferença, ele ressalta, não é anatômica, nem de gênero. É a diferença no sentido de alteridade, ou seja, saber que o outro é diferente de você e conseguir valorizar isto. E saber que a completude não existe, nem em nós mesmos, tampouco numa relação.

Neste sentido, Julien fala que, ao nos submetermos à lei do desejo, aceitando o diferente, o incompleto, podemos construir relações que se mantém – e sempre descobrir algo novo e diferente dentro destas relações. Mas por que não nos submetemos sempre a ela? O autor afirma que é para evitar conflitos e transgressões das leis do bem e do dever, que implicam em sempre se mostrar como bons e perfeitos ou moralmente inabaláveis.

É aí que está o desafio: aceitar que o outro não é completo implica, primeiro, aceitarmos que não somos – olhar para dentro e ver as nossas dificuldades e a nossa falta. Ainda segundo o autor: “o desafio é ficar próximo do não-conhecido no outro e em si mesmo” (p.43).

Ítalo Calvino termina seu livro As cidades invisíveis (1990) com o seguinte trecho, que acho muito pertinente:

“O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tenta saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.”

Na sociedade atual, este olhar para dentro é bem difícil: primeiro, pela infinidade de afazeres que nos distraem; segundo, que a exigência de se mostrar perfeito e feliz o tempo todo dificulta ainda mais olharmos o que não é bonito e feliz – coisa que já é difícil de se fazer por si só. Assim, cresce a venda de livros de auto-ajuda, que só reforçam que a felicidade plena e a completude é possível. Mas a insatisfação também cresce, assim como o desentendimento nas relações.

Cada uma das dificuldades enfrentadas por um casal não é superada (se é que pode-se dizer superação) sem uma boa dose de sofrimento. E sem uma boa dose de conversa. É o falar, argumentar e negociar que faz com que as escolhas do casal possam ser construídas. Calma, meninos, não estou propondo a DR eterna! Mas a pontuação das diferenças é sempre necessária – e por meio da fala que chegamos a acordos, saídas, novos caminhos.

Neste sentido, a música popular brasileira, arraigada em concepções menos eruditas sobre o amor, muitas vezes dando voz a sabedoria popular, diz: “Pergunte ao seu orixá, amor só é bom se doer” (letra de “Canto de Ossanha”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes). Simples. Porém essencial para pensar num amor fundado na diferença.


Link YouTube

Porque, afinal, é com a diferença também que se pode sair da mesmice: é por saber a dor, que se sabe aproveitar a felicidade. E as pessoas esquecem-se das oposições na contemporaneidade, por temer abalar tudo aquilo que julgam estável. Tem de se ter a garantia, a certeza…

Mas certo mesmo é que não se pode ter certeza de nada com relação ao amor.

Referências:

Calvino, Italo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
Julien, Philippe. Abandonarás teu pai e tua mãe. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000.
Hilst, Hilda. A obscena senhora D. São Paulo: Globo, 2001.
Nasio, J D. 5 lições sobre a teoria de Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1993.

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Foto do autor

Marina Graminha Cury é psicóloga e especialista em Psicologia Hospitalar pela USP. É psicanalista em formação. Atua como psicóloga clínica em instituições e consultório particular e acredita que os livros de auto-ajuda deveriam ser queimados em praça pública.

Outros artigos escritos por Marina Graminha Cury

  • Marlon Duque
    Texto muito bom.
  • Liliane
    Acredito que para dizer que alguém nos completa, precisamos estar completos em nós mesmos...
    Eu não esperava me relacionar com ninguém por agora... Mas aconteceu de eu encontrar uma pessoa que conheço há uns oito anos, e não via há uns quatro... Ele me convidou pra sair, e hoje o amo muito... E ele me completa...
    Mas não no sentido de que eu estivesse incompleta, porque eu não estava em busca de completude... Ele completa aquilo que eu justamente não estava procurando, eu esperava, claro, ninguém quer ficar só, mas eu não estava indo atrás...
    Assim como eu converso com ele, vou deixar aqui pra vocês:
    O que falta nos relacionamentos é simplesmente diálogo...
    DR não precisa ser necessariamente DR!
    Na verdade não precisa haver DR! Se você conversa sobre qualquer coisa, não haverá necessidade disso...
    Não que você tenha que contar cada pensamento que passa na sua mente, afinal, a sua individualidade, bem como a do(a) seu(sua) parceiro(a) tem que ser mantida, mas você tem que ter no relacionamento a liberade de poder conversar sobre qualquer coisa...
    Se você se sente bem no começo do namoro, basta manter assim... A rotina chega pra todo relacionamento, mas cabe aos dois, através de diálogo, fazer com que essa rotina seja diferente, prazerosa...
    As pessoas podem sim se completar... Mas somente se já estiverem completas em si...

    Beijos!!!
  • Ana Cláudia e Marcos Vinicius
    Eu e meu namorado gostamos muito dessas informações , nos ajudou muito.
  • Jonathan
    Não se tem evidências que psicanálise funcione. Na verdade até tem de que não funcione.
  • Renan
    ... o duro é quando um não entende as diferenças do outro como algo rico para a relação e sim como algo a ser eliminado. DR não adianta nada, a busca do equilíbrio das diferenças está na conversa franca e honesta do cotidiano. É como mamãe já dizia, "case com alguém que você goste de conversar, porque o resto acaba com o tempo".
  • J.
    Brigadão, dona Marina, pelo ótimo texto que você fez. Obrigado, também, PdH. Isso, por si só, acaba de mudar minha vida - o peito ainda arde pelo que fiz, ainda que eu saiba que foi o certo a se fazer.

    Obrigado.
  • Marina Graminha Cury
    Grazi e todos os leitores,

    acabo de ler 'Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" da Clarice Lispector e acho que tem muito a ver com tudo o que vocês disseram...
    Trata de uma mulher, dentro de um relacionamento amoroso.
    Fica aí a dica!
  • "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" é um PUTA livro. Pra ser lido, relido e relido...
  • Grazi
    Muito bom o artigo, Marina..

    Me chamou atenção a citação de Philippe Julienfazer:

    "com que seus filhos sejam educados para o mundo, eles devem passar aos filhos a lei do desejo, fundada na concepção de que não existe completude nem no ser humano, nem em suas relações; existem escolhas."

    EXISTEM ESCOLHAS!

    Sempre acreditei na completude, amor eterno, alma gêmea...
    Sempre gostei de acreditar... Deve ser por conta do meu sagitárianismo (o céus porque acredito nessas coisas??!! rsrs)

    Mas minha mãe sempre me falou AMOR é ESCOLHA, eu escolhi amar seu pai porque eramos parecidos, nossas famílias tinham os mesmos costumes, e estamos há 25 anos juntos e em um relacionamento que tem sim suas dificuldades mas perfeito para nós dois.

    Não gostava (gosto) de acreditar nisso, porque não sei se confio em mim, para ESCOLHER. E levando em consideração a teoria da minha mãe, entendo porque os casamentos de antigamente, arranjados pelas famílias davam muito mais certo. (davam ou pareciam dar??)

    Me entrego aos relacionamentos sem medo... Vejo o que eu quero ver no outro até que o tempo escancare o contrário...
    Aí me frusto, termino a relação, fico carente, volto com ele, se ele não quer arrumo outro pra suprir minha carência, resolvo amá-lo, dou tudo de mim no relacionamento, começo ver que não daríamos certo junto (até entendo que ele não é perfeito, que ninguém é perfeito... mas percebo e todos a minha volta (principalmente meus pais) percebem que a personalidade deles nunca dariam certo com a minha), termino, fico carente, e volto.. e assim por diante...

    Bem, pelo menos, reconheço :(.. É claro pra mim meu egoísmo de não pensar no outro. Que também se machuca nas idas e vindas...

    Reconheço, também, que o meu maior problema é não saber lidar com a carência e me jogar nas relações sem ESCOLHER.

    Não escolher o Perfeito (não existe! não existe! não existe! rsrs -para meu convencimento)...
    Mas escolher um parceiro.. Com seus defeitos suportáveis por mim... E com paciência pra lidar com alguém muito complicada que complica tudo e cheia de defeitos... rsrsr (hahah mas o lado compensa eu garanto! rsrs)

    Acho que devo me conhecer pra ver o que não suportaria num parceiro (sossegado, sem iniciativa, sem vontade viver intensamente a vida, e cachorro - só isso não suporto! mas sempre me envolvo com tipos assim.. =( )


    Escolher começar um relacionamento, só se tiver assunto, porque em algum lugar já li, que o diálogo é o que mais vai importar num relacionamento quando estivermos mais velhos..

    Meus defeitos são suportáveis pra ele + os dele são suportáveis por mim + temos afinidades = dá pra ser MUITO feliz com muito diálogo e paciência...


    Enfim, queria terminar assim:
    "já que é inevitável o sofrimento..
    Dá pra sofrer sozinha..."

    Mas eu não quero!
  • Patricia Pacheco
    Bom... Nenhuma novidade. Todos nós buscamos a perfeição, sendo bem mais fácil procurar a perfeição nos outros que em nós mesmos.

    O fato é que ninguém precisa se completar. Nascemos completos. E a idéia passada pela mídia, contos de fadas, etc. são idéias que nos envenenam. É um absurdo crianças assistirem e lerem coisas do gênero.

    Observem como é um conceito estúpido e idealizador o modelo único de promessa de felicidade criado pela mídia:
    - Temos que ser brancos, loiros e de olhos azuis (porque isso sim é beleza para a mídia);
    - Sermos ricos e comprarmos roupas, acessórios e tecnologia da moda (o intelecto pouco importa; isso me lembra um adolescente babando na frente de um videoclip);
    - Temos que ter uma profissão promissora: médico, advogado, etc. (outras profissões são meras coadjuvantes);
    - Encontrar o "único e verdadeiro amor" (um absurdo. Como se não pudéssemos ser felizes com mais de uma pessoa: se a minha outra metade da laranja morrer em um acidente de carro estou condenada à infelicidade por todo o resto da minha insignificante vida);
    - Casar com esse "único e verdadeiro amor" e ser feliz para sempre (engraçado que a mídia não comenta que tudo tem seus altos e baixos. A fé, a paixão, o amor, a felicidade, a tristeza, a esperança: tudo oscila como se fosse uma onda).

    E quem já sabe de tudo isso e já instalou um filtro contra a mídia no cérebro? Agora sim pode ser feliz? Pois é... É claro que não! A nossa mente é uma coisa bem complicada. Como os pscicanalistas são corajosos... Hahaha!

    Sabe qual é o pior dos nossos erros? Colocar nos ombros de quem está ao nosso lado a total responsabilidade de nos fazer feliz. Sendo que esta responsabilidade é exclusivamente nossa. Estar em boa companhia deve ser apenas mais agradável.

    As pessoas precisam ter a auto-estima elevada. Sem ela sempre precisarão ouvir de outra pessoa o quanto são especiais, importantes, lindas... Nós sempre precisaremos disso, mas não podemos ser reféns dessa dependência. É importante nos valorizarmos...

    E sabe por que atualmente as pessoas não conseguem se valorizar? Porque infelizmente não conhecem conceitos de valores além daqueles mostrados pela mídia... Sad, very sad...
  • Luciana
    N acredito nessa frase; vc me completa, pq td isso é efeito fumaça, irrita e depois some.Talvez seja a ótica da visao realista q muitos tem, q para serem felizes precisam de alguem q as complete.
  • rainers
    lembrei dessa música lendo o texto:

    Eu Não Sou Eu
    Zélia Duncan
    Composição: Lucina - Zélia Duncan

    Eu sou sua miragem
    Sombra fresca da sua realidade
    Sou sua resposta
    Sua ilusão de ótica palpável
    Seu improvável
    Seu conforto e seu pesadelo
    Me diz primeiro
    Por que te mostro metade do meu amor
    inteiro?
    Me diz primeiro
    Por que não houve um segundo beijo?
    E depois um terceiro?


    Eu sou seu corpo mais forte
    Seu alvo atingido
    Sua semente que nasceu
    E não consegue
    Te dar o fruto doce, já crescido, eu não sou eu
    Eu não sou eu
    Sou alguém que você imaginou
    Uma visão do seu amor

    Belo post!! Um dos melhores já publicados aqui na pdh.
  • Julius François
    Caro, Carvalho

    Não subestime o público de Papo de Homem. Tenho certeza que muitos aqui são formados e/ou tem formação suficiente para entender o texto.

    E parabéns à autora, foi o melhor artigo que já li no site.
  • Aluno
    Esse texto parece TCC de faculdade, só citação pra dá volume!!!
  • Mariana
    Marina,
    Parabéns pelo texto!
    Sou psicóloga e gostei muito de tudo que li. Muitas pessoas que escrevem para blogs etc., se esquecem ou mesmo não se preocupam em fundamentar seus artigos. Ao contrário do seu, que abordou a questão de modo claro, passando longe da superficialidade.
    O que mais chamou a minha atenção foi o modo como você abordou questões bastante particulares sobre a psicanálise, e ainda ter podido estabelecer um diálogo entre esses aspectos e a temática dos relacionamentos. Isso tudo, especialmente por ter abordado tais aspectos para um público que não necessariamente teria propriedade acerca deste assunto.
    Parabéns mais uma vez...
  • Marina Graminha Cury
    Oi pessoal, é sempre muito bom escrever aqui para a PDH porque a galera sempre faz comentários bacanas!
    Eduardo, fiquei emocionada, de verdade, com a sua história!!! Muito bonita mesmo, fico feliz que você achou que o texto passou uma mensagem parecida a que você passa para seus filhos...
    Lewis, a idéia é que, quanto mais a gente se coneça, menos faça uso da projeção... mas extinguí-la é impossível mesmo, até porque a separação eu-outro é impossível pelo ponto de vista da psicanálise!
    E até que enfim uma crítica!!!!! Sempre desconfio de muitos elogios... e relendo o texto, também acho que poderia ter sido mais coloquial...
    Mas de qualquer forma queria novamente agradecer o espaço!!!
  • Carvalho
    Será possível que todo mundo adorou o texto? Eu conheço um pouco de psicanálise, psicologia, fiz terapia por 3 anos, e achei cansativo, com um monte de palavras e conceitos complicados e rebuscados...

    Mas essa é somente minha opinião...só estranho o fato de todo mundo ter adorado....será que entenderam?? Ou gostam de ler, mesmo que não entendam???
  • Navirai
    Como diz o Gitti, o outro não é só aquilo que enxergamos. O amor limita nossa visão.
  • Marcia
    Marina, concordo com vc. Já pensava seriamente sobre isso quando li alguns livros do Dr. Flávio Gikovate.
    Há 2 anos resolvi morar sozinha, estou sem namorado e feliz pacas. Claro tenho meus momentos de carência.
    Mas curto a minha vida, a minha independência, minhas coisas. Não preciso de alguém que me complete, quero alguém que seja companheiro e que respeite minha individualidade.
    Tive amores malucos, mas era adolescente. Hoje analiso mujito a situação antes de me envolver emocionalmente.
    PARA O DOUGLAS NÃO ACREDITA NISSO - cara, a moça não devia sentir desejo por você e/ou era imatura para investir numa relação não movida pela paixão. Você se deu bem, mais cedo ou mais tarde ela surtaria por outra pessoa. Agora, amado não desista de forma alguma, tem por ai alguma mulher madura querendo você.
  • Lilla
    Parabéns Marina, texto excelente! Você conseguiu tratar de um assunto complexo de maneira leve, conseguindo desmitificar o senso comum sobre alguns conceitos psicólogicos/psicanalíticos. Eu gosto de textos assim, não fragmentados que proprocionam uma visão ampliada e despertam um estado de introspecção no leitor.
    Pelo caráter intimista e sem respostas óbvias, alegro-me em ver que muitas correntes de análise tem se aproximado cada vez mais dos ensinamentos budistas e védicos. Por exemplo, a ideia que não devemos fugir à dor e sim aceitá-la com naturalidade e vivenciá-la, nada mais é que o conceito budista de que "nada é ruim, tudo é bom". Ou ainda quanto mais fugimos do sofrimento, mais somos impelidos a ele. Para transitar no Bardo e atingir a Liberação há que se estar livre de repulsa e apego. Poderíamos entender aqui que a felicidade, essa inconstante, também é fruto deste pressuposto.
  • Simplesmente sensacional!

    Realmente as pessoas tem uma certa dificuldade de olhar e ver seus erros, de conseguir enxergar que nunca vai completar ninguém mesmo sabendo que ninguém nunca completa esta pessoa.

    Acho engraçado amigos meus falando que mulheres que tem namorado traem, mas das suas namoradas eles não duvidam da fidelidade porque assim estariam duvidando de seu próprio potencial.
  • Leoni
    Seres humanos são inerentemente volúveis. À medida que adquirimos novas experiências através dos relacionamentos com outras pessoas, a imagem que temos delas e de nós mesmos, se altera. Idem para os nossos desejos. Por isso, esperar a completude num relacionamento, que o outro seja perfeito, é no mínimo uma incoerência.
    Gostei do texto, Mariana, parabéns.
  • Muito pertinente este texto! Estava discorrendo sobre isso com um amigo ontem mesmo. Eu vivo uma relação que sinto ser baseada na compreensão das diferenças e noção de que vivemos sim em uma parceria, como uma sociedade. Me identifiquei nos trechos onde diz que a discussão é o melhor caminho. E é. É como uma DR eterna sim, mas quem disse que as DR's são ruins? Entre eu e minha esposa, é como se rolasse um papo de troca de idéias entre amigos.

    O que acho muita vantagem, não tenho de esconder nada dela, nem ela de mim. Vivemos praticamente um relacionamento aberto, baseado no companheirismo (amor) e na compreensão dos desejos.
  • Douglas Não acredita nisso
    Eu nunca acreditei naquele amor e paixões épcas das novelas, do amor aprimeira vista e "pimba" como foi retratado no texto anterior, mias.
    No último natal estava eu teclando com uma garota que era de muito interesse para mim, e tentava explica-la a questão da concessão no relacionamento, onde devemos as vezes nos sujeitar a certos empasses da vida amorora. Tentei explica-la também sobre o amor a primeira vista e "Pimba" e dizea a ela que não acreditava muito nisso, e que apezar dela estar a algum tempo querendo se relacionar comigo, eu ainda não sentia por ela a tal da paixão, mais estava disposto a encarar um relacionamento sério, e olha que quando falo sério, falo de casamento e tudo.
    resumindo:
    Na virada do ano ela saiu de Goiânia, onde moramos e foi para brasilia passar a virada, conheceu um rapáz da igreja a qual fazemos parte, se gostaram e estão namorando e já estão falando em noivar para casar, já que não querem perder tempo e ficar tão longes um do outro.
    resultado disso tudo:
    RODEI........
  • Manuel Radaelli
    agora faltou um link pra completar ... um trecho do filme "diario de uma paixao"/"notebook" ... que depois de um tempo separados a guria tendo passado uns dias de novo com Noah entra no carro pra ir embora, bate na cerca, sai nervosa. ... ai ele diz algo do tipo: "pelo menos uma vez na vida va atras do que voce quer, nao do que é bom para os outros." e diz que não vai ser facil se ela decidir ficar com ele, pois ele tem problemas assim como ela tambem tem problemas (de os dois nao serem perfeitos, enfim) ... mas que é preciso lutar mesmo sabendo desses problemas ...

    era algo do genero, só assistindo pra saber mesmo!


    ótimo texto!
  • Renata
    Texto perfeito!!! Um dos melhores que já li no site.
  • Ótimo texto!
    Não vou falar mais sobre o texto, pois tenho que organizar as idéias ainda! rs
    Mas gostei muito! Excelente!
  • Bruno
    Acompanho esse site pelos Feeds, e tirando alguns textos do gustavo gitti q eu gosto, esse foi o melhor que já li. Muito bem escrito, muito bem articulado e embasado, e ótimas referencias. Engraçado que num site de homens para homens, o melhor texto seja de uma mulher. Ultimamente o PdH só está tendo um besteirol sem limite. Sem contar a "bobagem" do cabana PdH pagar pra conversar com gente por email. Mais fácil ir para um bar e socializar. Sem contar que vc ganha muito mais.
  • Rodrigo
    Belo texto!
    Tudo parece tão simples quando alguém expõe de maneira clara...
    Queria eu que fosse assim nos momentos de sofrimento por perda de alguém.

    Mulheres no PdH rulam!

    Ps.: Duas paginas 29 citadas ;D
  • Buzzy
    Você abordou o tema de um ponto de vista muito social e humano, ou seja, não saiu da merda.
    Tente aplicar este conhecimento à esferas maiores do conhecimento.

    quando eu digo à "esferas maiores do conhecimento"
    é algo como nessa figura aqui :
    http://imgs.xkcd.com/comics/purity.png
  • Fucker
    Otimo texto, sem duvida.

    Jason
    Concordo contigo. Todos nós sem exceção, somos variáveis, e sempre buscamos algo de novo. Naum da pra concretizar uma pessoa. Carne e osso lembram ??

    Excelente texto !!!
  • Laura Berquó
    Belo Texto...
    Dá bem a idéia mágica que a maioria de nós cultiva de encontrar a felicidade no encontro com o outro...Já que nos sentimos incompletos.
    Dois horizontes mágicos, a completitude e a permanência!
    Adorei.
  • Genial!!!

    Me fez lembrar " A insustentável Leveza do Ser" do Milan Kundera que também foi parar nas telas de cinema.
  • Que texto interessante, passei por muitos momentos a lê-lo, rabisquei alguns trechos na parede, e de certo que me abriu a mente ainda mais para os relacionamentos.

    O Laço mãe e filho que você abordara no texto acima foi uma das discursões mais demoradas que tivemos. Mostrando em um dos detalhes da conversa que o Pai é quem quebra esse "laço" e insere o filho no meio social.

    Muito bacana o seu texto, fico feliz em poder ler algo tão gostoso no domingo.

    Parabéns.
  • Luiz
    Marina , essa é a primeira vez que eu leio um artigo seu e estou admirado com tamanha sensatez ("Mas certo mesmo é que não se pode ter certeza de nada com relação ao amor" ... hehe ...) e sensibilidade ao expressar suas opiniões ...

    Parabéns pelo seu artigo ... "Você me completa" ... hehehe ...

    Beijos Linda !

    Luiz.
  • tb acho que os livros de auto ajuda deveriam ser queimados em praça pública! Temos tantas obrigações... obrigação de ser loira, magra, bonita, jovem e agora a obrigação de ser feliz sempre! como se isso fosse possível! pro resto há plásticas, silicones, tinturas de cabelo, maquiagem, photoshop... mas... e pra infelicidade??? é bom curtir uma infelicidade... única maneira de ser fenix.

    parabéns pelo texto!
  • Jason
    Excelente texto com uma ótima comunicação psicanalítica, livre das terminologias "pedantes" que muitos usam. =D

    Agora minha opinião sobre o assunto:

    Acho que o grande problema dos relacionamentos é exatamente a forma como as pessoas lidam com o desejo. Não que o desejo seja ruim, pelo contrário, mas muitos não sabem fazer bom uso do desejo. Ao meu ver as pessoas estão sendo muito influenciadas pela pelo vício da identificação; vou explicar.

    Há, como você já disse, a busca pela completude, felicidade, plenitude etc. Esse sentimento de vazio, de "falta algo", leva o sujeito à procura, até ae nada errado. O problema é que o sujeito não percebe que essa plenitude não existe e acaba por querer, forçadamente, ter para si esteriótipos. Seja no relacionamento ou na personalidade, ninguém se deixa ser o que é, não querem ser livres e se prendem em conceitos.

    No amor isso é perceptível. Eu procuro no outro um conceito, algo que eu possa vestir, algo que aponte o que eu sou no meu total ("Ele(a) me completa!"). Quando vemos que o outro muda — pois ninguém é "algo" fixo, estável — nossa imagem se quebra, ae nos decepcionamos.

    Talvez meu texto tenha ficado meio confuso, mas é pq simplesmente fui digitando sem organizar as idéias. Se entenderem, parabens. :P
  • Eduardo Sanches
    É muito gostoso ler um texto e ir se identificando com várias situações e reflexões que já fizemos e fazemos o tempo todo. Gostei muito mesmo Marina, parabéns! Considero que vivo um relacionamento maduro, eu e minha esposa estamos casados há 25 anos mas estamos sempre nos surpreendendo, não deixamos que as rotinas virem monotonia, compartilhamos tudo, mas respeitamos nossas individualidades. Sobre o início do seu texto, lembrou-me uma preocupação que temos em relação aos nossos filhos, temos uma filha de 22 anos e um filho de 18, a nossa relação com eles sempre foi muito franca, e sempre fizemos questão de que eles soubessem de tudo que acontece nas nossas vidas, conhecessem as nossa história antes da chegada deles, de como eles foram planejados e tudo que fizemos para que eles se formassem pessoas de bem e estamos muito satisfeitos com o resultado, eles nos conhecem muito bem e também o nosso relacionamento, costumamos sempre ser muito naturais nas nossas manifestações de carinho no dia a dia em casa e sempre que estamos juntos e isto acabou que determinando um modelo de casal ideal para eles. Os dois já fizeram comentário do tipo, "ah vai ser difícil encontrar um cara com o meu pai..." e "acho que não casar nunca...", mas estamos sempre tentando não passar esta certeza de casal perfeito, não existe, mas tivemos sorte, nos conhecemos ainda adolescentes no antigo ginásio, tivemos aquele namoro de criança, depois de um tempo entre a adolescência e o início da vida adulta nos reencontramos e já tínhamos tido a oportunidade de outros relacionamento e foi muito bom esse reencontro, porque na verdade sempre estávamos nos encontrando e quando conversávamos era engraçado como os dois ficavam comparando os atuais com a gente, isso foi determinante para a nosso decisão de ficar juntos. Isso tudo que você trouxe para a nossa reflexão é muito bom, as citações, senti vontade de ler tudo, vou ler, e vou compartilhar com a minha esposa e filhos, valeu mesmo! você ganhou mais um leitor assíduo!
  • Mario de Souza
    As pessoas são muito radicais com os sentimentos. Ocorre um problema, e já se julgam infelizes. Felicidade é diferente de perfeição, pois a felicidade existe. Ser incompleto, ter problemas, incertezas também compõem uma vida feliz, a questão é saber lidar com tudo isso de uma forma positiva.

    Como dizia o cara mais feliz que já conheci:
    "O jardim do outro sempre parece mais verde..."

    Sejamos felizes com nossas vidas, ainda que imperfeitas.
  • Marcão, macho-alpha++
    Muito bom o texto. Em alguns pontos uma complexidade que é impossível deixar de fora do contexto, e certamente vai atrapalhar os neófitos.

    Aprofundou minha compreensão do complexo de Édipo, suas motivações mais profundas. Embora ele ainda continue... válido. Entendi isso nas minhas escolhas na vida e na minha companheira, nos amigos e colegas.

    Percebo essa dificuldade nas pessoas a minha volta, nos relacionamentos que conheço: a idealização do outro, a eterna expectativa frustrada de perfeição e a busca insensata por se tornar completo num relacionamento.

    Acredito eu que quando passamos a perceber as implicações do fato que a única força que molda a vida é o caos e a inconstância da realidade, sendo a eterna emergência sua principal característica; deixamos de idealizar, de ter expectativas irreais sobre qualquer coisa, inclusive relacionamentos.

    Att

    Marcão, macho-alpha++
  • 'Mas certo mesmo é que não se pode ter certeza de nada com relação ao amor.'

    Está é, sem dúvida, a mais difícil certeza de se lidar... Em nossa ânsia por controle, estabilidade e garantia, sofremos a falta da certeza que tanto buscamos.

    Maravilhoso texto da Marina, e nos toca questões difíceis de lidar!

    Parabéns.
  • W. Sant
    Ótimo texto.

    Lembro de uma frase que diz que o "ser humano é um animal da adaptação, e não da estabilidade." é a mesma idéia que vi no texto.

    De fato, nós vivemos em um contexto social que valoriza muito a imagem pronta, acabada. E isso acaba sendo passando para os relacionamentos amorosos. Quando o parceiro/parceira acaba não mais correspondendo àquela imagem que se tinha dele/dela quando do início do romance, a insegurança bate à porta e, quando os dois não sabem lidar com isso, pensa-se em logo em terminar o relacionamento.

    A maior ação que devemos fazer é mudar a nós mesmos em relação a isso, nos conhecer melhor para evitar desgastes desnecessários nessa situações. Esperamos muito do outro, mas não nos auto-avaliamos também.

    Como disse o cara aí de cima: "Haja compreensão e sorrisos!"
  • Então...

    Psicanálise + Hilda Hilst + Calvino + Vinícius = WIN.

    Sem maiores comentários. Excelente texto, ótimo para acabar com algumas teorias de psicologia de botequim.
  • Lewis
    Marina,
    então, será possivel saber/ indentificar o que é nossa projeção do outro, num relacionamento?
  • Ah, deixa eu completar. Quero deixar minha definição do "you complete me".
    Essa frase clássica só pode ser dita, quando a relação atingiu um nível maduro e, pelo menos pra mim, bastante almejado por muitos casais. Quando as limitações do outro, encontram amplitude em você, ou seja, você o completa naquilo que ele ainda precisa melhorar e vice versa.
    Entendido?
  • Acho muito interessante quando vc fala 'esta exigência de se mostrar perfeito e feliz o tempo todo', me lembra que li em algum outro lugar sobre essa necessidade de sabermos o que sentimos, vivermos algumas dores, o que muitos psicólogos modernos incentivam e que muitas pessoas fogem, neste desespero por alívio.
    Claro que, recentemente, li num outro livro uma crítica justamente a esta nova 'modalidade' dos terapeutas em incentivar o paciente a viver seus lutos e sentir sua tristeza. Mas eu concordo com isto, contando que não nos esqueçamos de que todo luto passa.
    Gostei muito do seu 'estudo' e dessa reflexão toda. Chega uma época na vida de qualquer um que é muito vazio e cansativo esse modo de se relacionar superficialmente. Trocar de parceiro nunca é a solução para os problemas, quem não está a fim de dialogar, ser diplomático e investir num relacionamento amoroso não deveria querer manter relacionamentos com seres humanos.
    Espero que as pessoas deem um 'up' na consciência e busquem formas mais eficazes de resolver seus conflitos.
    P.S.: Esse parágrafo que vc menciona sobre o livro de Ítalo Calvino, foi simplesmente o máximo! Eu vou ter que ler esse livro, uma verdade e tanto!
  • Adorei o seu texto, achei bem Lacaniano e achei que você soube expor a psicanalise sem as demagogias de quem a pratica - muitas vezes vemos as pessoas dificultando-a a ainda mais para se julgarem discursantes do saber.
    Acho que o maior mérito do seu texto é acabar com as nossas ilusoes de uma maneira coerente, que nos possibilita refazer conceitos e nos reencontrarmos com nossas formas de vinculação - 'por uma nova educação sentimental', coisa de que muito precisamos nesses nossos tempos.
    Ótimo texto, ótima reflexão,concordo com as coisas que vc disse e o seu jeito de dize-lo.
  • Rodrigo
    Ótimo texto! Eu não tenho tanta experiência com essas coisas.

    Você está certa e eu vou complementar alguma coisa...

    Acho que são de pequenas coisas que o chamado "amor" vai embora.

    Como você disse: "o amor é baseado no devotamento, na atenção, na ideia de constituir um 1 de 2. O amor é da esfera do nosso imaginário, ou seja, daquilo que espero, imagino, que o outro tenha que me completa e se baseia naquelas marcas que trazemos conosco das nossas relações primeiras."

    A pessoa já sai imaginando o que espera da pessoa, o que crê que ela faria em algumas situações, sem as enxergar que seriam diferentes primeiro.

    Um bom exemplo é:

    - Ah amor, essa calça é bonita?
    - Não sei...

    A mulher espera a opinião do homem, a atitude dele, e não se contenta quando não recebe. Daí vem a insatisfação e a eterna colocação de coisas más na cabeça.

    O amor é bonito quando momentos bons são compartilhados com os momentos chamados ruins, aqueles de decisão. O importante é compreender que a outra pessoa é diferente de tudo aquilo que você viveu antes, que ela tem outros costumes, passou por outros relacionamentos mais doloridos ou não. Haja compreensão e sorrisos!
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