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Viciados em epifanias | WTF #1

Eduardo Pinheiro

por
em às | Artigos e ensaios, Mente e atitude, WTF


Mais uma descoberta interior, uma revelação inusitada sobre nossa condição, uma comparação espertinha entre âmbitos tremendamente diversos que pareça iluminar nosso cotidiano de sentido profundo? Ou apenas mais um fast food de autoajuda hipster?

Um tempo atrás tive uma percepção assombrosa e súbita com relação a todas as percepções assombrosas e súbitas que tanto procurei em minha vida: elas pouco a pouco haviam se tornado nada mais do que mais uma forma de desviar a atenção das coisas que realmente importavam.

Esta “última epifania” me fez procurar entender o que realmente significam esses momentos tão procurados por tantas pessoas (e com certeza por aqueles que clicam para ler textos promovidos em redes sociais com tanto hype como já vi outros textos mais ou menos ao estilo deste receberem).

Pornô epistemológico

Possivelmente estou falando com pessoas que adoram ganhar um inesperado balde d’água na cabeça, mas também entendo que existam muitas pessoas com grande apego ao convencional, e que abominam muitas das formas de surpreender e atiçar a atenção do interlocutor até um gozo epistemológico. Estas têm os seus problemas, mas não são objeto deste meu texto. Para a maioria jovem e letrada a verdade é que hoje vivemos numa cultura cada vez mais dominada, por exemplo, pelo tipo de pornô epistemológico de seriados como House, onde ansiamos ver um personagem obter a chave de um quebra-cabeça médico.

Ah, comparar o clímax do eureca de cada episódio do seriado com o esporro (money shot) exigido nos filmes adultos fez cócegas na sua cognição? É com você mesmo que estou falando. Se você acompanha esse tipo de salto conceitual, aprecia isomorfismos inusitados, gosta do palavrado chulé (de onde vem chulo?) misturado com epigramas barrocos e vários níveis de subtexto… você é um legítimo dependente do satori hipster.

TED

TED.com: todo mundo gozando (inclusive você)

O que quero dizer com isso é que já passamos da fase Além da Imaginação de uma ou outra mera manipulação de enredo, e já não somos (tão) cooptados pelo mindfuck pseudopsicanalítico de um David Lynch, mas aquele feijão com arroz que nos faz compartilhar uma propaganda apenas porque ela é espertinha e contraintuitiva, não obstante o produto que venda (mesmo que ligeiramente positiva em sua mensagem), segue nosso prato diário.

“Opa, apertou um botão”: um botão interno na pessoa, um click externo que valida, fortalece, reifica a experiência como interessante – mas claro sempre em simulação, sempre de uma forma segura – de uma forma que fique parecendo que se descobriu algo que vai mudar alguma coisa, mas na verdade no mais das vezes apenas reifique os padrões usuais a que estamos acostumados.

Cultura do “awesome”

Embutimos os métodos de autossabotagem via autoajuda desencanada e revelações extraordinárias, que tornamos banais pelo mero fato de sermos consumidores compulsivos destas revelações extraordinárias. Na esteira semântica, o termo inglês “awesome” uma geração atrás era usado para algo que realmente produzia um quase terror de tão absurdamente fantástico que era – hoje os adolescentes o usam para descrever o fato de que ganharam um refri extra no fast food, ou que o cabo de seu computador tenha uma presilha magnética.

Da mesma forma, alguém pode lhe dizer algo muito profundo e importante, e não é que você não entenda, mas como você vê arco-íris duplo o dia inteiro, para as coisas mais triviais, aquilo é só mais um “awesome!”, de valor não tão diferente do sushi abismal e fantástico que você consumiu meia hora atrás.

Sua capacidade de fascínio foi embotada, e como um viciado que desenvolve tolerância, você precisa de doses cada vez maiores, de coisas cada vez mais banais ganhando cada vez mais valor. O que interessa a você não é mais o conteúdo de seus insights e como você pode integrá-los na sua experiência cotidiana; a sua experiência cotidiana é uma sequência de insights nivelados por baixo. O sapo pulou de volta pro lago, ploft? Você acha que é sua sensibilidade que vê algo profundo nisso, mas, como na sacada de um maconheiro, é mero viés cognitivo: o que você confunde com grande sensibilidade é nada mais do que certo embotamento.


YouTube | Comercial bonitinho + mensagem de autoajuda. Pacote completo

Nos falta cansaço com o mundo, certo desânimo tedioso que encaremos estoicos, sem procurar mais distração. Não precisamos de cinismo, mas sim daquele sentido de realismo pragmático sem arroubos de heroísmo, isto é, precisamos acabar com certo deslumbre vão perante coisas menores (e a maioria das “descobertas” em meio a textos são assim) e botar o pé no chão — e não porque estou dizendo isto, mas porque você viu sofrimento ao seu redor no seu dia.

Hoje é difícil nos descobrirmos realmente adultos. Até a velhice chegar nos envolvemos dia após dia com frivolidades e então, “velhos”, ninguém mais dá a mínima para nós, e morremos.

No passado não era assim, havia certos acontecimentos que davam o peso da idade, e as pessoas os levavam a sério. Seriedade que é importante, sem nunca chegar ao extremo que leva ao isolamento e sisudez. Nenhum de nós (felizmente) foi a uma guerra, mas embora o sofrimento esteja em todos os hospitais e em todas as famílias existam tragédias, constantemente nos voltamos para nossos brinquedos conceituais com interesse renovado, ao invés de obtermos algum gravitas, nós – e talvez esse seja um traço próprio ou mais acentuado na cultura brasileira (não é um país sério) – seguimos atrás de mais entretenimento com cara de aperfeiçoamento pessoal ou espiritualidade.

Mais uma visão inusitada? Que saco!

*   *   *

Nota do editor: Este é o primeiro texto da nova coluna “WTF”, para a qual convidamos Eduardo Pinheiro com total liberdade para nos ajudar a ver o que precisa ser visto.

WTF” no sentido do espanto que dá origem à filosofia, à ciência, às tradições de sabedoria. E WTF no sentido do impacto que isso talvez nos cause, quebrando cegueiras, ilusões.

Além de seguir o papo abaixo nos comentários, você pode enviar suas mais profundas perguntas para wtf@papodehomem.com.br .

Eduardo Pinheiro

Diletante extraordinário, ganha a vida como tradutor e professor de inglês. É, quando possível, músico, programador e praticante budista. Amante do debate, se interessa especialmente por linguística, filosofia da mente, teoria do humor, economia da atenção, linguagem indireta, ficção científica e cripto-anarquia.


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  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Que baita estreia para o Dr. WTF, Pinheiro.

    Li pela primeira vez ontem, ainda no rascunho do Google Docs. Minha primeira reação foi “preciso ler esse texto pelo menos mais uma ou duas vezes, com ainda mais atenção”.

    A quantidade de termos que desconhecia em meio à linha de raciocínio, que nos puxa sem dar folga para respiro, gera uma mistura de estranhamento, perplexidade e – se o leitor não estiver disponível – angústia.

    Consigo ver um bocado de gente torcendo o nariz, deixando a leitura no meio do caminho. Eu poderia ter feito isso se não tivesse envolvimento direto com o conteúdo.

    A melhor parte, por aqui, foi me sentir diagnosticado em relação ao vício por epifanias. Estou no paredão, a carapuça serviu. Já vinha sentindo algo parecido no estômago – após ir a tantos TEDs, ao SXSW e a n outros eventos “disruptivos”. Todos espetaculares, por sinal. Mas chega um momento em que se vicia no rush, na adrenalina da epifania compartilhada, e se esquece de ponderar, absorver e efetivamente agir rumo a mudanças.

    Meu movimento atual caminha na diminuição de ruídos e no afastamento dessas doses de epifania e outros delírios açucarados que nos afastam do rumo.

    Te lanço uma pergunta: você se sente viciado em epifanias? Caso já tenha se sentido e não mais esteja, como lidou com o volume absurdamente imenso de estímulos e epifanias que nos são jogados de bandeja, todos os dias?

    Grande abraço e bem-vindo à casa!

    • Leitor

      “Consigo ver um bocado de gente torcendo o nariz, deixando a leitura no
      meio do caminho. Eu poderia ter feito isso se não tivesse envolvimento
      direto com o conteúdo.”
      Exatamente o que eu fiz, mas não pretendo me envolver com o conteúdo porque não me despertou interesse.

      • Julio

        Não te despertou o interesse porque nele não tem armadilha epifânica. É um texto que exige trabalho mental interior para ser absorvido.

      • Leitor

        Tem certeza que não tem uma armadilha?

      • Julio

        Pode até ter, todo texto tem as suas. Mas todo texto também se propõe a cumprir um objetivo, e esse a meu ver, cumpriu.

      • Leitor

        Na verdade eu perdi o interesse porque o autor utilizou uma linguagem muito complicada. A leitura é muito mais gostosa quando o autor coloca suas idéias como alguém que está batendo papo com você. E quando numa conversa, ou texto, uma pessoa “gasta” demais no português fica parecendo que ela está querendo mostrar que sabe mais que os outros. Concordo que as vezes é inevitável usar um vocabulário mais sofisticado, mas neste caso ficou muito forçado.

      • Julio

        Olha, eu vejo num texto com vocabulário rebuscado uma ótima oportunidade de exercitar um olhar diferente. Há ultimamente uma certa “ditadura do simples”, e sob seus ditames toda e qualquer palavra que exija maior esforço para ser entendida deve ser evitada.

        Como diria, se não me engano Vargas Llosa, a boa literatura se presta a ser um campo de experimentos da linguagem. Imagine se sempre buscásssemos a fala mais simples possível? Estaríamos fadados a ler sempre textos pobres, mais parecidos com manuais de instrução ou bulas de remédios. Gosto de ler textos com termos menos usuais, pois, se por um lado tornam trabalhosa a leitura, abrem possibilidades até então desconhecidas.

        Dizer que é arrogância um escriba usar desse artifício é uma limitação da parte de quem lê. A língua é um ser vivo em constante mutação, no qual nada é exatamente proibido, e o que foi usado um dia pode muito bem voltar à voga.

      • Leitor

        Concordo com você. É muito bom sair do habitual e aproveitar oportunidades de “puxar” nossa mente para um lugar incomum. E realmente vale o esforço, quando o assunto é de seu interesse.
        Normalmente escrevo e leio muito mais em linguagem de máquina do que humana, que é muito trabalhosa e complexa. Não sei se cabe esta comparação, mas quando procuro ler pro prazer, não estou querendo foder com a mente.
        Penso que seria melhor se nossa gramática fosse mais simples: seria mais fácil aprender, não precisaria de reformas, não teria tantas regras e ajudaria no principal objetivo que é se comunicar.

      • Julio

        Rapaz, aí é um “problema” da língua portuguesa, complexa e cheia de reviravoltas como nenhuma outra. Espanhol, um idioma parecidíssimo, é muito mais simples…vai entender.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        E não há qualquer problema em não se interessar. Sem intenções de empurrar algo goela abaixo.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Oi Guilherme,

      Sim, isso vem de experiência pessoal. Passei boa parte da minha vida em constantes sustos epistêmicos, muitas vezes autoprovocados — assim como você provoca arroto, sabe, engole um pouco de ar… burp. Tudo tem a ver com o volume de hype que você pôe na coisa. Eu parei de fumar maconha em 2000, mas a graça da coisa era exatamente essa: você ouve o sucrilhos sendo mastigado na sua própria boca e pensa no deus do milho, e se acha tão esperto. Depois você se vicia em apophenia, e então interliga tudo o tempo todo, e isso rapidamente se torna patológico.

      No caso do trend que percebo e critico, acho que não chega tanto nesse nível da apophenia, que é mais perigosa, mas sim fica num nível de autoajuda um pouco mais fashion do que a ordinária. Um reboot da autoajuda. E daí me vem essa world weariness (que traduzi como cansaço com o mundo) de saber como é viver num hype de sentidos ocultos sendo descobertos, perspectivas novas, essas coisas. Depois de um tempo tudo parece meio batido, e daí é o outro extremo, o cinismo, que você precisa combater. Entre o overhype e o cinismo, o cara pode viver com um certo volume de frescor perante o novo e a tal da gravitas. Acho que aí tem um pouco de autoajuda hipster nisso também, mas, fazer o que? Acho que é toda essa estrutura — essa “paisagem” — de perguntas e “doutores”, hehe.

      Quanto ao vocabulário e ao jeito de escrever… é só assim que consigo. Um amigo disse que deve ser porque eu devo ter aspergers não diagnosticado.

    • David Alexandre

      Tá certo, @papodehomem:disqus , concordo com o texto também… só que deixar de me deslumbrar com o TED vai ser difícil… e vez por outra o Papo de Homem causa isso… será que a qualidade do estranhamento não depende do quão profundas as experiências e conhecimento da pessoa? Aquilo que te deslumbrou hoje talvez não signifique muita coisa no futuro porque o seu cérebro já desenvolveu ligações de sinapse o suficiente pra achar aquilo cotidiano, ou intuitivo… da mesma forma que causa deslumbramento começar a usar as estruturas de uma língua nova… depois de um tempo a gente começa a ver aquilo como banal… não?

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Henrique-Gordo/100000230207408 Gustavo Henrique Gordo

    Creio que tudo isso se deva a carência justamente de tudo isso. Hoje tudo e todos são mitos, heróis, incríveis. Qualquer bostinha que aconteça é tomada com proporções drásticas.

    Pessoalmente eu culpo boa parte da mídia que chega a beirar o ridículo com tanto sensacionalismo, seja positivamente ou negativamente. Acabaram banalizando esses conceitos, provavelmente pela escassez de tais.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Gustavo, mas porque culpar a mídia? A que isso pode nos levar?

      Quem seria esse ser fantasmagórico que conhecemos como “mídia”?

      Vou mais na direção de pensar sobre como os profissionais de comunicação se relacionam com o próprio ofício. O que eles esperam que se espere deles? O que passa na cabeça dos indivíduos que *fazem* a dita mídia?

      • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Henrique-Gordo/100000230207408 Gustavo Henrique Gordo

        Guilherme, um bom exemplo do que quero dizer é o Neymar e toda essa bajulação. Fora a realidade paralela na qual Datenas, Marcelos Rezende e todo esse povo vive. Passando a ideia de mais sofrimento ou mais felicidade conforme o interesse deles. Uma batida de carro com esses caras se transforma em algo épico, como se nunca acontecesse.

      • http://www.facebook.com/jonathancbatista Jonathan Batista

        Mas se as pessoas não dessem bola pra esse tipo de mídia ela não existiria mais.
        Se o Neymar não fizesse o seu produto vender mais você não colocaria ele no comercial, se todo mundo mudasse de canal quando o sensacionalismo começa eles acabariam mudando a programação.

        Não?

      • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Henrique-Gordo/100000230207408 Gustavo Henrique Gordo

        Esse é o ponto Jonathan.

  • http://www.facebook.com/odairsk8 Odair Ferreira

    Estava sentido falta faz algum tempo de algum “Doctor” no pdh.

    Estréia muito boa, e que por estar no trabalho eu apenas li. Mas quando chegar em casa vou ter que interpretar corretamente este texto.

    Meus parabéns.

  • Frida

    “(…) seguimos atrás de mais entretenimento com cara de aperfeiçoamento pessoal ou espiritualidade”. E qual é exatamente o problema ao fazer isso???
    Se a pessoa tiver seu momento WTF (ou seu aperfeiçoamento pessoal ou desenvolver sua espiritualidade) através de um meio que não o de “entretenimento com cara de..espiritualidade”; terá mais valor?Cada um que encontre seus meios para atingir seja lá o que for ou o que quiser. Ainda que seja através do “entretenimento com cara de …”¬¬
    Vou aguardar os próximos textos.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Frida, sobre o trecho que destacou.

      Pra mim é algo bem raro ver alguém escrevendo e expondo linhas de pensamento como o Pinheiro. Gosto, em especial, de me sentir desafiado a mergulhar com mais atenção no que está escrito. No entanto, estava agora pouco escutando do Bracht como ele sentiu o texto bastante denso, com termos que praticamente afastavam a leitura.

      O que quis dizer exatamente com seu comentário? Acho o trecho claro, confuso, coerente…?

      • Frida

        O que eu disse e torno a repetir é:
        Qual o problema em ‘seguir atrás de mais entretenimento com cara de aperfeiçoamento pessoal ou espiritualidade’? Fazer dessa forma é menos prazeroso, tem menor valor ou menor aprendizado do que quando se busca o gravitas?
        O trecho está perfeitamente claro. Claro e raso infelizmente. Tenho certeza que o autor pode nos presentear com um texto melhor e por isso mesmo estou aguardando os próximos.

      • Eu_Du

        Acho que o problema de seguir assim é que não há aperfeiçoamento pessoal nem espiritual. Há só a epifania que passa no próximo click. O problema, na minha visão, é que as pessoas se iludem que cresceram algo ali, onde na verdade foi só mais um WTF e passou…

      • Frida

        Mas a vida é isso mesmo. A rotina, o cotidiano, os pequenos passos, as atitudes nossas de cada dia..
        E daí se a pessoa se sentir bem espiritualmente com as ações diárias? Acho tão válido quanto ficar esperando um grande acontecimento cósmico acontecer e revelar algo ou tentar seguir uma série de ‘condutas morais’ e regras inerentes a um estilo de vida, que no fundo não garante nada a ninguém.

      • Eu_Du

        Se as pessoas se sentirem bem com as ações diárias não há problema nenhum. O problema, ao meu ver, é em ver essas pequenas epifanias e achar que sua vida mudou por isso, sendo que você esquecerá em 5 minutos, entende?
        O problema não é em viver assim e gostar, mas em achar que não se está vivendo assim e achar que se está evoluindo porque viu um vídeo FODA que não vai lembrar nem o nome daqui a 5 dias pois já viu outros 300 vídeos fodááássimos!

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      O chapéu não precisa servir. Na verdade eu mesmo fui vítima dessa coisa toda por tanto tempo…

      • Frida

        Servir? Sequer cogitei usá-lo. Como disse acima, cada um que encontre seus meios próprios para atingir ou buscar seja lá o que for ou o que quiser. Não acredito que haja religião, filosofia ou teoria moralmente “mais” apta a orientar a busca individual das pessoas, ainda que a maioria de nós provavelmente deva optar por uma.
        Quer uma dica: não se veja como vítima.
        Prefiro imaginar você como aprendiz ou condutor.
        Aliás não tenho propriedade nenhuma para falar isso. Não é embasado em nenhum autor.

  • Danielle

    Texto muito bom, mas como o Gustavo comentou, a quantidade de informação e termos desconhecidos exigem empenho pra conclusão da leitura.

    Um ponto que ao menos pra mim o texto levantou é: anisarmos por novas epifanias que causam a ilusão de grandes feitos, toda mudança começa primeiramente pela mente, mas a nossa comodidade nos impede de torna-la algo concreto, ela age por um tempo e logo perde seu valor, não por não ser boa, mas sim por não nos inquietarmos o suficiente e agirmos . A inquietação fica lá, e a gente busca outra epifania pra saciar ela.

  • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

    O que percebo como particularmente pernicioso – até por viver isso atualmente – é que quando você esgota alguma dessas correntes de sabedoria “awesome” e se depara com o vazio, é bem difícil reorganizar tudo e recomeçar. A sensação que dá é que se aquele caminho tão brilhante e promissor, por mais raso que fosse, não deu em nada, nada dará.
    Como então, Dr. WTF, distinguir o pornô epistemológico de um método válido?

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Conhecimento você vai atrás, conquista… com vivência e esforço pessoal, em qualquer área. O problema é certo conhecimento mastigado que você pega pronto e segue atrás pelo hype. Você está atrás da experiência de se sentir espertinho, e evitando um tanto vivenciar — aliás, certo nível disso você vai encontrar em qualquer texto. É um limite dos textos. Mas mesmo textos você vai encontrar os que tem mais gravitas e os que são simples propagandas ou cheap thrills disfarçadas como crescimento pessoal.

      • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

        Se eu me “despreocupar” de querer me sentir espertinho, qualquer experiência ou vivência vale?

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Vale pra que? Mas com certeza você deve se preocupar muito em evitar gratificação barata, isso é só se autofalsificar e levar uma vida oca. Tem que se preocupar em não se satisfazer com a esperteza rasteira. Pelo menos eu me preocupo.

      • http://twitter.com/RenanD3z Renan

        O problema é, rasteira para você.

      • http://www.facebook.com/people/Giovana-Camargo/1469800599 Giovana Camargo

        Interessante isso que você disse. Enxergo muito do que disse aqui mesmo, no Pdh, mas é uma percepção minha. Acho que rola por parte do leitor uma pressa de saber exatamente do que se trata o texto e ao terminar de ler ter a sensação de que cresceu como pessoa e intelectualmente, quanto dos autores (não todos), de escreverem com alguma propriedade muito superficialmente sobre temas que são como icebergs e darem atenção a ponta. Não é uma crítica, é a percepção que tenho da sociedade hoje. Que criam a necessidade de saberem de tudo, sobre tudo e tudo tem que fazer sentido e que sempre há algo incrível por trás das coisas. E assim a gente vai perdendo nossa habilidade de viver, sentir e praticarmos a simplicidade.

        I

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Vejo coerência no que disse, Giovana. E também sinto, por vezes, isso aqui mesmo no PdH.

  • Nélio Oliveira

    Ha, texto interessante, e o que o faz sê-lo é justamente seu hermetismo. Não dá pra opinar com uma única breve leitura, mas só de ir contra o “senso-comum” já tem seus méritos.

  • Frederico Mattos

    Eu sinto em mim exatamente isso:

    “atrás de mais entretenimento com cara de aperfeiçoamento pessoal ou espiritualidade.”

    Por estar na área de psicologia é inevitável que muitas pessoas me procurem para ter uma epifania, mas só. Elas extraem a pedra bruta e na hora de lapidar param cansadas.

    Também me vejo tentando ter a virada conceitual matadora que me faça descobrir o segredo do universo. Mas estou aplicado em não tentar descortinar muita coisa e poder experimentar a realidade mais fenomenológica e menos idealista.

    • http://www.estrategistas.com/ Paulo R. Ribeiro

      >” Mas estou aplicado em não tentar descortinar muita coisa e poder experimentar a realidade mais fenomenológica e menos idealista”

      Eu tenho andado tão perdido ultimamente, em todos os sentidos, que tomei isso como resolução para mim há alguma semanas. Racionalizar menos e viver mais conforme as coisas vão aparecendo. Eu não sei o que fazer mesmo se fosse para planejar (ou idealizar) com antecedência.

      • http://twitter.com/iannic666 Nick


        Eu não sei o que fazer mesmo se fosse para planejar (ou idealizar) com antecedência. ” [2]

    • LedLoco

      Idem, Idem, Idem! rs Excelente sua metafora: ” Elas extraem a pedra bruta e na hora de lapidar param cansadas!”

  • Vítor Moreira Barreto

    Achei difícil comentar, mas minha própria hesitação pode ser digna de comentário.

    Ao terminar de ler o texto, senti uma mistura de vergonha e de urgência. Vergonha por às vezes me entusiasmar tanto por tão pouco e urgência em desperdiçar menos tempo e atenção (que é coisa cada vez mais rara em nosso tempo).

    Magnífica estreia.

  • gordo

    Texto interessante, porém não deixa de ser um balde de água fria também…

  • Felipe Cardoso

    AWESOME!!!! pode fechar a internet!

    hahaha, eu me considero assumidamente um punheteiro mental…
    Mas assim como na pornografia eu nunca fui muito convencional… pra mim a graça está em alimentar meu cérebro com textos como este, confrontar pessoas (mesmo que internas), cruzar com outras idéias, estabelecer relações improváveis e BAM o prazer surge vibrante e duradouro no “nascimento” de uma ideia/conclusão/teoria mesmo que indizível/cômica/impossível e sempre inútil na vida real…

    Hoje por exemplo este foi o meu “porno” base: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=futuro-afeta-passado&id=010130120806, para arrematar a orgia de idéias que venho cultivando a anos neste sentido… talvez algum dia saia um livro, um blog, ou algo mais palpável do que conversas… mas tanto faz, pra mim, o conhecimento como fonte de criatividade é um fim em si mesmo!

    • http://www.facebook.com/joao.burmann João Gabriel Burmann

      @google-2c77e106e3459775101b48f5eab00a46:disqus Interessante esse assunto que voce indicou como masturbação mental do dia. Já me peguei pensando nisso, por algumas vezes. Aproveitando a onda epistemológica do texto, te recomendaria uma olhada em um físico quantico e filósofo, o Ilya Prigogine. Ele foi premiado com o Nobel pelo trabalho na teoria do caos, mas tem um livro muito interessante sobre o tempo: O Fim das Certezas.

  • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

    E por que a seriedade é importante? Qual a necessidade de obtermos algum “Gravitas”?

    “[...]
    elas pouco a pouco haviam se tornado nada mais do que mais uma forma de desviar a atenção das coisas que realmente importavam.”

    E o que realmente importa? Aliás, quem é que define o que é importante?

    Não concordo com uma visão de mundo limitada que atribui valor ao frívolo. Mas qual a finalidade de se atacar este tipo de comportamento?

    Existem pessoas que são, por característica, questionadoras e fazem o mundo progredir (num sentido comumente aceito de progresso), outras não. Outras preferem sentar na suas confortáveis poltronas, tomando cerveja, enquanto assistem a um reality show. Para elas, talvez, seja frívolo passar horas em frente a um amontoado de palavras difíceis tentando descobrir o sentido do “materialismo dialético”.

    No final, acredito que tudo que se passa no mundo tende ao banal, ao pueril. Porque se compararmos qualquer conquista pessoal, ou até mesmo humana, com a complexidade do universo, essa conquista se torna rala.

    Se você assume que esses tipos de “insights” são uma espécie de “Pornô epistemológico”, então este próprio texto é um tipo de onanismo.

    Tudo que li aqui me pareceu uma tentativa de corroborar seus próprios valores do que é ou não importante no seu sistema de crenças. Mas eu ficaria extremamente feliz se pudesse mudar essa minha visão.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Vai fundo cara, fica com tua visão. Afinal ela é sua, foi você quem construiu, Se vc pega a minha, depois vem me acusar de dar errado? Não, cara, fica com a sua.

      Com relação a frívolo, bom, a palavra tem um valor em si mesma. Eu não disse o que era frívolo (além do comentário geral de se impressionar frequentemente com qualquer ideazinha, o que é um comentário geral tb). Mas o frívolo é por definição algo desprezível. Se você quer chamar algo de pouca importância e pouco peso de forma positiva, você usa algo como “leve”, etc. Frívolo necessariamente é pejorativo.

      • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

        Não acusei sua visão de dar errado para mim. Apenas acho que valorar pontos de vista como importante ou não importante ofusca qualquer tentativa de buscar o verdadeiro “satori”.

        Se na própria prática budista a intenção é “fazer nada”, talvez essa atitude devesse ser carregada para a vida em geral. Pois não há entendimento momentâneo, apenas aquele que se dá através de todas as coisas, de todos os aspectos. Assim como uma pedra é uma pedra e não há valor intrínseco nela, um ponto de vista é um ponto de vista.

        Um assassinato é bom ou ruim?
        Talvez sejamos levados a pensar que a resposta é negativa, porém essa afirmação não será verdadeira. O assassinato é apenas uma ação decorrida, um fato. Ser bom ou ruim depende da valoração que se faz dele, fruto do seu sistema de crenças, da sociedade que se está incluído e da circunstância em que se deu.

        Entramos no debate Leveza x Peso, será que algum dos dois é positivo e o outro negativo?
        Milan Kundera no seu livro “A insustentável leveza do ser” constrói, baseado na dualidade de Parmênides, um romance bastante interessante no campo dessa questão, talvez seja do seu interesse, como reflexão filosófica e entretenimento pessoal, fazer uma visita a essa obra.

        Parabéns pelo texto, está eloquente e com citações que agregaram muito a minha experiência. Obrigado.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Bom, eu acho que li em algum lugar, um livro budista talvez, que “pensar em nada” e “fazer nada”, segundo o budismo, leva a um renascimento como animal.

        Com relação ao relativismo cultural, acho que ele é muito nocivo. Um assassinato é sempre ruim. Tanto que quando você mata uma pessoa inadvertidamente ou como legítima defesa, isso ganha outro nome.

        Com relação a leveza, normalmente essa palavra tem uma acepção mais positiva, em nossa cultura, do que peso. Devem ser a revistas femininas. Porém é claro que essas palavras (ao contrário de assassinato) realmente não possuem valor ético intrínseco, mesmo uma mulher que se acha gorda, ao ter suas jóias pesadas na penhora, fica feliz com o peso maior. “Suas jóias são pesadas” soa melhor que “você está pesada”. Porém, ainda assim, de forma geral quando se usa peso/leve de forma metafórica, leve é claramente o positivo. Tanto que quando se quer falar de gravitas ou seriedade, se evita a palavra peso.

        O que quero dizer é que existe um lastro nas comunicações. Não adianta você argumentar a neutralidade dos termos, eles são usados, em contexto, com objetivos valorados, e estes objetivos são esperados do escritor e do leitor. Quando a pessoa escreve “o feio pode ter sua beleza” ela não espera que a pessoa leia “feio” já com a simpatia pelo feio que ela exatamente está querendo despertar com sua frase. Seria ilógico, não é?

        No ponto em questão: me parece evidente que nossa cultura atualmente tem uma tendência maior a não se aprofundar nas coisas, e isso é negativo. Pode ter havido tempos (escolástica medieval?) em que certas pessoas precisavam relaxar, buscar empreendimentos mais “leves”. Porém mesmo aquela seriedade toda em saber quantos anjos cabem num alfinete, e aquela dedicação vasta a temas obstrusos, no fundo, lá no fundo, a gente pode chamar de frivolidade hoje, não é mesmo? Há coisa mais frívola do que considerar o sexo dos anjos ou quantos anjos cabem num alfinete? Isso virou o cúmulo da frivolidade… em pessoas que tratavam dessas coisas com tanta aparente dedicação contínua. Então o que diz se algo é frívolo? É um empreendimento que não promove, de forma duradoura e profunda, um efeito realmente positivo. Se há um efeito positivo, ele é superficial e dura pouco, e nem mesmo precisa haver um efeito positivo. Isto é o que é “frívolo”.

  • Olavo

    De fato, ótimo texto. Me enquadrei muito com a descrição feita nele e com o comentário de alguém ali em cima. Já havia sentido antes essa sensação de vazio após esgotar alguma corrente de autoajuda ou coisas parecidas.
    Acho que tal comportamento tem a ver com a nossa tendência de estagnarmos numa zona de conforto(termo muito usado em tais textos “hypes”, a propósito): a leitura diária de tais sábias vozes nos dá uma sensação de profunda mudança interior; no entanto, todos sabemos que qualquer ensinamento só é incorporado após muita retomada mental e prática. A nossa mente nos ilude, pois pensamos que estamos dando grandes passos em direção à sabedoria, que aqueles minutos perdidos lendo tais textos nos diferenciará décadas dos outros mortais, que estamos nos transferindo de nossa realidade cômoda, até que…. o vício por tal sensação nos prende novamente em outra zona de conforto que usa a desculpa da transição e do aperfeiçoamento para a falta de mudanças efetivas.
    Após essa reflexão, vejo quão sábio era meu vô quando me dizia que, na verdade, só se aprende errando… A que causa o autor atribui tal comportamento?
    Ps.: Já tinha lido outros textos seus indicados pelo Gitti e fiquei feliz de te ver nesse site, acho que terás muito a acrescentar nas discussões. No entanto, também protesto quanto ao vocabulário.. Muitas vezes ele tranca o fluxo de pensamentos proporcionado pelos teus textos, e muitas das palavras utilizadas – se eu realmente entendi o significado delas – não eram necessárias. Mas enfim, isso é estilo, e de certa forma até seleciona os leitores mais interessados hehe Peço, pelo menos, que continue linkando as palavras com as denominações utilizadas.
    Abraço

  • ricardo

    não quero ser chato
    mas o sexto parágrafo não tem um ponto
    e moderação no vocabulário seria bom
    mas o texto está muito bom. Uma epifania só que ao contrário.

  • Adunco

    A mea culpa do última frase/ parágrafo salvou o artigo.
    Senão, eu o veria apenas como
    palavrado chulé misturado com epigramas barrocos e vários níveis de subtexto…

  • jr

    oi pessoal, alguem sabe pq os comentarios do disqus não abrem no firefox? uso a ultima versao do ff, ja tentei em varios PCs diferentes e os coments nao abrem. Alguem qu etbm usa ff tem esse problema?

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Jr, vou passar pros nossos ogros de TI avaliarem. Não estava sabendo desse bug.

      Alguém mais usando o Firefox teve problemas com o DISQUS?

      • Leitor

        Usando Firefox 14.0.1 no ubunto 10.04 e tudo normal.

  • Daniel

    Não há novidade no texto.

    E a própria grande conclusão-epifânica à que chega o autor, sempre foi abordada pela cultura, filosofia, religião, ou mesmo uma família na vida no campo, ou numa roda de conversa qualquer, desde que a humanidade é humanidade. E praticamente todo ser humano passa por ela uma e várias vezes na sua própria vida, quando aprende o simples: que só falar-ver-ouvir (clicar) de comida, não mata a fome – seja em que contexto for.

    Poderia ser um texto mais claro e que alcançasse mais pessoas, mas damos vênia ao autor, afinal, é sua estréia. Melhor usar uns termos menos corriqueiros (quem nunca fez isso que atire a primeira pedra ^^)

    Também fico com um pé atrás quanto à esse arrendondamento de um pacote: ora, as pessoas de hoje são assim, porque embotaram o fascínio. Este pacote é muito fechado e muito estreito, resumir que esse seja o problema da maioria. Afinal, será que muitos já não estavam embotados antes? Ou estariam eles despertos?

    Mais curioso ainda é o mesmo autor contrapor culturas e gerações diferentes, e até questionar etimologia das palavras, oras, fascínio nos dicionários atuais é entendido como estar sobre encantamento, enfeitiçamento – e desse modo, estas mesmas pessoas não estão em plena posse de si, não estão afiadas e sim “embotadas, fascinadas”. (isso tudo, sem entrar no mérito da mitologia-filosofia do Deus Fascinus)

    Bem, sem estender mais este coments, e entrar em outros apontamentos quanto ao texto, chego à questão principal: eu questionaria a fenomenologia da coisa toda: por que, qualquer pessoa de qualquer grau da escala de lúcida a embotada, são atraídas e levadas, como mariposas à luz, à buscar experiências satoricas-epifânicas-numinosas-samadhicas-etc?? Que “LUZ” é essa??

    Como o Gustavo indicou no face este link, vim aqui conferir, e na minha opinião, poderia ser mais profundo e simples. Parabéns pelo autor pela sinceridade: falar de comida não tem matado a sua fome, e o tem deixado embotado-fascinado. Tá na hora de ir além. Boa-sorte, e conte-nos o que descobrir.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Porque as pessoas se atraem por cócegas mentais? Ué, sensação de poder, de se sentir espertinho, e, como você disse, é como a fome ou a mariposa atrás da luz — uma gratificação. O meu texto segue exatamente os mesmos tipos de critica que se faz com relação a fast food, por exemplo.

  • http://www.facebook.com/wgrasel William Grasel

    Ótimo começo, para quem vai ser o Dr. ‘WTF’, que pelo menos até onde eu entendo sera justamente quem ira trazer ainda mais epifanias, já temos logo de cara um olhar para dentro e uma meta-linguagem. Maravilhoso! ;)

  • Francisco

    “Sabe conversar como poucos sobre música, cinema, estética, filosofia da mente, religião, ciências cognitivas, física, computação, psicologia, filosofia da ciência, linguagem…”

    Como poucos e, talvez, com poucos. Desnecessariamente rebuscado, parece que quer que o texto pareça nobre ou profundo… Não funcionou.

    • Julio

      Existe uma aversão a palavras pouco usuais ultimamente que não é saudável. Sintoma dos tempos em que se falta tempo pra tudo.

  • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

    Já li o texto oito vezes, sinceramente ainda não sei bem o que comentar. Senti uma forte tentação em cometer a maioria das falácias em meu comentário…

    O comentário mais adequado seria: WTF?!

    Claro que a carapuça serviu, em todos os sentidos da minha vida.

    Por enquanto pretendo continuar buscando qualquer conteúdo que me faça construir relações melhores, ações que me proporcionem prazer, realização e quem sabe remuneração.

    Quando o buraco não é fundo, não vejo problema em ficar no raso.

  • http://www.facebook.com/marcus.telles.9 Marcus Telles

    Eduardo,
    Parabéns pelo texto.

    Uma pergunta: você considera possível (e desejável) adotar uma postura intelectual que evite esse “vício por epifanias”, mas sem jogar fora as eventuais vantagens de uma busca mais sólida por epifanias? (Seguindo a comparação com o pornô: sendo a epifania como o orgasmo, como deixar de lado a masturbação e ter orgasmos em transas demoradas?)

    Abraço

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Até o uso da palavra “epifania” mostra uma certa esteira semântica em andamento… (esse é um termo técnico da linguística onde um termo vai se tornando banalizado ou “tabuizado” com o tempo, como por exemplo a palavra “idiota”, que primeiro servia como diagnóstico médico, dai virou um jeito de xingar os outros).

      Então, é claro que estas coisas não são epifanias ou satoris. Creio que estas experiências ocorram facilmente para algumas pessoas, mas nós vemos o House como uma espécie de super-herói, não é mesmo? Quase todo episódio com casos difícilimos resolvidos. Quantos nobel ele acumularia se fosse pesquisador e existisse na vida real?

      Uma coisa que leio bastante são sites de tecnologia, e eles só falam de jovens programadores fundando start-ups… Tem site tipo dica de revista capricho “8 pontos para fundar sua start up”! As pessoas veem o sucesso do Facebook e do Google e decidem “claro, eu quero ser o novo Mark Zuckerberg” — mas a combinação de fatores que leva um cara a executar uma boa ideia num bom momento não é comum, e o mundo não comporta bilhões de multibilhonários, não é mesmo? Nesse momento há centenas de milhares de jovens sentados ao computador tentando obter a próxima grande ideia. Isso não é frivolo, mas é vida de espermatozóide, feliz daquele que acha o óvulo. Porém, outras pessoas estão, como eu 12 anos atrás, comendo sucrilhos e pensando em mastigar raios de sol, e se achando o máximo com essa “epifania”. Não é uma epifania, só o tal viés cognitivo colocaria tamanho peso sobre uma chamada ao estilo revista superinteressante “você já pensou que as plantas crescem pela energia do sol? Então a energia do sol que entra nas plantas e é mantida por relações químicas é a mesma energia que você utiliza no seu corpo…. o milho é uma bateria de energia solar!” E é verdade, e é um pouco surpreendente, inusitado, ver as cosias sobre esse ângulo. Mas nós nos tornamos alvo de buscar esse tipo de perspectiva nova o tempo todo, e eu usei a palavra gravitas com bom propósito.

      Então, resumindo, é claro que podemos pensar coisas que mudam nossa vida. Mas se você começar a mudar sua vida várias vezes por dia, por semana, ou por mês…. bom, duvide um pouco de sua profundidade.

  • http://profiles.google.com/hcartaxo Henrique Cartaxo

    Livro do dessassossego, 171:

    http://www.pessoa.art.br/?p=795

    Tem coisas que nunca mudam…

  • Wagner

    Gostei!
    Penso o quanto de verdade foi revelada neste texto ao contabilizar o quanto de desconforto causou.
    A velocidade da informação, o seu apelo, o poder da comunicação nos novos veículos, tudo, vem causando um dano novo ao homem “ilimitado”. O processo, seja voluntário ou involuntário, com o tempo torna-se patológico.
    A busca incessante por epifanias e o prazer de descortiná-las incessantemente é, sem nenhuma dúvida, um sintoma de vício destrutivo adquirido após a exposição direta ou indireta a uma informação direcionada.
    Como resistir?
    Qual o antídoto?
    ORTODOXIA!

  • CDP

    Nunca frequentei um TED, mas entendo o que você está dizendo. Lia alguns blogs do estilo diariamente, uma enxurrada de pessoas deixando seus trabalhos pra viver o mundo viajando e toda essa coisa moderna que pegava as vezes me perguntando se todos realmente estão fazendo isso ou se é um espertalhão por trás do teclado inventando tudo. Alguns confirmei que estão mesmo vivendo essa vida, outros ficou na dúvida. Porém chegou uma hora que eu cansei de ter essas epifanias o tempo todo. Era sempre a mesma informação empregada de outra maneira. Resolvi que já extraí o que tinha de bom naquilo e deixei tudo pra trás. De vez em quando entro em alguns dos blogs e vejo um post, mas acabo parando na metade porque já sei de tudo o que já foi dito.
    No fim das contas o que eu mais me identifico já tinha sido escrito a muitos séculos atrás, ao invéz de ter perdido tempo lendo esse monte de blogs e posts renovando uma idéia tão antiga, deveria simplesmente ter lido Meditações do imperador romano Marco Aurélio. Deixaria de lado todo esse ruído virtual e focaria no que realmente importa.
    Antes tarde do que nunca, né?

  • everton maciel

    É a cultura da auto-ajuda em escala nunca antes vista. Fruto de modelos politicamente corretos e, automaticamente, ditatoriais. Também sou da área da filosofia e sei como é triste ver esses arrotos de boteco ganhando status de profundidade acadêmica.

    • Adunco

      Fato.

  • http://www.facebook.com/renato.rrabelo Renato Rabelo

    mto foda !

  • don luidi

    Por estas e outras que não assisto House e outros seriados ‘hipsters’. Se vivermos apenas de epifanias cuspidas pelas ditas pessoas ‘cultas, inteligentes e fodonas’, em verdade, viveremos de fantasia que um dia vai acabar e vai mostrar a vida real que passa diariamente em frente aos nossos olhos e quem por vezes não somos capazes de ver porque as epifanias nos cegaram.

    Baita texto!!! Sem ser epifânico (rs).

  • Pingback: De Paulo Coelho a James Joyce: resumido as coisas a um tuíte | Dr. WTF #2 | PapodeHomem

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001826030632 Yan Oliveira

    Nossa, nunca tinha parado para pensar nisso, achei muito interessante o artigo, parabéns!

  • Pingback: Slavoj Žižek: Velhacaria Hipster | PapodeHomem

  • Pingback: Como e por que escrevo | WTF #16 | PapodeHomem

  • http://www.facebook.com/people/Ciro-Medeiros-Mendes/100000147536232 Ciro Medeiros Mendes

    Estou mais feliz com fato de que existe um sujeito fazendo essa critica do que com a possibilidade de que isso mude minha visão de mundo pra sempre. Será que escapei do hipster? Rs.

    É uma crítica e, na direção do próprio texto, precisa ser considerada sem radicalismo ou epifanias. Acho que as experiências que tem mais capacidade de mudar a vida de alguém não são aquelas que nos deixam excitadíssimos com a descoberta do mundo, mas aquelas que quebram nossas bases, crenças centrais e confianças inabaláveis, como esta pequena obra aqui.

    Obrigado, Eduardo Pinheiro.

  • Ricardo Bezerra

    o mais interessante desse texto é que ele tem vários níveis de compreensão. quando eu o li, uma infinidade de coisas passou pela minha cabeça: desde a estúpida mania de engajamento político dos frequentadores do facebook (que mais transparece ingenuidade e desconhecimento político do que uma ferramenta concreta de ação), até as postagens auto-depreciativas e pseudo-artísticas do povo do tumblr.
    mas, Sr. WTF, dia desses participei de um evento do TED aqui na minha cidade e uma das coisas mais interessantes que ouvi de um dos palestrantes foi que todos nós ‘temos vontade de mudar, de alterar nossa realidade e das pessoas que nos cercam, mas você tem que agir, tomar a frente… energia de mudança concentrada só gera mais angústia’ (ah, lembrando que o autor dessas palavras foi uma moça que largou um cargo público que poucas pessoas teriam coragem de largar e se aliou aos médicos sem fronteiras). talvez sua crítica ao TED seja totalmente pertinente, mas achei interessante fazer essa observação. e outra, o pondé tem uma frase interessante também: ‘poucas pessoas querem carregar o mundo nas costas’; ou seja, hoje todo mundo quer ser engajado, ativista político de rede social, mas por que é cool, é mainstream; na prática, poucos tomam atitudes realmente pertinentes ao nosso momento social, político, histórico. poucos estão dispostos a carregar o mundo nas costas.

    espero que todos os leitores desse textos vistam a carapuça, assumam sua mania por epifanias baratas. eu assumi.

    parabéns.

  • http://www.facebook.com/people/Chicko-Cerqueira/100000692606566 Chicko Cerqueira

    Seu texto me lembrou o filme “memento – 2000″. Uma história banal, de argumento banal, mas com uma inversão de narrativa se tornou fantástico. A verborragia, a mistura de termos, a construção não linear impressionam os menos atentos e camufla a falta de profundida e simplicidade que tratou o tema. Se esse foi o intuito, parabéns. Se não foi, não passou de fast food de autoajuda hipster. = ]

  • Thomas Blum

    Sou um viciado em epifanias… Que triste. =( mas estou em fase de desintoxicação. Não é fácil, mas tamos ae.

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