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Novo álbum do Pearl Jam é o mais “cheio de graça” – Review de Backspacer


Publicado por Jader Pires em 08.10.2009 às 06:01 em Música

É como se fosse uma coletânea do Pearl Jam, só que com canções novas.

“Gonna See My Friend”, “Got Some” e “The Fixer” fazem a trinca de abertura de disco mais energética dos últimos tempos.

A ‘punkatitude’ brota nas guitarras determinadas da dupla Gossard/McCready, norteadas pela bateria técnica e consciente de Matt Cameron, que não poupa esforços e desce o braço.

Assim começa Backspacer, novo álbum de estúdio do quinteto de Seattle. Acelerado, positivista, animado e pontuando todo o tempo uma nova fase pós Bush.


“Gonna See My Friend” (dá play antes de continuar lendo)

Em vez de se repetir, se refaz

A banda já figurou como mais importante do planeta lá no meio dos anos 90, olho do furacão grunge, influenciou descaradamente dezenas dos que depois vieram e, quando poderiam muito bem viver da paródia de si próprios e revisitar sucessos do passado, usando a dúbia nostalgia para fazer um bom dinheiro, seguiu o curso natural da vida e da música, mudando e experimentando, mas sempre soando genuinamente ‘Pearl Jam’.

Em Backspacer, é perceptível o equilíbrio entre a energia que tanto marcou os primeiros trabalhos da banda com a leveza dos álbuns mais contemplativos como Yield (1998) e Riot Act (2006). Nesse compilado de estilos que definiram a carreira do grupo, antes de qualquer coisa, é perceptível a vontade de se divertir de Eddie Vedder e Cia, que entregam um álbum rápido, porém potente e gracioso.


“Amongst the Waves” ao vivo (uma das baladas mais fodas)

Back to basics

Se um dia eles já desfrutaram do topo da cadeira alimentar do rock’n roll, agora gozam do prazer de gravar de forma independente.

Produzido por Brendan O’Brien (que trabalhou com a banda), o nono disco dos ainda residentes no noroeste americano volta ao que poderíamos chamar de “raízes fundamentais do rock’n roll” – diversão e sentimento.

Não há uma só canção nos pouco mais de 36 minutos que não esteja impregnado com uma dessas bases, e dessa vez sem a angústia da época grunge, sem o experimenalismo do começo dos anos 2000 e sem a indignação dos últimos oito anos que o EUA fora governado por um ‘Texas Leaguer’.

O Pearl Jam juntou toda sua bagagem pra fazer o álbum mais descompromissado de sua trajetória.

Além da tríade de abertura já citada, “Supersonic” também injeta disposição em um estilo que sempre foi buscado pela banda, mas que aparentemente só foi alcançado com a exatidão idealizada agora. “Johnny Guitar” e “Force of the Nature” fazem o equilíbrio com um rock’ roll menos veloz, mas de igual vivacidade.


“Got Some” ao vivo (Tonight Show with Conan O’Brien)

Os diferenciais

A voz e interpretação de Eddie Vedder contam como parte essencial (se bem que nunca foi diferente no passado) nos pormenores, assumindo o tom festivo e potencializando o grácil das canções mais lentas. “Just Breath” (abaixo) seria facilmente encaixada na trilha sonora do filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild – 2007), toda composta pelo vocalista.

“Amongst the Waves” (acima) e “Unthought Known” (abaixo) dividem o ápice da sentimentalidade e da noção que Vedder tem em dosar seus talentos vocais.


“Just Breathe” (com a letra no vídeo)

E até os fãs mais puristas devem ter percebido a importância que as teclas ‘gasparianas’ ganharam. As segundas vozes e guitarras de fundo estão bem apoiadas pelos arranjos de Ed ‘Boom’ Gaspar, pianista e organista que surgiu em 2002 como uma espécie de integrante interino e hoje distribui notas precisas que crescem sempre que a necessidade aparece. Seu apoio chegou a ser mal recebido por uma parcela xiita, mas se solidificou de modo a dividir relevância com a voz do próprio Vedder.

Veja como ambos se complementam na linda “Unthought Known”:

E a vida segue…

Os integrantes do Pearl Jam já não são mais moleques subindo em banquinhos e no bumbo da bateria no acústico MTV (de 1992), escrevendo “Pro Choice” no braço ou batendo o braço do baixo nos pratos, mas suas composições (hoje mais distribuídas entre seus integrantes) ganharam aspirações joviais, mescladas com as divagações de quem já percorreu bons anos.

No geral, as letras exibem epifanias de que a vida deve ser aproveitada e se libertou de algumas questões mais amargas de existência e visão do mundo. Depois de quase vinte anos, Eddie Vedder deixou de se perguntar tantos porquês e figurou mais nas simples constatações (Recentemente, o vocalista disse em entrevista ao programa Radio 1, da BBC, “Depois de escrever por tantos anos, tantos álbuns e por tantas razões diferentes, eu simplesmente não consigo compor por mais de meia hora”).


Curta feito pela banda com o making of do álbum

Se o primeiro álbum (Ten, de 1991, relançado em edição de luxo no meio deste ano) trazia angustias em “Black” (“I know you’ll be a star…in somebody else’s sky, but why…can’t it be mine” – Algo como “Eu sei que você será uma estrela no céu de alguém,mas por que não pode ser minha”) e “Even Flow” (“Freezin’, rests his head on a pillow made of concrete, again” – “congelando, ele descansa sua cabeça em um travesseiro feito de concreto, de novo”), ou até a maldição incrustada no refrão de “Alive” (o “I’m still alive”), Backspacer enaltece o bom proveito do tempo que temos (“I wanna shake this day before i retire” em “Gonna see my Friend”, “Now Johnny he be having lots of women” em “Johhny Guitar”, “I want to live my life with the volume full” em “Supersonic”).

E nada melhor que aproveitar a audição desse disco focado no aviso derradeiro da bela “The End”:

“Give me something to echo in my unknown future / You see, my dear / The end / Comes near / I’m here / But not much longer”

(“Me dê algo para ressoar em meu futuro desconhecido / Você vê, querida / O fim / Se aproxima / Eu estou aqui / Mas não por muito tempo”).

E você?

Estará?

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Jader Pires é publicitário por opção, jornalista por apego e blogueiro por maldição. Prometeu um dia que se ganhasse na loteria, doaria cem reais para caridade (e não há cristo que o faça pensar o contrário). Escreve no Ministério da Verdade, já foi lá visitar o cara?

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  • João Guilherme
    Baxei ele logo que saiu. Eu so meio chatinho pra gosta de algum cd de primeira, tenho que ouvi ele algumas vezes pra digerir ele bem. Mas logo que eu ouvi "The Fixer" e "Got Some" não teve jeito.
    Gostar de "Supersonic" e "Johnny Guitar" foi consequencia. "Force of the Nature" tbm muito boa.

    Enfim, hoje em dia eu pagaria pra ir num show de muito poucas bandas e com certeza Pearl Jam seria uma dessas.
  • Marco
    Muito boa a resenha. Este trabalho do PJ está realmente muito bom. Com certeza agrada até quem não conhece a banda. Quem a acompanha desde o início, vai ao delírio.

    Opinião cada um tem a sua, mas as dos coleguinhas #16 e #17 foram besteiras da boca pra fora.

    Gosto muito to AIC, mas a comparação não se aplica, sem dizer que é no mínimo estranho alguém se entitular com nome de membro da banda e esquecer que do básico conforme já comentado pelo Jader.

    Só falta alguém postar: Vcs viram a música novíssima do Nirvana chamada "You Know You're Right" ?
  • Victor
    Já que o assunto é música, uma informaçao interessante. Amanhã tem show do Living Colour em Sampa (Via Funchal) e sexta é a vez do Rio (Circo Voador).
  • Legal o review! Ainda não ouvi o CD mas fiquei com vontade de conferir. abs, Danilo
  • o meu cd chegou hj, muito foda, vale apena conferir, e o mais massa que vc pode baixar dois show (audio) a escolha de uma lista.
  • Sá_ RJ
    Concordo com os coleguinhas: Just Breathe é incrível! Aliás, o álbum todo...

    Impressionante como o Pearl Jam consegue traduzir sentimentos em palavras e melodia.

    Várias músicas da banda fazem parte da trilha sonora da minha vida.

    Fui no show deles no Rio. Que noite mágica... Uma intimidade e entrega entre público e banda que eu nunca vi igual!

    Vou lá, escutar Black... ;)
  • Booom demais o post,parabéns pro autor...e Pearl Jam é sem sombra de dúvida a melhor banda do mundooo,todos os álbuns fodaa,todas as letras das músicas fodaa,enfim,me sinto orgulhoso por gostar tantoo dessa banda...

    Uhuuuuuuullll é Pearl Jam bacaanaaaaa... =D
  • Roberto (#16) - Você achar o primeiro álbum o melhor álbum deles (ou até o único bom) é completamente aceitável. Mas dizer que a banda é paródia de si mesma por isso é bem estranho, uma vez que temos como fato a grande diferença que o PJ tem a cada álbum ou dois (VS e Vitalogy já estão com uma pegada bem diferente do Ten...No Code então eles viajam em outras ambientações, e assim por diantel. Opinião você pode (e deve) expressar, mas o caminho é outro.

    Jerry (#17) - lembra do Laney Staley, ex-vocalista da sua banda? Pois é...ele morreu. Não existe mais Alice in Chains (saiu álbum novo com esse nome, mas eu juro que eles estão te enganando).

    Abraz!
  • Walter Monteiro
    Nunca fui um entusiasta do Pearl Jam, porém este álbum me surpreendeu! Uma boa surpresa em meio a tantas produções medianas. Bastante recomendado, mesmo para quem não curte tanto.
  • Ainda não ouvi.

    Mas é PJ. E se segue a maturidade apresentada por Eddie na trilha de "Na Natureza Selvagem" é de não parar mais de escutar.
  • Jerry Cantrell
    Ao invés de perderem tempo ouvindo um álbum pobre do ponto de vista da essência do Pearl Jam, já que eu registro como único trabalho bacana dos cara o álbum cujo o título chama-se "Ten", ouçam o novo trabalho do Alice In Chains. Obviamente, trata-se de uma subjetiva e individual opinião!
  • Fabriciobr
    Link?
  • Roberto A
    Rs. Isso é resenha de fã pra fã.
    Paródia de si mesmo eles sempre foram.
    Tanto que NUNCA conseguiram fazer nenhum disco com a qualidade do primeiro. fato incontestável.


    próxima!
  • Diego
    Backspacer tá muito foda mesmo. "The Fixer" e "Amongst the Waves" são as que mais curti, mas todas as outras músicas arrebentam.

    Parabéns ao autor e ao PDH pelo post!
  • Renan
    FODAAA DEMAISS
    ouço pearl jam desde guri, esse disco novo ta muito bom!!

    massa o post heim, valeu..
  • Gabriel (#1),Robson (#4), Patricia (7)...Pearl Jamé a minha banda do coração também e esse álbum me deu um gostinho especial de perceber como eles acertaram a mão em cheio. Eu tenho carinho por cada álbum deles e me divirto até com o experimentalismo do 'No Code' e do 'Binaural'...mas naquele disco 'do abacate' (que leva o nome de Pearl Jam) eles tentaram resgatar algo que não volta mais: o vigor da mocidade.

    Jpa nesse Backspacer eles conseguiram fazer verdadeiros sons de rock'n roll sem a tentativa de resgate, mas sim usando a experiência que conseguiram em duas décadas juntos e isso acrescentou uma sinceridade única em cada som. Puta álbum, viu! =D
  • Marcão, macho-alpha++
    Ainda existe o Pejama?
    Deixei de acompanhar no Ten, último álbum bom deles....

    Att

    Marcão
  • Renan
    just breathe é sem dúvida a melhor música...a Altura de Pearl Jam...Sensacional!!!!

    CD bom D++++++++
  • Cadu
    “Give me something to echo in my unknown future / You see, my dear / The end / Comes near / I’m here / But not much longer”
    (“Me dê algo para ressoar em meu futuro desconhecido / Você vê, querida / O fim / Se aproxima / Eu estou aqui / Mas não por muito tempo”).

    BANDA FODA...POST FODA...
  • Gustavo Alencastro
    Muito legal a matéria, eu tinha até me esquecido desta banda q é um ícone dos anos 90. Espero q vc siga fazendo esse tipo de trabalho q de quebra é uma fonte insegotável e de música todos gostam, ao menos eu acho issso. Parabéns.
  • Evandro
    Parabéns pela resenha.

    CD absolutamente phoda de uma banda absurdamente phodástica!

    A baqueta do aniversariante da noite Matt Cameron que consegui no 1o show deles em POA ainda descansa no meu quarto.

    Torço muito que essa turnê passe pelo Brasil.
  • O Pearl Jam tem o poder de ser minha banda favorida, desde os 12 anos. Foi isso que pensei ao ouvir Backpacer.

    O Som é fiel ao grunge do PJ, tem um toque de Into the Wild e ainda assim é inovador.

    E please, quem ainda ñ ouviu, baixe/compre o cd AGORA!

    ps: Belo post!
  • Anderson
    Just Breath ficou perfeita!
    Muito bom a resenha kra!
    Tanto quanto o álbum! hehe

    Abraços!
  • Pearl Jam é bom demais.

    Alive, Ten, Even Flow, Black, Once foram músicas que me acompanharam em uma ótima fase da minha vida.
  • Jader, eu tinha pirado no post do EMICIDA, mas acho que neste você se superou.

    Vai ser muito difícil encontrar em outro site uma resenha do Backspacer tão boa e tão completa quanto a sua.

    Abraço!
  • Davi
    Sem dúvida, há algum tempo eu não curtia tanto, de primeira ouvida, um álbum do PJ. Só não consegui encaixar Johnny Guitar e Supersonic no álbum. Amongst the waves é o melhor hit, sem dúvida!
  • Gabriel Vinicius
    Nossa sou muito fã de pearl jam...

    Concerteza irei dar uma conferida nesse Album!

    Parabéns pelo Artigo!
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