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Ditadura da eterna juventude

Christian Gilioti

por
em às | Artigos e ensaios, Cultura e arte, Debates


Tanto as crianças quanto os adultos e os idosos tornaram-se reféns da utopia jovem, uma miragem de beleza e felicidade inatingíveis, produzida e vendida em escala industrial.

Banksy | Old Skool - Clerkenwell Road, Londres (já removido)

Alguns domingos atrás, descobri a existência de Julie Lourenço, a garotinha de quatro anos que estourou no YouTube ensinando “técnicas” de maquiagem para festa (em poucos dias, quatro milhões de acessos). O que era para ser apenas um momento de descontração acabou se transformando numa experiência intelectual interessante.

Por trás da aparente simplicidade, o vídeo de Julie é um valioso exemplo da sinuca de bico em que, culturalmente, estamos todos metidos.

Intolerantes com o envelhecimento e brutalmente insensíveis com a experiência infantil, vivemos um processo de jovialização da cultura, no qual o ideal de juventude predomina socialmente como modelo, algo como um patamar a ser atingido e sustentado, indefinidamente, custe o que custar.

Maquiagem infantil


Link YouTube | “Eu treinei bastante essa maquiagem na minha Barbie…”

Conversando com outras pessoas a respeito do vídeo, colhi opiniões diversas. Afinal, seria motivo de orgulho a exposição de uma criança que, aos quatro anos de idade, já se mostra contaminada pelo imaginário “fashionista” que pertence (ou, ao menos, deveria pertencer) exclusivamente aos adultos?

Por outro lado, não é da natureza da criança eleger os mais velhos como espelho? O que seria mais preocupante, o fato de Julie maquiar-se como um adulto ou o valor excessivo que os próprios adultos atribuíram para a atitude de Julie? (Curiosamente, quase ninguém questionou a veracidade do vídeo).

Não é raro toparmos com adultos pouco habilidosos quando o assunto é criança. O excesso de proteção assim como a completa falta de discernimento diante das peculiaridades e limitações infantis são erros bastante recorrentes – por vezes, até constrangedores. A infância deve ser vista sem moralismos, longe dos “lugares comuns” que cercam o debate em torno das diferenças que separam crianças, adolescentes e adultos. Aliás, é justamente essa distinção que vem se tornando, ao longo dos anos, cada vez mais difícil de ser identificada. É como se os limites entre uma fase e outra, do ponto de vista comportamental – não etário –, estivessem ficando diluídos.

Talvez seja a uniformização dos comportamentos e sua consequente diluição das diferenças uma das chaves para compreendermos o processo de jovialização da cultura. O simples fato de Julie maquiar-se, por si só, já configura isso. A maquiagem específica para festas é um recurso de sedução, pertencente ao “mundo adulto”, que se realiza como técnica de jovialização e erotização. No momento em que uma criança incorpora tal recurso, inevitavelmente perde parte de sua identidade.

Entretanto, o estereótipo de femme fatale não se concretiza no rosto de Julie. Ao contrário, a maquiagem imperfeita produz uma metáfora sutil, cômica e singela da liberdade infantil. Tal delicadeza teria ressonância dentro de nós, adultos, e seria capaz de conduzir-nos à inocência perdida, nostalgia de um tempo que não volta mais? Seria possível que a imagem de Julie borrada nos olhos e nas bochechas, inconscientemente, nos recordasse a figura lúdica, levemente grotesca e repleta de simpatia dos palhaços? Admirar Julie corresponderia ao desejo de revisitar a própria infância?

Do ponto de vista formal, há fortes indícios de que o vídeo pode não passar de uma grande farsa. É notável, por exemplo, o processo de edição ao qual foi submetido antes de cair na rede. Não faltam interrupções no andamento da narrativa de Julie que, curiosamente, aparece a cada corte com os olhos cada vez mais borrados. Estaria a criança sendo dirigida e maquiada durante a filmagem? Seria apenas uma jogada de marketing na qual a mãe – maquiadora profissional – usaria a filha para indiretamente divulgar o próprio trabalho?

É preocupante, mas a imensa maioria de internautas que se sensibilizou com o vídeo sequer desconfiou da espontaneidade de Julie. Este é um dos pontos principais. Quem garante que o motivo da repercussão não seja a maneira aparentemente ingênua e espontânea com que a garotinha investe-se da posição não somente de adulta, mas, sobretudo, de especialista em maquiagem (evidentemente sem sucesso, levando-se em conta parâmetros profissionais)?

As possibilidades são muitas. Na tentativa de ser adulta, Julie reforça ainda mais sua condição de criança? Ao contrário, na tentativa de manifestar-se como criança, revela sua adesão à mentalidade adulta? Nem uma coisa nem outra, mas apenas manifestação de espontaneidade? Ou melhor, não seria o rosto infantil de Julie extravagantemente borrado uma espécie de escudo, frágil tentativa de proteção contra a erotização exacerbada e juvenil que aflige tanto os adultos?

Infância na História

Foto: Lewis H. Wine

Um pouco de psicanálise e história talvez sejam úteis para a compreensão do que pode estar em jogo no vídeo de Julie. Para Freud, a pessoa é o que é porque, embora constantemente retocável, teve o desenho de sua personalidade forjado durante a infância, sobretudo em seus traços principais. Em outras palavras, pelo menos parcialmente, o olhar psicanalítico reconhece no comportamento adulto expressões da infância, em geral inconscientes e enigmáticas, desenvolvidas a partir de um penoso processo, no qual desejo e repressão, impulso e limite, conflitam entre si.

No entanto, entre o fim do século 19 e o início do 20, quando o mesmo Freud inventava a psicanálise, os tempos eram outros. A começar pela imagem e o papel social exercido pelas crianças. Na época, pelo menos no chamado mundo ocidental, tínhamos na figura do adulto o paradigma do pleno desenvolvimento humano. As noções de indivíduo, normalidade, retidão, liberdade, autonomia, maturidade, enfim, tudo aquilo que era reconhecido como elemento constitutivo de um sujeito pleno concentrava-se na figura discreta, sóbria e disciplinada do adulto.

Essa mesma figura atingia sua suposta perfeição quando alcançava posição social elitizada. Ideologicamente, a imagem do bom burguês operava socialmente como modelo. Ser homem, rico e adulto significava ser respeitável. Não por acaso o mundo proletário, assim como o mundo infantil e o mundo feminino, era visto como inferior.

(Coincidentemente, no quadro das relações econômicas, sociais e políticas que predominam até a segunda metade do século 20, é notável que tanto a “classe-média” quanto a “adolescência” permaneciam ainda como categorias incipientes. Isso indica que o processo de jovialização da cultura pode estar intimamente vinculado ao crescimento das camadas sociais medianas impulsionado pelo Welfare State. Essa questão será retomada mais adiante, entretanto, na perspectiva do desenvolvimento da sociedade de consumo).

Nem sempre a correspondência entre faixa etária, sistema econômico e imaginário social é devidamente dimensionada. No fundo, até o fim da 2ª Guerra Mundial – culturalmente falando – não existiam exatamente “crianças”, e sim “não-adultos”.

A passagem de um estágio para outro era abrupta e violenta, mas, ao mesmo tempo, gradativa e natural. Essa ambiguidade é visível, por exemplo, nas roupas que as crianças, tanto burguesas quanto proletárias, usavam: rotas ou engomadas, não passavam de cópias diminutas da vestimenta dos mais velhos. Em contrapartida, mesmo similares na aparência, homens e infantes eram socialmente reconhecidos como opostos. Quem controlava o mundo eram os adultos. Portanto a diferenciação era nítida, capaz de atravessar desde a importância atribuída às escolhas e desejos dos pequenos, ignorados ou rejeitados sem maiores dificuldades, até o valor da mão-de-obra.

Em nome da liberdade

Com o advento da “sociedade de consumo”, quando os países capitalistas desenvolvidos viviam o auge do Estado de bem estar social, a classe média cresce consideravelmente – sobretudo a partir da década de 50. A infância passa então a ser reconhecida como nicho de mercado, assim como os adultos e idosos. Entretanto, é na figuração radiante e explosiva do jovem que a indústria apostará a maior parte de suas fichas. Preconizada durante o Romantismo, retomada pelas vanguardas e consolidada pelo movimento beat, a juventude como símbolo da plenitude humana atinge dimensões mercadológicas e globalizadas através da contracultura, com a explosão do rock’n’roll.

Richard Hamilton, 1956 | O que exatamente torna os lares de hoje em dia tão diferentes, tão atraentes?

Muito da rebeldia juvenil que vigorou nesse período colocava em ameaça algumas das principais bases do sistema capitalista. Seja no desapego aos bens materiais e na assimilação de formas de religiosidade e socialização orientais característica dos hippies, seja no esquerdismo romântico e libertário do movimento estudantil, a juventude protagonizava, com criatividade ingênua, uma tentativa revolucionária de transformação do mundo.

Mas em pouquíssimo tempo o sonho acabou. Reduzida apenas à condição de mercadoria, a rebeldia juvenil tornou-se um estereótipo da liberdade. Na década de 70, a indústria cultural já adquiria seu poder mágico de espalhar-se pelo mundo e invadir as mais variadas culturas manifestando-se como um estilo de vida consumível, um jeito de se expressar e se vestir com prazo de validade, a saber, a fase da juventude – o breve espaço de tempo que separa a criança do adulto – ou o curto intervalo entre uma tendência e outra que, desde então, passa a caracterizar a moda voltada para as massas.

É exatamente este o marco inaugural do processo de jovialização da cultura. A partir daí, a vitalidade, a coragem, a beleza, a impulsividade, enfim, tudo aquilo que foi condensado na figura juvenil desde o Romantismo, passa a ser cuidadosamente explorado pelo marketing. Dos yuppies dos anos 80 aos hipsters do século 21, toda a energia supostamente ameaçadora da juventude é convertida numa pseudo-originalidade inteiramente articulada às demandas de mercado.

A ditadura do novo

Na essência, essa padronização dos comportamentos não deixa de ser um tipo de ditadura cultural – até porque, embora as ditaduras não sejam unânimes, elas se consolidam trucidando tudo aquilo que lhes aparece como obstáculo ou empecilho.

Basta analisarmos o arco de possibilidades de satisfação pessoal oferecidos em massa para qualquer um tenha acesso à televisão e internet. Em primeiro lugar, devemos ser ricos: a partir daí, teremos condições de lutar para permanecermos jovens por tempo indeterminado. Afinal, quanto custa uma alimentação orgânica e saudável incrementada por vitaminas e suplementos, uma lipoaspiração combinada com algumas aplicações de botox, um carro novo e potente, uma viagem que contemple a prática de esportes radicais, a mensalidade de uma boa academia de ginástica, uma noitada numa balada repleta de “gente bonita”?

A eternização da juventude é praticamente uma religião. Pode até ser fascinante e, evidentemente, produtora de muito prazer e euforia. Ocorre que nosso admirável mundo novo – high tech, clean e virtual – ainda não se despiu totalmente da sua velha roupagem. Competição, sofrimento, injustiça, frustração, tudo isso ainda existe, permeia a vida em sociedade e está longe de desaparecer.

O próprio avanço tecnológico que ampliou as possibilidades de comunicação e socialização também trouxe como consequência o aumento significativo da carga de trabalho. A qualquer momento, via iphone, tablet, notebook etc, estamos sujeitos às solicitações profissionais – o que significa que disciplina, discrição e sobriedade continuam sendo características indispensáveis para a sobrevivência no mundo real.

A situação se agrava se levarmos em conta que, tanto na produção artificial da juventude quanto na “guerra de todos contra todos” em busca do pão de cada dia, muita gente se encontra controlada e oprimida por uma dose excessiva de cobranças – no caso, não apenas as impostas pelo jogo social, mas também as que brotam da própria consciência.

Diferentemente de épocas passadas, a formação subjetiva não mais se realiza tendo como fundamento principal a repressão. Antigamente, suportar a frustração do desejo imediato significava superar impulsos, e, portanto, conquistar autonomia.

O problema é que boa parte de nossas crianças vive hoje numa espécie de ilha da fantasia e do terror. Desconhece limites, pois, aqueles que deveriam encarregar-se da tarefa repressora, os adultos, não conseguem sequer libertar-se de seus sonhos – e pesadelos – juvenis. Assim, o curto-circuito está armado: tanto crianças quanto adultos tornaram-se reféns da utopia jovem, uma miragem de beleza e felicidade inatingíveis, produzida e vendida em escala industrial.

Pode não ser mero acaso o fato de que, nos últimos anos, analgésicos, antidepressivos e estimulantes sexuais estejam liderando o ranking dos remédios mais vendidos no Brasil. Neste mundo de feição esquizofrênica, no qual a fixação do estilo de vida aventureiro tipicamente juvenil e as severas exigências de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo ocupam o mesmo espaço, o vídeo de Julie – mesmo com cheiro de farsa – também não deixaria de ser, romanticamente, uma espécie de monumento de resistência, capaz de manter viva na memória a certeza de que alguma espontaneidade, livre das pressões socialmente estabelecidas, merece ainda existir?

Resta saber se nós, adoradores da “estátua infantil”, e também as próximas gerações, teremos condições de superar ao longo de nossas vidas o maior de todos os dilemas da existência. O processo de jovialização da cultura alimenta-se vorazmente do humano – demasiado humano! – medo da morte. É no terror provocado pelo fim que encontramos as raízes da aversão que temos pelo envelhecimento hoje em dia. Enquanto isso, a ideia de amadurecimento pode estar prestes de ser abolida da humanidade.

E é justamente essa desconexão com a vida real, esse absoluto desprezo pelo tempo, o maior engodo que o vídeo de Julie pode nos oferecer. Afinal, como pensou uma vez Montaigne, “quem ensinasse os homens a morrer, os ensinaria a viver”.

Christian Gilioti

Formado em Filosofia pela USP. Durante a graduação, atuou paralelamente em museus e centros culturais. Atualmente é professor de filosofia no ensino médio, pesquisador de manifestações artísticas contemporâneas e coordenador de projetos pedagógico-culturais.


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  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    a pergunta que não quer calar: o que leva um sujeito a entrar na piscina com esposa e filha, num belo dia de verão, trajando camiseta e cabelo estoicamente escovado?

    porra, Justus.
    se quer ter a gostosa do lado não precisa ter vergonha em mostrar o físico compatível com a idade. mais, seria motivo de orgulho se portar como um cara sem o menor receio de dar a cara à tapa. 

    uma puta atitude assertiva.

    //

    Christian, vejo conexão do seu texto com o Solidão Masculina:

    http://papodehomem.com.br/solidao-masculina/

    Avançando em seu argumento, tenho notado cada vez mais movimentos em prol da “real beleza”, de mais autencidade. Não só na estética, mas na vida como um todo.

    Penso que vamos adentrar nos próximos anos ciclos cada vez mais fortes de reações sociais e humanas entrando em choque com noções de artificialidade excessiva e prolongamento da juventude.

    Por outro lado, os avanços científicos fazem o anseio humano pela vida eterna, vida longa, se tornar cada vez mais voraz. (vide matérias em revistas como a Superinteressante)

    Como enxerga esse panorama?

    • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

       De fato.

      Vejo uma ânsia (talvez masculina, talvez com viés até machista temos que ver) pelo natural, pelo seio sem silicone, a pele sem o verniz exagerado das maquiagens e photoshop, pelo cabelo sem tantos artifícios, pelo comportamento condizente com a idade marcados pelos anos que tanto nos fazem bem.

  • Christian Gilioti

    Caro Guilherme,

    De fato, o figurino do Justus é, no mínimo, exótico…

    Mas para além do valor anedótico do comentário, você apontou para algo, de fato, muito importante: uma cena assim, tão banal, tão “família”, ao mesmo tempo não tem nada de banal e família. Basta olhar com um pouco de atenção que o absurdo artificial, por si só, explode na nossa cara.

    Gostei da formulação: “Penso que vamos adentrar nos próximos anos ciclos cada vez mais fortes de reações sociais e humanas entrando em choque com noções de artificialidade excessiva e prolongamento da juventude”.

    Honestamente, torço muito para que essa resistência emplaque. Mas ainda não tenho uma visão consolidada sobre isso. Acho que a conexão entre juventude, consumismo e fragmentação da subjetividade permanecerá extremamente forte, pelo menos por algum tempo. Acabei de ler o texto “Solidão Masculina”, e é por aí mesmo: muitos homens estão desnorteados, não se sentem autônomos, suspeitam que nunca são capazes de “ser eles mesmos”. E eu pergunto: só os homens?

    Com certeza, o avanço da ciência rumo à vida eterna é mais uma volta no parafuso contra a simplicidade e a autenticidade…

    Mas talvez o coração do problema (ou, quem sabe, da solução?) seja o arranjo econômico. Por mais que a tecnologia avance, por mais que a ciência se desenvolva, por mais que os bens de consumo se multipliquem, é assustador o número de seres humanos espalhados pelo planeta que estão ficando de fora do jogo. Além disso, supor, como se fazia no século 19, que a natureza pode ser explorada infinitamente, é insanidade pura.

    Que fazer? O que vai acontecer?

    Como dizia Sócrates: Só sei que nada sei…

    Em todo caso, agradeço a leitura generosa e interessada.

    Grande abraço!

    • acazsouza

      Texto difícil de ler. Mas acho que entendi a ideia. Compartilho do mesmo pensamento do Christian: Só sei que nada sei e desconfio muito de quem diz que sabe.

      Acho que se coisas como essas se são um problema ou não, só vamos aprender quando quebrarmos a cara. Juventude é uma coisa boa, ser jovem para sempre eu também quero, mas tem limites e eu reconheço isso, agora será que todos reconhecem? Acredito que não.

      Mas acho que tem muita gente que caiu na real sobre essa sociedade atual, mas essa muita gente ainda é pouco.Acredito no tempo e muita educação.

    • acazsouza

      Texto difícil de ler. Mas acho que entendi a ideia. Compartilho do mesmo pensamento do Christian: Só sei que nada sei e desconfio muito de quem diz que sabe.

      Acho que se coisas como essas se são um problema ou não, só vamos aprender quando quebrarmos a cara. Juventude é uma coisa boa, ser jovem para sempre eu também quero, mas tem limites e eu reconheço isso, agora será que todos reconhecem? Acredito que não.

      Mas acho que tem muita gente que caiu na real sobre essa sociedade atual, mas essa muita gente ainda é pouco.Acredito no tempo e muita educação.

    • acazsouza

      Texto difícil de ler. Mas acho que entendi a ideia. Compartilho do mesmo pensamento do Christian: Só sei que nada sei e desconfio muito de quem diz que sabe.

      Acho que se coisas como essas se são um problema ou não, só vamos aprender quando quebrarmos a cara. Juventude é uma coisa boa, ser jovem para sempre eu também quero, mas tem limites e eu reconheço isso, agora será que todos reconhecem? Acredito que não.

      Mas acho que tem muita gente que caiu na real sobre essa sociedade atual, mas essa muita gente ainda é pouco.Acredito no tempo e muita educação.

    • acazsouza

      Texto difícil de ler. Mas acho que entendi a ideia. Compartilho do mesmo pensamento do Christian: Só sei que nada sei e desconfio muito de quem diz que sabe.

      Acho que se coisas como essas se são um problema ou não, só vamos aprender quando quebrarmos a cara. Juventude é uma coisa boa, ser jovem para sempre eu também quero, mas tem limites e eu reconheço isso, agora será que todos reconhecem? Acredito que não.

      Mas acho que tem muita gente que caiu na real sobre essa sociedade atual, mas essa muita gente ainda é pouco.Acredito no tempo e muita educação.

    • acazsouza

      Texto difícil de ler. Mas acho que entendi a ideia. Compartilho do mesmo pensamento do Christian: Só sei que nada sei e desconfio muito de quem diz que sabe.

      Acho que se coisas como essas se são um problema ou não, só vamos aprender quando quebrarmos a cara. Juventude é uma coisa boa, ser jovem para sempre eu também quero, mas tem limites e eu reconheço isso, agora será que todos reconhecem? Acredito que não.

      Mas acho que tem muita gente que caiu na real sobre essa sociedade atual, mas essa muita gente ainda é pouco.Acredito no tempo e muita educação.

    • acazsouza

      Texto difícil de ler. Mas acho que entendi a ideia. Compartilho do mesmo pensamento do Christian: Só sei que nada sei e desconfio muito de quem diz que sabe.

      Acho que se coisas como essas se são um problema ou não, só vamos aprender quando quebrarmos a cara. Juventude é uma coisa boa, ser jovem para sempre eu também quero, mas tem limites e eu reconheço isso, agora será que todos reconhecem? Acredito que não.

      Mas acho que tem muita gente que caiu na real sobre essa sociedade atual, mas essa muita gente ainda é pouco.Acredito no tempo e muita educação.

    • acazsouza

      Texto difícil de ler. Mas acho que entendi a ideia. Compartilho do mesmo pensamento do Christian: Só sei que nada sei e desconfio muito de quem diz que sabe.

      Acho que se coisas como essas se são um problema ou não, só vamos aprender quando quebrarmos a cara. Juventude é uma coisa boa, ser jovem para sempre eu também quero, mas tem limites e eu reconheço isso, agora será que todos reconhecem? Acredito que não.

      Mas acho que tem muita gente que caiu na real sobre essa sociedade atual, mas essa muita gente ainda é pouco.Acredito no tempo e muita educação.

  • gordo

    Texto fantástico!

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    lindo ver artigos assim no papodehomem. bem vindo, christian.

    • Christian Gilioti

      Valeu Alex!

      Obrigado pela recepção.

  • http://www.facebook.com/fabio.laoviahn Fábio Laoviahn

    Artigo muito bom, jogava horas de conversa fora dia desses dentro do mesmo tema.
    Huxley, Huxley e mais Huxley!
    Talvez tenha esquecido de mencionar os “baby boomers” na equação. Foram um marco no séc XX, certamente nas relações de consumo e, foi nessa época que o marketing começou a se lapidar para o que é hoje, então são eventos intimamente ligados:

    - O nascimento dos filhos dos sobreviventes da maior guerra que a humanidade viveu.
    - A mudança do foco do produto para o cliente.

    Outro fator interessante e histórico é a nossa taxa de envelhecimento e longevidade, um fato médico, mas se converteu em estética e consequentemente em moeda.
    Há séculos um homem que vivesse 50 anos era o camarada mais durão e casca grossa do pedaço.
    Hoje podemos ser centenários com os devidos cuidados.
    Então a situação se mistura e fica assas confusa.
    Pois outrora aos 12 anos virávamos adultos, íamos lavrar, fabricar e até casávamos. A vida era curta realmente e não se podia perder tempo.
    Hoje vivemos pelo menos 3 vezes mais que no passado, a adolescência se alongou, e hoje mesmo que isso não seja oficializado a adolescência vai até os 20 e muitos e quiçá 30 ou mais. Não temos mais tanta pressa assim. E já não é mais tão feio que se tenha 30 anos vivendo com os pais. Pois são muitos na mesma situação e nossas sociedades ocidentais toma por normal o que é maioritário no seu pleno senso utilitarista.

    Vejo em pessoas na rua e conhecidos na casa dos 30 sendo extremamente imaturos, e faço o contraponto com tios, primos e amigos da minha infância. que eram tão mais maduros/velhos que os de hoje. Nos anos 80 a maturidade que via em alguém de 25 anos é encontrada às vezes quando se completa 40. 15 anos de eco entre os estágios comportamentais.
    E isso também não significa que as pessoas precisem ser como nossos velhos foram, a cultura, informação e relações mudaram mesmo. A necessidade é a mãe da invenção, e certos comportamentos “maduros” do passado só serão observados quando necessários. Assim como as profissões são cada vez mais especializadas, e as habilidades embora cada vez mais multidisciplinares, são focadas em alguns campos específicos, não existem mais “médicos de família saindo das faculdades.”
    Nesse ponto temos mais e mais comportamentos e personalidades análogos ao autismo. Ilhas de talento em oceanos de inaptidão.

    Quantos amigos conhecemos que sabem consertar um chuveiro? Ou entendem de carpintaria e elétrica básica? Olhem quantas empresas surgiram para suprir a necessidade do trabalho de reparo doméstico que era responsabilidade do homem da casa, e hoje poucos sabem fazer.

    O mundo ficou mais acelerado, mas também ficou mais mole. Numa metáfora, ele ficou mais fluido…
    E nesse movimento as pessoas escorrem, se infiltram e se deixam impregnar muito facilmente por elementos que até pouco tempo atrás eram intangíveis demais e até fictícios.

    Ah Huxley, se fosse vivo, e o encontrasse não sei se daria um beijo ou uma porrada.

    Abraços.

    • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

      ” Hoje vivemos pelo menos 3 vezes mais que no passado, a adolescência se
      alongou, e hoje mesmo que isso não seja oficializado a adolescência vai
      até os 20 e muitos e quiçá 30 ou mais.”

      Sim, de fato a adolescência se alonga e na contra mão vemos a infância definhando e não vejo nisso um ciclo natural, uma necessidade impulsionando a mudança, o que vejo são adultos que pela imaturidade e pela cabeça feita pela industria da juventude incentivando no infante comportamentos adultos, erotização e responsabilidades fora do tempo, quando esses são cada vez mais infantilizados.

    • Christian Gilioti

      Caro Fábio,

      Concordo com você. Nosso “admirável mundo novo” deixou de ser novo: hoje em
      dia é apenas o real, estranhamente interpretado com naturalidade…

      Tem
      razão quando aponta os “baby boomers” e a crescente customização das
      mercadorias. São questões que acabei não desenvolvendo muito.

      Apenas
      aproveito seu comentário para explicitar algo que talvez não tenha ficado claro
      no meu texto: embora desconfie dessa ditadura juvenil, não sou saudosista,
      tampouco apocalíptico.

      Acho
      importante reconhecer o caráter mutável da História. Investigar o passado e  se indignar com o presente pode ser também um
      exercício de imaginação para o futuro…

      Valeu!
         

      • Paula

        A última frase do comentário é algo a ser pensado… A ditadura na beleza nos tira inclusive a imaginação e a criatividade por nos dizer como se comportar e nos bloqueia a criatividade e a imaginação. Acho que precisamos de um trabalho de reconstrução de identidade individual e coletiva.

    • Wendell

      Eu daria um beijo E uma porrada.

  • Fernando

    “tanto crianças quanto adultos tornaram-se reféns da utopia jovem, uma miragem de beleza e felicidade inatingíveis, produzida e vendida em escala industrial.”

    E isso basicamente resume tudo.

    Lembro-me que lá pelos 15 anos, eu tinha uma enorme vontade de ser adulto, me sentir com todo aquele poder nas mãos. Hoje com 26, parece que gostaria de voltar a ter 15. O fato é, que a felicidade parece sempre tão distante e a nossa infelicidade parece sempre mais constante. A ânsia de ter uma vida plena e feliz confunde eternamente a nossa mente. Podemos ser felizes e nem ao menos nos vermos assim. Vai saber se a eterna juventude é o caminho.

  • Marcos Augusto Nunes

    Muito boa abordagem sobre os problemas decorrentes dos processos civilizatórios do capitalismo compatibilizados com a fuga da morte e do pensar a morte.

    Enfática a fotografia dos meninos mineiros: realmente, até o século XIX, as crianças não eram apenas destituídas de um self paryicular, como também eram vistas como uma força de trabalho a mais, e mais barata que a adulta. A exploração ao trabalhador descia ao filho do trabalhador, cuja infância não era obstáculo para seu usofruto pelo nosso endeusado mercado.

    Pessoalmente, vejo que a criança que fomos um dia ainda somos, o que não quer dizer que, enquanto adultos, podemos ser vistos como criaturas infantilizadas pelo aparato publicitário da sociedade de consumo. Trata-se do desdobramento dos desejos e curiosidades da criança e de seu olhar permanecendo por nossa vida afora, bem como as fraturas antigas que não nos deixam escapar à primeira idade quando confrontamos os problemas enquanto adultos, mas que tem à memória os limites impostos pelas versões beligerantes da ralidade desde muito cedo.

    Viver, quer dizer, morrer, não é nada fácil.

  • Eduarda Vassanezzi

    “É preocupante, mas a imensa maioria de internautas que se sensibilizou com o vídeo sequer desconfiou da espontaneidade de Julie.” 
    Adoro esse vídeo da Julie e não havia pensado numa montagem. Agora analisando de forma melhor é nítido.

    Na minha humilde opinião: criança tem que ser criança. 

  • Helena Pistune

    viver é foda, morrer é difícil…

    maravilhoso o texto… por que nao assumirmos os traços da idade, e as experiencias que com ela advém?
    Por que nao deixar as crianças sendo crianças? ao mesmo tempo: que menina nunca vestiu roupas da mamae e colocou sapatos de salto, ou borrou o rosto com batom?

    bastaria um equilibrio entre buscar a juventude e da beleza e assumir as vantagens e desvantagens da velhice.
    seu texto tambem tem conexao com o da Eliane Brum: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/02/me-chamem-de-velha.html
    abraço!

    • Christian Gilioti

      Cara Helena,

      Acabei de ler o texto da Eliane Brum: muito interessante!

      Pude notar que eu mesmo, ao utilizar o termo ‘idoso’ – e não, ‘velho’ – acabei derrapando no eufemismo da linguagem pós-moderna…

      Só tenho a agradecer…

      Abraço!

      • HelenaPistune

        de nada!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000559103169 SayoNara Costa

    Achei o artigo de uma técnica e elegância surpreendentes. A sobriedade do texto, os argumentos, a exemplificação, até mesmo a escolha das imagens, tudo muito bem concatenado. Deixa muito artigo acadêmico no chinelo. Para além da técnica, há também a relevância do tema, já tinha visto o vídeo da Jolie, mas confesso que nenhuma das reflexões levantadas aqui me ocorreu na hora. Vê-se aí o nível de interpelação da pessoa! São reflexões como essa que procuro aqui, e encontrá-las com esse nível de qualidade é sempre uma surpresa boa. Obrigada Christian, obrigada PdH.

    • Christian Gilioti

      Muito obrigado pelos elogios.

      Não deixa de ser surpreendente também encontrar leitores abertos à reflexão e que avaliam um texto não apenas pelas ideias, mas também pelo estilo.

      Abraço!

  • Tais

    Tenho uma filha de 1 ano e 8 meses, que se eu der um pincel de maquiagem na mão dela ela passa na bochecha.

    Eu me pinto toda vez antes de sair pra trabalhar.

    Passo maquiagem para ficar mais feliz com minha aparência, às vezes cobrir a olheira de uma noite mal dormida.

    Tenho 30 anos. Sou jovem, mas as vezes tenho a mesma disposição de um bicho preguiça.

    Tenho certeza que minha filha faz isso porque me vê fazendo isso. Porque
    ela faz várias coisas iguais a mim, como limpar um cd antes de
    colocá-lo no dvd, ou colocar os chinelos, assim que sai da cama.

    Ela ainda não entende o que é maquiagem, mas se isso for inserido na vida dela sem neuras, acredito que não terei problemas.

    A Julie, conduzida ou não no vídeo, vê isso todos os dias da vida dela,
    com a mãe maquiadora, é normal pra ela. Se a mãe dela teve a sacada de
    fazer marketing com isso, foi muito esperta.

    O filho de um mecânico, vendo o pai chegar todos os dias com graxa na
    mão, vai achar normal também. Eu já me incomodaria com a sujeira.
    Eu ví o vídeo, achei uma graça. Lembrei que amava meus batons de moranguinho, passava o dia todo. Tinha um gosto bom.
    Sempre vi minha mãe vaidosa, pintando as unhas e passando batons. Eu olhava pra ela e achava bonito e queria passar também. Acho que é mais pelo belo do que pela necessidade de ser jovem.

    • Lia.

      eu teria vergonha de divulgar videos desse tipo se tivesse uma filha que ainda nem aprendeu a falar mas sabe pra que serve todas os tipos de maquiagens….  isso pra mim é ridículo, é o reflexo de uma sociedade doente. Via minha mae se maquiar mas entendia que aquilo era pra quando eu crescesse, sequer tinha acesso a maquiagens dela, o maximo q eu tinha era um batom de fruta….
      Acho que por mais que seja normal para Julie ver isso todos os dias, caberia a mae ditar os limites… Pra mim isso tá muito errado…

      • Tais

         Você tem filhos?
        Porque isso muda tudo no contexto.

    • Christian Gilioti

      Cara Tais,

      Refletindo sobre o que disse, além de outros posts, formulei uma resposta que acabei direcionando para a leitora Ariana Mendonça, mas que provavelmente toca em questões de seu interesse.

      Fica aí a sugestão… Está um pouco mais abaixo, é só seguir os comentários…

      Abraços!

       

  • http://www.facebook.com/people/Rafael-Rápres/1287490651 Rafael Rápres

    Ou seja, considero a geração após 2000 ‘perdida”, e muitos coitados com medo de uma coisa tão natural que é a velhice.

    E crianças com senso de adultos ou erotizadas pela cultura, é ridículo os pais verem isto e achar bonito, tirando o que é uma das fazes melhores da vida, o “ser criança” e toda a sua inocência, está claramente mostrado que  isso vai deixar de existir.

    Trabalho em escola, e vejo crianças vestidas de adultos, vocabulários como: Porra, filho da puta, otário entre tantos, que paro e analiso, pois isto na minha infância nos anos 90 e pela criação que tive causa tanto impacto  hoje em dia.

    Quanto a Justus rsrs é lastimável, essa criatura quando tiver 80 anos de tanto querer ser jovem vai estar de fraudas!

    • HelenaPistune

      pode ainda não estar totalmente perdida essa geração após 2000, mas é preocupante… meninas de 12 anos hoje em dia passam delineador bem melhor que eu, sem borrar. Isso me assusta. Algumas, com esta idade, já ficaram com mais meninos do que eu fiquei minha vida inteira, e boa parte já transa…
      gente… que merda é essa?

  • Barbara_hpp

    Nunca li tanta bobagem junta na minha vida inteira.

    • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

       Poderia dizer o mesmo desse comentário. :)

    • Dado Teles

      “Poderia dizer o mesmo desse comentário. :)” + 1.

    • http://www.facebook.com/fabio.laoviahn Fábio Laoviahn

      Provecta!

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Barbara, nos explique melhor o motivo de ter visto bobagem nesse texto.

      Para nós é um grande experimento – em tempos de 140 caracteres – publicarmos um texto de 14.000 caracteres. Mais ainda, é uma raridade encontrar um autor capaz de amarrar suas ideias dessa maneira, em um estilo pouco usual para a web.

      Eu mesmo me debati com o texto, inicialmente. É árduo, longo.

      A edição do Gitti e papos com ele e Jader foram essenciais para chegarmos ao resultado final.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=593854340 Bruno Sanches de Castilhos

    Me questiono se ser um eterno jovem de fato seja tao ruim. Será q mantendo nossos sonhos juvenis nao poderiamos nos tornar mais felizes? Seria prejudicial ao individuo ser feliz por pular de paraquedas a vida inteira, ou ter um carro de 300cv? O maior problema tlvz nao esteja no ser um eterno jovem, mas pensar que é um, afinal o mundo se constroi com atitudes maduras e serenas e essas nao sao tipicas de jovens.

  • https://twitter.com/u_uHAHAHA Lunna Miranda

    Bravo!
    O Peter Pan sentou em cima do próprio rabinho e ficou quietinho.

  • Breno Tiki

    Meu pitaco sobre o vídeo:
    Sim ele é editado, mas o porque de ser editado é uma discussão complicado… a minha impressão é que o vídeo original deve ter uns 15 minutos e a mãe encurtou para os seus 3:30. Ela é espontanea dum jeito que é dificil de dirigir, se ela foi dirigida ela vai ser uma baita atriz quando crescer pois essa qualidade de transmitir essa leveza  e espontaneidade até hoje a Kristen  Stewart não consegue.Mesmo sem direção, ainda há o olhar da edição, que é o que cria a narrativa (storie) e isso sim foi feito pela mãe ou algum amigo dela. Até por que nas entrevistas que as duas deram a mãe parece bem feliz pelo sucesso do vídeo e no comercial que as duas fizeram para um empresa de cosméticos a menina foi beeem mais editada para tentar simular essa espontaneidade…

  • Karine

    Texto muito bom!

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Vocês notaram que a filhinha do Justus usa o mesmo biquini que a mãe? Isso é muito significativo, quase um resumo do texto. ;-)

    Fala Christian!

    Até que enfim publicamos esse texto, não?

    Espero mais textos assim, que puxam mil coisas a partir de um único evento, como esse vídeo da menina Julie. E espero poder participar da concepção de alguns, em mais bares por aí….

    Eu chamo esse fenômeno aí de “adolescentização do mundo”.

    As crianças estão se tornando adolescentes antes do tempo e os adolescentes estão prolongando sua existência o máximo possível. Isso é um problema em vários níveis: os seres ficam menos tempo sendo crianças (os pais até desaprenderam a realmente brincar, a deixar a criança ser criança em vez de ficar só preparando as crianças para o futuro) e depois não conseguem amadurecer e virar adultos. Existem pessoas que vivem como adolescentes dos 8 aos 32, por exemplo, ainda morando na casa da mãe. Uma tragédia.

    Falei um pouco sobre isso aqui: http://papodehomem.com.br/dia-das-maes-pdh-qual-o-maior-presente-que-voce-pode-dar-para-sua-progenitora/

    Resultado: o mundo passa a ser um mundo feito de adolescentes para adolescentes. Quem não está nesse mundo tem bastante dificuldade de viver com satisfação: crianças (que são pressionadas com mil processos de formação antes da hora), adultos (que não encontram tantos espaços fodas como estão disponíveis para jovens) e idosos (cuja situação é ainda pior). Claro, há idosos, adultos e crianças que encontraram bons espaços, mas eles estão longe de ser a maioria, pelo que observo. O mundo é predominantemente adolescente. É só ver o marketing, a comunicação. As coisas todas são feitas para adultos ou para adolescentes?

    A adolescentização do mundo transforma tudo em entretenimento, até mesmo a filosofia. ;-) E está por trás de mil cirurgias plásticas.

    “Pode não ser mero acaso o fato de que, nos últimos anos, analgésicos, antidepressivos e estimulantes sexuais estejam liderando o ranking dos remédios mais vendidos no Brasil.”

    Pois é.Se o cara sofre, melhor ter um pai que receita algo do que se apropriar da própria mente e realmente se engajar em um treinamento árduo de transformação, né? É a mente do adolescente operando em todos nós…

    Eu realmente espero que a adolescência, essa fase construída que nunca existiu, passe a ser cada vez menor, não cada vez maior, como parece estar agora. Que a infância seja realmente longa, lúdica, como a Julie pirando. E que a fase adulta venha logo.

    Conversei também pessoalmente com o André (http://papodehomem.com.br/desescolarizacao-precisamos-mesmo-das-escolas/) e lembro dele falando que muitos caras com 16 anos já são capazes de organizar grandes projetos, já são adultos. Mas que nós forçamos esses caras a ficar nesse limbo construído da adolescência, que tira o poder da mão deles, como que dizendo: “Fica aí fazendo cursinho, seu moleque, nós é que somos adultos”.

    Num certo sentido, a escola impede que as pessoas virem adultas porque ela reforça o limbo adolescente que fode o mundo.

    O que pensam desses pontos, Christian e pessoal?

    Abraços.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      adendo rápido:

      imagina a pressão que a filha deles não vai sofrer para ser linda, gostosa e charmosa!ai dela se for feia e deselegante…

      • MageCiconello

         A filha do Justus? Ela já sofre essa pressão. Recentemente o Justus deu uma declaração que deixou claro que ele sabe que não tem a filha mais linda do mundo, mas que os traços das pessoas mudam durante o crescimento, então que ela também irá mudar. A menina sofre com grosserias na internet e segundo um ex-colega comentou, até na própria agência do pai.

      • MageCiconello

         A filha do Justus? Ela já sofre essa pressão. Recentemente o Justus deu uma declaração que deixou claro que ele sabe que não tem a filha mais linda do mundo, mas que os traços das pessoas mudam durante o crescimento, então que ela também irá mudar. A menina sofre com grosserias na internet e segundo um ex-colega comentou, até na própria agência do pai.

      • MageCiconello

         A filha do Justus? Ela já sofre essa pressão. Recentemente o Justus deu uma declaração que deixou claro que ele sabe que não tem a filha mais linda do mundo, mas que os traços das pessoas mudam durante o crescimento, então que ela também irá mudar. A menina sofre com grosserias na internet e segundo um ex-colega comentou, até na própria agência do pai.

      • MageCiconello

         A filha do Justus? Ela já sofre essa pressão. Recentemente o Justus deu uma declaração que deixou claro que ele sabe que não tem a filha mais linda do mundo, mas que os traços das pessoas mudam durante o crescimento, então que ela também irá mudar. A menina sofre com grosserias na internet e segundo um ex-colega comentou, até na própria agência do pai.

      • MageCiconello

         A filha do Justus? Ela já sofre essa pressão. Recentemente o Justus deu uma declaração que deixou claro que ele sabe que não tem a filha mais linda do mundo, mas que os traços das pessoas mudam durante o crescimento, então que ela também irá mudar. A menina sofre com grosserias na internet e segundo um ex-colega comentou, até na própria agência do pai.

      • MageCiconello

         A filha do Justus? Ela já sofre essa pressão. Recentemente o Justus deu uma declaração que deixou claro que ele sabe que não tem a filha mais linda do mundo, mas que os traços das pessoas mudam durante o crescimento, então que ela também irá mudar. A menina sofre com grosserias na internet e segundo um ex-colega comentou, até na própria agência do pai.

    • Christian Gilioti

      Grande Gustavo,

      Muito gratificante a experiência de publicar no PDH.
      Vocês são firmeza!

      Quanto aos adultecentes, concordo com boa parte da sua análise. Lendo seu texto, de cara, me veio na cabeça o esquema freudiano do complexo de édipo. As transferências que circulam entre mãe e filho foram objeto de Freud e até hoje, certamente, dão o que falar…

      Depois, lembrei de um texto do Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP, que junta consumismo com o predomínio cultural do comportamento materno. (http://www.eco.unicamp.br/docdownload/DIRECAO/eventos/108/Por%20uma%20cr%EDtica%20da%20economia%20libidinal_Vladimir%20Safatle.pdf)

      Fica aí a sugestão para você e qualquer um que esteja disposto à cometer suicídio existencial no gélido e obscuro mundo da academia (galera, o texto é muito hermético, no entanto, para quem curte, vale a pena). 

      Já a questão da escola é um enigma: será que ela “impede que as pessoas virem adultas porque ela reforça o limbo adolescente que fode o mundo”?

      Tenho algumas observações:

      1) Por um lado, sim. Cada vez mais, as escolas ganham ares de manicômios ou presídios. No caso de algumas instituições, tanto públicas quanto privadas, não apenas o ar que se respira, mas toda a arquitetura e a dinâmica das relações sociais parece corresponder com o que temos atualmente de pior em termos de reabilitação psicossocial (afinal, presídios e hospitais psiquiátricos, teoricamente, deveriam ressocializar, e não desumanizar, não é mesmo?).

      2) Por outro lado, não. Algum limite, algum rigor, alguma frustração… Sem isso, como as pessoas se tornariam adultas? Em certa medida, mesmo obsoleta, a escola acaba cumprindo um papel importante na (de)formação humana pois, até quando coloca os pobres-diabos para resolver equações absurdas ou decorar informações irrelevantes, de algum modo está treinando um exército de gente que em poucos anos terá de enfrentar as agruras do mundo do trabalho, com toda a sua carga de loucura, abstração e violência.

      3) Nem sim, nem não. Há quem defenda que a escola já pode ser considerada irrelevante para a formação humana. Aqui, parte-se do pressuposto de que é na internet, no video game, no iphone, na tv e no shopping center que a grande maioria constrói sua identidade.

      Minha visão: a escola deve ser reestruturada radicalmente. O sistema de ingresso nas universidades, também. É fundamental que a fragmentação das disciplinas seja abolida. É urgente que se valorize mais a capacidade de reflexão e constituição autônoma da personalidade. Desta perspectiva, a obrigatoriedade da Filosofia e da Sociologia no ensino médio não deixa de ser um importante avanço. Quem sabe, temos aqui o mote para outro artigo?

      Pois é, Gustavo… Por alguns instantes, acabei esquecendo que, além de escritor, você também é xamã…

      Abraço!

      • Vanessa

        Posso dizer que esse foi o primeiro artigo do Pdh que gostei do começo ao fim….
        gostaria de acrescentar algumas coisas a discussão…

        alguém ai em cima comentou sobre a longevidade que alcançamos hj….é um avanço importantíssimo mas creio que temos que atentar para a desvalorização do “velho” na nossa sociedade. Não apenas do idoso, que perdeu sua função social de ensinar aos mais novos, 
        de perpetuar tradições ( boas ou ruins, mas não é essa a discussão) ser velho, idoso hj é ser desprezado, inutil e um bom consumidor. parece contraditório, e é, mas é isso mesmo.
        Entre em qq momento em qq ônibus na cidade de SP: vc vai vˆ-lo super lotado e cheio de idosos em pé enqto uma pá de adultecentes estão sentados, mexendo confortavelmente em seus smartphones…( isso é apenas um exemplo), por outro lado eles são um ótimo nicho de mercado, com   pacotes de viagem especializados, altos preços no plano de saúde, muitos trabalham e sustentam suas famílias…etc….Eclea Bosi tem um belissimo trabalho sobre a memória e papel social dos velhos….

        na outra ponta, vc encontra um familia desregrada, em que quem manda é a criança e não os pais, esses delegam as escolas e aos professores o papel de educar, na plenitude da palavra, seus filhos, a escola não sabe o que fazer com as crianças, o sistema escolar é uma falácia com um lindo discurso pra inglês ver. crianças crescem já a algumas décadas completamente sem limites, sem nunca terem ouvido um não na vida. adolescentes mal educados, despreparados para o mercado de trabalho, para a vida, eternos adultecentes que creem, cada um ao seu modo, que o mundo gira em torno do umbigo deles.Analfabetos funcionais, não fazem idéia do que é cidadania, do que é ser cidadão, apesar de acreditarem se-lo, pois apesar do analfabetismo, é capaz de apertar um parafuso como ninguem numa fabrica qq sem o menos questionamento do que faz, apenas pq no final do mes ele consegue comprar, com prestaçoes a perder de vista, tdo e qq objeto superfulo que lhe dara um sentimento de pertencimento a uma sociedade q o e rejeita ao máximo….a cidadania para eles não passa de ter algo, alias, como tudo hoje o é: melhor ter do que ser…
        enfim…quero ficar velha e mostrar com orgulho meus cabelos brancos…mas sem perder de vista um bom livro, uma boa musica, e é claro um bom jogo de videogame, rss

        desculpem os erros, e a má escrita, o cansaço me pegou de jeito a algum tempo…=) 

      • Christian Gilioti

        Valeu Vanessa!

        De fato, o velho que não embarca no padrão dominante (ou por pobreza, ou por convicção) é alvo de toda sorte de violências e humilhações.

        Grande abraço!

    • Leonam Silva

      Adolescentização:

      Percebo isso há algum tempo, mas é a primeira vez que eu leio isso em alguma mídia.
      Pra mim, isso é um processo oriundo desde os anos 80.
      Conheço pais de famílias de 30 anos, que ainda moram com os pais – e não sentem necessidade ou até mesmo vontade em mudar de situação.
      A responsabilidade não faz parte da vida dessas pessoas.

      Note:No Brasil, o filme mais assistido do ano foi “Os vingadores”.Filme “bacana”, sobre super-heróis. Super heróis…No mesmo ano é lançado “Os homens que não amavam as mulheres”.
      Puta filme, com um excelente roteiro e grandes atuações.O próprio diretor David Fincher assumiu que fez um filme voltado para adultos.Não foi tão comentado quanto o primeiro, nem fez o mesmo sucesso.

  • HenriqueBarbosa

    Só acho que atualmente as pessoas não se “jovializam” por
    temer a morte. E simplesmente como opressão cultura, “fashionista”. O velho comportamento
    de manada.

  • André Mauricio Nasser Gabriel

    Pqp, e eu que cheguei aqui por causa de um texto do Dr. Love..rs…. que surpresa boa, não imaginei que encontraria esse tipo de leitura por aqui…vcs estão de Parabéns PdH….e Christian foi fodástica sua narrativa…parabéns!!!

  • Laís M Mascarenhas

    para quem se interessar por uma leitura psicanalítica mais profunda sobre o fenômeno tratado no texto, indico Maria Rita Kehl. autora contemporânea, que em seus textos, suscintos e disponíveis na internet, assim como sua obra, como um todo, nos faz pensar sobre nossos dias atuais e como, enquanto humanidade, estamos dando conta de “nos virar no real” com tudo isso que estar a nossa volta.

    • Christian Gilioti

      Sugestão mais do que oportuna…

      Psicanálise e esforço crítico de primeira!

  • MageCiconello

    Meninas que se maquiam sempre existiram. É que antigamente não existia Youtube e a mãe quando via, mandava tirar aquilo da cara para não ficar de castigo (a maioria não porque achava errado que a filha usasse maquiagem, mas sim porque causava uma destruição nos produtos da mãe). Meninas se espelham nas mães. A probabilidade de uma menina que se produz desde cedo ter uma mãe que está sempre produzida é alta. Assim como a de uma jovem de 18 anos que nunca passou um batom, ter uma mãe que também nunca tenha passado.

    • Lia.

      Então pq ela ve a mae fazendo esta tudo bem???? “Meninas se espelham nas mães” isso me assusta, a vulgaridade e a banalização de muita coisa anda em alta e passada de geração em geração e nós não podemos aceitar isso como normal, atitudes rídiculas como essa onde a menina se espelhou na mãe devem ser condenadas…  só assim haverá uma mudança na sociedade nas próximas gerações, quem sabe uma freada no exibicionismo feminino, vulgarização do sexo e da sexualidade feminina, egoísmo e consumismo exacerbado..

    • Tais

       Concordo.
      “Meninas que se maquiam sempre existiram.” – Taí a Cleópatra que não nos deixa mentir.

    • http://www.facebook.com/naninha Ariana Mendonca

      Eu concordo que meninas sempre gostam dessa adultização. Eu acho que não usava maquiagem, mas é assunto de família até hoje como eu sempre pegava as camisolas longas e os saltos da minha vó e saía desfilando pela casa.. Agora, quanto ao exemplo, eu não uso maquiagem. Só em casos que realmente ela se faz “mandatória”, ou, no máximo, pra ocultar as olheiras de uma noite muito mal dormida… Porém, minha filha, de 4 anos, é uma peruazinha de primeira. Usa não só as minhas, mas as dela também (que ela ganha das madrinhas, junto com pulseiras, brincos e outros apetrexos). O que eu faço pra mensurar o permitido dela é nunca deixar que ela use cores fortes, como vermelho, preto, nem na maquiagem, nem nas unhas. Não a ensino a se maquiar, acho que pra ela é um ritual de brincadeira, então, deve continuar sendo uma brincadeira.. E sempre que ela vê um esmalte, me pede que pinte as unhas dela (eu não faço as unhas NUNCA).

      No vestuário, meu controle está nas compras. Compro roupas de criança. Nada de saltinhos nos calçados, embora ela ame saltos e sempre que vê um sapato infantil com salto me pede um e eu nego, dizendo que ainda não é a hora. Mas na hora de se vestir, minha opinião vale pouco, ela escolhe, tem o senso de moda dela e não há quem diga que rosa combine com branco, rosa combina é com rosa, entre outras coisas… 

      Então, de onde veio esse exemplo? Acho que são coisas da personalidade dela mesmo… Até as minhas roupas ela critica de vez em quando.. Já disse que estava tão linda que meus amigos iam querer namorar comigo, rs, mas também já disse que daquele jeito eu estava meio feinha.. 

      Eu tento que ela não aprenda nada da vida adulta além do necessário, acho que ela tem a vida inteira pra isso e não precisa pular etapas, só explico aquilo que ela me pergunta, já que contato com outras crianças e a televisão influenciam muito, mas sempre finalizo com: quando você crescer a mamãe te explica melhor.

      • Christian Gilioti

        Ariana,

        Quem sou eu para criticar a maquiagem…
        Pelo contrário, sou um admirador inveterado da vaidade, da beleza e do charme feminino.

        O gesto de maquiar-se é ancestral. A invenção de adornos e ornamentos atravessa a história da humanidade desde os tempos tribais. Através de escariações, tatuagens, pinturas, homens e, especialmente, mulheres, criaram identidades socialmente localizadas, muitas vezes incorporando funções ritualísticas ou mediando experiências com o sagrado.

        Gostei do seu comentário. Apenas fiquei em dúvida se, de fato, compreendeu meu ponto de vista.

        A intenção do artigo, na verdade, é apenas ensaiar possibilidades de conexão entre as coisas aparentemente banais e cotidianas com algumas estruturas mais profundas, quase invisíveis, mas igualmente reais. 

        O problema não é o desejo infantil de imitar adultos, ou tampouco o desejo adulto de seduzir, pela aparência e pelo corpo, outros adultos. 

        A questão é: temos consciência da dimensão, das proporções e da intensidade com que a indústria cultural se impõe sobre os indivíduos? A que preço?

        Você, ao que tudo indica, é uma mãe preocupada em preservar a infância de sua filha. Na minha modesta opinião, isso louvável.

        Mas é claro que a formação da personalidade das crianças (e também de qualquer um, independente da idade) extrapola os limites do seio familiar.

        As relações que permeiam indivíduo e sociedade, sistema econômico e comportamento pessoal, merecem ser exploradas sem receios, receitas ou precauções.

        Afinal, estamos todos no mesmo barco…

        Abraço! 

      • http://www.facebook.com/naninha Ariana Mendonca

        Sim, sim, eu concordo plenamente e achei seu texto fantástico. Meu comentário foi justamente para exemplificar que, nem sempre, o exemplo é materno, somente. Como você disse, a própria formação da personalidade das crianças extrapola o seio familiar. Eu mesma creio que a minha filha, em particular, tenha visto esse hábito como “legal” justamente por ter quem a incentive, ou por ver na mídia as mulheres aparentando sempre ess padrão de beleza divulgado por ela mesma. 

        E o que eu gostei no seu texto foi justamente o fato de nos colocar pra pensar na ampla rede que tem gerado esse comportamento não só em crianças, mas na sociedade em geral.

        Parabéns!

  • http://www.facebook.com/raphaeljosevilela Raphael Vilela

    Poxa 
    Christian Gilioti … texto muito bom. Acrescentou muito a mim. Tenho 19 anos. É um tanto quanto gratificante receber uma análise social tão aguçada da sociedade contemporânea. Vejo isso como uma vantagem que obtemos hoje graça o advento das redes sociais.

    Muchas gracias..

    Raphael Vilela.

  • http://donluidi.wordpress.com/ don luidi

    Texto excelente!!! A ditadura da beleza permeia o consciente e o subconsciente da humanidade à muito tempo, só que atualmente esta busca esta cada vez mais ‘ensandecida’ fazendo com que inúmeras pessoas procurem uma beleza cada vez mais intangível. Esta intangibilidade ocasiona vários problemas psicológicos ao passar do tempo. Procurar a melhoria seja ela social, cultural ou estética faz parte da vida moderna, mas existe um limiar e um bom senso a ser seguido.

    Algumas vezes indo ao cabeleireiro para passar a máquina no cabelo, folheio algumas revistas de moda e fama, o que vislumbro são ciborgues travestidos de seres humanos. Tudo esta tornando-se artificial, desde as relações até o físico.

    Pra mim (posso estar redondamente enganado) não existe nada melhor e mais belo do que envelhecer naturalmente, aproveitar cada ciclo da vida primando por seus valores. Claro que os cuidados básicos devemos ter.

  • http://www.facebook.com/gogoulartbio Guilherme Orlandi Goulart

    Adorei ler o seu texto, cara. Era isso que eu queria ler hoje. Parabéns não só pelo texto, mas pela conjunção de ideias que conseguiu fazer, da lógica a todo seu pensamento que conseguiu atribuir, pelo vídeo inserido, pelas fotos que JUSTificam a sua pulga atrás da orelha. Gostaria de ver/ler mais.

  • Olavo

    Tche, muito bom! Muito obrigado pela reflexão. Abraço

  • Fábio Campos

    Cara gostei do artigo ficou realmente bom!

  • disqus_OpdGAMiePC

    Christian, penso que a questão indígena em nosso país é um bom exemplo de como tratamos a questão ética e estética em nosso mundo atual. Quando o branco aqui chegou, encontrou tradições, costumes e crenças, suas formas de “bem viver”. Entre eles não haviam ricos e pobres. Sabiam fazer o manejo adequado da natureza. Viviam felizes com suas crianças, respeitando as mulheres e dando um tratamento digno aos idosos, tidos como fonte de sabedoria e patrimônio vivo das futurasgerações. Após o contato com o branco, os índios ficaram sabendo que eram “pobres” e “pecadores”, que a sua forma de vida e sua religião não eram adequadas, não prestavam. Vítimasde um verdadeiro genocídio que se pautou por inúmeras malsucedidas tentativasde escraviza-los, poucos sobreviveram e hoje restam somente 400 mil borígines brasileiros, distribuídos em 200 nações, que vêm sofrendo, desde então, um gradativo processo de transformação de sua forma cultural numa cultura cada vezmais mercadológica, mais “civilizada”. Em nome da tal “industria cultural”, agora mundializada, 200 mil pessoas por dia abandonam seus lugares de origem, onde moraram geraçoes de seus descendentes, rumo à metropole em busca de copndiç]ões de vida. O que é feito da cultura, do jeito de ser, de toda essa gente? Some. Desaparece. Parafraseando a famosa Carta de Seatle, talvez estejamos vivendo, e a ditadura da jovialidade pode muito bem documentar isso, o fim da vida e o início da sobrevivencia. Parabens pelo texto. Quem quiser aprofundar discussões sobre o assunto, meu email é giancarlorogertextos@bol.com.br

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