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Você devia ensinar o que sabe (mesmo não sendo um especialista)

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Recentemente li um artigo sobre dois programadores. Os dois tinham mais o menos o mesmo grau de conhecimento, e aprendiam o assunto num ritmo similar. Enquanto se aperfeiçoavam, um dos programadores compartilhava tudo que aprendia em um blog. O blog logo se tornou tão popular que ele atingiu uma vasta visibilidade e levantou milhares de dólares numa campanha do Kickstarter.

O outro programador, não tendo compartilhado nada do que aprendeu, é um quase desconhecido.

O que acho interessante nesse artigo é que o programador que não compartilhou o que aprendia desprezava o blog do outro programador. Para ele, os posts eram inúteis, já não ensinavam nada que ele já não soubesse. O que ele não conseguia ver é que muita gente não sabia aquelas coisas. O primeiro programador tomou vantagem do fato de que sempre há alguém que não sabe tanto quanto você.

Se você possui algum conhecimento em qualquer área – e sei que possui – devia ensinar o que sabe agora.

Não está convencido? Aqui três bons motivos para começar imediatamente.

Não é preciso se tornar um especialista para começar

Já considerou ensinar o que sabe, e então hesitou devido ao sentimento que não é um especialista ainda? Que não possui experiência, qualificações ou a visibilidade para começar a ensinar?

Há duas formas de superar este problema e começar a ensinar agora. A primeira é uma lição que aprendi de Sean McCabe, um letrista e designer tipográfico que construiu uma comunidade de milhares de pessoas:


"Não se precisa ter uma audiência para ensinar, e nem se precisa ser um especialista. Se constroi uma audiência e se é visto como um especialista AO ensinar."


— Sean McCabe, (@seanwes) 9 de junho de 2014


Lembra os programadores sobre quem falei? O que compartilhou o que aprendia não era especialista quando começou a ensinar. Ensinou aos outros o que sabia, e como havia um bom grupo de pessoas que não haviam atingido aquele nível (e que queriam atingir) isso foi suficiente para levá-lo a ser conhecido como um expert em seu campo.

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Quanto mais se ensina, mais as pessoas o veem como um especialista. E quanto mais as pessoas o veem como um especialista, mais surgem oportunidades de ensinar – podem aparecer pedidos para palestras, contribuições para revistas ou livros, ou entrevistas em blogs, podcasts ou programas de rádio. E a cada instância dessas, mais se está ensinando a mais pessoas, e mais pessoas vem a descobrir o quanto o professor de fato sabe.

A segunda forma de superar o sentimento de que não se é “especialista o suficiente” para ensinar os outros é encarar o processo sobre outra perspectiva. Gosto de pensar nele como compartilhar, mais do que como ensinar. Há menos pressão em compartilhar o que se aprendeu ou vivenciou do que ensinar sobre um tópico.

Não há problema em não saber todas as respostas, e tudo bem cometer erros. Ao vermos o processo sob a perspectiva de “compartilhar o que se sabe” isso abre o espaço para que nos sintamos confortáveis para errar, mudar de opinião e compartilhar o conhecimento no contexto da própria experiência. Não torna o processo em nada menos valioso para os “alunos”, mas pode ser mais fácil começar encarando assim.

Melhor se aprende quando se ensina

Outra razão pela qual você não devia esperar para começar a ensinar os outros é que isso o ajudará a aprender. A pesquisa mostrou que quando explicamos algo, entendemos melhor nós mesmos. O processo de ensinar ajuda a reconhecer falhas em nossa própria compreensão e a organizar melhor a informação em nossas mentes.

Também assimilamos melhor as informações novas quando estamos cientes de que as estaremos ensinando no futuro. Isso parece ocorrer por que é uma forma diferente de focar o material de aprendizado. Sabemos que precisamos prestar atenção aos pontos mais importantes e organizá-los em nossas mentes quando precisamos ensinar aquilo a alguém.

Já foi mostrado que primogênitos são geralmente mais inteligentes que seus irmãos mais jovens -- talvez devido aos esforços de compartilhar conhecimento com os pequenos.

Então, se não pelo bem dos outros, ensine para benefício próprio. Mesmo que você tenha uma audiência de zero pessoas, comece o blog, o podcast ou a criar vídeos para compartilhar os conhecimentos que você está aprendendo. Você colherá os benefícios em seu próprio processo de aprendizado, não importa se você já está ajudando os outros ou não.

Ensinar ajuda a consolidar sua marca

Joe McClelland - High school girls' glee club. Amache, Colorado, 1943

Da mesma forma que o problema de ovo e galinha de ser um especialista antes de se ser capaz de ensinar, não se tem uma audiência antes de se começar a ensinar. Não só você colherá os benefícios de aprender melhor ao ensinar, mas isso será um ótimo modo de cultivar uma audiência.

De fato, nosso fundador Mikael Cho já escreveu sobre isso [nota: esse texto foi originalmente publicado no blog do Pick Crew], no contexto de obter novos clientes. Em seu artigo intitulado “Ensine mais que a concorrência”, Mikael escreveu:


Quando você cria conteúdo útil em termos práticos, isso o ajuda a consolidar uma audiência melhor do que qualquer outro tipo de conteúdo.


Como Mikael aponta, os leitores preferem compartilhar conteúdos que oferecem alguma utilidade prática.

Há muitos exemplos de marcas que cresceram por terem passado conhecimentos. 37Signals é um ótimo exemplo. Nate Kontny tem compartilhado lições que aprendeu trabalhando na Draft com ótimos resultados. A marca de Sean McCabe’s, Seanwes , é totalmente fundada no compartilhar de tudo que ele sabe sobre negócios e criatividade – e sua marca cresce todos os dias como resultado direto do ensinar.

Algo que aprendi logo que me filiei ao time da Buffer, uma companhia que hoje ajuda centenas de milhares de consumidores é que nossos leitores anseiam por conselhos pelos quais consigam promover ações. Eles vêm até nós para aprender, e como sempre conseguimos entregar o que querem, a marca continuou a crescer.

Como James Clear já apontou, pessoas bem sucedidas começam antes de se sentir prontas. Ensinar não é exceção.

Não se preocupe com ter atingido o status de “especialista”, ou com o tamanho de sua plateia. Coloque o foco no que já aprendeu, e no que está aprendendo agora, e em como seria possível compartilhar essas lições de forma a ajudar os outros. Pode ser útil imaginar que se está ensinando a si mesmo no passado, antes de se ter aprendido tudo isso.

Comece a compartilhar o que sabe. E não esqueça que sempre há alguém que sabe menos que você. Vá ajudá-los.

* * *

Nota da tradução: esse texto foi originalmente publicado no blog do Pick Crew e traduzido sob autorização da autora.


publicado em 21 de Novembro de 2014, 22:01
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Andrea Ayres-Deets

Escritora chefe na Crew, uma rede exclusiva para convidados que conecta projetos de software a desenvolvedores e designers escolhidos a dedo. Andrea escreve sobre psicologia, criatividade e negócios no blog da Crew.


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