Estão abertas as incrições para a última turma de 2017 do nosso curso de equilíbrio emocional para homens. São apenas 20 vagas. :)

Como lidar com a sensação de abstinência | Simplifica #4

Quando você começa a remover excessos, não é raro acontecer uma sensação de abstinência de tudo o que existia antes. Aqui um guia de como evitar a recaída.

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Ao longo das últimas semanas desenhamos um cenário caótico com o qual todo mundo pode se identificar de alguma forma. A sensação de estar afundando em distrações, obrigações e responsabilidades é uma constante moderna. Dificilmente vamos eliminar completamente esses sentimentos.

A proposta de remover elementos para tornar as coisas mais simples não é uma novidade, filósofos vêm sustentando essa ideia faz muito tempo. Como em 1854 Thoreau escrevia em seu clássico a “A vida nos bosques”, quando abandonou a civilização e se isolou às margens do lago Walden:

“Fui para os bosques viver de livre vontade,

Para sugar todo o tutano da vida…

Para aniquilar tudo o que não era vida,

E para, quando morrer, não descobrir que não vivi!”

De uma forma mais filosófica, podemos chamar esse caminho de via-negativa: o ato de descrever algo pelo que não é.

A ideia costuma ser exemplificada com uma história curiosa: O papa teria questionado Michelangelo sobre a criação da estátua de David, admirado com tamanha perfeição: “é simples, eu apenas removo tudo o que não for David”, teria respondido o artista.

Nos três outros textos da série Simplifica sugeri formas de eliminar complicações e começar a enxergar a vida com um pouco mais de clareza. O problema é que, na prática, tudo acaba sendo um pouco mais complicado. Tudo o que nos causa ansiedade, aflição, medo e distração também costuma trazer sensações boas, prazeres imediatos, e quando pensamos em nos separar dessas sensações acabamos sofrendo abstinência.

Vá com calma

Se você já tentou construir uma rotina mais saudável, deve entender muito bem como funciona.

Um dia você acorda, decide que vai arrumar sua alimentação, matricula-se na academia e começa tudo de uma vez. Você está motivado, tem certeza que agora vai. Nos primeiros dias sente que a coisa caminha bem, mas depois de alguns dias um imprevisto acontece, você falta um treino, o dia é estressante, tem certeza merece aquele sanduíche com fritas.

Pronto, todo esforço da semana acabou de escorrer pelo ralo.

Sustentar muitas mudanças é doloroso, equilibrar tantas iniciativas possui um custo mental e quanto mais variáveis envolvemos, mais difícil é manter-se na linha.

Trate uma coisa de cada vez e de um tempo até acostumar-se com as dificuldades que elas podem trazer.

Pense no custo-benefício

Se você é uma dessas pessoas que se considera mais racionais, é possível que pensar em termos mais práticos ajude a atravessar os momentos de abstinência.

Quando decidimos remover algo de nossas vidas, todo princípio está na ideia de que negando um benefício imediato teremos um resultado ainda melhor no futuro. Nessa linha, quando pensamos em reduzir ou eliminar o uso do facebook, por exemplo, podemos considerar quanto tempo estamos poupando e que pode ser investido em atividades de maior qualidade.

Quanto tempo gasto discutindo política no Twitter não poderia virar uma aula de dança? Um passeio com os amigos ou um livro interessante? Quanto podemos economizar trocando carro por um transporte alternativo? Quão mais barato ficam as compras de mês quando deixamos de comprar bobagens e consumimos alimentos de melhor qualidade?

Pensar que existe uma vantagem mensurável é uma excelente maneira de nos manter firmes quando sentimos falta das coisas que abandonamos.

Apoie-se nos amigos

Quando envolvemos outras pessoas em nossas dificuldades, criamos um senso extra de responsabilidade. Ao compartilhar um pequeno objetivo com um amigo, essa meta não é mais só minha, agora tenho outra pessoa me apoiando, esperando que dê tudo certo.

Criar esse mecanismo de prestação de contas é eficiente, já que decepcionar uma pessoa querida costuma ser um forte motivador, muitas vezes o suficiente para nos fazer esquecer a dificuldade que seria sem este apoio.

Vale ter em mente que a ideia não é viver apoiado em muletas como essa, mas ter um incentivo para atravessar a fase mais difícil da mudança.

Encontre uma distração

Não acho que seja o melhor dos mundos, mas é uma alternativa.

Você já deve ter reparado que pessoas que deixam algum tipo de vício ou comportamento tendem a compensar com alguma outra atividade, preferencialmente mais benéfica que a anterior. É comum alguém que pára de fumar descontar na comida, sair de um relacionamento e acabar viciado em corrida e por aí vai.

Hábitos criam espaços em nossa rotina e nossa mente, e muitas vezes a saída mais prática de eliminar um comportamento ruim é substituindo por outra atividade que consuma o espaço vazio que restou.

Esse não é o melhor dos cenários já que nos mantemos preso a essa necessidade de preencher uma lacuna. No entanto, se a troca for benéfica, acaba não sendo um problema tão grande assim.

Meditação pode ajudar

Quando o problema é uma mente confusa, buscando distrações e prazeres imediatos, usar meditação como forma de apoio é um caminho interessante.

Como explicado no texto do Gustavo Gitti sobre como começar a meditar:

“Recebemos quase diariamente perguntas relacionadas ao treinamento da mente. Felicidade acompanhar como cada pessoa, ao seu jeito, percebe que é impossível viver melhor apenas no modo "Deixa a vida me levar". Se queremos menos ansiedade, se queremos relações sem tantos conflitos, precisamos de práticas específicas, assim como fazemos quando queremos emagrecer.”

Para entender mais sobre meditação, dê uma lida nesse texto e assista ao vídeo indicado.

* * *

Todas as mudanças que fazemos em nossas vidas geram reflexos. Às vezes é difícil lidar com alguns problemas que podem surgir. Se você possui alguma história de como controlou sua abstinência durante alguma mudança, compartilhe conosco, enriqueça este texto e ajude outras pessoas.

Leia também os outros artigos do percurso Simplifica

Esse texto faz parte do percurso Simplifica. De duas em duas semanas, às segundas, um texto novo sobre como tornar muito mais simples as relações, o trabalho, o dinheiro, a atividade física, alimentação, etc.

  1. Por que simplificar a vida
  2. Construindo uma relação mais saudável com o trabalho
  3. Como viver uma vida mais real
  4. Como lidar com a sensação de abstinência
  5. Os sofrimentos modernos e como lidar
  6. Assumindo o controle do próprio corpo
  7. ...

publicado em 20 de Março de 2017, 16:24
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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