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em às | Cabana no PdH, Crônicas e contos, Mente e atitude
E pra comemorar 230 anos, um visual novo também.
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Falo agora de coração. Com aquela proximidade de três da manhã, após uma garrafa de Jack Daniels.
Também não aguento mais um post do PapodeHomem. Mais um autor engraçadinho ou misticozinho ou preocupado com a sociedade ou dando sua opinião sobre algum filme, filosofia, comportamento, sei lá. Ou mais um texto do Gustavo Gitti – nem eu quero isso. É como se a gente nunca conseguisse se comunicar completamente com alguém, então ficamos tentando e tentando, por chat, SMS, posts, comentários, conversas, bebedeiras, músicas, beijos, filmes, caminhadas…
Queremos passar algo 100%, sem nenhum joguinho ou estratégia nossa, sem nenhum desvio ou distorção ou mal entendido do outro, com todo o crédito, mente a mente, sem filtros, direto, transparente, pulmão a pulmão, num disparo elétrico, instantâneo, como dois músicos caindo na cabeça do tempo. Sensação de estar junto, completamente junto.
Link YouTube | Eu quero ser o caxixi da morena (começando em 1:34)
Olho todos os dias para o perfil no Facebook: “É só isso que sou?”. Duvido, duvido que você também não desconfie do seu.
Mudar, radicalmente, subitamente, a matrix narrativa pela qual interpretamos tudo o que nos aparece. Encontrar um evento inexplicável, ser eletrocutado, não entender nada.
Queremos conhecer alguém sem expressão, que não exija nada, que não venha com nada, em quem possamos nos espelhar, sorrir e ver um sorriso, chorar e ver lágrimas, ficar em silêncio sem que nada disso signifique algo, tudo sem nada por trás, exposto, evento puro, nítido.
Alguém sem nenhuma tendência, pronto, disponível para pirar em qualquer direção. Alguém que também desistiu de ser romântico ou niilista, durão ou facinho, sério ou engraçado, cético ou crente, malicioso ou ingênuo. Alguém que desistiu por completo.
Alguém que parou de tentar.
Queremos pirar com pelo menos uma pessoa o tanto que nunca conseguimos pirar com as pessoas à nossa volta. Sua mulher não quer sexo ou orgasmo. Ela quer ser exaurida, chacoalhada, suar até não aguentar mais, deixar de ser, de se preocupar, cair, soltar, abrir tudo e enfim relaxar, respirar livremente, confiar. Voltar pra casa.
Você não quer um cafezinho ou caipirinha na praia ou Bora Bora ou pular de paraquedas ou 30 milhões de dólares ou um boquete: você quer relaxar completamente e não sentir que faltam coisas. Bocejar e nunca mais voltar. Entregar seu corpo e mente e recursos e energia e habilidades para a melhor corrente da vida, a melhor sabedoria, a melhor mágica disponível. Quer ser possuído sem saber ao certo pelo quê. Pirar.

Um dia quero jogar boliche como o Dude
Estamos esperando algo acontecer. Maluco, absurdo, ridiculamente maior do que nós. A qualquer momento. Agora talvez.
A cidade tem bares, parques, restaurantes, escolas, ruas, cafés, padarias, casas, prédios, estacionamentos, academias… A gente quer um lugar WTF.
A gente come, bebe, trepa, trabalha, digita, pensa, viaja, palestra, anda, corre, arruma a casa, lê, dorme, estuda para o doutorado, se limpa, toca guitarra… Mas a gente quer fazer WTF.
A gente é perna, olho, dedo, pau, buceta, cabelo, orelha, testa, unha, ombro, barriga, parte de trás do joelho, sola do pé, osso, sangue, pele, catarro, merda, pelo, hormônio… A gente quer ser WTF.
Queremos encontrar um gigantesco what-the-fuck e bater um papo com ele, de vez em quando, com um certo receio inicial, até que aos poucos ele foda nossa vida inteira e nos transforme num WTF perambulando por aí.
Professor de TaKeTiNa, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e coordenador dO LUGAR (ex-Cabana). Interessado na transformação causada pelo ritmo e pelo silêncio. | www.gustavogitti.com
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