Papo de Homem

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Você já ouviu falar em mnemônica?


Publicado por Alberto Dell'Isola em 26.1.2009 às 02:53 em Desenvolvimento Pessoal

Como usar melhor sua memória

Sempre achei engraçada a vida social de um dermatologista. Em qualquer evento social, basta descobrirem um dermatologista para inundarem o infeliz de perguntas: “Você sabe o que é essa manchinha??”, “Mas essa verruga é perigosa?”… Bem, a vida do homem-memória não é diferente. Quando descobrem minha profissão, sou cercado de perguntas sobre a aplicação da memorização nos mais diversos temas. Assim, essa coluna surge com um apanhado das perguntas que me rodeiam no dia-a-dia.

Antes de iniciarmos com as dicas, é preciso que comente alguns comentários desinformados que recebo sobre as técnicas de memorização.

“Eu não gosto de memorizar, prefiro entender.”

Esse é um dos comentários mais comuns nas dezenas de e-mails que recebo diariamente sobre memorização. Técnica de memorização não é sinônimo de decoreba. Desse modo, só é possível memorizarmos aquilo que já compreendemos anteriormente. Assim, a técnica de memória surge como uma ferramenta para o aprendizado e não uma muleta pedagógica.

“O que é mnemônica?”

Mnemônica é qualquer processo artificial utilizado para tornar a memorização mais eficaz. Desse modo, quando o sujeito fica repetindo em voz alta o número de telefone ou até mesmo o nome de sua paquera, ele está utilizando técnicas mnemônicas. Quando você utiliza algum organizador gráfico para estudar (esquema, quadro sinóptico, espinha de peixe, mapa mental…), você também está utilizando técnicas mnemônicas. Assim, técnicas de memorização não são panacéia: são simples maneiras de tornar o esquecimento menos provável.

Acho que esqueci alguma coisa...

Acho que esqueci alguma coisa...

A memória é baseada em gatilhos. Imagine que você não tem seguido as dicas do Dr. Love e levou um fora de sua namorada. Para se esquecer do fora, você decide ir a um churrasco. Chegando lá, avista a melhor amiga da sua amada. Nesse momento, diversas lembranças relacionadas à sua namorada surgem: o dia como se conheceram, os chocolates que você comprou e a sogra quem comeu, o dia em que ela ficou com seu melhor amigo… Perceba que um simples gatilho (rosto da amiga de sua namorada) foi suficiente para dispararem diversas lembranças. Assim, a técnicas de memorização são maneiras adequadas de se criar conscientemente mais gatilhos poderosos de memória – ainda que, no caso de o homem ser corno, o melhor seja esquecer mesmo.

Nesse artigo, vou explicar como o esquecimento funciona. Sem entender esse fenômeno, dificilmente as dicas dos próximos artigos terão alguma utilidade.

Curva do Esquecimento

A curva do esquecimento descreve o quanto somos capazes de reter de informações recém adquiridas. Ela é baseada nas informações adquiridas após uma palestra de 1 hora de duração ou o estudo de qualquer material durante esse mesmo período.

Suponha que, hoje pela manha, você entrou na revista Papo de Homem para aprender um pouco mais sobre a arte da conquista e passa 1 hora lendo as respostas de nosso amigo Dr. Love. Em nosso gráfico, iremos supor que antes da leitura você não sabia nada sobre o tema. Logo, após uma hora de leitura, você saberá 100% do assunto ensinado (ao menos saberá o máximo que ele tem condições de aprender, dado o conhecimento prévio sobre o assunto). Assim, após a leitura, a curva chega em seu ponto máximo.

No segundo dia, se o nosso leitor não fizer qualquer revisão do assunto (aplicar os conhecimentos, ler, pensar sobre ele, discutir sobre os tópicos aprendidos…) o estudante provavelmente se esquecerá de 50%-80% daquilo que foi aprendido. Perceba que o ser humano esquece mais nas primeiras 24 horas após a aquisição do que ao longo de 30 dias. Ao final dos 30 dias, restarão apenas 2%-3% de toda informação adquirida no primeiro dia. Assim, ao final dos 30 dias, você terá a impressão de que nunca ouviu falar do assunto estudado, precisando estudar tudo desde o inicio – garantindo uma fortuna para a revista no adsense!

No entanto, é possível que os alterar a forma da curva do esquecimento. Nossos cérebros constantemente gravam informações de maneira temporária: conversas no corredor da faculdade, a roupa que você estava usando no dia anterior, o nome de amigos apresentados em uma reunião, a música que acabou de tocar no rádio… No entanto, se você não criar gatilhos de memória importantes, toda essa informação será descartada. A cada revisão, você cria novos gatilhos,fixando a informação cada vez mais.

Uma fórmula interessante de revisão seria a seguinte: para cada hora de leitura, faça uma revisão de 10 minutos. Observe que essa revisão deve ser feita nas primeiras 24 horas após a aquisição – período em que ocorre maior parte do esquecimento. Essa revisão será o suficiente para “segurar” em sua memória toda a informação aprendida em 1 hora de leitura. Uma semana depois (dia 7), para cada hora de leitura ou aula expositiva, você precisará de apenas 5 minutos para “reativar” o mesmo material, elevando a curva para 100% mais uma vez. Ao final de 30 dias, você precisará de apenas 2-4 minutos para obter novamente os 100% da curva de aprendizagem.

Prova relâmpago, lembra do nome desse filme?

Prova relâmpago, lembra do nome desse filme?

Algumas pessoas dizem não ter tempo para esse tipo de revisão. No entanto, nada justifica essa alegação, visto que o maior ganho com as revisões se refere principalmente ao tempo. Se ao longo dos 30 dias, os estudantes não fizerem qualquer tipo de revisão, eles precisarão de mais 50 minutos de estudo para cada hora de aula expositiva. Dado o inevitável acumulo de matéria, provavelmente o aluno dispensará muito mais tempo do que se tivesse simplesmente feito um bom calendário de revisões. A ausência de revisões também comprometerá o fenômeno da reminiscência (tópico a ser abordado no próximo artigo), já que a memória não costuma funcionar muito bem quando trabalhada com sobrecarga e pouco tempo disponível.

É claro que não existem regras rígidas sobre as revisões, já que essa rigidez esbarra em outras variáveis como diferenças individuais e densidade do material a ser estudado. No entanto, é preciso que você estabeleça um sistema eficiente de revisões caso realmente queira ser academicamente bem sucedido.

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Alberto Dell'Isola é recordista latinoamericano de memorização, psicólogo, escritor, jogador de Blackjack e lutador de Muay Thai. Conheça seu site e seu blog.

Outros artigos escritos por Alberto Dell'Isola

  • Maria InEz Vraz da Silva
    Muito interessante. Preciso conhecer mais sobre o assunto.
  • Marcello Viana
    Muito show o artigo! Parabéns! Gostaria de ler a continuação! No aguardo!
  • wanderson teles
    Quero saber mas sobre mnemonica.,
    aguardo contato.
  • Jeremias
    Excelente artigo. No aguardo da continuação.
  • Leonardo
    Gostei muito desta matéria, pois estou em ano de vestibular. Espero ter êxito ao utilizar este método de memorização.
  • Guilherme
    Meus professores falam isso desde o 1o ano do ensino médio, mas nunca pus em prática. Quem sabe agora, no 6o semestre da faculdade, possa facilitar um pouco a minha vida, hehe.
  • Adorei o post! nunca tinha lido algo a respeito.
    vou tentar por em pratica p ver se funciona, afinal, minha memoria costuma ser pessima! rs
  • Angelo Lucas
    Muito bom esse post, estou sempre procurando maneiras mais eficazes de memorizar e essa aí é bem bacana, simples e com pouco tempo de revisão.
  • Joselito
    Dos mais de 1000 textos postados aqui, é curioso como nenhum abordou esse assuto.
    Parabéns pelo post!
    Mais um que estará aguardando a 2ºparte
  • Olá! Sou um estudante de japonês e este é um idioma que requer bastante memorização devido a enorme quantidade de ideogramas.
    Conheço uma forma ótima para fazer revisões e não esquecer mais: o Spaced Repetition System (SRS). Basicamente é um sistema de flashcards que testa sua memória, mas o diferencial é que a medida que um card fica mais fácil de lembrar, o intervalo entre as revisões vai aumentando. Com isso você se concentra naquilo que ainda está fresco na memória e minimiza o tempo gasto com coisas que já memorizou bem. Um pouco mais sobre isso aqui:

    http://www.aprendendojapones.com/2008/05/21/ank...
  • MarkuZ
    Excelente artigo. Estou Aguardando os próximos.
  • FIDEGA
    Nunca assisti Johnny Mnemonic.
  • Mychelle
    João, acredito (não tenho certeza) que vc tenha o Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA), procura saber um pouquinho dos sintomas no Google... =)

    Qto à matéria, muito boa, vou tentar algo assim...
  • Tento sempre criar alguma relação ludica com aquilo que preciso memorizar.
    O bom é que nunca esqueço de nada importante, só as bobagens do cotodiano.
    Como sou historiadora e trabalho com "Memória Empresarial" não posso ser muito esquecida, né?
    Mas tem algum remédio para distração?????? Isso sim é meu problema!
  • Henrique
    Se possível, poderia falar de criação inconsciente de gatilhos mnemônicos? Desconfio ser exatamente isso que separa o "cara com memória de elefante" daquele que não lembra nem o nome da mãe. Afinal, a memória sempre funciona com gatilhos... algumas pessoas criam associações quase que inconscientemente e por isso parecem ter uma "memória melhor".

    Ah, a foto ali do meio do post é Johnny Mnemonic.

    Outra coisa: Qual a forma mais eficiente de se revisar determinado conjunto de informações, buscando otimizar a construção de gatilhos conscientes??
  • Cigano
    ...tava precisando ler isso aqui. haha
  • Rickgauden
    Alberto depois, se puder, escreva um tópico falando a respeito da memorização conciliada à música.
    Ótimo texto!
    Parabéns!
  • "(...)e mais um continente a sua escolha."

    Hahahaha... boa!!

    Muito bom o artigo, btw. Estou esperando o próximo.
  • Edison
    Muito legal o artigo.
    Eu tenho percebido algo curioso na minha memória.
    Geralmente, me esqueço de quase tudo que vi e escutei no dia anterior, preciso de um enorme trabalho mental para lembrar. No entanto, sempre que preciso estudar para provas, tenho uma capacidade imensa para reter informações. O que pode ser isso ?
  • john
    Já ouvi falar nessas técnicas de memorização, mas nunca consegui colocalas em pratica! Vou tentar esse ano.
    Mas o problema da maioria dos alunos e academicos é que só estudam quando a "água bate na bunda". Pessoalmente, eu não consigo estudar sem um objetivo claro, tipo estudar por estudar, gostaria de conseguir implantar essa técnica, mas no meu caso acho muito dificil, vou tentar, vamos ver no que dá!

    Parabéns pelo Post!
  • interessantíssimo. muito útil esse post (parabens ao autor!). eu uso associações... tipo. O nome da minha depiladora eh quase um anagrama de açaí. Iaci. Eu sempre esquecia o noem dela... outro metodo para memorizar nomes (sou muito pessima nisso!) é, ao ser apresentada à pessoa, não so ouvir seu nome mas associa-lo. Imagina-lo vestindo uma camisa de futebol com seu nome, por exemplo.

    O único problema eh que nem sempre eu lembro de fazer isso... sacumé... TDAH's geralmente estão com cérebro muito acelerado para parar um pouco. Mas quando eu tenho a consciência de frear, quase sempre dá certo.

    De novo, parabéns pelo post.
  • Fernando Malta
    Excelente reportagem. Meus sinceros parabéns!
  • JoaKim
    Nossa nota 10 esperando a continuação, e que venham mais artigos bons como esse.

    Parabéns!
  • Tiago Lira
    Tah aí uma coisa que venho aprimorando.

    Na verdade, minha memória sempre foi muito ruim... daí comecei a memorizar daso por associação... foi dando certo... as informações mais comlexas eu assimilava a partir de associações, das mais bizarras, como união de nomes que não tem nada a ver, comecei a estabalecer pontos-em-comum entre as informações e coisa e tal.

    Moral da história: melhorei consideravelmente e parei de chamar minha namorada pelo nome da ex, consequentemente parei de apanhar. rs
  • Interessante. Eu realmente só consigo memorizar se entender. E crio muitos gatilhos, muitos deles inversos, para memorizar as coisas, principalmente coisas em dupla, tenho muita dificuldade de memorizá-las, só com gatilhos e relações mesmo!
  • Gostei muito do artigo, quando voltar a estudar vou tentar usar essas técnicas.

    Você conta cartas no blackjack?
  • Thiago Lobo
    Artigo interesante...
    Vou ler ele novamente dentro de 12 horas para elevar a minha curva do esquecimento... assim vou estar por dentro do assunto até o próximo artigo.
  • Muito bom, eu também espero a continuação.
  • Gabe
    Valeu ae Magal!
  • Pourra, cês vão oferecer uma espécie de workshop online sobre memorização? Eu não acredito! Saporra custa uma nota por aí...
    Parabéns pelo artigo e no aguardo dos próximos!
  • Fernando Luiz
    Excelente artigo!
    Ainda bem que não preciso melhorar muito a minha memória. Tenho muita facilidade de lembrar tudo o que leio, vejo, penso, escrevo, etc.
    Ah, eu tinha mais um comentário a fazer... que que era mesmo...?
  • Gustavo Alencastro
    Esqueci o que ia comentar !
  • Muito bom o artigo!

    Isso pra vestibular deve ajudar muito!
  • Ju
    Ótimo artigo, Alberto. Minha memória de curto prazo não é lá das melhores- tanto que após ter lido seu nome e tê-lo gravado por alguns segundos, precisei voltar e lê-lo novamente antes de escrever. Adorei a temática do texto. Muito mesmo. Será de grande utilidade para o vestibular.

    E parabéns pelo recorde.
  • Nossa! Que belo artigo. Muita informação interessante. Eu tenho sérios problemas em lembrar da coisas. Às vezes estou lendo um livro, e quando menos percebo, vejo que não tem mais sentido o que estou lendo, porque, na verdade, eu já não lembro a última frase que li.

    Acho que isso é mais falta de atenção do que falta de memória. Não sei, mas é estranho.

    Abraços e sucesso!
    Monthiel
  • Magal
    Ainda não li o artigo, mas o filme é Johnny Mnemonic =]
  • Pior do que ser um homem-memória ou dematologista em festa é ser ENDOCRINOLOGISTA...esses sim SOFREM!...........rs

    Eu confesso que sou (quase) péssima de memorirazão, por isso prefiro testes ou provas discursivas do que aquelas com dados, nomes ou datas exatas.

    Se vou contar uma notícia, por exemplo, lembro do FATO mas nunca dos nomes...da cidade onde aconteceu.

    Então vou ler, reler e LER de novo o artigo aqui pra ver se não esqueço NENHUMA dica!
  • Hugo
    ahhh
    agora já sei pq nunca lembro de nd nas provas da facul!!

    só que no cologial eu tinha uma memória boa mesmo, só que agora nem tanto, agora sou muito distraído e tenho q fazer grande esforço pra me recordar das coisas, mesmo as coisas mais simples, como o nome da pessoa que ligou a 20 minutos. é normal isso acontecer de antes eu ter uma memória boa e agora nem tanto? ou é por "falta de vontade" minha??

    artigo mto bom!
  • joão !
    Parabéns pelo recorde e pelo post.

    Eu tenho uma memória excelente. Também sou muito bom de raciocínio. Nos simulados para o mensa, sempre tive uma nota muito alta, o suficiente para ingressar. Mas, sou EXTREMAMENTE distraído. Quase bato o carro nas vezes que dirijo, apesar de nunca ter batido. Antes, essa falta de atenção não atrapalhava nos estudos, só que agora me sinto saturado, não consigo mais prestar a atenção que tinha antes.
    Parece que a cabeça está completamente cheia.
    Se você pudesse ajudar agradeceria!

    onde posso encontrar especialistas que possam fazer o teste da curva de esquecimento?
  • rakellcd
    Professores de cursinho pré-vestibular e preparatórios para concursos são os mestres da arte da mnemônica.
    Lembro-me de algumas aulas de química e física que o apelo para essa técnica era altíssimo.

    Quanto ao artigo, nota 10. Parabéns ao PdH.
  • Osmar
    Muito bom artigo!

    Como o colega acima eu nunca tive uma memória boa, talvez essa seja a causa dos famosos "brancos" na hora da prova, que insistem em acontecer mesmo quando está cansado de saber a matéria...

    Um professor me falou uma vez sobre os mapa mentais e o cmap tools (programa para fazer tais mapas), mas não aprendi direito como usá-lo.

    Acho que você poderia dar uma aprofundada maior nas organizações gráficas, como fazer um bom esquema ou coisa do tipo.

    Abraços,
    espero mais textos assim na PdH.

    =)
  • Gabe
    Muito interessante o Artigo, parabéns!
    ...
    Nunca fui bom de memória.
    Sou famoso em casa por ser o lesado; aquele que sempre esquece de dar recados; lerdo; o que pára a piada no meio pra pensar; o que toca violão só com cifra etc...
    Minha mão e os lembretes de celular me ajudam, já na parte acadêmica é memorização na marra, em muitas horas de estudo.

    Seria esse um problema de toda a geração atual?

    Fora isso:

    Erh...

    Não me lembrei do título do filme mostrado na imagem.
    hehehe!
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