Uma conversa boa e sincera

Anna Haddad

por
em às | Crônicas e contos, Ladies Room, PdH Shots, Relações


O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei

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frivolidades
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solidão.

 

E aí, cara?

E aí, cara?

Faz tempo que não te vejo, hein? É, não te ver com frequência não faz lá muita diferença na minha vida interessante e ocupada. Mas e aí, como tá, tudo bem? Perguntei, mas na real não quero mesmo saber. A verdade é que essa é a deixa perfeita pra eu começar a falar de mim. Isso, de mim. Agora você me pergunta como vão as coisas e eu começo a contar, com um ar disfarçadamente tranquilo e uma pitada de superioridade desinteressada. Tô bem, tô bem, depois que me separei e fui promovido e comprei um apartamento na zona sul e tô comendo a estagiária gostosa que acabei de contratar. Pois é, pois é, me separei, me separei, cara. Não te contei porque ando bem atribulado desde que virei diretor lá na empresa. Valeu, cara, obrigado, obrigado. Era o esperado, nada fora do esperado. Foi mês passado, logo depois do divórcio. Então, parece que, de algum jeito, ela tava bloqueando fluxos, empatando a minha vida, impedindo que coisas boas acontecessem pra mim, sabe? A gente tava junto há muito tempo, tempo demais, e ela era um pessoa difícil, pesada, egocêntrica, dessas que te emperra, engessa, te puxa pra trás, sabe? Oi? Não, não, cara, não é bem disso que tô falando, meu caso é bem diferente e não tem nada a ver com esse exemplo que você começou a dar. Ainda que eu não tenha ouvido nem a primeira frase que saiu da sua boca, eu sei bem o que você ia dizer, sei bem, e, realmente, não faz muito sentido no meu caso, que é bem específico e singular e nunca ninguém viveu nada parecido.

Essa minha história é única, ouve bem. Ah, é? Você também se separou há pouco tempo, cara? Não sabia, não. Pena, pena, pena. Não sei bem como te dizer isso mas não me importa muito o que te aconteceu, só quero voltar a vomitar desabafos detalhados da minha vida estupidamente interessante enquanto você ouve sem dizer nada, sem dizer nada. Isso, assim, atento. Pois então, voltando ao assunto, a decisão foi minha e fiz muito bem, fiz o que tinha de ser feito, entende? Como diz aquele ditado, a man’s gotta do what a man’s gotta do. Ela começou a reclamar demais, exigir demais, falar demais sobre as coisas dela, as neuras dela, obsessões só dela. Calma, ainda não acabei, cara. Me ouve. As nóias eram dela, eu não tinha nada a ver com isso, não adianta querer vir me jogar nenhum argumento que contrarie essa frase, não quero ouvir, não tô interessado. Ei, olha pra mim. Não terminei e o que tenho pra contar é muito relevante e precisa ser dito. É muito sério e vai te deixar perplexo. É muito engraçado e vai te fazer rir.

Só ouve. Você não tá prestando atenção, eu consigo ver que não, mas vou continuar falando mesmo assim. O caso é muito bom, muito bom. Depois que separamos ela não me ligou mais, estranho, todo mundo achou estranho, sei que ela ainda me ama, ainda tá envolvida, quer voltar, tentar de novo. Fiquei sabendo que ela viajou com as amigas pro litoral fim de semana passado, deve estar tentando tirar a cabeça de mim, da separação, desanuviar e tal. Então, aí um amigo em comum me disse que no caminho o pneu furou e ela começou a chorar. O que? Você não tá passando bem? Vem, vem, vamos sentar aqui que passa, vem. Então, diz que ela começou a chorar, acredita?

(…)
(…)
(. . .)

Foi isso, tô ótimo, ótimo, cara. Bem demais. Adorei conversar contigo. Mesmo. Saudade de te encontrar e bater papo assim. Ainda que eu não faça a mínima ideia de como você tá de verdade, do que tem se passado na tua mente, na tua vida, teus sonhos, teus interesses, teus anseios. Na verdade nem sei se gosta de mim, se me quer bem. Nem sei, mas foda-se.

O que importa é que você sabe dos meus lances, agora.
Que eu extravasei, agora.
Estou mais aliviado, agora.
Me sentindo grande, gigante.

Conversa boa, muito boa. Bem boa. Vamos repetir outras vezes, vamos vamos vamos sim. Abração, falou, cara.

Anna Haddad

Acredita no poder de articulação das pessoas e numa educação livre e desestruturada. Entrou em crise com o mundo dos diplomas e fundou a plataforma de aprendizagem colaborativa Cinese. Tá por aí, nas ruas e nas redes.


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  • rcambiaghi

    Bacana esse seu texto, hein?
    Vou aproveitar o embalo pra dizer alguma coisa aqui, na tentativa de me colocar num nível superior a você. Talvez depreciando sua idéia, ou seu ponto de vista, e certamente será num tom irônico.

    Só pra ver se uma galera da uns likes no meu comentário.

    • rcambiaghi

      em off:
      Ta muito bom esse artigo, Anna.
      Impossível não visualizar diálogos com pessoas conhecidas (ou se visualizar) lendo ele.

      • Anna Haddad

        Cambi,

        Escrevi esse texto depois de um sábado numa função social, onde não consegui, durante uma tarde toda de churrasco, conversar de verdade com ninguém.

        O pior é que imagino que devo ser também, muitas vezes, o camarada que fala bastante de si, sem dar a devida atenção pro outro. Tentando prestar atenção e me colocar na posição de ouvir mais.

        (ps: Acho que desse mal vc não sofre. Te acho um bom ouvinte).

        Beijos. :)

      • Gabriel Melo Mizrahi

        Isso acontece bastante mesmo! Acho que tem a ver com um texto que li por aqui há algum tempo atrás falando de “epidemia de autoestima”. As pessoas, no geral, estão se achando muito grandes. E quem se acha muito grande vê a história do outro sempre menor, irrelevante.

        Muitos de nós já temos isso em mente, e seu texto traduziu esse sentimento muito bem. Talvez seja um dos textos mais simbólicos do PdH. Parabéns!

      • Anna Haddad

        Valeu, Gabriel.

        Pra mim, mais que autoestima, se sentir importante, coisa e tal, vem muito forte a sensação de que não estamos olhando pro lado com frequência, e quando olhamos, não fazemos com atenção.

        Quem é esse cara que é meu amigo faz anos? Como ele tá, o que ele realmente sente? O que se passa na cabeça dele?

        Parece que as pessoas vão, mesmo rodeadas por inúmeras outras, se sentindo cada vez mais isoladas. É bem maluco.

        Beijos.

      • Bruno Luiz

        Muito interessante o texto, está de parabéns!
        Infelizmente me identiquei muito com a história.

      • Eder

        Olá Anna, como vai? Ainda não te conhecia, não li nenhum de seus textos antes desse.
        Muito sensível e bem escrito! Parabéns!
        Me chamou atenção o que disse sobre não ter conseguido conversar de verdade com ninguém naquela tarde de churrasco, já me senti assim algumas vezes, sobretudo em churrascos. Baseado no que você disse gostaria de indicar um texto meu, escrito em 2011 por conta de uma decepção com a qualidade dos relacionamentos interpessoais. Segue: https://www.facebook.com/vinteepoucosanos/posts/205179812889661
        Ficarei feliz se puder lê-lo!
        Um grande abraço e um beijo carinhoso.

      • Anna Haddad

        Oi Eder!

        Gostei muito do seu texto.

        Concordo com vários pontos.

        “A virtualidade exacerbada gerou-gera-gerará toda sorte de adoecimentos, sobretudo os que se apresentam como egocentrismo. E aqui há um paradoxo; as pessoas se comunicam com todo o mundo (literalmente), interagem com as “realidades” mais diversas desde que suas conexões – banda larga ou não – assim possibilite, mas são incapazes de olhar e enxergar às pessoas ao seu lado e a si mesmas (…)”

        Bem boa a sua reflexão. Acho que esse assunto tem mil recortes possíveis e é importante que falemos sobre ele.

        Gostei muito também do que falou sobre “encontro”. Penso *muito* parecido – e até dessa ideia, de conexão real e troca, surgiu o Cinese, plataforma que fundei junto com outras pessoas.

        A ideia do Cinese é ser uma ponte entre pessoas que querem dividir conhecimento, habilidades, experiências. Mas entendemos que o conteúdo é só um pretexto. O incrível mesmo é o encontro presencial.

        Dá uma olhada lá: http://www.cinese.me

        Também, quando você fala de espaços para conversas reais, atentas, mais profundas, penso de cara no oLugar, que derivou da Cabana PdH. Conhece?

        http://olugar.org/aberto/

        Beijo grande!

  • http://wwwr.rebecagalabarof.net/ Rebeca Galabarof

    Muito bom, muito bom! tristemente bom!

  • Mel

    Muito, muito bom!!!!!

    “Ei, olha pra mim. Não terminei e o que tenho pra contar é muito relevante e precisa ser dito.”…pelo Facebook, pelo Twitter, cara a cara, pelo Linkedin e assim eu sigo descarregando em tudo e todos.

    • Adson Barbosa

      Foda!

  • Alexandre Nunes

    John Dewey, o mais profundo dos filósofos das Américas, diz que a mais profunda das solicitações da natureza humana é o desejo de ser importante.
    O maior pecado da humanidade é a vaidade, a ânsia pela apreciação.
    Texto bom, apesar de óbvio. Retrata cada uma das 7 bilhões de pessoas na terra.

  • http://magiaetecnologia.blogspot.com.br/ Jefferson Alves

    Texto muito foda, daqueles que quem gosta de escrever, pensa: eu poderia ter tido essa ideia (olha o ego aí de novo…).

  • http://www.minhadistopia.com/ Victor Lisboa

    De longe, de longe, um dos MELHORES textos já escritos aqui no PdH e um dos MELHORES textos que li nos últimos tempos em qualquer lugar, e olha que leio bastante.

    Sem mais, não há o que acrescentar nos comentários, senão onomatopeias:

    Clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap!

  • Mateus

    Que soco no estômago, nossa. Vou ficar matutando o dia inteiro.

  • Henrique

    Muito bom!!!
    To desconfiado de que algumas pessoas fazem isso ai comigo kkk. Será que fui o único?

  • Camila Marques

    Intrigante, massa!

  • André Ferrari de Oliveira

    caramba, como pode isso? fiquei perplexo com o sentido que isso me fez, agora, nessa hora da minha vida, e com o QUÃO constante me sinto ouvindo os outro falaram.

    sou fechado. me martirizo com isso. eu realmente tinha que conversar, mas ninguém me pergunta como estou de verdade, o que tem se passado na minha mente, na minha vida, meus sonhos, meus interesses, meus anseios.

    • Anna Haddad

      Oi André,

      Foda, né? Acho que muita gente se sente como você. Sem querer despejar pros outros coisas pessoais, mas procurando alguém que realmente olhe, veja, se interesse, pergunte com intenção.

      Acho que um bom jeito de tentar fazer diferente é olhando pra si próprio e tentando, cada vez mais, escutar e se interessar genuinamente pelo outro. Não vejo outro caminho. :)

      Beijos.

      • André Ferrari de Oliveira

        Realmente não gosto de superestimar os meus sentimentos, não tive a intenção de parecer o único a sentir isso.

        Encontrei a senhorita e seu texto em um momento delicado, obrigado, eu precisava ler isso.
        Tento sanar essa minha minha carência (será que é essa a palavra, Anna?) justamente dessa forma, me interessando pelos outros, tentando fazer das alegrias e tristezas dos outros, as minhas.

    • Bruno Luiz

      André sei como é isso, sou bem descolado, não tenho timidez de conversar com alguém que nunca vi na vida, porém não se acha alguém para você expor seu lado tão pessoal assim. E isso no meu ponto de vista é geral, pois o que mais se vê em rede social, são imagens com meia frase, sugerindo uma linha de pensamento. Pelo menos sei que não sou o único com essa dificuldade.

  • Marcos

    “Talvez a maior necessidade do ser humano, acima das fisiológicas, seja a vontade de sentir-se importante”
    Não sou psicanalista – e não acredito que os mesmos saibam, se essa máxima é aplicável no subconsciente de todos nós, mas Anna, em seu texto, percebo o anseio, de nosso ego, em sobressair-se perante as tribulações da vida; sentir-se importante apesar de tudo…
    Creio que isso tudo é normal, triste mas normal…
    Porém, acho mais triste, quando essa famigerada vontade, subjuga nossa empatia pelo próximo, tornando-nos insensíveis e intolerantes; passamos a operar como maquinas de linha de montagem de uma fábrica qualquer, trabalhamos o produto – Nossos atos e ações, porém, como uma máquina, não percebemos o bem ou mau, que aquele produto fará ao nosso próximo.
    Ps: Alguém pode replicar? Quero aumentar um pouquinho meu ego também! KKKK!!

    • Anna Haddad

      Marcos,

      “acho mais triste quando essa famigerada vontade subjuga nossa empatia pelo próximo, tornando-nos insensíveis e intolerantes”

      Gostei muito dessa sua fala. É bem por aí. O autocentramento parece cegar, mesmo. É como se só tivéssemos olhando para uma direção (a do nosso umbigo) e não conseguíssemos ver o outro. Resultado disso é uma desconexão bem grande, solidão (último subtítulo que dei pro texto).

      Beijos.

  • Wellington Oliveira

    O texto esplêndido e nos faz pensar.
    Será que somos essa pessoa que tiraniza as conversas?

  • Welington Leal

    Dá pra entende pq ela se separou desse mala.

  • Fredericovilela

    O que mais gostei neste texto foi que ele meio que te mostra que nós somos ambos no texto, e isso fica claro quando vamos responder, já falamos de cara o que pensamos, o que achamos bom ou ruim, e a princípio parece inofensivo, mas ai lemos de novo o texto e notamos que talvez esses nossos comentários só servem para nosso ego mesmo, o problema é encontrar uma solução saudável…

    acredito que este texto complementa muito bem , talvez até seja um ponto a mais de reflexão sobre como não ser o “chato” do texto

    http://papodehomem.com.br/voce-nao-e-importante/

    • Anna Haddad

      Frederico,

      A ideia é bem essa, mesmo.

      Somos os dois, o cara egocêntrico, que só fala de si, e o ouvinte. Ora uma coisa, ora outra.

      Talvez, o grande ponto aqui é esse. Com que frequência fazemos isso? Num diálogo, estamos realmente presentes, vemos o outro, ouvimos o que ele tem a dizer?

      Podemos começar daí. :)

      Beijo!

      • Fredericovilela

        Anna, arriscarei me a dizer que no final das contas só estamos realmente presentes e interessados em algo quando no final das contas temos a impressão que tiraremos algo daquilo, e um exemplo disso é o ouvinte do texto, se ele não tivesse nenhum interesse em ouvir aquilo ele ouviria? mesmo que o interesse seja a singela tentativa de ser uma pessoa melhor, não ser mau educado ou mesmo por uma questão de repetir hábitos de sua criação. Não falo isso como demérito, mas constatação, sem orgulho ou aprovação, quase uma resignação.

        Entendo logicamente o seu ponto de vista, de quão interessante e satisfatório seria se tivéssemos mais empatia, mais diálogos propriamente ditos,ouvir mais e falar menos, também anseio por isso, mas anseio sem negar que talvez queira isso enquanto brigo com minha cabeça, como se estivesse em um exercício constante para negar a minha natureza egocêntrica, que visa o eu acima de tudo, e acredito que no fim eu (ou nós) perca esta briga.

        Após escrever tudo isto, fico até sem graça de te perguntar o que pensa de tudo isso, como se fosse uma traição as minhas palavras mostrar interesse genuíno em algo, mas não é, ainda estou um tanto quanto confuso em relação a este tema!

      • Anna Haddad

        Fred,

        “no final das contas só estamos realmente presentes e interessados em algo quando no final das contas temos a impressão que tiraremos algo daquilo”

        Não acho que seja verdade. Não acho que temos uma natureza egocêntrica. Isso é fonte de discussão de vários biólogos (a natureza humana) – mas já está bem comprovado que viemos de uma biologia do amor, de colaboração (Humberto Maturana diz isso em vários de seus trabalhos). Talvez a nossa cultura nos afaste disso, e dê a impressão de que somos inerentemente competitivos, maus, egoístas.

        Sugiro que vc dê uma olhada nos textos/livros do Maturana, principalmente no amar e brincar (falas sobre cooperação, biologia do amor, etc). Depois me diz o que achou.

        Beijos.

      • Augusto Antonio Paixão

        Agora eu preciso entrar na discussão. Você comprova que somos seres adivindos do amor por cientistas sociais e joga de escanteio os trabalhos de biólogos evolutivos e moleculares?
        Já que você citou o Maturana, eu cito Richard Dawkins e seu grande trabalho inicial O gene Egoísta e o biólogo evolutivo Ernst Mayr.
        Biológicamente não somos seres Eusociais, como abelhas, formigas e cupins, todos clones do material genético da rainha, onde cada operário morre pelo bem estar da colônia. Somos seres que vivemos em sociedade por mera necessidade. Necessidade no passado de pura sobrevivência, e que hoje se torna obrigatória com mais de 7 bilhões de humanos no mundo.
        Somos egoístas em diversas situações e fazemos caridades quando vemos algo positivo desta, primeiramente ajudando nossos parentes consanguíneos e depois os terceiros.

      • Anna Haddad

        Oi Augusto,

        Legal ter citado o Dawkins. Acho ele bem foda. Mas acho complicado entrarmos num embate científico aqui (biólogos vem fazendo isso há algum tempo, certo?). Teríamos que dar uns passos pra trás e discutir a teoria genecentrica, o conceito biológico de vida (DNA/RNA x capacidade de se autocriar/autopoeise), etc. E nem me acho preparada pra isso. Leio de curiosa.

        Eu, pessoalmente, me identifico mais com a linha do Maturana/Varela/Fritjof Capra. Mas não jogo nada fora – pelo contrário. :)

        Até editei o comentário acima, para não ficar parecendo que a teoria da autogeração e de uma sociedade cooperativa/matriarcal superam as demais.

        Beijo!

      • Augusto Antonio Paixão

        Olá Anna, depois de ler sua resposta fiquei constrangido com o que escrevi. Eu não possuo o arcabouço intelectual para prosseguir por muito tempo com uma discussão nesse tópico utilizando de referências de outros grandes pesquisadores. Contesto sua análise de sociedade como biólogo e como pessoa, se é que posso colocar assim. Analisando empiricamente as sociedades ao longo da história, percebesse que sempre existiu um grupo dominante, senão economicamente, militarmente, que controla os demais e propicia o melhor aqueles de dentro do grupo. Mesmo em sociedades tribais percebesse isso.

        Sabe que eu tenho uma hipótese de que ninguém faz nada de graça. Nesta minha hipótese alguém faz algo positivo para outro em troca de bens materiais, como um serviço prestado, em troca de favores presentes ou futuros ou simplesmente para sentir-se bem. Veja que na nossa sociedade é mal educado não agradecer quando uma pessoa te ajuda.

        Seu texto foi muito bom e agradável de ler. O PdH e seus leitores só tem a ganhar com uma colaboradora como você.
        Beijos.

      • Anna Haddad

        Augusto,

        Imagina, cara. Eu também não manjo nada de biologia evolutiva. Como te disse, só curiosa mesmo.

        Obrigada pelo seu comentário.

        Beijo!

  • Guest

    Anna, muito, muito bom.. parabéns.

  • Lucas Aragão

    Texto excelente. É triste se ver nos dois polos da conversa.

  • Lucas Aragão

    É lendo os comentários de textos como esse no PdH que me toco como sou bronco, tenho muito o que aprender, ler, saber, viver.

    • Philipe Matieli

      Eu evito ler os comentários, como muitos sugerem, mas aqui é enriquecedor e a maioria dos autores interagem e tornam real a interação com seu leitor e me sinto da mesma forma que vc, é importante ler, aprender e viver.

  • https://www.facebook.com/edsonmdiniz EZ!

    Texto real.
    E o pior foi que me identifiquei nos dois papéis.

  • Nathan Vallim

    Muito bom!

  • Thiago o Sábio

    Adorei o texto Anna.
    Apenas uma crítica construtiva: Poderia formatá-lo de uma forma melhor, de resto está ótimo.
    Parabéns!!!

    • Anna Haddad

      Oi Thiago,

      O que achou ruim na formatação? Como faria?

      A ideia é ser mesmo um texto corrido, sem muitos espaçamentos ou parágrafos, pra se ler numa tacada só. Acho que cumpre melhor a função de mostrar a ansiedade do cara que puxa o monólogo e a angústia de quem ouve sem conseguir dizer nada.

      Beijos e obrigada.

      • Thiago o Sábio

        Oi Anna,
        se a idéia do texto corrido era de ler numa tacada só, perfeito, conseguiu.
        Se o seu intuito era este desde o início, me perdoe.
        bjs e valeu pelo retorno.

  • Doros Filho

    Ótimo texto, alem de comum é frequente, só mudam os cargos e as pessoas , de resto é tudo igual!

  • Guto Porto

    Um bom momento ganho …

  • Rodrigo Vilela

    Pessoas assim nem conseguem me contar nada, minha grosseria me protege desse tipo de gente rs

  • André

    É, este sou eu, com a diferença que eu sou mais superior … e sim, é assim que eu me sinto. Porque isso seria uma coisa ruim? Não é?? Não é? (não quero saber sua opinião de verdade)

  • http://www.cronicasdeleila.zip.net/ Sua Mãe

    Ao ler, lembrei muito dos comentários do meu pai quando eu passei em psicologia. “Essa profissão é uma calunia. O Crocodilo Dundee falava no filme, quando a moça perguntava: você faz analise? E ele respondia: Não, eu tenho amigos pra falar comigo.” Pois é, mas hoje conversar livremente com alguém é tão difícil que nós psicólogos ganhamos mais mercado a cada dia que passa. Diálogos hoje são uma competição pra ver ou quem está melhor ou quem esta pior.
    - Cara, troquei meu carro por um X, anda muito!
    - Mas saiu na revista que o motor não rende nada, nenhum pouco econômico… E ano que vem sai o 2014 com teto, ABS e outros negócios. Bom mesmo foi o negocio que eu fiz trocando o meu Y pelo meu W, ai sim eu vi sucesso.
    - Só… Nossa cara, minha mãe ta mal, teve um AVC… Tá internada.
    - SÓ um AVC? E a minha que perdeu os movimentos do lado esquerdo e amputou uma perna? Tô com uma tia em estado vegetativo, uma tristeza que só.
    - Saquei. Vou ali e já volto.

    E ficamos nessa eterna valsa, onde não se escuta e só fala.Temos monólogos acompanhados, nada além disso. Trágico… Trágico…

    • Maria Eduarda Giangarelli

      “Monólogos acompanhados”, sensacional. rs

  • Marie Sabbagh

    Sinceramente… A melhor representação do narcisismo que vi nos últimos dias. Parabéns.

  • Athos Henrique Farias
  • Rodrigo Vidonscky

    Fantástico o texto.
    Mas acho que eu vejo hoje em dia as pessoas muito mais tentando se esquivar de tudo e todos (o velho diálogo do “como você está = bem obrigado, e vc” e para por ai) do que se abrindo, mesmo que seja pra vomitar de como sua vida é maravilhosa e importante..

    (serve como sugestão para um bom segundo diálogo)

  • Anderson Henrique Chaves

    Particularmente me identifico muitas das vezes com o receptor acima. As vezes o ego é tao inflado, que a pessoa nao faz a minima questao de atenuar o dialogo focado em si, jogar a bola para voce contribuir com algo. Isso me encomoda!

    Parece que estamos vivendo sempre em competicao e temos essa necessidade absurda de provar aos outros que nosso status é superior, e mentiras sao ate validas na linha de raciocinio desses…
    Enfim, gostei do texto, Anna! Mais!

  • Vladd

    Quando converso com amigos, sempre evito falar da minha vida, pois, sei que eles não irão ouvir nada do que digo, a não ser grifar os pontos negativos, bla, bla, bla DESEMPREGADO, bla, bla, bla SEM DINHEIRO, e ao ouvir a história deles dou um jeito pra cortar o papo, pois a verdade é que……. quem liga?

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Triste isso, não, Vladd?

      Que tipo de relação estamos cultivando quando temos certeza que nossos amigos não estão realmente interessados em nós e muito menos nós eles?

      • Vladd

        Infelizmente, estamos muito fechados, egoístas, o que distancia das pessoas.

  • Katia Reis

    Parabéns por tocar fundo nessa questão de solidão social… tenho sentido tanto…engraçado pensar como somos rasos!

  • Flavio Fiuza

    Sensacional é pouco pra esse texto. Me enxerguei totalmente como o cara que só fala de si. Vai servir bem pra eu rever meu comportamento.

  • http://www.produtosdebeleza.com/ Bia

    Muito bom.
    Talvez a gente passe de ter feito isso muitas vezes a se incomodar profundamente com isso.
    não
    é que ouvir o outro seja ruim, mas o modelo umbigocentrico de relações sociais cansa… ta tudo ótimo ou ta uma droga, e nenhum dos dois precisa da minha intervenção, só preciso sorrir e acenar…
    :

  • Jéssica Maciel

    Perfeito.

  • MagdaRudhe

    Muito bom o texto, imaginei muitas pessoas que eu conheço e que falam comigo bem assim. A maioria delas gostam de conversar assim comigo porque diz que sou um boa ouvinte, mal sabem elas que tenho tdah e no início do papo que eu não achei interessante eu já tava viajando longe.

  • Gregório Manoel

    por que isso sempre acontece comigo? =’( rsrs. Acho que deve ter algo escrito na minha testa chamando esse tipo de pessoa egocêntrica que fala demais, talvez seja a minha paciência para ouvir. A ponto de, quando alguém realmente interessando em dialogar aparece e pergunta da minha vida, eu não sei como dizer rsrsrs

  • Gustavo Rocha

    Yeah! That´s me.

  • Bia

    Sensível e brutalmente real, fiquei surpresa por ter sido escrito por uma advogada. Mas isso é puro preconceito.

  • http://detudotudomuito.blogspot.com.br/ Yoneide
  • Alexandre Spíndola Bento

    Simplesmente Brilhante!
    É sempre bom ler textos como esse.
    Como não se identificar nos dois lados da “conversa”?
    Vale para reflexão e tentar equilibrar os dois lados.
    Como disse um sábio por aí: Um ouvido aberto é o único sinal acreditável de um coração aberto.

    Seguimos…

  • Maycon Wesley

    É! Posso dizer que a situação deste artigo me é bem familiar, talvez, não de forma tão exagerada, mas…
    Observo que algumas pessoas vem sendo “meio egoístas” com o passar do tempo, principalmente, quando se sentem “felizes” ou recém realizadas.

  • Andre Dias

    Oi Anna. Obrigado pelo seu texto. Em cada esquina escutamos algo parecido, em casa sala, em cada sofá. Me vejo nos dois papeis com frequencia.
    De alguma forma escrevi um texto que é um pouco a antitese deste seu. Assim como é fácil manter uma conversa como a que voce descreve, acho que ás vezes é dificil encontrar ou ter um verdadeiro amigo. Como faço para te enviar este texto? Umas duas paginas. Abraços

  • Itosc

    É a nossa realidade. As pessoas só sabem falar, mas não sabem ouvir. E viva a sociedade do espetáculo!

  • JOVY DIAZ

    Amei seu texto,muito criativo

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