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Treino físico: Missão Amazônia

Alberto Brandão

por
em às | Aventuras e celebrações, Esportes, Hotmail, Mecenas


Desde que descobri minha paixão pelo treinamento físico, um ponto se tornou bem claro para mim: tudo deve ter um propósito. Funcionalidade em cada um dos exercícios que executo ou das artes marciais que treino. Esse sempre foi o foco. Me tornar um homem completo, capaz de sobreviver nas mais difíceis condições sempre foi um objetivo pessoal. Nunca entendi como alguém podia treinar com outros objetivos.

Uma das formas mais simples de se tornar um guerreiro, é trabalhar com metas tangíveis. Criar uma história que poderia ser verdade, preparar-se para situações que nenhuma outra pessoa teria coragem de ser submetida. Treinar para ser um atleta pode ser uma boa motivação, mas viajar para o deserto, escalar uma montanha ou sobreviver na selva são situações que realmente exigem um condicionamento com foco e rigidez.

Sua vida é mais importante que qualquer medalha de ouro.

Imagine então que precisamos nos preparar para sobreviver dentro da floresta amazônica, um ambiente hostil, pouco conhecido para um habitante da selva urbana. Como faríamos? Quais habilidades seriam necessárias para resistir mata a dentro? Vocês agora são meus parceiros para um treino duro, totalmente fora do convencional, que vai nos preparar para suportar condições bem difíceis.

Como eu me imagino agora

1. Correr e caminhar

Aumentar o potencial cardiorrespiratório vai ser a base do nosso treinamento.

Correr ladeira acima, descer por terrenos íngremes controlando o esforço para fortalecer as pernas, trabalhar a resistência em longas distâncias. Com a variedade de ameaças existentes em uma floresta, nunca se sabe por quanto tempo vamos precisar correr até estarmos em segurança.

Como encontraremos um terreno bem diversificado, é importante nos preparar para caminhar e correr descalços, tanto na grama como nas pedras. Não sabemos também a dificuldade de encontrar comida, então ser capaz de andar longas distâncias no calor em caso de emergência é essencial. Para esse objetivo, vamos correr 5 dias por semana, descansando apenas aos finais de semana.

2. Escalar e pendurar

Segurança é nossa prioridade. Tudo o que vamos treinar é para garantir que sairemos vivos dessa aventura. Treinar a força dos braços — principalmente a capacidade de levantar nosso próprio peso — pode nos livrar de vários problemas.

Teremos as árvores como nosso principal refúgio. Mesmo vários animais sendo capazes de subir pelas árvores, muitos não vão ter essa capacidade. Devemos incluir em nossa rotina exercícios com barras, ficar pendurado nas mais variadas posições pelo maior tempo possível e sermos capazes de nos erguer completamente para cima da barra. Treinaremos barras e escaladas todos os dias, aos finais de semana sairemos para escalar em rochas e árvores.


YouTube | Para ajudar escalada acima

3. Natação e fôlego

Nadar é uma das habilidades mais subestimadas que existem. Sempre achamos que sabemos nadar, mesmo quando só batemos os braços e saímos do lugar lentamente. Nadar com eficiência e velocidade exige treino e dedicação. Podemos precisar da natação atravessar um rio ou fugir de animais. Outra habilidade importante que podemos trabalhar é a apneia (prender a respiração).

Ser capaz de segurar o ar embaixo d’água por um espaço de tempo razoável pode ser útil para atravessar pontos cobertos por troncos, galhos ou pequenas cavernas. Em nosso treino vamos nadar e praticar apnéia 3 vezes por semana.

Em caso de Jacaré na água:

4. Levantamento de Peso

De forma um pouco menos convencional do que pesos de academia, levantar galhos de árvores, troncos e pedras vai nos ajudar a construir abrigo. Vamos procurar fazer séries de levantamento com os troncos e transportá-los de um lado ao outro. Também podemos fazer isso em uma série de resistência, deixando troncos a 30 metros de distancia um do outro, levantando os troncos de forma alternada, correndo de um para o outro com a maior velocidade que conseguirmos. Levantar pesos também pode nos ajudar a carregar alguém ferido no caminho.

Nesse processo de se condicionar a levantar pesos, qualquer coisa bem pesada pode servir. Pneu de trator, halteres e compras de supermercado. Qualquer peso que conseguirmos levantar fará diferença no ganho de força. O ganho de força bruta deve ser levado como uma atividade para todo instante: sempre que puder fazer uma força extra, faça.


YouTube | Construa seu abrigo

5. Resistência a adversidades

Não somos burros, então vamos estudar todos os detalhes antes da nossa viagem. Precisamos saber como estará o clima, a temperatura, umidade. Todas as informações que pudermos encontrar são importantes. Mas não podemos confiar apenas nas informações. Ainda mais na Amazônia, o clima pode mudar de um dia ensolarado para uma noite fria e chuvosa em instantes.

Vamos correr na chuva, nos acostumando com roupas molhadas; caminhar com roupas pesadas no sol quente; nos exercitar bebendo pouca água. Tudo que puder causar algum tipo de desconforto deve ser trabalhado até não nos atrapalhar mais.

Fazer trilhas em cachoeiras próximas a cidade, entrando na água com roupa e tudo vão nos ajudar a atingir esse objetivo.

Tornando o sonho real

Quando criamos histórias fictícias para nos motivar a realizar novos treinos, acabamos incorporando esse objetivo. Quando for possível, aconselho a todos a materializarem estes objetivos.

O que pode ser mais desafiador do que convidar amigos para passar as férias em uma das florestas mais misteriosas do planeta? Existem cursos para curiosos, que ensinam a sobreviver na floresta e transformam esse sonho de passar algumas semanas sobrevivendo na selva em uma realidade próxima.

Mecenas: Hotmail


YouTube

O blogueiro Nick Ellis do Digital Drops foi convidado a testar o Hotmail e encarou um desafio: colocar o Rio Amazonas inteiro dentro do SkyDrive, que está com cada vez mais espaço. Como você pode ver no vídeo, ele foi bem equipado.

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Alberto Brandão

Escreve no Kuro-Obi sobre artes marciais e no Decimadomuro sobre Parkour. Faixa preta de Taekwondo, azul de Jiu-Jitsu e praticante de MMA e Parkour. Fala sobre treinos em seu blog. Curiosamente, trabalha como analista de sistemas.


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  • http://www.facebook.com/viictor7 Victor Alexandre

    Incrível o incentivo. E mais ainda a aventura. O ganho de experiência e retorno – bem-estar – para o corpo. Gostei da dica para se livrar do Jacaré.

    Meu pai morou e trabalhou na região amazônica durante sua juventude, especificamente no rio Xingu. Fico pensando em todas as aventuras que viveu e, hoje posso ver o retorno na capacidade física dele. Para um quase cinquentão, levo um banho de disposição.

    Valeu, Aberto.

  • GeorgeSousa

    Bem motivador. Estou sempre tentando trazer essas ideias para o universo do Parkour.

  • http://duddupk.blogspot.com/ Duddu

    Texto excelente e que, mesmo aqui, no computador da empresa, conseguiu me fazer imerso na aventura. A idéia de adaptar as qualidades físicas necessárias em uma missão como essa para um treino direcionado é interessante. Vou testar vários pontos.

    Gostei da dica de como se livrar de animais (e acho que seria nosso instinto natural na situação real), porém acho que a legenda está errada. O certo seria: “a força para FECHAR a mandíbula não é tão grande”.

    Parabéns.

  • https://www.facebook.com/Andre.R.Tamura André Tamura

    Que legal! Podemos utilizar e “minimizar” esses tópicos abordados no texto como  – Planejamento, Alinhamento (sonhos x metas) e Disciplina??

    Além de que, não sei se estou enganado, essas práticas por si mesmas (mesmo sem um propósito) já tem resultados em vários campos da vida e não somente para realizar uma expedição ou “aventura”.

    Claro que em determinado momento (quando não há propósito) vira apoio e “fuga”, eu conheço pessoas que correm ou malham (com disciplina mesmo), mas não sinto naturalidade, presença ou como citado no texto; propósito.

    Até já passei por alguns “testes” em ambientes hostis e situações adversas, mas avaliando hoje, não seria longa minha capacidade de sobrevivenvia na selva hehehe

    Eu tenho muito pra evoluir nesse campo.

    Valeu.

  • http://www.facebook.com/people/Reysi-Pegorini/1398276764 Reysi Pegorini

    Realmente o preparo antes de enfrentarmos essa situação tem que ser imenso. Meu último campo passei 30 dias dentro da mata, com um mateiro e um ajudante de campo. Temos que estar preparados realmente pra qualquer tipo de situação. No dia de chegada ao local, encostamos o bote as 9:30 da manhã para andarmos até o local do nosso acampamento com as mochilas e o rancho. Chegamos no acampamento as 23:30, foram mais de 12 horas caminhando com uma chuva constante, a única coisa que tinha na mochila era barra de cereal, cloro em gotas pra purificar a água e encontramos alguns ouriços de castanhas durante a caminhada.Antes de ir pra campo fiz um preparo meia boca, caminhadas, corridinhas e talz, senti um pouco na primeira semana mas depois acostumei. Dicas pra quem vai se embrenhar mata adentro. Sempre usar um GPS mega bom, e marcar seus pontos, por ex: começo da trilha, acampamento, cidade mais próxima, etc. Levar sempre um purificador de agua, eu levo cloro em gotas, que é mais fácil de carregar, barras de cereal, frutas desidratadas, proteína desidratada, fibras, lanternas, tanto de mão, qnt de cabeça pra deixar suas mãos livres, esqueiro e fósforos, sacos estanque, terçado (facão) não entre na mata sem um terçado, serve pra limpar o local e proteção. Nunca entre em um local desconhecido sozinho, sério, até mesmo meu mateiro com 6 anos de experiência na area que estávamos, conseguiu se perder. Use roupas leves e fáceis de secar, região amazônica tem um leve problema de umidade, eu aconselho usar botas de borracha/galochas, temos muitos igarapés aqui, e quando usamos esses tênis de trilhas na primeira pulada de igarapé ele molha e aí fudeu, o pé fica molhado durante a excursão toda pq ele não seca!!!. Dicas quanto aos animais. Jacaré. eu aconselharia não nadar em locais com jacarés, por exemplo já é difícil fechar a boca de um jacaré tinga/coroa com as mãos, imagina fechar a boca de um jacaré açu adulto que pode chegar até 6 metros de comprimento??? Eles possuem uma força imensa no corpo, eles não conseguem abrir a boca depois de fechada, mas usam o corpo se debatendo, uma vez segurei um jacaré de 1,5m com um cambão e ele conseguiu me derrubar. Lembre-se do caso da pesquisadora que teve a perna arrancada por um lindinho desse. Onças. encontrei uma no meio da trilha, não vire as costas pra ela e não corra, ela entenderá que vc é uma presa se você correr, mantenha o contato visual, geralmente quando elas se fazem visíveis pra você é que ela já estava te vendo a muito tempo, ou seja se ela quisesse te atacar já teria atacado. Encontrou a comida dela (carniça) ou filhotes saia desse local o mais rápido possível porque você é um inimigo em potencial nessas situações. Cobras. uma única dica, viu uma? saia de perto. Sapos. que é o grupo que trabalho, preste atenção os mais bonitinhos, coloridinhos, possuem substâncias tóxicas que podem ser prejudiciais a nós seres humanos. Porcos/queixadas, nunca passe na frente de um grupo de queixadas ou porcos eles com toda certeza irão te atacar, avistou um grupo, suba em um local seguro ou fique longe do grupo, espere eles passarem.
    Mas com alguns cuidados, PREPARO como o Alberto colocou muito bem nesse artigo, e acompanhado de pessoas com experiência, essa aventura com toda certeza vale muito a pena. Agradeço por meu trabalho ser também minha aventura. Vou anexar umas fotos das “pedras” no meio do caminho que tive. arvores que caíram no igarapé de acesso, as trilhas que escalei, posso dizer que foi do caralho.

    • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

      Bióloga, é?Minha profissão me força a ter este preparo também (sou geólogo)! No começo é um saco andar com roupa pra cacete no calor, mas depois acostuma!
      Quanto a cobras, o que posso falar é o seguinte: se você precisa matar e tem dúvida se acertá o golpe ou não, mude de caminho. Ela NÃO errará o bote!!

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Fantástico relato :o

  • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

    irado!

  • omarvin

    … falar de experiência outdoor de um ponto de vista romântico é uma coisa, mas fico com a impressão de que vocês acreditam que podem realmente preparar alguém pra um ambiente hostil usando um texto com meia dúzia de parágrafos …

    … nada contra quem está escrevendo, um Shot e agora uma Capa (pelo que pude perceber sabem do que falam) mas acho que é que é responsabilidade demais um site com tantos acessos passar essa impressão (pois é, acho que vocês lidam com uma grande responsabilidade aqui)

    … de qualquer forma o PDH nunca vai ser referência para o assunto, sabemos que esse não é o foco …

    Quem estiver afim de aprender de verdade pode até usar as ótimas dicas como referência, mas jamais limitar-se à elas !

    Busquem pelo termo Bushcraft no oráculo, tem muita informação útil por aí e que realmente podem ajudar alguém a sobreviver na selva (mesmo os que não tem todo esse preparo físico)

    • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

      Desculpe descordar de você, mas você leu o texto?

      • Eduardo

        Alberto, fugindo por um momento do assunto do texto,  você já trabalhou alguma vez com as kettlebells? Seria interessante fazer um artigo comentado sobre o uso dessa ferramenta.

      • Eduardo

        Alberto, fugindo por um momento do assunto do texto,  você já trabalhou alguma vez com as kettlebells? Seria interessante fazer um artigo comentado sobre o uso dessa ferramenta.

      • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

        Acho kettlebells interessantíssimas, os melhores treinadores do mundo adaptaram o uso em seus atletas. Apesar de uma ferramenta antiga, voltou com força total. Até renderia um bom artigo, mas talvez sobre as diferenças do treinamento antigo e moderno, e como esses pontos tem voltado aos poucos. 

        Da uma boa ideia. 

  • Andre

    Passei esta última semana neste ambiente hostil, finalizando com 3 dias de sobrevivência as custas de tapuru e peixes dormindo em um taperi e virando comida de carapanã, estava inserido em um treinamento militar e digo que para realizar uma missão dentro da selva amazônica precisa-se de  um ótimo preparo físico e bom psicológico para sustentar todos os tipos de adversidades.!! Tudo pela Amazônia!! Selvaaaa!!

  • http://www.facebook.com/gian.impronta Gian Impronta

    Ótimo texto, realmente um treinamento físico focado é fundamental, mas não tem como esquecer de um detalhe importantíssimo, o psicológico. Recentemente realizei meu Estágio básico de busca, resgate e sobrevivência na selva, uma das disciplinas integrantes do currículo do Curso de Formação de Oficiais do CBMERJ, no qual nós tivemos instrução durante 10 dias no “acampamento”, à base de muita porrada e dormindo somente a cada 48h, depois somos deixados em grupos de 15 pessoas dispondo somente da roupa do corpo e de um kit composto por 3 facões, 3 fósforos, 1 pederneira, 10m de linha de pesca, um anzol e uma espingarda com 3 cartuchos. Se tem duas coisas muito importantes a se falar com certeza são: não deixe sua fogueira apagar e tenha sempre lenha seca. Se você achar bambu, pode abrir um sorriso, dá pra fazer o abrigo tranquilamente, portos, armadilhas, abrigo pra fogueira, varas de pesca, macas, sinalização e até copos e panelas. Mantenha sempre seu facão amolado. Nada disso tem valor se seu psicológico tiver ruim, a exemplo, se não tiver disposição pra fazer uma tocaia no mato durante a madrugada no frio ou pra catar madeira pro abrigo e pra fogueira, pode ter certeza que vai passar um perrengue. É um pouco menos romântico do que parece, mas vou falar que tenho saudades da selva.

    eae, vai encarar? 

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