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Geração wireless: férias e trabalho, ao mesmo tempo, o tempo todo

Fabio Bracht

por
em às | Aventuras e celebrações, Mundo, Trabalho e negócios


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Neste exato momento (uma tarde de sábado), estou escrevendo este texto sentado em uma das confortáveis poltronas do Starbucks mais próximo à minha casa, com vista para a bonita Alameda Santos, em São Paulo. O “café” custou perto de dez reais, mas o Wi-Fi – o real motivo de eu ter vindo até aqui – é de graça. Eu estou trabalhando.

Exatamente da mesma forma que eu estou escrevendo aqui em São Paulo, na Alameda Santos, eu poderia estar fazendo isso na Quinta Avenida de Nova York, nas Ramblas de Barcelona ou em algum hostel com vista para a Baía de Sydney. Eu faço parte da geração wireless.

Talvez você faça também, e nem saiba.


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Você realmente precisa ir até o trabalho?

Eu tenho um amigo, programador, que vivia reclamando do trabalho. Chegava em casa frustrado a ponto de racionalizar a sua situação usando algo que ele chamou de “teoria dos altos e baixos”: ele abraçava a tristeza e a depressão durante o expediente, tendo a certeza de estar simplesmente vendendo horas da sua vida sem nenhum ganho não-monetário, unicamente para que, quando a noite chegasse, ele pudesse “virar a chave” e curtir um estilo de vida hedonista e inconsequente até as primeiras horas da madrugada.

Como eu sempre disse a ele, isso não se sustentou. Assim que ele percebeu que poderia realisticamente fazer isso (demorou bem mais do que deveria), ele pediu as contas, abraçou projetos particulares e trabalhos de freelance e passou a não precisar mais ir para a empresa.

Com suas próprias mãos, fez as mudanças necessárias para que pudesse trabalhar a partir de qualquer lugar. E esse “qualquer lugar” acabou sendo Nova York, por três meses, só para começar bem. Agora já está planejando seus meses na América do Sul e na Europa. Ele não está de férias, está trabalhando.

Não que faça muita diferença hoje em dia.

Minha experiência

Eu hoje estou envolvido com o PdH, com o QG e com a convivência entre as diferentes partes humanas que movem essa máquina, mas ano passado mesmo eu estava em outro emprego, trabalhando remotamente, e decidi experimentar essa coisa de trabalhar não em casa, mas no mundo.

Passei meu apartamento, com aluguel e contas, para um amigo (curiosamente, o mesmo sobre o qual acabei de falar), e fui. Vendi alguma coisa para comprar a passagem, e de resto ficou elas por elas: o que eu gastava com aluguel, contas e comida em SP, eu passei a gastar com hostel, passeios e comida na Europa. Morei por algumas semanas em Lisboa e Barcelona, além de visitar Madrid, Stuttgart e Berlim. Eu não estava de férias, estava trabalhando.

Não que fizesse muita diferença.

Yes!Lisbon Hostel

Hostel Yes!Lisbon, de frente para uma ruazinha tranquila em Lisboa. Já trabalhei aqui

Checklist: você está pronto para embarcar?

O trailer no início desse texto, do documentário Wireless Generation (ainda em produção), afirma que, de 2005 a 2009, nos EUA, aumentou em 61% o número de pessoas trabalhando remotamente. Até 2016, esse número chegará a 63 milhões de americanos – ou seja, um em cada cinco. De 41 a 47% dos empregos por lá já são, hoje, compatíveis com trabalho remoto.

Seria burrice pensar que esses números valem para o Brasil, assim como seria ingenuidade pensar que a tendência não vale.

Talvez você esteja aí pensando “ah, cara, que bom que isso é possível pra cada vez mais pessoas, mas para mim não é”. Existe uma chance bem grande de que isso seja verdade. Mas também existe uma chance considerável de que, assim como eu e o meu amigo alguns meses antes de viajar, você esteja numa posição em que isso está bem mais próximo de ser possível do que você imagina.

A seguir, a lista de coisas necessárias para sair de férias e conhecer o mundo enquanto trabalha. Pegue uma caneta de lousa e vá marcando X nas caixas conforme lê (o seu monitor vai ficar bem, confie em mim):

[   ] 1. Você é capaz de realizar todo o seu trabalho em um notebook ou outro aparelho portátil.

[   ] 2. Você é capaz de convencer o seu chefe a te pagar para trabalhar fora do escritório, ou então está disposto a mostrar o dedo do meio para ele e ir atrás de algum chefe ou cliente que não se importe com isso.

[   ] 3. Você é capaz de se livrar das suas coisas no Brasil, arcar financeiramente com elas durante uma viagem ou repassá-las para alguém (alugar seu apartamento, por exemplo).

[   ] 4. Sua presença física constante não é de importância vital para outra pessoa que não possa ir com você.

[   ] 5. Você se vira minimamente bem com inglês, com a língua do país para onde pretende ir ou com a linguagem universal da cara-de-pau.

[   ] 6. Você tem estrutura emocional o bastante para ficar longe de tudo e todos que te conhecem por alguns meses.

Provavelmente você marcou algumas dessas caixas, mas não todas. A questão é pensar bem se as que você não marcou podem ser marcadas se você mexer em alguma coisa na sua vida.

Eu, por exemplo, não achava que seria financeiramente capaz de sair do Brasil (item 3), e tinha certeza que não teria estrutura emocional (item 6), mas conseguiram me convencer de que isso poderia ser arranjado. E foi. E eu fui.

Nós fazemos parte da primeira geração para a qual isso é uma possibilidade real. Para a qual conhecer o mundo não é exatamente privilégio daqueles que podem tirar férias longas e ganham uma quantidade ridícula de dinheiro (eu fui com um salário de menos de R$2.500).

E aí, o que falta para você encarar essa?

Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal. [Facebook | Twitter]


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  • Carla

    Falta confiança nas caixinhas ali em cima e planejamento, apenas. Mas ainda me convenço! Bela experiência a tua!

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Manda ver, Carla. Vai ser foda.

  • Filipe Cifali

    Apenas uma coisa a denotar, trabalhar fora da empresa é bem diferente de ter um “home-office”. Home-office pode matar o cérebro dos menos preparados/acostumados.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      De fato. Ambas as coisas são perigosas, eu diria. Quando eu trabalhei em casa aqui em SP foi a época mais desorganizada da minha vida.

      Pensando bem, o item 6, que fala sobre estrutura emocional, poderia muito bem falar sobre “ter estrutura emocional para de fato se concentrar no trabalho por X horas diárias, com disciplina, mesmo estando em um outro país, que você está louco para conhecer”.

  • http://www.facebook.com/diegobcampos Diego Campos

    Boa, Fábio! Minha empresa dá a flexibilidade de fazer home-office algumas vezes por mês. Normalmente aproveito pra viajar na quinta (passagens mais baratas) e ficar remoto na sexta.
    Mas acredito que fazer isso por mais de uma semana não seja fácil para a maioria das grandes empresas (os chefes não se convencem fácil que você irá trabalhar 8h/dia com a mesma produtividade).

    De qualquer forma vou conversar com meu chefe, quem sabe dá certo!
    PS. O Yes Hostel de Lisboa é um dos melhores hostels que já fiquei, sem dúvida.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Era o hostel com melhor avaliação do MUNDO no HostelWorld quando eu fui, se não me engano. Lisboa manda muito bem em hostels, e eles não são caros.

      Mas depois do Yes eu acabei ficando num outro muito mais “pobre” (a diária custava 14 Euros, em vez dos 22 do Yes – que já era barato), no qual me diverti bem mais: o Kitsch.

      Saudades de Lisboa.

  • Fillipe Carvalho Fádel

    Falta só a caixa 5. Coisa simples, que com alguns anos eu resolvo.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Cara, o item 5 é talvez o mais sussa. Uma coisa que eu aprendi na minha viagem é: tem SEMPRE um brasileiro por perto, onde quer que tu esteja.

      Ou então convence algum amigo que se vira bem com o inglês a ir contigo. ;)

      • Felipe G.

        Queria tanto encontrar um amigo pra largar tudo e se sumir viajando o mundo. Sou fluente em inglês mas não tenho como arcar com as finanças de algo assim sozinho. Infelizmente todos os meus amigos tem medo de largar tudo aqui e viajar.

      • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

        Eu fui sozinho. :P

  • http://www.facebook.com/alfarichard Michael Richard

    Para mim só falta riscar o item 3, coisa que está a uns pequenos ajustes financeiros de distância. Bom, parece que é hora de planejar a viagem.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=706126393 Augusto Antonio Paixão

    Gostei bastante do texto, bem redigido e bastante pertinente.
    Só uma coisa me incomoda. Vocês, do PdH, escrevem para um grupo bastante específico de homens da sociedade: os de classe média média, a alta. Nesse texto em questão, existe uma gama enorme de homens que não podem cogitar trabalhar em qualquer outro lugar que não seja o trabalho.
    Entendo que esse texto é feito para aqueles que trabalham com criatividade e computadores e que qualquer lugar é lugar para se trabalhar.
    Muitas vezes o PdH parece a Men’s Health, só que com uma pegada muito mais variada e pessoal, mas igual a revista possui dicas voltadas para caras que podem pagar para implementá-las, e os que não possuem o cacife tentam usar as dicas do jeito que é possível.
    Novamente, para encerrar, nota dez o texto.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Nós escrevemos para todos os homens, Augusto. E a classe média tem cada vez mais poder.

      É claro que há muitos leitores gerentes de loja, caixas de mercado, frentistas de posto de gasolina, ou qualquer profissional que precisa estar fisicamente no seu local de trabalho. Para eles, esse texto realmente não é “aplicável”, por assim dizer.

      Mas, mesmo num caso desses, um texto assim pode ser útil. Não é impossível imaginar um desses profissionais lendo esse texto, lembrando do seu hobby de programação ou tradução o que seja, e resolvendo investir mais nele tendo em vista um futuro, daqui a alguns anos, no qual ele possa trabalhar remotamente.

      Claro, nem todos. Mas alguns. Para esse “alguns”, o texto vale a pena ser escrito.

      (Quanto aos elogios, muito obrigado.)

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=706126393 Augusto Antonio Paixão

        Eu gostei muito do texto. Sou um defensor do trabalho em casa. Acredito que muitas pessoas atualmente poderiam trabalhar em casa e desafogar o trânsito e os comércios das grandes cidades.
        Só achei pertinente fazer a crítica no seu texto. Também sou classe média, baixa, com uma renda legal advinda do setor público. Porém não penso e não tive as mesmas oportunidades. Para pessoas como eu o PdH da muitas dicas legais em como se portar, vestir, culturalizar, dicas de novas tendências no mercado de trabalho, aspectos psicológicos sobre nós, homens, entretenimento e etc.
        Acredito que alguns textos voltados para nós, ex pérrapados, ou inserções nas pautas atuais ajudariam a diversificar ainda mais o conteúdo do portal (que já é muito bom).
        Como um texto que o Guilherme escreveu sobre as 12 verdades que não contam sobre mochilar. Eu pirei e curti muito, mas é algo voltado para os poucos que podem largar tudo e sair por aí.
        E reiterando, seus escritos são nota 10 Fábio.

    • Fillipe Carvalho Fádel

      Não é porque você trabalha em um lugar que demanda a sua presença
      (ou toda vida trabalhou nesse tipo de emprego) que você deve ficar só naquele emprego.. nunca é tarde para recomeçar.. Fica a dica!

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=706126393 Augusto Antonio Paixão

        Corretíssimo Filipe. É que minha área de atuação é bastante restrita quanto trabalhar virtualmente. Estou a um passo de ser um biólogo e atualmente sou Técnico de Necropsia pela Pol. Científica de SP.

      • Fillipe Carvalho Fádel

        Ai já é uma questão de plano de vida.. mas sendo biólogo dá para rodar o mundo muito mais do que qualquer outra profissão.. porem não vai dar pra ficar de frente para o pc, você tem que colocar a mão na massa..
        Um abraço e sucessos na sua carreira.

  • http://www.facebook.com/Tiag0s Tiago Silva

    bela escrita, a vida é assim..constante!

  • Felipe G.

    O problema real é pra pessoas tipo eu (tenho 20 anos) que ainda estou entrando no mercado e não faço muita ideia de nada com nada. Gostaria de morar no exterior mas não tenho grana (meu salário é de estagiário) e achar um emprego decente é extremamente complicado, todo mundo quer experiencia ou milhares de qualificações pagando quase nada por isso. Além disso tem toda a papelada com vistos e passaporte que tbem não custa barato.
    Trabalho com a área de programação que todo mundo imagina ser mais aberta e não é, pelo menos no Brasil.

    Hoje em dia é tudo uma questão de quem vc conhece e não o quanto vc faz.
    Outro ponto é que aparelhos eletrônicos são ridiculamente caros no Brasil. Comprar um mac Air aqui é comparável a comprar um carro em um país como os USA.
    Gostaria muito de morar fora e trabalhar com programação remotamente mas infelizmente isso, para nós reles mortais que nascemos brasileiros em uma família de um poder aquisitivo mais baixo isso ainda não é possível e acho que não sera possível por algum tempo.
    A geração wireless existe e é demais mas não é a realidade de praticamente ninguém da população brasileira.

    • Felipe G.

      A proposito, excelente matéria. Super em dia, interessante e bem escrita.

    • harlley

      Oi Felipe, acho que o primeiro passo para você conseguir morar no exterior , é quebrar essa crença interna “para nós reles mortais que nascemos brasileiros em uma família de um poder aquisitivo mais baixo isso ainda não é possível e acho que não sera possível por algum tempo.” Feito isso, o próximo passo é parar de falar “Gostaria de morar”, e falar “Vou morar”. Dessa forma deixou de ser um desejo, e virou uma meta. Agora é só correr atrás das informações, para chegar ao seu objetivo. Um bom caminho é procurar conversar com quem já está morando ou está com o mesmo objetivo, pra saber quanto de dinheiro (vai ter que diminuir as baladas e economizar dinheiro) é preciso, quais tecnologias com demanda alta você vai precisar aprender, fazer networking, etc.

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=1705812045 Thiago Atanazio

      vc eh carne nova no mercado de trabalho
      tenho amigo que fez administracao na ufc e atraves da propria faculdade conseguiu uma bolsa em toulouse, onde acabou se formando,
      se ele tinha dinheiro?
      nao, tb estagiario, balada so a de baixo custo e transporte dele era so bike ou busao
      sabia falar frances?
      não, mas aprendeu o basico aqui e fluencia so morando lah mesmo
      como esta hj?
      muito bem e casado com uma francesa
      se não me engano na area de programação existem oportunidades no canada, toronto praticamente vai te pagar para ir

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Bem como o @harlley:disqus disse, @915d9e81015c5b5df19f1fca23a310fd:disqus, é só uma questão de querer de verdade.

      Ainda mais na tua área, cara. Programação dá grana PRA CARALHO. É a profissão do meu amigo, que está nessa vida de Geração Wireless. Se tu for bom (e isso é questão de estudo e dedicação da tua parte), cara, o mundo é teu.

      Não sou da área por isso não posso falar isso com propriedade, mas acho que uma boa é buscar freelas ou ter projetos pessoais pra fazer fora do estágio.

      • Felipe G.

        Show demais gurizada.

        Vcs me motivaram, vou me mexer e fazer isso virar realidade.

      • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

        Assim é que se fala.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1705812045 Thiago Atanazio

    ja estou com 3 anos de casa e não conheço a sede da minha empresa,
    mas ja passei por torno de 10 estados visitando os clientes,
    trabalho com informatica e nao tem como deixar de visitar o cliente, a não ser que assumisse outra função, em vez de implantador, analista de negocios, mas creio que a empresa ainda não tem essa mentalidade pois todos os analistas trabalham na matriz,
    talvez o maior empecilho seja o psicologico, já tive uma crise de homesickness apos 3 meses sem pisar em casa, isso pesa demais, e aconteceu logo em sao paulo durante minhas ferias, cidade escrota para ir se nao conhece ninguem, ao contrario do rio que me senti em casa e mudou completamente a imagem de marrento que tinha do carioca,
    questão de salario, ja vi comentarios que se direciona apenas a classe media/alta, isso é viagem, desculpa para não arriscar, conheci gente que trabalha em albergue em troca de moradia e um salario minimo, ganha pouco mas se diverte, tb tenho conhecidos que deixaram o brasil para ser barmen na europa com a cara, a coragem e uma divida de 10 meses no cartao para pagar a passagem
    talvez para quem nao tem condicoes ou um paitrocinio o ideal é fazer uma planejamento maior a longo prazo, se matricular naquela aula de ingles do senac, fazer amizades com estrangeiros para pegar dicas de lugares em conta, onde tem oportunidade de emprego que possa aproveitar, craigslist, bolsas de faculdades, etc
    como diz o capitão planeta, o poder é de vocês

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Thiago, queria muito que o teu comentário fosse o mais votado pra aparecer lá em cima. Muitas verdades foram ditas. É bem isso!

      “talvez o maior empecilho seja o psicologico, já tive uma crise de homesickness apos 3 meses sem pisar em casa, isso pesa demais” –> Muito verdade. Eu não falei isso no texto, mas antecipei minha volta quando fui pra Europa. Quando cheguei em Berlim e ainda faltavam 3 semanas para o voo de volta eu já estava com a cabeça tão pesada do esforço social que é estar onde ninguém te conhece (você basicamente tem que fazer com que as pessoas gostem de você o tempo todo, todos os dias, com pessoas diferentes) que me antecipei. Acho que não teria esse problema se fosse de novo, mas tive.

      “conheci gente que trabalha em albergue em troca de moradia e um salario minimo, ganha pouco mas se diverte” –> Vi muito disso também. São as pessoas que atingem um nível de desapego invejável. E são quase sempre as mais felizes, de bem com a vida, que se divertem com tudo e enxergam cada oportunidade como única. :)

  • http://www.facebook.com/kelly.camilo Kelly Camilo

    Eu já tinha ouvido falar de pessoas que trabalhavam em casa, mas nunca tinha tido contato com elas. Sempre rolou uma curiosidade, logo, fiquei feliz de ler algo extremamente útil neste domingo. Obrigada, PdH! E parabéns, Fabio, pelo texto tão bem escrito. ;)

    Trabalhar sem ter que estar na empresa é um sonho pra mim. O tempo que a gente leva pra chegar ao local de trabalho e aqueles horários fixos [hora do café, hora do almoço, hora de entrar, hora de sair] me deprimem. Primeiro porque, o tempo que a gente gasta pra se arrumar + chegar ao trabalho é absurdo! Segundo que, eu acho ultrapassado esse esquema de horários que estabelecem pra gente. Eu sou muito mais produtiva de madrugada, mas TENHO QUE trabalhar em horário comercial… Meu trabalho renderia mais às 3h da manhã e não às 15h, por exemplo. Gosto de almoçar, tomar café, etc, quando tenho fome e vontade e não quando TENHO QUE fazê-lo porque é o horário que a empresa determinou. Poxa! =~
    Uma pena que meu trabalho atual exija minha presença [trabalho em laboratório e não há como realizar análises em casa =P]. Mas quem sabe daqui alguns anos eu não esteja fazendo outra coisa e remotamente… Daí, me lembrarei deste texto com carinho, haha. ;)

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      A minha principal “desculpa” quando chego atrasado no QG tem a ver com isso: “essa hora que eu perdi de manhã é bem menos produtiva do que a hora extra que eu vou repor à noite”. Nem sei se cola, mas que é verdade é. :P

      Na época que trabalhava em casa, meu horário mais produtivo era das 2 às 3 da manhã. Faz mal pra saúde dormir quando o dia amanhece, e eu não sinto falta disso, mas infelizmente é fato.

  • Felipe G.

    Fabio vc poderia dar algumas dicas ou contar sua história de como vc conseguiu chegar nesse ponto. No que vc começou trabalhando? Como convenceu seu chefe? Que área vc atua? Onde já morou? Qual seu orçamento inicial?

    Seria legal saber por onde vc começou.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Olha, Felipe, o lance é que eu tenho uma relação de amor e ódio com a minha profissão. Bem mais amor do que ódio, porque é uma na qual eu posso fazer aquilo que eu gosto e aquilo que eu quero aprender a fazer cada vez melhor (escrever), e isso é uma coisa que se pode fazer em qualquer lugar, mesmo.

      A parte ruim é que nunca ganhei lá muito bem. Jornalismo só paga bem de verdade em empregos mais chatos e empresas maiores, que não dão tanta liberdade. E eu sempre prezei por não ser como o meu amigo citado: eu acredito em alguma versão daquela frase famosa, que já não lembro de quem é: “trabalhe com o que gosta e não terá que trabalhar um só dia na vida”. Juro que às vezes preferia ter escolhido uma carreira que me pagasse absurdamente bem (como a dele), mas de modo geral sou bem feliz com a minha escolha.

      Então, respondendo às tuas perguntas:

      No que vc começou trabalhando? Que área você atua? –> Respondido.

      Como convenceu seu chefe? –> Não foi necessário. Eu já trabalhava de casa. Foi só prometer para ele que a minha produtividade não seria afetada. (Ela foi. Um pouco.)

      Qual seu orçamento inicial? –> Nem sei.

  • http://www.facebook.com/rafaelfontanadomingues Rafael Fontana Domingues

    Cara, você me conquistou quando disse o valor do salário com o qual você tomou a reviravolta. Até isso eu pensava “mano, esse cara deve manjar pra caralho do que faz (não que você não tenha total conhecimento do empreendimento que realiza, e não que você esteja ganhando pouco ou muito por isso, é apenas um cenário que tentei imaginar na minha cabeça), deve ter muita experiência, longa carreira, …” Mas percebi que estamos no mesmo patamar e tenho de dizer, você tem culhões cara, parabéns. Concordo com suas palavras, parabéns pela conquista dessa nova geração wireless. Almejo isso!

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Hahah, nada mais longe da verdade.

      Eu era consideravelmente mais moleque, não ganhava tão bem assim e não tinha experiência nenhuma com viagens. Nunca tinha ido além do eixo RS-SP.

      Os únicos trunfos que eu tinha eram o desapego e a habilidade com inglês (que nem é assim tãããão importante. Eu poderia ter ido sabendo metade do que eu sei.)

  • Sonia Regina Villarinho

    Olá,Fabio! Vou começar com um “puxão de orelhas”! Já é hora de vcs do PdH assumirem que escrevem pra todo tipo de homem,como vc diz,mas pra todo tipo de mulher também! Seu texto está impecável,é um prazer lê-lo.Tenho certeza que vai mexer com a estrutura de muita gente;vai fazer muita gente refletir sobre a possibilidade de trilhar novos caminhos. Parabéns pelo texto e pelo exemplo;afinal,o mundo é dos que ousam!

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      “Vai fazer muita gente refletir sobre a possibilidade de trilhar novos caminhos.”

      Foi apenas pra isso que eu escrevi, Sonia. Tomara. :)

  • http://www.facebook.com/pedroturambar Pedro Américo

    Marco todas as caixinhas facilmente. O que me falta de verdade, é coragem.

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Mas é um vacilão. Tu sabe que a qualquer momento pode acontecer alguma coisa que desmarque alguma das caixinhas e aí fodeu, né? Se é uma ideia que te deixa com tesão, VAI NESSA.

      Imagina os textos que tu escreveria pro PdH! hahah

      • http://www.facebook.com/pedroturambar Pedro Américo

        Pior é que eu sei que elas podem se desmarcar… mas a diferença é que antes do texto, eu nunca pensava nisso dessa forma que você colocou. Eu sempre achei que teria que largar tudo para fazer isso.

        Agora sei que não é tão drástico assim. Incrível como uma coisa tão simples e óbvia escapa dos nossos olhos.

        Ahh… se nego acha que eu sou doido aqui… ia viajar legal sentado num café em Praga…

  • http://twitter.com/fidhel Fidhel Costa

    Poxa… Fábio que maneiro o seu texto muito bom. Realmente fazendo alguns pequenos ajustes isso seria viável.

    Não que eu nao tivesse pensando nisso ,mas vendo alguém que fez e deu certo… Bom que sabe um dia.

    E parabéns novamente pelo texto.

  • http://twitter.com/rodriguesigor Igor Rodrigues

    Trabalho remotamente há 3 anos. Atualmente voltei do país onde estava e comecei a trabalhar no Brasil pra mesma empresa, tendo liberdade para viajar e trabalhar de qualquer lugar.

    Gostaria de ver uma parte 2, citando as dificuldades de organização, custos detalhados, riscos e tipos de trabalho (empresa x freela).

    Me sinto bem por fazer parte dessa geração wireless. :)

  • http://blog.paulovelho.com Paulo Henrique Martins

    Este ano eu termino minha viagem de 2 anos (na qual tive até o prazer de encontrar o Fábio Bracht)…

    Mas a minha foi um pouco mais punk/tenebrosa e eu simplesmente ia procurar emprego nos lugares onde viajava (foge um pouco do tema do texto), mas eu com certeza vou querer continuar fazendo isso quando voltar.

    Vou me estabilizar assim que voltar ao Brasil e depois, com alguma sorte, vou embarcar em alguma outra dessas, com trabalho garantido em qualquer lugar. Agora eu já sei que posso e que consigo… =)

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Tu foi instrumental na minha viagem, Paulo. Me apresentou o Kitsch Hostel, o lugar mais divertido onde eu fiquei em toda a Europa. Valeu!

      • http://blog.paulovelho.com Paulo Henrique Martins

        o Kitsch fechou, sabia?

        A Aleksandra tá morando em Londres também e um dia eu fui tomar uma cerveja com ela e ela contou a história do fechamento do Kistch.
        Uma pena… até eu fiquei triste

      • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

        Porra, não sabia…..

        RIP Kitsch. =((((((

  • Talita

    =O adoreiii ^^ …. será que posso atender um paciente remotamente ? Oo”

  • Rodrigo

    Trabalho com programação e já estou me planejando pra procurar uma maneira de trabalhar em casa. Nem penso em sair do pais por enquanto, só poupar as 2 horas perdidas no transito para ficar em frente ao pc/conversando com gerente e colegas de trabalho via gtalk(coisa que eu faria tranquilamente em casa)

  • Nélio Oliveira

    Muito bom o texto.

    Os paradigmas do trabalho me parece que são os mais difíceis de serem quebrados. Home office, “world office”, enfim, ainda é realidade distante da maioria dos trabalhadores.

    De minha parte, se provavelmente jamais conseguirei trabalhar em outro local diferente da “repartição”, espero em breve experimentar trabalhar só nove meses a cada ano e ficar três meses “à toa” em casa.

  • http://www.facebook.com/cristiane.rodrigues.94214 Cristiane Rodrigues

    Olá Fabio, eu fiz exatamente isso. (e sou mulher tá?) voltei há uma semana de uma temporada de 3 meses no Canadá (a experiência foi maravilhosa); Eu já trabalho em casa aqui no Brasil, e pensei, bom posso trabalhar de qualquer lugar do mundo. Mas quando voltei tomei um esporro fenomenal, porque apesar de ser freelancer e ter a minha própria empresa, a multinacional, que é meu principal cliente, ficou uma fera quando soube que eu estava fora do Brasil, eles disseram que se algo acontecesse comigo eles poderiam ser responsabilizados já que eu estava em outro país (onde eles também estão presentes) sem visto de trabalho. Não adiantou eu argumentar que eu não sou funcionária, não tenho vínculo empregatício e estava sob a minha própria responsabilidade. Eu estou pesquisando as leis internacionais para esse “status”, mas pelo visto as regras não estão claras. Precisaríamos de um visto de trabalho para trabalhar para nosso próprio país, nossa própria empresa, recebendo em real, em um banco brasileiro? O fato de termos como cliente uma multinacional, presente no país onde estamos, cria algum tipo de responsabilidade para essa empresa? Eu não sei as respostas, e se não as encontrar, da próxima vez (ano que vem eu saio do país de novo) terei que ir em segredo. E se alguém perguntar: você aí com esse laptop, está trabalhando? eu responderei: Trabalhando? eu? não, estou só no facebook ;)

    • http://www.facebook.com/cristiane.rodrigues.94214 Cristiane Rodrigues

      Ah e agora que li as mensagens dos interessados em realizar essa experiência, Eu trabalho de 9 as 18, 19, 20 5 dias por semana, pois preciso estar disponível para a equipe do Brasil e participo de muitas reuniões virtuais. Então nem todo tipo de trabalho dá para ser feito do Starbucks. É importante pesquisar o país para e encontrar um lugar para morar que te dê as condições necessárias para o seu trabalho, aqui no Brasil não consigo trabalhar nem do sítio em Guapimirim porque a conexão é uma M.. e o 3 G cai direto. Para mim valeu ficar baseada em uma cidade só, viver a experiência de morar em um lugar diferente, sem correria, não fiquei “de turista” o tempo todo, Eu viajava nos finais de semana (quando dava) e tirei 10 dias de férias. O primeiro mês foi super solitário, mas depois que conheci brasileiros a vida virou uma festa.

      • Guilherme LC

        Não é so o 3g que é ruim em guapimirim. Aquela internet a rádio deles lá, cai direto hehe.

  • http://www.facebook.com/viniciusmarcall Vinícius Marçall

    minha profissão, pelo menos inicialmente, me leva onde não tem infraestrutura nenhum! 3G, 4G ou wireless então, nem a pau! hahaha

  • Samantha

    Ótimo texto Fabio, parabéns. Sou Relações Públicas e super me identifiquei com a geração e só preciso parar e pensar para ver o que FALTA para encarar isso aí. Valeu o texto incentivo!!!!

  • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

    Puta texto, Bracht.

    Rumo ao plano de passar 20xx viajando e escrevendo do laptop… ;)

    Tirinha que encaixa bem demais com a crítica feita por você: http://www.malvados.com.br/index1629.html

  • http://www.facebook.com/thiguedes Thiago Guedes

    Gostaria *muito* de trabalhar em casa. Ainda que fosse aqui no BR. Ainda que fossem só uns 2 dias na semana. Quanto mais melhor.

    O problema é, de fato, encontrar empresas com a mentalidade pra topar. Ainda vivemos de certa forma numa sociedade meio Fordista, eu diria. “Tenho que ver se ele esta trabalhando mesmo”. E olha que eu também sou de TI (atualmente, infra-estrutura).

  • http://www.facebook.com/victorchiru Victor Luciano

    Brincadeiras a parte, é incrível como trabalhos de vários setores são ligeiramente adaptáveis a geração wireless >> por exemplo este; >> http://youtu.be/eWe9VyPOSXY

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Brincadeiras à parte.

  • http://www.facebook.com/cristhyano.depaula Cristhyano de Paula

    Parabéns, ótimo texto. Já leio sobre o assunto a um bom tempo, porém quase sempre em sites estrangeiros. É sempre motivador ler as experiências de alguém do Brasil.

  • Jesus

    Eu também trabalho com TI.
    Sei que o texto cai pra empregos fora do Brasil, porém acredito que em relação a TI podemos embarcar nessa tendência, a infra está melhorando cada vez mais.
    Quem me dera hoje estar na beira da praia, programando e respondendo emails ao invés de estar em uma fábrica no meio do nada.

  • Henrique

    Fabio, mesmo antes de ler o artigo eu já estava planejando uma viagem para a Europa, trabalhando remotamente. Porém, tenho algumas dúvidas em relação aos custos. Você poderia nos dizer quanto gastava em média com moradia, e como fazia com alimentação? Provavelmente restaurantes são caros, então os albergues devem ter uma cozinha para se preparar a comida, certo?

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Sim. Só os mais fuleiros não têm, e mesmo assim dá pra improvisar.

      Eu pegava hostels com diárias de 15 a 17 Euros. Isso é um fator bem limitador. Não pude nem passar por perto de Paris por causa dessa restrição, por exemplo. Lá é tudo mais caro.

  • Kirk Patrick

    Eu estou me preparando para fazer isso. Devo ir para o Canadá ano que vem. Pretendo ficar uns 6 meses e depois devo descer para os EUA e ficar mais uns 3 meses. Volto pra casa só no inverno norte americano, pra rever a família e os amigos.
    Eu trabalho com desenvolvimento de software e atualmente estou cada vez mais inserido dentro do marketing digital. Trabalhava em uma empresa, com horário flexível, mas estava perdendo minha saúde com o estresse e ansiedade por causa da empresa. Resolvi sair para tocar meus próprios projetos e como não preciso de lugar fixo, vou aproveitar para viajar o mundo. Mas para isso, fiz um planejamento, que estou seguindo à risca e em breve estarei embarcando para estes destinos.

    Parabéns pelo texto!

  • http://twitter.com/fsaires Fernando Aires

    Pootz meu desejo! Falta Coragem! Teoricamente em Janeiro de 2013 estou desempregado! Como foi seu planejamento?

  • http://www.facebook.com/murytad Murilo Almeida

    Sou estudante e estou terminando o ensino médio e tentando entrar em uma boa faculdade ! Meu sonho é ser um integrante da ‘geração wireless’, mas ainda dependo financeiramente dos meus pais e meu inglês não é bom o suficiente para participar de um programa de intercambio. Não vejo nenhum problema em deixar família e amigos para viver pelo mundo, só tenho um pouco de medo em não conseguir um trabalho ou atividade que me remunere o suficiente para manter essa vida de viagens, e também não sei quais profissões me possibilitariam de fazer isso. Se puder dar algumas dicas ficarei muito feliz e adorei o texto, muito empolgante e informativo.

  • http://www.movebla.com Anderson Costa

    Fabio, muito legal ver vocês abordarem esse tema. Novos modelos de trabalho é algo que eu abordo no meu blog, o Movebla há 2 anos, e foi libertador não só descobrir este mundo novo, mas também enxergar um mar de oportunidades que eu nunca veria num modelo tradicional de labuta. Me identifiquei muito com seu post e inclusive sou apoiador do Wireless Generation no Kickstarter.

    Quando quiser estou à disposição pra falarmos sobre isso, num café qualquer da vida! ;)

  • http://www.facebook.com/jorgeluiz.rodrigues.9 Jorge Luiz Rodrigues

    Opa, Fábio!
    Sigo na mesma vibe que você, como tradutor independente há 5 anos e como itinerante há 1 ano!
    Vivo sem endereço fixo e como freelancer: totalmente geração wireless!
    Além disso, abri há dois dias um projeto de jornalismo de viagem voltado pra quem quer viajar low-budget ou não ter endereço fixo!
    Taí o link e espero uma opinião sua! Abraço!

    https://www.facebook.com/JorgePeloMundo

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