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Social Media Week SP: o reflexo de uma sociedade em busca de maturidade

Rodrigo Ferreira

por
em às | Aventuras e celebrações, Debates, PdH Shots


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Semana passada tive a oportunidade de assistir a três palestras no Social Media Week, o maior evento do mundo sobre mídias sociais, que acontece simultaneamente em 9 cidades do planeta.

Curiosamente, as três conversas tornaram-se, a meu ver, contraditórias, porém complementares à forma como entendo a comunicação e, principalmente, a sociedade brasileira. De cara, vamos às palestras e alguns pontos que gostaria de ressaltar:

1. “Quantos, quem, onde, por que somos?”, com Renê de Paula (Locaweb) e Gil Giardelli (ESPM/Gaia), mediado por Pedro Doria (Estadão).

Créditos: Oi Acontece

A discussão girou muito sobre o valor das mídias sociais, sua influência na sociedade brasileira e também sobre o perfil do público usuário. A indagação de um dos palestrantes que mais me chamou a atenção (não vi quem era pois estava sentado atrás de uma pilastra no único ponto vazio possível de permanecer na sala) foi a de que a sociedade brasileira não aprendeu a usar as mídias sociais. Que marcas, empresas e pessoas criam blogs, perfis no Twitter, fan pages no Facebook e não conseguem mantê-las. Que é fácil criar, difícil é continuar. E sugeriram que o motivo disso é que o único uso de massa web brasileira é para fazer graça e comentar o Big Brother.

2. “Desvendando @s”, com Bia Granja e os tuiteiros @NairBelo, @MussumAlive e @HebeCamargo.

Créditos: Oi Acontece

A conversa uniu o público à apresentadora para tentar se aprofundar sobre os perfis (físicos e pessoais) de quem mantém os perfis fakes de celebridades no Twitter.

O painel foi exatamente uma celebração exata do perfil (social) criticado no papo anterior. Pessoas comuns, que utilizam as redes sociais para fazer graça, tem pouco a acrescentar em termos de conteúdo e reflexão e são idolatradas por uma imensa massa de seguidores. Os três perfis somam juntos mais de 200 mil seguidores no Twitter.

3. “Voz e visão do presidente”, com Fábio Barbosa, presidente do Conselho do Banco Santander.

Créditos: Oi Acontece

A palestra teve como foco a mudança do mundo, do país e das pessoas. Com destaque para a interdependência entre economias, culturas e pessoas no mundo atual. Fábio, entusiasta da sociedade Wiki, usou de dados para comprovar a evolução do mundo, o crescimento estável e notável do Brasil e o Banco Santander como um modelo de construção colaborativa por um mundo melhor.

Como principal destaque vejo sua saudável obsessão pela valorização do indivíduo como responsável pelas mudanças do mundo. A necessidade de ser exemplar e dar exemplo para realizar conquistas pessoais que se revertem em vitórias sociais.

Findado o resumão das três palestras, vamos ao que interessa.

Não, eu não fui nesse papo com a Mirian Bottan e a Tessália (deve ser coisa do editor).

Somos uma sociedade bebê

Um comentário muito específico do Fábio Barbosa me fez estabelecer, imediatamente, todas as conexões entre os três assuntos tão diferentes abordados em sequência. E chegar a algumas conclusões que já eram motivo de assunto de mesa de bar entre minha namorada, um grande primo e eu. A resposta para a indignação dos primeiros palestrantes é simples: vivemos em uma sociedade que ainda está em processo de amadurecimento.

Fábio disse, já quase no final de sua participação, que tinha acabado de voltar de Oxford, onde sua filha estuda Direito Ambiental. O palestrante disse ter ficado impressionado com o nível aprofundado e pertinente das discussões estabelecidas no curso de sua filha. E que aqui no Brasil, onde deveríamos ser o centro de todas as principais discussões de proteção ao meio ambiente, não havia grandes indícios de tamanha preocupação e estudos científicos tão aprofundados.

O presidente do Conselho do Banco Santander está certíssimo. A resposta que une os 3 temas talvez seja uma simples linha do tempo:

  • No final do século XI, em 1088, surgiu a primeira universidade do mundo, em Bolonha, na Itália. Oxford, universidade citada, data de 1096.
  • A Universidade de Coimbra, em Portugal, surgiu em 1290.
  • Em 1912 foi fundada a primeira universidade do país, a Universidade Federal do Paraná.
  • A primeira universidade brasileira com um campus foi a de Brasilia (UnB), criada em 1962.

A resposta à pergunta dos primeiros palestrantes e à preocupação de Fábio Barbosa está no próprio desenvolvimento científico do nosso país. Enquanto ainda éramos índios sendo explorados, o mundo já produzia conteúdo crítico e desenvolvia o pensamento científico, algo que apenas mais recentemente é compartilhado com facilidade.


Link YouTube | Fabio Barbosa no TEDxSP (2009)

Há apenas 50 anos o Brasil tem a preocupação de unir diferentes campos da ciência e estudá-los de maneira científica e crítica. Sem desprezar, é claro, qualquer estudo realizado previamente, destaco aqui apenas a constituição de um ambiente amplo e puramente acadêmico.

Nossa sociedade é uma criança sendo alfabetizada pelo Twitter, recebendo milhões de informações para a sua formação pelos mesmos métodos de compartilhamento elogiados por Fábio Barbosa. Estamos sujeitos a erros e acertos aprendendo a caminhar como país em um mundo que vive a revolução mais veemente de sua história.

Nosso povo carece de pensamento crítico. Não nos falta vontade, nem nosso perfil merece ser eternamente almadiçoado. Ainda não chegamos na adolescência e nosso melhor brinquedo é o Orkut.

Enquanto os debatedores do primeiro painel citavam a ausência de redes sociais puramente nacionais, já que valorizamos apenas as criações exteriores, eles esquecem de que por aqui ainda há muito a construir antes de trocarmos os dentes.

A nossa sociedade, com todos os defeitos que lhe são naturais, mostra imensa desenvoltura em ser a que mais interage em um mundo tão conectado. Falando de BBB ou com celebridades esquizofrênicas como os fakes, ao menos mostramos ao mundo que já sabemos falar.

Fábio Barbosa pontuou que a mudança é irreversível. Nosso crescimento é impossível de parar. Não falo, assim como o palestrante não falou, sobre economia. A evolução (muito melhor que mudança) é da própria sociedade. Nada mais natural do que evoluir.

Nosso perfil atual, com políticos corruptos, desvalorização do bem-sucedido e endeusamento do malandro, entre tantos outros problemas sócio-culturais, nada mais mais é do que um estágio do nosso próprio aprendizado.

Se em sua palestra Fábio jogacom justiça a responsabilidade desta mudança de atitude no ombro dos indivíduos, eu devolvo a pergunta: se somos nós os responsáveis por separar o lixo, manter nossos valores, escolher nossos líderes políticos e também as empresas de quem compraremos nossos produtos, qual o papel da iniciativa privada para auxiliar neste processo de amadurecimento? Como acelerar o aprendizado e exercitar o pensamento crítico? Qual o papel das marcas para contornar esta nossa defasagem evolutiva que tanto é rotulada como inerente ao nosso povo, nossa cultura e nosso “jeitinho brasileiro”?

Rodrigo Ferreira

Rodrigo Ferreira (@rferreira_) é jornalista ou publicitário, depende da ocasião. Criador e editor do OsGeraldinos.com.br. Adora escrever sobre esportes e não foge de um bom papo com cerveja gelada na mesa.


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  • Pingback: Tweets that mention Social Media Week SP: o reflexo de uma sociedade em busca de maturidade | Papo de Homem – Lifestyle Magazine -- Topsy.com

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Só faltou um detalhe a mencionar: essas próprias discussões em si mesmas são reflexos das patologias brasileiras tipicas, algumas apontadas e ainda outras não apontadas, que encontramos de forma grave aqui: 1-sociologismo e 2-messianismo. Eles são parte do problema e não a solução, por exemplo:

    Enquanto os debatedores do primeiro painel citavam a ausência de redes sociais puramente nacionais, já que valorizamos apenas as criações exteriores, eles esquecem de que por aqui ainda há muito a construir antes de trocarmos os dentes.

    Essa de “puramente nacional” é pra rir, o povo deveria criar vergonha e aprender inglês, assim acompanhando chineses, russos, arabes e o resto do mundo.

    • http://twitter.com/LucasMalto Lucas Freitas Malto

      Muito bem mencionado.

      Nacionalismo é uma ideologia retrógrada, uma visão arcaica de mundo.
      O maior beneficio da globalização é justamente a miscigenação cultural. Estamos agregando o que é bom de cada cultura e generalizando; criando uma cultura mundial cada vez mais homogênea.

      Não estou falando para encher a geladeira de coca-cola, comer bacon no café da manhã e morrer aos 30 de arteriosclerose. Temos que saber identificar o ponto forte de cada cultura (pois com a globalização, os pontos fracos dos países também são difundidos).

      Ai vem a “maturidade” citada no texto, da qual precisamos (a âmbito nacional).
      Then… Let´s get to work.

      • macedo

        Nao concordo com vc, a identidade nacional vem na frente de qualquer influencia vinda de fora. Eu acredito no amor a patria como a forma mais eficiente de evoluçao intelectual.

  • Ricardo munhoz

    muito bom Ro.

  • http://twitter.com/LucasMalto Lucas Freitas Malto

    Muito interessante a alusão: “Nossa sociedade é uma criança”, sem dúvida uma maneira mais otimista de se ver nosso país.

  • http://twitter.com/LucasMalto Lucas Freitas Malto

    Muito interessante a alusão: “Nossa sociedade é uma criança”, sem dúvida uma maneira mais otimista de se ver nosso país.

  • Cristian Derosa

    O que tranca o desenvolvimento intelectual do Brasil é a preocupação histórica com a criação de uma cultura puramente nacional. Não há problema em ter um mundo acadêmico recente. O problema está em renegar o que foi feito desde a primeira universidade humana. Isso é culpa da “cultura nacional” que sempre se pretendeu. Chega-se a uma cultura nacional após séculos de aprendizado do que foi feito antes, muito antes. Para a maturidade do brasileiro, restaria uma sugestão muito simples: leitura de clássicos da literatura mundial e assimilação do que de melhor a civilização humana fez, ao invés de ficar tentando criar uma cultura do nada. Uma prova disso foi o Modernismo de 22, uma arte nula e sem significados que até hoje é adorada só por ser brasileira. A desgraça aumenta quando cria-se um meio universitário num ambiente destes… só pode servir de palco de negociações e panelas clientelistas, como de fato é. Por isso é que não há produção de ciência no Brasil, só de tecnologia.

    • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

      Concordo, expressou melhor o que eu quis dizer com o meu comentário.

      O sociologismo brasileiro, para ficar mais claro -> enquanto “gringos” se reúnem para discutir lucros, viabilidade dos projetos e.t.c., nós brasileiros nos reunimos para discutir o potencial uso disso para a “salvação nacional”(!!!!!).

      A tecnologia é apenas uma ferramenta na mão do homem, como diz o estoicismo:

      “o homem deve bem usar as coisas e não ser bem usado por elas”. As mídias sociais são ferramentas.

      O mau uso ou bom uso da ferramenta é um reflexo da situação do homem; e não é a situação do homem, um reflexo do mau uso da ferramenta.

    • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

      Concordo, expressou melhor o que eu quis dizer com o meu comentário.

      O sociologismo brasileiro, para ficar mais claro -> enquanto “gringos” se reúnem para discutir lucros, viabilidade dos projetos e.t.c., nós brasileiros nos reunimos para discutir o potencial uso disso para a “salvação nacional”(!!!!!).

      A tecnologia é apenas uma ferramenta na mão do homem, como diz o estoicismo:

      “o homem deve bem usar as coisas e não ser bem usado por elas”. As mídias sociais são ferramentas.

      O mau uso ou bom uso da ferramenta é um reflexo da situação do homem; e não é a situação do homem, um reflexo do mau uso da ferramenta.

    • Rodrigo

      Cristian, concordo e discordo. Acho que o povo brasileiro vive uma esquizofrenia crônica, entre se auto afirmar a todo momento e se renegar sempre. O brasileiro é muito brasileiro para algumas coisas e para outras é completamente “anti-brasileiro”.

      As ferramentas das mídias sociais são, como tentei dizer no texto, a forma como hoje temos de nos alfabetizar. Temos, pela primeira vez na história, a chance de “corrigir” esta defasagem histórica com o acesso livre a todas as demais culturas, seja conversando, pesquisando, lendo ou até visitando museus virtuais pela web. Eis o grande salto cultural que a web possibilita.

      Isso não será solução, porque o brasileiro ainda não tem a cultura de aprender, pesquisar, ensinar, compartilhar conhecimento via redes sociais. Alguns sim, conseguem transmitir isso. Mas a grande massa ainda não tem acesso a este tipo de conhecimento e educação.

      Não acho que criaremos uma cultura do nada. Acredito apenas que ainda não temos uma identidade nossa de fato. E o que um dia poderá ser considerada a “cultura brasileira” pode ser um cultura plural e mundial, pois ao que tudo indica, cada vez menos as barreiras da língua, dos costumes e da geografia serão barreiras para a juventude.

      Acredito que seremos, se já não somos, a cultura das mídias sociais em essência, daqueles que querem, acima de tudo, estar “trocando” com pessoas de todo o mundo.

    • Rodrigo

      Cristian, concordo e discordo. Acho que o povo brasileiro vive uma esquizofrenia crônica, entre se auto afirmar a todo momento e se renegar sempre. O brasileiro é muito brasileiro para algumas coisas e para outras é completamente “anti-brasileiro”.

      As ferramentas das mídias sociais são, como tentei dizer no texto, a forma como hoje temos de nos alfabetizar. Temos, pela primeira vez na história, a chance de “corrigir” esta defasagem histórica com o acesso livre a todas as demais culturas, seja conversando, pesquisando, lendo ou até visitando museus virtuais pela web. Eis o grande salto cultural que a web possibilita.

      Isso não será solução, porque o brasileiro ainda não tem a cultura de aprender, pesquisar, ensinar, compartilhar conhecimento via redes sociais. Alguns sim, conseguem transmitir isso. Mas a grande massa ainda não tem acesso a este tipo de conhecimento e educação.

      Não acho que criaremos uma cultura do nada. Acredito apenas que ainda não temos uma identidade nossa de fato. E o que um dia poderá ser considerada a “cultura brasileira” pode ser um cultura plural e mundial, pois ao que tudo indica, cada vez menos as barreiras da língua, dos costumes e da geografia serão barreiras para a juventude.

      Acredito que seremos, se já não somos, a cultura das mídias sociais em essência, daqueles que querem, acima de tudo, estar “trocando” com pessoas de todo o mundo.

  • Cristian Derosa

    O que tranca o desenvolvimento intelectual do Brasil é a preocupação histórica com a criação de uma cultura puramente nacional. Não há problema em ter um mundo acadêmico recente. O problema está em renegar o que foi feito desde a primeira universidade humana. Isso é culpa da “cultura nacional” que sempre se pretendeu. Chega-se a uma cultura nacional após séculos de aprendizado do que foi feito antes, muito antes. Para a maturidade do brasileiro, restaria uma sugestão muito simples: leitura de clássicos da literatura mundial e assimilação do que de melhor a civilização humana fez, ao invés de ficar tentando criar uma cultura do nada. Uma prova disso foi o Modernismo de 22, uma arte nula e sem significados que até hoje é adorada só por ser brasileira. A desgraça aumenta quando cria-se um meio universitário num ambiente destes… só pode servir de palco de negociações e panelas clientelistas, como de fato é. Por isso é que não há produção de ciência no Brasil, só de tecnologia.

  • Anônimo

    qual o papel da iniciativa privada para auxiliar neste processo de amadurecimento? Como acelerar o aprendizado e exercitar o pensamento crítico?

    O papel dela é retardar o pensamento crítico. Pensar em quais empresas tem o poder de demonstrar valores e atitudes com facilidade ao grande público através da televisão e principais sites da internet. Agora pense que todas essas empresas precisam de um consumismo muito forte para se manterem aonde estão , pois , em sua linha de produto , todos os produtos seriam evitados com o pensamento crítico.Pois ,ou os produtos fazem mal , ou são descartáveis ou servem apenas para enganar o público.

    Se a população fosse crítico no ato do consumo :
    O que seria dos bancos sem os parcelamentos de imóveis em 30 anos com juros de 11% ao ano ?
    O que seria das casas bahias da vida se o sonho da classe média não fosse comprar um TV de 29″ polegadas para assistir ao BBB e as propagandas entre um bloco e outro?
    O que seria dos fabricantes de comida industrializada que envenenam nosso corpo?

    a resposta é simples : não seriam.
    Por isso que a propaganda é tão importante hoje , para agregar falsos valores a seus produtos.

    Infelizmente resta as pequenas e médias empresas criarem produtos sensatos e ainda por cima despertar o olhar crítico do público sobre o que consome. É uma grande missão para poucos recursos não acha?

  • http://www.facebook.com/verossimil Erico Verissimo

    Sintomática a presença nesse evento de Mirian Bottan (“musa blogger que não bloga”) e Tessália (hoje mais “ex-BBB” do que @twittess ou “scriptess”). Debatendo (perdão!) o quê? As COXAS? São, perdoem-me ambas (belas, belíssimas), FAKES de si mesmas.

  • http://www.facebook.com/verossimil Erico Verissimo

    Sintomática a presença nesse evento de Mirian Bottan (“musa blogger que não bloga”) e Tessália (hoje mais “ex-BBB” do que @twittess ou “scriptess”). Debatendo (perdão!) o quê? As COXAS? São, perdoem-me ambas (belas, belíssimas), FAKES de si mesmas.

  • Rafael Dorcel de Souza

    “…o único uso de massa web brasileira é para fazer graça e comentar o Big Brother”

    No meu caso é só para seguir a pdh e comentar aqui rsrsrs

    Eu não me dou o direito de colocar minha opinião sobre isso aqui porque eu sei que ela é preconceituosa, mas infelizmente é a verdade, então vou ficar apenas nisso mesmo.

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