Sobre flanelinhas e o que (não) podemos fazer a respeito deles

Isabella Ianelli

por
em às | Artigos e ensaios, Carro, Ladies Room, PdH Shots


Quem mora em uma grande cidade, conhece bem a cena: você encontra um lugar para parar na rua. Suspira aliviado, sabendo que está prestes a economizar a facada do estacionamento. É aí que ele chega, sempre de surpresa. Malandro, moleque, às vezes bêbado, outras muito profissional. O flanelinha.

Te chama de chefia, amigão, bonita, parceiro, e pede aquela colaboração ligeira – que pode ser em forma de esmola ou pode soar ameaçadora e te fazer cogitar seriamente tirar o carro de lá. Pelo menos em um estacionamento você lê a frase “com seguro”, acima do “R$15,00″.

A notícia que corre pelo Facebook é verdade: a cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, sancionou uma lei que proíbe a ação dos flanelinhas. Nada mais justo. Para quem nunca passou pelo ocorrido, pode soar estranho e uma medida exagerada, mas não é.

Se você decide parar em uma rua de São Paulo controlada por alguns que se intitulam donos, tem que pagar o estipulado ou tirar o carro de lá, sob o risco de voltar e encontrá-lo todo riscado. Não há polícia que detenha os flanelinhas, que em alguns lugares já atuam de maneira muito “profissional”, cobrando dos motoristas por hora e ressaltando há quanto tempo estão na área e demonstrando um grande esquema de trabalho.


Link YouTube | “Dez reais é caro? Então tem que falar com o rapaz lá de baixo, que é da administração…”

Não faz muito tempo, decidi ir à Pinacoteca do Estado de carro e fui abordada por um flanelinha de esquema profissional. Narrei o episódio neste texto. Ele me pediu um absurdo, e eu fechei a cara, falei um monte e tirei o carro de lá. Parei em um posto policial do outro lado da rua, a cerca de 100 metros do lugar. Expliquei a situação, enquanto os policiais nem me olhavam, distraídos com qualquer coisa que não fosse a minha história.

Disseram que não há o que fazer. Que eu poderia ir a uma delegacia fazer um Boletim de Ocorrência, que eles chamariam o indivíduo, que negaria tudo, seria solto e continuaria a agir.

Sem uma medida específica para o caso, nós, as vítimas, somos duplamente prejudicadas: quando nas ruas, pela ação deles, e perante a polícia, para quem devemos provar que fomos extorquidas. Temos que esperar a polícia, prestar queixa e aguardar para que o sujeito volte a ter sua ação no mesmo local em menos de 24 horas.

Não é certo que se apropriem do espaço público, que cobrem por um local que é tão nosso quanto deles. Não é correto que a polícia não possa nos defender com queixas anônimas, que tenhamos de pegar nossos carros como fugitivos, para não pagarmos o que foi exigido por quem nada pode exigir. Ora, é preciso menos de dez minutos no local para saber se há algum dono da rua no pedaço. Algum com colete fluorescente, com o informe segurança particular ou apenas olhar malandro e pilha de notas no bolso. Basta encostar a viatura e esperar para que eles tragam o preço da hora no quarteirão.

Isso não é certo. Mas só em Novo Hamburgo há uma lei dizendo que é errado. O resto do país aguarda.

Isabella Ianelli

Pedagoga interessada em arte, educação e na interface misteriosa entre ambas. Escreve no blog Isabellices e responde por @isabellaianelli no Twitter.


Outros artigos escritos por

Conheça nosso projeto editorial

O texto acima não representa a opinião do PapodeHomem. Somos um espaço plural, aberto a visões contraditórias e entusiasta do embate saudável. Conheça nossa orientação editorial e a essência do que fazemos. Você pode comentar abaixo ou ainda nos enviar um artigo para publicação.


RECEBA PDH POR EMAIL

Enviamos apenas um email por dia com todos os textos e shots que selecionamos a dedo para os leitores não perderem tempo.


EM DESTAQUE

43 comentários

Dê vida ao PapodeHomem, para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual comentou. Leva 2 minutos.

Queremos uma discussão de alto nível, sem frescuras e bem humorada. Portanto, leia nossa porra de Política de Comentários.


  • Mauricio

    O que paga-se aos flanelinhas é a chamada “taxa de não-agressão”. Lembro de uma vez que fomos a uma festa em Niterói, e o flanelinha cobrou 5 pratas, barato até. O dono do carro ia pagar, mas um do grupo, que era folgado pra caceta, resolveu argumentar com o cara para pagar na volta.

    Resultado: Chegamos e os dois retrovisores estavam no chão, e o flanelinha já tinha obviamente sumido… E o folgado ainda falou: “Isso vai ficar assim?”

    Mermão, estourei com ele: “Vai fazer o que, subir o morro e achar o cara? Pensa, porra!!”. Barato que saiu caro, e nem foi o folgadão que pagou!!

    Foda. Só estaciono na rua quando não tenho mais opção MESMO!! 

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      Eu estaciono sempre na rua, faço malabarismo e procuro lugar sem flanelinha. É difícil. Mas se sou abordada por um com “preço fixo”, vou direto pro estacionamento (que não é lá grandes garantias também)… ;-)

      • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

        Manobrista de estacionamento, se deixar, é uma raça ainda pior que flanelinha. Parei de usar qualquer tipo de estacionamento em que eles precisem “brincar de tetris” com meu carro -pois tinham sempre a desculpa perfeita para quando eu notasse aquela alteração no marcador de quilometragem. (Mas nunca para aqueles arranhões inexplicáveis no meu parachoques)

    • Rodrigo Cambiaghi

      O famoso esquema da Mafia: pagar por proteção contra eles mesmos.

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Pois é, se pensarmos que a polícia não conseguia (e não consegue até hoje) acabar com a Cracolândia, imagine se vai ter empenho para acabar com uma coisa tão disseminada pela cidade, inofensiva e vista como “jeitinho brasileiro”…

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

    Aqui entre a Bela Vista e a Liberdade eles brotam do chão como formigas. Você deixa o carro, e somente quando vai embora é que o flanelinha, tal qual um ninja, surge das sombras para te cobrar aquele “derreau” por ter ficado “olhando” o carro. E eu já cancei de dar perdido neles.

    Certa vez pedi que um amigo puxasse papo com o flanelinha e depois me esperasse na outra esquina. Só porque nenhum de nós tinha dinheiro algum na carteira. Em outra ocasião atiraram uma pedra na trazeira do meu carro. Ainda não removi o pequeno e pouco notável amassado. Nem os riscos. Nem a tampa do gancho do parachoques. É, até a porra da tampa.

    Ou essa lei se extende logo pro resto do Brasil, ou prevejo que acabarei no xilindró. Por homicídio doloso =)

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      Tô esperta também em sair correndo. ;-)

  • Henrique

    Há cerca de um mês fiz uma denúncia por e-mail na Rádio Band News FM sobre a atuação de flanelinhas que cobram MENSALIDADE nas ruas próximas a Avenida Brigadeiro Faria Lima em São Paulo.
    A jornalista Tatiana Vasconcellos me telefonou e gravou uma reportagem de cerca de um minuto e foi ao local para averiguar a denúncia.
    Depois da reportagem, entramos em contato com a Polícia Militar que fez pouco caso do assunto e disse a mesma coisa: Faz um B.O., nós interrogaremos o flanelinha, ele negará tudo e ficará por isso mesmo.
    É ridículo ter que se submeter a isso.

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      Que absurdo, Henrique! Perto da PUC também rola mensalidade, com cones guardando o lugar dos pagadores… Como a polícia não age?

      Por isso precisamos desta lei… Não podemos nós fazer B.O., uma denúncia anônima tem que bastar!

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Não entendo esse lance de regularizar a profissão de flanelinha. Li numa matéria que o motorista paga ao guardador se quiser. Mas aí voltamos em tudo: paga-se pelo espaço público e vai a gente não pagar e aguentar uns riscos no carro? Não, né? Somos extorquidos assim também.

  • http://papodehomem.com.br/ Gus Fune

    Nome disso é extorsão. Não tem mais o que falar.

    Se acha ruim a situação em SP, e em Brasília que eles tem um colete dizendo que ‘são registrados’ e tem até um telefone para reclamações. DESDE QUANDO ser vigia é profissão?! Pelo menos esses registrados, não reclamam se vc n paga nada…

    Maior absurdo ainda foi uma vez em SP que um veio pedindo R$ 10 pra estacionar e eu falei que não tava com dinheiro, que ia pagar a balada no cartão (sempre uso essa pra esquivar dos caras). Eis que o sujeito me aparece uma máquina da Cielo: tem problema não chefia, aceito Visa e Master. WHAT THE FUCK!?

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      hahahaha! 

      Fiquei sabendo aqui pelos comentários desse lance de registro da “profissão” em PoA, não sabia que estava rolando em Brasília também. Acho uma solução péssima, qual a garantia de não pagar e deixar o carro lá com o cara? Daqui a pouco tempo ele já estará exigindo que se pague por baixo do pano…

      • Luciano

        Concordo.

        Regularizar é o caralho. Não tem que tratar esses vagabundos como gente, mesmo regularizando eles vão riscar.

        Você que sofre com isso, filma. Liga a camera filma a cara do filho da puta e pergunta ” TENHO QUE PAGAR PRA FICAR AQUI, fala teu nome fdp ? ”

        Assusta o barriga de verme.

        Depois vai na polícia.

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      HUAUHAHUHUAUHAHU

      Flanelinhas geeks.

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Eu entendo, Mark, mas, geralmente, quem sente vontade de prestar queixa é alguém que sempre para no mesmo lugar. Que precisa da vaga, que frequenta o lugar. Qual a minha proteção como cidadã? Faço o B.O. (que não dará em nada, como os policiais mesmo afirmam) e amanhã volto para o mesmo lugar com o cara me encarando?

    Com uma lei de proteção, o policial que percebe que o sujeito está usando colete, com pilha de nota e desinibido mandando e demandando na rua, já tem provas suficientes. Bastam alguns minutos de observação, como fez o vídeo da reportagem…

  • http://www.facebook.com/people/Daniel-Souki/100001810640281 Daniel Souki

    Eu nunca paguei e quando eu pago é alguns centavos.

    E olha que aqui na minha cidade tem uma quantidade grandiosa de flanelinhas, principalmente no único shopp da cidade.Já vi pessoas fazerem justiça com as proprias mãos e os flanelinhas hoje pensam duas vezes antes de pedir dinheiro pela segunda vez.

  • http://www.facebook.com/valsortiz Valquíria Sampaio Ortiz

    Aqui em Pelotas, a coisa é mais tranquila, pelo menos no centro. Os próprios flanelinhas correm os mais abusados, porque sabem que esses prejudicam a “profissão”. Como eles tem pontos fixos, dá pra saber onde estacionar tranquila que o cara vai cuidar de verdade.
    Mas tem outra coisa que faz com que eles se comportem por aqui: a iminente aprovação do estacionamento rotativo. Como ninguém quer, todo mundo colabora…

  • Rodrigo Cambiaghi

    Ouvi uma história de um cara que deixa o Rottweiler treinado dentro do carro, com as janelas abertas.

    Ele não paga flanelinha e nem toma multa.

    • Alex Mamed

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Nunca havia pensado nisso!

  • Rafa

    O que mais me chamou a atenção nessa história toda é a nossa percepção sobre que é público. O flanelinha se apropria da calçada e cobra aluguel de quem quiser estacionar. Só que a rua não é terra de ninguém: ela é pública. Tão minha quanto dele quanto de qualquer pessoa.Eu acho ótimo que seja aprovada uma lei como essa. É uma iniciativa bacana pra fazer a gente acordar pra vida e mudar nosso entendimento das coisas. Significa que começamos a passar da etapa de reclamar e caminhamos para a etapa de fazer algo efetivo.

  • http://twitter.com/edegar EDEGAR NEUMANN

    Meu primeiro pensamento, quando vi a história da Lei, foi: Putz, mais uma lei pra regulamentar o que não precisa!
    Sim, pois o espaço é público, o estacionamento na rua, quando muito, tem a regulamentação de ser rotativo, controlado pelos funcionários municipais. De resto não haveria porque se pagar a mais ninguém. Portanto, se alguém cobra, é extorsão! Não precisaria de mais nenhuma regulamentação
    Mas realmente surge o problema de se provar. Como obter provas?
    Mas será que precisa provar alguma coisa? Talvez, com a lei, e dependendo de como ela for redigida, já daria para botar moral na situação. Se o policiamento puder tomar alguma atitude, nem que seja levar pra delegacia, preencher um termo e liberar. Numa próxima vez, já tá lá a ficha do cara e aí a coisa começa a tomar forma.
    Alguém criticou que não podemos esperar só da polícia um posicionamento, mas se não esperarmos isso da polícia, como faremos? Eu não vou arriscar minha integridade física, ou meu patrimônio, desafiando diariamente estes caras. ONGs??? Já existem, eles próprios montam as associações deles…

    Talvez a lei proibindo seja o caminho mesmo. Contanto que não fique só no papel e que o cidadão preste queixa E que seja atendido!

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      Também tenho esse medo, Edegar: denuncio, fico ali esperando os policiais para fazerem B.O. do cidadão, perco meu tempo, minha vaga (ou vocês acham que eu ainda pararei ali?) e no dia de amanhã se passo por lá o cara tá de volta e me ameaçando cinco vezes mais. Somos vítimas, não temos que provar, temos que ser protegidos…

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu acho que os flanelinhas são só a ponta do iceberg, o que a gente tem de incorporação do público pelo privado espalhado por aí, desde de barzinho que inviabiliza o uso do calçamento, estabelecimento comercial que se apropria da calçada para fazer estacionamento ou que tem a cara dura de reservar pedaços da pista para estacionamento com cones de sinalização…

    • Rodolfo Viana

      Falou tudo, Leonardo. Essa apropriação do público pelo privado é um dos nossos grandes males. Em todos os sentidos, em todas as esferas, não exclusivamente no espaço urbano.

  • Rodolfo Viana

    Talvez isso valha um texto, Marcel. Mas este aqui fala de flanelinhas. Não tem por que mudar o foco e falar de alhos num texto sobre bugalhos. ;-)

    E, quando eu digo que “talvez isso valha um texto”, sou muito reticente. Afinal, como você mesmo disse, são estacionamentos privados, com um dono que tem autonomia para cobrar 5 ou 50 reais. Cabe a nós ver se pagar vale a pena.

    • Mauricio

      Falou tudo, o estacionamento é privado, paga quem quer, e não é espaço público que está sendo utilizado.

  • Hugo Filho

    Coisa mais imbecil! Mande o endereço de onde existe flanelinha. Eu mando o mapa do Recife todo pra eles porque eles estão por toda parte!

  • Claudio Tavares

    O maior argumento para a total inutilidade do flanelinha é que você não encontra ninguém que diga: “Pôxa, mas não tem flanelinha nessa rua. Onde estão os lfanlelinhas quando a gente precisa?!” Ninguém jamais dirá algo do tipo. Entre as atividades, digamos marginais, nas ruas, as pessoas procuram por camelôs, dvds e cds piratas, prostitutas e espetinhos de gato, mas flanelinha… NUNCA!!

  • Mark

    Isabella, realmente é muito chato fazer BO. Mas hoje, pelo menos aqui em Brasília, podemos fazer pela internet. Isso facilita muito.
    Concordo com vc que a inteligência da polícia deve agir. Mas isso não resolve o problema. Prendem-se 10, criam-se 20 flanelinhas. É igual traficante, prende um e já tem outro pra assumir o lugar.
    O melhor mesmo é a lei de Novo Hamburgo. Foi a melhor solução que vi.

  • Renato Monteiro Barbosa

    Belo Horizonte possuia um projeto piloto de cadastramento de flanelinhas, no principio funcionou legal, mas a falta de fiscalização fez o projeto cair no esquecimento.
    Uma forma simples de “regularização” de Flanelinhas, todos eram cadastrados e possuim um número com o registro, BEM VISIVEL na frente e nas costas do colete. Eles não podiam cobrar valor fixo e nem antecipado da mesma forma que você não era obrigado a contribuir. 
    Caso ocorresse qualquer forma de estorção, você ligava e denunciava o Flanelinha.

    O que provavelmente ocorreu foi a má fé dos flanelinhas não cadastrados que ligaram denunciando os concorrentes.

    Mas ainda é possivel encontrar alguns que se dizem cadastrados. Não sei informar se o projeto continua ativo pela prefeitura de BH, o que vejo nas ruas me faz crer que ele foi desativado.

  • http://www.facebook.com/beto.leonardo Beto Leonardo

    Eu não pago para usar aquilo que já é meu.
    Eu não pago flanelinha!

  • AlexandreS

    SE LIGA na estratégia do fdp!

    Concordo com o Mauricio que disse: O que paga-se aos flanelinhas é a chamada “taxa de não-agressão”.
    Recentemente me tornei pai. No dia em que chegamos ao hospital para trab de parto, não tinham vagas no estacionamento do hospital e tive que partir pro privado. R$30 a diária. Iria ficar 3 dias lá. pqp!
    Pra n ficar muito grande a historia, vou resumir assim:
    Cheguei na rua vi uma vaga em FRENTE ao hospital (um milagre) e estacionei todo feliz. Como era na madruga, n tinha ninguem mas no dia seguinte…
    Eu que n era bobo nem nada, nem chegava perto do carro pq era o que eles esperavam. Identificar o dono pra cobrar a taxa. Precisei ir no carro :( e logo chegou um fdp cheio da ginga dizendo: E ai chefe! Tâmo ae.
    Sem pensar muito, desembolsei 5 pratas e deixei na mão do cara e falei: num deixa niguém zuar o carro não hein. Ele mandou assim: tranquilo patrão.
    Depois disso pensei: Apesar de achar absurdo ter que pagar pra ficar num espaço público e tão meu quanto dele pensei: porra, 5 merréis tá tranquilo. Não são 30.
    Pensei: Só volto no carro pra ir embora. Desci pra tomar um café e me deparei com a estratégia desenvolvida pelos fdp pra identificar o dono.
    Eles levantam o limpador caracterizando uma “mexida” no carro.
    Pensei: hummm que filho da puta. O conceito de estratégia, em grego strateegia, em latim strategi, em francês stratégie…
    Pra resumir, eu poderia ficar quieto e n dar porra nenhuma pro fdp mas correria um risco grande de ter o retrovisor quebrado, carro arranhado, amassado, pneu furado e com minha filha recem nascida n queria um pneu furado na saída do hospital né.
    Cheguei perto do carro, abaixei o limpador e tava só esperando ele chegar.
    Na mesma malemolência de sempre, chega ele com aquele gingado e tal e percebi que tinha sido promovido, e de chefe, virei DIRETOR. Fala ae diretor. Aquele café esperto pra ajudar o amigo.

    O que mais me deixou PUTO foi ele dizer: Levantei o limpador pq a gente costuma dar aquela moral, uma limpadinha e tal mas ai parei pra atender o patrão ali..(outro babaca como eu que daria dinheiro pra ele).
    É achar q sou babaca né? Me tirar de otário. Mas o que podia fazer? Arriscar ter um prejú de 500 ou morrer em mais 5 merréis. Foda né? A gente acaba pagando por medo!

  • Alexsandro

    Vi muita coisa aqui, mas pelo jeito ninguém atentou para isso aqui: 
    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1970-1979/L6242.htm aguardo comentários! Abs!

  • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

    Classe média sofre, né?

  • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

    Todos nós sofremos independente de classificação. Todos temos problemas. A dimensão que damos a eles e a forma de resolvê-los é que permite a existência de críticas como a do Classe Média Sofre. Eu entendo que a proposta dessa iniciativa não seja calar todos aqueles que reclamam de seus problemas em função da existência de outros mais necessitados, mas a de espetar aqueles que estão dando uma dimensão maior a seus problemas sem conseguir enxergar o mundo ao redor. Olha esse aqui: “A empregada não veio trabalhar hoje, ela mora perto do pinheirinho e eles estão queimando ônibus e etc. Agora eu tenho que arrumar a casa”. Foda-se que várias pessoas estão brigando por um direito básico, o  de moradia, o problema é que agora eu vou ter que fazer o “trabalho indigno” de limpar a casa, né? É um problema ter que limpar a casa uma vez que tou pagando alguém para fazê-lo (de repente pagamos por não termos tempo pra isso), é um problema chegarmos atrasados no nosso trabalho por que há gente protestando nas ruas, mas eu penso que é um problema menor diante do problema do outro e que podemos lidar com a situação sem entrar na posição de vítima.

    Flanelinha é chato. Eu não gosto. Eu faço muito do que falaram aqui: fujo, pago a taxa de não-agressão, uso estacionamento privado, etc. Gostaria de não precisar pagar para estacionar na rua assim como todos, mas apenas afasta-los das ruas ou jogá-los em celas não vai resolver o problema. Utilizar a repressão como solução é para mim o maior sinal de que se está com preguiça de pensar. Por que eles estão ali? Por que procuram uma atividade ilegal e pouco produtiva? Se a solução é utilizar da repressão, o que acontece quando eles sairem das ruas? Certamente eles não vão sumir e se há um motivo para procurarem uma atividade ilegal e pouco produtiva, o que garante que não vão buscar outro nicho? Aí a próxima solução vai ser reprimir de novo?

    Não tenho as respostas, antes que me pergunte, mas não consigo acreditar que apenas utilizar da força policial vai nos trazer grandes benefícios.

    Ah, e não vou nem discutir o problema de criar mais leis para resolver problemas que já estão enquadrados nas leis existentes…

    • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

      Legal sua posição, Thiago. Classe média sofre tudo junto, pelo que dá pra perceber aqui.

      A rua é de todos e a ação da polícia seria excelente para fazer valer essa ação. Sou privilegiada por ter carro. Mas, por isso, terei de pagar um pedágio a quem concluiu que é dono daquele pedaço da rua? 

      Uma lei nestes termos facilitaria a ação da polícia. Já tentei denunciar dois abusos (20 reais pra parar na rua) e desisti. Teria que ir até a delegacia, dar parte, os policiais voltariam ali, não teriam pego o cara em flagrante, ele negaria tudo. Ficaria elas por elas e eu, que frequento o lugar, ficaria marcada. Entende?

      Com uma lei, há proteção para a pessoa. Se, por mera observação, se conclui que o cara está abusando, exigindo dinheiro etc, o cara é autuado/intimado/preso, sei lá o que.

      Sei que a vida é dura. Mas nem por isso acho certo assalto em semáforo, flanelinha na rua, golpe do jogo, gente que dirige bêbada etc.

  • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

    “a rua é muito mais NOSSA” 

    Complicado dizer isso, hein? 

    • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

      Não acho complicado não …

      A RUA é uma via pública … e sua manutenção é paga pelos impostos, inclusive pelo abusivo IPVA !! Portanto caro Tiago, ela é muito mais nossa … daqueles que pagam seus impostos e esperam o mínimo de zelo da administração pública. Não acredito que exista a profissão flanelinha … e tb não acredito que eles tenham carros e que paguem seus impostos !!

      • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

        Não tou aqui defendendo os flanelinhas. Eles são chatos e não gosto tanto quanto todo mundo (arrisco dizer) que comentou e leu aqui, e como já disse num outro comentário que tá mais abaixo. próximo à minha casa existe um cruzamento com muitos flanelinhas e já tive que correr de um deles até, mas acredito que entrar nessa posição de “a rua é minha porque eu pago então manda esses caras pra bem longe daqui” não é a melhor forma de resolver o problema e foi isso que quis apontar no teu comentário.Mesmo que ficassemos nessa posição, não acho que seja tão simples definir quem é o dono da rua. Podemos definir que é o Estado e todos nós contribuintes, mas alguém pode questionar quem deu ao Estado (quem formou o Estado) não era o dono, que usou da força para se apropriar do espaço em algum ponto da história. Se foi correta essa atitude da força, perceba que é a mesma atitude dos flanelinhas: usam a própria força para se apropriar de um espaço que não é (só) deles.Além disso, o que é um espaço público? Um espaço que serve a todos? Ou o espaço público é um espaço privado coletivo cujos donos são os que pagam os impostos? Eu acho que deveria ser um espaço de todos.Eu não tenho carro, então não tenho direito à rua? Ou eu tenho porque pago outros impostos? Quais os impostos que me permitem ser “sócio” da rua? Será mesmo que o flanelinha não paga imposto?

      • http://www.baixinhoinvocado.blogspot.com Wagner Villa Verde

        Thiago … a questão não é sobre quem é ou não DONO da rua. Quando enfatizei que sou muito mais DONO dela do que eles, me referi aos impostos que pago. Se ele paga … ótimo. Terá o mesmo direito ao uso que eu tenho. Mas quem dá a ele o direito de me cobrar por estacionar um carro em VIAS PÚBLICAS ?? E pior … corro o sério risco de ter o veículo danificado caso não pague. Portanto cabe ao órgão público competente (no caso a polícia) impedir que esse tipo de ato ocorra.
        Não quero aqui dizer que os flanelinhas são criminosos … digo que o ato é criminoso. Se a via é pública eu tenho o direito de estacionar meu carro sem correr o risco de encontrá-lo danificado por não pagar uma taxa.

      • http://www.facebook.com/thiago.figueredo Thiago Figueredo Cardoso

        Ele não tem o direito de te cobrar isso. Concordo contigo, tá errado e deve ser combatido. Repressão policial é parte da solução, mas acho que tem que ir além disso.

  • Pingback: Boas ações, a maldita obrigação de dar esmola e os nossos preconceitos | Papo de Homem – Lifestyle Magazine

  • franci

     Eu não tenho carro,graças a Deus,poq se tivesse não pagaria para estes malditos flanelinha,na minha rua tem um que se acha o dono da rua,será que não tem lei para estes flanelinha,eu penso que:eles querem ganhar dinheiro facil.,vendendo lugares na rua que somos nós que pagamos empostos,queria q houvesse uma lei proibindo este tipo de coisa.

Papo de homem recomenda

Assine o Papo de homem

Curta o PdH no Facebook
  • 3458 artigos
  • 515425 comentários
  • 41599 Leitores no Feed RSS
  • leitores online

Lifestyle Magazine