Por que devemos parar de perseguir a autoestima e começar a desenvolver autocompaixão

Kristin Neff

por
em às | Mente e atitude, Relações, Traduções PdH


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Já se tornou quase banal em nossa cultura o fato de que precisamos ter auto-estima para sermos felizes e saudáveis.

Psicólogos têm conduzido centenas de estudos divulgando os benefícios da auto-estima. Os professores são incentivados a dar estrelas de ouro a todos os alunos para que cada um possa se sentir orgulhoso e especial. Somos instruídos a pensar positivamente sobre nós mesmos a todo o custo, como no livro de afirmações positivas de Stuart Smalleys:

xxx

O personagem fictício criado pelo Saturday Night Live e sua famosa frase: “Eu sou bom o suficiente, esperto o suficiente e, caramba, as pessoas gostam de mim!”

Mas, como a pesquisa está começando a demonstrar agora, a necessidade de continuamente nos avaliarmos de forma positiva tem um preço alto.

O principal problema é que para se ter uma autoestima elevada é preciso sentir-se especial e acima da média. Ser chamado de “mediano” é considerado um insulto em nossa cultura. (O que achou do meu desempenho ontem à noite? Foi mediano. Opa!) Claro, obviamente é impossível que cada ser humano no planeta seja acima da média, ao mesmo tempo.

Então, desenvolvemos o que é conhecido como um “viés de auto-aprimoramento”, que se refere à tendência de nos acharmos superiores aos outros em uma variedade de dimensões. Estudos têm mostrado que a maioria das pessoas se acha mais simpática, mais popular, mais engraçada, mais agradável, mais confiável, mais sábia e mais inteligente do que os outros. Ironicamente, a maioria das pessoas também acha que está acima da média na capacidade de se ver objetivamente! O resultado de se usar esses óculos cor-de-rosa não é tão bonito.

Essa necessidade de se sentir superior resulta em um processo de comparação social, no qual continuamente tentamos nos sobressair e desvalorizar os outros (pense no filme Meninas Malvadas e você vai entender o que eu estou falando). As pessoas que praticam bullying geralmente têm uma autoestima elevada, por exemplo, já que implicar com pessoas mais fracas é uma maneira fácil de aumentar a autoestima.

Uma das consequências mais insidiosas do movimento da autoestima nas últimas décadas é a epidemia de narcisismo.

Jean Twenge, autora de Generation Me (Geração Eu), analisou os níveis de narcisismo de mais de 15.000 universitários dos Estados Unidos, entre 1987 e 2006. Durante esse período de 20 anos, o nível de narcisismo foi às alturas, com 65 por cento dos estudantes de hoje superando as gerações anteriores em narcisismo. Não coincidentemente, a média dos níveis de autoestima dos estudantes aumentou em uma proporção ainda maior no mesmo período.

Ao mesmo tempo em que tentamos nos ver como melhores do que os outros, tendemos também a nos “estripar”com autocrítica, quando não alcançamos altos padrões. Logo que nossos sentimentos de superioridade escorregam — como inevitavelmente acontece — nosso senso de dignidade cai vertiginosamente.

Nós balançamos descontrolados entre autoestima excessivamente inflada ou esmorecida, uma montanha russa emocional, cujo resultado final é, muitas vezes, insegurança, ansiedade e depressão.

Então, qual é a alternativa? Que tal nos sentirmos bem com nós mesmos, sem a necessidade de sermos melhores do que outros, caindo assim na armadilha do narcisismo/auto-reprovação? Uma resposta seria desenvolver a autocompaixão.

Autocompaixão envolve sermos gentis com nós mesmos, quando a vida dá errado ou notamos algo sobre nós que não gostamos, em vez de sermos frios ou severamente autocríticos. Ela reconhece que a condição humana é imperfeita, assim, nos sentimos conectados aos outros quando falhamos ou sofremos, em vez de nos sentirmos separados ou isolados.

Envolve também a conscientização – o reconhecimento e a aceitação imparcial das emoções dolorosas ao passo que surgem no momento atual. Ao invés de suprimir nossa dor, ou então torná-la um drama pessoal exagerado, vemos a nós mesmos e a nossa situação claramente.

Autocompaixão não exige que nos avaliemos positivamente ou que nos vejamos como melhores do que outros. Pelo contrário, as emoções positivas da autocompaixão surgem exatamente quando a autoestima cai. Quando não atendemos a nossas expectativas ou falhamos de alguma forma.

Isto significa que o senso de autovalorização intrínseco inerente à autocompaixão é altamente estável. Está constantemente disponível para nos fornecer cuidados e apoio em momentos de necessidade.

Minha pesquisa e a dos meus colegas tem mostrado que a autocompaixão oferece os mesmos benefícios que a autoestima elevada, tais como menos ansiedade e depressão e maior felicidade. No entanto, não está associada com as desvantagens da autoestima como narcisismo, comparação social ou defesa do ego.

Ao invés de perseguir eternamente a autoestima como se fosse o pote de ouro no fim do arco-íris, portanto, eu diria que se deve encorajar o desenvolvimento de autocompaixão.

Dessa forma, se estivermos no topo do mundo ou no fundo do poço, podemos nos envolver com um sentido uma bondade, conectividade e equilíbrio emocional. Nós podemos fornecer a segurança emocional necessária para vermos a nós mesmos com clareza e nos certificarmos de fazer as mudanças necessárias para resolver nosso sofrimento. Podemos aprender a nos sentir bem, não porque somos especiais e acima da média, mas porque somos seres humanos intrinsecamente dignos de respeito.

Por que não tentar? Se deseja aprender mais sobre autocompaixão, sugiro meu livro “Self-Compassion: Stop Beating Yourself Up and Leave Insecurity Behind“. Ou faça o teste em self-compassion.org.

Nota do editor: texto publicado originalmente no Huffington Post e traduzido por Luis Oliveira, após autorização da autora.

Kristin Neff

Fez doutorado em desenvolvimento moral pela Universidade da California e pós-doutorado na Universidade de Denver. Ensina no departamento de Psicologia Educacional na Universidade do Texas. A história de seu filho autista foi registrada no documentário “The horse boy”.


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  • Tiago Cunha

    Aceitar numa boa própria imperfeição é um exercício diário… na maioria das vezes bem difícil, pelo menos para mim. É complicado fugir das armadilhas da bajulação compartilhada e competição entre quem se autopromove mais que acontece na maioria dos relacionamentos sociais.

  • Flavio Grando

    Ao narcisista lhe falta HUMILDADE, virtude presente em quem tem autocompaixão.Virtude que engrandece verdadeiramente o ser humano.

  • Bruno Toledo

    Aceitar as imperfeições são fáceis, depende de como você encara à vida e olha que no meu caso é mais complicado devido a um acidente de moto que me deixaram com algumas sequelas, mas nem por isso me sinto melhor ou pior que alguém, por exemplo, quando vou para algum lugar as pessoas olham diferente você percebe, pode ser porque ela nunca tenha visto ou pode ser por preconceito, mas você acha que eu me importo, nem ligo, é cada um na sua, tem que saber aceitar as diferenças… Falta mais “AMOR”.

  • Leonardo Werlang

    Esse texto e aquele do “10.000 horas é mentira” têm bastante coisa em comum.

    Acho que a coisa mais importante, é antes de tudo, entender as ferramentas que as as pessoas tem as suas disposições, fazer algumas considerações devidas e começar a aplica-las.
    Por exemplo, tomando como ponto inicial a curva gaussiana (pra que não sabe, é isso: http://www.oderson.com/images/gaussiana.gif ).
    Esse grafico é digamos a base da estatistica, demonstrando onde se concentra o maior numero de ocorrencias de qualquer coisa.

    Tomando como por exemplo aparencia fisica, a maioria esmagadora das pessoas é “normal”, se encontram no meio do grafico e compartilham varias caracteristicas de traços fisicos e etc entre si. Pra esquerda ficam as pessoas feias, e pra direita as pessoas muito bonitas. Cerca de uns 15% de cada lado indicam pessoas significativamente acima da media, e rarissimos sao os casos em que essas caracteristicas sao acentuadas ao extremo (cerca de 5% pra cada lado).

    Esse tipo de raciocinio se aplica à qualquer coisa que seja compartilhada por seres humanos, e é fato. Muito mais importante do que trabalhar a sua auto-X e individualidade, é se aceitar como uma ocorrencia estatistica.

    Tendo em vista essa aceitaçao, vale a pena questionar como trabalhar e mudar a sua realidade. O primeiro passo é entender como as coisas mudam.
    Como foi mostrado no texto das “10.000 horas = mentira”, o aprendizado (e qualquer outra forma de adaptaçao mediante estimulo) ocorre no que se chama de “comportamento logaritmico” ou assim: http://papodehomem.com.br/wp-content/uploads/2013/08/eixoxeixoy2.png

    O que isso quer dizer é que, inicialmente as mudanças vêm rapido, e quanto melhor voce é, mais dificil é melhorar. Agora, esse grafico é bem simplista, mas pode atingir graus de complexidade e abrangencia muito maiores em diversos aspectos. Uma coisa que é sabida, é que de forma geral, a forma desse grafico é pré-estabelecida para todas as pessoas, em todos os aspectos, o que significa que quando alguem esta se esforçando, esta forçando uma adaptaçao, e nao mudando a forma com que o corpo se adapta, o que leva à conclusao de que:
    “se somos todos uma grande massa estatistica localizada no meio, na grande maioria dos aspectos, o nosso comportamento de evoluçao individual é mais ou menos o mesmo, e é possivel comprovar estatisticamente que nunca seremos excepcionais.”
    A principio isso pode parecer o maior xingamento do mundo, mas no fundo, uma vez aceita essa realidade (sim, é fato.), somos livres pra tirar todas as cobranças externas/sociais de perfeição dos nossos ombros, afinal, exceto pra 5% ou menos da populaçao, isso nunca sera realidade, e mesmo para esses 5% ou menos, não vai ser facil.
    Além disso, ao mesmo tempo que esse raciocinio alivia o peso da combrança, ele da ferramentas para trabalharmos mudanças nas nossas vidas de maneira otimizada. Alguem pode passar a vida toda tentando fazer alguma coisa, mas se a pessoa ou, tentar errado e/ou nao tentar o suficiente, nao vai conseguir. Como ja foi visto que “nao tentar o suficiente” praticamente só se aplica à casos onde “ja esta muito bom e quer ficar melhor ainda”, nos resta trabalhar com o “tentar certo”, o que remete à função das diversas profissoes que de alguma forma trabalham como educadores e “condutores de um processo de evolução”.
    Outro conceito matemático que vale a pena levar em consideraçao diz no geral que “se estiver em duvida em duas ou mais equações, escolha a mais simples”. Aplicar isso em tudo o que foi falado ate agora seria algo como: “descomplique, o bom senso ja é meio caminho andado pra uma serie de coisas e ficar noiado na batatinha nao vai ajudar”.
    Finalmente, outra coisa que faz uma baita diferença na aplicaçao de todas essas coisas, é o que poderia ser chamado de “identidade social”. De maneira geral isso pode ser exemplificado por: “um indio sabe o que ele precisa fazer pra ser aceito na sua tribo”. Na sociedade ocidental moderna de maneira geral, isso é muito mais dificil. Uma sociedade impessoal, com conflitos de valores, em que cada vez mais as pessoas se sentem desnorteadas quanto à “o que é o certo que eu tenho que fazer?”. Sem entrar nos meritos desses valores, mas todas essas tentativas de se individuaizar, como modificações corporais, tribos urbanas, estilo, etc, são em alguma instancia sintomas dessa necessidade desesperada de se identificar com alguma coisa que nao existe na nossa realidade. Nao sei se toda essa diversidade é boa, ou se seria melhor trabalhar antes com conceitos fundamentais genéricos, e começar a construir valores em cima disso, mas isso seria assunto pra outra conversa. O fato é que construir grupos onde haja regras claras e avaliaçao mutua é necessario para uma evoluçao social saudavel (todos os papos sobre “clubes da luta” derivam disso), e pode ser a diferença entre todas as ferramentas propostas acima operarem transformaçoes positivas ou ficarem esquecidas num canto…

    • HIMA

      Excelente comentário!

    • Victor Barbosa

      Já vi algo parecido no comentário de um palestrante, que era mais ou menos assim, se você é 0 todo o seu esforço vai ser 5 e não 10, diferente de quem é 5 que fazendo esforço chega à 10.

      Ou seja, aceite-se, e faça outra coisa, evite morrer mais cedo

      • Leonardo Werlang

        Então, essa relação com numeros nao corresponde à “realidade logarítimica da coisa”. Usando numeros como exemplo:
        log 1 = 0
        log 10 = 1
        log 100 = 2
        log 1589 = 3,2
        O numero do log é o esforço feito, e o resultado é a consequencia. Pra quem ja “esta no 5, se botar mais 5, vai conseguir 5,2,e não 10″.
        E o que eu disse de forma alguma tem a ver com conformismo, mas sim com entender a realidade, as limitações, e a melhor maneira de agir.
        Digamos que eu queira ficar com a aparencia do Hugh Jackman (ator do wolverine). Eu não tenho nem a genetica dele, nem a assistencia, nem a disponibilidade de tempo e nem os recursos que ele tem, logo, se eu tentar fazer a mesma coisa que ele fez, eu simplesmente nao vou ter sucesso. Posso até melhorar, mas nao vou conseguir os resultados dele por uma serie de motivos. Eu nao tenho a estrutura inicial que ele tem, mas mais importante do que isso, pensando no exemplo dos logaritimos acima, ele ja deve estar ali por “1.000 e poucos”, e as coisas que ele fez, foram especificas para gerar adaptaçoes fisicas num estado em que vc ja tem que investir muito para pouco retorno.
        Uma pessoa comum que esta nos estagios iniciais, simplesmente nao vai se beneficiar de uma coisa que se aplica à outra realidade. Essa pessoa vai se esforçar, vai se frustrar, vai se sentir mal por nao conseguir, e por ai vai. O que ela nao sabe, é que pra ela, o adequado é outra coisa.
        Nesse ponto também é importante nao cair na falascia de “unico floco de neve”. A nao ser num caso muito especifico (ali por uns 15% ou menos na gaussiana) essa pessoa nao vai ter necessidades especiais e nem vai precisar de nada planejado especificamente, prq ela ainda responde muito bem à quaisquer estimulos, e ao inves de ficar complicando com planos super complicados, dietas mirabolantes entre outras coisas, um simples conselho que até a sua vó poderia dar seria suficiente como: “durma bem, pare de comer besteira, pegue coisas pesadas e erga o mais alto que puder”.
        Com o tempo, só nao comer besteiras e erguer coisas pesadas vai para de surtir efeito, mas nesse ponto, a pessoa ja estaria entrando na categoria que a maioria das pessoas costuma classificar como “não-real” com aqueles papos de “mulher de verdade isso ou aquilo”.
        A conclusão disso, é que entendendo coisas as coisas funcionam, voce pode tomar a rota mais correta para um objetivo, ao inves de ficar se frustrando com esforços homéricos que nunca dao em nada, que fazem voce se sentir um fracassado, e todas essas coisas.
        Entendendo como as coisas funcionam, voce pode otimizar o quão bem e satisfeito voce fica com os seus esforços, ao inves de se frustrar por correr atras de algo que alguem te disse pra fazer sem nem saber direito como e que só faz voce dar de cara com a parede.

        Claro que nao ter os recursos do Hugh Jackman nao significa que eu nao possa sonhar grande, ter objetivos. Eu posso e devo, e todos deveriam ter, e correr atras das coisas que gostam. Mas uma coisa é querer se superar (e superar os outros), com objetivos e por gosto e vontade propria, outra coisa é sucumbir à cobranças externas com as quais voce nao sabe lidar.

      • Jim

        Genial.

      • Marcelo Monteiro

        Genial[2]
        Um dos melhores comentários que já li em minha vida e que me fez e ainda vai me fazer refletir por muito tempo. Através dele percebi que cai na falácia de que devemos ser o melhor sempre, o que na verdade é uma pressão externa que a sociedade nos condiciona a acreditar.
        O que você falou sobre o índio também é interessante. Outro dia, inclusive, estava dialogando com minha irmã exatamente a esse respeito. Os índios tem bem definido o seu papel na tribo e eu tenho quase certeza que não deve existir índios com depressão.

  • https://www.facebook.com/cristiano.maia Cristiano Maia

    Eu concordo 50% com o texto. Concordo que as pessoas estão cada vez mais carentes de elogios e sentindo a necessidade de rebaixar os outros para se sentir melhor. E isso está sim errado!

    Mas os outros 50% que também é importante é sobre comodismo. Se a situação se inverter completamente, teremos pessoas felizes com o que são e, consequentemente, acomodadas. Vão ser pessoas cientes dos seus defeitos, cientes que existem pessoas melhores, mas as vezes desmotivadas a melhorar.

    • Patrícia

      Estar feliz e satisfeito com o que se é e o que se tem não necessariamente garante que você não irá perseguir mais, pois isso tem a ver com o espírito empreendedor e aventureiro do indivíduo. Se a busca o faz feliz, ele se manterá buscando.
      Por outro lado, não acredito que devamos julgar às pessoas que possuem como meta alcançar alguma estabilidade na vida e que não possuem ambição (uma qualidade muito mal vista por ser confundida com a ganância, mas ainda assim, uma qualidade) por serem assim.
      Somos todos diferentes, e mais imprevisíveis do que pensamos que somos.

  • Frederico Mattos

    Tenho o hábito de encarar a autoestima como uma maneira doce, acolhedora e motivadora comigo tal qual seria com uma pessoa que amo.

    Quando alguém que amo se engana ou falha com suas expectativas eu procuro abraçar, ser afetivo, apoiar, dar espaço para a tristeza e ajudar a tocar as coisas em frente.

    Tenho feito isso comigo, curiosamente nunca encarei a autoestima como uma forma de autoengrandecimento, massagem pessoal ou busca de perfeição física ou psicológica.

    Gostei bastante da visão dessa autora e entendo que o termo autoestima se carregou de algo que ela não é.

    • Vagner Ligeiro

      Questão: então é possível separar a “autoestima” no sentido de estar satisfeito consigo; da “autoestima” no sentido de se sentir “poderoso”, de se sentir “o melhor dos melhores”?

  • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

    Eu achei esse texto lindo, e a proposta que ele trás é absolutamente genial.

    Primeiro porque ele se presta a falar de compaixão, essa palavrinha tão mal interpretada.

    Raramente falamos desse sentimento tão sofisticado. Quando falamos, normalmente é como sinônimo de pena ou piedade para com as pessoas que se dão mal por algum motivo. E se a pena ou piedade é para conosco, acaba virando também um sinonimo de auto-indulgencia.

    Acho que só pelo fato de propor um exercício de compaixão real para com nós mesmos, explicando o que é e como fazer, já tá valendo.

    O mais genial desse experimento é que, ao tornar a compaixão uma coisa mais familiar, com nós mesmos, fica mais fácil ter compaixão com os outros – tarefa que não é exatamente das mais fáceis de praticar. Talvez justamente porque não tenhamos um pingo de compaixão para conosco.

  • Mateus Karvat

    Acredito que dá pra se fazer um paralelo desses dois pontos de vista com a vida.

    A autoestima, enquanto foca apenas em ser o melhor possível, nunca fica contente. Estamos sempre procurando alguma forma de aprimoramento, visando sempre o futuro e nunca nos contentado com o presente. Da mesma forma muitas pessoas agem visando atingir objetivos futuros distantes, sem aproveitar o momento presente.

    Já a autocompaixão, enquanto se contenta com o momento presente, olha para o que já somos ao invés de olhar para aquilo que ainda não somos. E assim muitas pessoas tendem a aproveitar mais seus momentos presentes, sabendo a importância de se viver agora e não deixar tudo depois.

    Acredito que essa visão da autoestima de estarmos em constante aprimoramento é vital. Não podemos nos cristalizar naquilo que somos e nunca buscar qualquer forma de desenvolvimento pessoal. Mas de nada adianta ter uma visão pessimista e apenas contar quantos degraus faltam para se chegar ao topo, sem ver quantos degraus já foram subidos. Acredito que o ideal seja uma mistura de busca por constante aprimoramento com a autocompaixão e o estar satisfeito com aquilo que se é.

    Não tenho certeza, mas se não me engano a definição de felicidade do budismo é justamente essa, de encontrar a harmonia entre aquilo que se é e aquilo que se quer ser. E a questão aí não é mudar aquilo que se é, mas aquilo que se quer ser. É desenvolver a autocompaixão.

    Excelente texto!

  • Russellita

    Sou a favor da empatia, isso sim.
    Dia destes vi um vídeo no Youtube sobre empathy
    http://m.youtube.com/watch?v=BG46IwVfSu8
    Vale a pena conferir e seguir alguns passos para sermos melhores como seres humanos.

  • Rodka

    “Já se tornou quase banal em nossa cultura o fato de que precisamos ter auto-estima para sermos felizes e saudáveis.” – Eu estou tentando encontrar o erro (ou a mentira) nisso. Desde quando autoestima tem a ver com sentir-se superior as outros? Desde quando valorizar-se é a mesma coisa que dar mais valor a si que aos outros? Sério, cara… Alguns textos aqui do PdH me irritam pela imaturidade das ideias e pretensões.

    A autocompaixão, de certa forma, está inserida na autoestima, já que reconhecer os erros, as fraquezas, bem como buscar uma forma de superar os próprios problemas exige uma dose muito equilibrada de fatores distintos, e não apenas de confiança ou humildade.

    Parafraseando o próprio texto: Já se tornou quase banal em nossa cultura o fato de que precisamos ler, publicar e/ou crêr em tudo e qualquer coisa sobre auto-estima para sermos felizes e saudáveis.

    • V.

      Cara pelo que me parece a autora apenas dividiu em duas vertentes o que conhecemos como autoestima , no caso:

      auto-estima

      Apreço ou valorização que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios actos e pensamentos.
      Do mesmo jeito, como vc colocou, que a autocompaixão estaria inserida na autoestima um viés que prega a superioridade também o está.
      Fora esse problema com a semântica não vejo pq considerar esse texto imaturo ou pretensioso.

    • Patrícia

      Credite uns 50% dessa argumentação fraca dela ao fato do texto ter sido escrito com o objetivo de vender o livro. Não que esteja totalmente errado, mas eu vi os pontos que você viu tb.

  • Cassioj Psilva

    Gostei muito deste texto!!

    E ao ler, me lembrei do “Poema em linha reta” do Fernando Pessoa, pois nele o grande poeta dá uma lição sobre o assunto, que pelo visto não é novo:

    “Todos os meus conhecidos tem sido campeões em tudo[...]Toda gente que conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho.Nunca foi senão príncipe – São todos príncipes – na vida…Quem me dera ouvir de alguém a voz humana que confessasse não um pecado, mas uma infâmia[...]Não, são todos o Ideal”

    Por isto que eu sou apaixonado por ele… [modo piada idiota ligado]Era um visionário!!! já previa o surgimento do Facebook antes mesmo de ter internet!!…[modo piada idiota desligado] :)

  • Renato Montarroyos

    Muito bom o texto, porém a premissa de que pra termos auto-estima precisamos nos sentir especial não está tão certa. Todos os exemplos que eu já conheci na vida de pessoas com baixa auto-estima, que depois a elevaram, nenhum deles ficou se sentindo especial ou achando ser 1 em 1 milhão. Apenas aprenderam que não são piores que os outros, e sim que são iguais.

  • http://www.twitter.com.br/douradofilho Beto D.

    Essa auto-compaixão é tão benéfica e necessária, mas nem todos sabem praticá-la.
    Em vez disso, muitos acabam transferindo esse sentimento para uma terceira pessoa: “filhos, esposa, mães, pais”. Aqueles que sempre estarão ali pra um afago, um colo, um consolo.

    Não conseguem se aceitar enquanto seres imperfeitos, que cometem erros e falham, e esperam a aprovação e aquele bom e velho: “está tudo bem, você pelo menos tentou” de um terceiro, e não de si mesmos, porque estão afogados em auto crítica (geralmente ácida e implacável).

  • Flavia

    Apesar de ser contra essa obsessão pela auto-estima, vejo um risco enorme na autocompaixão, que é o conformismo. A busca pelo melhor desempenho nos faz evoluir enquanto indivíduos, sociedade e espécie. Aceitar-se “inferior” ou “incapaz” pode causar um epidemia de síndrome de Gabriela..

    • Sandro Lucena Rosa

      Excelente comentário. Concordo plenamente, a auto-estima não pode ser estigmatizada e o grande período em cultivar uma “auto-compaixão” seria exatamente o conformismo. “Nasci assim, fazer o quê? Nunca serei um nota 10″.

      É claro que o ego em si muitas vezes atrapalha, mas pelo que notei no texto, a autora sempre frisa que os indivíduos tentam alimentar uma auto-estima pois se comparam a outros, a um modelo, etc. A questão da auto-estima é SE comparar. Sempre fazer o melhor dentro das suas possibilidades. Isso é fundamental no meu dia-a-dia, todo dia eu tenho que sentir que eu dei o meu melhor, senão eu volto e faço de novo.

      Receio ser oportuno colar a definição de sucesso do técnico John Wooden:

      “Sucesso é a paz de espírito proveniente da consciência de que você fez o maior esforço possível para se tornar o melhor dentro do seu potencial”.

      Frise-se: DENTRO DO SEU POTENCIAL. Dentro do que você pode ser, você deve ser o máximo.

  • Tom Silveira

    Afirmações positivas = melhor caminho pra quebrar a cara

    A vida sempre dá um jeito de mostrar que tá todo mundo no mesmo barco.

  • Maria Geralda Moraes

    Gostei do li.! Andava pensando sobre isso.. Caiu feito uma luva. Obrigada. Quero seguir vcs. Vai ser de grande valia.

  • http://magiaetecnologia.blogspot.com.br/ Jefferson Alves

    Gostei bastante do texto e senti que ele identifica mais claramente algo que para mim era apenas uma impressão, uma sensação de que o mundo fica cada vez mais voltado para o próprio umbigo.

    Uma coisa que me chamou atenção, entretanto, foi este parágrafo:

    “Jean Twenge, autora de Generation Me (Geração Eu), analisou os níveis de narcisismo de mais de 15.000 universitários dos Estados Unidos, entre 1987 e 2006. Durante esse período de 20 anos, o nível de narcisismo foi às alturas, com 65 por cento dos estudantes de hoje superando as gerações anteriores em narcisismo. Não coincidentemente, a média dos níveis de autoestima dos estudantes aumentou em uma proporção ainda maior no mesmo período.”

    Fiquei imaginando, como se mede os níveis de narcisismo. Qual será a escalada utilizada para dizer se uma pessoa é mais ou menos narcisista? Me intriga imaginar como algo tão subjetivo possa ser medido em termos científicos.

  • Patrícia

    Gostei do texto. Mas ele realmente me deixou pensando se as pessoas não têm feito um conceito errado de autoestima, por isso tanto problema.
    Dia desses li um artigo muito interessante de um jornal gringo sobre a “Geração Y” ter crescido “se achando especial”, mas sem ser capaz de dizer, especificamente: “especial em quê?”. Com o resultado disso sendo um monte de jovens quebrando a cara na vida real, vendo que não são tão “fodas” quanto achavam que eram.
    Acho que o problema é que rolou muita orientação dizendo: “você tem que ter autoestima, isso significa dizer pro mundo que você é muito bom!”, quando na verdade se trata justamente de algo que você diz a si mesmo: “estou bem comigo, e se não estou, trabalharei para mudar o que não gosto”. Ou, até mesmo, trabalhar pra mudar um (ou mais) pontos de vista pessoais que causam essa auto avaliação ruim (algo que venho trabalhando em mim há algum tempo).
    É isso, o problema talvez não seja a auto estima, mas o que nego entendeu que ela é.

  • Henrique Santos

    Jesus estava certo! MAOE

  • Gabriel Melo Mizrahi

    As pessoas estão com a autoestima muito inflada mesmo. Acho que eu sempre tive essa impressão, mas nunca havia parado pra pensar nas causas e efeitos disso. Pensando bem, o individualismo imenso que isso causa afeta de todos os lados as novas gerações.
    Eu tenho 22 anos, vejo as músicas que minha geração houve, de todos os níveis sociais e de todos os gostos. Desde o hip-hop do “get rich or die tryin”, o novo sertanejo com temáticas de pegação, funk ostentação e até mesmo o pessoal do rock hipster, todos têm a mesma coisa por trás: a diferenciação. As letras são sempre individualistas demais, do cara que tem melhor pegada, mais dinheiro, mais inteligente… E isso causa uma não só isso uma pobreza cultural, mas corrobora ainda mais para que as pessoas sejam assim. Mais individualistas, narcistas, egoístas, competitivas e sozinhas.

  • Paulo de Tarso

    Uau!
    Fantástico.
    Auto-compaixão é um termo novo para mim, mas de conceito já bem conhecido. Humildade, amor-próprio e empatia, em outras palavras INDULGÊNCIA, se encaixam bastante nesse conceito.

    Essa busca por querer ser sempre o melhor é cansativa e muitas vezes infrutífera, visto que os objetivos não conduzem à paz de espírito e a satisfação integral.

    Induz ao orgulho.
    Quanto maior nos sentimos…

    mais rápido somos lembrados de que O ORGULHO PRECEDE À QUEDA.

    Como diria Sócrates, o verdadeiro sábio só sabe que nada sabe.

    E aquele que quiser ser o maior, seja o servo do menor, já disse outro grande Expoente da humanidade.

  • Zeca Monteiro
  • Marcos Freybert

    Esse papo de auto estima é uma babaquice. Liguemos o DANE-SE pra essa babaquice toda.

  • Wanderson Tranquilino

    Tá aí.
    Eu tenho o hábito de misturar a autocompaixão com a “síndrome de coitadinho”, daquele cara que reclama de tudo e de todos e inclusive de si mesmo. Não achava que a autocompaixão poderia ser algo positivo e devo ser sincero, ainda não acredito. Por que o homem moderno anda numa corda bamba entre o falso altruísmo e a baixa autoestima. Um exemplo disso está nas redes sociais onde todo mundo quer sair bem na foto. Homens e mulheres se esforçando para demonstrarem ser o que não são, em um falso esforço de autocompaixão.

    “Estou fodido(a). Sou um(a) merda. Mas um(a)merda com estilo. Pelo menos aqui eu posso imaginar que sou aquilo que gostaria de ser. Aqui eu posso estar rodeado de amigos, muito embora na vida real não seja assim. Vou fazer caras e bocas demonstrando que a felicidade é uma coisa que eu tenho e os outros não tem.”

    Não há nada mais sacal do que um(a) amigo(a) metido(a) a última Coca-Cola do deserto(e bem gelada). Será que eles sabem realmente o que seja a autocompaixão?

    A sociedade é hipócrita. Tão hipócrita que usa máscaras para esconder suas mediocridades, esquisitices e injustiças . As redes sociais nada mais fazem do que intensificarem ou atestarem essa condição esdrúxula as veses. Na verdade, é bom frisar que a nossa sociedade não é tão profícua assim em perder tempo uns com os outros.Para que se perca tempo em chamar a atenção alheia.Mas enfim.

    Acho que o altruísmo passa primeiro pelo bom-senso. Só depois que se adquire bom-senso é possível ser mais realista com nós mesmos. Fica mais fácil de andar por essa terra quando entendemos que todo ser humano passa por altos e baixos pela vida e que ninguém é bom o tempo todo,descolado o tempo todo, pegador o tempo todo e que a opinião dos outros, muitas vezes, não é tão relevante assim.

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