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A paixão é uma bad | Autópsia Filosófica #1

Fábio Rodrigues

por
em às | Artigos e ensaios, Autópsia filosófica, Mente e atitude, PdH Shots


“Pô, galera, eu acho que a paixão é uma bad…”

Esta semana alguém comentou isso no meio de um papo na Cabana. Eu achei esse comentário engraçado, curioso, espirituoso. E achei que fazia bastante sentido. Eu também acho que paixão é uma bad.

Digo, se entendermos paixão como sendo um sentimento forte de desejo/apego por alguma pessoa (poderia ser também por uma atividade, objeto, evento, ação), enquanto isso for correspondido e enquanto existirem todas as causas e condições para essa paixão ser fruída sem travas, isso sem dúvidas é algo agradável, gostoso, animador, muito bom de se experimentar.

Agora, se somos impedidos de alguma forma de fruir essa paixão, ou se ela não é correspondida na medida que esperamos, aí, bom… aí é uma bad, mano. E é a cama pronta pra todo o tipo de merda rolar: ansiedade, expectativa, orgulho, sensação de traição (ela não se sente ou se comporta como eu sinto que deveria), controle (através de dinâmicas de domínio ou submissão, tanto faz), agressividade, raiva, depressão etc.

Se olharmos com maior cuidado e vermos que não é possível manter condição alguma por tempo indeterminado, então adivinhamos que garantidamente haverá algum nível de aflição em qualquer relação onde houver algum nível de desejo/apego. E que isso possivelmente diga respeito todas as relações (ditas) amorosas.


Link Vimeo | É uma televisão falando, mas poderia ser uma pessoa apaixonada.

O papo seguiu, e alguém comentou algo assim:

“Acho inevitável a noção de que cedo ou tarde, com isso ou aquilo, haverá apego, posse, desejo e outras coisas que compõem o campo semântico da paixão.

Então, por mais que possa ser encarado como algo ruim, também é algo inevitável. A impressão que fica é que, por oferecer oportunidade pras pessoas se foderem, por causa dessa noção de que pouca gente tem estrutura pra isso, a escolha lógica parece ser se afastar.”

Bom… Não sei.

Sei que há a prática do afastamento. Em algumas tradições o afastamento é for life, e noutras é mais como uma medida provisória. A pessoa se retira por um período – que pode variar – de situações com potencial muito grande para gerar confusão (como relações amorosas/sexuais). Ela toma votos, faz resoluções, gera disciplina, aplica os métodos, desenvolve alguma capacidade de andar pelo mundo sem causar e sem ser pego por tanta confusão, e então se reintroduz. E pode-se fazer isso periodicamente, treinando visão e clareza mental, exatamente como quem treina um instrumento ou um esporte.

Sei também de tradições e métodos onde há a prática de se desenvolver essa habilidade sem se retirar, pelo meio da confusão mesmo. Esta é dita como sendo bem mais difícil, mas também mais poderosa, rápida, eficiente.

Há também quem entenda que as relações amorosas/apaixonadas/de casal demandem dedicação muito grande, e que esse mesmo tempo e energia poderia ser investido em outras coisas tidas como mais interessantes ou úteis. Temos muitos exemplos assim entre filósofos, cientistas, artistas, contemplativos, etc. Pessoas que simplesmente se interessam mais por coisas e atividades além ou diferentes das que temos por habituais. Mohandas Gandhi, por exemplo, sentia que era justo e imperativo dedicar todo seu tempo e energia pra atender as necessidades de muitas outras pessoas, mais do que as dele mesmo e da sua esposa. E ele de fato apostou nisso. O resto é história.

E mesmo nós, meros mortais, conseguimos em alguma medida ver as coisas surgindo e escolher quais abraçar e quais não, ou com que dosagem vamos nos envolver. E muitas coisas, a maioria delas, sabemos que é melhor não abraçar. Com algumas conseguimos fazer isso, e com algumas não. Ainda assim já fazemos estas escolhas o tempo todo, tanto que estamos vivos e funcionais.

“Mas eu vejo aí uma outra tentativa de controle, só que sofisticada, mais inteligente, com um pouco de arrogância até.”

Não vejo problema em exercer controle. Vejo problema em:

  • Controlar para a satisfação de aspirações muito autocentradas, com habilidade  e visão limitadas e;
  • Controlar com esperança/ansiedade/expectativa ao resultado – perturbações que viriam do controle motivado por autocentramento.

Então, o problema na verdade nem seria com controle, mas com uma motivação baseada em autocentramento. E é um problema não porque é moralmente errado, mas porque ações motivadas por grande autocentramento tem maior potencial de causar danos do que de causar benefícios para nós mesmos e às pessoas ao redor.

Exercer controle com motivação apropriada e visão ampla é bom. Vidas são salvas e melhoradas assim, o tempo todo. E este raciocínio inclui os esforços de controle que exercemos sobre coisas como nossa saúde, corpo e qualidade de vida, por exemplo (nos alimentamos regularmente, buscamos conforto térmico, nos limpamos, pilotamos aviões, agendamos reuniões, fazemos cirurgias), e mesmo aqueles mais sutis, que exercemos ao produzir e usar linguagens, códigos de comportamento, ao nos comunicarmos, e todas as coisas que fazemos para conferir sentidos que não existem originalmente no mundo. Estas operações já são o resultado de nossa ansiedade por controle.


Comparações com psicoativos à parte, a existência de desejo/apego é condição necessária pra haver uma relação apaixonada – como são pra surgirem experiências aflitivas em geral. Sem uma coisa, não há outra. E faço isso mais como uma constatação particular mesmo – como faria para “se sairmos na chuva, vamos nos molhar” – e como sugestão de algo sobre o que pensar.

Então, antes do provável furor, deixo claro que não há julgamento de valor nisso. Não acho que se relacionar é algo ruim – talvez a nossa habitual inaptidão o seja, e o fato de que frequentemente achamos normal e bom colocar nossas relações na dependência exclusiva da tal paixão.

E não estou dizendo pra virarmos santos celibatários. Longe disso. Não queria sugerir soluções aqui. Só desconfio que podemos aprender a nos relacionarmos de um jeito melhor, menos sofrido. E penso que encontrar um jeito de fazer isso é o problema constante, inevitável e inadiável de cada um.

* * *

A Autópsia Filosófica é uma nova série do PapodeHomem, que vai dissecar frases que soltamos quase sem perceber e que nos mostram que existem visões por trás dos nossos olhos, pressuposições, afirmações subentendidas das quais nem sempre nos damos conta.

Fábio Rodrigues

Designer, desenhista, professor de estética, guitarrista e baixista na banda Vacine, coordenador no CEBB Joinville e na Cabana PdH. Facebook e Instagram.


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  • Luciana_Marques

    As perspectivas apresentadas pelo texto são bem realistas…

    Parece-me de fundamental importância a colocação do autor: “Só desconfio que podemos aprender a nos relacionarmos de um jeito melhor, menos sofrido.” Sim, essa é a grande sacada!!! Ao relacionarmos de modo mais solto, vivendo um dia de cada vez (visão boba, mas eficaz), nos permitimos aproveitar o melhor de cada momento, de cada experiência… A preocupação excessiva com o amanhã nos rouba o hoje delicioso da paixão.

    Adoooooro apaixonar-me! Por pessoas, atividades, épocas… E viver cada paixão até seu fim (ou não).

    ;)

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001612135013 Tiago Oliveira

      A questão é “aproveitar melhor cada momento” quando se está no meio de uma paixão maluca (E unilateral). Eu passei a concordar com esse ponto de vista, de que a paixão é uma bad. Uma cilada, Bino!
      Quando a gente se apaixona, acaba colocando a razão de lado… E é aí que mora o problema.

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

        Discordo completamente de vc. Você se apaixona porque coloca a emoção de lado por tempo demais, porque insiste em ser mais racional do que deve. Nega suas necessidade de carinho, atenção e afeto. Aí, um belo dia, suas necessidades reais vêm à tona e resolvem te mostrar o que não queria ver.
        A paixão é como um ataque de fome. Se vc se alimenta bem, respeita seu corpo, suas necessidades, dificilmente terá surto compulsivo quando se deparar com uma pizza. mas se restringir demais a dieta, qualquer inocente brigadeiro ou pedaço de torta, é capaz de se tornar uma grande ameaça aos seus planos. E naquele momento em que você se vê “obrigado” a ceder, a comida tem um sabor único, irresistível.
        Razão e emoção são para serem usados juntos e não em separado. Senão for assim, ficam se alternando num ciclo vicioso, doentio e frustrante: relacionamento, arrependimento, negação, solidão e vazio, paixão, relacionamento, arrependimento, negação, soiidão e vazio….

      • Little Lucas

        Isa, sou teu fã! ;)

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

        Nossa! Fico lisonjeda, Little Lucas! Bj

      • Frederico Mattos

        “A paixão é como um ataque de fome. Se vc se alimenta bem, respeita seu corpo, suas necessidades, dificilmente terá surto compulsivo quando se deparar com uma pizza. mas se restringir demais a dieta, qualquer inocente brigadeiro ou pedaço de torta, é capaz de se tornar uma grande ameaça aos seus planos. E naquele momento em que você se vê “obrigado” a ceder, a comida tem um sabor único, irresistível.”

        Concordo @facebook-1584206490:disqus, bem colocado.

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

        @fredericomattos:disqus, a validação de alguém que admiro absurdamente, me faz pensar que sou capaz de acertar alguns passos. Obrigada pelo feedback positivo;-)

      • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001612135013 Tiago Oliveira

        Isa, gostei muito dessa sua colocação. No meu comentário, eu me referi justamente a esse “ataque de fome”, que é o momento em que você cede ao sentimento imediato… Coloca todo o foco na fome e naquilo que acredita que irá te saciar. Nesse ponto é que digo que a razão acaba ficando de lado… Por mais breve que seja esse momento, esse “ataque” pode bagunçar as coisas.

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

        É, Tiago. Eu diria que bagunça com certeza! Sou contra separar a razão e emoção, como se fossem duas coisas – pra mim são apenas lados da mesma moeda. ;-)

  • Lucas C.

    Acredito que o resumo desse texto seria: “Se lembrar que cada um é livre e pode ou não corresponder com suas expectativas.”
    Foi o que intendi.

    • http://www.facebook.com/tiago.domingos.35 Tiago Domingos

      Liberdade é a alma de um bom relacionamento!

  • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

    “Há também quem entenda que as relações amorosas/apaixonadas/de casal demandem dedicação muito grande, e que esse mesmo tempo e energia poderia ser investido em outras coisas tidas como mais interessantes ou úteis. Temos muitos exemplos assim entre filósofos, cientistas, artistas, contemplativos, etc. Pessoas que simplesmente se interessam mais por coisas e atividades além ou diferentes das que temos por habituais.”

    Às vezes também desenvolvemos paixonites por coisas e atividades, e nos engajamos de forma perigosa numa determinada atividade. Alias, não é incomum que estes mesmos filósofos, cientistas e artistas transponham para a sua prática esta dinamica de apego, mais comum em relacionamentos amorosos.

  • Leandro

    Realmente os relacionamentos entre homem e mulher estão muito tensos, pois ninguém quer ceder. Eu sou um destes. É o medo de sofrer e se magoar imperando. Isso faz com que as pessoas prefiram ficar a sós consigo mesmas. Tudo bem que ninguém é de ninguém, mas esse estilo de traição moderna, relacionamentos atuais, não está com nada. É falta de respeito com o outro.

    • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

      Quem age por medo de sofrer já está sofrendo (o medo). Cabeça aberta não serve em corpo em que o coração é fechado. Entrar ou deixar de entrar num relacionamento ponderando sobre o medo de ceder e ser engolido pelo outro, é tão absurdo quanto nascer preocupado com fato de que estando vivo pode-se morrer a qualquer instante.

  • Frederico Mattos

    “ações motivadas por grande autocentramento tem maior potencial de causar danos do que de causar benefícios para nós mesmos e às pessoas ao redor.”

    A ideia de que um relacionamento amoroso seja pautado pelo amor usual (que nada tem a ver com empatia, troca, generosidade, compaixão e visão ampla) traz problema como qualquer coisa motivada por visões pequenas e imediatistas.

    Queremos aplacar nosso orgulho voraz e insaciável e para isso submetemos os outros e anulamos sua capacidade de desenvolvimento real.

    Adorei a autopsia filosófica. Sugiro uma frase que ouço muito no consultório:

    “Quero, mas não consigo”

    Abraços

    • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

      ///Sugiro uma frase que ouço muito no consultório:”Quero, mas não consigo”

      Essa é das boas, hein, Fred? Eu é que não vou escrever. rs

    • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

      Fred, ÓTIMA frase.

      Topa você mesmo fazer a autópsia dessa?

      • Frederico Mattos

        Topo, nem sei por onde começar de tanta esquisitice que ela tem, mas topo. :)

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        vou querer acompanhar de perto essa autópsia

        viu que te mandei um email pra tomarmos uma breja?

        a gente pode se topar num bar e debater o assunto

      • Frederico Mattos

        Agora que eu vi. Vamos sim! :)))

  • http://about.me/albertobrandao Alberto Brandão

    De fato, qualquer tipo de relação tem grandes potenciais de acabar com alguma forma de sofrimento. Aquele sonhado emprego novo normalmente não dura pra sempre, seu computador novo uma hora quebra, sua namorada/esposa uma hora pode querer outro cara e você se fode por isso. Seu filho lindo que acabou de nascer, vai morrer e isso também não soa muito legal.

    Mas acho que existem tantas coisas positivas que acontecem dentro de todas as situações, que acho ficar apontando o lado ruim de tudo uma grande armadilha. Saber que o copo está meio cheio mas ficar o tempo todo se questionando “e se estiver meio vazio?”, ao meu ver, só antecipa toda ansiedade e medo.

    • http://profiles.google.com/tiagocxavier Tiago Xavier

      Podem até existir situações específicas que justifiquem essa abordagem que aponta a armadilha. Mas levar isso como padrão também me parece enganoso.

      • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

        Em que situações é bom não sabermos que a armadilha está armada pra nós, Tiago?

    • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

      ///que acho ficar apontando o lado ruim de tudo uma grande armadilha

      Eu também acho, Brandão. E acho que o contrário (olhar a paixão como algo inquestionavelmente bom) também é. E que por isso sofremos.

      Melhor estarmos minimamente cientes de como as coisas operam, e que nossas aflições tem causas.

      • Arildo Dias

        Belo texto Fabio,
        reconhecer o processo talvez seja a melhor forma de não ir a um extremo e só dar conta de que está nele quando fudido. Porque no geral é mais fácil vermos que fomos para um extremo quando sofremos, dificilmente conseguimos perceber isso no auge da alegria e da paixão.
        Ao mesmo tempo só reconhecer esse processo não adianta muito, é o primeiro passo. Mais do que isso é preciso visualizar, indo até o fim daquela situação hipotética (o emprego vai acabar mais cedo ou mais tarde, a mulher pode te deixar, etc), como uma forma de sair do extremo em que vc está e perceber que existe um outro. Eu percebo que só essa ação já cria um espaço de liberdade que modifica nossa visão.
        Mais ou menos, como começar a perceber que a água do chuveiro tá quente demais e ir e abrir a torneira pra que ela esfrie um pouco.
        Melhor ainda se vc puder conseguir sacar em que momento está precisando de um banho quente ou de um frio.

    • http://www.facebook.com/people/Estêvão-Macedo/1510027665 Estêvão Macedo

      Isso é bem expressado no texto sobre a esperança, que pra mim é um dos melhores textos do PdH.

      http://papodehomem.com.br/a-esperanca-e-que-nos-fode/

  • Holicsam

    Uma coisa interessante que estava refletindo sobre esse assunto é que quando se está num relacionamento e rola da pessoa estar apaixonada (unilateral) acontece um desgaste muito grande, pq no processo diminui o amor próprio…Você ama o outro e cuida dele esperando que ele faça isso por ti…………mas quem vai cuidar de vc no final? Expectativa gerando frustração =/ e o relacionamento indo de água a baixo

  • Cristina

    ótimo texto! Acredito que paixão é uma bad também, mas ei, quem não curte uma bad vez em quando? Sem falar que amor/paixão/whatever é efêmero, muda, acaba, se transforma… mas temos essa mania de querer que ele dure para sempre e nos fechamos, então ficamos condicionados a lidar com toda essa coisa ruim que vem depois ao invés de simplesmente desapegar e seguir em frente. Amor tem que ser livre né :)

    Abraços,

    Cris

    http://www.facebook.com/criispi

    http://coffeeismyboyfriend.blogspot.com

  • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

    Fábio, adorei a idéia da coluna!Seus textos costumam ser pérolas, lançadas à mesa das expectativas. O mais incível de tudo isso, é que pra se fazer um lindo colar, cada um tem que costurar as pedras que estão disponíveis. Parabéns… e obrigada!

    • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

      Valeu, Isa.

      A ideia da série é do pessoal do PdH mesmo. Eu só entrei meio de cobaia com o primeiro post ;-)

      • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

        Então você foi muito bem como cobaia… reitero os parabéns. Parabéns também ao pessoal do PdH pela idéia brilhante!

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Só entrou de cobaia uma ova.

        Fez a estréia com gol de placa, na gaveta.

  • Tatiane Souza

    Só o que eu quero saber é quais são os métodos!

    • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

      Eu conheço tenho testado alguns, Tatiane. Nenhum que caiba numa caixa de comentários do Disqus ;-)

  • Flávio Luís

    Apaixonar-se, sim, vale o risco! ;)

    • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

      Eu já diria que às vezes vale, às vezes não ;-)

  • http://www.facebook.com/people/Felipe-Jansen/100000509685120 Felipe Jansen

    A meu ver o clímax de um relacionamento se dá quando há a reciprocidade. E esta reciprocidade se faz até mesmo por meio dessa confusão de sensações que é a paixão, seja ela emanada somente da parceira (e há retribuição de carinho à ela, claro) ou de ambos (e há a manutenção desse sentimento através do respeito, principalmente). Agora, ao emanar somente do “eu”, e não do “outro”, sem haver quaisquer retribuição ou atenção à esse sentimento, torna-se algo auto-destrutivo. Ao homem, é como tomar uma batida de arco-íris com lágrimas de unicórnios deprimidos. A testosterona é sugada e sugada até não restar mais nada. É claro que um homem apaixonado tem lá as suas peculiaridades (hmmm), mas, ao compará-lo a uma mulher apaixonada, o jogo muda.

    A paixão, ao se tratar dos gêneros, é extremamente machista. Its allowed uma mulher se apaixonar, mas, já um homem, NO! É assim que funciona. Quantos relacionamentos dão certo quando só a parceira está impregnada pela paixão? Contudo, quantos dão certo quando é o inverso que acontece? A disparidade, aqui, fica evidente.
    Ótima reflexão, FábioAbraço

    • Fellipe Melo

      Eu discordo de você quando diz que o homem quando não retribuído do sentimento que ele oferta perde sua masculinidade, como se ela fosse sugada por algum vórtex de sentimento, afinal de contas, homem que é homem não chora:
      http://papodehomem.com.br/a-primeira-noite-de-um-homem-e-o-fardo-da-seguranca/

      E até que ponto a sua última afirmação é verdade? Já estive num relacionamento em que não nutria mais que amizade e admiração, não aguentei um mês. A paixão não é machista, a sociedade sim, e nem sempre agimos de acordo com o que a sociedade espera de nós, ou pelo menos não deveríamos.

      No mais: http://letras.mus.br/itamar-assumpcao/70180/

      • http://www.facebook.com/people/Felipe-Jansen/100000509685120 Felipe Jansen

        Tem todo o direito de defender o teu ponto de vista. Contudo, ainda mantenho o meu.

        Nutrir somente amizade e admiração realmente não é nada animador. Há de haver a atração pelo outro e sua presença. Se escolhe uma mulher para se relacionar é porque se deseja e não porque se é obrigado, não é verdade? E, utilizando o que você mesmo disse em favor da minha argumentação, homem que é homem não chora. Caso aconteça de se ver em uma situação de “amor não correspondido”, o mais prudente é cair fora. Insistir no ilusório é muito mais do que idiotice. É auto-flagelação.

      • Eduarda

        Sabe que essa última parte que você citou de insistir em algo ilusório é auto-flagelação está completamente certo.
        Mesmo sendo mulher, quando noto que não estou sendo correspondida, prefiro cair fora, a continuar sofrendo. E mesmo longe continuo sofrendo mas não na sintonia constante da presença do outro.
        Complicado isso, hein?

      • Fellipe Melo

        Meu caro, acho que me expressei mal, provavelmente por ter lhe interpretado mal.

        Eu concordo com você que continuar num relacionamento ilusório é de fato auto-flagelação, só quis dizer que quando o homem reconhece isso, não necessariamente ele tem sua masculinidade castrada, isso vai depender da forma com que ele lida com essa constatação. E isso vale pra qualquer pessoa, pois quando falamos masculinidade, nesse caso, estamos falando de “vigor emocional”, de o quão disposto para relacionar-se emocionalmente o indivíduo está, pois como já citei a paixão não é machista.

  • http://www.facebook.com/people/Felipe-Jansen/100000509685120 Felipe Jansen

    A meu ver o clímax de um relacionamento se dá quando há a reciprocidade. E esta reciprocidade se faz até mesmo por meio dessa confusão de sensações que é a paixão, seja ela emanada somente da parceira (e há retribuição de carinho à ela, claro) ou de ambos (e há a manutenção desse sentimento através do respeito, principalmente). Agora, ao emanar somente do “eu”, e não do “outro”, sem haver quaisquer retribuição ou atenção à esse sentimento, torna-se algo auto-destrutivo. Ao homem, é como tomar uma batida de arco-íris com lágrimas de unicórnios deprimidos. A testosterona é sugada e sugada até não restar mais nada. É claro que um homem apaixonado tem lá as suas peculiaridades (hmmm), mas, ao compará-lo a uma mulher apaixonada, o jogo muda.

    A paixão, ao se tratar dos gêneros, é extremamente machista. Its allowed uma mulher se apaixonar, mas, já um homem, NO! É assim que funciona. Quantos relacionamentos dão certo quando só a parceira está impregnada pela paixão? Contudo, quantos dão certo quando é o inverso que acontece? A disparidade, aqui, fica evidente.

    Ótima reflexão, Fábio.
    Abraço

  • http://www.facebook.com/gabriel.guimaraes Gabriel B. Guimarães

    “A melhor forma de não ter um coração partido é fingir que não tem um” (HARPER, Charlie).
    A dor de existir já deveria bastar, mas somos “humanos, demasiado humanos”.

  • Amabile

    Escreva na sola do pé esquerdo o nome da pessoa amada e aperte no chão
    dizendo três vezes: Debaixo do meu pé esquerdo, te prendo
    Escreva na sola do pé esquerdo o nome da pessoa amada e aperte no chão
    dizendo três vezes: Debaixo do meu pé esquerdo, te prendo VM, te amarro VM e
    te mantenho VM pelo poder das treze almas benditas. Que assim seja. Que vc
    venha me procurar em 24h, dizendo que me ama e que quer ficar pra sempre comigo.
    Enquanto vc não vier não irá comer, não irá dormir e nem irá ter vontade de
    outra mulher a não ser eu. Assim seja, assim será. (Publicar 4 vezes e não
    revelar o sonho dessa noite)

    • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

      Adorei. Bem mais simples desse jeito ;-)

  • http://www.facebook.com/purelac Carol Purelac

    Concordo com “a pratica do afastamento”. Se tem uma coisa que aprendi (e a duras penas) com a tal da paixão foi a meme: “Crie cão, gato, periquito, papagaio… até peixinhos dourados ou o que mais lhe apetecer, mas não — nunca — de forma alguma, crie EXPECTATIVAS”. Se o fizer, estará plantando sementinhas de frustração pra colher uma grande bad. Um dos dois vai cair no buraco fundo do unilateralismo uma hora, vai se decepcionar e aí fica tudo muito trabalhoso, cansativo e doloroso. Acaba a mágica da paixão, é o fim do Disney-feeling.Tenho pra mim que os benefícios de se apaixonar por qualquer coisa na vida só virão se não esperarmos nada; sejam resultados ou feedback. Nem sei ao certo se isso é viável; mas virou um pequeno mantra pessoal “não espere, não espere” e olha só, funciona!

    Somos tão complicados sozinhos e independente do apego, um relacionamento seja de qual grau for, é um embate de diferenças — coisa que estará sempre fadada ao descontentamento de uma ou ambas as partes. Não sei os pilares científicos, sociológicos, psicológicos, escabaulógicos disso, mas até ‘a dois’ temos que viver sempre sozinhos e quem não aprender isso vai sempre curtir uma badzinha!

    Se bem que desse tipo de bad, no fundo todo mundo gosta — um pouquinho.

  • Alex

    Tudo gera uma consequência de acordo com a importância que a gente dá.
    Se desde o início não nos importarmos com o rompimento, entendendo que
    faz parte do ciclo natural e tendo maturidade pra que essa consciência
    não estrague o “durante”, acho que fica muito mais fácil. Mas concordo
    muito com o aspecto de que isso é treino, e que mesmo que tenhamos
    consciência de certos aspectos isso não impede que nos sujeitemos a
    eles. É como o exemplo que eu uso, embora eu saiba que cientificamente
    fantasmas não existem, se eu ficar sozinho no escuro dentro de uma casa
    abandonada, estarei sujeito às mesmas emoções que qualquer outro ser
    humano. ;)

  • Dayane

    Exatamente isso! Já vivi algumas paixões, mas aprendi a não trocar uma relação onde eu tenha tranquilidade por aquela sensação de hormônios e sentimentos em ebulição!! Me desequlibra, me desespera.. **rs**

  • Matheus Assunção

    Voces acreditam na teoria de que tudo que aqui se faz aqui se paga?
    porque tipo, eu sempre fui meio sacana com minhas ex, ate com essa ultima no começo eu era ( nao me orgulho disso) mais o que eu sofri na mao dessa ultima foi fora de base, eu acompanhava o blog, sabia oq eu tinha que fazer mais nao conseguia, aquele artigo dos 11 passos para um namoro dos sonhos nenhum item eu fazia e nao conseguia, foi 1 ano e meio de namoro dos infernos, eu perdoei traição ( que foi com o ex dela), humilhação, teve um dia que ela falou q ia rebolar no pau de um ex dela mesmo em um briga e mesmo assim ainda fiquei com ela, a ultima gota foi ela me ligando sexta feira chorando pra falar que teve recaida… pelo ex, onde eu quero chegar e que eu nao sei oq aconteceu comigo, tolerar essas coisas e ate hoje nao sentir raiva dela e sentir saudade isso me faz muito mal, me humilha cada dia mais ainda, eu acho que isso de tudo que aqui se faz aqui se paga nao é um castigo divino rs e mais ou menos que voce pisa com algumas e uma hora voce cansa e acaba apaixonando alem da conta e é ai que é pisado ou senao homens como eu que pisam apaixonam por meninas vadias, na verdade eu nao sei, por isso queria a opiniao de voces?

  • Lilla

    Que texto elucidativo, Fabio. Amei! Li todos os comentários e gostei também. Eu não sei viver sem me apaixonar. Apaixono-me pelo trabalho, minhas leituras, os lugares, por pessoas, até por sites, apaixono-me pelo simples prazer de sentir dopamina, adrenalina e noradrenalina em ebulição. Por muito tempo eu queria desenvolver controle sobre isso tudo, como você mencionou “controlar com visão limitada” porque até então sabia que paixão-apego-desejo são a morte de todas as sensações que proporcionaram antes. Ao ampliar a visão e liberar-me da vontade de querer controlar algo tão natural, fiz uma desconstrução na minha paixão e descobri que ela não é devoradora, não quer reter, deter, controlar o que está fora, só oferecer e puramente sentir. Sentir, cheirar, tocar e oferecer. Numa prática contemplativa em meio à natureza, estava queirando beijar terra, tocar as pedras e árvores, rolar no chão para sentí-lo. E por que não? Se não tentar reter e gerar expectativas de posse, há um êxtase saboroso na paixão. Dessa não-vontade de ter, e apenas ser e sentir, dilui-se a expectativa. Sem expectativa e na certeza de que não permanece, não há decepção.

  • Matheus Assunção

    Vocês acreditam naquela teoria de que tudo que aqui se faz aqui se paga? porque tipo, eu tive um relacionamento a mais ou menos um mes atras de 1 ano e meio e ralei demais na mão dela, ela me humilhava de todas as maneiras possiveis, exemplo, traição, largar de mim toda hora, catar conversa dela combinando encontro com outro cara, quando eu fui ficar com ela foi pra tirar zica mesmo pq nem bonita ela é direito, ela ja me chamou de fresco e falou q serve pra ser mulher de bandido disso para pior de verdade e eu sempre perdoei, claro, ficava sofrendo, mais nao sei o que acontecia comigo, ai que entra a teoria, eu sempre fui um cara meio indiferente com relacionamento, ate no começo com essa eu brincava, as minhas ex’s que foram duas sempre “ralaram” na minha mão e sempre quando acabava eu nem sofria, nunca imaginei que ia acontecer comigo o que eu passei agora, e ate hoje eu nao consigo sentir raiva dela e sempre sinto saudade até, sera que eu to pagando? nao é que é um castigo divino, pode ser que uma pessoa que sempre ta pisando em uma mulher e indiferente um dia apaixona, so que apaixona alem da conta, nao sei, só sei que ESSA minha paixão é uma bad, o que voces acham?

    • Bruno

      Passei justamente o que vc passou Matheus… igualzinho. Era desapegado com minhas ex’s e de repente veio uma e me acertou… fez o que eu fiz com as outras, só que comigo.Desapego e ocupar a cabeça com você mesmo é a melhor solução

  • http://www.facebook.com/franklin.melo.9 Franklin Melo

    Acho que isso tudo também depende de experiência de vida. Um marinheiro de primeira viagem sempre tem esse tipo de problema ao se relacionar.

  • http://www.facebook.com/luizmatos.delima Luiz Matos de Lima

    Toda essa história está sintetizada em uma situação que eu passaei á alguns anos atrás… Eu me envolvi com uma mulher, é claro, e esse envolvimento levou á paixão,a paixão levou á exigencia de casamento, por arte dela,e eu aprisionado pela paixão, aceitei a exigencia, apenas aparentemente. É que o casamento convencional, na minha mais autentica e arraigada concepção, é uma encenação, se de todas as uniões celebradas dessa forma, nenhuma tivesse se desfeito, mesmo assim não me convenceria, mas eu estava apaixonado , e não podia dizer “não”, mas tambem tinha certeza que não ia ser um dos atores principais daquela encenação, contribuia pra isso tambem, a minha negação á notoriedade, de minha parte, as coisas foram pendendo para o rompimento, da parte dela tava tudo ok. Ela adorava festa, e eu não, eu não ia ficar em casa, enquanto minha mulher estava na festa, eu não podia, nem devia , nem me achava no direito de proibi-la, eu não aceitava que ela renunciasse ao seu lúdico prazer , por minha causa, e o mais grave, eu tinha muito ciume dela, por isso pra defesa minha e dela, eu resolvi me afastar…

  • http://facebook.com/pedravellar Ravell

    Apaixonar-se é sempre uma bad. É sempre uma aposta muito alta, em cavalos imprevisíveis. É sempre assimétrico, é sempre tenso. Mas… as vezes termina bem…

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