“O grito mudo dos invisíveis”

Cripta Djan Ivson

por
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Nota do Editor: Eu (Jader) convidei o pixador Cripta pra falar com o PdH em junho do último ano. Naquela época, entrava em vigor a lei que criminalizava oficialmente a pixação e obrigava qualquer pessoa a passar o número do CPF ao comprar uma lata de spray. Em contrapartida, esse pixador foi convidado a participar da 29ª Bienal de Artes de São Paulo, a expor o seu “vandalismo” na França e, agora em 2012, foi entrevistado, por caráter artístico, pelo New York Times e já está com as passagens reservadas para a Bienal de arte de Berlim. 

Hoje mesmo, dia 13 de março, abre no MuBE a exposição São Paulo Mon Amour, que contará com a exibição da obra URUBU(sic), de autoria do homem. Se você se interessar, aqui estão as informações.

Sei bem que o assunto é bem cascudo e que esbarra na discussão pragmática da propriedade privada, mas preste atenção no discurso abaixo e, caso queira abrir a discussão, vou achar do caralho e também participarei. Mas queremos ver discussões abertas, e não ofensas fechadas que afunilam qualquer diálogo. A fala agora é do Djan.

* * *

Começar 2012 saindo no New York Times e se preparando para representar o Brasil na 7º Berlim Biennale (temática sobre arte e política) é muito interessante, sem dúvida. Mas só estou seguindo em frente, continuando a trajetória, como uma sina traçada.

O ano passado foi um ano muito produtivo, consegui expandir a discussão sobre pixação para o meio acadêmico, através de debates e palestras seguidos de exibições do documentário PIXO que produzi sobre a pixação em São Paulo. Isso foi uma conquista de diálogo, já que há pouco tempo sequer a havia a possibilidade do assunto ser discutido como arte no campo acadêmico. Antes dessa abertura para discussão, o movimento era simplesmente reduzido a vandalismo sem a chance de defesa.

Pixação em Porto Alegre

Também aproveitei para registrar em vídeo a ação de pixadores de outros centros urbanos, como Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Vitoria (ES). Em todos esses lugares, e em São Paulo, aproveitei para registrar os pixadores, promover exibições e debates sobre pixo em universidades federais e estaduais, também deixei minha marca nas paredes.

Foi muito interessante descobrir que a pixação ganha força nas capitais como um movimento consistente, cada vez mais tradicional e sofisticado nas ruas do Brasil (para desespero dos puritanos). A riqueza estética e tipográfica da pixação brasileira varia a cada estado. É como se cada letra carregasse a identidade da cidade. É uma comunicação visual muito forte, e foi novidade eu virar leigo do assunto de novo, ter que aprender a decifrar novas estéticas como um brasileiro que vai pra China e não sabe ler chinês.

Palestra na UERJ

Tudo isso deixa cada vez mais claro que a pixação vai muito mais além de ser somente tinta nas paredes, ou mero vandalismo. Não é mais possível ignorar a sua consistência política e artística. Isso não quer dizer que temos que ser aceitos pela sociedade, nem que agradamos. Não. O que ninguém realmente para pra pensar é: por que existem tantos pixadores? Será que não falta alguma coisa?

Não estou falando somente de São Paulo. É no Brasil todo. Além das capitais pelas quais passei, no Sul e Sudeste, várias outras do Centro Oeste, Norte e Nordeste estão cada vez mais pixadas. O cenário de abandono e miséria nas periferias de onde saem os pixadores é o mesmo em todo Brasil, sem boas escolas, bibliotecas, quadras de futebol, área de lazer, convivendo diariamente com repressão policial, desigualdade social, abuso de poder. Ouvi muitas historias de repressão contra pixadores, até mesmo alguns casos de homicídios.

O que vejo é que a pixação é a voz dos sem vozes, o grito mudo dos invisíveis.

Pixações em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro

Esses milhares de jovens das periferias viram pixadores porque não tiveram a oportunidade de aprender a pintar uma melancia fatiada. Se vivêssemos em um país justo, onde as oportunidades fossem iguais para todos, muitos problemas não existiriam. Se a pixação insiste em existir e se multiplicar pelo Brasil é porque falta alguma coisa. Se a pixação é considerada feia e agressiva por muitos é por que ela é o reflexo da própria sociedade que a criou. Como um espelho.

O mesmo exemplo serve para casos como o da poluição no rio Tietê: não adianta maquiar a cidade com projetos como o Cidade Limpa – a sujeira varrida para baixo do tapete sempre volta ao seu lugar a cada grande chuva.

Por isso na Bienal de Berlim uma pequena parte do movimento estará lá dando voz aos milhares que no Brasil não conseguem falar. Sem exotismo, mas sim como um ativismo político das ruas, que nasceu pela ausência do estado na vida das maiorias, que estão sempre à margem, aos redores, como urubus, sobrevivendo com as migalhas de um governo burguês de pão e circo, que governa apenas para uma minoria.

Enquanto as coisas não forem justas sempre haverá um muro pixado, enquanto houver insatisfação contra a ordem estabelecida vai existir pixação. Se calarem as vozes dos profetas, até as pedras falarão.

Cripta Djan Ivson

Pixador e documentarista. Paulista de 27 anos, mora em Osasco, Zona Oeste de SP.


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  • Dado Teles

    “Se a pixação insiste em existir e se multiplicar pelo Brasil é porque falta alguma coisa.”

    Sim. Faltam leis que garantam meu direito de propriedade. Falta polícia nas ruas para coibir estes e outros atos de vandalismo.

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      Ah, claro. O problema aqui é a falta de polícia nas ruas….

      • João Gustavo Nadal

         O problema é ter um bando de vagabundos nas ruas e pouco policiamento. Está certo o Dado Teles.

      • jaderpires

        Policiamento e/ou justiça efetiva contra a prefeitura e o governo também entra nesse seu pensamento?

      • Dado Teles

        Não Eduardo, não é o problema. Mas poderia ser a solução para impedir as pichações e como eu citei, outros atos de vandalismo.

    • jaderpires

      Educação falta, Dado? E as leis que garantam a propriedade privada de quem mal tem onde morar?

      Ou tu quer lei apenas para a tua propriedade privada e, o resto,m que se foda?
      Explica melhor essa linha de pensamento?

      • João Gustavo Nadal

        Campeão, vamos lá:

        1. No Brasil, é admitida a propriedade privada dos bens;
        2. A Lei brasileira protege a propriedade privada legalmente adquirida.
        3. A pixação é um desrespeito à propriedade privada alheia.

        Você não entendeu isso, ou acha que a Lei não deve ser aplicada a quem é pobre?

      • jaderpires

        Deve sim. E quanto as minhas perguntas? 

      • Dado Teles

        Jader, é claro que falta educação, falta moradia, falta distribuição de renda. Essa bobagem de 6ª economia mundial não serve pra nada, se não houver a diminuição das desigualdades sociais em nosso país.

        Não consigo aceitar essa forma de vandalismo que é a pichação, por isso opinei que falta lei e polícia na rua pra coibir tais coisas.

      • jaderpires

        É que essa me parece uma solução paliativa, assim como simplesmente prendem um viciado em drogas. O lance tá mais embaixo. Entente?

        Não vejo nem como algo ruim a tua opinião. Apenas incompleta.

      • Dado Teles

        Jader, não consegui responder pra você. Aliás, por que há limitação de respostas? Mas respondendo, é o seguinte. Num mundo perfeito, teríamos soluções completas e definitivas para todos os problemas. Não é bem assim. Vamos começar pelo mais simples e imediato, tirar os criminosos das ruas. Não compare um pichador/vândalo com um usuário de drogas, a menos que os pichadores cheirem o conteúdo das latinhas de tinta e eu não saiba…

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Mas aí, num mundo imperfeito, vale mais o direito de propriedade do que o desejo de manifestação. É isso?

  • Joy

    Por um lado temos a questão da propriedade privada e do patrimônio público. Mas e aí? Acho que é um preço que a sociedade está pagando pelas políticas que a mesma sociedade colocou no poder. É uma espécie de protesto às políticas públicas, né? Só que a discussão já passou do ponto de “o que significam as pixações?” ou “quais são os objetivos?”, acho que agora temos é que discutir até que ponto uma pixação pode ser vista como um protesto e quando passa a ser vandalismo. 

  • http://tenholaminhasduvidas.blogspot.com/ Marcelle Gália

    Muito me chamou a atenção o texto, pois foi tema do meu TCC no curso de jornalismo. Quis focar em algo que entrelaçasse identidade social com arte visual.
    Gravei muitos vídeos na madrugada de São Paulo, conversei com um leque absurdo de pessoas (apesar de todo mundo ter rabo preso e uma cara de quem pretende intimidar…yeah, right!), e sei que tem um nicho que picha para demarcar território, tanto o guri de classe média que precisa se auto-afirmar, motivado pela sua cultura musical, quanto o indivíduo que tem suas motivações atreladas à violência e quer mostrar que faz parte de uma gangue. No geral, há mesmo quem pratique esse ato como uma forma de protesto. Existe o cara que quer passar uma mensagem bíblica, o que está revoltado com a namorada, o que está meio puto com o resultado das eleições e vários outros desdobramentos. Temos fé, desilusão, revolta etc estampados em muros não muito gratos pela visita. Uma pena que as propriedades acabem sendo alvejadas por esses sentimentos, mas é o reflexo de um contexto social. Se eles deveriam pixar o muro da própria casa ? (como disse um professor) Quem pode afirmar que não fazem? E além do mais, qual seria a eficácia na transmissão da mensagem?
    Vale lembrar que pichação (ou pixação) é diferente de grafite/grafitti, que é uma arte dentro dos padrões legais, autorizada pelo proprietário do local a ser pintado, geralmente com desenhos e não apenas tags (assinaturas) e mensagens de todo tipo de sortimento. Eu ainda prefiro o grafitti, mas exigir a sua prática em substituição à pixação seria, mais uma vez, limitar a voz dos que não têm instrumentos para se expressar.

  • TZinmi

    Jader, ok, ofender não pode, mas não aceito ser chamado de “puritano” só porque não concordo com o “mero vandalismo”. Pesos iguais, por favor.

    Se as fotos usadas para ilustrar o texto era para mostrar o quão bonita fica a cidade toda pichada, acho que falharam.

    Morei numa casa de esquina, a mesma casa que meus pais ainda moram, com um muro enorme, e só eu sei quantas vezes tive que pintá-lo, apenas por ser crítico demais com a “arte” alheia, afinal o que eu entendo de arte urbana? Mas eu entendo de invasão de propriedade, de gastos com tintas e pincéis, com horas perdidas limpando a “arte” que fizeram no meu muro.

    Assim como concordei com a lei paulistana contra a poluição visual, mesmo sendo uma lei problemática, não posso concordar com esse crime, uma coisa é grafite, devidamente autorizado, outra é um bando de desocupado, que o único intuito é pichar mais alto e em lugares mais difíceis que o bando contrário, sujar toda a cidade.

    O fato do assunto ser tratado e discutido em universidades não o legaliza ou mesmo o põe no patamar de arte, ainda é um crime, o dia que deixar de ser, cagar em praça pública será normal.

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      TZinmi, a idéia da pixação nunca foi ser bonito. Eu também tinha preconceito – assim como tinha com o rap, por exemplo – e me apegava antes a forma que ao conteúdo.

      A questão é que o pixe é um tipo de arte que convida à reflexão – não é, portanto, para ser admirada nos moldes clássicos de beleza, mas para ser refletida. É um espelho da realidade dos subúrbios , é um tapa na cara, uma custpida no seu terno que passa indiferente à essas pessoas que não tem a mesma oportunidade que nós.

      Quantas vezes já nos revoltamos, de fato, com os abusos dos governantes? Quantas vezes cobramos resultados e exercemos nossos direitos como cidadãos? Por que é que quando nossa propriedade é agredida, mesmo que minimamente na superfície, isso nos causa mais raiva do que quando existem agressões bem maiores e profundas em nossos iguais? As pessoas seriam menos do que uma camada de tinta, por que não pensamos em ouví-los quando falam?

      Mas não, simplesmente viramos a cara para a criança de rua, desviamos do mendigo no caminho, reclamamos para a namorada bonitinha sentada no banco do lado no carro o quanto a cidade está feita por causa do spray. Mas será que, ainda mais feia do que a falta de “noção de beleza e respeito ao patrimônio” não é o fato dessas pessoas não terem recebido o mínimo para ter essa noção, e muito menos respeito enquanto pessoas?

      • TZinmi

        Ok Eduardo, a pichação não é para ser bonita. Com essa frase você já me dá razão quanto a minha indignação com a sujeira no muro de casa, afinal quem quer um muro feio? Eu não quero e duvido muito que você queira.

        Faça o seguinte, libere seu carro para ser pichado também, assim essa “arte urbana” poderá ser vista por mais gente, afinal nem todo mundo sabe onde você mora e não tem a oportunidade de apreciar a “arte transgressora e viril” desse pobres artistas incompreendidos. Ah, no carro não, né. Imaginava isso mesmo.

        Uma coisa é fazer Rap, por mais que eu não goste, não sou obrigado a ouvir ou mesmo colocar um CD no meu aparelho de som, apenas porque é uma manifestação da periferia, e eu tenho que apoiá-la porque se eu for contra, eu estou oprimindo a minoria desfavorecida, outra coisa é danificar o patrimônio alheio, a fim de manifestar sua revolta com os governantes. Ninguém nunca ouviu falar em passeatas, atos públicos, o próprio Rap, ações concretas, que possam ter efeito prático, não escrever seu nome, ou o que quer que seja, no alto de um prédio, o que isso tem de ação prática para a mudança das atitudes dos nossos governantes, por exemplo? NENHUMA!

        Você acha bonito quando vê uma escultura numa praça toda suja? Sua professora achava legal você escrever na carteira da classe? Sua mãe dava os parabéns quando você rabiscava toda a parede? Se alguma das suas respostas for sim, você vive num mundo muito diferente do meu.

        Agredir “minimamente a superfície” do meu patrimônio não vai resolver nenhum problema maior, muito pelo contrário, fará com que apenas se tenha mais aversão a manifestações “artísticas” como a pichação.

      • Lu Pagliato

        Ótimos argumentos TZinmi.

      • Carvalho

         Mandou benzaço, parabéns por ter paciência de discutir os argumentos rasos do autor.

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Perguntinha #1: só porque eu estou insatisfeito com alguma coisa, eu tenho o direito de invadir o espaço alheio e usa-lo para descarregar minha raiva e passar uma mensagem que ninguém quer ler?

    Perguntinha #2: quando o Banksy pixa uma casa – fazendo o valor dela ir à estratosfera, já que ela passa a ser uma exposição ao ar livre – é arte ou é vandalismo?

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      “passar uma mensagem que ninguém quer ler?” . É aí que está o problema, ninguém quer ouvir, ninguém quer ver. Para que te faça pensar de alguma forma, a injustiça é compartilhada. Não é dada a opção da ausência do Estado para essas pessoas – ele é simplesmente ausente, elas queiram ou não. Assim o é com o seu muro ( e eu tenho os meus pixados, não pinto mais), com a pequena diferença que o conceito de injusto para alguns é a falta de vagas nas escolas, de um transporte acessível e de qualidade, das condições mínimas para disputar nesse gládio que chamamos de mercado, e para outros é um pouquinho de tinta na parede.

      • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

        Pra mim isso parece mais um gesto de violencia. Sabe uma criança birrenta que quebra o brinquedo quando é contrariada? É por aí.

        O artista de rua que pixa não faz nada mais do que incitar a pior visão e opinião possível sobre sua prática. Ele até pode ter um discurso válido, mas sua prática causa muito mais revolta do que sensibilização. E se o objetivo é a sensibilização dos outros, ele está fazendo isso errado.

    • Camila

      O Bansky é grafiteiro, um artista de rua que tem um trabalho super consistente.
      Grafite e picho são duas coisas diferentes. Um pichador pode ser grafiteiro mas, nem todo grafiteiro é pichador. Uma obra de arte pode surgir de um ato de vandalismo, uma coisa não anula a outra, mas nem todo ato de vandalismo pode ser considerado obra de arte.
      Nem todo grafiteiro pinta os muros dos outros sem autorização.
      Alguns tipos de arte são feitos para serem invasivas, porque se não fossem não conseguiriam atingir seus objetivos. É errado invadir o espaço do outro? É.  Grafiteiros e pichadores conhecem quais são as consequências disso.
      Eu particularmente considero o picho, uma manifestação popular, mas não necessariamente artística.
      Já o grafite sim.

      • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

        E qual é o critério que separa o grafite do piche (ou seria pixe)? Qual é o critério que define o que é arte e o que é vandalismo?

  • Rodrigo

    Guardadas devidas proporções, sem comparar as atividades…
    seria como dizer que o cara assalta, mata etc… por culpa do governo.
    sem contar a qeustão da propiedade privada ou pública que seja… imagina se eu na madruga pintasse o muro da sua casa de vermelho e preto simplesmente porque eu gosto da combinação das cores ou sou rubro negro…

    Agora se o cara pixa sua propia propiedade tranquilo, nada contra.

  • Angelo

    No texto,o autor deixa entendido que há repressão policial contra pixadores e que isso é ruim,mas se tratando da pixação um crime,assim como furtar roubar,será que não devemos repreender bandidos na rua? devemos deixa-los roubarem as pessoas e deixar eles irem embora?

    Parece muito infantil combater um crime(corrupção policial) com outro crime(pixação),não é mesmo?

    Pensem nisso…

    • http://www.facebook.com/people/Eduardo-Pacheco/100002345621352 Eduardo Pacheco

      A desobediência civil pacífica é totalmente legítima, Angelo, quando o Estado não cumpre com os deveres constitucionais. Temos alguns exemplos na história em que se combatia um crime com outro – com a diferença é que um tinha a legitimidade dos valores do povo, e outro era uma simples manifestação da vontade do Estado 

      Na década de 50 nos EUA, a cidadã negra Rosa Parks foi presa ao se recusar a ceder lugar à uma branca no ônibus. Absurdo, não? Uma negra se recusando a cumprir a lei, agindo feito uma marginal! O “marginalismo” dela, no entanto, inspirou o ativista pelo direito dos negros Martin Luther King a bater de frente com isso, e se hoje existe alguma igualdade, ainda que mais jurídica do que de fato, é pela desobediência civil de muitas Rosas Parks e Luther Kings.

      O apartheid na África do Sul, por exemplo, também era totalmente amparado em leis. Acha que dá pra lutar contra um movimento desses apenas dizendo “Amém” para o Estado? Sob essa ótica, o Mandela era um criminoso.

      A nossa constiuição federal de 1824 assinava em baixo da descriminação por renda e da escravidão , no seu art. 91 nas alíeas 3 e 5. Acha que um abolicionista, à época, deveria compactuar com isso, só porque estava nas letras da lei? Sem respaldo social, lei nenhuma vai ser aprovada – e o jeito de mostras sua insatisfação, por vezes, envolve se pocionar contra a lei ou usar um pouco de tinta.

      Como os exemplos são infinitos trago para os dias atuais: Tirar xérox do livro , como todo mundo faz na faculdade, é crime. Sugere que os alunos sejam tratados na porrada por causa disso?

      A questão, Angelo, é que independente do que aconteça com aquela pessoa em especial que está transgredindo a lei, precisamos pensar no que será feito para evitar que outras pessoas entrem nesse caminho. Não é culpar o “pecador”, é entender o porquê do “pecado”.

      • João Gustavo Nadal

        Errado, amigo. Três vezes:

        1. Pixar o muro alheio não é desobediência civil pacífica;
        2. A pixação não representa relevantes valores morais ou sociais, ou indica uma oposição clara à lei  ou regime vigente;
        3. A pixação é, sem si, antidemocrática. A propriedade, no Brasil, é um direito tão relevante quanto a libertade de expressão, campeão.

        Entendemos as razões que levam um desocupado a pixar muros alheios. Jóia. Mas pixar muros alheios continua sendo crime, e causando prejuízo ao proprietário.

      • jaderpires

        O estranho é que sempre pensam na própria propriedade privada.

        Não sou contra isso, acho justo.

        Mas faar só no “eu” e não no “porra, quanta gente tem por ai morando em bairros sem um mínimo de infraestrutura”. Isso seria um vandalismo da prefeitura, do governo, da falta de pensamento em urbanismo nas cidades. E daí ninguém mete o bedelho, certo?
        O que me incomoda é o eterno “eu”. “se a minha propriedade tá inteira, daora, então que se foda o resto”. Me parece um pensamento muito pequeno.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        1 – Como não? É uma conduta antijurídica que é cometida sem violência, em decorrência da alienação de parte da população de todo um contexto cultural e dos meios de expressão.

        2 – Se direito de expressão não for relevante, eu não sei mais o que o é. Ah, mentira, sei sim, é a propriedade privada.

        3 – Hein?

        Pixar continua sendo crime, beleza. E não vale uma reflexão? Um dano ínfimo ao patrimônio dá cadeia, enquanto um político pode ser beneficiado com a delação premiada, um criminoso financeiro pode evitar a prisão devolvendo o dinheiro.

        Lembremos que até outro dia o adultério, sedução e rapto consensual também eram crimes. E eram crimes imbecis.

      • AbadeSP

        Eduardo, 

        levando em conta TUDO o que vc disse sobre Parks e Kings…

        Vamos SUPOR que a pichação fosse liberado, e fosse tratada como uma ação normal…

        Quais os benefícios que elas trariam à sociedade (assim com o o fim do Apartheid e da Discriminação trouxeram) ???

        Como poderiam ser benéficas se, além de não serem direcionadas às pessoas certas, ninguém (a grandíssima maioria) consegue entender o que está escrito nesses pseudo-protestos??

        A grande maioria, quando revoltada, no desenrolar da história e na maioria das vezes, sempre pintaram faixas/cartazes e/ou o próprio corpo (vide Diretas Já), e não precisaram sair pichando propriedades alheias!

        Espero que você consiga, sem delongas, esclarecer essas dúvidas para mim.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        O protesto não está no texto Abade, está no ato. 

      • Angelo

        Eduardo,por favor,desde quando pixar muro é desobediência civil pacífica? destruir patrimônio alheio é pacífico?

        Muito falho seu argumento quando citou a Rosa Parks,comparar a África do Sul que tinha a segregação racial institucionalizada,e o Brasil com umas das constituições mais avançadas do mundo em termos de democracia,sinceramente,foi triste.

        Existem centenas de formas de expressão artísticas totalmente lícitas,porque em vez de praticar um ato ilícito para se expressar,os pixadores não escrevem um rap falando sobre sua situação social? Emicida e Criolo estão aí pra provar que dá certo…

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      Será mesmo que os crimes são tão parecidos assim? Um que envolve uma violência e outro que envolve um dano menor ao patrimônio. Pra mim são coisas bem diferentes.

  • João Gustavo Nadal

    Nunca li tamanha bobagem. Causar dano ao patrimônio alheio ainda é crime, e esse artigo promove a apologia de delito ou fato criminoso, com um argumento chinfrim.

    Algumas asneiras me chamaram a atenção:

    “Antes dessa abertura para discussão, o movimento era simplesmente reduzido a vandalismo sem a chance de defesa”.

    Me chame de antiquado, mas não vejo nada artístico nas fotografias que ilustram o artigo. Só vandalismo com a propriedade alheia. E você vai ter um bom trabalho para nos convencer do contrário.

    “Foi muito interessante descobrir que a pixação ganha força nas capitais
    como um movimento consistente, cada vez mais tradicional e sofisticado
    nas ruas do Brasil (para desespero dos puritanos)”.

    Respeito à propriedade alheia é bom, e eu gosto. A Lei diz ser proibido danificar a propriedade alheia. NÃO DANIFIQUE. Um pretenso “movimento” que pretente apenas lesar o patrimônio alheio merece, sim, ser reprimido. O pixador é criminoso igual o ladrão, o assaltante, o homicida e o traficante de drogas.

    “A riqueza estética e
    tipográfica da pixação brasileira varia a cada estado”.

    É piada?

    “Ouvi muitas historias de repressão contra pixadores, até mesmo alguns casos de homicídios.”

    Isso é previsível. Se o criminoso não quer ser repreendido, e não quer correr o risco de ser alvejado pelo cidadão lesado por sua conduta, que desista do crime. É simples assim. Isso mata a “arte”? Não. Só não espere ser reconhecido como “artista” enquanto agir em flagrante desrespeito à Lei.

    “Se a pixação é considerada feia e agressiva por muitos é por que ela é o
    reflexo da própria sociedade que a criou. Como um espelho.”

    Errado. A sociedade não criou pixação COISA ALGUMA. UMA OVA! Quem criou pixação é um bando de desocupados, denominados pixadores, que se dedicam copiosamente ao vandalismo. Eu não criei vândalo algum em casa. A culpa do delito é de quem o comete, e não da sociedade em que se criou o delinquente. Fosse válido o seu argumento, abram-se já as portas dos presídios, pois todos os criminosos foram criados em uma sociedade injusta, e os crimes seriam só “reflexos” dessa sociedade. Essa bobagem tem nome: BARBÁRIE.

    “Enquanto as coisas não forem justas sempre haverá um muro pixado,
    enquanto houver insatisfação contra a ordem estabelecida vai existir
    pixação.”

    Ah, OK. O pixador não é um vândalo, um criminoso. Ele é um agente de transformação social, promotor da justiça na sociedade… UMA OVA! A “insatisfação contra a ordem estabelecida”, expressa de maneira contrária à Lei, campeão, tem nome: CRIME! Se eu fosse contrário à pixação, “insatisfeito com a ordem estabelecida”, e ache que devamos trucidar todos os pixadores, trucidá-los seria uma ação legítima? NÃO! É crime!

    • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

      Você fala de criminoso e agente de transformação social como se fossem duas coisas distintas, do tipo que se for um não pode ser o outro. Mas o que impede que o pixador seja também um agente transformador?

    • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

      “Causar dano ao patrimônio alheio ainda é crime”

      Assim como fumar maconha também o é. E existem marchas contra isso. Que legalismo!

      “Respeito à propriedade alheia é bom, e eu gosto. A Lei diz ser proibido danificar a propriedade alheia. NÃO DANIFIQUE. Um pretenso “movimento” que pretente apenas lesar o patrimônio alheio merece, sim, ser reprimido. O pixador é criminoso igual o ladrão, o assaltante, o homicida e o traficante de drogas.”Um comete um “crime” contra o patrimônio. Os outros contra a vida e a saúde públicas. É, são iguais mesmo. Exceto que não, não são não.”Isso é previsível. Se o criminoso não quer ser repreendido, e não quer correr o risco de ser alvejado pelo cidadão lesado por sua conduta, que desista do crime. É simples assim. Isso mata a “arte”? Não. Só não espere ser reconhecido como “artista” enquanto agir em flagrante desrespeito à Lei.”Uma lesão contra o patrimônio é respondida com um ataque contra a vida. É, eles não são iguais não. Como o patrimônio vale mais do que a vida, o pixador é pior do que o homicida.”Errado. A sociedade não criou pixação COISA ALGUMA. UMA OVA! Quem criou pixação é um bando de desocupados, denominados pixadores, que se dedicam copiosamente ao vandalismo. Eu não criei vândalo algum em casa. A culpa do delito é de quem o comete, e não da sociedade em que se criou o delinquente. Fosse válido o seu argumento, abram-se já as portas dos presídios, pois todos os criminosos foram criados em uma sociedade injusta, e os crimes seriam só “reflexos” dessa sociedade. Essa bobagem tem nome: BARBÁRIE.”Eu queria que você, João, fizesse um exercício de empatia. Queria que se imaginasse no corpo do pixador, desde a infância. Os primeiros anos, a escola, tudo. O desejo de expressar alguma coisa e a ausência de espaço, instrução ou oportunidades. E, se não forem ausentes, pelo menos a extrema dificuldade em consegui-las. Me diz, dá pra atribuir tudo ao pixador? Mesmo?”insatisfação contra a ordem estabelecida”, expressa de maneira contrária à Lei, campeão, tem nome: CRIME! ”Mas se a ordem estabelecida é que cria as leis, nunca que ela permitirá uma insatisfação eficiente dentro da legalidade estrita, não acha? Ou eu que sou muito desconfiado?

    • Éder Mendes

      Poucas vezes vi comentários tão coerentes como este.
      Confesso que li bons textos aqui, mas ultimamente não. Não acho que isso diminua o sucesso de vocês, mas sim o público: eu mesmo não tenho lido nenhum artigo recente. Vocês estimulam o leitor a mudar de opinião, a considerar discussões, mas quando escrevem algo não admitem arredar o pé do que disseram… lamentável.

  • http://www.facebook.com/people/Marcos-Barretta/100001988029859 Marcos Barretta

    Se a pixação é considerada feia e agressiva por muitos é por que ela é o reflexo da própria sociedade que a criou. Como um espelho.

    • jaderpires

      Finalmente.
      Muito bom, Barreta!

  • João Gustavo Nadal

    Se é arte, que ajam como artistas; enquanto agirem como criminosos, a pixação será crime.

  • Carlos Gomes

      Eduardo Pacheco, sinceramente suas comparações são bastante absurdas. Textos grandes e bonitos que dão preguiça de ler, mas eu li. 
      Se é para o estado ver isso, então eles deviam ir pixar o congresso, não a casa dos outros. Só por que estou bravo com a vida vou prejudicar o próximo?
      E com todo respeito, boa parte dos pixadores não cometem apenas esses delitos. Pelo menos 3 que eu conhecia eram também bandidos, e um acabou morrendo na cadeia.
      Gostaria de pedir o endereço dos defensores para que eu possa expor minha raiva em suas casa. Desenho homens palitos lindamente.

  • jaderpires

    Muito pragmático dizer que todo pixador tem falta de educação e caráter. Tem nego com terceiro grau completo botando fogo em outras pessoas, atropelando pedestres cheio de uísque e energético na cabeça e, enfim, muita gente com grana, estudo e o takl “caráter” fazendo muito mais cagada que pixar o muro alheio.

    Achar a pixação algo errado é completamente pertinente. Jogar todo mundo num mesmo saco e separar erros por classe algo bem ruim.

    Não?

    • Joka Senra

      Tenho certeza que ele está falando da educação que vem de casa, não a educação que vem da escola …

      • jaderpires

        O argumento é o mesmo.

    • Luiz Alfredo Fróes

      Não.
      Vou explicar apesar de você não ter conseguido concatenar uma ideia clara.
      Todos que colocam fogo e atropelam pessoas por prazer são gente sem caráter ou com alguma perturbação mental profunda.
      Todos que se dedicam a “nobre arte” de destruir ou depredar patrimônio público ou privado também não tem firmeza de caráter e nem envergadura moral.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Acho que pintar uma parede e tirar uma vida são coisas que estão em diferentes escalas de importância.

    • João Gustavo Nadal

       Educação não é sempre sinônimo de instrução, guri…

  • http://www.facebook.com/korbes André Körbes

    Se tudo o que os pixadores querem é erguer uma voz, um “grito mudo”, VÃO PIXAR O PATRIMÔNIO PÚBLICO.

    Acabo de pintar o muro de frente da minha casa, eu sei o transtorno e o custo para manter ele do jeito que eu quero. Nenhum pixador tem o direito de invadir a propriedade PRIVADA para executar a sua “arte”. Se eu ver meu muro pixado hoje, minha leitura não será “pobre coitado não teve as mesmas oportunidades que eu e só quer ser ouvido”, será “cadê a polícia pra enfiar esse filho da **** na jaula e ser tratado como um animal não civilizado?”. E ela não vai mudar depois.

    Antes de você defensor da “arte” dos pixadores vir falar que eles podem fazer isso como um “grito mudo”, pensa se fosse a sua casa, que você colocou até o último centavo, vindo do seu trabalho esforçado, que estivesse sendo pixada sem sua aprovação.

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

    A transgressão foi defendida no texto anterior, mas não neste. Inclusive pretendo falar a respeito disso mais abaixo, se quiser ler.

    A mensagem aqui é de que os pixadores são uma consequência inevitável do modelo atual de nossa sociedade, é o protesto dos que sofrem para manter o elevado padrão de vida das classes acima. Não quer dizer que a atitude deles é correta, mas sim que não é viável combatê-los como um problema isolado. Deve-se cortar o mal pela raiz, e a raiz não é a má índole do pixador -esta é mera consequência de seu próprio meio, que por sua vez é consequência do nosso modelo de sociedade.

  • jaderpires

    Não adiante falar de sujeira, Marcos. A ideia da pixação, como dito no outro post do Djan, não é ser bonita, não é ser agradável. É pra ser sujioe  incômodo mesmo.

    E daí, pelo que você mesmo disse sobre visibilidade, acaba dando certo. O pensamento tem que ir pra outro caminho. Por que essa galera que pixa quer ser vista? Quer ser vista como?Se for pra ser vista comouma galera “bandidda”, por que tudo isso? Alguns podem fazer pelo simples fato de ter ibope? De parecer mesmo um “bandido”? Será que todos são assim? Tem gente qurrendo algo mais? Querendo mostrar como nos preocupamos com uma estética burra e uma higienização pura e simples de tudo o que achamos feio? Desde a pixação até aqueles que fazem isso?

    • Marcos Augusto Nunes

      Penso que a uma sobreposição de discurso sobre o pessoal pichação que não tem tanto a ver assim com eles mesmos. Conheci vários pichadores que só queriam mesmo “deixar a marca” deles, no geral para que outros pichadores vissem; era um mero campeonato de visibilidade para consumo interno: “E aí, cê viu, mandei ver no viaduto!”, etc.

      Também não levo a sério essa crítica à estética & higienização burra (tô pra ver uma sujeira inteligente…); pichação, com perdão da expressão, é um troço feio pra caralho, ainda mais num conjunto de dezenas, às vezes até centenas, num prédio só.

      Ok, os valores estéticos das classes dominantes são expressão do desapreço pelas classes subalternas, parte de estratégia de dominação e humilhação, e as primeiras bem merecem a invasão e violação do suposto “bom gosto” que professam. O problema é que grande parte das pichações são feitas em bairros de periferia, onde a “mensagem” não é vista por aqueles que mais se sentiriam “incomodados” por ela, onde a sujeira – pura e simples – só causa desgosto e um custo adicional àquele que não acha razoável ver em seu muro pichações como “CV” ou “ADA” – Comando Vermelho e Amigo dos Amigos.

      Se a intenção é provocar alguma reflexão naqueles que dão pela coisa, seria melhor se eles escrevessem poemas de Maiakóvski.

  • jaderpires

    E há algo que justifica botar pessoas nessa qualidade de pixadores? De transgressores e vândalos?

    Vejo muita gente apedrejando a pixação, mas nenhum falando do que está por trás, em como dar melhores condicões para que muitos deles deixem isso de lado.
    Apontar o dedo pro lado mais fraco parece muito fácil. Fácil demais, até.

    • João Gustavo Nadal

       Cara, não fale em dar melhores condições para que eles deixem isso de lado. Aqui, já pagamos 40% de imposto para que o governo faça isso…

      • jaderpires

        E o governo não faz. Isso é fato. E aí? Foda-se o governo e quem não é agraciado por ele?

    • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

      Jader, sempre é mais fácil apontar onde esta os problemas que resolve-los e isso não é demérito, ainda que partes da solução venha sendo dita por aqui e ao mesmo tempo ignorada.

      Dar voz a esse movimento de pixação a exemplo do que esta sendo feito aqui é um começo, mas apoiar ou elevar a nível de arte acho que só complica mais a coisa.

      “E há algo que justifica botar pessoas nessa qualidade de pixadores? De transgressores e vândalos?”

      Sim, é justificado ao meu ver, já que transgridem leis e vandalizam propriedades. 

      • jaderpires

        não é demérito não, Marcio. Só acho um pensamento deveras pequeno. Olhar pro umbigo e não pro todo. 

        Claro que todo mundo quer ter se u muro limpinho. Fato. Mas são essas mesmas pessoas que passam pela rua, reclama da pixação, mas fecha os olhos pro cara que tá largado na rua, bêbado, cheio de craque na cabeça ou só por pura falta de oportunidade.

        São as pessoas que recalamam do muro sujo, mas tão pouco se fodendo pro trânsito absurdo – ao contrário, compram mais carros pra trabalhar sozinhos e foda-se. São as pessoas que querem linchar um pixador, mas ficam quetinhos quando desistem de processar uma empresa no pequenas causas porque o processo burocrático vai demorar 4 anos pra ser julgado.

        E, com isso, esse bando de frustrados (me incluo) vê o lado mais fraco, mais bobo, como a pixação (aí não me incluo) e querem “justiça”, querem polícia na rua pra dar com o cacetete nesses vândalos. Mas quando o prefeito sugere dobrar seu salário, todos os fracos abaixam a cabeça e dizem “ah….a política é assim mesmo, só sabem roubar”. Entende?

        Acabar com a pixação, em sua maioria, não é querer ver a cidade limpa. É tentar abafar toda a frustração no lado mais fraco da corda.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        Se não é arte, então tem que dar cadeia.

        A discussão é mais ampla, né não?

      • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

        Em resposta a Xavier:

        Nunca disse isso Xavier, a arte pode ser criminosa também. Se Leonardo vivesse hoje e invadisse minha casa para pintar a Mosa Lisa nas paredes, apesar do belo trabalho estaria antes disso cometendo um crime.

        Com certeza o assunto é bem mais amplo.

  • jaderpires

    Qual seria o tipo de protesto “correto” e efetivo? Conta pra mim.

    • Albert Einstein Newton Edison

      Jader, veja no meu comentário abaixo as perguntas que fiz ao Eduardo! Mas para ser mais rápido, vide Diretas Já!

      • jaderpires

        Tu já tentou organizar isso? Ou foda-se os não favorecidos, desde que eu tenha meu muro limpo?

      • AbadeSP

        Jader, não é questão de “Foda-se aos não favorecidos” ! Eu tenho amigos de infância onde um irmão hoje em dia é preparador físico do time da cidade, enquanto o outro irmão (com pouca diferença de idade) na adolescencia ficava pixando muros, roubando “bombetas”, entre outros…. hoje ele trabalha numa linha de produção e ganha um mísero salário… enquanto o outro ganha uma boa grana!!

        Os 2 tiveram as mesmas condições, eram tratados igualmente pelos pais e pelos amigos….

        O problema foi a sociedade ?? Eu creio que não.. onde come 1 comem 2, não é?!

        Eu diria que o maior problema/diferença entre eles foram as amizades!!

        Enquanto um praticava esportes, o outro se juntou com um playboy revoltado com a sociedade e acabou sendo levado para a “marginalidade”…

  • Luiz Alfredo Fróes

    Este mimimi de falta de igualdade, falta de oportunidade e o resto desta babacagem de esquerda fazem deste país a bosta que é.
    Se o cara é um pixador confesso e depredação de propriedade pública ou particular é crime, o que falta para o senhor autor do texto responder processo? Só uma denúncia?

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

    Complicado o tópico, viu?

    Não dá para ser preto no branco por aqui e dizer que um lado está certo e outro está errado. Aliás, acredito fortemente que nunca dá para efetivamente classificar as coisas de forma tão maniqueista e reducionista, mas isso não é assunto para agora.

    Achei o texto genial. Mostrou amadurecimento por parte do autor, que antes se mostrava como vítima e agora como uma voz quase imparcial e cheia de razão e coerência. Enquanto antes defendia sua prática com unhas e dentes, agora enxerga o fenômeno como consequência de um problema social gigante. Um que ataca diretamente aos pilares de nossa sociedade. Lindo.

    Só acho que essa discussão não deve se restringir à pixação, mas a toda e qualquer injustiça social. Afinal, nossa sociedade falha em sua proposição mais básica: Dar iguais oportunidades a todos, independente de cor, credo, classe social ou deficiências. Acho que o debate será mais produtivo se tomar o rumo de: O que podemos construir ou alterar em nosso meio de forma que se espalhe e cause o movimento de reforma social necessário para erradicar estes problemas?

    Eu mesmo não sei responder, mas acredito ser esta a pergunta certa e acho que devemos nos abrir a sugestões quanto a isso. Não é uma solução, mas é um pequeno passo em uma direção produtiva para todos.

    • jaderpires

      Justo.

    • TZinmi

      Sandro, muito justa sua proposta, mas ai é preciso de um outro post, outro texto, discutir todos esses problemas a partir da pichação é no mínimo ingenuidade, senão era só dar uma lata de spray pra cada criança de rua e eles seriam ouvidos e atendidos.

      O buraco é beeem mais embaixo.

      • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

        Concordo que o buraco é mais embaixo. Bem mais.

        Por isso mesmo sou contra encarar a pixação como um problema isolado e mais válido tratá-la como consequência de um defeito muito maior na estrutura social presente. Conter os pixadores não vai resolver nada, só vai controlar uma praga que irá continuar e perpetuar até que sua causa seja erradicada ou corrigida.

        A meu ver esta e algumas outras formas nada agradáveis de manifestação se originam na falha de nosso sistema em prover aquilo a que se propõe. Todos contribuem, mas poucos recebem. Ai é receita pronta para um bolo de merda mesmo.

        Esse debate, porém, é muito mais aberto e compléxo do que simplesmente apontar uma causa/falha em alguma coisa. Deve ser desenvolvido, aprimorado e amadurecido. Realmente rende todo um outro tópico, mas um que julgo muito mais relevante do que simplesmente isolar e debater a pixação como se esta fosse causa de si própria.

        A colaboração entre visões coletivas e individuais é essencial na interpretação de uma questão profunda como a desigualdade social, mas tentar não mata, né?

        E se alguém provar que é impossível, eu tiro meu chapéu =)

      • TZinmi

        Ok, não vamos encarar a pichação como um problema isolado, mas o post apenas defendeu a pichação, mostrando como agora universidades e galerias a descobriu como sendo arte, não quis discutir os problemas sociais, o porque que nossos impostos não são usados de maneira correta, ou porque o Estado não consegue promover a igualdade, ou até mais importante, porque a sociedade fica com a bunda pregada na confortável poltrona, assistindo o Jornal Nacional e apenas reclamando dos políticos.

        Por que o texto então não mostrou a relação entre as desigualdade social e a pichação? Não, ele mostrou o quão legal é ir contra as leis e ser reconhecido. Isso se chama vaidade.

        Esse ano tem eleições municipais, justamente para eleger os mandatários mais próximos, mais acessíveis, elaboremos então um manifesto para ser entregues a todos os candidatos, com os devidos questionamentos sobre os problemas sociais, o por que daquele bairro ainda não ter luz e serviço de água e esgoto, por que não tem vagas suficientes em creches e outras mazelas, e nos comprometemos a cobrar dos eleitos, divulgando aqui na internet os candidatos eleitos que ignoraram tal manifesto, ou algo assim.

  • João Gustavo Nadal

    Na verdade, você PODE fazer isso. Basta que a arma esteja devidamente registrada.

  • Fabio

    Posso até entender que a pichação pode ser um protesto social contra um governo que age em favor de uma minoria. No entanto na prática não é. Os alvos da pichação em geral são justamente os imóveis de pessoas da classe média. Essa classe média é quem mais paga impostos e menos usa serviços do Estado. Está longe de ser a minoria pela qual o Estado governa. Essa classe média acaba por ser duplamente prejudicada, à medida que não é atingida pelas políticas públicas e ao mesmo tempo é atingida por esses ditos protestos sociais. Se o intuito da pichação é mesmo a manifestação de contrariedade contra a elite, por que a mesma não se concentra nos bairros nobres e casas de luxo? Isso sim poderia ser considerado um protesto contra a minoria opressora que controla o Estado e mantém o pichador na condição de desfavorecido socialmente. Da forma como a pichação é feita atualmente só posso concordar com quem defende que trata-se apenas de manifestação de poder e disputa de espaço entre grupos que procuram autoafirmação entre eles mesmos.

  • http://www.facebook.com/leonardofratini Leonardo Fratini

    Estranho, minha ’arte’ no mural do PdH não foi aprovada por ser contra as regras de comentários. Entretanto, o PdH apoia e dá espaço ao pixador ‘Cripta’ que é contra a lei. Vai entender…

    • jaderpires

      Eu comentei lá em cima, Leonardo. Se for ofender, xingar, não vai entrar mesmo.

      Leia a nossa política de comentários. O que o Djan faz não compete a nossa responsabilidade. Os comentários sim. Simples.

      • http://www.facebook.com/leonardofratini Leonardo Fratini

        Ok, estou editando o comentário neste caso:

        Será que tenho o direito de ter minha casa limpa, de não gastar meu tempo e dinheiro pintando muros que desocupados pintam, bizarramente, com spray barato?

        É arte quando é feito com consentimento, agora vai pra Paris expor sua ‘arte’ na parede da catedral de Notre Dame ou no Palácio de Versailles pra ver o que acontece.

        Faz ‘arte’ lá na Times Square em Nova York.

        Pixa o Portal de Brademburgo em Berlim e veja o que eles acharão da sua “arte”.

      • jaderpires

        Agora entrou. Tá aí a tua opinião. Tá vendo como dá pra olar sem a gratuidade da agressão? =]

      • http://pulse.yahoo.com/_ODPL6BR64ZLN6EMGGL6PXC7W3M Rafael

        não sei se esse comentário vai entrar no lugar certo dentro da “teia” de respostas do Disqus aqui, mas lá vai…

        “A pixação desse cara não é responsabilidade minha. Os comentários são.”

        Jader, você não permitir comentários ofensivos pq são contra as regras
        do portal, e este é de sua reponsabilidade como editor, não seria o
        mesmo que não permitir alguém realizar uma pixação ofensiva em seu muro
        pq vc o quer limpo e ele é de sua responsabilidade? Ambos os atos são transgressões a regras, não é verdade?

        Não seria o tal comentário um grito por atenção, uma forma de protesto?
        Não quero prender ninguém em “pegadinha” ou coisa parecida, apenas me
        pareceu contraditória essa maneira de pensar: o pixador pode extravasar
        sua insatisfação contra “o sistema” em um muro qualquer, embora isso
        seja contra a lei, pois somos uma sociedade hipócrita, só olhamos os
        nossos umbigos (somando a isso e o exercício total de “mãe-dinahzismo”
        feito sobre os hábitos do rapaz a quem você respondeu), então essa é a única maneira.

        Já o comentário, não pode ser ofensivo, deve seguir as regras. É isso mesmo?

  • Luiz

    Caros  defensores da pichação, a simplicidade de uma frase pode acabar com essa discussão:

    “Não faço com os outros o que não quero que façam comigo”

    A partir da frase acima, caso você QUEIRA que pichem sua propriedade porque é arte, grito político ou não sei mais o que, disponibilize seu endereço aqui e aproveite o endereço de outro “colega de arte” e vão uns aos outros fazer arte no ambiente do outro, agora poupem os que não curtem.

    Por favor, ninguém é obrigado a engolir seu grito social, arte ou sei lá o que.
    Daqui a pouco vamos ter argumento para descerebrados ouvindo FUNK NO MAXIMO em seus celulares dentro de um onibus e dizendo que é o grito dos reprimidos, arte e etc.

    Façam me o favor…
    Luiz

  • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

    Direito a propriedade é um direito básico, a propriedade é o fruto do esforço de uma pessoa em construir uma vida digna, o direito de propriedade garante ao homem ser dono do próprio trabalho, garante a liberdade.

    Nenhuma manifestação artística (embora eu considere esse trabalho como qualquer coisa menos arte, veja esse documentário aqui: http://www.youtube.com/watch?v=csBzlE-PQOU) deve ser superior ao direito a propriedade.

    Pixar o muro da minha casa é crime, em qualquer hipótese e não deve ser aceito.

  • http://shotsarge.blogspot.com Marcio Sarge

    Acredito que a revolta que gera pensamento crítico deva convidar, talvez a palavra seja ate seduzir, àqueles que escapam e não enxergam o problema que causa revolta, trazendo todo o entorno a apoiar sua causa, legitimá-la pelo entendimento e compaixão, senti-la através do meio escolhido expor tal revolta e reflexão.

    Um escritor impulsionado pelas injustiças que vive em determinado meio opta por redigir um livro, expor um poema, uma nota em um blog. Ele o faz pesando as palavras, derramando todo seu talento para que quem for lê-lo se sinta atraído pela escrita e resolva ponderar sobre suas ideias ali escrita.

    E isso acontece em todas as arte, da música ao desenho, como nossos talentosos cartunistas que são  muito bem pagos para provocar reflexão na sociedade ou artistas de rua como Banksy que apesar de roubar os mesmos muros que os pixadores roubam o faz de forma tão bela e provocativa que mais que revolta consegue gerar pensamento crítico.

    As pixações nas cidades vai muito na contramão do que seria um movimento expressando o sofrimento de uma parcela da sociedade, não gera reflexão pois são ilegíveis e quando conseguimos discernir algo em meio as letras nem sempre ou quase nunca esta passando uma mensagem e sim provocações entre grupos de pixadores.

    É falho como protesto tendo isso em vista, pois não provoca a sociedade e sim a insulta, não gera simpatia a revolta que possam senti e sim a ocultam por baixo de tintas tão mal traçadas.

  • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

    A propriedade privada é um privilegio pra poucos aqui no Brasil, a maioria da população vive em favelas e terrenos invadidos, ou pagando aluguel super caro até mesmo nas periferias, quando invadem um prédio vazio no Centro são retirados rapidamente pelo proprietário com ajuda do poder publico, se invadirem um terreno vazio são retirados e despejados como no Pinheirinho, isso deixa claro que a propriedade privada esta tornando o ser humano cada vez mais individualista e egoísta, as pessoas estão mais preocupadas com paredes do que com as outras pessoas.

    E pra que serve uma parede ao não ser pra ser pixada?

    Foda se a propriedade privada! 

    • Dado Teles

      Beleza, véio. E no que a sua “nobre arte” irá mudar essa realidade?

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Caro Tales, minha nobre arte ajuda a desvalorizar o patrimônio do playboy, identificando os prédios que estão abandonados, assim os mendigos e os sem teto logo percebem que ali não mora ninguém.

      • Arthur Ferreira

        Tu tá fazendo um esforço tremendo para ajudar um sem teto de uma forma que você não vai ajudá-lo de verdade. Vai ser algo paleativo, no máximo. Primeiro de tudo, você tem que perguntar se aquele sem teto QUER ser ajudado, porque eu já acompanhei o avô de um conhecido meu (que já foi esse playboy que você tento agride) e vi o cara dar um teto para uma família de sem-teto morar, colocou as crianças numa escola e deu emprego para ele e a mulher. Sabe o que aconteceu? Menos de um mês depois tava todo mundo na rua de novo.

        Eles disseram que foi porque sentiram falta dos amigos de rua, que era melhor ficar pedindo dinheiro e mendingando do que trabalhar. As crianças, desnecessário dizer que preferiam ficar na rua fazendo o mesmo do que ir à escola.

        E ajudar a desvalorizar o patrimônio do playboy, puts, bela maneira de protestar. Como eu disse, há outras maneiras mais criativas para você fazer sua voz chegar até os governantes e a quem tem dinheiro. Essa não colou.

    • Arthur Ferreira

      Radical hein, fera?

      Quer dizer que só porque eu comprei uma casa eu me importo menos com o próximo? Então quer dizer que se todo mundo não morassem em propriedades privadas, seríamos uma sociedade menos individualista e egoísta? Como se não existisse isso entre os índios, esses índios que você mesmo está defendendo aqui.

      Não tenho problemas quanto a forma que as pessoas escolhem para viver. Seja como índios, numa favela, ou no campo. Eu não sou a favor, eu prefiro morar numa casa ou apartamento próximo à cidade grande (ou nela mesma, se for o caso). Mas isso não impediu minha mãe de me ensinar a ser educado e gentil com as pessoas à minha volta. Ensinou a compartilhar e a ajudar quem precisa. E adivinha? Ela fez isso em casa, numa casa com paredes. Numa propriedade privada.

    • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

      A propriedade privada é um privilegio de quem trabalha, meus avós saíram de condições piores do que a desses pixadores, comprar uma lata de spray era ficar sem a janta, não sabiam ler nem escrever, meu avô estudava matemática quando voltava do trabalho, assim ele fazia as contas corretas para comprar uma casa, a casa que ele construiu é a expressão máxima dessa vontade dele em levar uma vida digna, ele nunca teve uma vida triste, nem ruim, sempre foi feliz, mas sempre me disse que é difícil conseguir as coisas e nunca reclamou do que tinha que fazer para as ter. Aprendi com ele que as pessoas se dividem entre aquelas que moldam o mundo a sua vontade e aquelas que exigem que o mundo se molde as suas vontades.

      Minha casa é hoje o fruto de uma escolha desse homem, ele decidiu lutar pelo que tem, quando alguém pixa o muro da minha casa fere a liberdade dele que é representada pelo direito, conferido por um estado democrático, de possuir o fruto de seu próprio trabalho. 

      Quando você usa minha casa como forma de expressar a sua “arte” você usa a força de trabalho do meu avo sem o consentimento dele, não da o direito de se defender, não questiona se essa é a vontade dele, simplesmente usa, transforma meu avo em escravo, sacrifica ele pela sua causa.

      Egoismo é você achar que eu devo trabalhar para tornar a sua vida melhor. Não sou egoísta, não estou nem ai para você, não tem obrigações nenhuma comigo, faça o que quiser da sua vida.

      • Eduardo

         Quanta lição os idosos podem nos passar, naquela época com certeza era diferente, alguém que queria melhorar de vida sabia que a única forma de fazer tal coisa era trabalhar duro e economizar. Com minha família não foi diferente, avós muito pobres que trabalhavam dia e noite desde pequenos e puderam dar uma vida melhor para sua família. Como pode ver os tempos mudaram. Quem quer uma vida melhor não mais escolhe o trabalho para isso. Põem a culpa nos outros, exigem que o governo dê isso, dê aquilo. Não mais buscam uma boa vida, mas exigem que ela venha até eles. Essa é a triste realidade. E quando você tenta defender o fruto de seu trabalho é tachado de egoísta. Acho que quando criança nunca leram a fábula da cigarra e da formiga.

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Gabriel a maioria da população não tem bens herdado por avos ou
        pais, você é um privilegiado que ta chorando de barriga
        cheia.

        Se seus avos tiveram a oportunidade de obter um bem trabalhando sorte
        deles, por que muitas pessoas trabalham a vida inteira ganhando um salario de
        merda e nunca vão conseguir um bem, ao não ser se invadirem um terreno e construírem um barraco, então pra mim você não ta dizendo nada.

      • Arthur Ferreira

        Há algum tempo eu vi uma reportagem numa revista sobre um engraxate que era morador de rua, nasceu na rua. Não me lembro de todos os detalhes exatos, mas o importante eu lembro: Ele nunca teve nada. Ainda jovem, com pouco mais de 10 anos, conseguiu um apoio para sapatos, duas graxas, uma escova e uma flanela. Começou a engraxar sapatos no centro de SP e, vendo os engravatados, queria saber onde que comprava aquelas roupas finas. Juntou dinheiro e comprou sua roupa. Engraxava sempre na frente dos prédios públicos, tribunais e fórum de SP. Também entrou numa escola pública para estudar (recomendação de um de seus clientes). Com 15 anos, foi convidado por um de seus clientes a ir sempre ao escritório engraxar os sapatos de todos os funcionários e era bem pago por isso. Se formou na escola, estudou mais, passou para uma das faculdades públicas cursando direito. Entrou no mesmo escritório de advocacia que um dia o ajudou dando uma oportunidade como engraxate e agora ele era um dos advogados.

        Outro exemplo: 
        http://www.viadeacesso.com.br/v2/revista/Perfil/?id=2169 Esse papo que muitas pessoas trabalham a vida inteira ganhando um salário de merda e nunca vão conseguir um bem pra mim não funciona. É fácil ficar na rua. Difícil é correr atrás.

    • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

      Cripta, você acha mesmo que pixando a parede dos outros está fazendo alguma coisa pelas pessoas nas favelas e nas periferias, excluídas do sistema?

      Suas pixações já resultaram em algum benefício para essas pessoas?

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Rafa para muitos apenas um reconhecimento existencial já é o suficiente, mesmo que pixando paredes.

      • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

        Você não acha contraproducente este tipo de ato, por chamar a atenção da pior forma possível?

    • Angelo

      “E pra que serve uma parede ao não ser pra ser pixada?”
      Procurei na internet a função de uma parede,e sim tem várias funções,e pelo o que eu li nenhuma delas é ser pixada.
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Parede_(arquitetura) 

      “Foda se a propriedade privada!”

      Beleza cara,então coloca o endereço do lugar onde tu mora pra eu passar aí e levar teus móveis,suas roupas,teu carro…  

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Olha só o cara quer me roubar, depois eu que sou o criminoso rsrsrsrsrs.

    • TZinmi

      Palmas para você! Foda-se todo mundo que não concorda com você. É assim mesmo que você quer mostrar sua “arte’ para o mundo, mandando todo mundo tomar no cu? Pensei que o editor havia pedido respeito nos comentários, pena que o autor do post não seguiu tal pedido.

      Quer uma parede para ser pichada? Compre tijolos, cimento, tinta, construa paredes em um terreno SEU e depois piche a vontade, mas se for fazer isso na parede alheia, então FODA-SE você.

      ps.: caro editor, se for apagar esse meu comentário, favor apagar o comentário do autor acima. 

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        TZinmi, eu me referi apenas a Propriedade
        privada, não a pessoas, concreto e pessoas não são a mesma coisa, agora quem
        perdeu a linha e me mandou se foder foi voce, seja homem e encare os fatos com
        maturidade, o nome do site ja diz PAPO DE HOMEM.

  • Camila

    Grafite e picho são duas coisas diferentes. Um pichador pode ser grafiteiro mas, nem todo grafiteiro é pichador. Uma obra de arte pode surgir de um ato de vandalismo, uma coisa não anula a outra, mas nem todo ato de vandalismo pode ser considerado obra de arte.
    Nem todo grafiteiro pinta os muros dos outros sem autorização.
    Alguns tipos de arte são feitos para serem invasivas, porque se não fossem não conseguiriam atingir seus objetivos. É errado invadir o espaço do outro? É.  Grafiteiros e pichadores conhecem quais são as consequências disso.
    Eu particularmente considero o picho, uma manifestação popular, mas não necessariamente artística.
    Já o grafite sim.

  • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

    Se a propriedade é um direto básico no Brasil me digam esta preocupado com os índios?

    Pelo contrario estão é vendendo suas terras.http://br.noticias.yahoo.com/a-terra-%C3%A9-dos-indios-e-o-carbono–%C3%A9-de-quem-.html Alias os únicos legítimos proprietários do Brasil são os índios, nos é que somos os invasores. 

    • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

       Sua idéia é preconceituosa contra indios(as) que deram umas escapulidas com portugueses. Ou seja só é “proprietário legitimo”, quem se manteve “sangue puro”?

  • Arthur Ferreira

    Concordo com tudo que o TZinmi disse até então, ficando sem ter muito o que dizer, além de discordar fortemente da justificativa do pixo como arte da forma como é feita hoje. Já o grafiti, feito num espaço autorizado, é muito diferente. Há muitos grafiteiros que também usam da sua arte para expressar uma opinião ou criticar alguma coisa. 

    A criatividade existe para ser utilizada. Se o objetivo é protestar, há várias formas diferentes de fazer isso sem agredir a propriedade alheia. Eu me lembro dessa matéria aqui:

    http://wp.clicrbs.com.br/pretinhobasico/2010/06/01/esse-protesto-merece-uma-salva-de-palmas/ 

    Onde os estudantes protestaram contra a poluição “pixando” o muro do túnel. Na verdade parece uma pixação, mas não é. Eles estão LIMPANDO a parede. Veja a foto dos estudantes de balde e rodo de limpeza. Isso é criatividade. Isso é válido. Isso não é destruir nem a propriedade pública nem a propriedade alheia e a mensagem chegou pra todo mundo ver.

    Nada justifica a pixação da forma como é feita hoje. Absolutamente nada.

  • brenopeck

    “Esses milhares de jovens das periferias viram pixadores porque não tiveram a oportunidade de aprender a pintar uma melancia fatiada.”

    Precisa muito mais do que não saber pintar uma melancia fatida pra subir um prédio de três andares e rabiscar lá em cima.

    A muleta da justificação de atos controversos em razão da falta de recursos, oportunidades e condições materiais tem limite. Que é arte eu não discuto (e é), mas o papo de que os pich(x)adores só fazem isso porque são pobres coitados não cola. Filhinhos-de-papai bêbados não atropelam pais de família nas calçadas porque cresceram num castelo numa família desestruturada, tadinhos.

    O mesmo se tu conversares com um pisçhxador (já desisti de tentar saber a grafia correta). O manifesto dele é político? Analisando o macro, talvez, mas o que ele quer mesmo é deixar a assinatura dele o mais longe possível pra causar mais entre os amigos malacos, e só. Não há protesto, não há causa, não há pauta, não há discurso. É algo tão político quanto fazer parkour.

  • João

    Pela lógica apresentada, se vivêssemos num país utópico sem desigualdades, não haveria paredes pichadas? Simples assim?

    • jaderpires

      Muito provavelmente não. Mas daí esse seria um problema bem maior do que é hoje, se comparado com outros, e aí sim, poderíamos dar essa atenção toda que dão.

  • http://www.facebook.com/koticho Gustavo Bertassoli

    Er, onde está o ativismo na pichação, onde está a demonstração de insatisfação com a sociedade desigual? Perdão, mas não existe, é balela. Pra começar ela nem é tão praticada assim por “jovens oprimidos”, tem morador de favela, assim como tem playboy filhinho de papai subindo em muro pra deixar sua tag, ou mais diretamente, praticar territorialismo depredando a propriedade alheia. 

    A sensação de descumprir uma regra, de procurar adrenalina e emoção é intrínseca do ser humano, desse ponto de vista até entendo a prática. Mas não existe lado poético na pichação, a pichação não acrescenta em nada, a pichação não é um reflexo subversivo, a pichação não transmite mensagem alguma, a pichação é apenas… pichação. 

    • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

      Gustavo não fale do que você não sabe, pode ate ter pixador que conseguiu se formar e cursar uma faculdade ralando muito, agora playboy do pixo vc esta forçando amigo, Eu sou pixador a 15 anos e nunca conheci um pixador do Alphaville, Jardins, Morumbi, Americanópolis, e pode ter certeza que se tivesse um nos iriamos saber, e não é por preconceito nosso que não tem, é que os boys tão mais preocupados em torrar a grana da família deles em outras coisas, a playboizada só lembra da periferia quando quer farinha pra se acabar na danceteria, eles podem até virar um artista plastico ou graffiteiro como vários que tem ai.

  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Salve Jader, “pixação” não seria com “ch”? – http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=picha%C3%A7%C3%A3o

    Sobre o texto, ótimo questionamento. Já editei um artigo de tema similar, “Pichação – Arte ou Vandalismo”. Leia também se tiver um tempo: http://www.feedbackmag.com.br/pichacao-vandalismo-ou-arte/.

    Vlw, abraços!

    • jaderpires

      Fernando, os pixadores se autodenominam com x. Pixação e pixo.

      Não haveria o porque de eu não ir por esse caminho, em vez de udsar o termo cunhado por quem nunca pixou.

      Saca?

  • http://www.facebook.com/marcelorraposo Marcelo Raposo

    Se continuamos nessa linha:

    Num mundo justo ninguém tem motivo para Roubar.
    Num mundo justo ninguém tem motivo para Matar.

    Mas, se as coisas não são justas: Não o são para a maioria da população. Se todos resolvessem se “expressar” praticando um CRIME ou, mesmo quando não tipificado como tal, tirando um direito de outro cidadão, que também vive nesse mesmo mundo cheio de defeitos… AÍ SIM o mundo não teria mais conserto.

    Só quem já teve que pagar a tinta e o pintor para limpar a sua parede, onde alguns indivíduos resolveram “se expressar”, tem noção de como Pixar muitas vezes trás mais danos do que Furtar.

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

    [IRONIA] Esses pixadores são uns inconvenientes mesmo. Na hora em que se expressam, nem pensam que deveriam se expressar pra mudar o mundo. [/IRONIA]

    Todo mundo simplesmente se expressa e busca a visibilidade. Mas, de quem não tem espaço pra expressão nem visibilidade exigimos que, na hora que se expressem, se expressem de um certo jeito.

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

    O engraçado é que quem mais se deixa afetar pelo efeito artístico são justamente aqueles que se negam a reconhecê-lo. E, por isso, são o alvo da intervenção urbana.

    • ahsley

      intervençao urbana é estetica e nao um monte de bosta com tinta barata

  • Michel Colombo

    Um peso e duas medidas:

    -Somos coitados, menos favorecidos e não tivemos oportunidades, bom, então vou pixar a casa dos outros, pois preciso demostrar a realidade, mesmo que inconscientemente. Culpa minha? Não! Do governo! O QUE QUEREM DIZER: Expresso meus sentimentos através minha arte ilegal.
    -Somos coitados, menos favorecidos e não tivemos oportunidades, bom, então vou assaltar, matar, traficar e fazer o que me der na telha. 
    O QUE QUEREM DIZER: Absolutamente nada, mas a desculpa poderia ser a mesma.

    Diferença?

    Na verdade não, exceto o interesse político em incentivar essa pseudo arte para justificar sua incapacidade de controlar mais um crime na lista do cidadão.

    Sabe o que revolta? É que vândalos transformados em símbolos de “realidade social”  sempre respondem com outras perguntas e justificam sua falta de respeito como culpa dos outros e não da sua falta de caráter.

    Brasil, um pais de tolos!

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

    Existem algumas coisas nos comentários que andam me assustando.

    A primeira é a conivência com a caracterização do pixo como crime. Tá na lei que é crime, então é crime. Sem conversa. É sério isso? O Direito Penal deveria ter um caráter subsidiário, reservado apenas para as coisas REALMENTE danosas.

    Muitos danos patrimoniais são tratados apenas no âmbito do Direito Civil, condenando-se o sujeito a reparar o dano ou a indenizar. Batida de carro não dá cadeia. Aliás, atropelamento só agora está sendo tratado como crime doloso contra a vida.

    A segunda refere-se à intervenção urbana. Não questionamos quando empresas ou o Poder Público intervem no espaço público. É “direito” deles, ao que parece. Não sei quanto aos demais, mas não vejo beleza artística nem funcionalidade em outdoors que poluem visualmente. E fico puto quando o zoneamento urbano literalmente zoa com a cidade.

    Aí, aparece um movimento, seja por quais motivos forem, disposto a chacoalhar as coisas. Eu gosto de ter visão estratégica. Se alguém se levanta contra uma situação que não aprovo (ou vocês curtem a gestão urbana da cidade de vocês?), eu aproveito pra usar aquilo como ponto de apoio pra repensar profundamente a situação.

    Mas o tom dos comentários é de restaurar o status quo o mais rápido possível. Do que mesmo que temos saudades? Das nossas paredes brancas, sujando-se de fumaça, e da cidade poluída por quem a lei disse que pode? Ah tá, deve ser um mundo bom mesmo.

    Por fim, a avaliação de que todo pixador é criminoso, membro de gangue e coisa e tal. O autor não se identificou assim. E tentou mostrar uma outra face dos pixadores. O que ganhamos em simplesmente afirmarmos nossa visão de mundo, desacreditando a visão do outro? Não que o objetivo do texto seja necessariamente mudar a opinião de quem quer que seja – até porque, pela forma que vejo, o pixo depende da reprovação pra ser arte. Mas é tão doloroso assim apenas ver um aspecto desconhecido? 

    • Dado Teles

      Tiago, vamo lá:

      1) Você citou batida de carro e atropelamento. Ninguém bate o carro por que quer. O atropelamento pode ser culposo ou doloso. Já na pichação, não rola isso. Ninguém picha por acidente, picha-se claramente com a intenção de fazê-lo.

      2) “…paredes brancas, sujando-se de fumaça e da cidade poluída por quem a lei disse que pode…” É legal isso? Claro que não! Mas nunca vi ninguém chamando isso de “arte”, ou dizendo que é um manifesto dos excluídos, e toda essa baboseira.

      • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

        “Ninguém bate o carro por que quer”. 

        Nem tanto, né? Já que você lidou tão bem com os conceitos de dolo e culpa, proponho uma reflexão sobre o dolo eventual. Essa pessoa realmente não quis atropelar?

        E ninguém tropeça na calçada e acaba pixando muro. Não é acidente. Mas, se não existem alternativas de expressão (ou existem?) e essa foi a forma como se desenvolveu a manifestação, podemos realmente falar em intenção livre? às vezes parece que se imagina que o pixador tem uma ampla gama de espaços, não é? Que certa parcela da população sempre pode se expressar, que sempre tiveram atenção da sociedade. Eles devem pixar é por birra.

        “Claro que não!” 

        Então pra quê mesmo defendermos intransigentemente esse modelo, se ele não é intrinsecamente bom?

      • Dado Teles

        Thiago, a questão não é proibir ou apoiar a livre expressão. O que pega, pra mim, é que se trata de uma forma de expressão inócua, que não provoca nada além de repulsa e irritação, ao nos depararmos com paredes/monumentos pichados. Existem muitas formas de expressão que levam o indivíduo à reflexão. A pichação não causa esse efeito. Refletir sobre o que, se mal consigo distinguir o emaranhado de rabiscos que só tem sentido para quem os faz? Uma greve de trabalhadores, uma passeata ou um abaixo-assinado podem mudar uma situação. Me diga, que realidade pode ser mudada pela pichação?!?!?!?!

        O cara tem direito de se expressar? Tem, desde que não cause danos.
        A pichação é uma forma de expressão? É, mas de maneira criminosa.
        Essa manifestação vai mudar qualquer coisa que seja em minha cidade ou país? Duvido muito.

      • Arthur Ferreira

        “Eles devem pixar é por birra.”

        Não são todos, mas uma boa parte, sim. Inclusive, há não muito tempo atrás eu passava de canal na TV e havia um documentário na Rede TV, não sei o nome do programa, que justamente entrevistava pixadores de SP e eles alegavam também que era uma obra de arte. Inclusive mostrou um deles subindo em uma coluna e, usando as janelas, foi ao ponto mais alto do prédio para pixar. Entretanto, a justificativa daquele pixador específico era que ele procurava os lugares mais desafiadores e altos e ia até lá deixar sua marca.

        Agora eu te pergunto também: sem o autor para dizer o que significa, você já conseguiu entender algum pixo? Já olhou para aquela pixação e conseguiu sequer entender o nome/apelido do autor (que geralmente o pixo é isso, a identidade do autor). Que expressão de arte é essa? Se for um “grito dos invisíveis”, como o autor prega, que grito é esse? Quer reclamar do que?

        Você pergunta se existem outras alternativas de expressão. Sim, existem! Eu mesmo coloquei uma aqui no meu comentário mais acima. Uma solução criativa dos estudantes e que não feriu a propriedade de ninguém.

        Foi como o TZinmi disse ali em cima: Pq então não pixar um carro? Dá muito mais visibilidade do que olhar pra cima se for uma arte ou uma expressão. Mas o carro não né? Pixar ou arranhar um carro não pode.

        Pq não pixa o chão? O asfalto? Se manifestar não é o problema. O problema é quando eu adquiro algo e alteram a propriedade dele sem a minha permissão. Assim como eu não posso ir lá e arranhar o carro do indivíduo que “arranhou” minha parede porque ele não deixou eu arranhar.

  • matheus farage

    Pra mim um protesto dos excluidos não se dá escrevendo seu nome com letras quase que criptografadas na maioria das paredes que tem por aí (mesmo que essas letras estejam bem coloridas e estilizadas, o que, PARA MIM, não se classifica um “grafiti”). Pois isso é o que acontece por Brasília.
    Há uma parte dos que pixam aqui não são tão humildes assim e que fazem pelo prazer de transgredir a regra, de aparecer mais que o outro de um local rival ou qual seja o motivo.

    Abomino esse tipo de “protesto” porque além de haver diferentes formas mais eficientes, não é todo mundo que pixa pra ter seu grito mudo (pelo menos não pelas bandas de Brasília).

  • http://www.facebook.com/duhprado Eduardo Prado

    Papo de moleque.

    • jaderpires

      Resposta de Homem?
      Ficou no 0 X 0, campeão. Acho que dá pra fazer melhor.

    • http://www.facebook.com/people/Gabriel-Moraes/100001748526976 Gabriel Moraes

      Não Eduardo Prado, o moleque ouve por que acha que o homem sabe mais que ele, aqui é papo de adolescente (esse texto, não o site), o adolescente pensa ter certeza sobre a visão estreita de mundo dele e ai diz foda-se você, foda-se a propriedade privada, você não percebe os problemas do mundo e fica com a mente nessa sua caixinha ai.

      Ele acha que você só pensa no seu próprio bem, e ele acredita que pensa no bem de todos mas só conhece a própria comunidade, ele luta pela comunidade como uma forma de encontrar a sua identidade, não como um protesto contra um sistema realmente vil. 

      Ele luta de uma forma que só vai levar a anarquia e que uma possível vitoria ira garantir um estado regido pela força, pois um estado que não garante a propriedade privada que é o resultado do esforço de trabalho de um individuo é um estado que não garante a liberdade individual, é um retrocesso.

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Olha ai o cara me tirando de adolescente, rapaz eu já sou um pai de família, quem não percebe os problemas do mundo é vc com seu apego a propriedade privada que seu vovô deixou.

        Do que adianta vc ficar com esse discurso enlatado de “democracia”, isso vai resolver o que? me diz uma ação politica e coletiva que vc participa?  

        Se vc esta feliz com as ordens estabelecidas pelo estado é por que ta bom pra vc, eu já sou ao contrario, não to satisfeito mesmo com as ordens estabelecidas, e vou continuar questionando por que é só assim que as coisas mudam, e o pacifismo nunca resolveu porra nenhuma, viva a anarquia. 

      • Arthur Ferreira

        “Do que adianta vc ficar com esse discurso enlatado de “democracia”, isso vai resolver o que? me diz uma ação politica e coletiva que vc participa?”

        Não participo de nenhuma, confesso. Porém, eu tenho meu voto e minha educação. Eu compartilho meus ensinamentos e educação com meus próximos e ensino eles a fazerem isso também. Posso não fazer a diferença em um cenário macro, mas se todo mundo fizesse sua parte de forma correta, daria certo, não? Mas pelo visto para você só funciona se agredir algo ou alguém.

        “pacifismo nunca resolveu porra nenhuma”

        Vai falar isso pro Gandhi. Ou vai dizer que você não sabe quem é Gandhi também? Isso eu sei que ensinam no ensino público porque eu participo do ensino público e sei a grade escolar deles.

        “viva a anarquia”

        Me diz UM lugar onde a anarquia deu certo.

      • juliana

        Quando alguém depredar ou destruir um patrimônio SEU quero ver o discurso mudar. Destruir as coisas dos outros quando não se tem nada é muiiito fácil . É fácil invadir o espaço do outro quando não se tem nada a perder. Inverte o papel e vamos ver se você não muda esse sem discurso sem coerência nenhuma. Não tem nada a ver com estado nem com porra nenhuma é desrespeito ao próximo e tem que ser punido sim . Arte meu querido não ultrapassa limites e não causa desconforto pra ninguém . Pra fazer arte eu não preciso invadir o espaço dos outros….
        Pensamento ridículo . Aff

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Gabriel eu li todas as bobagens que vc falou, só fica claro o quanto vc é egoísta e individualista, esse seu apego com a propriedade privada esta te deixando sego com a realidade do mundo. 

        Vc só podia trabalhar no ramo imobiliário mesmo, ainda age de ma fé fazendo as pessoas assinarem contrato sem ler, ta vendo como vc é egoísta, age de má fé com o próximo por que o julga preguiçoso ou burro.  

        lendo sues comentários da a intender que vivemos e m país justo, onde as oportunidades são iguais pra todos, e os “desafortunados” como vc citou são um bando de vagabundos que querem sugar quem trabalha, esse é o tipico pensamento hipócrita de quem esta em uma situação social mais confortável.

        Se vc acha justo pessoas morarem na ruas em quanto edifícios apodrecem eu não, só por que o prédio tem um proprietário, que deve ser bem pobrezinho, tadinho deles, os pais e avos dos proprietários de edifícios devem ter tido as mesmas oportunidades que os avos e os pais das pessoas que estão morando nas ruas tiveram, o problema é que os avos e os pais de quem mora nas ruas eram um bando de vagabundos e nunca gostaram de trabalhar.

        Então esta tudo esclarecido aqui, os pobres sem moradia e sem estudo não passam de um bando de preguiçosos e vagabundos, e os proprietários são os únicos que trabalham e se esforçam pra conseguir as coisas, então não é uma questão de classe social e sim de preguiça?Muita boa sua conclusão, agora é só avisar o pessoal que mora na rua pra tomar vergonha na cara e ir trabalhar, por que vivemos em um país justo onde as oportunidades são iguais pra todos

        .”Brasil um pais de primeiro mundo, onde as oportunidades são iguais para todos”, que maravilha.(nunca li tamanha as nera)

  • Cardoso

    Como sempre o brasileiro responsabilizando o governo, outro alguém ou qualquer outra coisa menos a sí mesmo. Reflexo de um povo justificativo e não efetivo. Nada pode justificar a depredação de patrimônio alheio, pixação por pixação não deve ser aceita.

  • jaderpires

    E aí volto a te responder. A pixação desse cara não é responsabilidade minha. Os comentários são.

    Sobre a pixação, não me incomoda quem é contra ou a favor. Me incomoda pensamento pequeno quando tanta coisa errada e bem mais séria deve ser tratada e/ou combatida e todo mundo abaixa a cabeça e fica pianinho.

    E não vem dizer que não.

    Me incomoda também o pensamento pequeno de, se acha a pixação um problema, tem é que botar policial na rua e descer o sarrafo em vagabundo. Pensamento muito pequeno demais.

    Aposto que uma dessas coisas tu faz ou já fez que é tão ou pior que pixar, mas não é crime: pegou o teu carro e foi trabalhar sozinho, só pra contribuir com o trânsito da tua cidade, sem nunca, eu disse NUNCA, ter reclamado a quem é de direito a falta de infraestrutura em transporte público. Tu já jogou cigarro ou comprovante de cartão de débito an rua. Jpa jogou alguma vez sim que eu sei. Colaborou com alguma enchente por aí. Tu já deixou de separar lixo orgânico e reciclável e mandou tudo pra um mesmo lixão. Fez sim, não mente.

    Você já passou no centro da tua cidade e desviou, sem se importar nem um tiquinho assim, de mais de um mendigo ou drogado jogado na rua (aposto que pensou que deveriam bater nesses vagabundos também).

    Cara, tu já fez tudo isso. Tu já ultrapassou a liberdade alheia diversas vezes por puro egoísmo humano e deixou de colaborar só porque não quis e, com isso, afetou outras pessoas.

    Tu já fez isso tudo e nem por isso eu pensei que tu devia levar cacetete na cabeça, tiro na bunda, spray na cabeça ou cadeia sem dó nem piedade.

    O esquema é que você só vê o que quer ver e acha que deve prender semore o mais fraquinho dos elos. Sempre.

    Pensamento pequeno. Demais.

  • Dado Teles

    Gustavo, perfeito.

    O assunto poderia ser encerrado depois do seu comment.

  • Dado Teles

    Hein?

  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

    Se juízo de reprovabilidade social caracterizasse crime, homossexualismo estaria proibido até hoje.

    Se dolo fosse o suficiente para caracterizar alguma coisa como crime, muita besteirinha tratada no Direito Civil  daria cadeia.

    O critério pra definir o que é crime e o que não é consiste no bem jurídico protegido. No caso da pixação, o que é protegido é o patrimônio. O bem menos importante daqueles que merecem tutela jurídica (vida, integridade, dignidade, liberdade, etc).

    Não ficaria feliz se riscassem meu carro, se pixarem a minha casa ou se pixarem a casa dos outros. Não proponho uma defesa intransigente da pixação. Proponho uma reflexão sobre o espaço urbano a partir da pixação e um questionamento sobre a defesa – essa sim intransigente – do status quo. Até agora ninguém me disse o que o modelo atual tem de bom.

    • thyadipaula

       ”Até agora ninguém me disse o que o modelo atual tem de bom.”

      E até agora ninguém me disse o que “pixar” traz de bom para alterar as condições que levam os “pixadores” a se expressarem deste modo.

  • Josias

    Na moral… “cripta” sabe qual é o problema desse texto? Você força demais a barra. Já começa com carteirada como sai no New York Times e vou participar da Bienal de Berlim ou seja “me respeitem pois eu não sou qualquer merda”. E depois a coisa fica pior. Entendo perfeitmaente que para os pixadores sendo de periferia e afins… a pixação em si pode representar um meio de ganhar alguma notoriedade/visibilidade MAS… vamos respeitar os leitores do PDH pois tenho certeza que a faixa etária aqui não é de crianças de 10,12 anos. A pretensa visibilidade que os pixadores querem se dá justamente por uma questão de vaidade,competição com outros pixadores e não para uma constestação social ou para esfregar na cara da burguesia algo do tipo “tá vendo aqui seu FDP sou o desfavorecido que expôe no seu muro as mazelas da sociedade”.  Você vai querer convencer alguém aqui que se um sujeito consegue pixar o relógio da Central do Brasil, ele tá fazendo isso para gerer uma reflexão,incômodo na sociedade? Ai não.. pixador quer seus 15 minutos de fama e principalmente ser reconhecido por outros pixadores quandos os mesmos passarem na rua e ver o nome de fulano de tal no lugar mais visivél ou arriscado.. ou eu estou mentindo? Olha que ai eu apelo para o “discurso da autoridade” não de alguém descolado quelê NY Times ou vai dar um rolé na bienal de berlim, mas de um sujeito nascido e criado no subúrbio carioca e que ao longo da vida conheceu alguns pixadores.

    “Esses milhares de jovens das periferias viram pixadores porque não
    tiveram a oportunidade de aprender a pintar uma melancia fatiada. Se
    vivêssemos em um país justo, onde as oportunidades fossem iguais para
    todos, muitos problemas não existiriam”.

    Você sabe que isso é mentira. Jovem de periferia ou não, vira pixador pois tem necessidade pertencer a alguma tribo/grupo com o qual possa ser identificado e pretensamente respeitado.

     

    • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

      Todos que estão interligados nessa corrente humana querem ser visto notados ou publicados de alguma forma, não só o sujeito pixador, essa é uma necessidade humano, cada um busca isso a sua maneira, nos pixadores escolhemos reivindicar nossa existência atreves da transgressão e contestação do espaço publico.

  • Caco

    Senhores,
     
    Acredito, para manter a discussão apenas no âmbito da “forma de expressão”, apesar dos apartes pertinentes do Sandro Guedes de Souza e do TZinmi, que a pichação não é meio legítimo ou, tampouco, eficaz para chamar a atenção da sociedade para as mazelas que pretensamente aponta.
     
    Vejo uma pequena confusão aqui: (i) A pichação enquanto meio de expressão (em si, pensada para tanto) vs (ii) a pichação enquanto sintoma de exclusão social, problemas basilares, etc.
     
    Adianto que não acredito na primeira hipótese, mas entendo que haja pessoas aqui que trataram com pichadores com algum conteúdo e, portanto, achem que existe alguma organização no “movimento” para esse fim.
     
    Estou mais tendente a entender a pichação meramente como sintoma, e desta forma, não adianta nada discutirmos “cedência recíproca entre os princípios da propriedade privada e da liberdade de expressão”. Isso é papo de advogado (também sou) e não leva a lugar algum.
     
    Levanto a mão aqui só para colocar um ponto, já completamente preso ao título do post: Na democracia todos devem ter voz. Mas isso não quer dizer que todos queiram ouvir ou sejam obrigados a ouvir o que cada um quer falar. E não é legitimo você dar um tapa na cara do seu irmão por que ele não deixa você falar.
    Infelizmente, não atingimos (ainda, espero) a maturidade social para que as liberdades e direitos estejam confortavelmente distribuídos a ponto de vivermos harmonicamente regidos pelo princípio único do “Respeito”.
     
    Votar é o meio legitimo de conduzir a sua voz ao Foro adequado da Democracia, estabelecido socialmente para essa nossa era.
     
    Pichar (bem público ou privado) é dar um tapa na cara de alguém para que este te escute.
     
    Vivemos em uma ditadura velada? Até concordo, conspiracionista que sou. Mas vá me provar que as urnas eletrônicas são fraudadas e então podemos ignorar os preceitos de nossa Constituição Cidadã, pichando, fazendo barricadas, bombas e palavras de ordem pelas paredes – para delírio dos revolucionários da internet.
     
    Senhores sustentadores do discurso legalista: Já pensaram em disponibilizar algumas horas pagas de seus honorários para ensinar direito constitucional para adolescentes carentes em escolas públicas? Não é uma solução imediata, mas se queremos que o povo saiba dirigir sua voz a quem deve ouvir e na forma que a Sociedade estabeleceu como mais viável, devemos começar ensinando (a) Porque o Congresso tem duas Casas, (b) O que é verdadeiramente responsabilidade do Poder Executivo e (iii) porque o Juiciário jamais poderia ter o “rabo preso” a questões politicas.

  • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

    Pelo o que eu vejo aqui só tem proprietários participando do
    debate, será que esse é o motivo de tanta revolta? Por que será que os
    favelados e os sem teto não estão se manifestando aqui? Talvez eles não tenham
    como, devem estar rezando pra não chover, pra enchente não levar tudo que lhes
    restaram da ultima enchente, ou procurando um prédio todo pixado para eles
    invadirem, alias um sem teto me disse que eles identificam os prédios que
    estão vazios através das pixações, isso me animou muito por que tem um monte de
    prédio vazio no centro caindo aos pedaços, e tem tanta gente morando na rua, então
    vou continuar pixando tudo pra ajudar os SEM TETO a identificarem esses
    prédios, também vou pixar todas as casas que tiverem cobrando aluguel muito
    caro, quem sabe assim não desvalorizam um pouco o patrimônio, ai eles vão tem
    que cobrar um aluguel mais barato, ta vendo encontrei uma utilidade pra pixação.

    Muitas pessoas aqui acham que Eu estou buscando alguma
    alternativa para a pixação ser aceita, ou compreendida, e se engana quem pensa
    isso, só estou aqui colocando meu ponto de vista como pixador, eu não to vindo
    aqui implorar para que vocês aceitem a pixação, esse movimente vai muito mais
    alem de mim, eu sou apenas mais um integrante no meio de milhares espalhados
    pelo Brasil, então a revolta de vocês deveria com ser com o Governo, por que o
    numero de pixadores não para de aumentar pelo país, e as autoridades não estão
    dando conta disso, poxa vocês já pagam tantos impostos e ainda por cima tem que
    comprar tinta pra pintar os muros de suas casas, por que as autoridades não estão
    dando conta desses “criminosos”, afinal nos vivemos numa sociedade “democrática”,
    onde temos um direito penal “justo”, com o lema de “Deixe os Ricos ladrões assassinos
    soltos, e prendam os pobres ladrões de galinha e pixadores pra servir de
    exemplo”.

    Vocês que acham que cadeia é o tipo de punição adequada
    pra pixador não vão reclamar quando ele sair de lá com uma arma pra te
    assaltar, por que cadeia aqui no Brasil não regenera ninguém, ainda mais se tratando
    de pobre.

    Essa discussão se a pixação é arte nem teria que existir, só
    partindo do fato que a tipografia faz parte das artes plásticas não tem nem o
    que debater sobre isso, se incomoda já é outra historia, gosto não se discuti.

    E pra quem não entende as pixações eu sinto muito, quem for
    leigo no assunto e quiser entender vai ter que estudar sobre, é como chegar na
    China e não saber ler chinês, é interessante como um bando de marginais e
    analfabetos criaram uma linguagem que muitos acadêmicos desconhecem, é como um
    tapa de pelica, aqueles que estão as margens e não tiveram oportunidade de ter
    um bom estudo criaram uma linguagem que deixa leigo os que tiveram o privilegio
    de estudar, ótimo isso.

    • Dado Teles

      “Pelo o que eu vejo aqui só tem proprietários participando do
      debate, será que esse é o motivo de tanta revolta?”

      Cripta, aí é que você se engana. A mim causa o mesmo sentimento ver minha parede pichada ou a parede de um órgão/monumento público.

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Então eu sinto muito por vc Tales, vc vai continuar se chateando por muito tempo ainda.

    • Arthur Ferreira

      “Pelo o que eu vejo aqui só tem proprietários participando do
      debate, será que esse é o motivo de tanta revolta?”
      Para esclarecer: não posso responder pelos outros, mas no meu caso não é revolta. No meu caso é opinião formada mesmo. Não concordo com nada do que você disse. Não acho que nada das justificativas que você deu servem para mudar minha opinião e todas as vezes que eu falei foi porque eu tinha algo a dizer sobre o que você disse.

      “Por que será que os favelados e os sem teto não estão se manifestando aqui? Talvez eles não tenhamcomo, (…) ta vendo encontrei uma utilidade pra pixação.”

      Eles não estão aqui porque isso não é interessante. Porque não tem educação decente no país. A nossa educação é uma merda. Tanto é que existem pixadores, na minha opinião. Eu coloco a culpa nos governantes sim, por isso eu procuro sempre ajudar no que posso para uma melhor educação para o país. Para mim, o principal problema da sociedade é a educação. Com educação, dá para ver que há outros meios. E, ao meu ver de novo, você não encontrou uma utilidade para o pixo, mas sim, uma desculpa.

      “Muitas pessoas aqui acham que Eu estou buscando alguma alternativa para a pixação ser aceita, ou compreendida”

      Em nenhum momento pensei isso, mas que você tenta explicar a pixação, tenta.

      “(…)poxa vocês já pagam tantos impostos e ainda por cima tem que
      comprar tinta pra pintar os muros de suas casas, por que as autoridades não estão
      dando conta desses “criminosos”, afinal nos vivemos numa sociedade “democrática”,
      onde temos um direito penal “justo”, com o lema de “Deixe os Ricos ladrões assassinos
      soltos, e prendam os pobres ladrões de galinha e pixadores pra servir de
      exemplo”.
      Ora, você mesmo já disse, então, por favor, não me faça ter que comprar tinta para pintar meu muro e nem que o governo use o dinheiro do imposto que pago para reformar um monumento público e isso ser mais uma desculpa para eles desviarem dinheiro, pode ser?

      “Vocês que acham que cadeia é o tipo de punição adequada pra pixador não vão reclamar quando ele sair de lá com uma arma pra te assaltar, por que cadeia aqui no Brasil não regenera ninguém, ainda mais se tratando de pobre.”

      Não acho que cadeia seja o tipo de punição adequada. Educação, trabalho, colaboração, sim.

      “Essa discussão se a pixação é arte nem teria que existir, só partindo do fato que a tipografia faz parte das artes plásticas não tem nem o que debater sobre isso, se incomoda já é outra historia, gosto não se discuti.”

      Se não teria que existir, porque você então insiste? E vamos ao conceito de tipografia, já que você comentou: A tipografia (do grego typos — “forma” — e graphein — “escrita”) é a arte e o processo de criação na composição de um texto, física ou digitalmente. Assim como no design gráfico em geral, o objetivo principal da tipografia é dar ordem estrutural e forma à comunicação impressa.

      Ou seja, seu texto teria que ter SENTIDO para outras pessoas que não sejam os praticantes da sua julgada arte.

      “E pra quem não entende as pixações eu sinto muito, quem for leigo no assunto e quiser entender vai ter que estudar sobre, é como chegar na China e não saber ler chinês, é interessante como um bando de marginais e analfabetos criaram uma linguagem que muitos acadêmicos desconhecem, é como um tapa de pelica, aqueles que estão as margens e não tiveram oportunidade de ter um bom estudo criaram uma linguagem que deixa leigo os que tiveram o privilegio de estudar, ótimo isso.”

      Ótimo, manda aí uma fonte onde eu possa entender melhor do pixo. Como que eu faço para ver um pixo e entender qual é a mensagem que aquela arte quer passar. Aprender chinês eu posso chegar para um chinês e pedir para me ensinar ou posso procurar na web e aprender por conta própria. Tem disso no pixo? Estou perguntando sério, não é sarcasmo.

      • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

        Arthur, cada pixador tem seu próprio alfabeto, é muito mais complexo do que vc imagina, e não tem essa de aprender na internet rsrsrsrs, nem tudo se aprende só por aqui rsrsrsrs.

        Quer  entender o que esta escrito nas pixações? vai ter que virar pixador rsrsrs.

        Boa sorte nesse novo aprendizado.

    • André

      Nem todo pixador é morador de favela. E tá cheio de favela com lan-house, computador, etc. Não sei se tem ou não tem morador de favela comentando aqui, mas não tem nada impedindo.
      Também não é verdade que só são pixados imóveis utilizados em especulação imobiliária, pixa-se muros de qualquer tipo de excluído social, basta que ele tenha um muro limpo. E não precisa ser riquinho bacana para ter meio metro de muro pixável.
      Você se mostrou revoltado com o tratamento dado aos pixadores, acho razoável supor que seu texto tem algum sentido reinvindicatório.
      “…não vão reclamar quando ele sair de lá com uma arma…” isso, me desculpe, é chantagem barata, vai na linha do “eu podia tá robando”.
      Pixação, gíria, etc. tudo isso é uma forma de restringir a comunicação a um certo grupo, por isso que fica difícil ver a pixação como um tipo protesto.

  • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

    Leonardo, a maioria dos pixadores são pessoas
    normais que trabalham estudam, dão um duro danado pra sobreviver também, bem mais do que
    muitos playboizinhos ai que herdaram a casa da vovô, e nem todo
    mundo tem o que merece não viu, você esta bem enganado.

  • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

    Gustavo, a pixação se apropria de tudo na cidade, quantos órgãos  públicos já foram pixados, tudo que vc imaginar, prefeituras, delegacias, bancos, fóruns, eu vejo que a choradeira aqui continua por causo da propriedade privada, e pra ser sincero quem pixa murinho branco de vila é a molecada que esta começando, logo eles amadurecem e vão pro centro da cidade pra “destruir” o patrimônio do playboy, ou vc tbm acha que os pixadores moram no centro?

    E se engana vc que axa que a pixação não chacoalha coisa alguma, vc lembra da pixadora que foi presa na Bienal? ela tava 54 dias presa por pixar uma parede branca, ai o Ministro dos direitos humanos na época se manifestou no parlamento dos direitos humanos dizendo que era um absurdo uma jovem estar presa por que pixou uma parede branca, sendo que o Daniel Dantas um banqueiro ladrão só tinha ficado dois dias presos por ter roubado milhões dos cofres públicos na mesma época, ainda teve o Ministro da Cultura que na mesma época se pronunciando pedindo a liberdade da pixadora, 

    Nesse caso a pixação expôs as mazelas dessa guerra de classe que vivemos no nosso país, esse fato repercutiu mundialmente no campo da arte, não é atoa que depois disso participamos de exposições importantes dentro e fora do país e agora fomos convidados para a Bienal de  Berlim, inclusive a pixadora que foi presa.

    Continua achando pouco? então me diga qual é a sua revolução?

    • Arthur Ferreira

      “e pra ser sincero quem pixa murinho branco de vila é a molecada que esta começando”

      Belo exemplo que vocês estão dando para molecada então hein?

      “E se engana vc que axa que a pixação não chacoalha coisa alguma, vc lembra da pixadora que foi presa na Bienal? ela tava 54 dias presa por pixar uma parede branca, ai o Ministro dos direitos humanos na época se manifestou no parlamento dos direitos humanos dizendo que era um absurdo uma jovem estar presa por que pixou uma parede branca, sendo que o Daniel Dantas um banqueiro ladrão só tinha ficado dois dias presos por ter roubado milhões dos cofres públicos na mesma época, ainda teve o Ministro da Cultura que na mesma época se pronunciando pedindo a liberdade da pixadora. Nesse caso a pixação expôs as mazelas dessa guerra de classe que vivemos no nosso país, esse fato repercutiu mundialmente no campo da arte, não é atoa que depois disso participamos de exposições importantes dentro e fora do país e agora fomos convidados para a Bienal de  Berlim, inclusive a pixadora que foi presa.”

      Quanto ao caso da pixadora que foi presa, concordo contigo que é um absurdo Daniel Dantas ficar 2 dias na cadeia enquanto ela ficou 54 se compararmos os crimes. Não nego que há uma diferença socio-econômica absurda, que há muita corrupção e pilantragem no governo. Nisso, eu concordo contigo. Agora, isso é o que você acha de chacoalhar? Daria no mesmo fazer como as mulheres lá na europa que tiram a roupa e pintam o corpo lutando contra causas gritantes.

      E adivinha! Elas não destruiram nada e ainda por cima têm muito maior aceitação da população do que a ação que vocês fazem.

  • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

    Que pensamento mais colonizador hein amigo, quem é 
    Eric Voegelin? ninguem me apresentou esse cara, e tenho certeza que a maior parte da população nunca ouviram falar dele, sera que nos colégios públicos falam sobre ele? Sera que tem bibliotecas nas periferias com livros de Filosofia? que eu me lembro essa aula foi até extinguida do ensino publico a muito tempo.

    Agora alem de lutar pela nossa sobrevivência nos pixadores temos que matar a fome da população? trocando nossas latas de spray? rsrsrs

    Quem deveria esta matando a fome do povo são os governantes que roubam milhões do nosso dinheiro, esse exemplo deveria servir pra eles, em vez deles roubarem dinheiro publico, por que não usar ele em prol do povo? seria uma troca justa também, mas quem ta preocupado com isso?

    “que nada eu vou ver se não pixaram meu muro” rsrsrs

  • rodrigo

    Cite-me ao menos um beneficio social da pixaçao que apoiarei ela!!

  • Camila

    Ô Djan.. me perdoe se eu  entendi errado a sua posição (despois de ler os seus comentário, não de ler o texto) quando digo para algumas pessoas que eu desenho e pinto, muitas vezes,  escuto coisas do tipo:
    Só isso? Que mais?  É mesmo e vc trabalha? Pra quê serve isso? Isso não dá dinheiro porque vc faz isso? Poxa, logo artes?
    Meu pai á um tempo atrás disse que artes nem deveria ser ensinada nas escolas, disse que não servia pra nada, apontou o dedo na minha cara falando que eu não iria passar no vestibular. (Mais tarde ele mudou de idéia.)
     Estou sempre explicando meu trabalho para que as pessoas possam compreender ( tento) então tenho a tendência de pensar que todo mundo quer isso. Principalmente se sofre algum preconceito desse tipo.  
    Me desculpe se pareci arrogante (reli  meu comentário e percebi que talvez eu possa ter passado essa impressão) dizendo que não considero pixo como movimento artístico. Eu não tive essa intenção. Eu não fiz tentando rebaixar, e nem por uma questão de gosto visual.  (como alguns professores gostam de chamar de ilustração alguns trabalhos que eles não consideram bons, como se a ilustração fosse uma coisa ruim.)
    Só que para mim, prefiro pensar na tipologia como algo diferente das artes plásticas em si, porque considero que tem mais haver com a língua, com a escrita, e porque ela está sempre “sambando” entre o design e a arte.
     E como a arte tem tantas facetas, nos dá autonomia pra defender uma coisa e outra.
    Bom, é isso…
    Nota para os editores: Se acharem que esse comentário “ tá chovendo no molhado” apaguem por favor? Obrigada.. =D

    • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

      Camila, fica tranquila em momento algum vc me ofendeu, quanto aos questionamentos que vc me fez é normal, aqui é um espaço justamente para discutirmos ideias e pontos de vistas.
      Quanto a seus questionamentos, eu sei que o PIXO é uma ação autoritária e que ninguém é obrigado a aceita-la no seu muro ou prédio, mas nos vivemos numa sociedade onde tudo tem dono, tudo é privado, e pra tudo precisa de uma autorização, e a Pixação só existi justamento por que vai contra essas regras, essa é a essência dela, e isso queira ou não é um reflexo da nossa sociedade que também é autoritária e injusta, é como eu já disse aqui, vai muito alem de mim, é um movimento que se criou assim e não tem acordos com proprietários ou poder publico, se não ele não existiria. 

      Ninguém é obrigado a aceitar a pixação, ninguém é obrigado a gostar da pixação, e nem por isso nos vamos parar de pixar, esse conflito vai existir sempre.

      E sinceramente vc acha que se o pixador fosse buscar autorização com o proprietário ou poder publicar alguém nos concederia espaço? Jamais, no máximo iriam querer nos transformar em graffiteiros, por que o graffiti hoje em dia virou mera decoração e propagando pro Estado, perdendo todo seu conceito transgressor e libertário, e não é isso que queremos, pode ter certeza.

      Também achei delicado vc afirmar que muitos pixadores não fazem pixo como forma de manifestação, mesmo que muitos ainda não tenha uma instrução politica ou artística eles estão se manifestando sim,  a partir do momento que o cara pega uma lata de spray e sai na rua deixando sua marca ele já esta afrontando um sistema que impõem claramente na lei que aquele tipo de apropriação é uma crime, e é isso que torna qualquer ação de um pixador legitima é politica, por mais que muitos aqui não vejam isso. 

      Quanto ao conceito de arte da pixação, eu só usei o caso da tipografia nas artes plasticas só como um exemplo, mas eu sei que a pixação vai muito alem disso, poderíamos ficar aqui buscando vários enquadramentos, na realidade a pixação é formada por vários conceitos, transgressão, liberdade de expressão, auto firmação, manifestação existencial, artes, tipografia, práxis, anarquia, é difícil enquadrar  a pixação em só uma definição. 

  • Everton Martins

     Pixei e sai correndo, pau no cu de quem ta lendo. Clássica pixação e não vejo como um grito de libertação dos oprimidos pelo “sistema”.

  • Diego Obryan

    Vejo muita gente reclamando: “Ah, o governo isso, o governo aquilo…”. Antes de tudo, vamos lembrar que o governo somos nós. Não adianta se remoer dizendo que a sociedade é injusta e coisa e tal. Sempre foi e sempre será cara, depende do teu ponto de vista. Quem tem muito, não quer dividir o pão com quem não tem, isso é fato. O capitalismo é apenas a forma como vivemos, da mesma forma que já existiu, por exemplo, o feudalismo. NA MINHA OPINIÃO, pixar patrimônio público só leva ao prejuízo, afinal, sai do bolso de quem? Acho que precisamos de mais conciência na hora do voto e menos ignorância/ganância se um dia quisermos ver algo melhor para “a maioria” no nosso país.

  • Marcel

    Sou a favor da expressão da maior diversidade de idéias possível no debate, mas comentariozinhos criminalizadores da pobreza e ainda homofóbicos como este podiam não passar por aqui, de boa.

  • Bruno Pimenta

    Confesso que estou meio atordoado com o tópico. Não concordo, longe disso! Repudio. Qualquer tipo de vandalismo – o que pra mim é a pixação – assim como é roubar os óculos da estátua do Carlos Drummond de Andrade na orla do RJ. Uma pra mim não se diferencia da outra na essência. Pode até ser que no objetivo sim, mas não vou entrar nessa questão…

    O que estou até agora tentando entender é quando o autor diz que a pixação é uma forma de protesto, pois está faltando alguma coisa. Se entendi corretamente, tenho uma pergunta: Cara, é sério esse argumento mesmo? Essa é a melhor forma de se protestar contra os “burgueses da política do pão e circo”? Por quê não vai em Brasília pixar a casa dos políticos? Por quê não pixa a câmara de vereadores da sua cidade? Vem pixar meu muro? Minha fachada? Aquela que gastei uma grana comprando tinta e pagando pintor? Cada pixador podia pegar uma nota de R$100 que fosse sua e pintá-la com sua tinta preta, pois é isso que sinto que acontece com meu dinheiro quando o vejo pixado depois de pintado. 
    A menos que a revolta do pixador seja contra, não só o político, mas o cidadão comum, o “burguês” – essa visão de burguês não é meio esquerdista demais? -. Vou dar uma fugida do assunto só pra colocar o que penso sobre esse termo citado acima: Numa sociedade capitalista tudo gira entorno do dinheiro, lógico. Quanto mais dinheiro mais poder. Todos nós estamos em busca de dinheiro, pois dinheiro é poder, é melhor condição de vida. Numa visão pobre, assumo, mas mesmo assim fazendo um paralelo entre capitalismo, dinheiro e poder, podemos dizer que, de fato, estamos todos correndo ao encontro da burguesia.

    Pixação, uma arte urbana? Não pra mim. Arte urbana é um saxofonista tocando na entrada do metrô da Carioca no Centro do Rio, é o pintor dos azulejos, que faz sua arte em poucos minutos na avenida movimentada pra quem quiser ver, é o de pintor de painés com paisagens maravilhosas, que o faz justamente com spray, jornal e fogom basicamente, é até o malabarista do sinal, pois nenhum desses está destruindo nada de ninguém com a sua arte e até de proporcionam alguns momentos de entretenimento. Considero o grafite uma arte urbana, quando autorizado pelo proprietário do espaço.

  • http://www.facebook.com/people/Cripta-Djan-Ivson/1723105692 Cripta Djan Ivson

    Para muitos meu texto esta sendo interpretado como uma justificativa para a pixação existir, e na realidade eu só estou aqui fazendo apontamentos de fatos e estatísticas, não estou usando a desculpa que por que somos pobres temos que pixar, não, só estou me referindo a dados existenciais, não adianta eu vim aqui dizer que a pixação é um movimento da classe rica e que vivemos em um país justo.

    Se a maioria aqui acha que a pixação é um problema de caráter, como o raciocínio do amigo Gabriel Moraes que acha que pobre não tem moradia por que é preguiçoso e vagabundo beleza, eu respeito a opinião de vocês, mas não se esquecem de uma coisa, o mundo e a realidade dos fatos vai muito alem de uma opinião preconceituosa e individualista, e não é sua opinião escrita em um site na internet que vai mudar alguma coisa.

    Agora Eu me despeço desse debate, pois não tenho mais nada a esclarecer.

    Obrigado ao Jader e o pessoal do site por mais uma oportunidade de dialogo.

    Até a próxima. 

    Abraço.

  • gelsonrs

    Descobri esse texto só hoje, achei bastante pertinente os comentários do Cripta. Na minha humilde opinião, é complicado ir já metendo bronca em algo que não se compreende muito bem. E esse tipo de texto, se lido, analisado e discutido por quem tem opiniões contrárias ao pixo, pode até ser o ínicio de um olhar diferenciado para essa prática, no sentido de ampliar a compreensão desse fenômeno que é enorme, não podemos ignorá-lo e  pelo visto sempre existirá.

    “Se a pixação insiste em existir e se multiplicar pelo Brasil é porque falta alguma coisa”. É óbvio! E digo a todos aqueles que são os super corretos da sociedade, os exemplos de cidadania: existe toda uma discussão acadêmica já latente em torno do pixo, no sentido de entender as suas origens. Uma discussão que certamente não carrega em si aquele tipo de fala clichê carregada de preconceito e falta de informação, aquele tipo de fala que sempre desqualifica o executor, como se ele fosse a fonte de todo o problema. Ou seja, existem pessoas esclarecidas que buscam compreender sem julgar antecipadamente.

    A sociedade, de um modo geral, desqualifica o pixador. O pixador morre de rir. Tá nem aí. A sociedade, de um modo geral,  fica p. da vida quando vê um monte de rabisco e não entende nada. Não é pra entender mesmo, não é feito pra agradar. Ficam impressionados com os lugares escolhidos como suporte e  ficam mais quando é no próprio muro, na própria casa. Do jeito que a nossa sociedade é, isso continua assim. É tão grande quanto as grandes cidades, é por isso que, na minha opinião, esse tipo de manifestação deve ser vista com outros olhos.

    A pixação está sendo valorizada fora de nosso país. Países onde a educação básica é valorizada e, acredito eu, países onde as pessoas enxergam o fenômeno da pixação a partir de outro olhar. Talvez seja fácil para eles admirarem algo que não faz parte do cotidiano deles, muitos vão dizer. Mas o que talvez o brasileiro não entenda é que ela é um produto da sociedade. É realmente um espelho da sociedade.

    Parabéns pelo texto.

  • Gildo MRD

    A velha ladainha justificando a pichação através do descaso social . Será que é muito dificil o pixador adimitir que ele picha pra ficar famoso, comer umas mina e massagear o proprio ego? Que palhaçada esse discurso social falido. Pichação nada mais é que o puro egoísmo em evidencia de um cidadão qualquer, da periferia ou da zona sul, é a vontade de ver seu nome em todos os lugares da cidade e ouvir os seus amigos comentando, seus inimigos morrendo de inveja e as mina se molhando. Simples.

  • juliana

    Porque a pessoa rouba ? Porque nao tem nada a perder . A mesma coisa esse lixo que gente marginal chama de arte . É sujo é ridiculo . Quero ver se esse artista vai pixar a casa dele na pqp no fim do mundo . A resposta é nao !

  • Thiago

    A pergunta sobre o que falta?
    Podemos aqui discutir inúmeras perspectivas sociais, economicas e culturais.
    Respeito aqueles que fazem arte (grafiteiros) e ponto final.
    Pessoas que escrevem em locais privados ou públicos são desocupados. O que falta? Falta usarem o tempo para algo útil para eles e para o mundo. Fazer diferença, usar a massa cinzenta com algo útil.

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