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O caso Elano e a tal da medicina defensiva

Mauricio Garcia

por
em às | Corpo são, Dr. Health, Esportes


Após o malogro da seleção brasileira na última Copa do Mundo, chamou-me a atenção o desenrolar da história que tirou o jogador Elano da Copa.

No final das contas, toda a comissão técnica da seleção foi demitida, inclusive o Dr. José Luiz Runco, há um tempo considerável no cargo – em sua terceira Copa, se não me engano. Não sei se um médico tem muito a ver com o resultado em campo, mas me soa estranho ele ter sido demitido agora, e não em 2006, ano de semelhante fracasso. Teria algo a ver com a condução do caso Elano?

A última troca de médico da seleção brasileira ocorreu justamente em 1998, ano do corte de Romário antes da Copa e de toda aquela novela envolvendo Ronaldo Fenômeno antes da final contra a França, quando o médico era o Dr. Lídio Toledo.

Coisas que só Ricardo Teixeira deve saber…

Mas todo o caso me levou a uma reflexão sobre o papel dos exames complementares na medicina atual, que venho aqui compartilhar com os leitores da PdH.

O caso Elano

Sem legendas engraçadinhas aqui.

Elano recebeu uma entrada violentíssima contra a Costa do Marfim e foi substituído, com dores intensas na “canela”. Provavelmente foi submetido a uma radiografia local que não evidenciou fratura, prova disso foi a melhora clínica apresentada nos dias seguintes, o que levou o Dr Runco a garantir a presença do meia, poupado contra Portugal e Chile, no fatídico jogo contra a Holanda.

Porém, veio a imagem que todos vimos na TV: durante um treinamento físico, Elano sente a perna. É então solicitada uma ressonância magnética, que identifica uma condição que me causa arrepio: edema ósseo. Pausa na história para a explicação do Dr. Health.

Toda parte do organismo humano, quando sofre um trauma, pode inchar, que em “mediquês”, significa edema. Alguns mais ligados vão perguntar:

Mas, Dr. Health, osso é duro, como vai inchar?

O osso incha, sim. Por dentro! O osso não é composto apenas de minerais, existem células e vasos sanguíneos no seu interior, justamente estes componentes aumentam de volume. Ao aumentar de volume, a pressão intra-óssea se eleva. E, agora em bom português, isso dói pra cacete!

Explicado o que é edema ósseo, eis o motivo pelo qual isso me causa arrepio. Primeiramente porque eu tive isso em meu polegar direito. Goleiro de pelada, fui defender uma bola, e como não era uma Jabulani, não fez efeito e veio direto no meu polegar, pegando em cheio na pontinha. Ao menos evitei o gol, mas isso me custou sete meses de dor, com parca resposta à medicação (tudo bem que eu não ajudei, pois era residente e só queria saber de operar, operar e operar).

O que ajuda muito na reabsorção de um edema ósseo é a quantidade de músculo em volta. Tanto que dificilmente acontecem edemas ósseos na coxa. Já na perna… No polegar, então, nem se fala. É um tratamento chato, demorado, e fatalmente o paciente acabará desconfiando da sua competência. Pela lógica leiga, se não houve uma lesão séria (fratura), tem que melhorar rápido. Vai explicar isso… Medo!

A imprensa cai matando

Elano e Dr. Runco

Parte da imprensa criticou a condução do caso pelo médico da seleção, já que, após a melhora inicial do quadro, Runco garantiu que Elano estaria em campo contra a Holanda. No entanto, quando a ressonância foi feita, o edema ósseo estava lá.

Aí veio a pergunta cabal, motivo desse artigo: por que a ressonância não foi feita antes?

Corretamente, Runco explicou que ele tomou como parâmetros o exame de raio-x normal, o exame clínico do paciente e a evolução clínica favorável (até o fatídico treino). Só então ele solicitou a ressonância. Se esse “atraso” foi o fator que culminou em sua demissão, eu não sei. E apesar dos pesares, em matéria de medicina, a conduta dele foi correta. Talvez toda a carga de expectativa, num esporte de alto desempenho, exigisse o esgotamento precoce de todos os meios de diagnóstico, leia-se matar uma formiga com bala de canhão, mas isso não pode ser chamado de erro. Não dá pra sair pedindo ressonância pra qualquer pancada.

Era o gancho que eu precisava para falar de um tema detestável.

Medicina defensiva, que bicho é esse?

Quando estamos na faculdade, aprendemos (ao contrário do que dizem os defensores da medicina a la Cuba) que os exames são complementares, e nada mais que isso. Nada substitui a anamnese (história clínica) bem feita e um exame físico detalhado. Um sem número de patologias são de diagnóstico clínico. Aprendemos que “a clínica é soberana”. Em última análise, é a clínica que determina para onde deve seguir a investigação ou o tratamento. Ponto.

Aos 16 anos, eu senti uma dor de barriga absurda numa noite de fevereiro. Fui dormir achando que ia passar. No dia seguinte, a dor não só tinha piorado, como eu passei a vomitar tudo o que engolia. Comecei a ter febre. Algumas horas depois, relatei para minha mãe (médica) que a dor havia migrado para a parte inferior direita do abdome. Ela me examinou e constatou a presença do sinal de Blumberg (aperta-se a barriga, e ao soltar, a dor é maior do que ao apertar). Foi taxativa: “Apendicite aguda. Vai ter que operar”. Fui levado a um hospital, onde foi feito apenas um exame de sangue, que acusou uma leucocitose (aumento dos glóbulos brancos) imensa, sinal de infecção ativa. Na manhã seguinte, eu seria operado e meu apêndice, repleto de pus, retirado.

Citei o exemplo aqui, porque esse diagnóstico que salvou minha vida foi feito apenas com um exame clínico e um de sangue. Nada de tomografias, ressonâncias e o escambau (acho que nem existia ressonância, isso foi em 1992).

A soberania da clínica me manteve no mundo dos vivos…

O desenvolvimento de novos e sofisticados exames complementares, a perda de confiança da população nos médicos devido a casos de erro divulgados pela imprensa, a proliferação de faculdades de medicina que formam tudo menos médicos, a paranoia de processos movidos por advogados de porta de hospital e a relação médico-paciente-convênio doentia, tudo isso acaba tornando o profissional médico, antes confiante na boa prática clínica, cada vez mais interessado em tirar o seu da reta.

Máquina de ressonância magnética (MRI, em inglês). Precisa mesmo?

Como vale o que está escrito, frequentemente o paciente quer é fazer exame. E pipoca aquela dúvida na cabeça: e se você não pede o exame e dá alguma coisa? Mesmo tendo feito um exame clínico bom, que não é infalível (por exemplo, nenhum exame clínico detecta um câncer de estômago em estágio inicial), vão acusá-lo de “erro”.

Mais de 90% das lombalgias são causadas por sobrecargas, ou seja, os exames complementares aparecem normais. Pedir exame indiscriminadamente, com vista a se precaver dos chamados “erros”, leva qualquer sistema de saúde, público ou particular, à falência. Além disso, vai criar a figura do médico como um mero solicitador e interpretador de exames. Isso sim é um erro. A boa prática exige a análise acurada do caso e, baseado na suspeita, a solicitação do exame adequado.

Com medo, o profissional acaba pedindo um exame, que muitas vezes ele sabe que não vai dar em nada. Dinheiro jogado fora.

Doutor, não vai pedir nem um raio-x?

A frase acima é clássica. Uma tendinite aguda, por exemplo. A história é típica, o diagnóstico é clínico, mas não adianta explicar que raio-x tem pouca serventia para caso de tendinite. Ele quer porque quer, e ainda alega que paga o convênio para isso.

No SUS, então, é pior porque essa prática de solicitação de exames desnecessários acaba onerando o sistema como um todo. Já não é bom; se formos pedir tomografias e ressonâncias para todo mundo, a falência é logo ali.

Aliás, quanto aos convênios, ainda há uma implicação para o profissional, pois as centrais de convênios monitoram os pedidos de exames mais caros. Se você, médico, sai pedindo muito exame, não será surpresa se chegar uma carta do convênio dispensando os seus serviços. Sem dó:

“Você pede muito exame, não interessa mais para nó$.”

De um lado, a pressão do convênio. De outro, o paciente que paga o plano e exige o exame. Mesmo que você se desdobre para solicitar exames apenas necessários, se der azar de pegar muitos pacientes que realmente precisam dos exames, tá lascado… Dureza.

E o Dr. Runco?

Dr. Runco exerceu uma boa prática, nos moldes da medicina tradicional. Condená-lo é condenável. Mas por se tratar de atividade esportiva de alto nível, e de uma entidade que nada em dinheiro, exclusivamente nesse caso teria sido melhor praticar uma medicina defensiva, pedindo logo uma ressonância de cara. Já teria definido se o atleta teria ou não condição de seguir na Copa e não teria garantido sua presença no fatídico jogo. Tirava o dele da reta.

Duvido que a partir de agora, para qualquer atleta do Flamengo que tenha uma contusão semelhante, ele não se defenderá pedindo até a dosagem de selênio da lágrima do olho direito…

Não é a prática médica ideal, longe de ser, mas vá saber se isso poderia ter salvo sua cabeça na seleção brasileira?

Concluindo…

Todas essas distorções e falhas de comunicação acabaram levando muitos colegas (e mesmo eu, muitas vezes) a praticar a chamada Medicina Defensiva, na qual você trata primeiro o prontuário e só depois o paciente. Prática que, longe de ser ideal, acaba por onerar um já combalido sistema de saúde. É a lei da selva imperando.

Dr Health, finalmente revelando por que muitos pacientes vão ao médico e ouvem “É uma virose”: a maioria acachapante das gripes e diarreias são viroses mesmo!

Mauricio Garcia

Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.


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  • EZ!

    Como sempre, um excelente artigo.
    Sou enfermeiro e já trabalhei em UBS fazendo de tudo, inclusive o controle dos SADT para realização dos exames. Impressionante como muitos médicos não tem um pingo de clinica e saem prescrevendo exames para tudo. Muitas vezes é mais fácil pedir os exames, o paciente já vai com o intuito de pedir um hemograma, uma glicemia, etc. O médico quer se livrar do paciente chato, pede logo o exame e todos saem satisfeitos. Mas o ruim é que quando realmente se precisa do exame, há demora para realiza-lo. Complexo.
    EZ!

  • EZ!

    Como sempre, um excelente artigo.
    Sou enfermeiro e já trabalhei em UBS fazendo de tudo, inclusive o controle dos SADT para realização dos exames. Impressionante como muitos médicos não tem um pingo de clinica e saem prescrevendo exames para tudo. Muitas vezes é mais fácil pedir os exames, o paciente já vai com o intuito de pedir um hemograma, uma glicemia, etc. O médico quer se livrar do paciente chato, pede logo o exame e todos saem satisfeitos. Mas o ruim é que quando realmente se precisa do exame, há demora para realiza-lo. Complexo.
    EZ!

  • Jefferson

    Muito bom texto, parabéns. Mas eu tenho algumas dúvidas. Gostaria de primeiro lhe dizer que não sou médico apenas estou tentando me informar sobre o assunto, que parece ser muito importante. A primeira dúvida é a seguinte: a análise clínica é subjetiva? Se for, porque não utilizar sempre meios para diminuir a subjetividade (exames) ? A segunda dúvida é a seguinte qual seria o problema para a sociedade se médico fosse “um mero solicitador e interpretador de exames”?

  • Renan_ 775

    Gostei muito do post, e está de parabéns por sua analise diante dos fatos ocorridos!!!

  • Artur

    Muito bom o texto, parabéns.

  • Geraldo

    Nos clubes de futebol, a prática de pedir “ressonância” para qualquer coisa é comum … vira e mexe você vê no noticiário que o “fulano” passou por uma ressonância para diagnosticar uma simples distensão …

  • Lucas Henrique (Rocco)

    Infelizmente, nosso sistema unico de saude é falho e as vezes vago. Quando funciona, demora muito para demonstrar resultado.

    Creio que a unica solução para o Brasil seria uma reforma completa em Saúde, Educação e na própria politica. De pouco em pouco estamos melhorando, por exemplo a Ficha Limpa.

    Não sendo anti-patrióta mas ainda bem que a Copa já acabou para o Brasil. Agora podemos voltar o foco na situação que o país se encontra e ainda lembrar que estamos em ano eleitoral.

    Precisamos de políticos honestos assim como o Dr Health.

    Parabéns pelo post.

    Abraços

  • Lucas Henrique (Rocco)

    Infelizmente, nosso sistema unico de saude é falho e as vezes vago. Quando funciona, demora muito para demonstrar resultado.

    Creio que a unica solução para o Brasil seria uma reforma completa em Saúde, Educação e na própria politica. De pouco em pouco estamos melhorando, por exemplo a Ficha Limpa.

    Não sendo anti-patrióta mas ainda bem que a Copa já acabou para o Brasil. Agora podemos voltar o foco na situação que o país se encontra e ainda lembrar que estamos em ano eleitoral.

    Precisamos de políticos honestos assim como o Dr Health.

    Parabéns pelo post.

    Abraços

  • Lucas Vieira

    Excelente artigo!

  • Lucas Vieira

    Excelente artigo!

  • Pablo Fernandes

    Mau,

    Excelente artigo, cara.

    Quando eu vi esse caso do Elano, lembrei do meu problema no joelho.

    Ao procurar o médico alegando fortes dores no joelho e uma ardência descomunal em dias frios, ele foi taxativo, dizendo que eu estava com uma inflamação no joelho. Fez um raio-x que não detectou nada e mandou pra casa com alguns remédios.

    Como a dor continuou e a ardência só aumentava (estava no inverno, na época) eu procurei um outro médico (que é considerado o melhor daqui) para avaliar o meu joelho.

    Quando relatei o que sentia, ele optou pela medicina defensiva, me pediu logo uma ressonância e um exame de sangue mais completo, para detectar até mesmo se havia alguma chance de reumatismo.

    Só com o exame de sangue foi possível identificar o que eu tinha, que de fato era reumatismo nos dois joelhos.

    Porém, ele só pediu essa carga extra de exames, porque na sua análise clinica, no seu consultório, não conseguiu de cara dizer o que eu tinha.

    Ainda bem que não jogo futebol e não estava em uma Copa do Mundo.

  • Pablo Fernandes

    Mau,

    Excelente artigo, cara.

    Quando eu vi esse caso do Elano, lembrei do meu problema no joelho.

    Ao procurar o médico alegando fortes dores no joelho e uma ardência descomunal em dias frios, ele foi taxativo, dizendo que eu estava com uma inflamação no joelho. Fez um raio-x que não detectou nada e mandou pra casa com alguns remédios.

    Como a dor continuou e a ardência só aumentava (estava no inverno, na época) eu procurei um outro médico (que é considerado o melhor daqui) para avaliar o meu joelho.

    Quando relatei o que sentia, ele optou pela medicina defensiva, me pediu logo uma ressonância e um exame de sangue mais completo, para detectar até mesmo se havia alguma chance de reumatismo.

    Só com o exame de sangue foi possível identificar o que eu tinha, que de fato era reumatismo nos dois joelhos.

    Porém, ele só pediu essa carga extra de exames, porque na sua análise clinica, no seu consultório, não conseguiu de cara dizer o que eu tinha.

    Ainda bem que não jogo futebol e não estava em uma Copa do Mundo.

  • Michelle

    Bom dia Mauricio, excelente texto. Conseguiu expor uma pequena realidade da prática da saúde brasileira, tanto pública, quanto privada, através de um acontecimento atual, sobre uma realidade que o brasileiro, no momento, esta a cogitar (a lesão do Elano, foi ou não prejudicial ao Brasil, nessa copa?). Sou médica, e aqui no Rio, em hospitais de nome, o que se faz é a medicina preventiva, em 100% dos casos. A gente que se desdobra para fazer 3 a 4 relatórios detalhados para o plano, para explicar porque o MA pediu aquele exame. Ou nos desdobramos para explicar ao paciente a não solicitação de tal exame, mas alguns insistem em fazer. Uma certa quantidade de pacientes perderam a confiança nos médicos, achando que sempre um exame complementar vai falar mais que o exame clinico (já tive caso de apendicite diagnosticada clinicamente, a TC normal, e ao fazer a cirurgia, o bendito estava lá pipocando na cara do cirurgião, mas como também tive caso de meningite com exame neurológico normal e líquor positivo), mas não sabem os mesmo a radiação exposta após radiografia e tomografias. Necessitamos de uma reformulação na medicina brasileira, nas faculdades e nos pacientes.

  • André

    Muito bom texto mesmo. Isso me lembra meu caso no meio do ano passado quando rompi o ligamento cruzado anterior do joelho direito.
    Fui em 3 médicos diferentes que só diziam “pára por um mês de jogar bola que tu vai tá bem”. Fiz isso e as dores seguiam. Consegui consulta em um médico que atende a dupla gre-nal e ele nem pensou meia vez após eu descrever a dor: “é ligamento, vamo faze uma ressonância pra ver se foi rompimento parcial ou total”. Era total mesmo, fiz cirurgia, fisio e voltei a jogar normalmente. Mas agora entendo o possível motivo pelo qual os outros médicos não pediram a ressonância.

  • Ramon Távora

    Como sempre os textos aqui são feitos para quem quer sair do seu casulo!

    Pois é Dr Health, o grande problema é que o nosso sistema de saúde e nossa cultura sobre a saúde se encontra em colapso vertiginoso. Eu não conheço uma classe de profissional da saúde que não esteja a beira do colapso total. Embora para os médicos seja um pouco melhor ainda pela falta de profissionais suficientes no mercado (e mesmo com milhares de faculdades sendo criadas eu duvido que um dia teremos o suficiente) todos nós dependemos de forças que trabalham diretamente contra nós!

    Se um médico for só clinicar ele morre de fome! não tem como depender exclusivamente de planos de saúde e se sustentar, primeiro porque ele paga uma merreca e pra compensar você tem que atender muitos pacientes por dia com uma avaliação meia boca, se resume a pura sorte, como você não pode nem demorar com o paciente pra fazer uma avaliação minuciosa que seria eficaz você pede exame pra encurtar a conversa, mas como você não pode pedir de todo mundo acaba o paciente participando de um tipo de roleta russa, ele pode muito bem ter apenas um exemplo de uma tendinite, mas pode não ter só isso, e aquele antiinflamatório não ser suficiente para seu caso, fazendo com que ele se prolongue demais pra ficar bom. Isso é uma das coisas que o plano de saúde ainda não controla, o tempo de cura, pois já que o paciente não faz logo os exames de primeira ele em que voltar no médico algumas vezes para pode descobrir o que tem realmente e do mesmo jeito acaba gastando o dinheiro do plano de saúde que se torna mais sovina pra compensar, e aí já começou o Looping…

    Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come… difícl escolher!!!

    Tenho uma sugestão pra Você falar Dr., que tal falar do caminho que o paciente dependente de plano de saúde tem que percorrer para ficar bom, e como seria o ideal falando principalmente dos BENDITOS encaminhamentos que ele tem que se sujeitar até achar o caminho certo!

    post Show de Bola!!!

  • http://twitter.com/fredericosalume Frederico Salume

    As vezes desanimo de médico por isso. Pede-se uma renca de exames que não chegam a lugar nenhum e você gasta dinheiro à toa. Tem médico que pede ressonância por qualquer coisa. É ridículo.
    Além disso, consultas rápidas. O cara nem te ouve direito, já faz uma receita de um remédio e pede um exame.

  • http://www.facebook.com/people/Edipo-Goncalves/100001227084134 Edipo Gonçalves

    Excelente texto.
    Realmente vivemos numa selva e é complicado isso. Assim como existem excelentes profissionais, existem os péssimos também. Quem nunca ouvi a clássica história de quem foi no SUS e a única coisa que o médico faz é receitar uma dipirona e mais tarde o problema piora.

  • tvbarao

    Nem li o post, só cheguei até a foto da entrada desse cavalo em cima do Elano e lembrei de uma história..

    Quando a gente jogava society, tinha um cara chamado Prego que era um mala. Até aí tudo bem. Num dia um gordo grande que era amigo de um dos agregados jogou conosco e quase quebrou a perna do Prego. Nesses jogos claro que preservamos a amizade e o companheirismo mas ninguém aceitou isso. O gordo continuou em campo e o Prego saiu todo roxo.

    Só que o nosso time (o Prego era do meu time) não se conformou. Dois minutos depois, eu (alto e magro pra kct) dividi uma bola e joguei o gordo na parede com meu ombro. Passados mais dois minutos ele tentou me dar uma solada mas desviei.

    Havia um cara no nosso time chamado Pata de Boi, porque era muito grande e grosseirão, estilo Felipe Melo só que gordo. Num disputa de bola ele e o gordão entraram numa dividida e ele QUEBROU O JOELHO do gordo. Espatifou. Sou contra, eu não faria algo tão grave mas ele merecia apanhar.

    É o que eu faria com esse costamarfinense desgraçado. Esse sim merecia ter o joelho espatifado numa dividida. Cade o Felipe Melo nessas horas?

  • tvbarao

    Concordo em tudos exceto pelo “condená-lo é condenável” “ele não errou”

    bem, fazer a ressonância não colocaria o Elano em campo, apenas adiantaria a notífica de que ele não jogaria.

    Mas estamos falando de uma COPA DO MUNDO. Não é jogo de campeonto brasileiro ou carioca. Se ele levar um pisão no dedinho do pé, devem fazer exame até de HIV nele. Pois são os 7 jogos mais importantes de TODOS.

    Só por isso ele errou. Fosse um Werder Bremen (ele ainda tá lá? é o Diego né? haha) x Schalke 04, não precisaria.

  • LucindaMateus

    Nossaa…. sensacional, realmente eu fiquei na dúvida sobre essa história de osso inchar, mas com uma explicação dessa não restou dúvidas do tratamento, e do problemão que ele ainda vai enfrentar né?! Como sempre arrasou ;…. (ps tenho tendinite a tanto tempo que quando estou com crise não peço raio x não…. já sei kakaka)…… continue postando esses artigos ……adoreiii,, bjos l.

  • Dr Health

    A história clínica é subjetiva, até porque trata-se do relato do paciente.

    A análise clínica não necessariamente. Existem achados do exame físico que fecham diagnóstico. Aliás, era algo que o serviço de ortopedia da UFRJ,onde fiz residência, utilizava muito, no ambulatório de joelho. Um exame físico simples é capaz de detectar uma leão de ligamento cruzado anterior. Se fôssemos esperar uma ressonância, o paciente demoraria 300 anos até operar. Então indicávamos cirurgia baseado apenas no exame físico. Com sucesso!! A ressonância no caso poderia nos trazer outras informações que ajudariam no planejamento cirúrgico,mas nada que não pudéssemos resolver na hora, sem ela.

    Com essa subjetividade variável, o correto é deixar o exame complementar para quando o exame físico não for totalmente objetivo.

    Regra que eu não posso utilizar no INTO (Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia) onde trabalho atualmente. O cara pode ter todos os sinais e sintomas de lesão de ligamento cruzado, diagnóstico escancarado, mas se não tiver ressonância, não pode ser encaminhado ao grupo de joelho.

    O problema do médico ser um mero solicitador e interpretador de exames é a desumanização da Medicina. Nos tornaríamos profissionais como os americanos o são. Frios e técnicos apenas. E futuramente, substituíveis por computadores e robôs. Eu não saberia explicar aqui, mas cada caso tem sua nuance especial, sua circunstância característica. Você chegou a ver um texto meu chamado “A última missão?”. Se ali eu fosse um mero interpretador de exames, não ajudaria em nada a paciente.

  • Dr Health

    Michelle, muito da atitude defensiva dos convênios teve origem em colegas inescrupulosos.

    Que médico nunca ouviu falar de indicações cirúrgicas forçadas, solicitação de procedimentos adicionais que não eram necessários pra tirar um extra do convênio, e pasme, cirurgia para confecção de cicatriz e o escambau? Pro convênio, só vale o escrito.

  • Dr Health

    No caso da lesão do ligamento cruzado em paciente com convênio, a ressonância é obrigatória.

    Até porque se, ao solicitar a autorização do convênio para operar, se você não anexar cópia do laudo da ressonância, a cirurgia não será autorizada.

    Normalmente quando a lesão acabou de ocorrer, não dá pra saber direito se o ligamento se rompeu. A literatura descreve que o exame físico é claro, mas na prática, o paciente URRA se você mexer no joelho dele. E como o edema atrapalha a ressonância, eu apenas imobilizo e passo medicação contra a dor. Quando o paciente tem melhora da dor, e suporta o exame físico, aí sim, eu constato a lesão e peço a ressonância.

  • Dr Health

    Eu queria escrever isso no texto, mas só lembrei depois.

    Houve erro sim. Político.

    Não médico.

  • Coelho

    Não entendi o que vc quis dizer com “Medicina A La Cuba”, poderia explicar melhor, talvez em outro post?

  • Dr Health

    A Medicina realizada em Cuba tem um foco maior na prevenção das doenças e nos aspectos sociais relativos à saúde da população. O que é louvável, do ponto de vista da melhor saúde em geral, da redução de custos com tratamentos onerosos de doenças facilmente preveníveis e no aspecto social da Medicina em geral. Além disso, lá existe o chamado turismo médico, onde pacientes despencam de fora para serem tratados em Cuba, a baixos custos.

    Porém, quando você discute com algum esquerdista mais ortodoxo, ele solta a pérola que a medicina cubana é a melhor, por causa do que citei acima. (Segundo a OMS, o melhor sistema de saúde do mundo é o da França, com a Itália em seguida). Um dos argumentos é que o profissional cubano é mais humano, pela sua formação, enquanto os outros são frios e tecnicistas. Argumento esse que eu rebato com muito do conteúdo do texto.

  • Jão

    Quantas precipitações ou palpites…
    Argumentar sobre conduta médica? Erro médico?
    Eu vi alguns jornalistas comentarem sobre, mas espera:
    são médicos ou jornalistas estas pessoas?
    Em todo caso, na minha modesta opinião, já que não sou médico e muito menos jornalista,
    nada tira o fato de que fazendo ou não fazendo a fotografia com photoshop (ou ressonância),
    Elano não voltaria em campo neste mundial. Voltando às perguntas iniciais, constato que o modus operandi em nada influenciaria no resultado final, ou seja, a impossibilidade de Elano atuar. Tem que ser muito zé ruela pra admitir que a conduta do Dr. Runco foi inapropriada.
    O que me deixa pasmo é a ideia de que isso resultou na sua demissão (coisa da qual reluto em acreditar ser verdade), o “querido” Ricardo Teixeira não é ignorante o suficiente para tal façanha, já que está no poder há 21 anos e tem influência política em qualquer espaço, por mais inebriante que seja o poder a ponto de fazê-lo perdurar no cargo de Presidente da CBF por tanto tempo.
    Runco é “funcionário de empresa” e pode ser demitido a qualquer momento pelo “empresário”, e sem justa causa.

  • Juliana

    Quando comecei a ler o texto logo pensei aquilo que algumas linhas abaixo tu escreveste. Que por ser outro nível, ele (Runco) deveria ter sim excluído todas as possibilidades. Sifu.

    E quando o médico nem exame clínico faz na pessoa? Faz o quê?!

    Arrombei o joelho praticando (ou tentando) judô no começo do ano, e ao chegar no hospital mancando (sem nem uma cadeira pra sentar no consultório), o cara me faz algumas perguntas (sim eu sei que faz parte do exame), mas nem tira a bunda da cadeira pra tocar no bendito joelho. Achei no mínimo estranho. Analgésico e gelo.
    O joelho não parou de doer como ele disse que ia, procurei outro médico e depois de alguns exames me disse ser tendinite. Aconteceu em março. Estamos em julho e eu não consigo mais correr sem sentir uma dor filha-da-mãe toda vez que eu tento aumentar o ritmo. Um saco. Me limita demais. A vontade de ir ao médico é grande, mas tenho medo de gastar uma grana, pra chegar lá e o cidadão me dizer que não acha nada. É deve ser “pscicológico”. rss

  • Al

    aí também entra a mania do brasileiro de se achar médico né? a ponto de se ter que pedir em rede nacional pra que náo se tome antibiótico como se fosse cebion…

  • http://twitter.com/OViralatas Kaue Teixeira Lima

    Não sei se foi o caso do André acima, mas curiosamente, algumas vezes CUSTA ao médico dizer que é talvez necessário aguardar ? Não sei se no caso os médicos pediram retorno ali, mas se pediram provavelmente então fizeram o correto, mas eu pelo menos noto que a idéia do retorno como confirmação do diagnóstico não é clara na mente do paciente, porque ele quer a resposta já ! Como diabos lidar com isso ?

    Como futuro estudante de medicina inclusive não sei como o médico encara esse momento, como que você fala pra pessoa que está com dor infernal que tem que aguardar para poder fazer o exame ?

  • Digovr

    Um bom post, mas a diferença meu amigo que ali é Copa do Mundo, não é uma situação contidiana da vida, é copa do mundo uma vez a cada 04 anos, porque não fazer o exame mais completo de uma vez e acabar com todas as dúvias. Vou repetir É COPA DO MUNDO, não me venha com corporativismo. COPA DO MUNDO

  • http://twitter.com/OViralatas Kaue Teixeira Lima

    Não sei se foi o caso do André acima, mas curiosamente, algumas vezes CUSTA ao médico dizer que é talvez necessário aguardar ? Não sei se no caso os médicos pediram retorno ali, mas se pediram provavelmente então fizeram o correto, mas eu pelo menos noto que a idéia do retorno como confirmação do diagnóstico não é clara na mente do paciente, porque ele quer a resposta já ! Como diabos lidar com isso ?

    Como futuro estudante de medicina inclusive não sei como o médico encara esse momento, como que você fala pra pessoa que está com dor infernal que tem que aguardar para poder fazer o exame ?

  • Digovr

    Um bom post, mas a diferença meu amigo que ali é Copa do Mundo, não é uma situação contidiana da vida, é copa do mundo uma vez a cada 04 anos, porque não fazer o exame mais completo de uma vez e acabar com todas as dúvias. Vou repetir É COPA DO MUNDO, não me venha com corporativismo. COPA DO MUNDO

  • Machadofr

    Olá Mauricio,
    Bom Post!!! Informa bem. E é bacana tb pq pelos comentários tb notamos que realmente a medicina defensiva acaba sendo a melhor escolha para alguns pacientes…
    Não sei ao certo a localização do edema osseo do Elano, mas ao que me consta a dor era no TORNOZELO. Onde foi a pancada? Pela foto e as imagens que vimos, foi na tíbia (ou canela, se preferirem). Sendo assim, permita-me divagar um pouco sobre o assunto… qual a relação entre um trauma na face anterior da tíbia e um edema possivelmente no Tálus??? Quem sabe o evento traumatico não, apenas, desencadeou uma manifestação de algo que já vinha ocorrendo com o tornozelo do Atleta? Sendo assim, analisando as informações disponíveis através da imprensa e as imagens disponíveis, a realização da RMN foi totalmente dispensável para a conduta, portanto, dinheiro no LIXO! Não importa se é meu, do país ou CBF, foi pro LIXO. O que vetou a participação do atleta na competição foi a dor, e não o resultado do exame. O exame não seria feito nem na seleção, no Werder Bremen, no seu Flamengo ou no Íbis.
    Enfim, parabéns ao Dr. Runco pela conduta no caso, e parabéns pelo seu Post.
    É triste depois de 6 anos de faculdade e depois de 3 anos chegando ao hospital as 6 da manhã (sabemos bem o que é isso) termos que brigar para manter uma medicina (e uma ortopedia) de qualidade.

  • Machadofr

    Olá Mauricio,
    Bom Post!!! Informa bem. E é bacana tb pq pelos comentários tb notamos que realmente a medicina defensiva acaba sendo a melhor escolha para alguns pacientes…
    Não sei ao certo a localização do edema osseo do Elano, mas ao que me consta a dor era no TORNOZELO. Onde foi a pancada? Pela foto e as imagens que vimos, foi na tíbia (ou canela, se preferirem). Sendo assim, permita-me divagar um pouco sobre o assunto… qual a relação entre um trauma na face anterior da tíbia e um edema possivelmente no Tálus??? Quem sabe o evento traumatico não, apenas, desencadeou uma manifestação de algo que já vinha ocorrendo com o tornozelo do Atleta? Sendo assim, analisando as informações disponíveis através da imprensa e as imagens disponíveis, a realização da RMN foi totalmente dispensável para a conduta, portanto, dinheiro no LIXO! Não importa se é meu, do país ou CBF, foi pro LIXO. O que vetou a participação do atleta na competição foi a dor, e não o resultado do exame. O exame não seria feito nem na seleção, no Werder Bremen, no seu Flamengo ou no Íbis.
    Enfim, parabéns ao Dr. Runco pela conduta no caso, e parabéns pelo seu Post.
    É triste depois de 6 anos de faculdade e depois de 3 anos chegando ao hospital as 6 da manhã (sabemos bem o que é isso) termos que brigar para manter uma medicina (e uma ortopedia) de qualidade.

  • http://www.facebook.com/people/Willian-Itiho-Amano/1678957892 Willian Itiho Amano

    Como sempre um ótimo texto. A conduta do médico foi correta. Apenas a questão política não foi.

    O que eu acho que falta nos médicos é a falta de humanização mesmo. Falta o médico sentar com o paciente e explicar o caso. Aqui em MT tem uma clínica de ortopedia que é considerada a melhor do estado, vindo pacientes de outros estados para consultar com eles. Portanto é difícil conseguir vaga. O que piora quando a consulta demora meia hora. Sim. Meia hora em média. O médico pergunta toda a sua vida e faz exames clínicos e anota tudo no computador.

    Eu a 4 anos consultei com um deles (especialista em joelho) e o diagnóstico saiu. Menisco discoide com rompimento. Solicitou a ressonância para confirmar e servir de base para uma cirurgia. Retornei e vai mais meia hora para ele avaliar os exames e me explicar o procedimento cirúrgico. Saí sem nenhuma dúvida sobre o que seria feito. Entretanto o plano não liberou o procedimento (doença pré existente e ainda não tinha cumprido a carência)

    No início do ano eu tive uma crise de dor e retornei. Consultei com outro médico de joelho na mesma clínica (o anterior tinha vaga para maio (estávamos em janeiro)). Fez o mesmo procedimento e marcamos a cirurgia. A cirurgia foi muito bem feita e o acompanhamento me deixou muito satisfeito. Eu tive no período da fisioterapia (que começou 2 dias depois da cirurgia) uma tendinite e distensão muscular atrás do joelho, o que atrapalhou minha recuperação. Possivelmente fruto da musculatura fraca e dos exercícios/alongamentos.

    Eu arte marcial e dia desses eu cai em cima do ombro e desde então ele fica saindo do lugar o que causa luxação (é este nome mesmo?). Fui no mesmo médico (visto que tinha consulta de retorno por causa do joelho) e ele pediu uma ressonância por causa de uma lesão do labro. Isto ele descobriu com a análise clínica. Fiz a ressonância e o resultado foi: Fratura ósteo-labral-cartilaginosa ou lesão de bankart e lesão SLAP do tipo II. Ele me passo para um colega da mesma clínica que é especializado em ombro. Este fez dodos os exames clínicos novamente. Depois disso que ele avaliou a ressonância. Me explicou exatamente qual o problema e qual a intervenção que era recomendável.

    Por esta postura médica que eu me sinto confiante e entrar em mais uma cirurgia. É isto que falta nos médicos. Não é simplesmente dizer que é uma virose. Quando um médico me diz que é uma virose eu sinto como se ele estivesse me chamando de burro/trouxa dando um parecer ridículo. Até pode realmente ser uma virose que o tratamento seja cama e analgésico mas custa o médico sentar e explicar o que está acontecendo?

  • Dr Health

    Se defender um colega que realizou uma conduta adequada é corporativismo, então sou corporativista sim. Pobre eu que entendia que corporativismo era defender colega a qualquer custo, mesmo estando errado.

    Lembro que estou analisando do ponto de vista médico. Se outras variáveis entram em jogo, é questão mais política/prática e isso não torna um erro, perante a boa prática médica.

    Como já falei, o erro foi meramente político.

    Então, seguindo a sua linha de raciocínio, na Copa do Mundo se justifica, mas para uma população normal não?? Ganhar um título de futebol é mais importante que a saúde do brasileiro? Interessante.

  • http://www.facebook.com/people/Willian-Itiho-Amano/1678957892 Willian Itiho Amano

    Como sempre um ótimo texto. A conduta do médico foi correta. Apenas a questão política não foi.

    O que eu acho que falta nos médicos é a falta de humanização mesmo. Falta o médico sentar com o paciente e explicar o caso. Aqui em MT tem uma clínica de ortopedia que é considerada a melhor do estado, vindo pacientes de outros estados para consultar com eles. Portanto é difícil conseguir vaga. O que piora quando a consulta demora meia hora. Sim. Meia hora em média. O médico pergunta toda a sua vida e faz exames clínicos e anota tudo no computador.

    Eu a 4 anos consultei com um deles (especialista em joelho) e o diagnóstico saiu. Menisco discoide com rompimento. Solicitou a ressonância para confirmar e servir de base para uma cirurgia. Retornei e vai mais meia hora para ele avaliar os exames e me explicar o procedimento cirúrgico. Saí sem nenhuma dúvida sobre o que seria feito. Entretanto o plano não liberou o procedimento (doença pré existente e ainda não tinha cumprido a carência)

    No início do ano eu tive uma crise de dor e retornei. Consultei com outro médico de joelho na mesma clínica (o anterior tinha vaga para maio (estávamos em janeiro)). Fez o mesmo procedimento e marcamos a cirurgia. A cirurgia foi muito bem feita e o acompanhamento me deixou muito satisfeito. Eu tive no período da fisioterapia (que começou 2 dias depois da cirurgia) uma tendinite e distensão muscular atrás do joelho, o que atrapalhou minha recuperação. Possivelmente fruto da musculatura fraca e dos exercícios/alongamentos.

    Eu arte marcial e dia desses eu cai em cima do ombro e desde então ele fica saindo do lugar o que causa luxação (é este nome mesmo?). Fui no mesmo médico (visto que tinha consulta de retorno por causa do joelho) e ele pediu uma ressonância por causa de uma lesão do labro. Isto ele descobriu com a análise clínica. Fiz a ressonância e o resultado foi: Fratura ósteo-labral-cartilaginosa ou lesão de bankart e lesão SLAP do tipo II. Ele me passo para um colega da mesma clínica que é especializado em ombro. Este fez dodos os exames clínicos novamente. Depois disso que ele avaliou a ressonância. Me explicou exatamente qual o problema e qual a intervenção que era recomendável.

    Por esta postura médica que eu me sinto confiante e entrar em mais uma cirurgia. É isto que falta nos médicos. Não é simplesmente dizer que é uma virose. Quando um médico me diz que é uma virose eu sinto como se ele estivesse me chamando de burro/trouxa dando um parecer ridículo. Até pode realmente ser uma virose que o tratamento seja cama e analgésico mas custa o médico sentar e explicar o que está acontecendo?

  • Dr Health

    Willian, você é o terceiro essa semana que eu fico sabendo que tem lesão SLAP. Parece uma epidemia…

    Tudo isso me leva a crer que a grande chave do processo é a comunicação entre as partes. Por isso, ao contrário de colegas que investem só em conhecimento, estou investindo em técnicas de comunicação, neurolinguistica e estabelecimento de rapport. Eu gosto de compartilhar o raciocínio que me levou ao diagnóstico e sempre mostrar alguma informação extra sobre a patologia.

    (Mas ainda bem que em ortopedia, as viroses não se aplicam, hehehehe)

  • CaveiraVermelha

    Dr. Não li todos os comentários, então arrisco fazer uma pergunta repetida:

    O que torna, exatamente, certos exames TÃO caros a ponto de não ser viável aplicá-los em todos os pacientes?

  • Dr Health

    Penso que é a tecnologia envolvida no custo da aparelhagem. Um aparelho de ressonância magnética é caro até dizer chega, requer manutenção altamente especializada.

    Aliás, isso se aplica aos materiais da minha especialidade também. Minha mãe fez uma cirurgia para reparo de uma lesão dos tendões do ombro, onde foram utilizados:

    1 equipo bomba (uma mangueira de borracha para levar soro sob pressão para o interior da articulação)
    3 âncoras bioabsorvíveis (uma espécie de parafuso que você crava no osso, e vem com fios para suturar as estruturas nele, ou seja, vc literalmente ancora o tecido suturado no osso)
    2 cânulas (tubo de plástico especial para a realização de sutura intra articular)
    1 ponteira de shaver (shaver é um instrumento utilizado na artroscopia)
    1 ponteira de radiofrequência (eletrocautério especial para funcionar dentro da articulação)

    Total do material: ONZE MIL REAIS.

    Tem fixador externo tipo Orthofix que custa a bagatela de 15000. Uma prótese decente de joelho não sai por menos de 10000 reais. Os implantes mais modernos para fraturas custam de 2000 pra cima.

    Posso te afirmar que não são poucos brasileiros que necessitam de uma cirurgia como a que minha mãe foi submetida. Faça as contas.

  • CaveiraVermelha

    Dr. Não li todos os comentários, então arrisco fazer uma pergunta repetida:

    O que torna, exatamente, certos exames TÃO caros a ponto de não ser viável aplicá-los em todos os pacientes?

  • Dr Health

    Penso que é a tecnologia envolvida no custo da aparelhagem. Um aparelho de ressonância magnética é caro até dizer chega, requer manutenção altamente especializada.

    Aliás, isso se aplica aos materiais da minha especialidade também. Minha mãe fez uma cirurgia para reparo de uma lesão dos tendões do ombro, onde foram utilizados:

    1 equipo bomba (uma mangueira de borracha para levar soro sob pressão para o interior da articulação)
    3 âncoras bioabsorvíveis (uma espécie de parafuso que você crava no osso, e vem com fios para suturar as estruturas nele, ou seja, vc literalmente ancora o tecido suturado no osso)
    2 cânulas (tubo de plástico especial para a realização de sutura intra articular)
    1 ponteira de shaver (shaver é um instrumento utilizado na artroscopia)
    1 ponteira de radiofrequência (eletrocautério especial para funcionar dentro da articulação)

    Total do material: ONZE MIL REAIS.

    Tem fixador externo tipo Orthofix que custa a bagatela de 15000. Uma prótese decente de joelho não sai por menos de 10000 reais. Os implantes mais modernos para fraturas custam de 2000 pra cima.

    Posso te afirmar que não são poucos brasileiros que necessitam de uma cirurgia como a que minha mãe foi submetida. Faça as contas.

  • Arnaldoestevao

    Sou leigo em medicina, mas acredito que independentemente de sua profissão, uma pessoa quando se machuca se torna um paciente e sua saúde deve vir em primeiro lugar sempre, se ele ia ou não ia mais jogar na copa ao meu ver é algo de somenos importância, o que realmente interessa é se ele vai ficar saudável novamente independente do tempo que leve e dos procedimentos médicos que sejam feitos, portanto acredito que a discussão não deva ser se com este ou aquele procedimento as pessoas iriam ficar sabendo se ele ia ou não poder atuar, mas se todas as condutas médicas necessárias foram tomadas no sentido que ele se recupere sem ficar sequelas, foda-se a copa viva a vida !

  • Arnaldoestevao

    Sou leigo em medicina, mas acredito que independentemente de sua profissão, uma pessoa quando se machuca se torna um paciente e sua saúde deve vir em primeiro lugar sempre, se ele ia ou não ia mais jogar na copa ao meu ver é algo de somenos importância, o que realmente interessa é se ele vai ficar saudável novamente independente do tempo que leve e dos procedimentos médicos que sejam feitos, portanto acredito que a discussão não deva ser se com este ou aquele procedimento as pessoas iriam ficar sabendo se ele ia ou não poder atuar, mas se todas as condutas médicas necessárias foram tomadas no sentido que ele se recupere sem ficar sequelas, foda-se a copa viva a vida !

  • http://twitter.com/matgaudio Mateus Gaudio

    na verdade toda essa discussão é por conta desse nosso péssimo costume de “caçar” culpados, responsáveis…

    o que, se Elano jogasse seria diferente? Não sei, não importa.
    Não mudaria nada o diagnóstico do Runco, ele não jogaria de qualquer forma.
    Se o Brasil ganhasse, provavelmente esse fato passaria batido mas não foi o caso e por isso toda essa discussão atrás de “culpados”…

    mas como tudo tem seus prós (essa discussão, por exemplo – adoro discussões) e contras (Runco demitido e “condenado”)

    Bom, ótimo texto como sempre. Parabéns.

  • CaveiraVermelha

    É realmente um problema sério. Fico imaginando se realmente não há como baratear as tecnologias e materiais utilizados na medicina atual para que se torne viável dar a todos um atnedimento devido e com menos “viroses”.

  • CaveiraVermelha

    É realmente um problema sério. Fico imaginando se realmente não há como baratear as tecnologias e materiais utilizados na medicina atual para que se torne viável dar a todos um atnedimento devido e com menos “viroses”.

  • Mironvidal

    Dr. Health, gostei. Muito inteligente e objetivo. Conhece do ramo. Continue com a sua maneira de escrever.
    Outro colega.

  • Mironvidal

    Dr. Health, gostei. Muito inteligente e objetivo. Conhece do ramo. Continue com a sua maneira de escrever.
    Outro colega.

  • http://twitter.com/OViralatas Kaue Teixeira Lima

    De uma coisa você pode ter certeza, como baratear HÁ.

    Mas para isso é necessário investimento em pesquisa, fugir dos Royalties internacionais, investir ensino superior… Tudo que o Brasil faz meio capengando. Inclusive é uma das maneiras de Bioengenheiros e etc… ganharem dinheiro hoje, na realidade são as Empresas que acabam por ganhar, mas é barateando e criando métodos para esses equipamentos.

  • http://www.doutorexplica.com.br Maria Eduarda

    Prezado Mauricio,
    parabéns pelo excelente artigo! Foi muito útil para mim, que estou no último período do curso de Medicina. Sem dúvida, a clínica é soberana e tem seu papel fundamental, mas quantas e quantas vezes não vivemos o dilema do: “Será que eu peço ou não peço esse exame agora? Será que aguardo a evolução do paciente?”
    Um grande abraço,

  • http://www.doutorexplica.com.br Maria Eduarda

    Prezado Mauricio,
    parabéns pelo excelente artigo! Foi muito útil para mim, que estou no último período do curso de Medicina. Sem dúvida, a clínica é soberana e tem seu papel fundamental, mas quantas e quantas vezes não vivemos o dilema do: “Será que eu peço ou não peço esse exame agora? Será que aguardo a evolução do paciente?”
    Um grande abraço,

  • Bruno

    O médico fala, aí o difícil é fazer o paciente aceitar aguardar…

  • VdeV

    Finalmente intendi porque sempre tudo é culpa do “estresse”.

  • Bruno

    O médico fala, aí o difícil é fazer o paciente aceitar aguardar…

  • Paulo Sérgio

    Muito bom o post, me lembrei do seriado Dr. House, sempre que o Dr. House pede alguma cirurgia o paciente ou a superior dele pedem um exame(sem ser o clínico) para que tenha certeza, o que muitas vezes atrasa o tratamento.

  • Paulo Sérgio

    Muito bom o post, me lembrei do seriado Dr. House, sempre que o Dr. House pede alguma cirurgia o paciente ou a superior dele pedem um exame(sem ser o clínico) para que tenha certeza, o que muitas vezes atrasa o tratamento.

  • Alesbier

    Hoje vejo a medicina da mesma forma que vejo o jornalismo, o design, etc. É bom profissional quem quer.
    Acho que não adianta o cara ser um gênio durante a faculdade, se na hora do diagnóstico, não é bem intencionado. Acho que pior do que não ter o conhecimento, é te-lo e não usar.
    As maquinas vem sendo as muletas dos profissionais, em TODAS as áreas. O médico interpreta resultados, somente quando não é conclusivo que sai da zona de conforto e começa a usar a cabeça.
    Assim como a mecânica, sensores fazem o trabalho enquanto que o mecânico vira um simples peão pra substituir peças.

    Apoio totalmente o uso de tecnologias, porém, como ferramenta e não como solução. As maquinas são especialistas, abordam o problema de forma sistemática, quando na verdade, o problema pode ser sistêmico.
    Ai passa a ser questão de confiança na maquina ou no conhecimento. Entre conhecimento e tecnologia, qual dos 2 tem maior índice de acerto no final das contas?

  • Alesbier

    Hoje vejo a medicina da mesma forma que vejo o jornalismo, o design, etc. É bom profissional quem quer.
    Acho que não adianta o cara ser um gênio durante a faculdade, se na hora do diagnóstico, não é bem intencionado. Acho que pior do que não ter o conhecimento, é te-lo e não usar.
    As maquinas vem sendo as muletas dos profissionais, em TODAS as áreas. O médico interpreta resultados, somente quando não é conclusivo que sai da zona de conforto e começa a usar a cabeça.
    Assim como a mecânica, sensores fazem o trabalho enquanto que o mecânico vira um simples peão pra substituir peças.

    Apoio totalmente o uso de tecnologias, porém, como ferramenta e não como solução. As maquinas são especialistas, abordam o problema de forma sistemática, quando na verdade, o problema pode ser sistêmico.
    Ai passa a ser questão de confiança na maquina ou no conhecimento. Entre conhecimento e tecnologia, qual dos 2 tem maior índice de acerto no final das contas?

  • Zeve

    Muito bom o post. Como plantonista e cirurgião de rotina de um serviço de trauma maxilofacial, tb me deparo com a ansiedade do público leigo pelos exames complementares. E não ajuda ser staff do único hospital público do meu estado com uma ressonância magnética. Excelente esclarecimento para a população em geral.

  • Zeve

    Muito bom o post. Como plantonista e cirurgião de rotina de um serviço de trauma maxilofacial, tb me deparo com a ansiedade do público leigo pelos exames complementares. E não ajuda ser staff do único hospital público do meu estado com uma ressonância magnética. Excelente esclarecimento para a população em geral.

  • Paulo Josué

    Doutor Health!!, há um ano tive uma fratura dos metacarpos do 4º e 5º dedos da mão direita. O médico não quis operar, só colocou gesso! Resultado: no 4º dedo houve consolidação, mas no 5º não fiquei com um ovo, o qual tive que operar posteriormente, ou seja perdi 2 meses pra nada, e depois mais 2 depois da operação. Não sei se aplica ao caso, mas não era pra ter operado direto? E não ter ficado com medidas conservadoras? (Detalhe, minha mão não ficou como era antes, funcional, mas diferente, não sei se isso é normal nesses casos, mas isso é outra história)

  • Paulo Josué

    Doutor Health!!, há um ano tive uma fratura dos metacarpos do 4º e 5º dedos da mão direita. O médico não quis operar, só colocou gesso! Resultado: no 4º dedo houve consolidação, mas no 5º não fiquei com um ovo, o qual tive que operar posteriormente, ou seja perdi 2 meses pra nada, e depois mais 2 depois da operação. Não sei se aplica ao caso, mas não era pra ter operado direto? E não ter ficado com medidas conservadoras? (Detalhe, minha mão não ficou como era antes, funcional, mas diferente, não sei se isso é normal nesses casos, mas isso é outra história)

  • Dr Health

    Existem casos que tanto o tratamento conservador como o operatório são boas indicações, cada qual com suas vantagens e desvantagens. Acredito que no seu caso, o inesperado foi a não consolidação do 5o dedo, já que o 4o colou normalmente. Muitas vezes aplica-se o método indicado e o resultado não é o esperado, por isso não podemos garantir resultados em medicina.

    Aí quando há a falência do tratamento conservador, indica-se a cirurgia.

  • Alexandre

    Dr. Health..
    Seus arquivos são excelentes!
    Parabéns!

  • Rodolfo

    Acho que o exame mais detalhado tinha que ser feito no atleta desde o primeiro momento.

    Se existe um recurso(exame) que permite um diagnóstico mais preciso eu indicaria ele sim.

    Esse é meu ponto de vista e mesmo sendo contrário ao do Dr.Saúde e de muitos depoimentos gostaria que fosse publicado e ficasse registrado.

    • Dr Health

      Se for assim, Rodolfo, qualquer peteleco ou tapinha que um jogador leve, tem que solicitar ressonância.

      Para quem gosta de jogar grana fora, é um prato cheio

  • http://twitter.com/cristiandrs Cristian

    Como sempre: corporativismo Médico.

    Na boa, é por isso que a vida não melhora. Essa história de canhão pra matar formiga é fraca.

    Os médicos aprendem na faculdade a se acharem semi-deuses. Tudo bem que a prática é essencial, mas na maioria das vezes não pedem exames porque a dor não é neles.

    Mas é só o que faltava: foi uma baita cagada do Runco. Me irrita virar as costas para a tecnologia, se o exame clinico é soberano porque não quebramos tudo e vivemos como na idade média.

    Isso me irrta.

    • Dr Health

      Sem radicalismos, Cristian.

      Se é tão simples assim a questão da tecnologia, porque uma das principais queixas dos pacientes hoje em dia é a MECANIZAÇÃO E FALTA DE HUMANIDADE do atendimento médico? E a questão do custeio do sistema de saúde, que segundo o que você expõe, é falência certa.

      No mais, eu nem devia estar discutindo isso. Já expliquei que a “soberania da clínica” me manteve no mundo dos vivos. E nem vou pedir para que prove o seu achismo. Até porque está implícito que achismo não tem como provar.

      Para irritação: Tome maracujina. Faz milagre, acredite!! :)

  • Dr Health

    Outra coisa: Semi-Deus é o caralho!!

    Até porque, sendo ateu como sou, é um puta contra-senso. Vá generalizar para cima de outro.

  • Dr Health

    Uma consideração aqui:

    Pancadas como a que o Elano levou, na imensa maioria dos casos, evoluem sem intercorrências. Ou seja, ele evoluiu inicialmente como se esperava.

    Vamos a uma consideração: Imaginemos que 20% das pancadas evoluam edema ósseo (o que na prática, é um exagero para mais). Se você pedir ressonância para todo mundo, a cada 10, OITO terão sido desnecessárias.

    Alguém prove para mim que isso é inteligente, por favor…

  • http://www.facebook.com/people/Felippe-Alencar/100001141622064 Felippe Alencar

    Putz, eu tive que voltar aqui.

    Eu estudo farmácia, e hoje em uma discussão pós palestra sobre erros de diagnósticos foram levantados alguns pontos desse artigo e deu pra me manifestar bem por já ter tido uma base daqui. Foi bastante coincidência, acabou caindo como uma luva, haha.

    Valeu mesmo cara.

  • Gabiii

    Oi!
    meu nome é gabrielle , tenho 16 anos e pretendo cursar medicina.
    Queria tirar dúvida…
    Existem pessoas que são imunes ao HIV , um professor meu falou
    sobre isso ano passado ( segundo ano) e se nao me engano
    o motivo disso é que essas pessoas não possuiam uma proteina
    que fazia ligaçao da célula com o vírus…
    Que proteina é essa?

    Por essas pessoas não terem essa proteina , isso afeta o sistema imunologico delas de alguma forma ?

    E se nós pessoas normais , ficássemos sem essa proteina , isso nos afetaria de alguma forma ?

    espero respostas!
    obrigada pela atençao , (:

  • Orlando Domingues

    O médico que atendeu José Serra e solicitou uma tomografia por causa de uma bolinha de papel deveria ler isso!

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