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“Na Estrada”: você está lendo isso errado

Alex Castro

por
em às | Cultura e arte, Resenhas


O livro “Na Estrada”, de Jack Kerouac, é um dos clássicos mais deslidos de todos os tempos. Você pensou que era uma celebração da estrada? Pense de novo.

Na Estrada

Já falo do filme, espera aí

A pior coisa que se pode fazer por Kerouac

Escreveu alguém:

“A coisa mais cruel que se pode fazer com Kerouac é relê-lo aos 38.”

Eu, por acaso, tenho 38. Li “Na Estrada” aos 29, quando não estava mais na idade de acampar, pegar carona ou outras coisas que eu aliás nunca fiz, nem aos 18.

Quando temos 18, ainda não sabemos fazer nada direito, nem ler, nem transar, nem coisa nenhuma. (Dica: já que não podemos voltar no tempo e comer direito as mulheres que comemos errado aos 18, podemos ao menos reler os livros que lemos.)

Então, aos 18, quando fazemos tudo de forma superficial e apressada, quando estamos loucos para pegar o carro e sumir, é fácil ler o romance de Kerouac como uma celebração desse espírito.

Mais tarde, aos 38, quando a vida já sugou nosso espírito e nossa energia, quando olhamos com pena e escárnio para nossa persona de 18, quando fazemos pouco de seus sonhos e esperanças sem nos dar conta que não conseguimos acrescentar melhores sonhos e esperanças nesse meio tempo, então, é fácil lembrar somente de nossa desleitura adolescente de “Na Estrada” e usar isso para menosprezar o livro:

“Rá, só um livro bobão e pueril sobre jogar pro alto as responsabilidades e pegar a estrada! Não tenho mais tempo pra isso! Minha vida hoje é muito melhor! Tenho três filhos de dois casamentos, uma hipoteca da casa, trabalho dezesseis horas por dia e devo dez mil no cartão de crédito, mas, se Deus quiser e meu coração deixar (estou com a pressão meio alta, sabe?), em vinte anos eu consigo minha aposentadoria, vou comprar aquela casinha em Iguaba Grande e, aí sim, vocês vão ver, eu vou ser feliz!”

Mas, justamente, “Na Estrada” é um clássico da literatura universal por não ser apenas isso.

Sal Paradise e Dean Moriarty, os personagens principais, são da geração de nossos avós e bisavós. Nós, as gerações seguintes, com tanta coisa melhor pra fazer, com iPods e iPads, não continuaríamos lendo sobre as farras de nossos bisavós se elas também não dialogassem diretamente com a nossa experiência.

Na Estrada

Calma, eu vou falar do filme logo mais

Todo grande livro é mais inteligente que seu autor

A intenção de Kerouac provavelmente era sim fazer uma celebração da estrada. Se tivesse sido bem-sucedido, provavelmente não estaríamos falando dele hoje.

Porque todo grande livro é mais inteligente que seu autor. Toda grande obra contém em si o seu próprio contradiscurso. Toda grande narrativa sempre se constrói em torno de uma fratura estrutural que ameaça lhe demolir.

É essa tensão que atrai os leitores, que nos faz voltar ao livro sempre renovados, que nos faz ler e reler, emprestar e resenhar, recomendar aos filhos e aos alunos. Esse é o ciclo de vida de uma obra. Só os livros que causam esse tipo de engajamento conseguem sobreviver de uma geração para a outra, e se tornar clássicos.

Toda grande obra contém em si o seu próprio contradiscurso

Então, por um lado, “Na Estrada” é a história de Sal Paradise, um escritor certinho de Nova Iorque, que encontra o malucão Dean Moriarty, e sai loucamente com ele pelas estradas da América do Norte. É a celebração da estrada, um elogio à liberdade, um chamado para que todos saiam de suas casas e sumam por aí. Eba!

Mas, por outro lado, “Na Estrada” é exposição, progressiva e sistemática, desse exato contradiscurso.

Apesar de idolatrar Dean, até mesmo Sal vai percebendo que ele é um canalha, egocêntrico, narcissista que só se preocupa consigo mesmo; que usa as pessoas como se fossem objetos – carteiras, especialmente; que não tem pudor nenhum em descartá-las quando lhe dá na telha.

Ao longo do livro, várias pessoas, inclusive o narrador, são atraídas pela energia e força vital de Dean… até perceberem que essa energia e força vital está sendo sugada delas mesmas: como um vampiro, Dean se alimenta dos seus fãs. Suga até o caroço e depois cospe fora.

Por isso, Sal diversas vezes larga a estrada e volta para Nova York, para o rabo de saia da mãe, para o ambiente familiar e seguro onde pode viver e trabalhar. A estrada pode até ser boa, parece dizer o livro, mas não por muito tempo: bom mesmo é uma casa tranquila e uma mãe companheira.

Até que, mais uma vez, Sal fraqueja, fica de pau duro por Dean, ambos pegam a estrada, Sal quebra a cara, volta pra Nova York.

O livro acontece nesse movimento pendular. Na prática, como “O Processo”, de Kafka, “Na Estrada” poderia continuar ad eternum, em uma infindável sucessão de idas e vindas, mas o livro só termina mesmo quando Sal finalmente supera Dean.

Na Estrada

Daqui a pouquinho

O final de um livro revela seu enredo

É sempre interessante reparar onde as narrativas começam e terminam, pois essas balizas nos revelam qual é a história sendo contada – algo nem sempre óbvio.

(Um exemplo: o que os últimos seis capítulos do Senhor dos Anéis revelam sobre o plano geral do livro? Afinal, a história poderia ter acabado com a destruição do anel e a vitória sobre Mordor, não? Seria até um final natural… Por que então o autor escolheu não terminar o livro ali? Se o Senhor dos Anéis não é a história da vitória sobre Sauron… é a história do quê?)

Pois “Na Estrada” começa com Sal encontrando Dean e termina no momento em que ambos se esbarram na rua, em Nova York: Dean chama: “vem”, e Sal, escaldado, responde: “não, obrigado, estou com amigos, a gente se vê.”

Em literatura, tudo é contexto. Então, cabe ressaltar que essa cena não é mostrada como “a derrota de Sal” ou “vejam como Sal ficou careta”, “a vida derrotou Sal”, “o bobão do Sal ficou pra trás enquanto Dean ganhou o mundo”, etc.

Pelo contrário, o que a cena mostra é: Dean está só, depois de passar a vida usando e abusando de todos; e Sal, nosso alter-ego, está sábio o suficiente para não mais se deixar vampirizar.

E, nesse momento, termina o livro.

Ou seja, “Na Estrada” é não uma celebração da estrada (se fosse, o livro terminaria com todos alegremente ainda dirigindo pelo país) mas sim a história do amadurecimento de Sal Paradise.

De como ele finalmente aprendeu a dizer “não”.

Na Estrada

Beleza, agora vou falar sobre o filme

Então, o filme

O filme é ruim. Ruim, ruim. Toda a vida e a energia que pulsam no livro estão totalmente ausentes do filme.

Sua principal virtude é recuperar a homossexualidade da versão inicial de Kerouac, expurgada da primeira edição de 1957, e somente conhecida em 2007, com a publicação do manuscrito original. Na época, os editores acharam que incluir as cenas de experimentação homossexual poderia alienar muitos leitores.

A outra virtude do filme está em não desler a obra: ele poderia facilmente ter sido a tal “celebração da estrada” mas não, Dean continua um grande babaca. A cena final captura bem o espírito do romance.

Mas falta tesão, energia, vida – enfim, tudo o que fez de “Na Estrada” um clássico da literatura.

Leiam o livro. É uma delícia.

Alex Castro

alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // todos os meus textos são rigorosamente ficcionais. // se gostou, me siga no facebook, compre meus livros ou faça uma doação. // não leio comentários dos meus textos. para falar comigo, mande um email.


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  • http://www.facebook.com/david.wincley David Wincley

    Raramente os livros que viram filmes conseguem manter sua “Essência” plena. É como se o filme tivesse a obrigação de ser um resumo putamente escasso em relação ao conteúdo e até mesmo a linguagem do livro. Valeu a dica do livro.

  • http://www.facebook.com/marcus.simioni Marcus Vinícius Simioni

    Todos os filmes do nosso banqueiro júnior esteticista da miséria são chatos e intelectualóides. Merece uma crítica do Zizek! :)

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Henrique-Gordo/100000230207408 Gustavo Henrique Gordo

    A relação Sal/Dean me lembra bastante a relação “Jack”/Durden, no Clube da Luta. E detalhe, Sal volta para casa da tia em NY não para casa da mãe, não?!?

  • Diogo Cordeiro da Silva

    Eu não gosto do livro, tranquilamente não gostarei do filme. Vou assistir Valente que é o melhor que eu faço!

    • joao

      pois é diogo , comprei o livro quando tinha uns 18 anos e li algumas páginas.. achei péssimo , péssimo de mal maneira que até agora (hoje tenho 26 anos) nunca mais tirei ele do lugar..
      quem sabe dou mais uma chance

      • Diogo Cordeiro da Silva

        Eu li a 2 anos atrás e não vi nada demais. Nada mesmo… Eu até pensaria em dar se não fosse tão ciumento com meus livros.

  • http://guitarrismos.wordpress.com/ Rafa

    Li On the Road aos 18, e achei uma merda. Talvez eu deva dar uma chance ao livro agora aos 30

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    digam lá suas opiniões!

  • Ana

    Achei excelente o texto, Alex. Não tinha lido dessa maneira, dá até vontade de reler. Li qd tinha uns 19 anos e fiquei meio sem entender pq aquele livro era tão celebrado, isso mesmo tendo eu própria vivido a estrada, acampamentos, caronas. Na época a minha leitura foi a de uma busca, acho que se fala mesmo no texto de encontrar “algo”, não lembro qual a expressão exata. A mim pareceu o relato de uma busca frustrada, esse algo que não encontraram na viagem, o que me deixou uma sensação de vazio. Um amigo leu da mesma maneira, mas tendo ele lido outros livro do Kerouac, parece que o autor achou o que procurava num livro posterior, isso se vc ler os livros como um contínuo…

  • http://www.facebook.com/felipe.escolariqueribeiro Felipe Escolarique Ribeiro

    Opinião sobre o livro ou seu texto?

    Não posso opinar no primeiro, pois ainda não o li. Em relação ao seu texto, achei brilhante. Assim como sexo (roubando sua analogia), leitura também é necessário um “saber fazer”, o que envolve não só as capacidades cognitivas de poder ler algo, mas também a própria história de vida do leitor e a forma que ele relaciona com o livro.

    Acho um erro fundamental ler somente o que está escrito. As palavras, como um simbolo, merecem toda a profundidade que os números têm. Elas possuem em sua natureza um prisma de significados, que arranjados trazem o sentido do texto. Numa primeira leitura só é possível ver um lado desse prisma, por isso a necessidade de revisitar sempre o que se lê.

    Excelente: “Porque todo grande livro é mais inteligente que seu autor. Toda grande obra contém em si o seu próprio contradiscurso. Toda grande narrativa sempre se constrói em torno de uma fratura estrutural que ameaça lhe demolir.”

  • Juju

    li o livro aos 21, depois de já ter pego a estrada. sempre o que me chamou atenção no ‘on the road’ foi a forma de escrever. aquela verborragia louca, sem inicio nem fim nem meio nem nada, apenas um monte de ideias tentando ser uma narrativa em um papel. na verdade só fui ver todo esse jogo, da vampirização do dean sobre as pessoas, o amadurecimento do sal ao longo do livro agora, 10 anos depois, vendo o filme. não sei se por que na época eu não tinha as chaves para entrar mais fundo, ou se o walter salles explicitou alguns pontos que no livro podem passar batidos justamente pela escrita sem forma do kerouac, mas acho que o mérito do filme é exatamente esse: fazer outra história. ele não tenta transformar TUDO em filme, ele pega uma estrutura narrativa, que é uma espinha dorsal do livro e faz um belíssimo road movie, com atores jovens e tesudos, paisagens lindas e uma trilha sonora ótima. é a minha opinião.

    • Vinícius Orsini

      Concordo demais com suas palavras! Eu li o livro no ano passado e assim q o filme saiu agora assiti! Saí do cinema tentando digerir o filme, precisei assitir uma segunda vez para saber se tinha gostado mesmo ou não! Achei o filme bom, a fotografia é bonitassa, trilha sonora ducaralho e lugares incriveis! Acho que vamos ter que voltar ao ponto comum e obvio que todo mundo retorna: LIVROS são melhores que filmes! Não conheço um filme que já superou um livro! Enfim, achei que o filme tem um valor e vai fazer mais pessoas procurarem o livro pra tirarem dúvidas ou correrem atrás de Dean e entender que a estória vai muito além de um road movie/livro!

  • http://www.facebook.com/people/Clara-Andrade/1301551499 Clara Andrade

    O filme é ruim porque é ruim ou porque é incomparável ao livro? Sério… não li o livro, assisti ao filme, e contra toda a maré intelectual do facebook, eu gostei.

    Mas aí ou eu sou ruim mesmo pra identificar um filme ruim ou só não entrei pro hall de expectativas de quem leu antes o livro.

    Tô sem saber.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      o filme é ruim de forma totalmente independente do livro. o filme é ruim pq não tem tensão dramática quase nenhuma. nem emoção. nem energia.

  • Anônima

    Que belo texto Alex. Acho que On the Road não passa sem deixar alguma mensagem na vida de ninguém. Na minha, a interferência foi bastante maior do que eu teria escolhido: estava prestes a me casar e o então noivo, aos 36 anos, leu o livro pela primeira vez e decidiu abrir mão de qualquer tipo de laço. Se por um lado admiro a coragem do ato, por outro desvalorizo a falta de habilidade em entender a mensagem e vivê-la a sua própria maneira. Liberdades de escolha, enfim. Tua interpretação do amadurecimento de Sal como o espírito do romance é muito rica, Bob Dylan tem um livro de crônicas autobiográficas, onde ele tira esta conclusão a seu prórpio respeito depois de um tempo de devoção ao texto de Kerouac.

  • http://www.facebook.com/people/Lia-Carneiro-Silveira/1085876005 Lia Carneiro Silveira

    Puxa, entao deve ser porque eu não li aida o livro, pois achei o filme excelente e…..transpirando tesão! Mas seu texto me deu ainda mais vo tade de ler o livro e, apesar dos meus 38 anos, acho que vai valer a pena.

  • Ruan

    Achei o filme um porre mesmo. MUITO chato. Quando vi as propagandas falando da filmagem de ‘um clássico que moldou gerações’ achei que seria bem excitante (e confesso que caí por pensar que o filme seria uma Road Trip louca, o trailer consegue nos enganar e passar justamente essa imagem), mas no cinema a única coisa que conseguia fazer era olhar no relógio e calcular quanto tempo faltava pra acabar.

  • s.

    li o livro no ano passado, antes/durante um intercâmbio no exterior. eu tinha 21 anos – e veio ao encontro de uma série de expectativas que eu alimentava em relação à minha viagem. pensando melhor, a própria narrativa do Kerouac foi influência importante de várias das escolhas que eu fiz por lá, e talvez por isso mesmo a “mensagem” que ficou do livro naquele momento foi a celebração da estrada, do espirito libertário. mais do que o já clichê “pegar a mochila e sair por aí” (que eu acredito que todo mundo deva fazer um dia, seja com uma viagem sem data de volta ou com um acampamento na cachoeira mais próxima, no próximo feriado), ficou um certo espírito on the road de levar a vida, uma necessidade de viver sem tantos utilitarismos. dito de outra forma, conseguindo viver também a estrada das coisas, o processo, tão intensamente quanto se costuma viver os “produtos finais” dessa nossa sociedade: o carro, a casa, a roupa. é dessa maneira que ficou pra mim, e assim eu tento controlar meus arrombos diários de ansiedade e minhas tendências à depressão. até porque um de meus alteregos também é Sal Paradise; doses moderadas de estabilidade confortam meus ânimos.

    ***
    assisti ao filme há alguns dias, na companhia de uma amiga igualmente sensível a essas coisinhas da vida, e saímos igualmente abaladas do cinema. um pouco pela celebração-libertária-da-estrada-e-a-vontade-de-fazer-igual, um pouco pela nostalgia de uma américa que nunca conseguiremos desvendar (afinal, jazz en new orleans é para os avós americanos!). mas também – e só agora é que consegui elaborar isso pra mim, a partir da crítica do alex – pelo amadurecimento de Sal, pela ideia de que um dia todas as estradas, por mais empoeiradas, loucas e esvoaçantes que sejam, também precisam chegar a algum lugar. tinha sentido esse incômodo, mas não conseguia saber bem o que era. de fato, o filme consegue deixar isso mais claro que o livro. mais: acho que essa foi uma escolha narrativa do Salles. semioticamente falando, é grande o impacto visual com Sal de terno, ao fim do filme, com motorista e tudo. na verborragia louca do livro, eram outras as coisas que se sobressaíam.

    ***

    amadurecer é diferente de viver na estrada? viver na estrada amadurece? todos os adeptos da estrada vão amadurecer um dia? se o destino final é amadurecer, vale a pena pegar estrada?

  • JulianaSeffrin

    Lindo. Li o livro faz uns três anos, eu percebi que a partir da segunda metade do livro, o Sal começava a evitar o Dean, embora as vezes ficasse com pena dele. Eu também cheguei a ficar com pena do Dean, mas era preciso ser feito.

    Parabéns pela resenha!

  • gilmarsouzafilho

    Enxergo uma história sobre a coragem de experimentar as próprias “fantasias de estilo de vida”.

  • Natália

    “A intenção de Kerouac provavelmente era sim fazer uma celebração da estrada.”
    Se a intenção dele fosse essa, o fim do livro com certeza não seria esse que você acaba de contar para todos os que não leram. Um “spoiler alert”, aliás, é sempre bem-vindo. O contradiscurso da trama não apareceu por acaso, grandes obras da literatura não acontecem “sem querer”.

  • Marina

    Fale-nos mais sobre Senhor dos Anéis, por favor? Fiquei super curiosa.

  • Luciana_Marques

    Caríssimo Alex Castro, bom mesmo é por uns instantes ver por intermédio de seus olhos. Obrigada ;)

  • http://twitter.com/isabellaianelli Isabella Ianelli

    Ai, Alex Castro, a gente tudo te ama!!! Pronto, parei.

  • http://www.facebook.com/people/Jorge-Vieira/100000339133670 Jorge Vieira

    Ja tentei algumas vezes ler o livro. A mesma falta de energia relatada no filme, que só num futuro a curiosidade me fará assitir, pra mim está presente no livro. Não sei se isso se deve ao fato de eu ser fã do Velho Buk, que taz Kerouac parecer um bebê chorão, ou simplemente uma questão gosto – hoje as pessoas esqueceram de dizer “não gosto”, é estimulante desconstruir (urg!). Mas, bacana a resenha, espero que venham mais.

  • Rodrigo

    Não acredito que o livro tenha sido escrito como uma celebração da estrada, não me deu essa impressão em momento algum. O Sal e o Dean estão em busca de algo mais (algo a que o Dean se refere simplesmente como “it”), e cruzam o país várias vezes tentando encontrar esse it. O livro não faz alusões diretas, mas Kerouac era católico e muito religioso, o que pode influir bastante no entendimento da obra.

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    Li o livro, mas estava ansiosa pra ver o filme, desisti, quando um amigo me falou exatamente isso que você comentou. “O filme é ruim. Ruim, ruim”.

    A propósito, melhor resenha que já li sobre “On The Road”

    Abs.

    • http://www.facebook.com/people/Marcus-Petros-Petros/100002670910103 Marcus Petros Petros

      “O filme é ruim. Ruim, ruim”.

      Preciso ler o livro.

  • Roger

    O livro é ótimo e o filme é bom! Gostei do texto apesar de dizer que o filme é 3 vezes ruim.

  • http://www.facebook.com/vinicius.vinny Vinicius Bize

    Caras, vcs são foda! Pensei que só eu que achei que o livro não é uma mera celebração da estrada, e sim um amadurecimento como vocês disseram! E sim, o filme é péssimo rs

  • Raphael

    Não acho que seja uma história disso ou daquilo especificamente, pra mim é como uma história de histórias, assim como todo livro. No caso do Senhor dos Anéis, é uma história sobre o anel ou uma história sobre hobbits? Não se pode dizer com clareza, assim também acontece com On the road… No caso do filme, eu achei muito bom, achei uma bela adaptação em todos os sentidos.

  • Carol

    O elenco todo tem cara de zé ruela aí não dá pra convencer mesmo né amigo .. tipo assim, a menina do Crepúsculo oxigenada? cadê a Scarlett Johansson? Ou a magrelinha sexy Melissa Leo (O Vencedor)? De todo jeito, tenho 32, e também tô com medo de ler o livro. Congratulações pela resenha. Apesar do medinho, fiquei instigada pra ler.

  • Carol

    oops, a magrelinha era a Amy Adams (melissa Leo é a do oscar rssr)

  • Yamini

    Eu li o livro há uns oito ou seis anos. Segue sendo um dos
    meus favoritos. Confesso que jamais o releria, apesar de ter ficado muito
    curiosa ao ver o manuscrito num display, todo faceiro e convidativo, até porque
    desentendo a submissão contraditória do Kerouac à atividade editorial estripadora.
    Resisti. Tive minha lição ao tentar reler O apanhador no campo de centeio e não
    conseguir passar sequer das primeiras páginas. Logo desse! Tão amado aos meus
    16. Desconfiei que algo similar aconteceria inclusive com o original daquele
    que tirou meu fôlego aos 20.

    Eu me lembro de terminá-lo e dar um suspiro longo. Não era
    de ânsia por peripécias aventureiras, pela estrada ou pela vida a mil. Nunca
    passou pela minha cabeça erguer o dedo e apenas seguir adiante, dado meu apego a
    banheiros limpos e camas quentinhas e confortáveis. Mas o Dean. Ah! Como eu queria conhecer alguém
    que significasse pra mim o que o Dean significou para o Sal. Alguém que tivesse
    uma força tão grande dentro de si, um subjetividade tão esmagadora, que me mastigasse,
    me digerisse, que se alimentasse de mim e depois simplesmente me cagasse. E eu
    voltasse querendo sempre mais. Quão maravilhoso seria conhecer um ser de carne
    e osso e falante que te inspirasse e te deixasse tão chapado como um livro,
    filme ou música e que esse efeito durasse mais do que uma par de noites ébrias
    em bares sujos quaisquer? Sim porque no final, bem no final, apesar de tê-lo superado,
    Sal escreveu um livro-ode para dizer que ainda pensava em Dean Moriarty, não? A
    mariposa permaneceu fascinada pela lâmpada apesar de não ter saído queimada, eu
    acho.

    Quanto ao filme, concordo: ruim. Fiquei desgostosa. Apesar
    do satisfatório tratamento dado à tensão Dean-Sal, mesmo com um Sal meio bobão, diminuiu muito a América e o
    México, a terra que é sulcada pela estrada e que no livro é tão cantada quanto o
    Dean (até hoje quando sinto muito calor, lembro dos trechos no México, os melhores
    que já li sobre sensação climática). Fiquei particularmente irritada com a
    escolha por tantas tomadas sufocantes dentro do carro e poucos planos seqüência
    da natureza exuberante que embasbacava o Sal. Câmera próxima, ofegante, eu
    esperava para as sessões de jazz, para as quais eu já desconfiava que não haveriam
    meios razoáveis de filmar.

    Enfim, já vi muitos livros queridos sendo filmados e no
    geral, ao contrário da maioria, costumo com certa condescendência indulgente gostar.
    Mas não daria três ruins seguidos. É que
    gosto muito do Waltinho, sabe? Muito colhão para filmar um filme tão querido e
    engavetado há tanto tempo…

  • Giordano Toldo

    O filme é bom. Bom, bom.

    O filme te joga para dentro de uma psique de Sal que no livro passa quase despercebido, por ser a literatura a linguagem do livro. Estou falando do grande drama do filme: o bloqueio criativo de um aspirante a escritor. Que no filme é muito mais impactante que no livro.

    O filme só pode ser ruim se posto de lado com o livro. Assim, talvez, deixe a desejar. Mas posto lado a lado com outros filmes do gênero ele é quase imbatível, pois nos joga dentro da mente e do corpo dos personagens. E filme tem que ser comparado com filme.
    Compare com Into the Wild, observe como On the Road se encaixa muito num contexto social e individual. Muito mais do que o filme do Sean Pean. O último plano do filme: um close no nome de Dean Moriarty ( como se o nome escrito do personagem fizesse a alma dele regurgitar pela tela do cinema)

    sobre o homossexualismo: discordo. FALTOU homossexualidade. OM THE ROAD escorre sexo, heterossexual e gay, No filme, a gente assiste a dois homens se peganod como se víssemos por através de uma fechadura.

    MELHOR CENA DO FILME: Dean contando pro Sal sobre a gravidez e ser pai na casa da irmã de Sal. Temos 4 momentos nessa cena: Timidez sobre o caso; o medo, o quase suicídio; muda totalmente prum relato de orgia, a luxúria, a virilidade; por fim, a melancolia.

    Salles foi genial nessa cena. Apresentou o personagem e seu oscilante temperamento, resgatou das entrelinhas do livro, com Sal só observando como fazem os bons escritores. GENIAL.

    Se o filme tem a mesma força que o livro? NÃO, claro que não. mas tem que ser muito besta pra pensar que poderia ter.

    gior_st@hotmail.com

  • Leitor

    Livro é uma coisa, filme é outra. Você nunca terá a mesma percepção das duas coisas. Então não faz sentido criticar o filme só porque não teve a mesma “energia” do livro.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      nao critiquei o filme por nao ter a mesma energia do livro. critiquei o filme por nao ter vida e energia algumas, ponto.

      • Leitor

        Eu rejeito sua realidade e substituo pela minha

  • http://www.facebook.com/people/Kelly-Zeferino/1598032125 Kelly Zeferino

    Concordo com o artigo. É sim a história do amadurecimento de Sal, é sim um livro que remete a várias facetas. Muito boa a crítica, vem de encontro ao que eu penso. E cada vez que eu leio este livro, mais coisas interessantes consigo perceber nele.

  • Guilherme

    Eaí, turma! Gostei pra caramba do artigo e me interessei em ler o livro, porém quando pesquiso pelo título na internet me aparece diversos livros com o mesmo título, alguns até do mesmo autor, mas todos com capas diferentes. Alguém poderia disponibilizar o link para o livro em uma livraria online, por exemplo: Sariava, Leitura, etc? Valeu!

    • João Gabriel

      Recomendo a edição de bolso da L&PM, com prefácio do Eduardo Bueno. Barata, prática e com um bom trabalho de tradução. Outra sugestão é a versão da L&PM sem cortes da edição americana, o manuscrito original mesmo que o Alex falou no texto. E L&PM se encontra em qualquer livraria, geralmente com um preço tabelado.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001516544153 Rafael Ribeiro Rocha

    (Um exemplo: o que os últimos seis capítulos do Senhor dos Anéis revelam sobre o plano geral do livro? Afinal, a história poderia ter acabado com a destruição do anel e a vitória sobre Mordor, não? Seria até um final natural… Por que então o autor escolheu não terminar o livro ali? Se o Senhor dos Anéis não é a história da vitória sobre Sauron… é a história do quê?)

    O Senhor dos Anéis é então a história dos hobbits? Afinal, tudo começa com O Hobbit, a aventura de Bilbo Bolseiro, e acaba com ele indo embora para sempre. Seria isso? Fiquei curioso com a pergunta.

    PS: Alex, você que entende da coisa, que tal uma lista de clássicos que merecem ser lidos mais de uma vez?

    PS 2: Tenho um amigo que escreveu um livro, só fui publicado eletronicamente. Considero o livro muito bom, genial mesmo. Posso tentar fazer um post resenha ou não vai de acordo com a política de publicação do PdH?

    • Laura

      Eu sempre vi a história do senhor dos anéis como uma narrativa do fim da era dos mitos. Ela começa num mundo em que dragões (mesmo que fictícios) ainda são temidos e termina com a partida dos elfos para a terra dos imortais, e não simplesmente com a destruição do anel. Mas é uma visão pessoal, acho que o Alex deve responder o que ele entender ser a história do Senhor dos Anéis.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        hahaha, q engraçado. pq vc acha que devo responder? devo não. :)

      • Laura

        Ah, ok, mas podia :)

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

        se eu falar, perde a graça. :)

  • http://www.facebook.com/gccavalcante Gabriel Celestino Cavalcante

    Boa, Alex. Ótima perspectiva sobre o livro, realmente foi bem o que senti quando li também… parabéns pelo texto mais uma vez.

  • Pingback: últimos textos - alex castro

  • João Gabriel

    Baita texto! Me ajudou a compreender o porque, mesmo não me identificando nem um pouco com o personagem, eu sentia um certo fascínio ao ler o livro.

    Quando conheci os demais livros do Kerouac e a sua trajetória, pude compreender que o que me atrai não é a liberdade ou a estrada, mas o processo de amadurecimento e de auto-conhecimento do personagem/autor. Talvez o grande exemplo dessa busca esteja em Os vagabundos iluminados, quando o autor torna-se adepto do budismo e tenta daí em diante se descobrir cada vez mais.

    Quanto ao filme, eu gostei muito. Não concordo que ele ficou sem energia ou sem vida. Saí muito empolgado depois de vê-lo. Minha crítica ao filme fica só na origem dessa energia dos personagens, que são retratados o tempo todo usando maconha e benzedrina. Parece que eles faziam o que faziam porque usavam drogas, e não que usavam drogas porque faziam o que faziam, de modo espontâneo, em uma busca por libertação e em reação a sociedade da época.

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

    eu não falei do jack e do cassady em nenhum momento. estou falando do sal e do dean.

    • Eduardo Farias

      É que nos manuscritos originais nem Sal nem Dean existiam, Jack utilizava os nomes deles mesmos, essa alteração foi uma exigência da editora pro livro ser publicado. Mas acho que entendi o que você quis dizer ;)

  • Giannax

    Adorei o texto, embora não concorde com tudo o que foi defendido. Como não sei quem é Alex Castro, não sei sua idade, fico me perguntando se sou da geração dos seus avós, ou dos seus pais.
    Li On the Road quando tinha que ler, ou seja, quando eu estava pensando em me jogar na estrada. Faz muito tempo, mas garanto que já sabia ler.
    O filme, já tinha pouca disposição para vê-lo, agora não verei mesmo. Poupou-me essa desilusão.
    Por fim, queria que explicasse uma ideia sua que não entendi:
    “Toda grande narrativa sempre se constrói em torno de uma fratura estrutural que ameaça lhe demolir”
    :)

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      eu digo minha idade no texto, 38. a ideia está explicitada no texto: q todo grande livro contem em si uma fratura, ele discorda de si mesmo, ele puxa o próprio tapete.

    • Gabriel Simões

      rapaz, um texto do próprio alex castro que me fez entender bem essa idéia do texto que contém em si a sua “semente da destruição” (pra usar as palavras dele) foi o texto sobre “os sertões” do euclides, nesse link:
      http://www.interney.net/blogs/lll/2010/03/08/os_sertoes_de_euclides_da_cunha/

  • Arthur

    Caralho! É a historia da amizade do Frodo com o Sam!

    Eu nunca tinha pensado nisso, quando li o livro bem muleque fiquei meio endediado com o longo periodo dos dois andando com o Gollum indo e vindo sem acontecer muita coisa. Mas essa é a historia os dois andando!

    Preciso reler esse livro.

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  • Gabriel Simões

    alex,

    quando se fala de “desleituras”, me passa uma idéia de que existe uma leitura “certa” e uma “errada” pra determinada obra. como você mesmo disse no texto, a gente lê de maneiras diferentes um texto aos 18 e aos 38 (ainda chego lá pra dizer), será que não é justamente essa a graça de uma obra como essa, que atravessa décadas?
    esse texto me lembrou o texto sobre “os sertões”, no qual você fala sobre essa coisa do contra-discurso dentro da própria obra; gostei muito, me ensinou muito.

    um abraço.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      gabriel, claro q nao existe leitura certa nem errada, e é claro q o que faz uma obra literaria rica é justamente podermos lê-la e relê-la e mudar de interpretação. :)

  • Diego luke Santana

    Li “On the Road” logo depois de ter sofrido um piripaque com o coração. Quando acordei, a primeira coisa de disse à minha mãe era de que eu precisava ler Kerouac. Li a versão anterior, faz muito tempo isso (uns 5 anos) e os meus amigos se irritavam, porque, pra onde eu ia, levava o livro. Realmente você fica preso a ele. Tive ótimas experiências com On The Road, de como escrever um livro sem frescuras, de como viver sempre no limite das suas forças e de como fraquejar pra logo depois, recuperar o fôlego sempre que for necessário. Enfim, é um livro necessário a todos e que, infelizmente, faz a nossa geração bem menos interessante que a dele, ao som do jazz e com muito uísque barato pelo chão.

  • http://www.facebook.com/gabriel.pipolo Gabriel Pipolo

    Poxa, achei meio chato como você colocou a sua opinião e impressão extremamente pessoal sobre o filme como verdade absoluta. Gostei da parte que fala sobre o livro, ele realmente “engana” a galera com esse nome e a “sinopse” básica que faz qualquer um comprar o livro achando que está preste a embarcar num “Into The Wild” diferente. Mas ai o choque é grande, acho isso demais, como vc destacou.

    mas o filme é muito bom sim, até a sem sal da Kristen ficou bem no papel hahaha!
    é uma grande armadilha essa de adaptações de livro, mas como bem disseram aqui nos comentários…filme é filme, e livro é livro, não faz sentido querer comparar as duas coisas…elas trabalham com coisas diferentes em nós, se o filme falha como adaptação, isso não improta nem um pouco, o que importa é que funciona como filme, e isso ja basta. ;)

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

      nao existe verdade absoluta, e nem mesmo verdade ponto, em crítica cultural e literária, filho. cada um tem a sua opinião e a opinião de um é tão boa quanto a de outro… eu só afirmei a minha opinião, assim como qualquer um pode afirmar a sua….

  • Rafael

    Li esse artigo, me interessei e comprei o livro. Muito bom. Comprei aquela versão: “Manuscrito Original”. Não sei se vc, Alex Castro, chegou a ler essa versão. Mas parece bem diferente dessa que vc contou em seu artigo. Primeiro pelos nomes dos personagens… E nesse que li não tem nada de experimentação homossexual. Apesar de ficar claro no livro como Jack (Sal) é obcecado por Neal(Dean), não ocorreu nada sexual entre os dois. Não sei como é nessa versão que vc leu….

  • Gabriela

    Eu me apaixonei pelo filme. Você deve achar que o filme é ruim porque leu o livro antes – sempre o mais correto a ser feito. De qualquer forma, o que foi visto nas telas serve de estimulo para leitura do clássico!

  • Rafael Sousa

    Não li o livro ainda por que achei o filme um pouco lento, chato até. Fui ao cinema em busca de aventura, liberdade e celebração da juventude, tudo o que indica o cartaz. Entretanto, a sensação que tive foi a mesma do Alex, trata do amadurecimento de Sal. Salta aos olhos no filme a capacidade de empatia de Sal em relação às pessoas. Ele é afável, generoso e até um pouco inocente, enquanto que Dean mostra-se claramente egocêntrico (não tinha percebido direito essa questão do vampirismo). As interpretações são ótimas, o jeito puro de Sal, o magnetismo de Dean. Figurino e fotografias perfeitos. Não diria que é de todo ruim. Só é meio lento, arrastado. Mudei de idéia, vou ler o livro.

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