Música-miojo e a mulher pronta para a refeição em três minutos
A situação não é incomum: lá está você, com uma moça que está prestes a chamar de presa, tanto é o desejo, e um sofá. Ah!, e um dock de mp3. Aí ela pede para que você coloque uma música. Ou você decide colocar uma música. [PAUSA] notou aqui a dramaticidade da coisa, né? Segue[FIM DA PAUSA]
Que música você coloca? Algo que a deixe à vontade? Uma coisa que faça um clima? Existem momentos e momentos, mas quando você já está babando pela moça… rapaz, o melhor mesmo é uma boa e velha música-miojo.
Não, meus amigos, não estou falando da música grudenta como um nissin mal feito. Estou falando daquelas canções que, em apenas três minutos, conseguem dizer a uma garota/mulher que ela vai ser comida e ainda a deixar com vontade.
Poiszé, inventaram um jeito de chamar essas canções que tanto comunicaram o seu desejo fornicador. Quem me apresentou o termo foi o amigo Jader Pires, com quem sempre gostei de compartilhar histórias desse tipo de peça já usadas com garotas/mullheres.
Vou aqui colocar as minhas músicas-miojo preferidas e mais eficazes e espero que nos comentários vocês dêem as sugestões de vocês. Nada melhor que compartilhar dicas e causos. Vamos citar algumas aqui e esperamos as suas.
No soul, temos…
Sim, eu comecei esta seção de um jeito óbvio. Com um cantor óbvio e uma música óbvia. Mas isso, Zé Mané, é pra tu se ligar que clássicos são clássicos e que o clichê só é chamado assim porque ele funcionou muitas vezes antes de furar. Sempre dá pra tentar de novo.
O recado está todo ali. Todo. A melodia é lasciva, caso a letra não seja alcançável. A letra, no entanto, se entendível, transmite bem o recado: “and if you feel like I feel, baby, then, let’s get it on”. Não entendeu? Joga no Google Tradutor e manda ver.
No rock, temos…
No rock temos várias, mas uma que representa de maneira clara e cristalina com esse tipo de momento é I Just Don’t Know What To Do With Myself. Kate Moss é puro pecado em duas cores no clipe desta canção que já carrega em si o pecado lascivo do blues.
No pop meloso, temos…
More than words, do Extreme. Pode parecer exagero mas eu terminaria o texto aqui. Não precisa dizer muito, né, quando cita More Than Words? Essa música é pro cara que quer fazer uma de romântico, de delicado, aquele que diz que faz amor e que só faz amor. Sim, porque não é que somos trogloditas cheios de pelos que não fazemos amor. Não queremos fazer só sexo. Ok, More Than Words serve pra todos os homens.
No blues sujo e amaldiçoado, temos…
Os deuses. Os maiores. Os intocáveis. O Led Zeppelin.
A abertura do texto pode ter sido meio forçada, mas é porque é a real. Willie Dixon foi quem pariu You Shook Me, mas quando Page e Plant colocaram dois humbuckings e uma garganta tão afetada quanto angelical, junto com a cozinha Jones-Boham, bom, amigo, aí tínhamos a expressão máxima da música. Algo que talvez só aconteça hoje, sei lá, com o Radiohead. Mas sem a parte sensual.
Mas o importante de verdade é que esta versão da bluseira maldita do Dixon feita pelo Zep é incrivelmente sexy e profundamente provocante. Não dá para não reagir ao solo e à cadência da bateria. Assim como no White Stripes, que também se apóia no blues, o som da encruzilhada dá conta do recado sexual.
No samba de cada dia temos…
Chico Buarque, com Tatuagem, conseguiu esfregar na cara de muita gente o que muita gente não quer ver: submissão é só um lado da moeda. Quando a personagem da música explica/expressa seus desejos, não faz apenas uma confissão, faz um convite. E não só pela letra, meu incauto leitor, mas também pelos metais na introdução, pela bateria quase pélvica…
E é por isso que essa canção é um certificado de “quero te comer”, mas, detalhe, mostrando a possibilidade de um algo a mais. Recomendação? Não a use se já não tiver outras intenções com a moça, intenções que possam ir mais longe que o caminho da sala até o quarto.
…
Escolha uma situação que peça um clima musical, se ligue no estilo na moça e mande bala.
Pedro Jansen é jornalista, blogueiro, aprendiz de cozinheiro e machista de vez em quando. Ah, e vascaíno. Escreve no "Ai, Doutor que Dor".
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