Mário Ferreira dos Santos | Homens que você deveria conhecer #4

Shâmtia Ayômide

por
em às | Entrevistas e perfis, Mundo


Filósofo brasileiro, nasceu em Tietê, São Paulo, em 1907.

Na primeira vez que ouvi esse nome, eu pensei comigo mesmo: “Mais um brasileiro”. Ignorante, permeado pelo vitimismo típico de brasileiro, imaginava que filósofos eram só estrangeiros.

Curioso como sou, não resisti e decidi investigar a respeito, ao ler sobre a vida deste autor fiquei assustado. Não no aspecto negativo, mas no positivo, do tipo de susto que resulta em admiração. Dividirei com vocês as minhas impressões.

Antes do perfil, porém, uma pequena história.

Como fortalecer o inimigo antes de meter porrada

Mário Ferreira dos Santos demoliu com maestria vários modismos intelectuais da época, com destaque ao vexame imposto a Caio Prado Júnior, um intelectual comunista muito prestigiado. Na ocasião, foi convidado para um debate, onde estariam figuras conhecidas como Luis Carlos Prestes. Após Caio Prado terminar sua apresentação, Mário se levantou e disse mais ou menos o seguinte:

“Me desculpe, mas creio que o comunismo tem elementos mais fortes que esses que expôs. Vou refazer sua exposição e assim depois farei a minha. Aqui está presente o secretário do partido comunista, e ele poderá averiguar se errarei em algo.”

Mário então refez a exposição de Caio de tal modo que alguns de seus amigos presentes, espantados, colocavam a mão na cabeça dizendo: “Meu Deus! O professor virou comunista!”. Depois que terminou a apresentação, Mário começou a sua própria exposição e refutou a si mesmo.

Tais demonstrações de força intelectual não eram raras na vida do filósofo.

Uma obra que nós levaríamos 500 anos para produzir

Quantidade nunca foi um critério bom para se avaliar a qualidade de um autor. Tratando-se de Mário Ferreira dos Santos, o volume de suas publicações – não só físico, mas também intelectual –  é impressionante: cerca de 50 publicações formaram sua coleção Enciclopédia de Ciências Filosóficas. Sem contar outros ensaios e traduções diretas do grego, latim, alemão e francês.

É o único filosofo brasileiro a ter um verbete de uma página inteira numa enciclopédia de filosofia europeia, no caso a italiana, que o define como um filósofo de pensamento universal.

Ele trouxe Nietzsche para o idioma português, traduziu diretamente do alemão as obras Vontade de Potência (Der Wille zur Macht), Além do Bem e do Mal (Jenseits von Gut und Bose), Aurora (Morgenröthe) e o clássico Assim falava Zaratrusta (Also sprach Zarathustra).

Pensador fértil, em seus escritos ia de Nietzsche a São Tomas de Aquino, de Pitágoras a Proudhon. Ler Mário Ferreira é ao mesmo tempo entrar nas portas que ele abre para dezenas de outros pensadores. Como todo homem sábio, foi um tipo inclassificável, meio gnóstico pitagórico ou cristão tomista – no campo econômico era anarquista proudhoniano. Seu primeiro ensaio filosófico foi Se a Esfinge falasse, usando o pseudônimo de Dan Andersen, também usado na tradução do fabuloso Saudação ao Mundo, de Walt Whitman.


Link YouTube | “Os narcisistas tendem para a política”

Ele é um dos raros bons introdutores de Nietzsche. Na sua obra As Filosofias da Afirmação e da Negação, Mário Ferreira diagnostica o fenômeno do niilismo moderno profetizado por Nietzsche, contudo um pensador de envergadura de Mário Ferreira nunca se limita a somente a problematizar. Ele aponta a cura e a solução. Na obra A Invasão Vertical dos Bárbaros, denuncia a decadência cultural brasileira, outra análise com o mesmo teor de denúncia encontramos em A Filosofia da Crise.

A universalidade de seu pensamento não se limita somente à filosofia em si. Escreveu também Análise de Temas Sociais (3 volumes), Tratado de Psicologia e Tradado de Economia (2 Volumes). O auge do seu pensamento é a majestosa Filosofia Concreta, que utiliza um método criado pelo próprio Mário Ferreira: a decadialética.

Deixou para quem desejar iniciar nos estudos filosóficos: História da Filosofia e da Cultura (3 volumes), o fantástico Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. Uma lida em alguns verbetes deste dicionário como (“Homem”, por exemplo) é o suficiente para perceber ai distância gritante entre Mário Ferreira e os pensadores da moda.

Filósofo e empreendedor

Mário era filho de um cineasta, sua juventude e infância decorreram no Rio Grande do Sul, onde se formou em Direito e Ciências Sociais. Depois, com cerca de 30 anos, retornou a São Paulo para ajudar o pai nas suas indústrias de filmagens. Antes, em Porto Alegre, ainda fez vários trabalhos como comentarista político e escrevendo artigos para jornais e revistas.

Era um tipo empreendedor, contrariando a imagem clichê que os brasileiros atuais têm de que filósofos são monges intelectualizados longe da vida prática. Com dificuldades em publicar seus livros, fundou suas próprias editoras, a Logos S.A. e a Matese S.A. Como todo bom brasileiro, não perdia uma partida de futebol. E às vezes colocava suas filhas para ajudá-lo nas suas traduções.

Foi pioneiro no sistema de venda de livro a crédito, vendidos de porta em porta. Ainda arranjava tempo para responder cartas de pessoas com problemas que procuravam sua sabedoria. Aliás, foi com o intuito de ajudar as pessoas que ele escreveu os ensaios de auto-ajuda Curso de Oratória e Retórica, Curso de Integração Pessoal e Convite a Psicologia Prática, todos tiveram sucesso entre empresários e outras pessoas notáveis da época.

Segundo suas diversas biografias, ele nunca foi à universidade para ensinar, exceto no seu último ano de vida, convidado por um amigo e admirador, justo na época em que seu problema cardíaco avançava – daí a curta duração das aulas.

Ele faleceu em casa, com os familiares presentes, seus únicos e verdadeiros aliados. Ao sentir que o suspiro final estava próximo, pediu para que fosse colocado de pé, pois considerava indigno que um homem morresse deitado. Sua luz se encerrou com ele pé rezando o “Pai Nosso”.

Um legado para as traças?

A Filosofia Concreta não deixou escolas ou discípulos. Não sei os motivos certos, mas é fato que a maioria dos brasileiros desconhece Mário Ferreira dos Santos (pois é, os leitores PapodeHomem são privilegiados). Seus livros ainda estão entregues as traças em sebos, apesar de serem de fácil leitura devido à didática de Mário e estarem sendo relançados por iniciativa dos familiares.

A tragédia cultural brasileira só não é pior graças à Internet. Atualmente leitores de Mário Ferreira se reúnem numa simplória comunidade do Orkut, onde trocam ideias a respeito de suas obras.

Mário Ferreira deixa aos brasileiros uma grande lição de vida. Em seu livro Filosofia Concreta, exorta os brasileiros a terem coragem de ousar. Poderíamos começar, no mínimo, ousando ler um de seus escritos, não?

Shâmtia Ayômide

Shâmtia Ayômide tem 28 anos, é programador de computador, webdesigner e fundador do "Reflexões Masculinas". Nas horas vagas gosta de ler, escrever e apreciar um bom whisky.


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66 comentários

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  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Shâmtia, ótima contribuição para nossa série, cara!

    Acho um absurdo não conhecermos esses pensadores brasileiros. Fiz 2 anos de filosofia na USP e nunca ouvi professor algum mencionar a obra do Mário Ferreira. Na verdade (principalmente na USP, pelo menos na época em que fiz), os professores de filosofia valorizam mais historiadores da filosofia do que filósofos brasileiros com produção própria.

    Se alguém escreve um livro sobre Hegel e domina muito o assunto, tendo um doutorado sobre algum conceito específico de sua obra, ótimo, ele tem valor. Mas se o cara resolve pensar e produzir mais do que história da filosofia (como os grandes pensadores fizeram, aliás), demora muito para o cara ser levado a sério.

    Abraço!

  • Anônimo

    Obrigado.

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Eu não conheço a USP, mas essa fama de esterilidade dela é bem conhecida nacionalmente.

    Eu suspeito que o excesso de cobrança para que as pessoas se encaixem em métodos e sistemas rigorosos, pode amputar a criatividade.

    É claro que o embasamento teórico é algo importante, mas duvido que alguém com essa rotina urbana, agüente ficar 5 anos trancafiado lendo e escrevendo, enquanto as coisas no mundo lá fora acontecem.

    O bom pro estudante que goste de filosofia e não queira terminar sendo apenas um filólogo, é tentar tirar lições do cotidiano, da vida, daí ele concatena o que ele acredita com o que ele faz, transforma suas teorias em lição de vida.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Sobre a USP, o caso é claro: doutrinação.

      Não é falta de contato com o presente, mesmo porque ela também tem falta de contato com o passado (já viu especialista em Heidegger sair da USP? e olhe que esse é um pensador considerado “pós-moderno”). Nem é falta de tempo de estudo ou coisa do tipo.

      A questão é que os doutores do departamento “fecham” o curso de uma maneira que, além de se ater à história da filosofia (o que, num primeiro momento, é importante – não dá pra chegar para um aborígene e tacar uma tradução do Discurso do Método no colo dele), se atém mais ao que os professores consideram os grandes nomes. E aí reside o problema.

      Não é à toa que os alunos da FFLCH parecem considerar que Marx é o maior nome da filosofia desde Aristóteles (se é que dão bola pro Ari), e só merece uns retoquezinhos desde a queda do Muro de Berlim, ou da subida do PT ao Executivo federal, e pronto. Nem que as feiras dos livros por lá tenham diversos stands inteiros dedicados unicamente a Marx e Bakunin. Nem ainda os cartazes que estão colados nos muros, onde se defende abertamente crápulas como Lênin e Trotsky. Nem mesmo que lá se reúna dinheiro e objetos para serem doados para fazendas do MST, ou que sejam usadas palavras como “neoliberalismo” por gente que não sabe quem seja Alexander Rüstow ou procure ao menos SABER O NOME (repare que não digo nem “ler”, muito menos ainda “refutar”) de um pensador liberal além de Adam Smith (que tampouco leram). Bastiat, Ortega y Gasset, Ayn Rand, Mises, Voegelin, Hayek, Rothbard, Mosca, Hermann-Hoppe, Unamuno… tem aluno formado na USP que não deve saber se são cineastas ou lutadores de boxe: e entre esses nomes estão os maiores nomes da filosofia e economia dos séculos recentes.

      E aí fica apenas o nheco-nheco marxista de sempre (claro, com suas exceções; conheço verdadeiros gênios que fizeram Filosofia por lá) achando-se que, se você fechar os olhos com bastante força e ignorar todas as críticas já feitas a essa doutrina maluca, as críticas somem e a doutrina fica palatável.

      Mas se é pra ser historicista, por que não pegar um historiador DECENTE da filosofia? O Mário Ferreira dos Santos, como mostra o seu debate com o Caio Prado, manja muito de história da filosofia. Mal se lê Giovanni Reale e Dario Antiseri (ou, falando em Reale, que tal o nosso Miguel Reale, que parece não sair do curso de Direito, e mais da USP do que qualquer outra faculdade?), mas em compensação, pergunte para seus colegas se eles conhecem Caio Prado. Ou Marilena Chaui. Ou Paulo Ghiraldelli Jr. Ou Emir Sader. Ou Paulo Arantes. Ah, nós somos especialistas em losers, não é mesmo?

      A questão é que, lidando com a tradição, lidando com marxistas chatos ou mesmo lidando com os mais recentes pós-contemporâneos que o mundo nos deixa de herança, fazemos tudo mal, porcamente, e com uma receitinha de bolo já mofada há mais ou menos 8 décadas.

      E olha que ainda nem entramos na discussão sobre “filosofar” de fato!…

  • Tarcizo

    Ih Gustavo, as coisas são piores do que parecem!

    Na verdade, isto não é uma exclusividade da USP tampouco do estado de São Paulo. Concluo este ano (se tudo der certo) minha graduação em Filosofia pela UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e digo que nunca (pelo menos dentro da faculdade) ouvi falar de Mário Ferreira dos Santos ou de qualquer outro Filósofo brasileiro (claro, exceto os que se dizem ser por lá…)

    É triste esse panorama, mas é bom ver que um site de Lifestyle com o PdH se preze a trazer esse ilustre desconhecido à discussão. Eu, por exemplo, já me interessei e procurarei alguma obra para ler, e indicar quem sabe aos meus colegas de curso.

    Ah, e pra encessar, parabéns ao Shâmtia (aliás, que nome interessante hein) por trazer um autor de verdade. Quando vi “Filósofo brasileiro” confesso que esperava encontrar esses filosofistas engraçadinhos, que são deliciosos de se ouvir, mas terríveis em termos de conteúdo, daquele tipo que serve mesmo pra lotar uma sala de aula ou dar entrevista nos “Jôs Soareses” da vida. Muito bom!

  • edu

    O bom pro estudante que goste de filosofia e não queira terminar sendo apenas um filólogo.

    No caso é ruin terminar sendo filosofo? acharia pior sendo politico, toda vida acredito que precisamos seres pensadores, precisamos de grupo familia precisamos de recionalidade que falta muito hoje em dia.

  • http://estmapoesie.wordpress.com/ Renato

    Gitti, você, tanto quanto qualquer outro estudante de filosofia, tem que entender que formação em filosofia não é das coisas mais simples justamente porque um pensamento, hoje, contém uma história de cerca de 2500 anos implícita nele. Além do fato de que uma matéria deve ser priorizada em detrimento de outras. Mario Ferreira, Oswaldo Porchat, Scarlett Marton, podem ser todos grandes filósofos brasileiros; mas em momento algum fará sentido conhecer qualquer um deles e não conhecer Kant, Aristóteles e Descartes, pois não os foram os três primeiros que revolucionaram o pensamento filosófico.
    O que quero dizer é o seguinte: de nada vale você conhecer pensadores atuais e não conhecer os pontos chaves no pensamento filosófico — que é o que seria estudar Chomsky ao invés de Kant. Não entenda que eu concordo com o historicismo da USP, mas em questão de ensino de filosofia pra graduação, não tem sentido você ficar fazendo referências á pensadores brasileiros em detrimento de pontos chaves na história da filosofia.

    • Anônimo

      mas pelo que entendi, não se fala de nenhum filosofo brasileiro mesmo, se é como você diz então não seria o caso de falar sobre pelo menos 1 filosofo brasileiro, e permitir que o aluno caso queira procure entender mais da cultura filosofica brasileira por si mesmo, ao invez de nem mencionar?

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Renato, concordo totalmente, mas sinto falta de mesclar estudos mais recentes com os antigos. Não vejo problema algum em, logo no primeiro ou segundo ano, ensinar Descartes numa aula e Nagel (ou até mesmo coisas bem mais recentes como Evan Thompson) em outra.

    Aliás, pra quem não conhece Evan Thompson, ele escreveu junto com Francisco Varela o fodástico THE EMBODIED MIND. Tem vários artigos online: http://individual.utoronto.ca/evant/

    Sem essa ponte incessante com o presente (na época, a USP parava em Sartre, pelo que lembro), o que acontece é o cultivo de um pensamento totalmente desvinculado da vida social e mais concreta do aluno. Eu via isso direto e por isso abandonei. Muitos fizeram o mesmo e dos que eu conhecia que ficaram todos viraram historiadores de filosofia com pastinhas, preocupados em mestrados e estudos tão específicos que mal podem compartilhar com alguém além de seus colegas e professores.

    Eu gosto do rigor, mas não gosto de fechamento.

    Abraço.

  • http://estmapoesie.wordpress.com/ Renato

    Concordo com a necessidade de ligação com o presente, mas acho que isso é um dever mais do aluno do que da faculdade em si. Até onde eu sei, a USP, no âmbito de filosofia, é um lugar que propicia — e muito bem — a possibilidade que o aluno precisa pra se expandir. Se não me engano, existe um certo limite de matérias para quem faz filosofia cursar anualmente — corrija-me se eu estiver errado, por favor –, deixando alguns dias da semana sem aula. Inicialmente, não precisar pagar pra estudar na USP não é por “gentileza” do governo; isso se dá também para que o aluno tenha tempo pra estudar e, em filosofia, os dias livres são ainda dias livres para os alunos estudarem e não folgarem. Cabe ao aluno buscar estudar complementarmente enquanto cursa a faculdade. Filosofia exige dedicação e meios para isso a USP proporciona — claro, não penso que todo mundo nasceu em berço de ouro e pode dedicar a vida a isso; mas é muito mais facilitado do que estudar em uma faculdade onde se tem o curso pago e comprimido.
    Acho também que os professores são aqueles que tem que encaminhar, instigar e dar referências; mas não posso falar da USP nesse caso, pois não sou aluno de lá.
    Aliás, por não ser aluno de lá, peço desculpas adiantado para caso tenha errado em algo que escrevi; pois tudo o que sei da filosofia na USP foi conversando com professores que se formaram lá e alunos que fazem filosofia lá — inclusive, essa ideia de que os dias livres na USP são para se estudar foi dita por um professor formado lá.

    Abraços

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Sim, era isso mesmo. A gente tinha 3 dias de aula apenas. O resto livre pra ler pois tinha MUITA coisa pra ler. O primeiro ano tem de ser assim, não tem nem como escapar.

    Depois a galera fazia 4 dias, no máximo. Ninguém dava conta de fazer 5 matérias e ler tudo, entregar os trabalhos etc. Não compensa, você fica maluco.

    Mas devo muito de minha formação à FFLCH. Por mais que tenha problemas, aquilo lá realmente funciona, abre a mente, dá uma puta formação. Tive aulas sobre Espinosa com a Chauí que lembro até hoje e aprendi algumas visões que me guiam até hoje.

  • http://twitter.com/natimax Natimax

    Achei excelente o texto.. pelo menos pra tirar nossa cegueira e despertar nossa mente para coisas que existem por ai e que não temos conhecimento.

    Bom esta cultura boa aqui do PDH.

  • Thiago ZuK

    Assim como uma literatura (e até ficção) a filosofia foi feita para ser praticada, e não para ser confinada à estudos meramente acadêmicos. Creio que a academia é importantíssima, mas muitas pessoas a transformam numa ilha.

    Filosofia é dar as caras e ir “para a praça”, assim como Sócrates, Platão e outros fizeram. Academia é uma passassem importantíssima na vida de alguém, mas não o ponto final.

  • http://twitter.com/vhyrodrigues Victor Rodrigues

    @thahy da uma olhadinha…

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Quis dizer tipo: filólogo em termos simples é quem interpreta textos, muitos estudantes de filosofia sem querer viram filólogos, por que confundem consumir filosofia(ler e interpretar) com a filosofia em si. Filologia=interpretação de textos.

    Uma postura filosófica seria por exemplo o do nosso amigo Gitti, que produz um pensamento próprio e ainda tem um embasamento por trás daquilo que ele acredita, e ainda por cima está em constante investigação. Nessa postura o sujeito envolve toda a vida dele numa busca.

    Já um filólogo apenas escreveria resumos sobre caras que ele leu por ai, sejam filósofos ou não. É claro que não estou desmerecendo essa atividade, pois ela cumpre um papel importante.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    É, Shâmtia, mas na prática um historiador da filosofia (que você chama de filólogo aí em cima) acaba adquirindo (ou deveria) uma postura filosófica e pode também criar um pensamento mais próprio.

    O problema que vejo é o filósofo executivo, que vê na filosofia apenas mais uma profissão como médico, em vez de viver de acordo com o que escreve. E tem esse ponto também, né? Filosofia se faz com escrita, o que reduz muito o domínio da contemplação.

    Não é por acaso que organizações como o Mind and Life (http://www.mindandlife.org) crescem tanto. Filósofos que meditam, cientistas que filosofam e assim retomamos a origem da própria filosofia.

  • LIVIO LUIZ S. OLIVEIRA

    Shâmtia felicitações pelo artigo! Infelizmente, poucos brasileiros conhecem ou ouviram falar em Mário Ferreira dos Santos. Gostaria de sugerir um artigo , nesta série Homens que você deveria conhecer, sobre o filósofo Olavo de Carvalho, o maior filósofo brasileiro vivo. Ele define Mário Ferreira dos Santos como um de seus gurus. Atualmente o professor Olavo mora nos EUA e ministra um curso de filosofia on-line. Esse é O CURSO. Diferente de tudo o que se ensina por aí. Para quem estiver interessado ver http://www.olavodecarvalho.org/index.html

    Saudações a todos

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Boa indicação.

    Eu pessoalmente tenho mais o perfil técnico/cientifico(afinal sou programador de computador), se por acaso eu, entrasse numa dessas, seria algo tipo “cientista que filosofa”.

  • Juca

    Que porra é essa de morrer em pé rezando “Pai nosso”? Um pé na filosofia e outro na religião?

  • vitalkm

    mas pelo que entendi, não se fala de nenhum filosofo brasileiro mesmo, se é como você diz então não seria o caso de falar sobre pelo menos 1 filosofo brasileiro, e permitir que o aluno caso queira procure entender mais da cultura filosófica brasileira pro si mesmo, ao invés de nem mencionar?

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      A questão não se restringe apenas ao caráter nacional: Miguel Reale só é estudado em cursos de Direito, Zeljko Loparić só é estudado pelos poucos heideggerianos que existem nesse país, Vilém Flusser é tão conhecido aqui quanto se sua obra tivesse sido escrita em tcheco (e olha que ele elogiou a língua portuguesa como língua para a filosofia, encômio que, em línguas modernas, é apanágio comum apenas do alemão), Vicente Ferreira da Silva só é estudado por alguns padres perdidos sabe lá deus onde, Padre Vaz só é conhecido na UFMG, Tobias Barreto e Raymond Abellio… who?! E o Olavo de Carvalho é simplesmente o autor mais mal lido, digo, NÃO lido, mas sempre “refutado”, desde Sócrates.

      Mas, por outro lado, a Universidade brasileira não deixa que autores discordantes ganhem o espaço devido. Discordar de um Sartre, de um Foucault, de um Gramsci parecem crimes de lesa-humanidade. Logo vem um “QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA DISCORDAR DESSES FILÓSOFOS MAIS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE?!? COMO OUSA?!?!?!”.

      Em compensação, os maiores nomes da filosofia, inclusive os vivos, são desconhecidos, simplesmente porque, ora, se Foucault é conhecido pelo professor passado, deverá ser repisado ad nauseam, simplesmente porque é assim e pronto. Não importa se mesmo um filósofo de tendências bem próximas das de Foucault (marxismo, crítica ao consumismo, um pouco de Escola de Frankfurt etc) como Jean Baudrillard tenha escrito um livro entitulado simplesmente “ESQUECER FOUCAULT”. Quantos alunos com doutorado em Foucault já sequer ouviram falar disso?

      Chamo a esse fenômeno BIBLIOFOBIA. Não existe coisa mais forte nesse mundo do que o passado: se você passou 10 anos ouvindo Metallica, quando ouve Iron Maiden invariavelmente vai achar a banda pior do que Metallica. Aí é a mesma coisa: você passa tanto tempo da sua vida lendo só a mesma turminha de 10 cupinchas que, quando aparece um nêgo diferente e detona todo mundo do barraco, o povo sai correndo até do nome dele, como se o contato físico de suas mãos com a capa do livro fosse transformá-los em açúcar, que acaba tendo medo de livros antes de os ler, apenas para continuar podendo acreditar nas mesmas coisas no aconchego da Universidade, longe de qualquer pessoa que prove por a+b que a coisa não é bem por aí.

  • Pedra

    No curso de Filosofia da UFPR (onde me graduei) tb não há leitura de filósofos brasileiros, conheci por conversa com professores, conhecimento limitado a traduziu isto e aquilo, faleceu pobre, brigou com fulano. nenhum estudo pra valer. Tobias barreto também é filosofo brasileiro anonimo.

    Acho que vai ser difícil surgir um novo filósofo no sentido do termo, acredito que hoje existe apenas bons e maus historiadores da filosofia.
    Aliás, acho que é isso que ensinam na universidade, História da Filosofia. Não que seja totalmente errado, mas é isso que acontece.

    Gitti, eu questionei mais de uma vez pq não havia uma resposta pro social, a maioria das respostas dizia que é tarefa das ciências sociais, psicologia, entre outra, não da filosofia. Filosofia fica na caverna. Depois dessa resposta meu ânimo foi pra lá tb.

    Abraços

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    e qual o problema? O positivismo nunca foi bem aceito na filosofia. Na verdade o materialismo na filosofia é como um queijo suíço cheio de buracos. Além disso as técnicas de memorização dos padres jesuítas(e a educação) também foram importantes para a formação de Mário Ferreira dos Santos.

  • LIVIO LUIZ S. OLIVEIRA

    Pedra, se quiser conhecer um filósofo brasileiro de verdade (ainda vivo é claro), acesse http://www.olavodecarvalho.org/index.html

    Saudações

  • Pedra

    Obrigado pela sugestão, já li alguns textos dele. Me falta a segunda parte do imbecil coletivo.

    A principio eu considero o olavo de carvalho confuso, meio perdido.
    Explicando, o princípio da filosofia dele é não ter opiniões coletivas, digamos.
    O problema que ele valora positivamente certas ideologias de direita. o que acaba com o princípio dele. rsrs.
    O ponto positivo dele é que ele tenta ter opinião livre e individual, só que ele barra em um monte de problema, confunde vários princípios e não consegue ver o movimento do mundo após o capital, digamos. é como se ele defendesse os fundadores do eua. mais nada.
    Talvez ele tenha virado uma cópia dos direitas americanos nos ultimos tempos, fora que tudo que ela acusa como não sendo filosofia, ele acaba fazendo. Quase tudo é conspiração dos iluminatti, nova ordem mundial, deste modo até eu sou filósofo..

    PS. Não estou tecendo comentário sobre esquerda ou direita, EUA, mas só demonstrando a minha visão sobre a posição do Olavo de Carvalho.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Pedra, a verdade é que NINGUÉM nesse país conhece a direita direito. Aí, apesar dos argumentos do Olavo serem ótimos, sobra como único argumento: “Ah, mas é de direita.” Veja uma resenha que ele mesmo fez sobre um “Dicionário Crítico do Pensamento de Direita” (feito, obviamente, por professores esquerdistas) e veja o grau de esquizofrenia reinante em nossa Universidade: http://www.olavodecarvalho.org/textos/naosabendo.htm

      Se você acha que ele simplesmente defende os EUA (ou, sei lá, o Partido Republicano) e pronto, sugiro um texto chamado “Cinco Profetas” no Imbecil Coletivo II, sobretudo os comentários que ele tece sobre o historiador e pensador holandês Johan Huizinga. O que esse cara já criticou os EUA (inclusive quando inventa de ser “direita demais”) não é brincadeira. E esse é só um exemplo (mas já admito que ele faz isso bem mais no Imbecil II do que no I).

      Mas, de fato, o Olavo é problemático com essas teorias da conspiração (embora nunca use Illuminati) e a defesa às vezes meio extremada da Igreja Católica, que às vezes deixa seu pensamento meio caricato. No entanto, é talvez o homem mais erudito do Brasil atualmente, e mesmo quando erra, não é facilmente refutável com 2 palavras como são nossa “intelligentsia”: geralmente é mais nas entrelinhas, num “a premissa escondida tal poderia também levar a uma conclusão um pouco diferente do que você pensa…”

      Resumo o que penso sobre ele aqui: http://www.formspring.me/flaviomorgen/q/976474327

    • http://twitter.com/Rerisson_C Rerisson Cavalcante

      E quantos livros de Olavo de Carvalho você leu para desenvolver essa opinião? Sim, porque “confuso” e “perdido” jamais poderiam ser qualificações objetivas para obras como “O Jardim das Aflições”, “Aristóteles em Nova Perspectiva”, “O futuro do pensamento brasileiro” e “Dialética simbólica”, em que Olavo de Carvalho mostra exatamente as características opostas: uma grande capacidade de compreensão, articulação de temas e exposição.

  • Kennedy Brito

    pôw, PdH se superando cada vez mais … !
    Seria master interessante ver uma matéria sobre o Bob Lester aqui galera. Há uns dias atrás estive lendo uma matéria sobre ele e sua trajetória de vida, que apesar de ser bem radical, vale a pena ser lido. Abraços ! ;)

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    também nunca ouvi nada sobre Tobias Barreto. Vou investigar. Parece que esses anônimos é que são os bons rs.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Um dos melhores filósofos a tratar do tema da criminalidade, junto com Peyrefitte, que já vi. Ah, se nossos juristas e criminalistas topassem de cara com Tobias Barreto, ao invés de só ler variações de coitadismo penal…

  • Victor

    Putz, entrei no site deste Olavo de Carvalho, só lixo!!!
    O cara é um direitista maluco, totalmente cego e usa um paralogismo pra justificar o injustificável!!! Li artigos defendendo a postura da igreja católica em relação ao comportamento deles com membros pedófilos, artigos tentando refutar (olha que sandice!) a evolução biológica, etc e etc. Acho que não preciso dizer mais nada, né? Mais um louco direitista (não, não acho que todo direitista seja louco, antes que me acusem disto) tentando usar argumentos estapafúrdios e pseudo embasados pra justificar ideologias! Isso é absurdo, um filósofosinho ralé usando sua propalada erudição pra defender coisas como a doutrina Bush. Sorte do Brasil que esse merda ralou pros EUA, que fiquem com ele o máximo tempo possível…

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Victor, concordo que o enviesamento dele para defender religião seja complicado, mas foi só isso que você leu dele? So sorry, mas, tirando esse enviesamento religioso e alguns poucos defeitinhos circunstanciais que qualquer grande filósofo tem, ele é mesmo o melhor filósofo em atividade no Brasil hoje (diria que único, junto com o Zeljko Loparić). Se pular isso, pode chegar a bastante coisa que ultrapassa muito as raias da genialidade. Ou pode ficar com preconceito por causa de uns preconceitos tontos que ele tenha (como você já demonstra ter com “direitistas”), e acabarem se igualando em preconceitos (em genialidade já não sei).

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Acho que criticar o teleogismos algo válido, teleologia é indicio de pseudo-ciência.

    Um exemplo básico: eu por ser homem sou naturalmente mais forte, fisicamente, que as mulheres. Porém qualquer mulher fisioculturista é mais forte que eu, logo os nossos destinos não são determinados pela natureza.

    Darwin, tentativa explicar como as coisas foram, e não como elas serão.

    O homem é livre justamente por que seu destino não é determinado.

  • http://twitter.com/jayminho jayminho

    quer dizer entao que para “filosofar” tem que se encaixar a esquerda do pensamento politico-social, pelo menos é isso que eu entendi lendo alguns dos que comentaram.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Exato. É que infelizmente a maioria aprendeu Darwin no “Fantástico”: “Então, para conseguir comer as frutas nas árvores altas, as girafas desenvolveram um pescoço grande”. É ao contrário (pra ficar no exemplo caricato): as que tinha pescoço pequeno morreram famintas e as que tinham pescoço grande copularem e passariam adiante os genes.

    Não há teleologia em lugar algum. Aliás, nem mesmo em boas religiões, como no Budismo. Teleologia é algo MUITO criticado no budismo, aliás. Os caras são mais céticos do que muito cientista por aí.

  • http://noitardear.blogspot.com/ patriciaoliveira

    É por isso que sempre estive em busca de coisas “fora de moda”. Não quero transparecer com isto que as escolhas da maioria é “burra”, mas convenhamos que frequentemente sejam tendentes a ser.
    Pseudo-intelectuais, geralmente buscam os conhecidos, e aprofundam-se na superficialidade para poderem ter orgulho dela.
    É uma pena a desvalorização das coisas boas que possuímos, e que mesmo quando há valorização, essa valorização reflita a ignorância e recaia sobre o que não tem valor -.-

  • Victor

    Cara, foi exatamente isto que critiquei! Minha crítica não foi em relação a ele ser um direitista radical, foi em relação a ele usar argumentos (como se o que ele diz fosse tão claro e evidente como um argumento cartesiano, incontestável) para JUSTIFICAR SUAS IDEOLOGIAS. A filosofia não deveria ter nada a ver com ideologias políticas, filosofia é filosofia e ponto, doa a quem doer as conclusões a que ela chega. O problema é que o “filósofo” citado (Olavo de Carvalho) usa filosofia pra justificar atitudes ideológicas. Claro que é praticamente impossível nos desvincularmos de nossas convicções no ato de pensar, mas um formador de opinião, como um filósofo de renome, deveria se preocupar muito mais em relação a isso. Tentando usar o jargão da lógica (um ramo da filosofia e que também tem forte ligação com a matemática), é como se partíssemos da conclusão para só então desenvolvermos os fundamentos ou premissas, estratégia diametralmente oposta ao método científico!
    A atitude do Olavo me faz lembrar da “arte engajada”, tão comum há algumas décadas atrás, onde artistas simpatizantes do regime comunista produziam obras voltadas para patrocinar tal regime (como Máximo Gorki, por exemplo…). A grande diferença é que a arte é subjetiva e os artistas não se sentem os donos da verdade, já um filósofo usa alguma corrente, algum embasamento, pra afirmar alguma coisa. Talvez o Olavo também use uma corrente, talvez seja um… cínico!

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Victor, desde Platão, que pode-se dizer que “inaugurou” o que chamamos de filosofia, não conheço UM filósofo que não use a filosofia para “justificar sua ideologia”. Pode me citar algum?

      Sobretudo essa de que os “ultra-direitistas” americanos sejam o povo mais nocivo do planeta… ARGH!!! Se eu for supor que crimes de guerra (muitas vezes cometidos por generais ou mesmo soldados) são os crimes dos “ultra-direitistas”, dá quantos % dos crimes do Islamismo, matando numa só tacada de um a um milhão e meio de armênios (isso só pra ficar em UM exemplo)? Ou, vamos lá, da pilha de 160 milhões de cadáveres que nos legou o regime comunista (alguns desses governos ainda em atividade)? E você acha que os “ultra-direitistas” americanos são todos idênticos, nenhum têm nenhuma crítica a um sistema que, ainda por cima, é bipartidário, para que haja mais discussão interna no partido?

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      A teoria da Evolução não é uma “lei” porque teoria científica nunca vira lei – uma HIPÓTESE científica vira lei se for aprovada, enquanto uma TEORIA é um conjunto de saberes que engloba muitas leis.

      Uma lei científica deve ser exposta em apenas uma frase, como a lei de Avogadro (que era uma hipótese até há pouco): “dois recipientes, de mesmo volume, contendo gases diferentes, à mesma temperatura e pressão, devem conter o mesmo número de moléculas”. A teoria de Newton, por exemplo, engloba 3 leis. Se você sintetizar a teoria da Evolução em uma frase, pronto: terá montado a “lei da Evolução”.

      Por que ninguém faz isso? Primeiro, porque não há como explicar uma teoria inteira em uma frase, sendo que ela muda o tempo todo, e em Darwin ainda nem existia a genética (que hoje é peça fundamental no evolucionismo, sem falar em psicologia e genética evolucionista e tantos outros quetais). Segundo, porque é INÚTIL: uma “lei” científica não é necessariamente verdadeira – pior, precisa, justamente, de uma TEORIA que a justifique. A teoria de Lamarck, por exemplo, dá força à lei de uso e desuso – e ninguém mais dá bola para essa lei, tal como sobre a lei da biogênese.

  • Victor

    Exatamente! O senso comum nos faz acreditar que foi a teoria de Lamarck (ascendentes passando características adquiridas em vida para seus descendentes) que nos levou à evolução, quando na verdade a realidade é um pouco mais cruel, quem adquiria alguma característica que lhe conferia alguma vantagem competitiva (característica essa consequência de mutações espontâneas, se não me engano tb conhecidas como cross over) simplesmente tinha mais descendentes e acabava sendo mais eficiente na luta da vida do que quem não tinha tal característica, o que no fim da contas levava à extinção da espécie menos capaz (isso foi uma grande simplificação, mas é pra não deixar no vazio…)! No artigo do site do Olavo que fala sobre isso (segundo quem escreveu uma prova cabal que a teoria da evolução é errada) o cara usa um conhecimento supostamente técnico pra justificar com maestria o fim da teoria da evolução. Como se uma das teorias mais fantásticas já desenvolvidas viesse mesmo a ruir por imposição de uma ideologia, por conta de um merdinha que que quer se sentir forte pro ter idéias em consonância com o grupo político mais imbecil e nocivo sobre a face do planeta (os ultra direitistas americanos).

    PS: O nome ainda é teoria da evolução (e não lei da evolução) por uma questão técnica (que o Átila me corrija se eu estiver errado), pois nenhum cientista sério ainda tem dúvidas sobre a sua validade.

  • Thiago ZuK

    Olavo de Carvalho é uma merda mesmo. Nunca conseguiu passar no vestibular, aí fica falando asneira… Ainda bem que as pessoas já se esqueceram dele.

    Agora um ótimo filósofo é o Paulo Ghiraldelli Jr., o “filósofo da cidade de São Paulo”. Ele tem milhares de textos, livros e vídeos publicados pela internet. Ele é pragmatista (Conviveu com Rorty), então seus textos e apresentação são mais “redescrições de narrativas”
    e etc.

    Aqui o site: http://ghiraldelli.pro.br

    Canal do Youtube: http://www.youtube.com/user/pgjr23

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Acho o Olavo bem restrito, muito reclamão, exagerado, agressivo sem necessidade.

    E curto o Guiraldelli pra caralho. Ele tem alguns insights geniais. O texto dele sobre o filme CLOSER é fodástico. Procurem.

  • Neto B

    nossa meu assustei ao ler a 1º linha, sou da Cidade de Tietê e nunca nas histórias da Cidade ele foi citado Oo'

  • LIVIO LUIZ S. OLIVEIRA

    Amigo, só para esclarecer: teologia e teleologia são duas coisas bem diferentes. Simplificando: da definição do grego, teologia é o estudo de Deus, enquanto teleologia (do grego teleos + logos) é o estudo ou ciência dos fins.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Sim, é exatamente nesse sentido que eu afirmei o que afirmei.

  • LIVIO LUIZ S. OLIVEIRA

    TELEOLOGIA?!!!! Você quis dizer TEOLOGIA e se atrapalhou todo. São duas coisas bem diferentes. Teologia é o estudo racional sobre Deus. Teleologia é o estudo filosófico sobre as finalidades, objetivos, fins. Nunca se deve pontificar sobre um assunto de que nunca tomou conhecimento. Ne sutor ultra crepidam judicaret.

  • http://www.facebook.com/dorlyneto Dorly Dias Curvello Neto

    Muito boas as informações! Nietzsche é um filósofo essencial. Penso que os três pilares da crítica moderna à sociedade são Marx, Nietzsche e Freud; o resto é baseado neles. Porém, mais importante que eles, são as pessoas que se preocupam em traduzir seus trabalhos fielmente, fazendo com que mais pessoas tenham acesso a esse conhecimento, como é o caso de um dos tantos trabalhos que Mário Ferreira dos Santos teve em sua vida.

    Também é um ponto forte de sua obra a Filosofia Concreta, que me lembra o Concretismo, único movimento social e poético totalmente fundamentado no Brasil.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Dizendo um pouco mais, acho que Freud e Marx DEFINIRAM o Ocidente, mas não quer dizer que qualquer um deles tenha “importância” além de histórica por isso. Freud é destrinchado feito um cadáver em decomposição por Heidegger nos Seminários de Zollikon, além de ter pacientes que, depois de anos de terapia com o louquinho que inventou um tal de “complexo de Édipo” porque a mãe e a esposa de Mahler tinham o mesmo nome, foram se tratar com Viktor Frankl e praticamente se “curaram” em UMA sessão, enquanto Marx teve a capacidade de ter todo o seu magnum opus refutado antes de ter escrito a última parte d’O Capital por Eugen von Böhm-Bawerk, além de deixar um histórico de totalitarismo e mortes onde quer que tenha sido minimamente aplicado.

      Mas se continuam lendo Freud e não lendo Heidegger e Medard Boss (além de Biswanger e Viktor Frankl) de um lado, e lendo Marx e não lendo Böhm-Bawerk, Hayek, Bastiat, Jouvenel, Mises e Rothbard de outro, você pode ter certeza de que é porque a nossa Universidade enfia isso goela abaixo, e não pelo valor dos pensadores em si.

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Marx segundo Mário Ferreira dos Santos é importante no que tange a ser o primeiro pensador a tentar realizar uma filosofia do trabalho, contudo o próprio Mario Ferreira dos Santos demole o marxismo na “Análise Decadialética do Marxismo”.

    PS: Mário era bem visto no circulo anarquista, estes por sua vez veem o Marxismo como uma espécie de fraude do anarquismo, vide as relações ásperas entre Marx e Bakunin.

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    idem idem, foi isso que quis dizer[2].

    Sempre fui um critico dos determinismo, e inclusive já fui criticado no meu site por não abraçar teorias evolucionistas no que tange ao assunto relacionamentos.

    Um bom critico sobre esse aspecto é Julius Evola, no seu livro “A metafisica do sexo”, ele dá um exemplo claro e simples: Se fossemos programador a selecionar somente os alimentos saudáveis, não comeríamos tantas porcarias deliciosas, contrárias aos “interesses genéticos”. Julius Evola nesse aspecto se opõe a Schopenhauer.

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    Não vou dar uma de advogado do diabo, mas o trabalho interior de Olavo de Carvalho é muito superior ao de Paul G., o problema é que Olavo ficou famoso por “critica”, especialmente politica. Ele mesmo queixa-se que o seu livro “O imbecil coletivo” seja mais famoso que o “O Jardim das Aflições” que é um livro de verdade com começo-meio-fim, o trabalho interior do Olavo pode ser observado em livros como “Edmund Husserl contra o psicologismo”, “Aristóteles em nova perspectivas” e entre outros.

    Quanto a critica, eu particularmente, prefiro desenvolver algum conteúdo do que ficar me ocupando com critica. Embora a “audiência” seja menor(vide o sucesso do Imbecil Coletivo), Hoje basta só um sujeito montar um site ou video dele “descendo o pau” em algum assunto que no mesmo instante ele ganha milhares de fãs. É uma reedição moderna do pão e circo com doses de violência. Talvez isso explique o por que de Olavo manter aquele programa de rádio onde ele esmurra a mesa(risos). Comigo já aconteceu o inverso, já fui criticado por ser brando demais, e não estar “descendo o pau”.

    Quanto ao Richard Rorty acho ele um palhaço completo, pragmatismo é o mesmo que um homem chegar a lua sem saber como, e lá querer dizer as pessoas como elas devem proceder, sendo que ele mesmo nem se deu conta de como chegou lá, neste ponto não há diferença entre o homem e o animal. Antônio Labriola concluiu que pragmatismo e marxismo são a mesma coisa. Ambos: Richard Rorty e Karl Marx, propõem, juntos, o fim da filosofia.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      Com efeito, comparar Olavo de Carvalho, que conhece umas 6 línguas e tem trabalhos e mais trabalhos com toda a história da Filosofia (o que fez com Aristóteles nenhum outro pensador o fez em 2.500 anos escrevendo notas de rodapé a este senhor) com o Paulinho e seus vídeos sobre “O pênis na filosofia” e textos abarrotados de erros de português é como comparar Edgar Allan Poe com Crepúsculo.

      Mas não acho o pragmatismo de todo ruim: o problema foi o Rorty (bem chamado por isso de “neopragmatista”, por alguns) e o Dewey. Ainda acho o trabalho de C. S. Peirce (que o Olavo odeia), William James e até algo do Davidson interessantes.

  • http://www.reflexoesmasculinas.com.br/ Shâmtia Ayômide

    sensato Victor,

    Como disse no outro post, o Olavo tem um trabalho interior foda que lha dá alguma consistência.
    Contudo ele se envenenou no caminho da “critica politica”, geopolítica ou sei lá o quê, assuntos que eu abandonei muito tempo atrás. Prefiro seguir o mesmo caminho de Mário que é desenvolver algum conteúdo, e só ir para a critica se isso for algo muito necessário.

  • 1berto

    Shâmtia Ayômide, este é um debate longo e que não esgotaremos aqui, mas eu gostaria de apontar alguns aspectos:
    1) A seleção natural dificilmente atua entre a humanidade na forma atual. Depois que tomamos conta da terra, escolhemos quantos filhos teremos, mantemos pessoas doentes vivas, etc.
    2) Os alimentos são feitos de forma a exagerar os aspectos que consideramos agradáveis. É um exemplo da racionalidade 'entortando' a seleção natural. Nosso apreço por alimentos gordurosos foi importante para nossa sobrevivência como espécie, por que este tipo de alimento permite armazenar energia, mas hoje com tanta oferta isso acaba nos fazendo mal. Reprodução sexuada foi importante para nossa variabilidade genética e nós 'entortamos' o sexo de várias formas com anticoncepcionais e masturbação pex.
    3) Prazo: O mal que os alimentos fazem não é alcançado pela seleção natural, POUCAS pessoas seram realmente mortas por uma alimentação moderna antes que possam ter seus filhos.
    O fato de termos sido selecionados naturalmente não implica que tenhamos que nos sujeitar a isto hoje em dia… Não deixamos uma criança morrer de fome por que ela ou sua família 'são menos adaptadas'. O ser humano é a única espécie que pode tornar os indivíduos mais do que simples veículos para os genes. Assim como podemos conscientemente ir contra a seleção natural, constatar que na realidade atual a seleção não atua em uma aspecto, não implica que ela não tenha ocorrido no passado.

    • http://flaviomorgen.blogspot.com Flavio Morgenstern

      1berto, bem interessante.

      Queria sugerir um artigo sobre psicologia evolucionista explicando vários esses “mitos” e certas refutações a Darwin mas não encontrei. O que acho fundamental é entender que nosso desenvolvimento foi pautado em um ambiente em que não vivemos mais (nossos genes não reconhecem um computador com banda larga), e algumas dessas mudanças ainda vão demorar muito para ser compreendida a níveis genéticos. O simples fato de termos pêlos em partes que hoje são cobertas por roupas, por exemplo, mostra muito do funcionamento da evolução, e de por que nossos atos parecem ir “contra” a evolução da espécie, quando na verdade são seu resultado mais claro e óbvio.

  • Carlos Muniz

    excelente texto… porém com muitos ponto a esclarecer para o público do PdH. É fácil dizer que o cara era “meio gnóstico pitagórico ou cristão tomista – no campo econômico era anarquista proudhoniano”… mas a grande maioria e quase totalidade dos leitores aqui fica difícil entender o que isso significa… classificar de “Atualmente leitores de Mário Ferreira se reúnem numa simplória comunidade do Orkut”… no meu modo de entender soou pejorativo…ou seja.. quem não conhece o cara é ignorante.. quem conhece e tenta discutir sobre a obra dele faz parte de uma trivo “simplória”… e pra finalizar… podia ter alguns trechos que que ele escreveu ou falou pra iniciar os leitores no pensamento do Mário…

  • Rodrigobarroso11

    A viva folhagem do pensamento olaviano prende-se à árvore multi-secular da grande tradição filosófica, cujas raízes se afundam no solo de Aristóteles e Platão.

  • Rafaelmelo007

    Paulo Ghiraldelli não é filósofo, ele estudou na USP. A USP forma no máximo filólogos…

  • blogdojau.com

    Para quem se interessar pelas suas obras, nesse link http://obrascatolicas.com/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=50&Itemid=53 há 17 obras

  • Marcoscarraro

    Os livros desse autor tem nas bibliotecas publicas? senão eu baixo algum e mando imprimir mesmo xD

    fiquei muito curioso sobre o senhor Mário Ferreira dos Santos :D

  • http://twitter.com/juarezazevedo Juarez J. Azevedo

    Gostei.

  • http://twitter.com/juarezazevedo Juarez J. Azevedo

    Gostei. Vai para a lista de leituras. Faça um artigo sobre em que ordem ler os seus livros, quais são mais acessíveis, o que é bom conhecer antes, esse tipo de detalhe.
    Abraços.

  • Leobmesquita

    Zeljko Loparić, melhor filósofo do Brasil??? Cê tá de brincadeira né??? Nesse caso, prefiro até que Olavo seja apontado como “melhor filósofo em atividade”. Voltando um pouco o tema, a questão, ao meu ver, não é sobre se filósofos brasileiros são discutidos ou não nas universidades. A rigor, os comentadores de grandes vultos, como Spinoza, Wittgenstein, etc, são discutidos sim. Só que, como já está explícito no termo, por serem “comentadores” estes filósofos (alguns eu diria, filosofastros, como uma certa senhora da USP metida a maior especialista brasileira em Spinoza) não tem nenhuma obra original. Mário Ferreira, Vilém Flusser, e outros não são debatidos no ambiente acadêmico brasileiro simplesmente porque seus projetos filosóficos destoam das modas, orientações e tendências do  ”stablishment” brasileiro de filosofia. Mário era um filósofo realista eclético e metafísico que, desde os anos 60, em qq universidade do brasil, JAMAIS teria trânsito algum, tal o desprezo destes ignorantes por Aristóteles, São Tomás, e etc. Flusser era um “marginal” (no bom sentido), que tentou fazer uma síntese entre fenomenologia e filosofia da linguagem, ou seja, algo novo e criativo jamais admitido pelas eminências pardas da USP. E por aí vai. Quem estuda filosofia durante um certo tempo nas universidades brasileiras acaba “descobrindo” que esse mundinho é fechado, rançoso, e só segue aquilo que o “grupo” segue: Se a moda é Heidegger, façamos todos teses em cima disso; se é Platão interpretado por Heidegger, fiquemos com este Platão; Se é filosofia analítica e lógica paraconsistente, vamos nesta esteira. Pessoas criativas e que realmente filosofem jamais terão trânsito neste mundo.
    Outra coisa que li, e me incomodou bastante, foi este ranço anti-religioso contra a Igreja Católica. Tirando questões disputadas sobre as legendas negras (se a Igreja matou milhões de indios, se queimou milhões de hereges etc), o que se tem que entender é que, dentre as Instituições do mundo ocidental, ter dois mil anos de existência contínua e unitária só foi possível para a Igreja Católica. Ateus, agnósticos ou indiferentes tem que admitir isto, como fato. Ademais, a Igreja produziu a escolástica e filósofos como Duns Scoto e São Tomás, o que a torna, igualmente, repositório milenar de toda a filosofia. Não se pode, quem deseja estudar a sério o assunto, simplesmente alijar tal papel da ICAR, ao menos, se quer-se ser honesto.

  • http://www.preguicamental.com Isaias Medeiros

    O Papo de Homem subiu muito no meu conceito depois desse artigo. Parabéns ao autor.

  • Fredufrj

    O Prof. Mário Ferreira dos Santos nunca poderia ser conhecido no Brasil, pois sua obra é um desafio a tudo o que se classifica ou se julga vanguarda no pensamento filos´pfico moderno, e porque não dizer, também do pós-moderno. Ele é Cristão e defende a transcendência para a reorganização do ser. Transcendência que nos levará a Deus e ao nosso destino final: A Beaventurança Eterna! A obra do Prof. Mário é uma obra, digamos de desconstrução da loucura nihilista e reconstrução do edifício da verdade eterna de Deus revelada em Cristo Jesus, da qual jamais deveríamos nos apartar. Deus abençoe a todos!  

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