Mais um texto sobre clichês

Lisandro Castro

por
em às | Artigos e ensaios, PdH Shots


O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei

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Ah, o clichê.

O clichê é a bóia para quem não sabe nadar.

É cantar “adeus ano velho” ao findar a contagem regressiva no reveillon. É gritar “vai pagar a conta” para o amigo que senta na ponta da mesa no bar. É questionar se é pra ver ou pra comer quando a tia serve a sobremesa. A resposta padrão, o senso comum, a piada óbvia. O cantar “a porra do Brasil” em resposta ao refrão da música.

O clichê é o “papai e mamãe”. É a montanha russa. É ter um cachorro chamado Rex. Chamar um gaúcho de viado, um baiano de preguiçoso e um argentino de arrogante. É dar um porta-retratos de presente no dia das mães, tomar sorvete napolitano, pedir pizza de frango com catupiry e comer pastel com garapa.

Comentar sobre o clima no elevador, reclamar da corrupção, do trânsito e da Seleção Brasileira. Repetir o que outros dizem sem se perguntar o motivo. Torna comum o que poderia ser interessante. O clichê distancia pessoas.

Clichê é buscar clichê no Google Imagens e pegar a primeira foto

O clichê é o piloto automático do cérebro. É recuar a bola para o goleiro e levantar a mão pedindo impedimento quando sofre um gol. É dizer que o ano só começa depois do Carnaval. É reclamar que o final de semana acabou quando sobem os créditos do Fantástico. É ver futebol na Globo, reclamar da narração do Galvão Bueno e repassar um texto do Pedro Bial.

O clichê é o freio de mão da criatividade. Não aquela criatividade de criações mirabolantes, mas a capaz de produzir respostas próprias para velhas questões da rotina. O clichê acostuma a mente aos paradigmas (palavrinha bem clichê) e torna você um personagem de filme de Sessão da Tarde. Não um Ferris Bueller, mas sim um com falas banais e final previsível.

Clichês são as frases dos outros que você usa por preguiça de pensar por conta própria.

O clichê é chato e é chato ser clichê. Ninguém quer ser comum, mas você é. Eu sou também.

Menos clichês, mais talento.

Lisandro Castro

Lisandro de Castro é um reclamador nato e questionador de coisas óbvias. Costuma ser mais sincero do que as pessoas desejam e leva uma vida bem clichê. Cresceu ouvindo piadas nada criativas sobre baixinhos e gaúchos.


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  • João Vitor Schulte

    Excelente texto, realmente coisas que não importa quantas gerações passem a gente ainda vê muito por ai e pior. Algumas a gente até faz por comodidade, ou simplesmente pra não perder a piada.

  • João Vitor Schulte

    Excelente texto, realmente coisas que não importa quantas gerações passem a gente ainda vê muito por ai e pior. Algumas a gente até faz por comodidade, ou simplesmente pra não perder a piada.

  • João Vitor Schulte

    Excelente texto, realmente coisas que não importa quantas gerações passem a gente ainda vê muito por ai e pior. Algumas a gente até faz por comodidade, ou simplesmente pra não perder a piada.

  • http://bakablues.wordpress.com/ Igor Niemeyer

    Muito bom.
    “Ninguém quer ser comum, mas você é. Eu sou também.”
    Somos só mais um no mundo. Nada mais.

    • http://www.umpapolivre.com Paulo Roberto

      É aquele lance… supervalorizamos nossa passagem pela terra.

      • http://twitter.com/lisandrocastro Lisandro de Castro

        Então, será que somos mesmo só mais um?  Mudar um pouco as respostas automáticas que acostumamos a repetir pode ser um bom teste. 

      • http://danillonunes.net/ Danillo Nunes

        E será que sempre deixar de usar respostas automáticas mesmo quando elas cabem muito bem também não é um comportamento automático um tanto clichê? Ah, não, não vou entrar nessa filosofia de boteco. :P

      • http://danillonunes.net/ Danillo Nunes

        E será que sempre deixar de usar respostas automáticas mesmo quando elas cabem muito bem também não é um comportamento automático um tanto clichê? Ah, não, não vou entrar nessa filosofia de boteco. :P

      • http://danillonunes.net/ Danillo Nunes

        E será que sempre deixar de usar respostas automáticas mesmo quando elas cabem muito bem também não é um comportamento automático um tanto clichê? Ah, não, não vou entrar nessa filosofia de boteco. :P

      • http://danillonunes.net/ Danillo Nunes

        E será que sempre deixar de usar respostas automáticas mesmo quando elas cabem muito bem também não é um comportamento automático um tanto clichê? Ah, não, não vou entrar nessa filosofia de boteco. :P

  • http://www.umpapolivre.com Paulo Roberto

    “Clichês são as frases dos outros que você usa por preguiça de pensar por conta própria.”

    Nuna tinha pensado nisso. Pelo visto faço parte das estatísticas.

    • http://bakablues.wordpress.com/ Igor Niemeyer

      Ah cara, todos falamos clichês, todos agimos clichês, todos somos clichês. Acho dificil fugirmos disso. Mas acredito em diminuir :D
      (nada como falar: “é pavê ou pra comer?” kkkkkkkkkk)

  • http://twitter.com/edmsantiago Edmundo Santiago

    Tenho uma visão diferente sobre clichês. Acho que eles são subestimados.

    Clichês são ferramentas. Facilitadores sociais. São chaves universais, abrindo portas do entendimento.

    Num filme, a imagem de uma estante cheia de livros antigos com um senhor de blazer marrom a sua frente me permite não ter que explicar seja lá o que ele estiver dizendo, pois o clichê sussurra q ele é o especialista.

    Num elevador, falar sobre o clima permite ao sujeito demonstrar que, embora não tenha nada para conversar, quer deixar o ambiente amistoso, já que é obrigado a invadir o espaço vital do outro.

    Da mesma forma, falar sobre futebol com o taxista é uma tentativa desesperada de dizer “Não sei o caminho, mas sou um cara legal. Por favor, não tente me enrolar…”

    Penso ainda que existem raras pessoas que conseguem usar os clichês com talento. São aquelas que, aonde vão, conseguem conhecer e cativar todos os outros, sem que nenhuma lembrança de alguma conversa resista ao dia seguinte.

    O clichê pode ser um meio. Só é ruim quando é o próprio fim.

  • http://www.facebook.com/fredericofagundes Fred Fagundes

    Por isso o título e o paradoxo, Pepe já tirei a vela.

  • http://www.facebook.com/killersandro Sandro Guedes de Souza

    Concordo com o Edmundo, lá em cima: Os clihcês são subestimados.

    Todo mundo quer fugir dos clihchês, quando na verdade ser clihcê pode lhe abrir muitas portas, algumas das quais não são assim tão…chiclê.

    Ao reclamar da narração do Galvão em um boteco, posso fazer bons amigos. Ao falar do clima com uma moça qualquer, posso enganchar outro assunto que vá me levar a lugares inesperados (entre as pernas dela, talvez). E por ai vai.

    Enquanto alguns deveriam se desapegar dos clichês, outros deveriam simplesmente parar fugir deles.

    Pode isso, Arnaldo?

  • Victor

    Sou um cara avesso ao clichê, e pago um preço alto por isso. As pessoas têm a tendência a menosprezar e a ver com antipatia quem não cabe numa definição simples. “Ser” clichê é pertencer a um estereótipo batido e simples (playboy, nerd, metaleiro, funkeiro) e via de regra a pessoa que se identifica com um grupo acaba se sentindo forçada a “pensar” como as pessoas daquele grupo. Acho hilário essas tendências políticas (quer sejam da esquerda defendendo o marxismo jurássico ou da direita defendendo o fim de todas as regulamentações de mercado, mesmo depois da catástrofe de 2008) e os argumentos ultra elaborados forjados pra defender uma opção que no fundo tem muito mais a ver com personalidade do que com fatos históricos.

    Tem uma frase de Jung que acho muito apropriada para este texto: “Todos nascemos originais, mas morremos cópias”.

    Excelente texto autor, parabéns pela concisão e precisão, não é pra qualquer um… Acho um clichê horrível escrever de forma rebuscada pra amenizar o fato de não se ter uma ideia decente por trás, um texto lindo na forma mas absolutamente vazio de conteúdo…

  • http://danillonunes.net/ Danillo Nunes

    “Mas é pavê ou pra levar pra casa?” :)

  • http://danillonunes.net/ Danillo Nunes

    “Mas é pavê ou pra levar pra casa?” :)

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