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em às | PdH Shots
Não apenas a imprensa, a mídia, mas também o universo corporativo, sempre fascinado por baboseiras new age, são alvo da crítica do diretor estreante (e jornalista) Ricardo Kauffman, em O abraço corporativo (2009), filme absolutamente necessário para todos nós.
Em 2006, um tal de Ary Itnem (“mentira”, ao contrário) Whitacker saiu pedindo abraços na Av. Paulista, filmou a ação e recebeu mais de 700.000 visualizações no YouTube.
Link YouTube | Vídeo que deu início à pegadinha. Lembram?
Em várias entrevistas, ele se apresentou como consultor de RH e representante brasileiro da Confraria Britânica do Abraço Corporativo, organização fictícia. A mídia caiu, claro. Ele saiu na TV, em programas de rádio (entrevistado pelo Heródoto Barbeiro na CBN), revistas, jornais… Leia a matéria publicada na época no O Globo. Hilário.
As empresas também caíram. Pagaram por palestras e juntaram os funcionários para se abraçarem diante de um ator com slides de Powerpoint e uma teoria furada, com foco em combater a “inércia do afastamento” e aumentar a produtividade nas empresas.
Todo mundo adora um bom charlatão com saídas fáceis. Lembro também do pseudo-guru que enganou o Jô Soares (as duas entrevistas estão no YouTube) e ganhou diversos adeptos do dia pra noite. ;-)
Ricardo Kauffman – que, além do sobrenome, deve ter uma mente parecida com a de Andy Kaufman – filmou toda a encenação e produziu um filme com depoimentos de Thomaz Wood Jr, Mauro Wilton de Souza, Juca Kfouri, Luiz Roberto Serrano, Yuri Firmeza, Ricardo Resende, Bob Fernandes, Eugênio Bucci, Jorge da Cunha Lima, Cláudio Lembo, Manuel Chaparro, Contardo Calligaris, Heródoto Barbeiro, João Sayad e Rui Cavalheiro.
Qualquer um poderia ter descoberto a farsa. Bastaria ir ao cartório de registro de notas de São Paulo para encontrar uma declaração do próprio diretor explicando que tudo não passa de uma encenação para testar se a imprensa realmente checa os fatos. Ninguém chegou a esse ponto. ;-)
Link YouTube | Trailer
Depois de participar da 33ª Mostra Internacional de Cinema, o filme entrou em cartaz em São Paulo apenas no Belas Artes (no RJ nada, deixo para os leitores informarem sobre outros Estados). Triste.
Quase professor de TaKeTiNa, baterista sem bateria, meditante que não medita, ex-bolsista de dança de salão, ex-estudante de filosofia e ex-solteiro. É editor do PapodeHomem, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e caseiro da Cabana PdH. No Twitter: @gustavogitti.
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