A professora da quarta série uma vez disse que sua redação sobre as férias estava legal e você acreditou. Por isso, você se acha saco-roxo o bastante para colocar seus dotes na escrita à prova dos leitores PdH. Apoiamos isso! Estamos aqui de coração e Word abertos para receber suas peripécias literárias. Mas antes de qualquer coisa, há alguns pontos que você deve considerar.
1.1. Pense duas, três, sete vezes antes de escrever sobre sexo e relacionamentos.
Esse é o tema mais batido do mundo. Todo mundo tem suas experiências e, por isso, pode pensar ser expert no assunto. Só vamos publicar se for realmente um texto matador, fora do comum e inédito, que levante pontos que nunca pensamos antes. E, por favor, não somos fórum da Penthouse: não estamos interessados em simples relatos sexuais. Quando falamos de sexo, é sempre em função de algo que vai além de mera descrição de peripécias sexuais.
Alguns exemplos: “Garotas assistem filme pornô?”, “Um ano sem sexo”, “A mulher que gozou fazendo um boquete e mais nada”, “Sem tirar: como emendar quase todas as posições sexuais“.
1.2. Pense oito, dez, quinze vezes antes de escrever textos autoajuda
Por favor, tenha fé nos nossos leitores. Nós temos. Não mande textos dizendo aquelas verdades mornas que todo mundo sabe – temos que aproveitar a vida, ser mais honestos, etc. Pior ainda é repetir esses truísmos como se fossem a grande descoberta filosófica do século. Ok, você tem dezoito anos, descobriu agora que a vida pode ser independente, se empolgou e escreveu uma redação fofa, mas confie em nós: bilhões de pessoas, desde o início dos tempos, já tiveram dezoito anos. O leitor PapodeHomem já sabe tudo isso. Seu texto deve ir além das platitudes e falar algo original, ousado, que não esconda suas merdas, confusões, por trás de um discurso bonzinho. Seja cético consigo mesmo.
Mais importante: evite os imperativos cheios de regras sobre como viver. Se o seu texto está cheio de “faça”, “seja”, “tenha”, talvez você devesse se perguntar o seguinte: será que o mundo seria mesmo um lugar melhor se todo mundo agisse como você? O discurso imperativo, como você pode perceber agora, nos afasta dos leitores.
1.3. Pense quarenta, oitenta, cem vezes antes de escrever textos de ficção
Escrever ficção é uma coisa muito, muito difícil. No PdH, nossa especialidade são matérias e artigos de não-ficção. Até publicamos ficção, mas só quando são textos matadores, originais, descaralhantes, e que tenham muito a ver com a gente e com a nossa linha editorial. Por favor, não nos mande aquele conto ou poema que está há meses na sua gaveta.
Regra geral: em sua primeira colaboração para nós, evite ao máximo escrever sobre sexo ou relacionamentos, contos de ficção em geral, e textos de auto-ajuda.
1.4. Não espere por grana, mas prepare-se para se surpreender
O PdH não paga por textos. O motivo é simples: publica quem tem tesão por escrever, que viveu, pensou, agiu e quer abrir uma mesa de papo com os leitores PdH. Já experimentamos pagar os autores e a relação se tornou estritamente comercial, sem paixão. Então, ao enviar seu texto para nós, você está concordando que publiquemos seu texto de graça. Entretanto, você pode se surpreender. Muitas vezes, caso a gente encontre um patrocinador para seu texto, você pode ganhar uma graninha.
1.5. Seja um leitor foda
Nossos autores têm algo em comum: todos são leitores do PdH. Conhecem como poucos os temas que entram, como entram, por que entram. Portanto, antes de qualquer coisa, leia muito nossos textos. Tente captar o clima. Saque a linguagem. Veja o tipo de material que publicamos – e, mais importante, o tipo de material que não publicamos.
Sugestão: escolha aleatoriamente cinco textos e leia. Não como quem lê aquele livro didático chato pra caralho sobre a Guerra dos Farrapos, mas sim com vontade, com curiosidade. Depois de ler os cinco textos, escolha outros cinco – há mais de 2.000 à disposição.
1.6. Pense em um assunto foda
Agora você já sabe o que o PdH publica. O primeiro passo para escrever é saber sobre o quê. Para definir sua pauta, pense em algo com o qual tem intimidade. É o melhor conselho para quem quer emplacar um texto matador no PdH. Neste ponto, ajudam suas experiências pessoais e profissionais, seu background. Traduzindo: algum tipo de vivência sólida, ortodoxa ou não. Por exemplo, um médico terá mais autoridade e intimidade para falar sobre o hábito dos colegas de hospital saírem à rua com seus jalecos e um ex-barman é o autor mais indicado para um texto sobre blends.
Pense em suas habilidades, em assuntos com os quais se relaciona mais visceralmente. Imagine um advogado que anda de skate enquanto curte rap angolano e que tem um relacionamento aberto com uma garota bissexual. Ele pode escrever, por exemplo, sobre: a) desafios do judiciário no século XXI, b) o skate como forma de socializar diferentes classes sociais, c) influências entre o rap nacional e o rap gringo, d) por que abrir um namoro é a melhor opção para um relacionamento, e e) o paraíso de ter uma namorada que curte garotas. Pense em todos os papeis que você desempenha no mundo e quais assuntos domina.
1.7. Mude o mundo
Estamos no negócio de transformar a vida do leitor – ou melhor, dar ferramentas e abrir espaço para que ele avance. O elemento em comum entre os melhores posts do PdH é o desejo de colaborar em nossa formação. Queremos que, ao fim do texto, os leitores sejam homens e mulheres mais completos. São textos que, de um modo ou de outro, mudam a vida do leitor, ensinam alguma coisa, empurram, desafiam, cutucam, provocam, iluminam, resultam em algum impacto, questionamento, movimento, ação.
A pergunta que você sempre deve se fazer é: “Como esse texto vai movimentar os leitores PdH?”.
Publicamos todos os temas e todos os estilos – só exigimos que o texto seja foderoso, matador, impactante. Pode ser ensaio, relato pessoal, resenha de livro, filme, peça ou game, denúncia, comentário do noticiário, crônica, perfil ou entrevista com uma pessoa interessante, tudo. Independente do gênero do texto, é preciso ficar atento a algumas bombas que podem foder com o seu trabalho.
2.1. Eleve seu leitor
Escreva para um leitor tão ou mais inteligente que você. Jogue a bola lá em cima.
2.2. Senso comum
Se todo mundo está elogiando um filme ou criticando um político, nós não vamos publicar um texto falando mais do mesmo. Além disso, se tomarmos a ideia de que colaboramos na formação dos nossos leitores, não podemos ecoar o que eles encontram por aí. Ou você tem uma coisa original, matadora, diferente, interessante para dizer, ou é melhor não dizer nada.
Desvie do óbvio. Pense o oposto do resto. Um exemplo: todo mundo prega que devemos ser mais eficientes, que não temos tempo para nada, que o mundo corre mais rápido. Para contrapor esta ideia, escrevemos sobre como a tentativa de não perder tempo é uma perda de tempo. Outro exemplo: os homens comumente categorizam as mulheres entre “esta dá na primeira noite” e “esta é para casar”. Então, publicamos “Mulher que dá na primeira noite… essa é pra casar”.
2.3. Vícios de linguagem
A grande maioria dos editores têm vontade de cometer suicídio quando leem redundâncias como “a grande maioria”. Entretanto, porém, há aqueles que, antes de cometerem suicídio, matariam o autor, se fosse possível, quando esbarram, mesmo sem querer, em trechos curtos como este com, pasmem, dez vírgulas truncando o meio de campo. E quando encontram sentenças que começam com “entretanto, porém”. Escreva de maneira limpa.
Aqui vale uma observação, um alerta ou uma constatação. Os autores, colaboradores e ficcionistas têm mania de escrever artigos, relatos e crônicas usando a regra de três. Ou seja, sempre elencando três itens. Como eu fiz três vezes neste trecho curto. Evite.
2.4. Repetições de palavras
Esta é uma falha comum nos textos. Textos que repetem palavras no decorrer do texto. Principalmente em textos curtos. Isso prejudica o texto. Não faça isso no seu texto.
2.5. “Achismos”
Em cada 10 textos recebidos, sete têm “achismos” – informações que não são sólidas. Dizer que “as mulheres procuram homens ricos para casar” sem nada que sirva de alicerce para a afirmação é algo arriscado. Nossos leitores são realmente inteligentes e não engolem uma opinião avulsa. Se disser algo, sustente suas palavras com dados ou com ponderações incontestáveis.
2.6. Firula
Antes de começar o texto, fisgue o leitor logo nas primeiras frases, diga a que veio, explicite a abordagem e o conteúdo. Quanto mais original for esse gancho, melhor.
Se você ler o PdH, vai reparar que todo texto sempre começa com duas ou três linhas que resumem, de forma direta e concisa, o tema geral. Apesar disso, invariavelmente, temos que cortar os primeiros e últimos parágrafos de mais ou menos metade dos textos que recebemos. Quase sempre, os textos começam assim:
“Oi. Meu nome é Dimitri. Eu sou da Rússia e sempre quis escrever para o Papo de Homem. Vocês são o máximo. Enfim, outro dia, eu estava na fila do pão aqui em Moscou e vi uma mulher muito gostosa e tive uma ideia. Quem sou eu pra falar, claro! Não sou expert no assunto. Sou só um amador escrevendo. Então, não liguem se minha ideia for ruim! Mas o que pensei foi: o que aconteceria se, de repente, todas as mulheres gostosas parassem de dar pros malas que trazem violão pras festinhas?”
Naturalmente, toda essa encheção de saco (não estamos zoando, metade dos textos que recebemos começa assim) é cortada e acaba ficando: “E se todas as mulheres gostosas não dessem mais pro mala do violão?”.
O pior disso é o seguinte: quando a gente vê que o texto já começa assim, ninguém quer pegar, e ele acaba caindo na mão do infeliz que faltou ao trabalho nesse dia: “Beleza, Jader? Foi boa sua consulta no dentista? Ah, que legal! Olha, tem um texto novo do Dimitri pra você editar!”.
Falem o que querem dizer e pronto! Mandem a real, sem rodeios e sem firulas. Isso vale para o decorrer do texto. Desenvolva sua ideia – e tome o tempo necessário para isso, nada além. Seja preciso. Faça de seu texto um percurso. Tenha um bom convite inicial. Estruture bem o texto pensando na experiência de leitura. Pegue na mão do leitor e leve-o para algum lugar. Gesticule. Pense no que seus colegas de mesa podem comentar e já pré-responda eventuais dúvidas.
2.7. “Wikipedização”
Os textos do PdH são assinados e altamente pessoais. Se o seu texto sobre kart poderia estar no verbete da Wikipédia sobre kart, então está errado.
Fale de sua experiência. Quem é você? Qual é a sua história pessoal em relação ao tema? Como isso é relevante para o nosso leitor?
2.8. Originalidade e exclusividade
O PdH não é ferro-velho nem local de desova de textos-presunto. Se o texto já apareceu em outro lugar, desista. No máximo, se for muito, muito bom, talvez a gente publique um artigo expandindo e desenvolvendo a ideia original. Tentar empurrar um texto requentado como se fosse inédito é pior do que bater na mãe por conta de mistura. E pode te colocar na nossa lista negra.
Do mesmo modo, depois da publicação, não replique o conteúdo. Apenas linke o original.
2.9. Vida real
Seja prático. Trabalhe com a vida real, esclareça conceitos complexos, dê exemplos, forneça estratégias acionáveis.
2.10. Além do texto
Pense em como produzir um vídeo, faça uma pesquisa, entreviste algum especialista, proponha um experimento, movimente as pessoas, grave algo em áudio… Pense em um conteúdo que não se resuma a um post.
3.1. Releia e corrija; depois releia e corrija de novo
Tivemos um potencial colaborador que nos disse: “Eu não corrijo nem releio meus textos porque quero preservar aquele momento mágico da inspiração; o texto fluiu de mim assim!” E respondemos: “Colega, o que flui de você é urina. Escrever dá trabalho.”
Leia e releia sua colaboração exaustivamente. Utilize um programa de edição de texto já adaptado à nova ortografia e faça as correções necessárias. (Você também pode baixar o Vero para Firefox: http://www.broffice.org/verortografico/baixar) Preste atenção às enrolações. Depois, leia e releia de novo.
Releia cortando absolutamente tudo o que não for essencial: ideias duplicadas, palavras muito repetidas, argumentos que saem do foco, adjetivos excessivos, argumentos preconceituosos. Seja objetivo. A cada frase, vá direto ao ponto. Economize o tempo dos leitores.
Não presuma que seu leitor vai entender do seu assunto – se o texto é sobre culinária, mostre para um amigo que não saca nada de culinária. Ele entendeu? Ele gostou? Um texto sobre culinária precisa ser legal até para quem não conhece o tema.
3.2. Linke e dê créditos
Se citar um número, dado ou informação, dê sempre o link. Se você diz que o brasileiro médio lê 4,7 livros por habitante, o leitor deve poder clicar em algum link e confirmar esse dado. Para facilitar a edição, deixe as URLs dos links no próprio corpo do texto, entre colchetes, sem linkar. Em caso de informação off-line, cite o livro. Se incluir imagem, dê crédito. Sempre inclua links para textos relacionados e interessantes ao seu tema.
3.3. Título, porra!
É muito comum o envio de textos sem nome. Um bom título faz parte do texto e às vezes até altera o direcionamento e abordagem do discurso.
3.2. Mande para o canal certo
De preferência, preferimos que o texto seja enviado já no corpo do e-mail, com as imagens (se houver) anexadas. Os trabalhos devem ser enviados para novosautores@papodehomem.com.br. Não se esqueça de colocar também uma minibiografia sua (de uns 400 caracteres) e anexar uma foto de rosto para sua assinatura. Dê um passeio pelos posts do PdH e veja as assinaturas como modelos.
3.3. Tenha paciência
Acredite se quiser, mas nós de fato temos muito o que fazer. Não soa um alarme na redação dizendo “Caralho, parem tudo, chegou um post do Dimitri, façam um círculo que eu vou ler em voz alta pra vocês”. Os posts (especialmente de novos autores) chegam e são colocados em uma fila de leitura para serem então lidos e avaliados na ordem em que chegaram. O Dimitri, por exemplo, ficou seis meses na nossa lista negra por ter escrito no dia seguinte para perguntar: “E aí, leram meu texto? Aquele que eu mandei ontem?”
Entretanto, recebemos uma quantidade avassaladora de emails e alguns textos sim, infelizmente, caem no buraco negro e desaparecem. Se não houver resposta em até um mês, aí sim fique a vontade de nos escrever e vamos catar seu texto aqui no maelstrom das colaborações perdidas. E pedimos muitas desculpas.
Nota: caso seu texto seja urgente – comentário de algo que acabou de acontecer, por exemplo – avise “Urgente” no tema no e-mail e vamos te passar na frente da fila de leitura. Entretanto, se você fizer isso e seu post não for de fato urgente, puxa, vai pegar mal demais, viu?
Algum de nossos editores vai confirmar o recebimento em até 24 horas. Ele vai repassar o texto a outro editor – para dividirmos os artigos igualmente entre o time – e, então, em uma semana, o editor responsável pelo texto deve responder confirmando ou rejeitando a submissão.
4.1. Interaja
O mais difícil você já conseguiu: publicar seu texto no PdH. Mas nem por isso o seu trabalho está acabado. Afinal, agora é a hora de recebermos um zilhão de comentários dos leitores – alguns contentes, outros nem tanto. Para manter um debate saudável, é imprescindível que você acompanhe as discussões nos comentários e interaja com o pessoal. Siga os seguintes passos:
4.2. Comece tudo de novo
Você gostou de ver seu texto e sua cara no PdH e quer repetir a dose. Mesmo que você não seja mais um novo autor, as regras acima ainda se aplicam. Com uma exceção: como você já perdeu sua virgindade aqui, pode mandar novos textos para posts@papodehomem.com.br. O tratamento será o mesmo, mas apenas saberemos que você já passou pelo PdH e não terá de ser cadastrado como novo colaborador, fazer assinatura etc.
Esperamos que a sua professora da quarta série tenha razão. Boa sorte!
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