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em às | Artigos e ensaios, Cabana no PdH, Chivas, Mecenas, Mente e atitude
Amigos, “bróders”, primos, pais, filhos, colegas de trabalho, sócios, recém conhecidos, não importa: o fato é que quase não usamos nossas relações para melhorar nossa vida. Não demora para todos aceitarem nossos hábitos negativos e às vezes até reificarem obstáculos em apelidos e identidades aparentemente sólidas.
Para ajudar a transformar esse processo, vou descrever três entraves muito comuns em nossa cultura (privacidade, proximidade, respeito excessivo), apontar o poder de um grupo de homens que desejam avançar e enfim sugerir a prática do desafio.

Você também enxerga seus amigos com legendas condicionadas?
Você chega em casa, portas e janelas fechadas, ninguém olhando. O computador parece convidar: “Venha trabalhar em mim ou, se quiser, abra aquele site”. Você se resolve primeiro e depois começa o que tem de ser feito. Já que ninguém está por perto, você se acaba roendo unhas diante de tantos emails. No dia seguinte, fica dormindo das 7h30 às 9h35 colocando mais 15 minutos no despertador do celular.
O solo da privacidade é perfeito para a proliferação de maus hábitos.
Semana passada, ouvi o filósofo Alain de Botton dizendo que hoje nos aproximamos por gostos e mundos em comum. Gostamos de quem é parecido conosco. As redes sociais são uma prova desse autocentramento. Porém, tal cultura da proximidade impede que nossos hábitos negativos sejam atacados. Se você é um publicitário que trabalha 12 horas ao lado de outros publicitários que trabalham 12 horas, dificilmente um de vocês vai chegar com os dois pés no peito dizendo “O que estamos fazendo de nossas vidas?”.
Botton propõe que aprendamos a nos unir por outras razões que não preferências em comum. Caso contrário, nunca teremos um contato genuíno com a alteridade, com o outro, com o estrangeiro que poderá apontar os limites da nossa realidade circundante.
Nós compramos facilmente a solidez das festas, sorrisos e eventos bacanas no Facebook. Parece que estão todos bem, felizes, curtindo a vida, satisfeitos. Nos becos, no subsolo da vida, psicólogos, padres, cobradores de ônibus, taxistas, prostitutas, lamas e xamãs sabem que não é bem assim.
Porém, nós não somos céticos, interessados, curiosos o suficiente para perceber que estamos todos igualmente fodidos.
Deixamos os outros em paz para sermos deixados em paz. Em paz com nossas aflições, enganos, crenças, fracassos, tiques nervosos, padrões destrutivos.

André Dahmer já alertou: nossos amigos talvez estejam vivendo tragédias não noticiadas
“Confesse suas falhas ocultas.
Aproxime-se daquilo que acha repulsivo.
Ajude aqueles que você acredita não poder ajudar.
Qualquer coisa a que você esteja fixado, deixe ir.
Vá para os locais que o assustam.”
(Conselho do professor de Machik Labdrön, iogue tibetana do século XI)
Nós fugimos o tempo todo das áreas que não dominamos, dos mundos nos quais nos sentimos desconfortáveis, dos locais que nos assustam, das situações que não podemos controlar, de tudo aquilo que evidencie nossos obstáculos e coloque em cheque nossas certezas.
Sem alguém para nos empurrar ao abismo, sem alguém para apontar ansiedades, apegos, aflições, medos, orgulhos, preguiças, sem ajuda genuína, dificilmente vamos conseguir andar melhor.
Precisamos de alguém para nos acordar naquele momento de conforto, sonolência ou desatenção que sempre nos leva a um forte sofrimento alguns meses depois? Precisamos ouvir um “Cara, olhe para sua vida, acorda! Está mesmo satisfeito com isso?”.
Precisamos. Então nada melhor do que começar a oferecer! Se somos a média das pessoas com quem mais convivemos, mais do que trocar as relações, podemos ajudar as pessoas com quem já temos contato. Assim que os outros ao nosso redor melhorarem, nós viveremos mais relaxados, destemidos, criativos, abertos, alegres. A transformação dos outros é inseparável da nossa.
Olhe bem para a vida de todos os seus amigos. Reconheça onde eles estão, suas riquezas e qualidades. Ao mesmo tempo, atente para névoas de confusão, percursos interrompidos, áreas de insatisfação, oscilações de ânimo. Visualize como ele poderia ser melhor e ajude-o a avançar, ampliar sua visão, estabilizar sua mente, ativar seu corpo, melhorar suas relações, fazer algo decente com a própria vida.
Sem julgar ou se colocar como superior, mesmo sem saber respostas e saídas, insista, diga o que precisa ser dito, arraste-o para onde ele precisa ir, coloque-o contra a parede, teste seus limites, pregue peças, pergunte.
Cutuque seus amigos a cada momento que eles não forem autênticos, que eles estiverem sendo pouco, fazendo menos, não vivendo no limite. Não compre suas justificativas, desculpas, culpas, draminhas, desvios de olhar. Não faça cafuné. Mande a real e não aceite nada menos do que uma atitude ponta firme, livre de bobagens e mediocridades.
Quando desafiamos nossos amigos, pelos menos três coisas acontecem conosco:

Roube e catalogue as muletas dos seus amigos
“A capacidade de um homem de aceitar a crítica direta de outro homem é a medida de sua capacidade de receber energia masculina. Se ele não tem um bom relacionamento com a energia masculina (com seu pai, por exemplo), ele vai [...] se sentir ferido ou na defensiva ao invés de fazer uso da crítica de outros homens.
Cerca de uma vez por semana, você deveria se reunir com seus amigos mais próximos e discutir o que você está fazendo em sua vida e o que você está com medo de fazer. Essa conversa deve ser curta e simples. Você deve dizer onde você está. Então, seus amigos devem lhe dar um experimento comportamental, algo que você possa fazer que vai lhe revelar algo, ou garantir mais liberdade em sua vida. [...]
Seus amigos mais próximos devem estar dispostos a desafiar sua mediocridade sugerindo uma ação concreta que você pode fazer para tirá-lo da sua rotina. E você deve estar disposto a oferecer sua brutal honestidade, da mesma forma, se vocês todos pretendem crescer. Bons amigos não devem tolerar mediocridade uns dos outros. [...]
Sem essa força masculina em sua vida, seu direcionamento se torna descontrolado, e você está sujeito a se desviar na bagunça de sua própria ambiguidade e indecisão. [...]
Escolha amigos que estão, eles próprios, vivendo em seus limites, enfrentando seus medos e vivendo um pouco além deles. Homens deste tipo podem lhe amar sem protegê-lo dos confrontos necessários com a realidade da sua vida. Você deve ser capaz de poder confiar que esses amigos vão lhe falar sobre sua vida do modo que eles veem, oferecer a você uma ação específica que vai iluminar sua própria posição, e dar o suporte necessário para que você viva logo além de seu limite, que não é sempre, ou quase nunca, confortável.”
–David Deida
Esse pequeno trecho de The way of the superior man (livro traduzido na íntegra pelos cabaneiros) resume bem um dos aspectos da Cabana PdH, dojo de crescimento pessoal. Além de “Desafie seus amigos” ser uma das práticas de nosso treinamento, além de uma área dedicada exclusivamente para homens que desejam desafiar e serem desafiados, a linguagem do desafio constante está por trás de nossos olhos em todo o espaço da Cabana, tanto nas interações online quanto nas presenciais, cada vez mais frequentes por todo o Brasil.
Se um cara diz que mora com os pais, recebe na hora quase que um ultimato. Os casamentos encantados para toda a eternidade sempre tem gente à espreita. Sentidos e motivações são questionados o tempo todo. A dinâmica do couchsurfing é usada para invasão de rotinas: um obriga o outro a acordar cedo, comer bem, se exercitar… Eu mesmo fui desafiado a renovar logo minha carteira de motorista (como não cumpri o prazo, vieram tirar minha barba).
Tal atitude de desafio acaba se desdobrando para toda a vida, até mesmo para nossos relacionamentos com mulheres e principalmente para nós mesmos. De tanto receber desafios, ganhamos confiança para nos desafiar. Fica mais fácil admitir nossas fragilidades e trucar o ciúme, a raiva, a preguiça, a hesitação.
Deixe um comentário contando como já foi desafiado ou já desafiou um amigo. Melhor: diga qual amigo pretende desafiar (como e por quê) e em que pontos da sua vida você gostaria de ser desafiado. Tomara que alguém leia e o empurre.
Eu já adianto que estou com 4 desafios nas costas: sentar em silêncio todo dia, fazer musculação, renovar a CNH e começar a cozinhar em casa. E hoje vou desafiar um grande amigo que está reclamando de ausência de vida social. Ele terá duas semanas para levar a mulher a um restaurante bacanudo e, em outra noite, se encontrar com pelo menos seis amigos num bar.
Quem não tem uma bela história com seus amigos? Assista abaixo ao trailer de dois curtas produzidos por Chivas sobre a verdadeira amizade. Para ver os curtas completos, clique aqui.
Link YouTube | “Um brinde ao Tinkle”. Já em cartaz!
Conheça “A Verdadeira Amizade”, homenagem de Chivas aos bons amigos que não deixam de compartilhar e festejar os melhores momentos com a melhor das bebidas.
O filme completo e outros vídeos estão disponíveis on-line.
P.S.: Tiro meu chapéu para a Chivas por ter topado apoiar quatro textos como esse em vez de exigir um conteúdo relacionado diretamente à marca. Trabalhamos diariamente com isso e sabemos que é uma postura raríssima.
Professor de TaKeTiNa, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e coordenador dO LUGAR (ex-Cabana). Interessado na transformação causada pelo ritmo e pelo silêncio. | www.gustavogitti.com
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