Como e por que escrevo | WTF #16

Eduardo Pinheiro

por
em às | Artigos e ensaios, WTF


Nunca começo com uma página em branco. Escrever envolve tudo que penso ou faço, cada conversa que tenho e, principalmente, a hora do banho ou da caminhada. Ao mesmo tempo em que é um processo criativo e espontâneo, e que utiliza tudo que se apresenta sem grande interferência ou “pesquisa” deliberada, um método particular se mostra, talvez por isso mesmo, necessário.

O método inclui principalmente a tomada de notas e a classificação contínua de informações — não de algo que se pode encontrar na Wikipédia ou de forma geral no Google, ou de informações quaisquer –, mas de “coisas a olhar com atenção”. Isso depura o olhar, e a relação com o mundo naturalmente integra a cultura, a expressão e a vida pessoal como uma Rede de Indra, cada parte espelhando todas as outras em supersimetria fractal.

A rede de Indra

Com o tempo, grupelhos de ideias de formam e nasce então um texto.

Num dado momento ele pode ou não passar à fase de composição, onde essa estrutura ganha vida. Ela às vezes leva literalmente anos para chegar onde chegou, sendo montada e complementada por todos os inputs, seja por leitura ou qualquer contato cultural que porventura se estabeleça, sem falar de inferências e experiências próprias minhas.

Embora ocasionalmente eu chegue a conclusões relativamente robustas — nunca totalmente irrefutáveis, mas de que dá para ter boas dúvidas se haverá refutação — minhas discussões dificilmente acabam, as tenha com outros ou as tenha comigo mesmo. Novas formas de encarar o problema, exemplos, experimentos de pensamento e mudanças sutis no vocabulário empregado e no espectro semântico nunca param de ocorrer.

Os labirintos bizantinos de sentido e expressão sucessivamente passando da reificação para a fluidez da dúvida, e de volta para algum nível de reificação rearranjados. Há uma estética na composição textual de qualidade que é matemática e poética simultaneamente, ondas de significados marmorizados em sentenças cheias de metáforas, analogias, imagens e lógica.

Algumas vezes percebo que os debates que meus textos causam (desde que comecei escrevendo nas BBSs, antes da Internet) estão muito mais ligados, ironicamente, ao fato de surgirem tão armadilhados e já provocadores: o efeito da coação intelectual não é agradável. Cogência normalmente é vivenciada como coação, e, aliás, é psicologicamente normal se achar vítima de uma violência ao reconhecer a derrota por meio de argumentos (a maioria das pessoas, inclusive eu, não assume, ou leva um bom tempo para assumir uma derrota desse tipo).

Creio que tinha um pouco menos de 30 anos quando eu, pela primeira vez, acedi a uma derrota num argumento. Somos todos naturalmente turrões no que diz respeito a reconhecer erros, particularmente os intelectuais, e particularmente depois que nossas emoções foram convocadas.

Garry Kasparov, o primeiro campeão mundial de xadrez a perder uma partida para um computador, em 1997

O leitor que se engaja muitas vezes passa a estudar meu texto como a Estrela da Morte, acreditando que ele possua um óbvio, ainda que difícil de atingir, ponto fraco. Pode até ser que tenha, mas o fato é que normalmente me desaponto com as inúmeras coisas ignoradas no ataque, e basicamente “discutir” se torna explicar o texto repetidas vezes.

Não que algumas revisões e ideias para fortalecer o argumento não surjam nesse processo, e um texto nunca é “definitivo” — todos os textos que escrevi e mantenho no computador, desde 1993, são naturalmente revisados todas às vezes que abro algum deles –, mas é extremamente raro encontrar um interlocutor que me faça parar e pensar “esse flanco eu não tinha protegido, como é que eu desarmo isso”, ou menos ainda “será mesmo possível achar uma saída?”.

Normalmente a resposta não leva mais que uns segundos para ser formulada e escrita. O bom texto é agônico e sedutor simultaneamente, queremos refutá-lo porque nos fascina, e vice-versa.

A orientação normal para quem escreve é pensar seu público alvo, visualizar seu leitor. A crítica mais usual a meus textos é que eles são desnecessariamente complexos, às vezes prolixos. O problema é que não tenho interesse em fomentar uma audiência de simplórios, ainda que os ditames comerciais (tenho vontade de rir nervosamente ao escrever isso, porque é uma realidade para qualquer um que lide com um editor e queira ganhar a vida, ainda que parcialmente, com o que escreve) nos levem a escrever para alcançar o maior público possível, e é fato que esse público mais amplo, quando lê, não quer parar para pensar ou pesquisar uma ideia nova a que é exposto.

Normalmente ele quer ler o vocabulário que já conhece, com argumentos que já conhece e, de preferência, o confortando dizendo o que ele já sabe. Algumas vezes textos “tapa na cara” funcionam, mas mesmo nestes casos, o que se vê é o “tapa na cara que se quer levar”, textos que funcionam apertando os botões que já estamos cansados de saber precisam ser apertados, e que no mais das vezes, apenas nos reconfortam no conformismo de que algo está sendo feito: afinal alguém já escreveu, e estamos lendo — mas na verdade nada, além de justificar nossa permanência numa zona de conforto, mesmo quando supostamente a desafia, foi realizado.

Queremos simulacros de epifania, como fast food intelectual. Epifanias de verdade são raras e não são fáceis em qualquer dimensão.

Quanto a eu ser prolixo, aceito essa crítica. É muito mais fácil adicionar texto do que retirar. Ainda assim, minha tendência é pensar um pouco como programador.

Mapas mentais são uma das ferramentas/métodos possíveis (clique na imagem pra ver maior)

Num texto recente tomei o cuidado de qualificar duas palavras com complementos e realmente parei para pensar que se não usasse esses termos, estaria sendo leviano e seria criticado. Mesmo assim, como se tivessem pulado totalmente meus complementos, duas pessoas levantaram as exatas críticas que eu tomei particular cuidado de evitar. Isso não acontece quando programamos, o oposto é mais comum: você erra a sintaxe ou comete algum outro erro e o computador avisa. O “compilador” humano é tão passível de erros quanto o programador, coisa que não acontece tão frequentemente na máquina (ocasionalmente há um erro no compilador!).

Há algumas semelhanças entre escrever argumentos e programar. Há muitas formas de representar um problema e as soluções são também múltiplas. Ao escrever temos que ter cuidado de ter “carregado as bibliotecas”, pelo menos mencionando como estamos usando certos termos, caso contrário o leitor nos refuta pelo simples fato de não saber bem de onde vem nossa terminologia e o quanto ela é respaldada por uma comunidade particular.

Além disso, podemos indicar brevemente velhos argumentos já bem conhecidos, mas os leitores em geral precisam retomá-los. Não podemos assumir que eles sejam conhecidos, mas podemos ser bem breves quando problemas velhos, particularmente problemas sem solução há milênios, estão em jogo. Nesse caso deveria bastar dar o nome do problema.

O problema é que não somos educados, mundialmente falando, mas também em particular no Brasil, para apreciar os elementos retóricos e lógicos de um texto. Emoções e raciocínio, num bom texto, são sempre combinadas para produzir um efeito sinergético. Em nossa cultura, a maioria dos textos que lemos, talvez a maior parte de nossas comunicações interpessoais, simula textos publicitários e de troca comercial: tratam-se de retórica grudenta e leve, com uma mensagem subjacente, ou de venda, no caso de um texto não explicitamente publicitário, que diz apenas algo como “goste de mim”, “partilhe do meu dilema”, ou “partilhe da minha vitória” (nada de errado diretamente com isso, mas há uma quase total ausência de textos desafiadores). E aí que está, por algum motivo entre Umberto Eco e Dan Brown, escrevendo sobre quase os mesmos temas, eu tendo, chamem-me de elitista, a preferir Eco.

Na verdade eu nem sinto a necessidade ou pertinência de explicar porque; parece-me autoevidente quem é o melhor escritor.

Obs: vi o filme baseado na obra mais vendida de Dan Brown e foram as piores duas horas que passei num cinema em toda minha vida. O livro pode até ser substancialmente melhor que ainda assim seguiria lixo.

Mas isso tudo é o óbvio: as coisas populares são inferiores porque são massificadas para agradar ao gosto menos refinado e menos educado. Todo mundo já pensou isso, já fez ironia hipster invertendo isso, já postulou e refutou algo parecido. E muitas vezes há algo de adorável no simples, no direto e humano – ninguém nega.

Talvez o mais difícil de tudo seja destilar a profundidade no que apela o mínimo denominador comum e segue apresentando algo original, profundo ou fascinante. Porém, nossa cultura já produz tanta simplicidade artificial, de redução, embasada no fato de que nossas vidas já são demasiado complexas e cheias de informações, que não sabemos se a simplicidade é o destilado supremo ou cachaça barata. Daí que somos metralhados por versões mastigadas e castradas de clichês de telemarketing, como se fossem filosofia, literatura ou os sentimentos pessoais de um “autor”, no caso um simplório que tenta cooptar, através do texto, um igual.

E ai de nós se tentamos outra coisa!

Escrever é trabalho, também, para gente com algum grau de compulsão. O texto como discurso até certo ponto engessado, pelo menos o bom texto, é composto em vários níveis simultâneos, os vários leitores se sobrepondo e conversando entre si, com decisões em todos os níveis quanto ao que complementar, o que cortar, como dizer melhor, e o que dizer.

Para desenvolver a escrita, é necessário ler e escrever constantemente — viver a mesa e a tela, verificando construções com repetida atenção; não diferente de um escriba no passado, não diferente de um programador. E o leitor desavisado que se aproxima de um texto feito nesse contexto de compulsão pelas letras, pelo mundo das ideias e relações intertextuais e polissemias aninhadas (e nem entremos na ironia) adentra numa conversa que começou lá no vasto tecido atemporal da intertextualidade e se refere a ele.

O escriba

Não existem águas rasas na cultura, e os tigres e espelhos de Borges nos espreitam a cada vírgula.

 Uma particularidade do meu jeito de escrever é uma espécie de antirretórica: gosto de fazer alguém reconhecer a lógica em algo que deliberadamente faço parecer repulsivo. Normalmente a retórica vai vender a ideia como algo bonitinho, vai tentar puxar a pessoa emocionalmente na direção de aceitar o argumento. Faço o oposto.

Acho isso um recurso estilístico bonito, e quando leio, é o que mais me dá prazer. A ideia é da família da sátira, seria, na verdade, a mais elevada forma de defesa contra a sátira — se ainda alguém escrevesse sátira fora do Colbert Report. Acho que, num mundo onde a publicidade manda, a antirretórica se torna cheia de caráter: veja só como minha ideia é boa, eu posso expô-la de forma repulsiva, mas você vai ter que aceitar ainda assim.

Mas, novamente, não é leitura fácil (como a ironia, a wit ou a sátira não são), e como a maioria dos que escrevem, do alto do seu trono de proclamadores da cultura, se esforçam em desenvolver aquela leve e simpática humildade, um grau de arrogância ambivalente é o mote e subterfúgio da antirretórica.

Para escrever, precisamos isolamento na prática, mas uma crença quixotesca no poder das palavras em geral e de nossas palavras em particular. Poder de tocar os outros, no sentido de atingir, incomodar, alterar. Mas nenhum escritor, seja de ficção seja ensaísta ou outro, por mais que venda a si próprio como pouca coisa, maldito ou algo assim, funciona sem a megalomania de que a atenção despejada sobre suas ideias na página será significativa para os outros.

Toda a conversa sobre as expectativas de aprovação, ou sobre o leitor imaginário, sobre o supremo outro debruçado sobre nosso texto, e sobre a suposta autenticidade de trabalhar livre de tudo isso, é por si só prova dessa tensão extrema. Podemos tentar evitar os múltiplos olhos de nossos “neurônios-espelho” vislumbrando e dando palpites sobre o que deitamos na página, mas eles, suprimidos ou não, estão lá.

Aqui poderia até invocar os argumentos de Wittgenstein contra a linguagem privada, para indicar que as palavras não tem sentido senão quando compartilhadas… mas no fundo sabemos que o escritor que não é (bem/mal, não importa) reconstruído na leitura por outros simplesmente não chamamos de “escritor”.

Eduardo Pinheiro

Diletante extraordinário, ganha a vida como tradutor e professor de inglês. É, quando possível, músico, programador e praticante budista. Amante do debate, se interessa especialmente por linguística, filosofia da mente, teoria do humor, economia da atenção, linguagem indireta, ficção científica e cripto-anarquia. Parte de sua produção pode ser encontrada em tzal.org.


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  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Cunha/100001351703704 Tiago Cunha

    Bom dia,

    Achei seu texto muito interessante, apesar de bem denso(não conheço metade das referencias que tu colocou nele) e tive que ler e reler ele 3 vezes para entender mais ou menos o que voce quis dizer com ele.Não que isso seja ruim, não teria lido ele inteiro sequer uma unica vez se fosse algo recheado de lugares-comuns.

    Mas gostaria de te fazer algumas perguntas:

    Qual é a finalidade do teu texto?E qual a influencia da finalidade dele no teu estilo de escrita?

    Pergunto isso porque, voltando ao teu exemplo Eco vs. Brown, mesmo quando ambos tratam do mesmo tema, tem finalidades e buscam um publico diferente.Ou usando outro exemplo, como eu por exemplo, que deliberadamente prefiro um livro raso de divulgação cientifica do Michio Kaku do que um livro denso deste mesmo autor tratando dos mesmos assuntos.Seriam as obras deste autor destinadas ao publico mais amplo inferiores, menos educadas e menos refinadas do que aquelas propriamente academicas?Ou seriam apenas obras diferentes, com finalidades diferentes em contextos diferentes?

    Um leitor PhD em filosofia que le uma obra “massificada” do Michio Kaku tem um gosto menos refinado que um leitor PhD em fisica que le algo mais aprofundado dele?Ou simplesmente são pessoas que buscam coisas diferentes em obras diferentes?

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Eu estou valorando minha finalidade, estou dizendo que ela é melhor. Minha finalidade, é claro, é me comunicar com gente que eu possa respeitar.

      • joker

        Não sei, cara. Parece que você só está alimentando seu ego e mostrando seu pau grande pra todo mundo, numa baita masturbação pública.

        Eu tento ler o texto sem te admirar ou te achar um cara foda ou lúcido, ou seja, eu tento ler o texto, e não você, e aí eu não encontro nada.

        Usando mentalidade de programador: você está ofuscando o código.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Obfuscar o código tem suas utilidades. Só é ruim em programação comercial ou em grupo, dependendo das finalidades.

        Mas meu texto, em particular esse, não acho nada demais em dificuldade ou complexidade — ou virtuose. É um texto para um leitor normal, se desconsideramos uns 90% de analfabetos funcionais que leem na internet. Não é James Joyce, não é filosofia continental. (Não estou falando da qualidade, estou falando em termos de exigência do leitor.)

        Então, não considero particularmente difícil, embora essa seja uma acusação comum, daí minha defesa. Quanto ao conteúdo, está explícito, e explicado. Não vou ser eu quem vai convencer que me ler é “bom”, mas de toda forma, você parou para comentar. Textos que não me interessam, eu não vou até o fim, quanto mais parar para comentar.

        A piada é você parar para comentar.

      • joker

        Nos seus textos, especificamente, achei que o embate seria interessante.
        Fora do pedestal, e dentro do 1×1.

        É aí que eu valorizo e reconheço o motivo de tu ter a tua coluna no PdH.
        Reconheço com valor a argumentação que você deu ao meu desafio, e me reservo o direito de não contra argumentar, implicando que seu ponto de vista é, para eu mesmo, mais válido que o meu próprio.

  • http://www.facebook.com/people/Duda-Bolibeira/100003568224225 Vinicius Barboza

    Gostei bastante do texto, estou passando a escrever cada vez mais e acredito que tudo que seja escrito deve ser escrito para que todos entendam, e não é preciso baixar o nível do texto, o que esse texto precisa trazer é um estimulante, algo que venha instigar não só a leitura, como a busca da compreensão do texto por aqueles que “não possuem intelecto” para compreender a obra do “gênio”, é como escutar uma musica, se sentir tocado por ela mesmo não compreendendo toda essência que ela trás e ir buscar saber o por que da canção ter sido escrita, buscar seu significado, que muitas vezes é mais simplório do que imaginamos.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Existe música e música. O que a gente chama de “música erudita”, em muitos casos, exige conhecimentos sim para ser bem apreciada. Você pode até apreciar uma obra ou outra sem estudar e sem ter referências, mas a aprecia de um modo muito vago.

      Creio que exigir que “todos entendam” vai produzir um texto demasiado raso por si só, mas mais do que isso, não é nem a questão de entender, mas a questão de agradar. Agradar e entender, como coloquei no texto, estão de certa forma interligados. É muito mais difícil alguém entender algo que não o agrada.

      Minha percepção sobre isso é que alguém que me interessa como leitor não gostaria de um texto “para que todos entendam” e muito menos “que agrade a todos (ou a uma maioria)”. Ainda mais na cultura de nicho e cauda longa que temos hoje.

      • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

        ‘If I have to spell this out to you, you’re not someone I want to be understood by.’

        https://twitter.com/alaindebotton/status/314037163887046656

      • joker

        “Poor Faulkner. Does he really think big emotions come from big words? He thinks I don’t know the ten-dollar words. I know them all right. But there are older and simpler and better words, and those are the ones I use.”

        Ernest Hemingway

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Hemingway e Faulkner, estão aí dois caras que não me fazem a cabeça, um falando mal do outro. haha

      • http://www.facebook.com/people/Duda-Bolibeira/100003568224225 Vinicius Barboza

        Poxa, Gitti, muito boa essa citação, mas veja, há compreender e compreender, eu posso criar um simples texto e a maioria entender, mas se alguém não compreender o que eu quis passar, não irei me importar em explica-lo, agora se outro lê e não entende o que passei, e através de suas suposições passar a me atacar, ai sim eu não irei me importar a minima para o que ele venha a dizer e não farei questão de tentar ensina-lo.

      • http://www.facebook.com/people/Duda-Bolibeira/100003568224225 Vinicius Barboza

        Compreendo, produzir um certo material para um publico alvo, estará excluindo outros tantos, seria como criar um livro de química avançada voltado a doutores, usando termos do ensino médio, seu livro poderia até ser de uma compreensão universal, mas estaria fazendo com que o publico alvo não se interessasse tanto por ele.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        E para tratar de certas coisas, é impossível ficar só no que o ensino médio ensina — em particular o que o ensino médio no Brasil ensina.

        Na verdade, como em algum texto falei, acho que foi no do Paulo Coelho/James Joyce, sou acusado de empolado desde a quinta-série. Cheguei a achar que tinha aspergers. Mas não, é só que gosto de ler e é natural para mim utilizar o vocabulário que conheço. Daí que eu não paro para pensar “isso vai soar complicado”, porque eu teria que postular mentalmente um leitor inferior. Isso seria arrogância de minha parte, sempre penso — embora entenda que possa parecer curioso alguém pensar assim.

  • Minolta

    Li todo o texto e confesso que me decepcionei um pouco.

    Talvez porque esteja terminando de ler o Zen e a arte da
    escrita, talvez porque seja eu um adepto da simplicidade. Não sei.

    É Eduardo, você engatou a primeira, acelerou e… Desandou
    na verborragia excessiva para dizer o óbvio. O texto tem seu mérito é sobre
    como e por que você escreve, mas para descobrir isso não era preciso um texto,
    era só ler a Descrição de Eduardo Pinheiro No rodapé do mesmo.

    Mesmo assim o escritor que habita em mim, saúda o escritor que habita em você.
    ;-)

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Não acho que a descrição diga o mesmo que o texto, mesmo porque não fui eu que a fiz, e eu não faria algo assim.

      Simplicidade não é um valor intrínseco. Gosto em manuais, quando preciso deles. Em literatura e textos argumentativos, eu, pessoalmente, prefiro densidade.

      (Não sei se sua referência ao zen ou ao namastê tem algo a ver com o fato de eu me interessar pelo budismo… são estereótipos comuns, e eu entendo isso. Mas não é bem minha praia. Embora eu tenha visto M. Tokuda uma vez falar em “complejidade” — sotaque dele — no Avatamsaka Sutra, e participado de alguns retiros curtos, e ter alguns amigos que praticam, não tenho nenhuma afinidade com o zen, especialmente na sua concepção popular do tipo “o zen e a arte da escrita”, etc. Gosto um pouco de literatura de Koans, Dogen e algum mestre específico, mas não é algo em que eu tenha me detido.)

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Update 13h48:

        Acabei de bater papo com o Pinheiro e atualizei a descrição dele, pessoal.

        Portanto, a que estão lendo agora foi escrita por ele. ;)

        A anterior… eu me esqueci de registrar. Mas ele comentou o seguinte:

        “me incomodava particularmente o fato de meu bachareladozinho em filosofia ser usado como credencial — tanto por ser um mero bacharelado, quanto pelo fato de que eu não respeito o curso como um todo. Nem que fosse doutor. hahaha”

      • Minolta

        Minha percepção é que o autor junta milhões de ingredientes
        às vezes antagônicos (ovo frito com toddy) produzindo um bolo de gosto duvidoso. Algumas vezes ele acerta a mão usando a mesma técnica, vide o texto: “Você é um deficiente tecnológico”, e o gosto é até palatável.

        Como fonte de discussão e embate o texto funcionou bem, e atingiu seu objetivo (se era esse seu objetivo).

        Poderia eu aqui corroborar minha opinião usando citações mil, mas corro o risco de acabar em algum “argumentum ad hominem” (bulverismo).

        Por fim é preciso admitir que: existe paladar para tudo.

      • http://www.papodehomem.com.br/ Guilherme Nascimento Valadares

        Não à toa essa coluna se chama WTF.

        Pessoalmente, gosto da perplexidade e confusão que os textos do Pinheiro tendem a provocar. Os textos são exigentes. Acabam por fazer com que eu me coloque em outra posição para ler e comentar.

        ;)

  • Márcio

    Sei que você não deve gostar deste tipo de comentário, mas sei texto foi interessante a ponto de me fazer querer ler todos os outros.

    • Márcio

      seu*
      O PdH deveria permitir corrigir comentários. =P

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Gostei do comentário sim! (Se vc criar uma conta ou vincular com a do facebook, dá para editar os comentários.)

  • Diogo Cordeiro da Silva

    Pelo que parece, tu és escritor pesquisador, daqueles em que vive em meio a penas e livros, daqueles que acham que tudo o que é preciso para escrever bem estão nas páginas. Devo salientar, do tipo que não me agrada, mas isso não vem ao caso.

    Pobre daquele que acredita que o conhecimento só pode ser encontrado nos livros, conheço pessoas que não sabem nem ler que podem são um poço de conhecimento.. Agora temos que saber de que tipo de conhecimento estamos falando e qual o tipo que você valoriza.

    Por fim, comparar Dan Brown com Eco é brincadeira não é? A maioria das pessoas que veem Dan Brown melhor, nunca leram Eco. E mesmo assim, não vejo onde isto as faz menores ou menos ELITISTAS (como tu falou), aliás não vejo onde elitismo tem algo a ver com isso.

    Mas se o intuito do texto, era explicar mesmo como e porque tu escreve. Funcionou, além de ajudar a clarificar muitas coisas na minha cabeça sobre teus textos.

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Não as faz elitistas, você não entendeu. As faz pobres intelectualmente. Quem prefere Umberto Eco, eu já me desculpo, pode SOAR elitista.

      Quanto a sua discussão sobre “conhecimento da vida”, isso não diz respeito ao assunto. O que a pessoa leva da vida para a escrita, e o que a pessoa leva para a vida da escrita de outra pessoa, isto não é tanto uma decisão deliberada.

      Mas existe um ethos daquele que é voltado a entender a cultura, e disso não se depreende, como você assumiu, que aspectos externos ao texto estejam ou não sendo expressos. Não importa: o que importa é que essa comunidade existe e ela é digna de respeito, não só como qualquer outra, mas porque há de fato um valor próprio na cultura que reflete a si mesma.

      Quanto ao juízo quanto ao teórico, em parte é uma das minhas reflexões constantes. Aristóteles parece, por um lado, um cretino quando diz que o conhecimento, no que ele tem de melhor, deve servir apenas a si mesmo. Isto é, algo que possui função prática no mundo, para Aristóteles, é um conhecimento inferior. No entanto, quando a gente pensa em pesquisa básica, em pesquisa isenta da força econômica, e em um conhecimento que não é atado pelas forças da contingência, de costumes, tempo, espaço, e assim por diante… ele deixa de soar tão cretino.

      Então eu recomendo que você constantemente reavalie seus clichês e não se prenda a estereótipos.

      • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

        Estas falando de Aristóteles o preceptor dos REIS??? E tu queria que ele pensasse o que??? Que todos os gênios deveriam usar seu conhecimento em prol do mundo, das pessoas… kkkkkk. Conhecimento superior para ele com certeza, era dar aulas para Alexandre.

        Ah! E sobre os clichês. Eu prefiro utilizar clichês Eduardo, do que me esconder por trás de palavras morfologicamente complexas… (Quase vomito só ao ter que escrever isso).

        Mas olha por esse lado, porque dá atenção a minha palavras, afinal tu escreve em um site e eu sou apenas um uma pessoa com pobreza intelectual que fica tentando analisar teus textos Elitizados. Vai na fé, porque a estrada é longa.

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Ora, porque faz parte do meu acordo com os editores; atender, na medida do possível, os comentários. (Assumo uma interrogação ali.)

        E acho esse fenômeno que você apresenta curioso, digno de atenção (vejo frequentemente). O desprezo que reconhece é o mesmo que aplica, apenas há uma identificação com a “vítima” do “bullying” do elitismo intelectual. Porém o vomitório é exatamente o mesmo que identifica. “Você é a escória, porque se acha a elite”. Acho verdadeiramente curioso.

      • http://www.facebook.com/people/Diogo-Cordeiro-da-Silva/100001288867438 Diogo Cordeiro da Silva

        Parei juro, mas agradeço a atenção. Esperando pelo próximo texto, sempre leio todos os teus. Abs

  • http://www.facebook.com/patricia.pimenta.731 Patrícia Pimenta

    Muito atraente seu tecer… foi gostoso exercitar minha paciência na ansia de descobrir tudo q iria ler até o final.. Muito bom texto!

  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Dependendo do tema, me pego sendo ultra prolixo, mas não enxergo isso nem um pouco agradável ao leitor, então meu mote é sempre o mesmo: “Escrever é cortar palavras.”.

  • Fabiana Esteves

    Na falta de respostas à pergunta-título seu texto desdobra-se em subestima ao leitor e pretensão. Deve haver moderação, inclusive, em sua gramática, que falha em pontuação, concordância nominal, etc. Êxito nos próximos escritos!

    • http://www.facebook.com/people/Júlivan-Arantes-da-Silva/100001032282778 Júlivan Arantes da Silva

      Eduardo, já pensou em arrumar uma namorada?

  • vitorprofis

    Quando termino de ler os seus texto eu logo penso: Espero que algum dia eu consiga escrever tão bem e de maneira tão articulada como o Eduardo.
    Você teria alguma dica de referência bibliográfica para quem está iniciando sua trajetória na busca de uma escrita melhor?

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Se você quer escrever ficção, faça uma oficina com algum escritor. Se quer escrever ensaio, ajuda ler gente articulada — seja new journalism, divulgação científica, etc. Não recomendaria nenhum texto especifico sobre escrever, mas evidentemente, né, o que todo mundo sabe, ler os clássicos, refinar o gosto, e treinar exaustivamente.

  • http://www.facebook.com/ogabrielterra7 Gabriel Terra

    Gosto como o texto vai envolvendo e fazendo-nos a pensar um pouco como o autor… Chega uma hora que parece que estamos dentro da cabeça do Eduardo.

  • Fabiana Esteves

    Em suma, escreve tentando não ser trivial e retórico e porque necessita se externar, ser lido. Aponto duas falhas em seu texto: a subestima ao leitor é evidente em vários momentos e não houve tentativa de retratação que funcionasse; Há erros gramaticais referentes à pontuação, ortografia, concordância nominal, etc.

  • Abner

    Eu não consegui entender o texto, achei muito confuso, eu sou burro mesmo, desculpe…

  • paulo

    “Mas nenhum escritor, seja de ficção seja ensaísta ou outro, por mais que venda a si próprio como pouca coisa, maldito ou algo assim, funciona sem a megalomania de que a atenção despejada sobre suas ideias na página será significativa para os outros.

    Toda a conversa sobre as expectativas de aprovação, ou sobre o leitor imaginário, sobre o supremo outro debruçado sobre nosso texto, e sobre a suposta autenticidade de trabalhar livre de tudo isso, é por si só prova dessa tensão extrema.”

    ouviu, Alex Castro?

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      De minha parte, eu não sei qual é a posição do Alex Castro quanto aos temas. Não foi uma indireta…

  • ricardo

    Bom, de tudo o que li nos comentários, restam apenas algumas palavras: Esse site é demagógico por excelência, Hipster por opção mercadológica e vazio por condição estrutural (não há estrutura editorial – os editores são coxinhas vazios). O que resta? Resta ressaltar o MILAGRE de textos como os teus por aqui Eduardo (Oásis em meio ao deserto), num terreno tão absurdamente fútil e imbecil como o PDH está demonstrando (novos negócios…hahaha)…. vários leitores (inteligentes) já têm percebido o quanto esse site é babaca (bolo de vento recheado com termos “descaralhantes” e “fodásticos”)… eu de minha parte, desisto… e só deixo uma frase do meu pai (sociólogo aposentado, da década de 60….): Frase do meu velho:

    “A imbecilidade não é privilégio dos nossos tempos… ela é recorrente e democrática deste Goethe…”

    Abração

    • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

      Obrigado no que me toca. Quanto ao resto do PdH, se é que me cabe comentar, acho que é vastamente heterogêneo e atinge, pelo jeito, públicos bastante diversos. Com o tempo tenho começado a ler alguns textos e me relacionar brevemente com alguns autores — fora o Fábio e o Gitti, que conheço da prática do dharma — e em geral são caras legais e inteligentes. Algumas vezes quando caio em algum texto piorzinho, posso até pensar “mas que papo de guri”, e coisas do tipo, mas enfim, eu sou (e sempre fui) bem mais velho que minha idade (37 agora), e creio que o pessoal (escritores, leitores) é mesmo em média 10 anos mais jovem, quando não bem mais que isso. Então sinto principalmente essa diferença.

      De resto os caras investem em mim e me aturam, o que não é fácil. Então está ótimo.

      (Achei curioso você receber 19 “ups” em 2 horas!!! Pelo jeito o PdH é cheio de leitores hostis aos PdH.)

      • ricardo

        Curiosos não são meus 19 “ups” Eduardo (tenho família grande…).. . curiosos são teus parcos 39 comentários… heheh… adeus amigo….Interprete (como puder) o Yorick… (hamlet… alguém sabe o que é isso?)… de minha parte adeus e boa sorte amigo (sic)

        Abs

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        Pois é, e o pior é que sou totalmente paranóico, sempre penso que podem ser 39 comentários por sock puppets do marketing. Mas isso é curioso tb, porque minha paranóia de sock puppetry, em vez de me agravar, na real também me faz relevar tudo que é dito nos comentários (bom ou ruim) como possível mero estratagema de agentes irrelevantes.

      • ricardo

        Mas essa paranóia tua não pode proceder…pois a qualidade dos comentários não podem ser aferidos a partir de “estratagemas de agentes irrelevantes”… mesmo um fake por aqui, pode ser muito mais profundo e pertinente do que um “bobinho com perfil no facebook”… Eu acho até que a maioria dos teus (bons) leitores nem comentam… porque não querem ver o nome vinculado a este site… essa preocupação quanto à “veracidade do perfil” é tola… você está na internet, onde isso é possível…. e não há nada de mal nisso… desde que não haja uma postura “Troll” por parte do leitor…

      • http://www.facebook.com/padma.dorje Padma Dorje

        É exatamente porque a veracidade do perfil é irrelevante que não me preocupo, e por isso, como disse, nada de bom ou de ruim que é dito aqui guarda qualquer impressão real.

        Por outro lado, desconfio mesmo de astroturfing, e considero a prática imoral, mesmo quando não consiste de troll. Mas isso é com os astroturfers, de minha parte eu apenas faço meu trabalho e toda vez que surge uma emoção (boa, ruim) ligada aos comentários, eu a descarto.

        (nem estou me referindo a você, exatamente, ricardo. Um ou outro comentário, independente do perfil ser ou não conectado ao facebook, deve ser real. Mas mesmo que porventura sejam 50% deles, o melhor é manter uma postura cética.)

      • ricardo

        Claro Eduardo, entendo…. de minha parte sou apenas um leitor e tal.. conheci esse site idiota a partir da indicação de um professor a um texto teu… porém, acho que tuas preocupações quanto aos astroturfers são apenas preocupações…. não leve isso a sério demais… afinal, quando o teto não é vítreo, não há o que temer…

        Desculpe-me se fui agressivo contigo nos outros comentários…. Vou continuar te lendo (embora sem comentar rs)

        Abs

  • Fernando MDB

    Incrível! Tanto o texto quanto o dialogo com o ricardo.

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