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A vaidade do artista

Alex Castro

por
em às | Cultura e arte, Debates


Não acredito em artista não-vaidoso.

É necessário muita vaidade para se sentar diante da página em branco e achar que pode acrescentar algo a Shakespeare e Machado de Assis. Ou para subir no palco onde interpretou Paulo Autran, ou criar na tela onde pintou Di Cavalcanti.

Não aguenta, bebe leite

Uma vez, critiquei um jovem escritor citando Machado e ele protestou:

“Pô, é covardia me comparar com o Machado!”

Mas não é.

Se você é brasileiro e se propõe a escrever ficção, quem está se comparado a Machado é você, ao presumir se meter na área onde ele é a referência incontestável.

Ser escritor de ficção no Brasil e não querer ser comparado a Machado de Assis é como ser jogador profissional de futebol, entrar em campo contra o antigo Santos e não querer ser driblado pelo Pelé:

“Pô, Pelé, roubar a bola de mim é covardia.”

Colega, você entrou em campo porque quis. Agora, aguenta.

É a vaidade que nos faz entrar em campo e, ao longo dos muitos anos de frustrações e derrotas que todo artista enfrenta, é a vaidade que nos mantém em campo.

Como estar lá em cima e trabalhar a vaidade

Antes de subir ao palco, a Claudia Raia tem um mantra: pede humildade, para que sua vaidade não se sobreponha ao personagem. Sábia diva.

O historiador Evaldo Cabral de Mello comentou que Gilberto Freyre era intragável de tão vaidoso.

Evaldo é autor de uma das grandes obras historiográficas do Brasil e, como quase todos os acadêmicos, deve ser vaidoso também. Mas a vaidade de um professor universitário é uma distração diletante comparada à vaidade profissional de um artista.

Basta ler Casa-Grande & Senzala para saber que Freyre era, antes de tudo, um artista e um dos maiores que já escreveram qualquer coisa, prosa, poesia ou ensaio, na língua portuguesa. Talvez por isso só tenha sido reabilitado pela academia quando morreu, quando sua presença física desconcertante não mais atrapalhava a consideração de sua obra.

Os tímidos são os piores.

Quem auto-publica contos, faz lançamento na mercearia, se auto-promove feito puta e participa até de antologia de bula de remédio não tem metade da vaidade megalomaníaca do outsider que não sai de casa, despreza os contemporâneos, mal se interessa em publicar e, em sua cabeça, só dialoga com o futuro, com a posteridade, com o eterno, com o transcendental!

Espalhados no continuum de vaidade entre a puta da mercearia e o outsider da quitinete, estamos todos nós, cada um onde pode.

Como conviver com a vaidade alheia

Estou cuidadosamente evitando aquela velha falácia de minimizar seus defeitos extrapolando-os para os outros:

Sim, roubei, mas qualquer um roubaria na minha situação, etc.

Não digo que artistas são todos vaidosos só porque eu sou um poço borbulhante de vaidade incontrolável (aliás, sou) e daí concluo que todo mundo deve ser igual. Digo isso porque passei a vida cercado de artistas.

Quem nunca conviveu de verdade com um artista, seja como familiar, cônjuge ou amigo próximo, não faz ideia do que é a vaidade de um artista profissional. A mais tímida e humilde dançarina contemporânea tem uma vaidade profunda e constitutiva que deixa no chinelo a mais fútil e vaidosa engenheira, professora ou publicitária.

Um diretor de criação, que vive de vender pasta de dente e se acha tão criativo e tão vaidoso, não subsiste só de sua descomunal vaidade, mas ganha também um polpudo contra-cheque ou, pelo menos, espera ganhar no futuro.

Já para a dançarina contemporânea, durante grande parte ou toda sua carreira, a vaidade da beleza realizada, do movimento perfeito, da arte ideal, será toda a recompensa que terá para subsistir. Enquanto isso, as ciências atuariais estão sempre aí, nos tentando com uma carreira segura na lucrativa indústria de seguros.

Lidar com um artista não é para qualquer um. É necessário uma tolerância específica e temperamental à vaidade e ao auto-centramento alheios.

Todas as mulheres com quem me envolvi romanticamente chegaram a mim através dos meus textos. Sem exceção. Até aquelas que conheci por outros meios só se interessaram por mim como homem depois de saber que aquele colega de trabalho “escrevia umas coisas aí” e pedirem pra ver.

Depois desse primeiro momento, encarando o desafio de se propor a amar um homem vaidoso, elas se dividiram em dois grupos: as tietes mantiveram sempre uma postura de “fãs número um”, se envolviam em minha carreira, lutavam por minha arte; as ausentes, talvez imaginando que meu ego já era grande demais, faziam questão de não alimentá-lo e ignoravam estoicamente minha carreira e minha arte, tratando-as como se fossem um emprego qualquer.

Hoje, aos quase quarenta anos, eu diria que a segunda postura é mais condizente com um relacionamento sério de longo prazo.

A função mais importante da esposa de Shakespeare é justamente mandar ele parar com essa masturbação mental de ser ou não ser e ir lavar a porra da louça, que ela não vai se lavar sozinha.

Sem o memento mori, a vaidade vira megalomania.

Ao que a vaidade nos obriga

Meu mantra pessoal é: antes de recusar qualquer coisa, me pergunto:

“estou recusando por pura preguiça?”.

Antes de aceitar,

“estou aceitando por pura vaidade?”

Noventa por cento de tudo que faço ou deixo de fazer é por preguiça ou vaidade.

Dependendo do artista, a conta da vaidade pode chegar a 100%, pois até sua sobrevivência é um ato de vaidade, seja porque acredita que sua vida é sua obra de arte, seja porque deseja viver apenas para poder brilhar de novo e, se não fossem os aplausos e os holofotes, já teria desistido desse mundo.

Para o artista, por definição, a vida sem público não faz sentido. Nem que seja um público imaginário e futuro que existe só na sua cabeça.

A vaidade é tudo o que um artista tem

Se uma pessoa diz que é bióloga e alguém duvida, ela mostra o diploma. Se duvidam que é vice-presidente de vendas, é só puxar o cartão de visitas.

Mas artista? Para muita gente, se dizer artista por si só já é arrogante ou vaidoso:

Quem ele pensa que é, hein?

O artista depende sempre do olhar do outro e não existe validação incontestável ou reputação inexpugnável.

Paulo Coelho é o autor em língua portuguesa que mais vendeu em todos os tempos e muitas pessoas afirmam, sem a menor dúvida nem cerimônia, que ele não é escritor e pronto.

Artistas plásticos que dedicaram toda a vida ao estudo e à prática de sua arte são rotineiramente chamados de “charlatães” ou “picaretas” por gente que não entende nada de arte, mas acha que “faria igual”.

Um engenheiro, se construir um prédio que cai, será considerado um mau engenheiro, um engenheiro criminoso até. Idem para o médico que mate o paciente.

Já o artista nunca está livre de ser sumariamente despido de sua condição de artista.

Graças ao mesmo mecanismo que faz a auto-afirmação “sou artista” parecer arrogante e vaidosa (pois as pessoas percebem “ser artista” como algo intrinsecamente bom), uma crítica a um artista muitas vezes não se limita a atacar sua arte ou suas escolhas artísticas, mas também lhe nega a própria condição de artista (afinal, ser artista é intrinsecamente bom, e ele não é bom…. é um charlatão!)

Ou seja, despido da segurança oferecida por um diploma ou por alguma forma de validação incontestável, o artista é forçado a se auto-afirmar artista, na esperança que outras pessoas concordem e também o vejam como artista, mas quanto mais se auto-afirma artista mais é hostilizado ou criticado pela vaidade e arrogância de se auto-declarar artista.

Esse círculo vicioso de bipolaridade constitutiva, onde a obrigatoriedade de se auto-promover vem junto com os ataques pela vaidade arrogante da auto-promoção, é simplesmente massacrante.

Às vezes, quase me esmaga.

E como se deve portar um artista?

Ser artista e não ser narcisista é impossível.

Hoje, o desafio da arte é outro: como ser artista/narcisista, em um mundo onde o Pinterest e o YouTube, o Twitter e o Facebook, não só estimulam um narcisismo generalizado galopante como permitem que qualquer um tenha um público?

A internet tornou-se a primeira barreira de entrada: se a sua arte, gráfica ou narrativa, em vídeo ou em música, não é melhor do que o grosso da produção amadora que pode ser consumida gratuitamente pela internet, talvez você devesse mesmo considerar aquela sólida carreira em seguros.

A luta contra a vaidade é um exercício sisifeano diário de auto-conhecimento e disciplina.

Encaro minha vaidade como os holandeses encaram o Mar do Norte: já estava lá quando nasci, me define, me possibilita, me traz prosperidade e, se não for contido, me devora.

* * *

As ilustrações desse texto são todas de arte naif, uma arte que muitos não consideram arte, feita por artistas que raramente se consideram artistas. Para quem está no Rio de Janeiro, recomendo fortemente uma visita ao Museu Internacional de Arte Naif, ali no Cosme Velho, do lado da subida para o Corcovado, um dos meus museus preferidos de todos os tempos e um dos maiores acervos mundiais de arte naif. Depois de alguns anos fechados por falta de verba, o museu foi reinaugurado em abril de 2012 e merece muito mesmo a sua visita.

Museu Internacional de Arte Naif do Brasil

Alex Castro

alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // todos os meus textos são rigorosamente ficcionais. // se gostou, me siga no facebook, compre meus livros ou faça uma doação. // não leio comentários dos meus textos. para falar comigo, mande um email.


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  • http://www.facebook.com/julio.saraiva.9 Julio César Saraiva

    parabéns pelo texto, acabei percebendo  uma forma de narcisismo em mim mesmo em encher a boca para falar que trabalho no centro de processamento de dados que trabalho com ti e sou o cara da informatica, todos  puxamos a sardinha para nosso lado e adoramos ser bajulados por isso ser o melhor , o fodão naquilo que faz até na carreira em seguros, mais sem duvidas pros “artistas” deve ser bem pior.

  • http://www.facebook.com/valsortiz Valquíria Sampaio Ortiz

    Normalmente tenho um pé atrás com os textos do Alex Castro, mas esse está muito bom! Ri com essa parte:
    “A função mais importante da esposa de Shakespeare é justamente mandar ele parar com essa masturbação mental de ser ou não ser e ir lavar a porra da louça, que ela não vai se lavar sozinha ” O problema na verdade é com a palavra artista: pressupõe ser um uma criatura arrogante, pobre como rato de igreja, que vive fora da realidade. Mas como todo preconceito, é generalizado e burro.

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Interessante. Aí penso numa coisa: o artista deve gostar de si mesmo, tem que ser fã de si mesma. Senão está na carreira errada.

    Só achei estranho os comparativos. Um escritor atual ser comparado com Machado de Assis (que admito, só li obrigatoriamente no colegial e esqueci o texto) é meio ruim. Acho que a primeira comparação que um escritor deveria fazer é consigo mesmo, se o texto condiz com o que ele quer mostrar. Comparação com outros artistas depende do contexto. É meio que “Super Trunfo”, tal mesmo como o exemplo do Paulo Coelho, que colocou que ele vendeu milhares de livros e muitos dizem que ele não é escritor. (se bem que nisso me onero a comparar pois nunca li algum livro do Paulo Coelho).

    Enfim. Só espero um pouco menos de vaidade. =p

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

       cara, nao existe isso de só se comparar consigo mesmo. não só é completamente impossível como, se fosse possível, seria a coisa mais narcissista do mundo.

      todos temos mil ídolos, exemplos, modelos. estamos nos comparando a eles o tempo todo, tentando fazer como fazem, tentando nao fazer o que fazem, e quando consomem a nossa arte, tb é inevitável nos comparar a outros artistas, que fizeram melhor, q fizeram pior, que fizeram parecido.

      ninguém é uma ilha.

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Entendi :) Obrigado :)

      • koga

        Discordo Alex, para eu evoluir em minhas pinturas eu comparo as minhas obras dos anos anteriores para ver se estou melhorando. Não por questão de vaidade, mas de amadurecimento. E claro que não fico numa ilha, receber críticas externas ajudam muito a reflexão da obra.

  • Amanda

    Ótimo texto. Não sei se devo me chamar artista e acabar sendo arrogante ou se digo “só pinto por hobbie” e a falsa modéstia transbordar. O ponto é que comecei a desenhar com 8 anos por causa do reconhecimento que ganhei pelo desenho da Branca de Neve, e até hoje o processo é o mesmo: Desenho – Elogios – Ego infladíssimo

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

       serio. esse povo q diz “eu pinto por hobbie” ou, pior, “eu mexo com pintura”, sao os piores. :)

  • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

    Assumir a vaidade de maneira tão natural não deixa de ser uma arrogância sem limites – como se houvesse total desprezo pelos valores dos demais – uma desnecessidade absoluta de modéstia. LIndo isso – desde que num artista espetacular como você. Texto divino – alguns imortais devem estar se rebatendo na tumba de tanta inveja.   

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

     ”sempre fala que não é tão bom assim, que tem vários melhores que ele, etc”

    eu nao conheco nenhum artista q nao fale isso. e todos falam isso mt sinceramente, alias, pois sempre é verdade. sempre tem alguem melhor. mas e daí? ele continua lançando um filme por ano. e graças a deus por isso, pq ele é ótimo. :)

    “Vejo esse fato de “ser artista” tão alimentador de ego ”

    cara, se vc acha que “ser artista”, por si só, já é alimentador de ego, então é pq VC tem uma ideia excessivamente positiva do que é ser artista. “ser artista” é uma ocupação como outra qq e deveria ser tao alimentador de ego qt “ser engenheiro” ou “ser encanador”

    • Daniel MM

      deveria ser tão alimentador de ego quanto.

      interessante pq o artista busca ser visto como o engeheiro e o encanador, mas ao mesmo tempo se vê com uma mágica que eles não tem. o artista busca o mesmo respeito que não tem as outras profissões, mas se acha diferente por ser arte, é possivel conciliar os dois?

      • Carlos

         Sim, Daniel é possível. Dá pra respeitar do mesmo jeito um médico ou um advogado, e saber que suas profissões são extremamente diferentes.. Os dois estudaram muito, mas um não está habilitado a fazer o que o outro faz, assim como os dois provavelmente tomariam um enorme choque se tentassem atacar de eletricista ou fariam um péssimo trabalho (presume-se) como encanador.

        O artista quer reconhecido que sua ocupação seja reconhecida como única, assim como cada uma dessas. A diferença é que “qualquer um” pode esculpir, pintar ou escrever; só precisa querer, mas eu, por exemplo, não posso sair com um bisturi abrindo as pessoas por aí. Nisso entra aquela coisa toda do talento, mas na verdade é mais a vontade. Vontade de aprender, de se entregar. Isso nos faz diferente, assim como a capacidade do engenheiro de reduzir um prédio inteiro à leis da física o faz diferente.

        O que parece separar a arte, e tem tudo a ver com a vaidade toda do texto, é que ser artista, ou mesmo estudar arte é uma coisa pessoal, intimista..

    • Guilherme Z.

      Alex, com certeza essas atividades – bem como potencialmente qualquer outra – são alimentadoras do ego! Como engenheirando posso falar que todos os meus professores/colegas/profissionais que atuam na área tem uma grande vaidade quanto a isso… E é um trabalho que demanda criatividade também – certamente de uma forma bem diferente da criatividade do artista – mas que também se propõe a criar, a conceber e que, após toda a transpiração, deixa pronto algo que instantes antes, existia apenas na imaginação do criador.

      E imagino que o encanador também deve ter uma puta satisfação interior – vaidade – ao chegar na casa com problema no encanamento e inventar uma “gambiarra” pra vedar aquele buraco inconveniente. Deve se sentir gratificado inclusive ao ver a cara de satisfação e alívio da família que finalmente vai poder tomar banho quente!A vaidade do artista existe, mas acredito que todos temos um pouco dela dentro de nós mesmos. No mais, excelente texto!

  • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

     deve ser teoricamente possível, mas nunca vi. vc tem exemplos? de artistas q vc conhece?

    • http://www.facebook.com/people/Patricia-Ferreira/100002531929899 Patricia Ferreira

      De fato isso é totalmente possível, tenho muitos amigos artistas, e um em especial, não tem de forma alguma o ego maior que nada. Um cara super humilde, que não assina as suas produções artísticas por não querer ser identificado como artista. No meio artistico ele é marginalizado, mas isso é por conta do contexto artistico daqui, mas quem convive e conhece sabe que se ele puder ensinar a tecnica que ele utilizou em produção tal, ou que alguém queira continuar alguma ideia artistica e fazer releitura ou até utilizar o mesmo traço que ele, pode ter certeza, não terá problema e provavelmente será estimulado a continuar. Nome dele é Tiago Saraiva.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

         de fato. mas entenda q vaidade nao tem nada a ver com ego.

        os caras que construiram stonehenge para ficar lá por seculos e seculos eram vaidosos e nao assinaram sua obra, pq nem havia esse conceito. a vaidade do artista nao tem a ver com a assinatura da sua obra.

        a vaidade está na realização de ter feito algo bonito, algo artistico e, mais ainda, vc ainda se sente superior aos pobres mortais que nem sabem que aquilo é seu, q admiram sua obra sem saber, e vc lá, quieto, pensando q só vc sabe que aquilo ali é seu.

        veja, nao estou dizendo que é o caso do seu amigo, q eu nao conheco e sobre quem nao vou falar nada, mas a vaidade do artista nao tem nada a ver com assinar ou receber credito da obra. é a vaidade primordial de quem se PROPÕE a criar arte, a criar beleza, mesmo q seja uma beleza q ninguem vai ver.

      • http://twitter.com/lucasscharf Aleatório

        Já dizia Raul: “O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoismo é querer ajudar”. 
        Não sei se é o caso desse seu amigo, mas acho que vale a pena pensar sobre isso xD

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

         o q estou dizendo justamente é q a vaidade do artista tem a ver com a FEITURA da arte, nao necessariamente em se dizer ou sentir superior, ou mesmo assumir a autoria. se o cara nao tem a vaidade inicial, preliminar de querer FAZER algo artistico, ele nao vai nem ser artista…

    • Daniel MM

      vi isso acontecer muito na época medieval com artistas da igreja,onde inclusive de reprimiam se sentiam algum “orgulho” ou satisfação pela arte que faziam, vejo isso acontecer com músicos de igreja em raros casos,mesmo em meios religiosos existe um Narcisismo exagerado. certa vez conversei com um amigo sobre algo parecido, que faziamos tudo com um interesse, mesmo que fizesse o bem para alguém, o fazia para que pudesse se sentir bem, talvez isso ocorra sim com algus artistas (poucos , raros) que o fazem para fazer bem as outras pessoas, mas no final das contas não acho que seria exatamente Narcisismo, chamo a atenção também para as obras anônimas (raros casos também, algumas pq eram religiosos e estavam ali para louvar, e em outros casos pq realmente perderam as referências).
      NO geral gostei muito do seu texto está de parabéns, mas uma opinião minha, é que sempre pode existir excessões a regra.

      • http://www.facebook.com/people/Patricia-Ferreira/100002531929899 Patricia Ferreira

         Só pra encerrar, se ele é ou não santo ou demônio, de fato, nunca saberei. Mas sei o que o motivo pelo qual ele produz: Provocar consciência política. Só isso. E ele não gosta de assinar, não é pra depois ele ficar se gabando ‘ser superior’… tanto é, que ele nem fala onde estão as produções e nem fica falando sobre isso. A maior ação artistica realmente é a ideia. Nota: essa coisa de se vangloriar por algo ‘bonito’ que se fez é tão século passado. ;)

    • Fervibeke

      eu tenho eu mesma hahahahaha

      :)
      eu não gosto de me ouvir cantar,porque acho que tenho voz de criança de 12 anos,mas não consigo evitar isto pois sinto a necessidade de fazer,pois meu coração pede isso,transborda esse desejo de colocar prá fora sentimentos.Ganho bem por fazer o que faria de graça e as pessoas elogiam e isso não altera em nada a minha visão que somente o faço por prazer. :)

    • http://www.facebook.com/people/Manuela-Esquivel-Rodriguez-Montero/781643242 Manuela Esquivel Rodriguez Mon

      a resposta está aqui mesmo, no PDH: http://papodehomem.com.br/jack-white-jimi-hendrix-e-alan-moore-nao-faz-sentido-se-orgulhar/

      (sou sua fã incondicional, mas essa sacada do Luciano foi demais)

  • Paulo Vinícius

    Talvez, no fundo, seja isso mesmo. Mas acho que nem todos, ou pelo menos, nem em todos os momentos. Existem ainda maneiras diferentes de dizer coisas que já foram ditas. Se não houvessem esses outros dizeres, o mundo ficaria mais triste, mais pobre, porque ninguém teria paciência para ficar lendo e relendo Memórias Póstumas de Braz Cubas, por exemplo, interminavelmente. Sabedores disso, ainda que nem tão bom quanto Machado, nem tão craque como Pelé, os artistas seguem dizendo coisas, porque precisam ser ditas, sem necessariamente superar os que os precederam.

  • http://www.facebook.com/anderson.ramos.carneiro Anderson Carneiro

    A vaidade é algo que os mediocres usam para tentar sair da média. O melhor do artista não é ele, mas sim o resultado do que ele faz.

    Talvez o texto seja um desabafo do autor na tentativa de justificar sua vaidade.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

       talvez.

      talvez vc nao entenda o processo de ser artista.

      talvez seja uma terceira hipótese. ou talvez sejam todas essas.

      nunca saberemos…

      • http://www.facebook.com/anderson.ramos.carneiro Anderson Carneiro

        Na verdade não existe um processo de ser artista, todos o são de alguma maneira. Não é necessário entender processo de ser artista pq são pessoas com as suas personalidades e as suas obras. Não há padrão de comportamento que o defina artista, o que define um artista são as suas obras.

      • http://www.facebook.com/people/Douglas-Oliveira/1062299843 Douglas Oliveira

         Existe sim um processo de ser artista Anderson, como o Alex bem colocou:

        “Um diretor de criação, que vive de vender pasta de dente e
        se acha tão criativo e tão vaidoso, não subsiste só de sua descomunal vaidade,
        mas ganha também um polpudo contra-cheque ou, pelo menos, espera ganhar no
        futuro. Já para a dançarina contemporânea, durante grande parte ou toda sua
        carreira, a vaidade da beleza realizada, do movimento perfeito, da arte ideal,
        será toda a recompensa que terá para subsistir.”

      • http://www.facebook.com/anderson.ramos.carneiro Anderson Carneiro

        Douglas, não entendi. Esse quote define processo de ser artista?

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Pegando um pouco do seu conceito e do Alex, dá para pensar assim:

        Se o que define um artista é suas obras, quanto mais reconhecido um artista é, mais vaidoso (não egocêntrico) ele pode ser, mesmo que não demonstre.

        Eu crio por exemplo uma escultura. Crio de forma que eu ache bonito. Alguém também acha bonito e compra. Soma-se a vaidade de ter uma obra bonita + o trabalho reconhecido com gratificação.

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      O melhor da pessoa é o resultado do que ela faz, você quer dizer. Seja um artista, um engenheiro, um vendedor…

  • http://www.facebook.com/anderson.ramos.carneiro Anderson Carneiro

     Perfeito.

  • Marcos Augusto Nunes

    Não sei. Talvez não seja exatamente vaidade, mas uma necessidade de expressão pra tratar a angústia, a melancolia, ou quaisquer consequências inerentes ao fato de viver, sabendo que existem as convenções da arte para sofrer com tal necessidade. É claro que, olhando para trás ou até para o lado, um cara com um mínimo de autocrítica não dá nem um passo para a frente, que dirá em direção a uma tela de computador ou de pano. Mas chamar de vaidade apenas isso: a expressão do pobrezito indivíduo que sabe que, enquanto tal, além de não ser melhor que ninguém, é tão parecido com os outros indivíduos que nada que saia dele diferirá substancialmente de qualquer coisa que sai dos demais (inclusive a bosta), bem, sei não. Viver é criar, mesmo que ruindade. Afinal, sempre dá para discutir os critérios do que é ruim ou bom. Há quem não goste de Machado de Assis. Eu, por exemplo, não vejo grande coisa em Di Cavalcanti. E dá sempre para discutir.

  • Pingback: alex castro - a vaidade do artista - alex castro

  • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

    Concordo. E pelos comentários creio hoje muita gente confunde artista com ascetas:

    Aquelas que praticam um estilo de vida austero definem suas praticas como virtuosa e perseguem o objetivo de adquirir uma grande espiritualidade. Muitos ascéticos acreditam que a purificação do corpo ajuda a purificação da alma, e de fato a obter a compreensão de uma divindade ou encontrar a paz interior. Isto também pode ser obtido com a automortificação, rituais, ou uma severa renúncia ao prazer. Entretanto, ascéticos defendem que essa restrições auto-impostas trazem grande liberdade em várias áreas de suas vidas, tais como aumento das habilidades para pensar limpidamente e para resistir a potenciais impulsos destrutivos.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ascetismo_%28filosofia%29

    • http://www.facebook.com/anderson.ramos.carneiro Anderson Carneiro

       A unica confusão feita aqui é definir artista como um modo de vida com um padrão de comportamento especifico, como na comparação, infeliz, que vc fez.

      • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

         artista é quem faz arte, filho.

      • http://www.facebook.com/anderson.ramos.carneiro Anderson Carneiro

        Mas quem precisa saber disso é você, filho.

      • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. Rodrigues

         Eu não estou definindo, eu disse apenas que tem muita gente confundindo as 2 coisas.

        Em outras palavras as “motivações emocionais” não precisam e nem sempre são “virtuosas”, por isso pode ter vaidade no meio sim.

        Inclusive até os mais loucões como Kobain, tinha vaidade a seu modo de ser.

      • http://www.facebook.com/anderson.ramos.carneiro Anderson Carneiro

        O Alex definiu e vc concordou. Essa é a confusão… é acreditar que todo artista tem o mesmo comportamento e quem não tem, não é artista. Como o proprio alex se corrigiu, artista é quem faz arte.

  • Matsuura Junichiro

    Artista é a pessoa que, pelo menos, tenta fazer o seu melhor do seu jeito. Se não for assim, não é artista. É arteiro. Críticas acontecem. Faça uma bela limonada com o limão, e chame quem lho deu para beber junto. E, com as pedras, que, porventura, lhe forem atiradas, construa um belo castelo. E mate de inveja aqueles trolls que lhas atiraram.

  • http://www.facebook.com/people/Duda-Bolibeira/100003568224225 Duda Bolibeira

    Seu texto me lembrou de um dialogo do filme código de conduta.
    Um dos personagens do filme fala que Marco Aurélio tinha um criado que a unica função era sussurrar ao seu ouvido “Você é só um homem, você é só um homem” quando ele sai para a praça publica e vinha um bando de bajuladores lhe enaltecer.

    Eu achei esse texto pela web e gostei, vou repassar aqui pois cabe ao assunto:

    O Profeta de Deus disse uma vez: “Deus tem um tempo difícil tratando de conseguir alguém com quem Ele possa tratar, e que se mantenha humilde, manso e que permaneça em seu lugar até que Deus o chame para fazer alguma coisa (crê você isto? Vê?) um homem que Deus possa abençoar e que ainda assim ele possa permanecer um homem, não ser um anjo ou um deus.Tão logo que um homem consegue ser abençoado e tem uma coisinha que lhe foi dada, ele deseja se tornar um deus; ele deseja se tornar um – um anjo. Ele deseja se tornar uma grande pessoa. “O que eu faço, que… eu, eu e meu”. Todas essas coisas. Essa é uma atitude errada. Deus está buscando a alguém a quem Ele possa abençoar e derramar sobre ele as bênçãos, e – e que quanto mais Ele o abençoe, menor o homem se torne.” 

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

       oi duda, nao era marco aurelio, era cesar. a historia está no link q dou no texto quando conto isso. vcs nao clicam nos links, nao? :)

      • http://www.facebook.com/people/Duda-Bolibeira/100003568224225 Duda Bolibeira

        Olha Marco Aurélio foi um César, César era o titulo dado aos imperadores romanos, existiram diversos Césares romanos.
        Essa explicação ai que eu te dei pode ser completamente falsa, pois 90% do meu conhecimento sobre Grécia e Roma antiga vem de filmes e eu posso esta equivocado.Eu clico em alguns links não em todos, não cliquei nesse que você citou Cesar não.

  • Carlos

    Realmente Alex, parabéns, você me surpreendeu.
    Comecei a ler esse texto com preconceito, pronto pra achar erros e te criticar. “Como assim vaidade, a arte em si é algo tão satisfatório, quem ama a arte não precisa da aprovação de ninguém, faz por amor!”

    Mentira.
    E vi essa mentira antes de comentar. Me declaro “estudante de arte” porque acho que não me desenvolvi o suficiente pra poder me chamar de artista. Aí está, eu também procuro a aprovação de quem diga “Mas Carlos, você é tão talentoso, faz arte! É, portanto, um artista!”

    Seu texto é um texto de coragem, porque precisa ter muita pra se admitir vaidoso, e isso é algo que percebi que tenho que começar a reconhecer em mim mesmo. E mais, dizer, sem medo, que é essa a dificuldade do artista: lidar com a sua vaidade, o seu ego, de aguentar críticas. Admitir que dói, sim, não ser reconhecido.

    “Encaro minha vaidade como os holandeses encaram o Mar do Norte: já estava lá quando nasci, me define, me possibilita, me traz prosperidade e, se não for contido, me devora.”

    Essa frase mostra que essa é uma das lutas de ser artista.

    Parabéns.

    • Matsuura Junichiro

      Dói mesmo. Dói pra cacilda não ser reconhecido. Mas a dor faz parte do processo. A forma de se lidar com essa dor, de não ser reconhecido, de não ser compreendido, de não ser levado a sério, é que faz toda a diferença entre o artista e o arteiro. E, acredite se quiser, dependendo do caso, o arteiro consegue lidar com essa dor muito melhor do que o artista. Por que o arteiro não tem as ilusões que muitos dos “artistas” costumam ter.

  • Esaigh

    O lema pessoal é muito bom: Não aceitar algo por preguiça/Aceitar por vaidade.

  • Mariana Catto

    Ai Alex, apesar de toda a conversa ainda não consegui formar uma opinião. A vaidade e o egocentrismo muitas vezes tornam um artista num idiota, e acaba desvalorizando as obras obras. Viram a “Luana Piovani” da arte saca? E o que é arte? É algo introspectivo? Só tem valor se visto? É um reflexo social?
    Difícil. Cito um artista que amo,
    Kandinsky  :
    “O artista é a mão que, pela prática conveniente do toque, coloca a alma humana em vibração. É portanto claro que a harmonia das formas deve repousar unicamente sobre o princípio da entrada em contato eficaz com a alma humana. Esse princípio foi aqui definido como o princípio da necessidade interior.” 
    Os narcisistas enxergam o espelho. Como fazer arte harmoniosa, como entrar em contato com a alma humana, olhando apenas para a vaidade e o umbigo? Não fecha … :/

  • Tainah de Azevedo

    Mto legal Alex, mandou bem nesse texto.
    Eu acho muito louco quando acontece algo comigo e no dia seguinte o PDH publica um artigo sobre o mesmo assunto, pois ontem mesmo eu tive um problema com a vaidade artística.
    Estou me formando em RP na universidade e em locução radiofônia no senac da minha cidade. Há seis meses fui convidado pra participar de um programa humorístico em uma rádio da cidade. A partir daí comecei a conviver com artistas e pretensos artistas e o primeiro baque que senti foi o ego inflamado de todos (que pra mim é a carapaça da vaidade), que os torna cegos e arrogantes em relação a seus erros. Soma-se a isso o fato de todos serem (potencialmente) formadores de opinião.
    O fato é que tanto no curso quanto no programa o maior perigo é tentar criticar algo que uma pessoa fez. O artista sempre tem uma resposta pra crítica, por mais que ela seja criada na hora. Já ouvi até de um candidato a locutor fanho que sua dificuldade em falar entonando corretamente as palavras se deve ao fato de ter um problema no coração. q?

    Me senti melhor lendo teu texto, pois vejo que não estava viajando quando percebi que todo artista é sensível e sustenta-se em sua vaidade. É importante pra mim ter sempre isso em mente pois também estou entrando pro ramo e com certeza precisarei lidar com essas questões quando eu for o alvo das críticas.
    Abraços e obrigado!

  • Th_lribeiro

    “Enquanto isso, as ciências atuariais estão sempre aí, nos tentando com uma carreira segura na lucrativa indústria de seguros.”Eu pensei que tinha dito que iria dar uma pausa com as ciências atuariais. Sério, você já pensou como seria o mundo se não houvesse ciências atuarias? Certamente, muito pior do que seria se nunca tivessem existido 99,99 % dos artistas que já viveram. Dependendo, claro, de se escolher com sabedoria o 0,01 % a ser poupado. Se colocarem na cota da Arca de Noé Justin Bieber em vez de Machado de Assis, a culpa não é das ciências atuariais. 

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

       hahahahahahaha. desculpa mas…. hahahahhahahhahahha

  • Katz

    “Se você é brasileiro e se propõe a escrever ficção, quem está se comparado a Machado é você, ao presumir se meter na área onde ele é a referência incontestável.”

    Parei aí. Fica pra próxima.

    • http://www.alexcastro.com.br Alex Castro

       abraços. volte sempre!

  • http://twitter.com/_bongoo Arthur Sebastião

    grande alex castro!

  • http://estadodearte.wordpress.com/ Rafa

    Por que um atuário não pode ser um artista da sua área?

    Eu acredito que arte é qualquer coisa feita levando o carinho e o cuidao até as últimas consequencias. Não importa se é literatura, tocar guitarra, fazer uma cerimônia cha, enfiar a porrada nos outros, programar, construir mesas, etc. 

    Eu acho um equívoco acreditar que arte é aquilo que só acontece nas galerias de arte, palcos e salas de concerto. Da mesma forma, existem músicos, escultores, escritores e dançarinos por aí que trabalham de forma burocrática, se contentando com um resultado mediano e confortável.

  • Dalton

    Não consigo enxergar a tal da vaidade.
    Um cara fazer uma arte, por si só, não é vaidade: é apenas uma forma de se expressar. Assim como alguém faz quando sorri, quando chora, quando ri, etc.O cara querer ter o trabalho avaliado pelos outros também segue tal processo, é o feedback do trabalho, já que geralmente a pessoa que fez acha seu trabalho o máximo, pois é aquilo que ele queria expressar. Mas nem sempre o trabalho é realmente bom.Nas reações do artista, posteriores a esses passos, eu concordo que pode haver vaidade.

  • Rodrigo

    Curti o texto, acho que todos tem sua vaidade em qualquer área mas as coisas são bem mais complicadas pra quem se envove com arte mesmo.
    “Se você é brasileiro e se propõe a escrever ficção, quem está se comparado a Machado é você, ao presumir se meter na área onde ele é a referência incontestável.” Li isso mais com um tom motivador para “fazer seu melhor” do que como uma critica negativa, otima frase!

  • http://twitter.com/emanuelcampos Emanuel Campos

    Mais um texto espetacular, como sempre! Parabéns…

  • LiaDefendi

    Ser simplemente humano e não ser narcissista é impossível =)
    O monge budista recitando o om mani padme hum no topo da montanha pelo bem da humanidade lá está por um faísca vaidosa, afinal, praxeologicamente, considera isso melhor para si do que qualquer outra coisa que poderia estar fazendo. O altruísmo (ou, no caso aqui, os aplausos) é sempre secundário à vaidade. Imagino que nem seja possível dentro dos limites psicológicos do ser humano ser de outra forma, pois por mais desconfortável que qualquer ato em si seja, o propósito final é algo que o agente queria para si, um desejo mais benéfico que todos os outros que foram adiados para sua realização.

    O problema é a mitologia da vaidade e humildade, a dicotomia esópica de moralidade católica. Coisa mais demorada de cutucar =P

    Agora, em questão de semântica, me refiro como artista hobbista não porque não considero como arte meu trabalho desconhecido, mas porque meu pão não vem daí. Cozinho melhor que o chef do restaurante mineiro no fim da rua mas ele tem uma clientela mais expressiva que a minha, então ele é profissional e eu hobbista (ao menos, até minha cadela aprender a usar cartão de crédito).

  • http://www.facebook.com/mackleyrf Mackley Rodrigues Freire

    O autor peca generalizando a sua pessoalidade.

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  • http://www.facebook.com/elias.maroso Elias Maroso

    Podemos entender a vaidade como sentir-se potente, ou ainda, como um cuidado de si na vida. Um compromisso ensimesmado. Por aqui a vaidade ainda aparece impregnada de como já é entendida. Eu evitaria essa provocação ao falar de arte. Noto o cultivo de um exotismo comportamental e uma peculiaridade de potência inadequada.

    Podemos ter arte fora de si, fora de sua disciplina e divisão profissional, em momentos cotidianos. Não só vemos arte como também a produzimos, embora não desejamos exibir os pequenos feitos – todos nós, conscientes ou não (claro que estou falado de arte para além de seu mecanismo institucionalizado).
    Há gente que quer, por desejo e não por vaidade, dedicar-se unicamente aos momentos de arte que vivemos, sem necessariamente ser notado por isso. Essa noção distingue arte de “feitos para a notoriedade”. Sempre há confusão entre arte e êxito, bem como artista e virtude.

    Por que a designação artista deve necessariamente ser uma virtude? Se só é artista quando bom, como determinar sua qualidade? Inclusive: QUEM determina?

    Digo que há os bons e os maus, segundo esse ou outro critério; e, sim, são artistas! Existem diferentes contextos para situar-se. A falta de empatia com o espectador não priva o direito à designação de quem se dedica ao que busca chamar de arte. Somos todos donos e habitantes do termo, de seu uso.

    Por isso não me parece falta de humildade considerar-se artista. Isso não é um elogio, mas um compromisso assumido.

    Seu melhor momento foi quando distinguiu arte de “coisa boa”, mas continuou jogando com as peças que já temos.

    Sou artista pois me engajo no que busco como arte. Sinto-me potente pois sou desejante, não vaidoso – para distanciar-me de vaidade enquanto capricho pessoal, excedente.

    Não será a notoriedade minha garantia de alcance, mas a prática na vida. Desse cotidiano, quem sabe, mostrarei “pontas de icebergs”, como síntese do exercício artístico (prática do pensamento da prática). E, nisso tudo, há gente cujas pontas logram ser consideradas “obras de arte”.

    Acredito que não me fui claro; sorte de não ser um blogueiro! Hehe! Gosto de seus textos, Alex Castro. Bem vaidosos, por sinal. :)

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