Papo de Homem

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A tecnologia que liberta é a mesma que aprisiona


Publicado por Rodrigo Almeida em 30.11.2009 às 07:01 em Bate-Papo, Ciência e Tecnologia

Semana passada, falei que a casa dos Jetsons é coisa do passado e descrevi diversas possibilidades de uma casa automatizada. Agora sigo a análise de uma perspectiva comportamental: será que tanta tecnologia vai alterar nossas melhores qualidades humanas?

As tarefas domésticas e nossa humanidade

Em muitas situações, a casa do futuro, criada para tornar nossa vida mais fácil e confortável, pode acabar se tornando uma assistente intrusiva e indesejada.

As tarefas domésticas – que as residências inteligentes se propõem a suprimir de nossas vidas – cumprem um papel essencial que determina como vivemos e quem somos hoje. Como já aprendemos com as meninas lobo, nós não nascemos humanos a priori. Nós nos fazemos humanos e construímos nossa humanidade a cada ação.

Sendo assim, será que todos nós realmente gostaríamos de passar o dia no sofá enquanto nossos sistemas de automação nos substituem em todos os aspectos da vida doméstica?

Os fardos da vida moderna constituem importantes atividades que unem e integram a família e os amigos. O casal que lava os pratos, o tio que ensina o moleque a trocar o chuveiro, a garota que limpa o quarto como forma de terapia…

tarefas-domesticas
Ah, as tarefas do lar…

Ou o que seria de um bom churrasco sem o tempo que a carne leva para ser preparada, o revezamento na função de cortar e servir, a colaboração para sair e trazer mais gelo?

Se bastasse uma pílula diária para nos alimentarmos, aposto que a humanidade não demoraria para transferir o ritual que hoje gira em torno da alimentação (comer junto foi uma das fundações do humano) para outros tipos de encontros.

Liberdade ou dependência?

Os sistemas simplificados de automação residenciais existentes limitam-se a disponibilizar belas e sofisticadas interfaces com as quais podemos acionar boa parte de nossos eletrodomésticos.

No entanto, como mencionado no artigo anterior, as soluções para as novos ambientes inteligentes tendem a dotar nossas residências com autonomia para tomada de decisões. Isto é, através da computação pervasiva, os novos ambientes serão capazes de se antecipar aos nossos desejos e tomar decisões sem que nem sequer percebamos sua interferência.

É ideal criamos uma tecnologia que se torne absolutamente indispensável em nossas vidas e, consequentemente, nos torne seus dependentes?

O que torna tudo isso possível são tecnologias como Mariá, V.I.K.I. (Virtual Interactive Kinetic Intelligence) e Skynet, sistemas computacionais capazes de aprender e se readaptar por meio de inteligência artificial.

Assim como ajudei a projetar Mariá para desenvolver as mais variadas emoções humanas ao longo de sua interação com o usuário, sistemas como VIKI também traçam nosso perfil e buscam estabelecer um padrão de nossos hábitos comportamentais.

São tecnologias criadas para aprender constantemente, aperfeiçoando cada vez mais sua função de antecipar nossos desejos. VIKI era um sistema tão autônomo que acabou assassinando seu criador e tentando escravizar a raça humana na trama do filme Eu, Robô.

Ensinamos máquinas e depois esquecemos como fazer


No futuro, só vai faltar aprender… a pensar e andar?

Ficção científica a parte, tecnologias “mágicas” que surgem diariamente, se propondo a resolver a maioria de nossos problemas, tendem a causar uma profunda dependência.

Como viveríamos hoje se repentinamente todos os telefones celulares fossem retirados de circulação? Como viveríamos após uma pane em nosso sistema de automação residencial 5 anos depois de termos delegado todas nossas atividades domésticas aos ambientes inteligentes?

É possível responder essa pergunta afirmando que simplesmente voltaríamos a lavar pratos, espanar o pó, preparar o café e retirar o lixo de casa. Contudo, lembre-se que, após a invenção do fósforo e do isqueiro, desaprendemos a criar o fogo a partir de gravetos. Inúmeros hábitos e conhecimentos, que um dia fizeram parte de nossa cultura, se perderam ao longo do tempo na medida em que deixamos de usá-los.

Há também aqueles que usam os argumentos da geração de nossos pais, pasmos diante do surgimento de comodidades “indispensáveis” como telefone sem fio e o controle remoto:

“Os moleques de hoje perderam a rusticidade necessária para trocar a resistência do chuveiro ou pregar um quadro na parede.”

A vida além da automação

pirulito
Nenhuma pílula mágica da alimentação vai substituir um belo pirulito…

O medo que alguns pais, da geração das TVs sem cor e das transmissões da Rádio Esso, nutriam em relação ao avanço das comodidades modernas é o mesmo que desenvolvemos em relação a tecnologias inteligentes de automação. Ora, não vamos construir uma sociedade obesa ao criarmos luzes que se acendem sozinhas.

O obscuro cenário imaginado pelos evangelistas tecnológicos xiitas em relação a essa sociedade sedentária em surgimento é tão provável quanto a previsão de nossos pais de um mundo onde todos nós, usuários de iPhones e Twitter, seríamos incapazes de trocar uma lâmpada.

Como em qualquer aspecto de nosso comportamento, a tecnologia é uma ferramenta, não um estilo de vida.

Meu apartamento será sim capaz de acender luzes automaticamente – talvez para simular minha presença em casa e afugentar ladrões, pois nem sempre estarei lá apertando botões e emitindo comandos de voz.

Mas, sempre que possível, vou preferir estar na praia de bermuda, sem camisa, sem computador, sem celular, sem Twitter e bem longe da M.A.R.I.A..

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Rodrigo Almeida, engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, é um nostálgico entusiasta por muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.

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  • Armando
    A propósito do tema, foi postado hoje um breve e interessante resumo do livro citado antes - A Religião das Máquinas -, no link que segue:

    http://pt.shvoong.com/humanities/theory-critici...
  • Armando
    Em Tempo:

    Já que se fala tanto em "raciocínio lógico", acho interessante reproduzir aqui também uma breve noção de Lógica:

    "Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento, e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar."

    É bom também não esquecer que Lógica está ligada à Razão, ao racional, em oposição à impressão, derivada das sensações -estas sim o lugar e a origem da mera 'opinião'.
  • Armando
    Como se vê, estamos diante de um caso raro de aberração anatômica, em que a cauda nasce na cabeça.

    "Nunca pensei que veria um texto anti-cientificista e tecnologista escrito por um engenheiro. Eu pensava que essa qualidade pertencia aos filósofos e escritores."

    Pela lógica, aqui só há uma leitura possível: pertence aos filósofos e escritores - das Humanas, portanto - essa qualidade de "anticientificista" (e antitecnologista?), e nunca a um engenheiro - das Exatas. Considerando que essas "qualidades" seriam, por razões óbvias, uma demonstração de burrice, há sim, implícitamente, uma depreciação na afirmativa.

    " ... o raciocínio lógico é uma opinião ... "
    " ... toda a scientia é baseada na melhor opinião ... "

    Mesmo na mais vaga noção de Filosofia do Conhecimento, ou Metodologia Científica, se sabe que a distinção entre opinião (doxa) e conhecimento (episteme) - que são termos opostos - é central para definir o que é Ciência. A opinião seria o senso comum, as crenças populares, a realidade aparente.

    De episteme (ciência, conhecimento) deriva, inclusive, Epistemologia, disciplina comum a todas as áreas científicas, tanto Humanas quanto Exatas.

    Sobre 'doxa', recomendo este artigo, que conclui com uma ressalva bastante oportuna e pertinente ao academicismo (ou cientificismo):

    http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/D/doxa.htm

    Também poderia escrever muitas linhas, mas destaco apenas esses dois pontos, suficientes para mostrar o que, do que foi colocado aqui, é bobagem, de fato. De resto, não pude ver nenhum nexo nas demais afirmativas. Por óbvio, carência de 'interpretação de textos' está sempre associada à dificuldade na redação. E linguagem rebuscada não significa clareza de ideias.
  • Jefferson Menezes
    Quanta bobagem...

    Meu senhor, você toma o meu comentário pela cauda. Onde eu depreciei filósofos e escritores?

    O que depreciei e deprecio é que dentro das ciências lógicas existe uma adoração em torno do um mais um igual a dois.

    Eu poderia escrever muitas linhas sobre o assunto, mas para resumir: o raciocínio lógico é uma opinião, e o resultado dele na interface dos fatos mede e altera o que ele tem a mão.

    Acredito que a frase acima dá a imagem psicológica necessária para entender o tamanho e o alcance da metodologia científica.

    Toda matemática, física, química, biologia, medicina, geografia, psicologia, engenharia... todo o conhecimento do homo sapiens é baseados no raciocínio lógico, isto é, toda a scientia é baseada na melhor opinião que o homem encontrou ao longo do tempo.

    Não estamos falando em quaisquer verdades, se o que interessa é uma discussão realmente racional.

    Ao entender isso, você percebe facilmente a enorme burrice de dizer que a vida é o Playstation, o "dotor" é uma divindade, só existem as pessoas...
  • Armando
    #43 - Jefferson;

    Vc se dirige ao post, e não ao meu comentário diretamente, mas me sinto no dever de responder já que, óbviamente, me atinge muito mais. Por outro lado, o seu comentário tem o mérito de polemizar e provocar o debate. Então, na parte que me toca, vamos lá:

    1. - Pra seu governo, não tenho Orkut, Twitter ou Facebook. Sendo que os dois últimos jamais sequer acessei.

    2. - O seu "raciocínio lógico" se mostra muito limitado ao acusar de "anticientificista" e "antitecnologista" (seja lá o que isso queira dizer) o post e, por extensão, o meu comentário. E se enquadra entre aquêles aos quais adverti préviamente quanto ao quesito 'interpretação de textos'.

    3. - Formalmente, não me incluo nas categorias de "filósofo" ou "escritor" (no sentido estrito). Mas parto da seguinte premissa: quem é alfabetizado e escreve é escritor. E quem pensa e reflete críticamente sobre o que o cerca, e sobre a realidade na qual atua, é filósofo (no sentido lato). Portanto, todos somos um e outro. Ou - numa perspectiva verdadeiramente humanista - deveríamos ser, pelo menos.

    4. - Ao depreciar, ainda que subliminar e irônicamente, os filósofos e escritores, vc nega frontalmente o "humanismo secular" que atribui aos cientistas e, por extensão, a si mesmo.

    5. - Como vc mesmo bem faz essa associação, Lógica e Humanismo estão, de fato, intrínsecamente ligados. Ao negar - ainda que sub-reptíciamente, de novo - o estatuto de ciência às Ciências Humanas; se mostrar incapaz de perceber a condição humana elementar que demonstro no ítem 3, e pelo exposto no ítem 2, o seu anti-humanismo fica ainda mais evidente.

    6. - Vc tem todo o direito de discordar e contestar - o debate é sempre saudável e necessário. Mas um verdadeiro humanista elabora melhor seu pensamento, procura ter uma visão mais ampla, fundamentar melhor a sua crítica. E jamais faria uma intervenção tão impregnada de um corporativismo estreito - tola, simplória e equivocada como a sua.
  • Jefferson Menezes
    Nunca pensei que veria um texto anti-cientificista e tecnologista escrito por um engenheiro. Eu pensava que essa qualidade pertencia aos filósofos e escritores. A maioria das pessoas, principalmente dentro das ciências exatas e aplicadas, enxerga o raciocínio lógico e o humanismo secular como duas verdades universais.

    O sujeito senta na frente do Orkut, do Twitter, do Facebook, e pensa que aquilo explica tudo...
  • Armando
    Desculpem pela repetição, houve um problema ao fazer o upload.
  • Drica
    1berto,
    em termos, comemos melhor do que as gerações anteriores comiam. Hoje já não se consome tanta gordura saturada como banha de porco e coisas do tipo, em compensação... Não havia BigMacs no tempo de nossos avós.
    Não é porque a cultura de um povo diz que ser gordo é saudábel, que realmente seja! Estão aí os médicos e pesquisadores do nosso tempo pra confirmar isso. O que pode acontecer... É que nas próximas gerações, nosso organismo se adapte novamente e então, se mude a concepção de saudável, que foi mais ou menos o que entendi que quiseste dizer. Ok!
    O fato é que os antigos, ainda mais no interior, comiam menos vezes por dia e assim, "caprichavam" nas refeições que faziam. Além disso, a grande maioria tinha maior gasto eergético por conta da lida diária, lavoura, campos entre outras. Hoje, bem sabemos que as coisas já não são assim...
    passamos muito tempo sentados em nossas cadeiras trabalhando na frente de um computador, por exemplo. Nosso gasto calórico não é grande coisa. Daí vem os mais gordinhos.
    O preocupante é que quanto "menos" esforço fazemos, menos queremos fazer. A tendência é aumentar ainda mais o peso de nossos futuros adultos!
  • Armando
    Interessante é que nos ensaios de A Religião das Máquinas o autor (Erick Felinto) cita também Pierre Lévy e André Lemos. Este último a partir de seu artigo "As Estruturas Antropológicas do Ciberespaço", que pode ser acessado aqui:

    http:/www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos/estrcy1.html

    De Lemos, Felinto extrai a ideia de que se "estabelece assim uma ponte significativa entre o funcionamento do imaginário humano e a estrutura das novas tecnologias. No centro do texto, repousa uma aproximação da noção de ciberespaço com o universo arcaico dos métodos e símbolos do hermetismo e da gnose."

    Vê no artigo, porém, uma dinâmica de diluição entre pensamento mágico e racionalidade tecnológica, resultando numa indefinição teórica e conceitual na percepção de ambos os fenômenos. Que não colabora para a construção do que chama de um 'conhecimento operativo'.

    Em Pierre Lévy, se põe de acordo quanto as relações entre Tecnologia e Cultura, e a convicção de que se condicionam recíprocamente. Mas chama a atenção para o paradoxo entre o caráter de 'novo absoluto' atribuído à tecnologia e a retomada de mitos arcaicos e anseios primitivos nas suas representações. De onde se originam o seu fascínio e seu poder.

    Mesmo sem ter ainda concluído a leitura, pode-se depreender que o autor busca advertir para o perigo de essa adesão quase religiosa ao culto da tecnologia nos conduzir a algum tipo de totalitarismo. E dá pistas de como uma postura crítica, ao contrário, pode apontar para um horizonte realmente novo - a comunidade de homens e mulheres livres, próximos e interativos, em que a cibercultura se constitui potencialmente.
  • Renan
    Olha só que bacana ^^
    a palestra deve ter sido demais heim..
  • 1berto
    "temos controles remotos e carros com direção hidráulica", há controvérsias, durante muito tempo uma alimentação 'gorda' era considerada saudável, até hoje na minha cidade no interior as pessoas considera gordura sinônimo de saúde. O problema maior é que simplesmente hoje em dia comemos o suficiente para sermos em média mais gordos. Assim como há algumas gerações a propagando por uma alimentação pesada criou gordos hoje, talvez amanhã as 'propagandas' de hoje sobre academias e alimetanção leve nos tornem mais 'leves'.
  • Armando
    A título de curiosidade, faço o registro de que tanto André Lemos quanto Pierre Lévy são citados nos ensaios de Erick Felinto.

    O primeiro, a partir do seu artigo "As Estruturas Antropológicas do Cyberespaço", que pode ser acessado aqui:

    http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/lemos/estrc...

    Deste o autor (Felinto) extrai a idéia de que se "estabelece, assim, uma ponte significativa entre o funcionamento do imaginário humano e a estrutura das novas tecnologias. No centro do texto, repousa uma aproximação da noção de ciberespaço com o universo arcaico dos mitos e símbolos do hermetismo e da gnose."

    Em Lévy, ao mesmo tempo em que busca apoio e se põe de acordo com a sua premissa de que Tecnologia e Cultura se condicionam recíprocamente, Felinto faz a crítica à noção de 'novo absoluto' representada pelas Tecnologias da Inteligência, ao chamar a atenção para o paradoxo de retomarem "antigos mitos, representações arcaicas e anseios primevos". E daí extrairem seu fascínio e poder.

    Mesmo sem ainda ter concluído a leitura, pode-se depreender que o autor, na sua análise, procura advertir para o risco de essas concepções místicas conduzirem a um totalitarismo. E aponta pistas no sentido de, através do senso crítico, construirmos uma concepção de tecnologia que nos coloque no horizonte a possibilidade de uma sociedade realmente nova.
  • Renan,
    quando trabalhávamos em projetos envolvendo robótica na faculdade, éramos obrigados a frequentar as aulas de filosofia e discutir Pierre Lévy.

    Na verdade, minha universidade trouxe ele da França para uma discussão à respeito do impacto da hipermídia no nosso comportamento. Eu tinha um vídeo da palestra em algum lugar, mas não sei mais se consigo achar.

    Bom comentário ;)
  • Renan
    Uma dica massa pra quem gosta do tema são os especialistas Pierre Lévy, e o brasileiro André Lemos
    muito bom o artigo ;)
  • Diego Rebuli
    É como o Nilo Walker falou, a culpa não é na tecnologia em si e sim no modo em que a utilizamos e utilizaremos!

    @edu:
    O filme Substitutos é um belo exemplo de abuso da tecnologia, as pessoas simplesmente não saem de casa os robôs fazem tudo, dentro e fora de casa.

    Pra quem não viu, é uma ótima opção de filme: Surrogates(Substitutos), com Bruce Willis.
  • edu
    alguem jah assistiu substitutos?
  • Nilo Walker
    O problema não está na automação em si, e sim em nós, até porque, em vez de estar lavando banheiro ou pratos, presos às tarefas domesticas a gente poderia estar aproveitando sim muito mais os amigos e a família!

    Deixar as redes sociais de lado, bem, muita gente se encontra e marca encontros pela internet.

    Enfim, o problema é COMO vamos usar a automação, ela não é desenvolvida para a gente não fazer nada, é feita pra a gente fazer mais as coisas q a gente gosta ao invés de ficar "perdendo tempo" lavando ou consertando coisas !

    =)

    Um Abraço
  • Armando
    Em Tempo:

    No livro citado no comentário acima o autor faz também uma interessante análise do filme Matrix, enfocando a forma pela qual os diretores e roteiristas (os irmãos Wachowski) explicitam, de forma alegórica, as relações entre o culto da tecnologia e a cultura, a ciência, o misticismo e a espiritualidade.
  • Thiago Veríssimo
    Parabéns pelo feliz texto...

    Concordo plenamente com você, quando explixa que a tecnologia e métodos modernos são na verdade uma ferrementa (complemento) e não o estilo humano (essência).
  • Armando
    Correção: onde se lê " ... expressam, na verdade, ... ". leia-se "expressa", no singular.
  • Armando
    Muito bom o artigo. Sobretudo pelo convite que faz a um olhar crítico sobre esse pretenso e bastante discutível 'avanço' tecnológico. A adesão quase religiosa, ou mística, aos seus produtos deriva do impacto que causam no nosso imaginário.

    No plano da cultura - apenas tangenciado no post - esse impacto acaba produzindo toda uma forma de ver o mundo povoada de crenças fantasiosas e míticas, que acabam se reproduzindo e interferindo nas relações interpessoais.

    Coincidentemente, nesse momento estou lendo um livro bastante esclarecedor sobre o assunto: A Religião das Máquinas; Ensaios Sobre o Imaginário da Cibercultura (Erick Felinto - Ed. Sulina).

    "Em seus ensaios, este livro apresenta uma primeira exploração sistemática do que poderíamos chamar de 'imaginário tecnológico' contemporâneo, com sua obsessão pelas figuras dos ciborgues, andróides, pós-humanos e anjos virtuais do ciberespaço.
    São textos breves, mas densos, nos quais se revela esse obscuro e surpreendente mundo das mitologias ciberculturais. E a maior surpresa de todas, como destaca repetidamente Felinto, é perceber como os novos mitos trazem de volta à nossa hipermodernidade as antiquíssimas imagens de deuses e religiões passadas."

    Destaco esse trecho da orelha do livro pra dar uma idéia do seu conteúdo. E também pra registrar, a propósito do que diz o ultimo parágrafo: há muito me dei conta de que a mentalidade vigente na chamada PÓS-MODERNIDADE expressam, na verdade, valores, crenças e condutas PRÉ-MODERNAS e feudais (e atrasadas, portanto). Exemplos: a concepção tribal na convivência social; o relativismo e a negação de valores universais, etc, etc ...

    O autor, no entanto, vai ainda mais além. Revela, com toda a clareza, que o imaginário da cibercultura regride a tempos arcaicos e primitivos, incorporando concepções religiosas, esotéricas e míticas na explicação - inclusive entre teóricos e cientistas sociais - dos fenômenos tecnológicos. E, por extensão, na interação com o mundo, na nossa vida diária.

    P. S. - Àqueles que entenderem esse comentário como uma negação pura e simples da tecnologia, de antemão, recomendo umas aulas de interpretação de textos. E estendo um dedo médio bem duro (talvez não suficientemente grande, infelizmente).
  • Olá, gostei muito do artigo, principalmente das fotos rsrs....

    Mas se quiserem ver tbem um artigo q escrevi sobre Tencologia, Música e senso estético da modernidade, q fala muito sobre tecnologia de hj,visitar:

    http://www.luz-e-terra.com.br/diversao/materia....

    Abrs
  • Mateus Rodrigues
    Vou querer minha casa toda automatizada também. Com algumas exceções que acho bobeira. Mas, por exemplo, a de ascender a luz com a presença e a das portas se abrirem sozinhas é show de bola.

    Só não quero que a academia tenha qualquer automoção.

    hehe
  • Grande Irmão
    É isso mesmo! O objetivo final do Grande Irmão é microchipar todos os seres humanos. O novo microchip anunciado pela Hitachi é do tamanho da espessura de um fio de cabelo, e invisível ao olho nu. Este microchip tanto envia sinal quanto recebe. Todos os passos da humanidade serão rastreados. Da mesma forma que sinais poderão ser enviados para os chips, que produzirão ondas eletromagnéticas no nosso corpo, induzindo sentimentos e emoções. E os chips já começaram a ser implantados sem a noção ou o consentimento das pessoas, pois estes serão introduzidos através das pontas das agulhas em campanhas mundiais de vacinação. Aí finalmente a humanidade entrará na Matrix.
  • A. Montoni
    Essa tecnologia que "liberta ou aprisiona" refere-se tão somente ao corpo fisico e, enquanto estivermos com essa "sujeirinha" chamada de corpo humano. Todos somos iguais fora do corpo, quer queira sejamos humanos ou animais quaisquer ou então uma árvore, uma plantinha qualquer ou um sumples matinho qualquer que sem importancia retiramos do convivio de outras plantas por nos consiideradas como verduras ou legumes...
  • diversidade
    Pq "papo de homem"??????? se quase todo o conteúdo é feito por mulheres e quase todos os comentários e visitantes são mulheres?
    Na internet não existe nenhum site de conteúdo voltado para homens héteros
  • Aurelio Gouvea de Melo
    Automação é a minha profissão então quanto mais automação melhor, mas, deve existir uma linha que separe o conforto e a total substituição dos homens, a automação vai até o ponto de eliminar as tarefas simples rotineiras e massantes, porém não deve eliminar os pequenos prazeres...
    Imaginando uma estufa por exemplo, se você gosta de aguar as plantas porque colocar na irrigação automática, porém, o dia que você estiver mais cansado você pode simplesmente deixar o computador cuidar das plantas para você.
    Este artigo me lembra muito do "Project Natal" que cria uma interface através de cameras para o xbox 360, quem não viu vale a pena dar uma olhada, você não vai precisar de controle nenhum com este XBOX.
  • Drica
    Aliás, as tais pílulas mágicas já existem...
    Ou dizem os anunciantes que existem, são aquelas que emagrecem em 1 mês, ou as dietas da lua, da água, da fulana ou da ciclana!!! Ou ainda aqueles que se entopem de McTastys e Cocas Cola e antes de dormir tomam suplementos vitamínicos.

    People, wake up!!!!

    Levantem da cadeira e vão na padaria comprar pão, não peçam pela internet! O único beneficiado é o entregador... Que teve de se deslocar até o seu apê!!! E mesmo assim, deve ter usado a motocicleta e o elevador até o 7ºandar!

    Não que eu ache a tecnologia um malefício, bem pelo contrário!!! Tanto que estou sentada lendo blogs, twitters e todo o resto... Nunca foi tão fácil ter informação... Mas usem-na com bom senso!!!

    Bom, acho que me fiz entender...
    Abraços!
  • Drica
    Enquanto lia esse post, pensava exatamente como a #3 Thaís.
    Também sou nutricionista e estou bastante preocupada com as próximas gerações.

    Obviamente criar sistemas que acendam luzes sozinhas ou controles remotos não causarão obesidade imediata! O problema está em querer automatizar tudo... Por favor, perdoem a ignorância, mas sou entendo é de fisiologia, não de tecnologia!
    As luzes que acendem sozinhas, ambientes que se aquecem ou resfriam,a substituição de teclados e mouses por comandos de voz e até, logo logo, poderemos fuçar com a força do pensamento.

    Isso tudo me lembrou o filme que vi certa feita... Onde o sexo era feito com eletrodos ligados na cabeça do casal, se deitavam confortavelmente e transavam sem se tocarem, um em cada canto da sala!!! Até ESSE gasto de calorias tão delicioso do sexo poderão ser automatizadas???

    É a história do fósforo e do isqueiro... Será que é tão favorável assim todo esse avanço se não houver uma bela dose de bom senso do ser humano???

    Eu prefiro levantar e acender minhas próprias luzes!
  • Verdade.... senão, para quÊ estudar tabuada, se existe calculadora? Para que o telegrama, se existe o celular? E numa ilha? como acender uma fogueira sem o fósforo? É preciso saber dominar a tecnologia para que não ocorra o contrário.

    (enrolei, mas acho que dá pra entender). kkkk

    Beijo.
  • Paulo H.
    Nenhuma pílula mágica da alimentação vai substituir um belo pirulito…

    -

    HUMMMMMMMMMMMMMMMM HAHAHA
  • henriquezrx
    Sem dúvida alguma: Toda tecnologia tem que ter limites. Não sou contra o desenvolvimeto e a descoberta de novos meios que tornem nossas vidas mais práticas, mas máquinas não substituem o simples ato e o prazer de termos nossos "à fazeres", tudo tem seu ritual. Contudo, por exemplo, não deixarei de ter um sistema capaz de acender luzes, como você falou e também algum para reaproveitar água, seja lá o que for. Mas atividades básicas, isso nunca vou deixar de fazer.
  • Penso que essa automação doméstica toda pode nos fazer mais sedentários mesmo, mas acho que perderemos um pouco da originalidade. As coisas vão ser feitas iguais na casa de todo mundo, realmente será estranho... Mas estamos caminhando para isso.
  • @David,
    leia o primeiro artigo.

    Para quem quiser espiar como seria esse futuro em que a tecnologia interage conosco ao nosso redor, vale a pena espiar o vídeo (último vídeo do artigo) produzido pela Microsoft aqui:
    http://www.rodrigocastilhos.com/blog/laura-mari...

    Abraço,
  • Post sensacional!
    Concordo plenamente. E acho que além de obesidade e dependencia, pode haver mais consequencias.
    Pow vai ser muito chato se tudo for automático né?
    Parabéns pelo post!
  • Bruno
    Pf... ser sedentario por causa da tecnologia é tão simples quanto ser sedentario por depender dos outros ou ir da cadera do escritorio até o sofá da sala.... Tecnologia alguma muda isso, ela é só uma ferramenta....

    PS:"Mas, sempre que possível, vou preferir estar na praia de bermuda, sem camisa, sem computador, sem celular, sem Twitter e bem longe da M.A.R.I.A.."

    bem longe da M.A.R.I.A, essa é bem ultrapassada, na praia ela é bem substituivel pela R.A.F.I.N.H.A.
  • Laura
    Esse texto me remete a uma matéria que li na Super Interessante (creio que do início do ano, quiçá, ano passado) em que uma jornalista se propôs a ficar um mês sem telefone celular - se não me engano, ela ainda por cima estava em outro país a trabalho.
    Como era de se esperar, ela admitiu não conseguir viver sem o dito cujo aparelho.
    Os tempos modernos, - onde, já dizia Super Sam, "time is money" - nos impõem uma pressão perpétua de vivermos em um ritmo acelerado com milhares de prazos e afazeres; condições essas que só se tornam viáveis por meio das tecnologias. E o negócio ficou tão sério, tão intenso, que temos por "normal" passar 6 horas em frente ao computador, por exemplo.
    Nossa geração, de jovens de 20 a 30 e poucos anos, aproximadamente, viu transformações muito grandes no decorrer da sua juventude no tocante às tecnologias, o que faz com que tenha-se a triste conclusão de que nossos filhos nascerão com muitas facilidades que os impedirão de ter conhecimentos básicos, primitivos, se não nos dispendermos a impor sérios limites aos pimpolhos.
    Enfim, to me delongando demais e já to até meio que fugindo do assunto.
    Adeus.
  • David
    O que é M.A.R.I.A. ?
  • Giou
    Concordo com esse excesso de dependência da tecnologia. Isso até me amedronta, pois um dia (já estão, na verdade...) informações vitais estarão guardadas em meio digital, passíveis de serem modificadas ou perdidas por pane ou alguém mal intencionado.

    O que está para vir é a tal "realidade aumentada": aponte a camera do seu celular para um determinado local e aparecerá diversas informações: links pra Wikipedia, indicação de lojas, engarrafamento, vaga de garagem, preço dos restaurantes locais e reviews sobre eles, se há algum "amigo" do Orkut/Facebook/etc. Se só o Google, ainda dependente de que digitemos algo no mecanismo de busca, já nos torna dependentes, imaginem quando esse conceito de realidade aumentada estiver a pleno vapor, disponível em qualquer celular?

    Obs: Não existiu uma "Rádio Esso", mas sim um programa chamado "Repórter Esso", que permaneceu bastante tempo no ar pelo rádio, e depois passou para a TV.
  • andre
    Excelente texto rodrigo!

    Eu fico pensando nisso sempre, mas pelo menos eu ainda estou longe de instalar uma M.A.R.I.A em casa hahaha

    e, ainda que nos tornemos dependentes de tanta tecnologia, na hora que a necessidade nos aperta, sempre somos forçados a sair dela de um meio ou outro, ou então perecer...mas sempre sobram aqueles que conseguem, então acredito que as velhas tradições sempre podem ser resgatadas quando for necessário.
  • Ronigres
    Lembrei de um filme em que no final o Val Kilmer aperta um botão que detona com todo o conhecimento da humanidade, voltando à estaca zero, sem energia elétrica sem nada. E o cara não saber trocar um chuveiro tem que pular da ponte.
  • Joel Gonçalves da Silva
    Como técnico em eletrônica e computadores, tenho visto clientes completamente perdidos quando o micro para, nem imagino o que vai acontecer quando toda a casa for um computador, eu já estou cançado de tanta tecnologia, alguem ai sabe de uma vaga como caseiro no litoral capixaba.
  • Renato
    Outro excelente artigo.

    Valeu Rodrigo.


    Na praia, de bermuda...
    Mas com cerveja gelada, refrigerada num bom freezer ou geladeira.... alimentados por energia elétrica... usina... geração...trasmissão...distribuição....

    Sempre teremos alguma automação ao nosso lado!!!
  • Rosária em 29.11.09 19h
    São coisas que já sabemos mas.....é sempre bom lembrar.
  • Gostei da segunda parte, Rodrigo. Traz um pouco mais de alívio do que a primeira. rs

    Porém, há um equívoco quando afirma que não vamos construir uma sociedade obesa ao criarmos luzes que se acendem sozinhas. Isso já aconteceu, meu caro. Vou dar exemplos bem simples, ok? Longe de toda essa viagem de casas automatizadas e que antecipam nossos desejos (continuo achando futurista demais).

    Vamos aos exemplos: temos controles remotos e carros com direção hidráulica, certo? Duas tecnologias que diminuiram demais nosso esforço necessário para mudar um canal na TV ou dirigir. Ao longo dos anos, economizamos muitas e muitas calorias que deveriam ter sido gastas. O resultado? Obesidade, doenças cardio-vasculares, câncer, síndrome metabólica, etc... A prevalência dessas doenças aumentou assustadoramente após a segunda metade do século XX e a tendência é continuar aumentando.

    Nossa evolução tecnológica é infinitamente mais acelerada que o processo evolutivo biológico. Metabolicamente, ainda deveríamos nos exercitar como o homem pré-histórico, mas nossa tecnologia não o permite.

    É claro que não estou pregando que retornemos todos às cavernas (antes que algum leitor xiita venha atirar pedras). O desejo de conforto e sua inteligência fizeram o homem criar tecnologias magníficas. Tecnologias que inclusive aumentaram nossa sobrevida. Mas ao mesmo tempo nos tornamos absolutamente dependentes. O que me faz pensar: se houver uma pane generalizada por apenas 10 dias, quem sobreviverá melhor? O cidadão médio de NYC ou o camponês do interior da China?

    Enfim... Essa discussão toda me lembra um quadrinho do Chico Bento que li quando tinha uns 10 anos de idade. Chico Bento foi visitar o primo na cidade e ficou a observar sua tia. Durante um dia inteiro, eles iam de carro à padaria, preferiam as escadas rolantes às normais; os moradores da cidade sempre evitavam qualquer atividade que exigia esforço físico. No último quadrinho, Chico Bento simplesmente não entende porque sua tia termina o dia correndo esbaforida numa esteira da academia. Achei sensacional a sacada do Maurício de Souza!

    É claro que isso é assunto pra discussão que não acaba mais. Cada um com seu ponto de vista. Eu sou nutricionista, vc. suponho que seja engenheiro; por causa disso, é óbvio que teremos opiniões diferentes, não é mesmo? Mas o que vale é o diálogo, o questionamento de nossa postura diante de tais mudanças.

    Parabéns pelo post!

    Um abraço.
  • Evandro Kerber Lautert
    Na minha opinião, o grande problema dessa automação toda, é que passaríamos a ser menos "originais"... por mais q tenhamos nossos hábitos diários, e quase sempre (QUASE) fazemos as mesmas coisas todos os dias, sempre tem aquele dia q vamos querer comer outra coisa, assistir outro progama na TV, etc... e com a automação, fica mais difícil, pois o "normal" já está pronto, e fica mais difícil fazer outra coisa...
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