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A tampa (im)perfeita de cada panela

Stela Santin

por
em às | Artigos e ensaios, Ladies Room, Sexo


Tenho 27 anos, sou solteira e não tenho filhos. Para os mais velhos talvez eu até já figure entre o rol das que ficaram para a titia, já que há uma geração atrás a regra era casar-se até os 20 anos. Mas, para outros, eu ainda não sou um caso perdido: não canso de receber olhares do tipo “A sua vez chegará”, “Vou te apresentar um amigo”.

Quando eu não tenho que ouvir a célebre frase “Relaxa, para toda panela há uma tampa”.

Jorge Amado e Zélia-Gattai: um amor de 56 anos. Panela e tampa, perfeitamente encaixados

É curioso perceber as pessoas desejando a minha salvação, enquanto eu não ache que esteja perdida (pelo menos não nesse aspecto). Aliás, o que garante que alguém que casa e tem filhos seja mais feliz do que alguém que não o faça? Acreditem, é possível ser feliz solteira. Não sei se eu continuarei pensando assim daqui a 20 anos, mas, por enquanto, esse tema não me causa ansiedade. Aliás, acho até que precisamos aprender a ficar bem e sozinhos, para que o relacionamento não se torne uma muleta sem a qual não avançamos, mas um apoio, uma possibilidade de andar ainda melhor.

Conceber um relacionamento ou ainda o pacote “casamento + filhos” como passaportes para a felicidade pressupõe um script cósmico da configuração externa das coisas como garantia de satisfação. Porém, a cara que a nossa vida tem é só fachada: não diz absolutamente nada sobre como estamos nos sentindo de verdade.

Eu não tenho nada contra namorar, casar ou ter filhos. Aliás, já namorei bastante e, se isso vier a acontecer na minha vida de novo, nada contra, acho até bem gostoso. O que parece problemático é assumirmos algum tipo de status civil como sinônimo de felicidade, uma vez que ele, em si, não tem a capacidade de garantir satisfação na vida de alguém, logo, não vem ao caso se considerar na vantagem por ter um maridão e um filhinho lindo. O contrário também é verdadeiro, no caso dos solteiros. Ambas as experiências oferecem inúmeras vantagens e desvantagens, como tudo na vida.

Não se trata de fazer apologia à solteirice. São abundantes os exemplos de solteirões afundados em depressão, assim como a lista de casamentos tensos e infelizes é enorme. A expectativa de que uma configuração de vida em específico nos garanta alguma vantagem perene é o verdadeiro problema. Ainda assim, os indicadores que usamos para avaliar felicidade ainda residem em aspectos bastante externos da nossa vida. Quem nunca escutou o diálogo abaixo?

– Como está fulano?

– Está bem! Casou, teve dois filhos, está com um emprego legal, ganhando bem. Até ofereceram a ele um cargo no exterior. Esse tá encaminhado!

A resposta à pergunta parte de um referencial assustadoramente estreito: o de que estar bem é casar, ter filhos, um emprego legal, ganhar bem, trabalhar no exterior.

Quando recebemos uma reposta dessas na vida, deveríamos refazer a pergunta. Eu quero saber como a pessoa realmente está e não o que ela está fazendo.

"Você não é o seu trabalho", disse Tyler Durden. Dá pra acrescentar: "Você não é o seu relacionamento"

É completamente alienígena não incluirmos nos nossos indicadores critérios como brilho no olho, disposição, alegria, relaxamento, saúde, enfim, métodos que digam respeito a como a pessoa realmente está. Nós sequer temos linguagem para falar sobre isso. Tanto é que o diálogo abaixo poderia soar estranho e até um pouco piegas.

– E fulana, como está?

– Está super bem! Com o olho brilhando, alegre, saudável, cheia de vida e inspiração!

– Casou?

– Não, nem teve filhos. E acabou de se demitir do trabalho, vai tentar alguma coisa diferente.

Enquanto nossos referenciais de felicidade se limitarem a um empregão, maridão, viagens, dinheiro e filhos, o diálogo acima permanecerá raro e as solteironas (e os solteirões!) continuarão a receber o olhar de “Você é um perdedor”.

Poderíamos pensar que, no fundo, já somos bem moderninhos e que ultrapassamos a noção de que a solteirona é uma loser e que a mulher casada e com filhos se deu bem. Talvez tenhamos de fato ultrapassado essas ideias no nível mais político e social, afinal, ninguém ousaria julgar abertamente uma solteirona, porém, internamente, a sensação predominante parece ser a de que ela está um pouco fora do eixo, está fazendo algo deslocado e com menos chances de sucesso.

O que sustenta esses referenciais estreitos de felicidade parece ser uma crença muito entranhada e sutil de que, de fato, há um gran finale, um momento ideal em que os tambores tocarão para nós, em que vamos encontrar as pessoas perfeitas, ter os filhos perfeitos, a casa perfeita, circunstâncias que finalmente farão da nossa vida uma experiência agradável e angelical. Como esse momento nunca chega, ou, se chega, dura pouco, nos frustramos. Mas ainda assim seguimos, com uma esperançazinha de que há uma luz no fim do túnel, de que para cada panela há uma tampa, de que em algum lugar existe o encaixe perfeito esperando por nós.

Porém, com o passar dos anos, todas as tampas se deformam, entortam, mudam de cor. E aí? Se o que nos sustentava era a perfeição do encaixe, vamos inevitavelmente nos espatifar no chão. Para aliviar a queda e um dia não cair mais, precisamos olhar diretamente para a realidade e ver que as coisas não funcionam como esse software alienígena sugere.

Tom Cruise e Katie Holmes. Feitos um para o outro...

Exercício de contemplação

Um bom exercício prático para ver isso operando, sugerido pelo Lama Padma Samten, é o seguinte:

1. Pegue uma revista Caras antiga cuja capa mostra artistas recém-casados radiantes e felizes na Ilha de Caras. Investigue os próximos capítulos até achar o entortamento da tampa. Se você não encontrou, espere mais um pouco. Esse é um bom exercício para combatermos o péssimo hábito de acharmos que a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa.

2. Concentre-se. Agora pense em quantas pessoas você conhece, incluindo você, que encontraram (várias vezes!) com convicção a tampa para sua panela e depois se entortaram (várias vezes!). Devíamos, no mínimo, sorrir diante das nossas convicções de que encontramos a tampa perfeita, como quem sabe que aquilo é uma piada cósmica gostosa. Pra não chorar depois, podemos sorrir no começo, de saída.

Toda hora me flagro procurando os encaixes perfeitos. E cada vez mais me convenço de que isso é um tiro no pé, porque o mundo é muito mais dinâmico, plástico e maleável do que aquilo que eu espero dele. Por isso, tenho tentado viver a vida com menos expectativas de achar as tampas das panelas. Não só em relacionamento, mas em qualquer área da vida.

É como deixar de acreditar em príncipe encantado, em trabalho encantado, em cidade encantada, em amigos encantados, em corpo encantado, em família encantada. É como parar de exigir um encantamento particular das coisas. E deixar elas serem o que são.

Curiosamente, a coisa toda vai ficando muito mais interessante do que o mundo encantado dos encaixes perfeitos que eu queria pra mim.

Stela Santin

Stela Santin é uma catarinense sagitariana que adora chimarrão. Acha a vida extremamente intrigante e desafiadora. De resto, nem vai dizer do que gosta ou o que é, porque amanhã já mudou tudo. Pouco confiável.


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  • Emílio Norbert

    Muito bom, Stela.

  • http://about.me/roh Rodrigo Santos

    Muito bom seu texto, concordo com seu ponto de vista. Vou adicionar mais alguns parágrafos, meio que como resposta.

    Embora, a minha visão sobre estar feliz num relacionamento é companherismo. Eu quero achar uma mulher que goste da minha compania e goste de estar conversando comigo, no mínimo. Se encaixa na tal da “esposa amiga”. Com companherismo e comunicação, eu acredito que todos os casais são felizes. Acho que as pessoas precisam se conhecer para saber o que faz ela ficar feliz, ter certeza do que vai encontrar lá na frente e se isso fará ela feliz ou não.

    As pessoas, em geral, costumam ter uma visão muito limitada de felicidade, compartilhada há anos pela sociedade, achando que fatos como conseguir um emprego que pague 10 mil reais mas que muitas vezes você não gosta, uma esposa gostosa com a qual muitas vezes você mal conversa, e até filhos que vão aprender essa visão e repetir isso para as futuras gerações. Isso até pode fazer uma parte das pessoas felizes, mas não todas.

    Como elas acham que a visão da sociedade está certa, elas recusam todo o resto (incluindo solteirice), te tratando como perdedor, sem dó. Elas acabam enxergando tão pouco de si mesmas e passam a vida tentando saber o que as fazem felizes. Daí, entram no senso comum que é “Casar e ter filhos” e “Um emprego bom” e quando chegam lá, não conseguem e muitas vezes tentam novamente.

  • http://www.facebook.com/fabricio.daros Fabrício Guerrero Darós

    Baita texto guria!
    As vezes para o prato sair bom, uma tampa meio tortinha deixa reduzir na medida e velocidade certa.
    Mas fico imaginando como deve ser chato esse olhar “a tua vez chegará”. Acho que a maioria dos homens não recebem tal olhar…

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Fabrício, eu até acho bem engraçado quando recebo esse olhar.
      Valeu pelo comentário! :-)

  • http://www.facebook.com/marcelo.delphi Marcelo R. R.

    27 ainda e toda essa neura? Eu faço 30 esse ano, e agora que moro só. Para mim a vida só começa depois do primeiro carrão e um histórico gigantesco de farras, portanto estou começando a vida agora.

    • Leandro Terra

      É bichão, chegar aos 30 fazendo piadinha de Caco Antibes e (ainda) impressionado com Schopenhauer te coloca bem longe de alguém que tá “começando a vida agora”.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Marcelo, curioso você ver neura no meu texto. Não é exatamente como me sinto com relação ao tema. Sobre dinheiro versus felicidade, concordo que a concepção de felicidade oscile junto com a conta bancária. Quanto mais ganhamos, mais precisamos para ficarmos satisfeitos. Velha história.
      De resto sobre seu comentário: não há como evoluirmos a conversa aqui com base numa piadinha sobre a felicidade dos pobres. É contraproducente.

    • Eduarda

      Péssimo seu comentário.

    • CDP

      Parabéns, pra alguém que acabou de sair da saia da mãe pelo menos escreveu Schopenhauer direito.

  • Giovanna Mendes

    Muito bom! As vezes as pessoas tem essa neura de ter que casar, ter filhos e ter estabilidade profissional, mas tudo nao passa de uma tradicao careta. A vida vai muito além de se encaixar na sociedade! Vale mais apena voce ser feliz consigo mesma do que agradar e alimentar um sonho vazio que muitas vezes nao lhe pertence.

  • Polygall

    Tomará que, cada vez mais, as pessoas busquem o autoconhecimento a ponto de, pelo menos, entenderem o que realmente faz sentido em suas vidas e assim encontrarem o seu referencial de felicidade. Desta forma, acredito que serão mais legitimas. Eu estou tentando – apanhando e tentando [sempre]!!
    Stela, adorei o texto, fantastico…tenho apenas um “incômodo” quanto a sua conclusão, você diz que tem tentado viver a vida com menos expectativas. “É como parar de exigir um encantamento particular das coisas. E deixar elas serem o que são”. Para mim isso soa como passividade (aceitar aquilo que vem, deixar a vida me levar, se acomodar) e apesar de aceitar a ideia de diminuir as expectativas, de procurar não exigir tanto do próximo e das coisas eu sempre acabo me bloqueando nesta conclusão que, confesso, me limitar. Poderia me explicar melhor como é isso??

    • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

      Se me permite, eu pensei o seguinte sobre essa conclusão: se formos procurar “a pessoa perfeita” que casa com nossos ideais, pode ser no final infrutífera. A pessoa é outra pessoa, com outros pensamentos, mesmo que sejam similares aos nossos.

      Num relacionamento, tem que existir uma “passividade” de ambos os lados. Da mesma forma que uma parceira minha tem entender meus “defeitos”, eu tenho que entender os “defeitos” dela. É como “Cinderela”: uma hora ela vai estar radiante, mas depois ela vai se revelar de outra forma. E aí tu tem que ver se você aceita esta nova e original forma :)

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Oi, Polygall. “Viver com menos expectativas” dá uma impressão de inércia, né?! Mas não é bem assim: tenho muitos sonhos, muitos planos, muitos projetos. O que tenho tentado (e apanhado também!) é me dar conta de que, por mais que eu tente controlar o rumo das coisas, o mundo me ganha em dinamismo, a realidade escorrega por entre os dedos e o que planejei sempre sai um pouco ou muito diferente. Melhor contar com esse dinamismo de saída, incluir essa incerteza no planejamento e ter menos expectativa: o que não significa não se arriscar, não tentar, não se envolver, não namorar, não trabalhar. Nada fácil, mas mais divertido. Faz sentido?

  • Diogo

    Este blog esta virando muro de lamentações de mulherzinha, que post tosco. “estou beirando os trinta, trabalhei e estudei pra caralho e nao tive tempo pra me relacionar, nada melhor do que auto afirmar que sou felizona… Uhull”

    • Luccas

      Se não gosta daqui, então não volte.. Se for para ficar, ao menos responda os textos com uma crítica construtiva, porque assim parece que o único se lamentando é você.
      Que comentário tosco.

      • John

        Relaaaxa, Luccas. O Diogo tá dando a opinião dele, apenas. Eu curti o texto mas isso não significa que só deva encontrar comentários positivos aqui por isso, certo?

        Stela, e quando o cara aprende tão bem a viver solteiro e não precisar de muletas que se acostuma a ponto de ter passado dos 30 e nem cogitar se juntar com ninguém, comofaz? ;) Ás vezes me sinto um alien justamente por achar que sou o único ser que não quer se amarrar à ninguém. Concordo com tudo que tu falaste no texto, até demais! :)

      • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

        John, se você está bem assim, ótimo. É normal se sentir um alien, quando se faz um pouco diferente da maioria. Melhor se acostumar e relaxar. Mas é bom ficar de olho se a própria solteirice não vira uma muleta.

      • Nélio Oliveira

        Olha a patrulha! A liberdade de expressão só vale quando é pra concordar?

      • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

        A tal “liberdade de expressão” vale pros dois, oras.

        E sobre concordar ou discordar, há formas de fazer isso. Algumas funcionam melhor, tem maior potencial pra manter uma conversa aberta e rolando, e outras não.

        As duas colocações acima e a sua, são do tipo que dificultam as conversas.

        Se preferimos nos inserir de um jeito agressivo, não dá pra reclamar do troco vindo na mesma moeda.

      • Nélio Oliveira

        Você acha que uma das formas de fazer isso é patrulhando as manifestações alheias, com comentários do tipo “não gostou, não volte aqui”? Em que uma colocação dessas “facilita as conversas”?

        Claro que há formas diferentes de concordar ou discordar (ORLY?). Tanto que pra mim é A SUA e a do Luccas que “dificultam as conversas”. Mas nem por isso você vai me ver escrevendo “se vai querer dificultar as conversas por favor não poste mais aqui”…

      • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

        /// Você
        acha que uma das formas de fazer isso é patrulhando as manifestações
        alheias, com comentários do tipo “não gostou, não volte aqui”? Em que
        uma colocação dessas “facilita as conversas”?

        Não acho, não. Eu já tinha falado isso no meu comentário, inclusive. Porque você deduziu que eu poderia achar isso, se eu falei justamente o contrário? – “As duas colocações acima e a sua, são do tipo que dificultam as conversas.”

        ///Claro que há formas diferentes de concordar ou discordar (ORLY?).
        Tanto que pra mim é A SUA e a do Luccas que “dificultam as conversas”.

        Em que ponto ou de que forma o meu comentário dificulta a conversa, exatamente?

      • Nélio Oliveira

        OK, me desculpe. Eu interpretei errado o
        “As duas colocações acima e a sua”, e isso faz TODA a diferença no caso presente. E isso invalida inclusive minha colocação de que o seu comentário dificultaria a conversa. Me desculpe! Isso é que dá passar a tarde jogando poker e vagando pela Internet. Quase nunca se faz qualquer das duas coisas benfeito…

    • Nélio Oliveira

      Foi exatamente essa a minha impressão (quanto ao texto, não quanto ao PdH). Nada mais sintomático do que reagir dessa maneira tão virulenta em relação a algo que, segundo ela mesma, não é importante. Se não é importante, por que se dar ao trabalho de escrever um texto sobre isso?

      • Vítor Moreira Barreto

        Nélio, as reações já mostram bem a razão para o texto. O posicionamento da autora parece incomodar alguns.

      • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

        Nélio, a autora falou algumas vezes que ela mesma não vê um sentido racional pra se incomodar com isso, e *ainda assim* muitas vezes se flagra dando importância, aspirando por uma relação dessas. Ela não falou que a questão não importa pra ela.

        A coisa que você está apontando como furo é o próprio mote do texto.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Diogo, não sinto ter me lamentado no texto, aliás, a idéia é justamente o contrário disso. Mas também não há a proclamação de que sou “felizona”. Aliás, por que, a partir do texto, você teve essas percepções?

      • Diogo

        Oi, foi só por causa desse exercicio de contemplação. Nada melhor do que se conformar do que olhando os defeitos nos outros.

        Hoje estou noivo e vou me casar, mas por quase 10 anos fui solteiro convicto, tanto é que deixava bem claro qdo percebia intenções serias da outra parte.

        O grande segredo pra acabar com esse mimimi de mulherzinha (como pudemos ver nos diversos comentários dos marmanjos) é se entregar ao que se sente, se tem o mimimi é pq nao se descobriu o que quer.

        Quanto a comentários como o do luccas, espero que ele tenha apenas 13 anos.

        Ps.: é complicado escrever com o iPad aqui.

      • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

        Parece que existe um certo “mimimi” seu, não? Ou você enxergou o texto com um viés totalmente fora do padrão de alguns aqui.

        E do jeito que fala, é como se tu fosse um pleno machista… “mimimi de mulherzinha…”

      • CDP

        Compreensível sua maneira de se expressar. Caso um dia venha a tomar um pé na bunda, aposto que toma a pose de solteiro convicto denovo. Não há certo ou errado, quando aceitar isso vai ser menos exaltado.

  • http://www.facebook.com/vagner.abreu Vagner Alexandre Abreu

    Casa comigo? Só não sei se sou a melhor tampa :)

    Isso a parte… Faz uns 6 anos que terminei o único namoro que tive na minha vida. Desde então, não tenho achado outras “panelas”, ou melhor, até achei uma ou outra mas vi que eu não era a melhor tampa para elas.

    Ser solteiro é bom, e tu tem razão, com a solteirice, sabemos nos dar bem sozinhos e evitar a muleta de ter alguém do lado (não é muito o meu caso), mas… …as vezes me pego pensando que ter alguém do lado ajuda a reanimar. Claro, amigos são ótimos para isso, mas uma parceira (o) intima (o) ajuda e muito. Como eu disse, parceira. Namoro, casamento, tudo isso é parceria. Se não tem isso em um relacionamento… melhor ficar só mesmo :)

  • Luis Henrique

    Não existem tampas perfeitas.
    Quando um relacionamento dá muito certo (não só na aparência) é porque a tampa é capaz de se deformar para se ajustar a panela e vice-versa.

    • Leitor

      Concordo, mas só dá certo mesmo quando o ajuste torna essas “peças” melhores.

    • Mel Tupinambá

      Concordo com vc e, só p/ complementar seu comentário, Luis Henrique, quando falamos em “deformar”, falamos de ajustar, ceder, compreender, aceitar… verbos que não são muito bons de serem conjugados por NÓS EM RELAÇÃO A OUTRA PESSOA. É muito melhor quando ELA CONJUGA EM RELAÇÃO A NÓS. Rsrs Em essência somos egoístas, nascemos assim, não tem jeito! Queremos tudo que tem de melhor do relacionamento MAS, nem sempre estamos dispostos a investir o que for preciso p/ que isso aconteça.
      Comparo a um banco, você não pode sacar $$$ se não houver na conta. Da mesma forma em um relacionamento, precisamos “depositar”, por disciplina p/ alguns, p/ outros porque “tem visão de negócio”, quer ver a coisa dar certo e “render” a longo, médio prazo. O fato é que, de um jeito ou de outro NÃO HÁ COMO PERDER ao assumirmos essa postura/atitude. Os resultados vem/virão… A questão é, estou disposta a isso???
      Se essa pergunta tivesse sido feita a mim a 5 anos atrás, minha resposta seria um sonoro: NÃÃÃÃÃOOOOO, TÁ MALUCA?!
      Hoje minha resposta é diferente, bem diferente, porque ao chegar a conclusão do quão escrota eu era em esperar que o cara fizesse tu-do PARA ME FAZER FELIZ (afinal, eu merecia, era maneira, bonita, gostosa, inteligente, engraçada, gosto de games – Ora, porra – “EU MERECIA”). Percebi que EU MESMA NÃO ESTAVA NEM UM POUCO PREOCUPADA EM FAZÊ-LO FELIZ. E assim, pude perceber que era eu quem “minava” meus relacionamentos.
      Não estou dizendo que este é motivo de TODOS os relacionamentos não darem certo. Estou dizendo que eu cheguei a esta conclusão depois de olha p/ os meus relacionamentos, e claro, com uma senhora lupa, P/ MIM. Não é facil, dói, implica em decisões de mudanças… Mas hoje me considero uma mulher muito melhor, mais completa, mais madura e que está disposta a fazer o outro feliz porque eu sei que isso me dará um retorno (e como tem dado!!! Rsrsrs). E me fará feliz também!
      Quer saber, eu acho que aprendi a ser tampa, olha… e o mais importante, uma tampa disposta a “amassar”, “deformar” por assim dizer, p/ ter o ajuste, o encaixe!
      Tomei essa decisão a 5 anos atrás, não me arrependo e NUNCA me frustrei por ter tomado tal atitude.

      Você tomaria? ;)

      P.S- Quando falo em mudar, tomar decisões de mudança, não falo de se “limitar”, “anular”, “pagar de capacho”. Se foi isso que você entendeu, releia. Você entendeu errado.

  • Luisa

    Parabéns, Stela! Um ótimo texto, uma boa reflexão. As pessoas criam um script para a vida, sem perceber que isso só traz frustração. É estudar, se formar, trabalhar, casar, ter filhos e morrer junto com a pessoa com quem casou, como se tudo fosse acontecer inevitavelmente nessa ordem e as pessoas fossem ser felizes o tempo inteiro. Idealizam as relações e as conquistas, como se vivessem um filme de Hollywood e esquecendo que na vida real, as pessoas tem defeitos reais, problemas reais. Idealizam tanto que em certo momento, acham que o normal é sentir-se triste e frustrado por as coisas não serem perfeitas e entendem a felicidade alheia como insulto ou falsidade, sendo incapazes de refletir mais profundamente sobre si mesmos e as próprias vidas. Não se trata, também, e comodismo ou passividade, mas de auto-conhecimento e da consciência de que do mesmo jeito que temos defeitos, outras pessoas e coisas também o têm e portanto devemos aprender a aceitá-los como são e a lidar com isso.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Oi, Lucas e Luisa!
      Concordo com vocês. Seria maravilhoso se conseguissemos integrar um pouco dessa visão nas nossas vidas. Não é fácil, mas eu acho que vale muito a pena. Vocês tentam fazê-lo? Como?

  • http://www.facebook.com/este.campos Estefânia Campos

    Stela
    Adorei seu texto!!
    Eu tenho 31 anos e não me casei mas “juntei os trapos” 2x, e deu certo enquanto estávamos juntos. As pessoas tem mania de dizer quando terminam um relacionamento: não deu certo. Claro que deu certo!! Deu certo o durante o tempo que ficaram juntos, afinal nada é para sempre.

    Nunca tive sonho de casar e ter filhos. E minha vida é muito boa, com namorado ou sem namorado. Continuo estudando, acho que jamais vou parar de estudar, e tenho um trabalho estável.

    Também não acho que sinônimo de felicidade seria casar e ter filhos. Também não acredito que cada panela tem sua tampa, até porque frigideiras não tem tampas mas sempre fazemos adaptações.
    A melhor parte do texto, que eu já havia comentado com outro autor, o Frederico.

    “É como deixar de acreditar em príncipe encantado, em trabalho encantado, em cidade encantada, em amigos encantados, em corpo encantado, em família encantada. É como parar de exigir um encantamento particular das coisas. E deixar elas serem o que são. ”

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Oi, Estefânia! Obrigada pelo comentário! Também me chama atenção quando as pessoas ficam juntas por 20 anos e depois falam que “não deu certo”. Nossa concepção de dar certo é bem esquisita mesmo. Esses dias estava rolando uma imagem no facebook que mostrava um casal feliz nas diferentes etapas da vida, você viu? Todas as etapas retratadas eram felizes, cor-de-rosa. Lá pelas tantas o casal morria. Homem e mulher eram “enterrados felizes e apaixonados” um do ladinho do outro. A “curtição” foi em massa da tal da foto. Fico pensando o quanto esse tipo de concepção de vida e relacionamento sutilmente contribui para que as separações sejam traumáticas e mal vistas.

      • http://www.facebook.com/este.campos Estefânia Campos

        Não vi essa imagem. rs…

        É bem verdade isso. Como se a pessoa fosse morrer com a separação.
        Nós não nascemos grudados. Eu tenho uma amiga que emenda um namoro no outro por medo de ficar sozinha.
        Meldeos!! Quantos anos eu já fiquei sozinha. Hoje em dia tenho alguém mas não me preocupo até quando, a gente vai curtindo, vivendo um dia de cada vez.

        Bso Stela !! Escreva mais vezes, eu agradeço =)

  • waldemirmarques

    querida stela. faz tempo que não comento nada aqui, mas teu texto me prendeu e resolvi dar um “pitaco” nessa prosa. gostei muito do texto e minha contribuição, espero que seja, liga-se a dois aspectos que acho muito interessante. primeiro, relacionado com a necessidade de relacionamento induzida pelo pensamento mais antigo onde se pensava a longo prazo num relacionamento tendo como objeto principal o amparo na velhice e a extensão da família pela prole. era um tipo de razão embora Mario Quintana tenha demonstrado que era possível ser feliz sozinho. segundo, considero que este papo de “tampa de panela”,”metade da laranja”, “alma gêmea”, é algo totalmente sem fundamento, haja vista sermos indivíduos (por isso individual) e se precisarmos de complementos para sermos felizes, sinceramente acho que estamos no caminho errado. minhas convicções sempre foram de que podemos ser felizes “com” e “não por causa de”, mesmo porque felicidade é um sentimento que não se divide mas se soma. espero ter sido compreendido em minhas colocações e contribuído para algum esclarecimento no obscuro mundo das relações afetivas.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Olá, Waldemir! Penso que no passado a crença de que casar, ter filhos ou simplesmente estar num relacionamento como salvação era geral e pública, até como uma forma de se amparar na velhice, como você disse. Porém, vejo isso hoje completamente presente também, porém, de uma forma mais sutil. Percebo isso em mim: também não acredito em alma gêmea , mas já me flagrei operando como se isso pudesse existir, ou seja, podemos acreditar numa coisa, mas temos padrões de ação e pensamento tão entranhados que podemos perfeitamente agir contrariamente àquilo que acreditamos. As pessoas hoje em dia não acreditam mais na tampa perfeita para cada panela, mas operam como se ela existisse. Obrigada pelo comentário!

      • Mel Tupinambá

        No passado, a crença de casar era o que representava o sucesso da mulher! Se ela casasse e tivesse filhos, então…!! Existe, principalmente por parte das nossas avós, tias, mãe a sutil (e as vezes não! rs) alfinetada quanto a não sermos “bem sucedidas” nessa área. Mas, olha… a tendência desse pensamento é diminuir até sumir! Pode demorar um pouco mas, é esta a tendência. As pessoas arrumam sua tampa por acharem que é uma delicia ter alguem no fim do dia p/ compartilhar o que rolou, ter alguem p/ tomar umas geladas em frente a TV e p q não, um sexo gostoso antes de dormir. As pessoas hoje querem um companheiro (a) p/ atravessar e curtir vida! Não mais pq seus, pais, vizinhos, e/ ou nós mesmas esperamos isso de nós! O fato de “TERMOS QUE” tira todo o “encantamento” da coisa. Não temos nada! Queremos ter “uma tampa” pq de repente QUEREMOS, não pq PRECISAMOS, como atestado de sucesso e realização.

      • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

        Oi, Mel! Concordo que a questão do casamento tem mudado: a pressão social e cultural vem diminuindo. Porém, o meu ponto é mais sutil. Imagine se não tivéssemos nenhuma pressão cultural ou social, ainda assim, acho que teríamos uma ânsia por buscar satisfação e completude num relacionamento, como se ele pudesse, em si, resolver alguma coisa.

    • Mel Tupinambá

      Falando em Quintana:
      “… E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos o AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão.
      simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor próprio.
      ….
      Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
      Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
      (Trecho de Felicidade Realista)

      Fantástico!

      • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

        UAU, Mel!!! Não conhecia esse texto! Sensacional! :-) Obrigada! Beijo!

      • Amanda

        Esse é um texto de Martha Medeiros, mas continua sendo igualmente interessante

      • Mel Tupinambá

        Sério?? Bom, li como sendo do Quintana. De qualquer maneira, obrigada, Amanda!

  • Lucas Gomes

    Perfeito o texto!
    Achar que tudo vai ser lindo e perfeito na vida é um mau exemplo sempre, não só pra relacionamentos. É que nessa situação ela se destaca mais, visto que as relações entre pessoas vivem em altos e baixos, e por isso as decepções que você menciona no texto.

    Na verdade, a tal “perfeição” ta exatamente aí: aceitar que nem tudo vai ser mil maravilhas te faz ser menos piegas e te faz compartilhar mais as situações.

  • André

    A questão de casamento estar relacionado com felicidade realmente não me parece muito inteligente de se dizer, porem apesar dos pesares eu sou um dos que acreditam
    no até que a morte os separe ou até que os dois percebam que realmente não da mais, pois quem acredita no casamento é aquele que luta e mesmo que esteja infeliz naquele momento, ele busca melhorar e se aperfeiçoar para que o casamento de certo (sei que o texto não se trata do que eu acabei de descrever). Mas o fato interessante que hoje em dia o conceito de que estar casado é estar feliz esta perdendo a força, pois os casamentos de hoje raramente duram mais de 10 anos (10 anos colocando um número alto).

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Oi, André! Pelo jeito você é outro, como eu, que não acredita na felicidade pelo casamento, porém por osmose assumiu essa concepção. O ponto é reconhecer que não precisamos operar assim.
      Também acho que as pessoas devem se dedicar à saúde e manutenção do relacionamento enquanto ele for benéfico para o casal, porém, se enquanto sociedade colocarmos menos ênfase no matrimônio como felicidade, creio que as pessoas se unirão mais para andarem melhor juntas, do que para atingirem algum ápice no pódium da felicidade e assim as separações serão menos trágicas e eventualmente até diminuirão, porque sucesso nessa área não será o objetivo central perseguido.
      Obrigada pelo comentário!

  • Leandro Terra

    Não concordo que as pessoas precisam responder sobre a felicidade delas e dos outros de uma forma sofisticada e humanizada somente para parear com a sua concepção de vida. Você está reagindo a uma imposição com outra.

    Bacana você falar sobre a possibilidade de “surfar o samsara” na conclusão. Tô reparando que o budismo tá comendo solto na formação do pessoal do PdH, o que tá pegando?

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Leandro, onde você vê imposição no meu texto?
      Quanto ao budismo, muito do que aprendi na vida vem daí. Mas essa noção
      que apresentei nem é necessariamente budista, na verdade. É mais uma
      reflexão que eu tenho feito ultimamente e que tive vontade de
      compartilhar.

  • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

    Stela, seu texto é demais! Parabéns! Concordo absolutamente com vc. Nem casado(a) e nem solteiro(a). O pior que podemos fazer, estando numa ou noutra posição é negar a beleza de outras possibilidades. Que é bom ter o coração ocupado e a cama quente, não dá pra negar. Assim como isso também pode se tornar um pesadelo. Dá sim pra ser feliz de várias maneiras… penso que todas essas maneiras, sejam elas quais forem apresentam uma característica comum: a busca. Enquanto estamos buscando (calmamente), não perdemos as perspectivas, estamos felizes ou em vias de sê-lo. Pra mim, o problema rola exatamente quando a busca cessa – e num relacionamento tendemos a nos acomodar, e, enquanto solteiros, nossa busca ( por novos amores, companhia de amigos, interação, diversão, desenvolvimento, profissão, ideiais, sentido) costuma nos ocupar bastante. Por outro lado, quando essa busca perde a naturalidade e passa a ser obsessiva ( preocupação, stress), perdemos também a perspectiva das coisas boas e dos momentos e afundamos em ansiedade. Bj pra vc!

  • http://www.facebook.com/raqueltorres Raquel

    “Toda panela tem sua tampa….” Resposta: “Bem, e se eu for uma frigideira?” Será que é daí que vem a palavra “frígida”? haha! ótimo texto, Stela!!

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Haha! Agora até as frigideiras têm tampas! Elas eram minhas últimas esperanças… Haha!

  • http://www.facebook.com/people/Júlivan-Arantes-da-Silva/100001032282778 Júlivan Arantes da Silva

    Mulher escrevendo post da Cabana? Na minha época só tinha homem lá! rs… Enfim, acho que é mais fácil quando você consegue seguir a cartilha da sociedade. Lutar contra isso é dar murro em ponta de faca. Não que não seja possível atingir a felicidade de outras maneiras.

    • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

      hahaha

      Pois é. Foi ideia minha por causa da temática. Mas dá confusão. Mudamos para “Ladies Room”.

      A Cabana não tem mulher. Só nos encontros nacionais por causa do forró e das festas…

    • Eduardo Amuri

      Curioso mesmo. A ótica é masculina, mas confesso que tenho vontade de mandar muito conteúdo e relato de lá para minha namorada.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Júlivan, pode até ser mais fácil, porque os scripts estão todos prontos, mas talvez seja menos prazeroso, porque algo fica um pouco torto internamente, algo dentro de nós sabe que aquilo está torto. Olhando desse modo, pode ser até mais difícil seguir a cartilha.
      Eu fico feliz que o Pdh não seguiu a cartilha e abriu o Ladies Room. ;-)

  • Renan Bock

    Boa reflexão, Stela. Não precisamos casar ou ter um relacionamento para sermos felizes. Assim como não tb precisamos viver estilo “Charlie Harper” para “encontrá-la”. O que é a felicidade, na realidade? Essa questão produz uma longa discussão. O que importa é viver com lucidez e ter noção que a qualquer momento você poderá partir, é isso que penso. Já leu o livro “A felicidade, desesperadamente” do Comte-Sponville? Recomendo. Abs.

  • Tais

    Tem uma frase que gosto muito: Gosto de você não pelo o que você é, mas pelo o que eu sou quando estou com você!!!
    Muito bom o texto.

  • http://www.notsosweet.com.br/ Magê Ciconello

    Nunca me preocupei em arranjar namorado até pouco tempo atrás, mas não por achar que isso me tornaria mais feliz, mas por algo que percebi. Cada vez mais mulheres entre 20 e 30 anos estão solteiras e homens da mesma idade estão namorando ou casados. São poucos os caras solteiros (pelo menos nos lugares que frequento), então fico pensando: vou ter que esperar que um relacionamento acabe para que eu comece outro?

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      “vou ter que esperar que um relacionamento acabe para que eu comece outro?”
      Aí você resolveu se garantir, Magê, e começou a se preocupar em arranjar um namorado, antes que a oferta de homens acabe? Melhor relaxar…
      Mas, de fato, é o risco que se corre, quando o namorado não é a base pela qual você estrutura a sua vida: o povo vai casando, tendo seus filhos e você vai ficando pra titia. O melhor mesmo é não levar a vida com foco nisso, é ter outras fontes de alegria, aí se rolar o namorado ou não, no big deal. Agora, vale lembrar que os casamentos não tem durado muito e que a fila anda. Haha!

      • http://www.notsosweet.com.br/ Magê Ciconello

        isso me deixa mais aliviada (casamentos durarem pouco) haha. A oferta de homens não acaba, ela fica estagnada durante um tempo. Pelo menos os homens conheço com idade próxima a minha ou um pouco mais velhos, estão comprometidos ou na fase de pegação. E só fica pra titia quem quer né, produção independente é uma alternativa para quem não conseguir arranjar um cara que seja um bom amante e bom pai.

  • http://www.facebook.com/flavia.carvalho.10420 Flávia Carvalho

    Não se trata de apologia à solteirice, mas de apologia à paz de espírito. Gostei do “software alienígena”, haha.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Gostei do “apologia à paz de espírito”! :-)

  • http://www.facebook.com/nathalie.sterblitch Nathalie Sterblitch

    Matou a pau, gata. Gostei demais.

  • http://www.facebook.com/annaclaudia.haddad Anna Claudia Haddad

    Muito bom, Stela. Importante isso, de começarmos a questionar os caminhos colocados, há séculos atrás, como os que devem ser seguidos, os corretos, os ideais – e portanto os únicos capazes de gerar felicidade e completude. A partir desse raciocínio, podemos questionar não só os relacionamentos, mas muitas outras coisas, como as escolas, as relações de trabalho, as estruturas corporativas e governamentais. Dá para ir longe com a pergunta “o que é que queremos e o que é que querem para a gente?”.

    Entre questionamentos e mudanças efetivas, o importante é fazer tudo isso aí que você disse no seu texto: viver sem charlatanismo – sem se impor ser algo que os outros querem, precisam ou entendem como certo. Que certo mesmo é o nosso certo. Ainda que seja o certo de todo mundo.

    Beijo grande.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Obrigada pelo comentário, Anna! É isso: se não gerarmos um estranhamento com relação à nossa experiência, assumiremos como únicos os caminhos colocados . E que bom que estão surgindo iniciativas como o Cinese.me para nos ajudar a pensar novos caminhos. Beijão, guria, e sucesso com o Cinese.me!

      • http://www.facebook.com/annaclaudia.haddad Anna Claudia Haddad

        Obrigada, querida. Beijos.

  • http://www.facebook.com/people/Letícia-Cardoso/100000061087979 Letícia Cardoso

    Sensacional!
    Acredito que um bom relacionamento se baseia em encontrar algo torto e saber lidar com ele. Tudo é escolha, creio eu.

  • Andre Cunha

    A felicidade é como a liberdade, que a Cecília Meireles definiu tão bem no Romanceiro da Inconfidência: “…Liberdade, essa palavra
    que o sonho humano alimenta
    que não há ninguém que explique
    e ninguém que não entenda…”

    Admiro quem expõe suas idéias e naturalmente também se expõe!
    Parabéns Stela e um beijo grande

  • Tiaraju KM

    Falsas crenças levam de maneira inevitável à infelicidade humana … assim, toda tentativa de gerar um relacionamento que valha a pena deve começar pela negação das mentiras que nos são apresentadas pelos “mercadores de ilusão”. Encarar calma e diretamente a verdadeira natureza de um relacionamento é o passo crucial para a possibilidade de felicidade de si próprio e do outro, sem ilusões….. mas onde se comprar tanta serenidade e paciência? hehehe

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Tiaraju, creio que os “mercadores de ilusão” somos nós mesmos, não há o grande Mau lá fora. Assumimos certas visões e paradigmas, mas podemos não assumi-los. Podemos gerar liberdades. Seria bem mais fácil se essas liberdades estivessem a venda, né?! Mas acho que vale a aventura de aprender a gerá-las, viu. :-)

  • Firmino

    Olha, viver solteiro envolve toda uma visão que é: farras, conhecer gente legal, deve ser descolado, andar de carro bom, viagens, mulheres e mais mulheres. Ficar preso no casamento ou na solteirice não te liberta de nada! viu? você é taxado de todo jeito! e “deve” seguir o roteiro que a sociedade te impõe!!… Na boa, mulher solteira com mais de 25 é mais taxada ainda!

    Outra coisa, sabe o que eu acho, existe na gente mesmo, um senso natural de equilibrio, ou tendencia ao equilibrio… tipo, sua infancia e adolescencia foi a epoca de descobertas, situações malucas e necessarias, a turbulencia pura!! na vida adulta, até acumulando aquilo que viveu antes, você sente a real necessidade de encontrar alguem e sossegar… até porque isso é base estrutural, casar,ter filhos e “ser feliz”! isso não muda e nem vai mudar! Não sou o Dr Love, mais aconselho você a ser menos exigente com quem se relaciona, deixe o coração aberto, e lembre-se não se afobe! grande parte das solteiras são afobadas e por isso escolhem mal seus parceiros ou acabam perdendo boas pessoas por simples neura e pressa!

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Caro, Firmino. Acho que você não leu o texto com a devida atenção, pois o ponto que descrevi é justamente o contrário do que você está sugerindo: não estou com pressa de encontrar alguém.

  • Paulo Uchoa

    Stela, Dukha pega todas estas construções. Se achar que estes caminhos são garantia de sucesso, viche , vai levar trombada. Para mim é claro que suportar, ajudar o crescimento , de um grupo, seja familia, ou uma Sangha, ou seres que precisam daquilo que podemos ofertar, é bom demais. Bj

  • Lilian

    Stela, perfeito o seu texto! Já vivi os dois lados, me casei aos 27, após 8 anos de namoro, e me separei aos 30. O medo da solidão era, sim, um fantasma, mas foi se esvaindo quando descobri a alegria de viver de acordo com minhas escolhas, e não com o que o outro achava melhor pra mim. Sonho um dia ter um parceiro e companheiro de jornada, e talvez ter o prazer de ser mãe, mas não pra agradar ninguém. Perceber que posso ser feliz sem isso foi uma libertação e tanto!

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Que bom ler isso, Lilian! :-)

  • http://www.facebook.com/rodrigohloureiro Rodrigo Halushuk Loureiro

    A se todas fossem iguais a voce…

  • http://www.facebook.com/mairon.bresciani Mairon Bresciani

    Ser Dom Quixote o tempo todo nem sempre é a melhor forma de lidar com as imperfeições da vida.

  • http://www.facebook.com/iodris Fabio Rodrigues

    Belo texto, Stela.

    Mas tô esperando pra gente conversar sobre isso ali na próxima esquina, quando você se apaixonar pelo próximo príncipe encantado ;-)

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      HAHA! Me entrega uma cópia desse texto quando isso acontecer?
      Só to esperando…

  • VivianeM

    Concordo em gênero, número e grau com o tema abordado nesse texto. Homem e mulher foram criados um para o outro (e finco aqui a bandeira do criacionismo e do heterossexualismo – perdoe-me quem pensa diferente), mas não vejo porque alguém deva fazer da conquista da “alma gêmea” o lema de sua vida, em detrimento de cultivar outros hábitos diferentes daqueles relacionados com estar acompanhado pelo sexo oposto, como por exemplo: ler por horas a fio, viajar por quilômetros e quilômetros, conhecer gentes e gentes, culturas e culturas, ler mais, trabalhar tanto quanto, investir em atividades que enchem a vida de prazer e satisfação.

    A solteirice agradável é um estado mental, um estado em que a pessoa não espera nada de ninguém, e também deixou de lado todas as ilusões, todos os sonhos cor de rosa, toda aquela parafernália sentimental com que nossa mente é estruturada ao assistir filmes de Walt Disney ao longo da infância e juventude. Solteirice agradável é um estado em que o indivíduo se sente bem na própria pele, e não precisa que ninguém lhe diga que sua pele é bonita e desejável e inteligente.

    Não penso que esse texto seja uma apologia à solteirice inveterada e pontilhada de amargura. Penso que a grande sacada é deixar tudo acontecer em seu devido tempo. É estar aberto às possibilidades, à probabilidade de encontrar a tampa que tenha as ranhuras que se encaixam maravilhosamente bem com as ranhuras da nossa. Porque ser solteira é bom, mas estar acompanhada é bom também!

  • Lua

    Oi, Stela.
    Tenho 18 anos e terminei um relacionamento intenso recentemente.
    Via nele esse “príncipe encantado”, o homem de minha vida. Eu o admirava, ainda o admiro, acho isso importante. Mas pela diferença de idade e os meus conflitos por eu ser nova e estarmos em momentos diferentes ocasionaram o término.
    Bom, lendo seu texto, me questionei se às vezes não estamos desistindo de procurar esse encaixe, essa tampa. Se, às vezes, não estamos nos conformando com o que temos e desistindo de lutar, de procurar, de esperar esse amor.
    Mas reconheço que posso estar dizendo isso por talvez não querer enfrentar essa realidade, por querer manter-me nos meus sonhos, nas minhas fantasias. Apegar-me na busca pela perfeição.
    Li o texto e fiquei confusa sobre qual opinião levar comigo, por isso abro a pergunta.
    O que acha?

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Oi, Lua. Quando forçamos a manutenção de um relacionamento porque imaginamos que não conseguimos viver sem ele é porque estamos tomando o parceiro como um príncipe-encantado-muleta. Ao nos libertarmos dessa situação, por mais sofrido que seja, abre-se um leque de infinitas possibilidades (não falo de farra, pegação, pode ser também, mas há muitas outras coisas na solteirice além disso). Darmo-nos conta da amplidão do mundo além do relacionamento e cogitar uma outra possibilidade de movimento já é uma grande coisa.
      “Bom, lendo seu texto, me questionei se às vezes não estamos desistindo de procurar esse encaixe, essa tampa.Se, às vezes, não estamos nos conformando com o que temos e desistindo de lutar, de procurar, de esperar esse amor.”
      Não acho que exista algo de errado em procurar um namorado e viver um relacionamento intensamente. O ponto é com que avidez e desespero o fazemos, o quanto isso é a centralidade de nossas vidas, porque, se for, talvez vamos nos frustrar lá na frente, porque os relacionamentos não conseguem atender todas as expectativas de nossas fantasias mirabolantes, por mais encantado que o príncipe seja. Mas isso não significa apatia ou passividade nas relações.
      O período de separação é confuso mesmo: de manhã pensamos uma coisa sobre a pessoa amada, outro dia o exato contrário. Daqui a pouco a poeira baixa. Boa sorte aí! Beijo!

  • http://www.estrategistas.com/ Paulo R. Ribeiro

    Muito bom, Stela.
    Apareça mais por aqui.

  • Pingback: A tampa (im)perfeita de cada panela | Blog do Marcone

  • http://www.facebook.com/wagner.crizostimo Wagner Crizóstimo

    Ótimo texto
    Stela. Essa regra de que pra ser feliz e realizado devemos seguir a ordem casamento, filhos e velhice, na minha opinião esta ficando cada vez mais no passado. Em relação ao tão sonhado príncipe encantado acredito que seja sonho de adolescente. O problema está quando o príncipe passa a ser esperado na fase adulta, e acaba sendo meio que uma “muleta” para não se arriscar com os pobres mortais.
    Eu vejo todos os dias no meu mural do Facebook uma porção de mulheres reclamando dos homens, que são isso ou aquilo, demonstrando uma certa frustração com algum relacionamento e querem que todo mundo saiba.
    Stela, ao meu ver reclamar da vida e culpar os homens por todas as decepções amorosas não é a solução. O que as pessoas tem que entender, não só mulheres, é que se não esta dando certo com ninguém, esta na hora de rever seus conceitos, buscar uma mudança pessoal.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Olá, Wagner! Eu não acho que essa idéia esteja ficando muito para o passado. Talvez exista cada vez menos preconceitos com pessoas que não se casam ou têm filhos, porém, um relacionamento bem sucedido continua sendo critério quase que indispensável para a felicidade das pessoas.
      “O que as pessoas tem que entender, não só mulheres, é que se não esta dando certo com ninguém, esta na hora de rever seus conceitos, buscar uma mudança pessoal.”
      Não lembro que mestre que dizia que se não nos dermos conta dos nossos próprios paradigmas, vamos acabar casando sempre com a mesma pessoa.

  • http://www.facebook.com/people/Gustavo-Bittencourt/100000755939042 Gustavo Bittencourt

    Brilhante teu texto, Stela.

    Estou passando por uma fase difícil de fim de namoro e curiosamente comecei a redescobrir uma felicidade diferente com o fim das “muletas” e algumas limitações.

    Eu confesso que ainda acredito e me apego aos pouquíssimos exemplos de tampa da panela, por mais que as estatísticas e fatos contrariem isso… Mas não acho que ela tenha de ser o santo graal na busca pela felicidade e realização, mas sim algo que pode acontecer e tornar tudo ainda melhor.

    Opinião meio piegas pra um engenheiro, mas tá valendo, kkk (olha o rótulo aí de novo) :p

    Parabéns!

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Gustavo, eu realmente acho que os exemplos de tampa de panela perfeita são idealizações nossas.
      Obrigada pelo comentário!

  • http://www.facebook.com/rodrigo.lourenco.12 Rodrigo Lourenço

    Stela, parabéns! Grande texto e grandes ideias.

    De fato, acho que o primeiro passo é criar e fortalecer a noção de que essa tal perfeição é uma ideologia falida. A tal “paz de espírito” está em retirar o melhor das imperfeições.

    Carrego comigo um amuleto que significa:”expectativas trabalhadas”. Descobri essa ideia em uma conversa com um senhor de 72 anos e resolvi abraçar. Tento dissolver meu pensamento todas as vezes que me pego “construindo” alguma coisa previamente, criando uma visão antecipada das coisas, pessoas, situações, oportunidades. Cada vez mais deixo de ser um “construtor” para me tornar um “explorador”. E agora tento meditar tudo isso quanto aos relacionamentos.

    Terminei um relacionamento de 4 anos faz pouco tempo e tenho aprendido, com essa experiência e com palavras como as suas, que a felicidade é muito maior que qualquer espécie de determinismo.

  • mariocasasanta

    Stela, no texto que vc fala sobre homens de guarda chuva deixa nas entrelinhas um relacionamento com o Gitti. Pode ser falha de interpretação minha e geralmente o é.
    Olha. Se vc já está a um tempo vivendo uma solteirísse vou acreditar nisso como uma opção e seu texto terá meus louros. Todavia se o inverso for verdadeiro tomarei seu texto como dor de cotovelo e não o acharei tão bom em função da convicção empírica né? Se puder nos esclarecer essa duvida. Não querendo entrar na vida de ninguém, mas sou um admirador do papo de homem e não perco um artigo. Quero realmente aproveitar melhor o conteúdo. rsrs
    De qualquer forma aprendi muito com seu texto, e com exceção da condicional acima ele está muito bom. Parabéns.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Mario, o texto sobre homens com guarda-chuva não é meu. :-)

      • mariocasasanta

        vc tem razão.. falha nossa.. foi mal..

  • http://www.facebook.com/daniel.fonseca.940 Daniel Fonseca

    Vez ou outra leio alguns textos desta revista aqui, mas poucos me dão a vontade de comentar como este deu. Para dar os parabéns! Uma proclamação de livre arbítrio como pouco vi! Que consciência Stela!
    Outro dia escutei uma frase, que remete a parte do seu texo, a frase dizia que a Disney e os filmes pornô são responsáveis pelas pessoas mais frustradas que conhecemos, porque ou esperam o principe encnatado ou esperam a vadia pronta para dar.
    O que também remete esse lado “moderno “mas não tão moderno de nossa sociedade.
    Mas creio que a essencia da coisa, seja percebermos que nós somos responsáveis por nossa felicidade, nós escolhemos nossas companias, atraímos isso com a energia que emitimos. Por mais que uma compnia ajude, caso esta esteja em sintonia comum com a nossa, felicidade, solteiro ou casado, ou com grupo de amigos, depende de nós e nossos companheiros.
    Mais uma vez parabéns.
    Ps: desculpe qualuqer erro de concordância ,gramática e portugês em geral.

  • Maria Eduarda

    Stela você deu uma pitadinha de algo que sinto falta (para mulheres) aqui no pdh: sugestão de prática, ação. Tudo bem que este é um espaço exploratório do masculino, mas já que vocês martelam tanto em cima do “leque de possibilidades” que existem para tudo na vida, buscam uma mente aberta e lúcida e como diz o Gitti, são os condutores da dança, poderiam de alguma forma incitar práticas para as reflexões, afinal nós também fazemos parte desse espaço masculino. Confesso que fico perdida as vezes, apesar de me permitir cutucar a ferida em cada texto aqui publicado. Já que temos a cabana, adoraria desenvolver um “chalé” para as moçoilas. Com reflexões e práticas para explorar o feminino.
    Desafiador.
    Vai, vamos lá, me passem o contato da Ianelli. Quem mais ai tá a fim de mexer o doce?
    Parabéns Stela.

  • http://www.facebook.com/adriana.fayadcampos Adriana Fayad Campos

    Interessante mesmo seu texto, Stella. Sou divorciada e tenho 44 anos, mas tenho uma amiga de 30 que nunca se casou e já percebi que esse tipo de olhar e peninha que as pessoas sentem é mais direcionado a quem nunca se casou mesmo. Essa amiga minha se queixa disso tbém. Pela minha experiência, com divorciadas já é diferente. Ninguém me enche o saco perguntando se vou casar de novo, talvez seja pque sabem que já paguei meus pecados, sei lá, rs.. brincadeira. Mas engraçado… tbém percebi que em geral a família e os amigos fazem o maior auê com a gente qdo a gente tá esperando o primeiro filho, te paparicam muito mais do que qdo vc tem o segundo… é como se dissessem, no primeiro: “nossa, vc vai ser mãe, tua vida vai mudar etc… ouça aqui meus conselhos pra ti”… e no segundo filho é como: “ah é o segundo? legal…”
    Parece não ter nada a ver mas acho que tem uma relação aí nas duas situações, a de não ter casado “ainda” e do segundo filho. Acho que as pessoas gostam de ensinar, de mostrar pra um novato (seja lá no que for) sua experiência de vida, como se ensinando vivessem de novo a experiência, mas com a chance de exortar a caminhos melhores do que eles seguiram, evitando as ciladas. Depois que vc já trilhou esse caminho, tem sua ppria experiência pra balizar, daí perde um pouco da graça. Pque mesmo depois que vc casar, vão continuar pressionando no sentido de cobrar um filho, depois um irmãozinho pra ele… é meio repetitivo isso.
    Mas pra mim a bottom line aqui é que a felicidade vai ser sempre aquele lugar que não aqui, vai ser sempre a quimera inalcançada, a cenoura amarrada à cabeça do burrinho. Solteiros invejam às vezes o calor da companhia dos comprometidos e acreditam que seriam felizes se encontrassem a pessoa certa… casados às vezes olham para fora do seu casamento e sonham com um primeiro beijo cheio de paixão e expectativa que, acreditam, nunca mais terão e adorariam que seu marido ou esposa olhassem com um pouco mais de interesse do que olha pra geladeira da casa.

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      É, Adriana, quase todos que casam relatam essa pressão pelo primeiro filho, depois pelo
      segundo e assim vai. E isso parece refletir uma insatisfação sutil e
      constante com a situação em que se está, ainda que ela seja extremamente
      favorável aos olhos alheios. A partir dessa visão, a felicidade parece
      estar sempre num outro lugar e parece ser impossível de ser conquistada
      com a exata configuração que se tem. Mas a coisa toda não precisa ser
      assim. Operamos basicamente nessa lógica da insatisfação, mas acredito
      podermos treinar e gerar uma satisfação e alegria maiores com a própria situação que se tem.

  • Augusto

    Sim, acho legal não termos esta nóia de achar a pessoa ideal. Talvez ela seja uma em 1 milhão. Ou nem exista.

    Mas somos pessoas carentes e gostamos de uma boa companhia. Temos problemas e gostamos de compartilhar com uma pessoa que gostamos. Temos alegrias e queremos comemorar com alguém especial. Queremos viver coisas novas, por isto casamos, temos filhos, etc. Tem o carinho e o sexo também, é claro.

    Enfim, tudo pesa, e queremos ter algo assim (mesmo que não dure para sempre). Não tem problema algum buscar isto. Contudo, vamos ficando mais velhos e temos medo de ficar sozinhos. A beleza vai embora, o emprego te consome tempo, surgem responsabilidades, a natureza não te permite ter mais filhos… enfim, muitas coisas que poderia ter construído e vivenciado começam a ficar para trás.

    Então quando alguém te considerar um solterão(ona) perdedor(a), ela não está nem certa nem errada. Você está se abdicando de várias coisas que, para a outra pessoa, podem ser importantes ao menos vivenciar. E vai chegar um momento, que não vai ser mais possível ver como é…

    Agora, mencionar que alguém te considerá tiazona por ser solteira com 27 anos… não dá, hein! hehehe

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Olá, Augusto! Eu também acho que estar num relacionamento é muito gostoso e não vejo nada de errado em aspirar por um. Também não julgo as pessoas que me consideram tiazona com 27 anos (acredite, não inventei isso). Mas acho muito interessante como esse paradigma nos envolve por completo (e me incluo nisso), de forma que passamos a conceber um relacionamento por si só como uma salvação, mesmo diante de infinitos exemplos do contrário.

  • Gustavo

    A fórmula é absurdamente simples: A felicidade reside em nós mesmos, e cabe a nós encontra-lá
    e desperta-lá da melhor forma possível.

    Outro ponto é que o ser humano nasceu para procriação, essa é uma caracteristica muito tradicional
    e inconciente de nossa alma “precisamos replicar a nossa existência na terra”, e só após ter filhos
    o ser humano descobre o que significa AMAR incondicionalmente e verdadeiramente, portanto Stela te digo que
    todas as teorias, hipoteses, conceitos, analises ou reflexões sugeridas e expostas para
    fazer crer que uma pessoa sozinha e solteira pode ser feliz pelo resto da vida neste estado “sozinha” são apenas
    refugios lógicos e racionacionais que preenchem o vazio existencial de não construir uma familia.
    O homem e a mulher foram criados para constituirem uma familia e a forma mais verdadeira e pura de
    se sentir amor é amando os seus filhos, seu companheiro, nem digo tanto o companheiro pois seu marido
    ou esposa podem não passar o resto da vida com vc, porém os filhos são para sempre e uma mulher sem
    filhos é uma mulher completamente infeliz e incompleta, assim como as melhores mulheres, de bom carater
    personalidade, valiosas, são aquelas que tem filhos somente com homens que amam e para isso naturalmente surge o casamento.

  • Cleide

    Cada um deve saber o que é melhor pra si. A sociedade, a família querem que os filhos formem família, se casem e tenham filhos, etc. Mas dependendo do q você saiba o que é bom pra vc, não significa que é bom para o outro. Pessoas que são afetivamente carentes sempre estão em busca da sua cara metade e mesmo acompanhada sentem-se sozinhos, solitários e muitas vezes têm filhos para suprir essas necessidades. Esse tipo de solidão é maléfico. Porém, existem pessoas bem resolvidas que não limitam sua felicidade apenas no outro. Isso é bom pq você se basta, se sente segura e feliz. É madura o suficiente para ser independente. Só acho que não podemos nos bastar sempre, pois o ser humano vive em total relação e contato com o outro. Faz parte da nossa vida e nosso crescimento .E qdo acharmos a tampa que couber em nossa panela com certeza o brilho nos olhos irão surgir e o coração bater mais forte. Isso é amor e ele pode ser de várias maneiras, depende de cada um.

  • http://www.facebook.com/vada.gaspar Vada Ambiel Pires Gaspar

    Querida Stela! Muito bacana o seu texto e as reflexões que ele pode promover. Não sabia que a Stela era vc, li o texto todo até ver sua foto. Parabéns! bjs e até 2a f! Vada Gaspar

  • Rodrigo Nazario

    parabens Stella. Texto mto interessante e realmnte, é algo que a gente deve sempre parar para pensar: será que realmente necessito disso ou daquilo? serei mais feliz conseguir obter isso?…a gente pode ser feliz do jeito e nas condições de vida que temos. Concordo com vc quando fala que relacionamento não pode ser uma muleta. Brilhante texto. Há, uma pergunta: casa comigo? (risos)

  • Flávia

    Achei perfeito o seu texto! Tenho 23 anos, ainda estou na faculdade (que vou terminar quando já estiver com 24 anos) não namoro, aliás nunca namorei, e sei que todos meus familiares (muito mais que amigos) dão aquele olhar de “você vai ficar para titia”. Sinceramente? Eu acho que é o que vai acontecer, não sei se fui feita para casar, ter filhos, ter uma vida “perfeita”, mas essa vida é a MINHA VIDA, e eu pretendo ser bem feliz nela!

    beijos

    • http://www.facebook.com/people/Stela-Ana-Santin/672648091 Stela Ana Santin

      Flávia, você com 23 e já ganhando esses olhares! Que curioso!
      Como lida com eles?

      • Mary

        É normal, tenho a mesma idade, também tô me formando … mas não fico pra titia, sou filha única huhauhahahu

      • Pablo Vallejos

        Espero que ela esteja se sentindo bem, como eu. Também tenho 23, jornalista formado, bem na profissão, saudável (recentemente, perdi tipo uns 20 quilos), e solteiro há seis meses. O namoro era perfeito e, por muitas maneiras, minha ex-namorada ainda continua sendo a ‘tampa’ mais perfeita que encontrei pra mim. Mas acabou. E eu fiquei muito triste, mas tive paciência para – como diz o PdH – fazer o que deve ser feito, ao invés de fazer o que dá vontade. Resumindo: tive que redesenhar minha rotina após quase quatro anos de namoro e uma rotina específica.

        Tá sendo fantástico me redescobrir, uma vez que, quando solteiro pela última vez, era outra cabeça, outro Pablo. Descobri que é até legal conhecer outras pessoas, mas o que me move, atualmente, é explorar o meu tempo sozinho ou com os melhores amigos. ‘Seja quem você quiser. Não há tempo limite para isso’ (“O Curioso Caso de Benjamin Button”) resume o que digo.

        Enfim, só quis compartilhar isso porque achei seu texto bom pra caralho. Legal saber – tanto no que você escreveu quanto no que outros escreveram nos comentários – que existem por aí pessoas compartilhando sensações bem parecidas. Varias panelas, várias tampas. Beijo, até!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=584361576 Jaqueline Roiz

    Uma vez ouvi de uma pessoa com “casamento bem sucedido” responder a pergunta de segredo de casamento feliz como sendo ‘não ter/ser metade de laranja, mas ser laranja inteira. Um dia a “metade” vai embora e ninguém é feliz sendo/tendo metade.’
    É mais ou menos o que mencionou no seu texto. Ao qual faço-me totalmente rogada. :)
    Pela minha história aprendi, que se ama pra querer morrer uma vez, nas outras a gente aprende a ministrar e por isso a sensação de um único amor, amar apenas uma vez e etc.
    E acho que gente que faz do relacionamento “muleta”, como você mencionou, é porque não vive bem consigo, acho que estou sozinha nesse momento e há algum tempo justamente porque me acho legal e consigo viver comigo mesma muito bem.
    Parabéns, ótimo texto!

  • Maicon

    Texto extremamente lúcido. É isso mesmo.

  • Nytha

    Só prá descontrair: panela, tampa, frigideira, isso tá virando culinária, hehe. Gostei muito to texto e comentários, aproveitei bastante. Um abraço

  • http://www.facebook.com/rodrigopires81 Rodrigo Pires

    Texto espetacular Stela, parabéns pela lucidez! :)

  • Nicolle

    Oi Stella ! Adorei seu texto! Tenho 22 anos, sou solteira e muito feliz! É engraçado mesmo receber aquele olhares das pessoas haha
    Poxa, o bom mesmo é não esperar nada, muito menos criar expectativas, aprendi com isso, porém antes uns anos atrás achava que um cara era responsável pela minha felicidade, grande ilusão! E realmente estar sem expectativas a vida é mesmo desafiadora e interessante. Como diz John Lennon ” Nascemos sozinhos e morremos sozinhos”

    Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer,
    só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós
    que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente
    acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só
    ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já
    nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a
    responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através
    da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
    Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas
    pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não
    nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com
    personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a
    gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora
    devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros
    são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre
    haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe
    muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que
    só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam
    dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas
    fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos
    tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai
    contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí,
    quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser
    muito feliz e se apaixonar por alguém.
    John Lennon

  • http://www.facebook.com/pdcgomes Pedro De Carvalho Gomes

    Oi Stela, parabéns pelo texto! Sempre defendi uma visão lúcida sobre relacionamentos igual você apresentou. Distante do que nos é empurrado por desenhos da Disney ou comédias românticas.

    Só tenho dois comentários a adicionar. Acredito que os olhares tipo “Sua hora vai chegar”, e toda pena transmitida pelas pessoas é determinante na infelicidade da pessoa solteira. Em especial das mulheres com mais de 30.

    Toda essa projeção sobre o que a mulher tem que fazer (casar e ter filhos) causa nela uma ansiedade, um sensação de “eu não me encaixo nos padrões, tem algo errado comigo”. Isso a impede de viver plenamente, e começa uma pressão interna por atender ao padrão.

    O segundo comentário é dual ao primeiro. Canso de ver casais falidos, sem amor, sem respeito um com o outro, e sem vontade, se forçando a estar juntos simplesmente pelo comodismo de não “voltarem ao mercado”. Se acham velhos e não querem ser vistos como derrotados à procura de um novo parceiro. Ficam juntos simples conveniência.

  • http://www.facebook.com/people/Nicole-Silva/100002263140976 Nicole Silva

    “Curiosamente, a (vida) vai ficando muito mais interessante do que o mundo encantado dos encaixes perfeitos que eu queria pra mim.”

  • Simon

    Stela. Seu texto é ótimo. Parabéns!

  • Douglas Bastos

    Descreve com exatidão meu atual estado de espírito! Ótimo texto, meus Parabéns!

  • http://www.facebook.com/people/Fernando-Borges/100000014917410 Fernando Borges

    Show de bola o texto.

    Penso da mesma forma…certas pessoas roteirizam a vida que querem levar, programando tudo o que querem e quando querem (comprar o primeiro carro, casar, ter filhos, comprar uma casa, etc).
    Não é que eu não concorde que é importante ter planejamento, mas acontece que somos humanos, nossos conceitos mudam, e muitas vezes o que parece ser tão certo antes, acaba se tornando vazio e sem necessidade em determinada época da vida.

    Mas infelizmente vivemos em um lugar careta, e sinônimo de felicidade é a imagem. Família traz a impressão de responsabilidade e amadurecimento, que muitas vezes, não passam apenas de uma ilusão para a sociedade.

  • Giovana

    Que texto perfeito, Stela.
    Já eu recebo “olhares” por outro motivo. Tenho 35, casei com 33… e vivo uma vida completamente independente. Saio para encontrar meus amigos sozinha, viajo para shows que meu marido não curte… ele aprendeu a conviver comigo assim, sempre falo pra ele que prefiro que minha felicidade dependa de mim do que dele. Ele entende, mas povo me julga que é uma beleza… fazer o quê. Bjo, e parabéns pelo texto incrível!

  • Yogi

    Boa tarde cara Stela,

    Envio esse comentário apenas para parabenizá-la pela iniciativa, de sensibilizar outras mulheres (e homens, esperamos) para essa questão dos papéis sociais e culturais que passam desapercebidos e fomentam um determinismo cultural, social e econômico que continua a massacrar o feminino, imbecilizar o masculino, e infantilizar a humanidade como um todo.

    Como era de se esperar, nos comentários, os ignorantes e infelizes pulam com garras e dentes e sem argumentos, apelam para o ad hominem, um reflexo triste da falta de inteligência e minimo senso crítico. Não ligue para isso, pois são raras as pessoas que tem uma compreensão genuína do que você está falando, e se alguém a tem, muito provavelmente não iria dirigir palavras machistas, agressivas ou moralistas por conta disso.

    Mesmo se não contarmos com a espiritualidade, a felicidade se manifesta no nosso corpo como uma atividade cerebral e hormonal, como nos explica esse grande amigo:

    http://www.ted.com/talks/matthieu_ricard_on_the_habits_of_happiness.html

    Portanto, qualquer ser alegre e metido a “feliz”, que julga ser a felicidade as carícias do ego, ilusões de poder e os breves segundos do orgasmo, está pensando que a felicidade é uma gota d’água quando para os realmente felizes, ela é um oceano.

    E tal felicidade, permanente e arrebatadora, como dos monges, do yogis, e outras pessoas comuns que se dedicam a ela como se fosse o ar para respirar, envolve necessariamente o reconhecimento que os papéis que ocupamos aqui são apenas isso, papéis, mas devido ao medo, preguiça e ignorância, nos identificamos excessivamente com eles e somos atores que se confundem com os personagens.

    Mas, para que tal percepção ocorra, é necessário ter um grau mais elevado de consciência, de percepção, questionamento, pensamento crítico e digo até de espiritualidade (no sentido de algo maior, que não envolva necessariamente um Deus), o que, infelizmente, ainda é para poucos.

    Então vemos o que ocorre aqui, mulheres que são infantilizadas emocionalmente, desde cedo, por mães e pais que não dão suporte emocional, e vivem a vida inteira correndo atrás de um fantasma de um amor que vai tapar um “buraco” emocional que traz a sensação de vazio e desconexão, e põem todas suas fichas nos sonhos do amor perfeito como se isso magicamente girasse uma chavinha nos seus cérebros e toda sua atividade cerebral e hormonal mudasse como mágica a partir do momento que o anel entrasse no dedo anular, e então todos os problemas estariam resolvidos.

    O quê ocorre é que a moça atende a todas as “expectativas” da família, da mãe, irmãs, tias, avós e todo outras mulheres infelizes e invejosas que não podem sequer imaginar a ideia de alguém que partilha o mesmo sobrenome ou convívio social quebrar com as correntes dos costumes e ousar ser livre, independente, pois é aterradora.

    Os seres humanos são macacos medrosos e preguiçosos, acuados, que fazem de tudo que podem para não perder o ilusório controle que tem sobre o mundo, sua situação e os outros. Por isso os olhares tortos, os julgamentos, os preconceitos abertos e velados. “Quem essa garota é para fazer tudo o oposto do que eu faço e ainda assim ser mais feliz que eu?” “Como ela ousa pôr todas as mentiras que sustentam minha visão de mundo em cheque?” “Vou atacá-la e trazê-la para a fossa junto comigo assim vou ter certeza que tudo o que eu acredito é certo e só é possível ser feliz assim”.

    E assim nossa cultura latina brasileira segue geração após geração, incrementando pseudo-privilégios para as mulheres se sentirem mais livres, mas quando no fundo, estão massacradas emocionalmente e se entregam a homens medrosos, preguiçosos, ignorantes, dominadores e destruidores, e toda essa inércia perpetua o ciclo vicioso da infelicidade, da preguiça, da leniência, da impunidade, e da falta de perspectiva.

    Parabéns novamente, muito sucesso na sua coluna e na sua jornada pessoal,
    Namastê

    • Nina

      Lucidez, foi o que pensei ao ler esse comentário.
      Concordo plenamente.

  • Espartano

    Bando de gente com síndrome do Peter Pan

  • Nina

    Sem palavras! Pode até parecer exagero, mas obrigado por esse texto!
    Vou fazer 26 anos, já fui pedida em casamento e recusei… até hoje me olham com cara feia. Há muito pressão nesse sentido, é uma merda ser mulher às vezes. Sempre tem alguém que quer apresentar o amigo, um comentário ácido “vai ficar pra titia” e pior, parece que mulher não pode conversar sobre diversos assuntos (pelo menos não em uma família completamente machista) “mulher com argumento é falta de homem”.
    Muitas pessoas acreditam que estar em um relacionamento fosse garantia de felicidade, mas é ilusão. Nada contra a relacionamentos, mas é deprimente projetar a própria felicidade em outra pessoa, assim como em emprego, etc…
    Ainda bem que o mundo é outro, e são exceções que tem um pensamento tão medíocre! :)

  • Wagner Silva

    Pessoas, não vamos ser hipócritas: ninguém quer ficar “forever alone” para sempre! Se fizerem uma pesquisa com as mulheres, pelo menos 2/3 tem o sonho de encontrar o “príncipe encantado” ,casar e ter filhos. A sociedade brasileira é muito paternalista. Se você passou dos 30 anos, a pressão da famíla fica maior, se não fica com o título de titio(a).
    Sou feliz profissionalmente e sentimentalmente. Mas, particularmente, quero casar e ter pelo menos um filho(a). E já passei dos 30…

  • Pingback: Da amizade! « universodesatado

  • http://twitter.com/anitelle_TH Thiago Anitelle

    Encalhada detected.

  • Carlos Eduardo Lessa

    Stela, muito bom seu texto.

    Na minha opinião, a síntese está na frase “A expectativa de que uma configuração de vida em específico nos garanta alguma vantagem perene é o verdadeiro problema”.
    Principalmente no que tange a “expectativa” (ou seja, projetar sua felicidade sempre no futuro, nunca no AGORA) e o “específico” (ou seja, algo exterior, a coisa, o outro, nunca o EU).
    Acrescentaria outro fator primordial: o AQUI. Esse trinômio EU-AQUI-AGORA é, para mim, a grande chave de uma realidade mais completa e, por consequência, feliz. Quanto mais e melhor vivermos esses três aspectos de nossa existência, mais chance de sucesso teremos em sermos, verdadeiramente, FELIZ.
    Grande beijo!Cadu

  • Banheiro Feminino

    muito bom

  • Leonardo

    Belo texto! Gostaria de ter seu email, e não o encontrei em lugar algum na internet (confesso que não sou muito versado no mundo virtual). Um abraço

  • Fernando

    30 anos, 7 anos de namoro e hoje estou manco! Fui sempre a metade, nunca a laranja por inteira. Num relacionamento é necessário parceria, é o mais importante “somar”. Por mais que digam, todos procuram alguém, não fomos feitos para ficar sós. Os relacionamentos são complexos mas precisamos deles.

  • Virgilio Kruschewsky

    Engraçado que há uma certa cobrança por parte ao saberem que você é solteiro. Principalmente para o homem, é como se você só é homem se tiver pegando uma mulher. Mas ainda acho que essa cobrança deve ser pior pra mulher, pois vivemos numa sociedade machista, preconceituosa e extremamente ligada a dogmas religiosos. Uma vez me falou. Não basta só comer, dormir, respirar, porque aind atem a cobrança de amar alguém. Confesso que já tive medo de ficar sozinho, e confesso que não acreditava em alguém que estava bem em ser solteiro. Hoje penso assim, vous er bem grosso agora. Eu prefiro estar solteiro, doq ue ficar com certas pessoas, prefiro continuar gastando o meu esperma em vão, do que transar com pessoa que achava perfeita, e descobrir que era igual cheia de defeitos. Talves fosse melhor arriscar, eu tô numa fase preferindo deixar as coisas acontecerem, é difícil pra uma pessoa hiper anciosa, Mas um dia consigo ser alguém dito normal nesse mundo em que não tem nada de normal.

  • http://www.facebook.com/santannaleticia Letícia Santanna

    Que texto maravilhoso!!!
    É isso, Stela! Nada a acescentar! Feliz dia pra vc, vivant!

  • sandra


    É como parar de exigir um encantamento particular das coisas. E deixar elas serem o que são.”
    muito bom texto!
    acho que as coisas começam a funcionar de forma bem mais leve e saudável quando a gente para de procurar coisas e pessoas perfeitas e de fato faz com que elas sejam perfeitas. mais que estar livre e desamarrado estando solteiro, acredito que a maior dificuldade é estar desimpedido estando em um relacionamento. não colocando tantas expectativas, se doando, tolerando… é difícil, mas compensador. porque no fim das contas, estarei sempre tentando fazer o outro feliz, e não tentando suprir as minhas carências.

  • Patricia Finzetto

    Simplesmente demais!

  • http://www.facebook.com/alan.barp.9 Alan Barp

    Concordo plenamente com o texto.
    Tanto que agora, no auge dos meus 33 anos, por não ter tido um relacionamento que perdurasse mais de um ano e meio, sou visto como solteirão pelos mais velhos (inclusive a nona nem pergunta mais sobre as namoradas, hehe) e visto com admiração pelos (homens) mais jovens, como se minha solteirice fosse parte de um plano bolado por Frank T. J. Mackey.
    Coisas da vida.

    Adorei o post.

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