Por um mundo sem prostituição: crítica a quem paga por sexo

Victor Lee

por
em às | Artigos e ensaios, Debates, Mundo


O jovem Briedward desejava Sylvia intensamente. Seus cabelos ruivos encaracolados lembravam a atriz Milla Jovovich na época da capa da revista Seventeen. Beijaram-se, abraçaram em conchinha e fizeram amor.

Briedward pagou os duzentos euros pela noite. Voltou para o hotel e contou a história para os amigos putanheiros da Internet.

Em meio à sua narrativa amorosa, deixou a pergunta: “Será que ela e as demais garotas estão trabalhando por livre vontade ou sendo vitimas de tráfico?”.

Referência para você imaginar a prostituta dessa história real

O debate até agora

Começamos o #debatepdh com uma entrevista exclusiva com Anna Hutsol, a líder do movimento FEMEN, que revela os desafios atuais na Ucrânia contra o turismo sexual. Usamos esse caso para reflexão, coletando mais de 185 comentários com diversas opiniões a favor e contra a prostituição.

Foram os leitores PdH que apontaram que a discussão é mais complexa do que apresentada inicialmente e que existem muitos desentendimentos. Para começar, a prostituição é legal no Brasil. A legislação penal não tipifica prostitutas nem os seus clientes, mas considera criminoso quem de alguma maneira levar outra pessoa a se prostituir ou lucrar com a prostituição alheia (o cafetão, aliciador ou “sueta”).

O Código Penal, de 1940, define como crime: favorecimento à prostituição (pena de dois a dez anos de reclusão), manter casa de prostituição (pena de dois a cinco anos), rufianismo, ou seja, lucro com a prostituição alheia (pena prevista de um a oito anos), tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual (pena de três a doze anos) e tráfico interno de pessoas para fim de exploração sexual (pena de dois a nove anos).

Para os cínicos de plantão que criticam o sistema jurídico por não aceitar a realidade, ficou claro no debate que as prostitutas devem recolher impostos como qualquer cidadão. De fato, a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho já reconhece as “profissional do sexo” como atividade profissional, mas falta regulamentação.

Na linha do Superfreakonomics, o cientista Atila Iamarino fez uma abordagem sistêmica pela ótica de oferta e demanda. Enquanto houver demanda, a proibição da exploração comercial aumenta custos e não dá garantia de padrões sanitários regulados. Mais do que sexo, é um problema de saúde. A legitimação poderia resultar em carteiras de trabalho assinadas, pensão e assistência médica, entre outros benefícios para a coletividade.

Também convidamos o jornalista Fausto Salvadori para reforçar os argumentos a favor da prostituição como atividade que pode ser exercida de maneira saudável. Ele chegou com um hit-combo de argumentos para fazer qualquer pessoa repensar não apenas o tema de legalidade e prostituição, mas também machismo, sexualidade e preconceito.

Para completar os cenários apresentados pelo Atila e Fausto, apresento mais uma dimensão desse #debatepdh, apontando razões pelas quais qualquer processo de legalização (seja a remoção do tipo penal do rufianismo ou a regulamentação da profissão do sexo) resulta em maiores problemas para nossa sociedade.

1. As putas invisíveis e a imagem glamourizada da prostituição

Qualquer opinião sobre qualquer assunto depende de informações obtidas de forma direta com a experiência pessoal ou indireta pela leitura, conversas com amigos e pela mídia. Por esse motivo, nós, leitores do PapodeHomem, com acesso à Internet em áreas urbanas, ficamos limitados a compreender dimensões ocultas de nossa realidade. Não conhecemos o que acontece no submundo do crime organizado. Não temos contato com a “puta pobre de beira de estrada”.

Não bastasse essa limitação de desconhecermos o fundo do poço, a mídia também não ajuda a captar essa faceta importante da realidade. Tanto a mídia tradicional dos filmes, contos, novelas e seriados como a nova mídia como o Twitter da @dani_luxo repetem a mesma história: a prostituta é linda, desejada, invejada e vive seus dramas – que garantem a audiência e geram aproximação com a plateia.

Exemplos? Pretty Woman (1990), Belle du Jour (1967), sua nova versão que deu origem ao Secret Diary of a Call Girl (2007) e a nossa querida brazuca Bruna Surfistinha.


Link YouTube

Essas prostitutas de luxo existem? Claro. Viajam bastante, possuem legiões de ricaços que as paparicam com presentes, possuem carros luxuosos e propriedades – declarados ou não.

Veja um trecho de um fórum de discussão sobre serviços de acompanhantes:

“A maioria das GPs que valiam os R$ 200,00 está no México, Espanha ou Argentina. Há duas no Café Millenium, algumas no Bahamas e outras espalhadas por aí.”

Ganhar duzentos reais por programa para fazer viagens no exterior não parece nada mal.

Será que todas as prostitutas vivem essa realidade do Secret Diary of a Call Girl? Não. É uma minoria. Aliás, nem ouse chamar essas profissionais do sexo de “prostituta” pois elas se ofendem: são garotas de programa ou acompanhantes/escorts.

P-u-t-a mesmo é prisioneira, pobre, estuprada, espancada, cuspida, drogada, marginalizada e degradada moralmente. E são invisíveis para nós.

Um importante relatório nacional (cuja leitura recomendo fortemente) aponta a existência de dois grandes grupos de mulheres traficadas:

“Os relatos dos estudos de casos constroem dois tipos ideais antagônicos para a mulher aliciada: a) o da pessoa ingênua, humilde, que passa por grandes dificuldades financeiras e por isso é iludida com certa facilidade; e b) o da mulher que tem o “domínio da situação”, avalia com toda a clareza os riscos e dispõe-se a corrê-los para ganhar dinheiro.”

A prostituta de luxo munida de conexão Internet é uma corporação de uma só mulher, com alto fluxo de caixa, advogados e contadores que a ajudam. Fala vários idiomas. Viaja sozinha. Ela sabe o que faz. Ser independente não é privilégio da puta de luxo: mesmo a puta classe-média, como Sabrina (na história bem narrada pelo Fausto), toma uma consciente decisão de alugar o próprio corpo. Prefiro, portanto, concentrar a discussão deste ponto em diante na puta de raiz, que é vulnerável, ignorante, pobre ou aliciada. Ou tudo ao mesmo tempo.

O caso Kelly ilustra como as redes de tráfico iludem, aliciam, drogam e prostituem pessoas honestas. Kelly estava em uma festa junina e foi abordada por duas mulheres que tentaram a convencer a trabalhar em Tel-Aviv como babá para ganhar 1500 dólares por mês. Ao chegar, teve seu passaporte tomado, mantida em cárcere privado, drogada e forçada a se prostituir com cerca de dez homens por noite. Os detalhes da atrocidade foram publicados na revista Claudia.

Os demais casos ilustrados no relatório da IBISS-CO são de mulheres que já se prostituíam no país e foram dar continuidade a essa atividade no exterior.

Campanha da Gabriela Network contra o tráfico sexual

2. Sex Slaves: o tráfico internacional

Donos de boates, políticos, funcionários de aeroporto, agências de modelo, gringos e mafiosos trabalham juntos em todo o Brasil para exportar garotas de 15 e 16 anos para Israel, Europa e outros destinos. Diz o relatório da IBISS:

“Em Guajará Mirim (Rondônia), percebemos uma rede de aliciamento que vai além dos donos das boates. As menores de idade cooptadas para o tráfico internacional são aliciadas por homens bem aceitos na cidade, ou que mostram alto poder aquisitivo, incentivando o culto aos sonhos de realização financeira. De acordo com testemunhos de profissionais que atendem às vítimas desse aliciamento, é notório, no relato das meninas, a presença de nomes de políticos da cidade, funcionários públicos ligados à área de Justiça e Segurança, figuras proeminentes e indivíduos conhecidos como pertencentes ao grupo econômico dominante na cidade.” (Relatório Região Norte)

Esses criminosos muitas vezes contam com um recurso poderoso: outras mulheres, que já foram aliciadas.

“As meninas que vão para a Holanda, Alemanha e Itália, e estão há bastante tempo, são forçadas a convidar irmãs para visitá-las, através de cartas e telefonemas falsos, porque não podem falar a verdade. Elas convidam e os caras mandam tudo… quando elas chegam, eles pegam o passaporte e elas ficam na mesma situação… ‘Ele é amigo de minha filha de 23 anos, que mora lá’… E assim, a mãe permite que a filha viaje com aquela pessoa.” (Relatório da Região Sudeste)

Faço uma provocação aos leitores que argumentam que a prostituta não é nenhuma coitadinha, que sabe bem o que faz e que se quisesse poderia procurar um emprego diferente: e se uma garota, que resolveu sair para uma discoteca, acaba sendo aliciada com base em mentiras? Isso acontece a cada dia:

“Em 2000, foi descoberta uma rede de aliciamento no Estado do Rio de Janeiro, feito por quatro pessoas, três do Rio e uma de Niterói, que atuava nas casas de shows e discotecas no Centro e no subúrbio da cidade. Mulheres eram abordadas com a promessa de trabalho no exterior como dançarinas, garçonetes e baby-sitters, sendo prometido rendimentos nunca inferiores a U$1.500,00, mais casa e comida. O destino era Israel e, quando lá chegavam, o passaporte era tomado, eram mantidas em cárcere privado, trabalhavam das 14:00 às 3:30hs, mantinham até 15 relações sexuais por dia e, em suas folgas, eram vigiadas. (O Dia/RJ 06/07/00 e 18/07/00 – Relatório Região Sudeste)

Ainda diante do parágrafo acima, tenho certeza que haverá gente insistindo que uma proposta como a acima é absurda e que ele/ela nunca cairia num golpe desses. Para esse tipo de comentário, repito o argumento da realidade invisível acima: nós, com formação cultural e acesso à Internet, estamos em uma outra realidade da camada que é pobre e ignorante.


Katia tem 20 anos e foi para a Turquia, enganada e vendida por U$ 1000,00.

Muitas das adolescentes aliciadas não pode sequer contar com o discernimento de adultos, quando vêm de famílias desestruturadas. Eu lembro, certa vez, que um amigo delegado me contou algo que me deixou chocado: em famílias de extrema pobreza, acontece muito estupro dentro de casa (padrasto ou mesmo o próprio pai estuprando a filha).

Não bastasse isso, a pior parte é que as denúncias, vindas das garotas de 17 anos, só apareciam quando o molestador deixava de ter interesse na “vítima” para começar a estuprar a irmãzinha mais nova, com 14, que começava a criar peito e coxão. Como a vítima de 17 nessa situação deixava de ter os benefícios associados ao seu abuso, era só então que resolvia ir para a delegacia dar queixa. É de realidades assim que surgem muitas das putas pobres.

É por isso que proponho entendermos a brutal diferença de poder que faz parte da realidade da puta pobre, ao invés de nos projetarmos em sua condição.

3. O mendigo e a puta enjaulada

Já aconteceu de você encontrar um mendigo na rua e algum colega comentar algo como “Em vez de pedir esmola esses vagabundos tinham que ir estudar, arrumar emprego“?


Créditos: Kenjha | “Levanta daí, cara, hoje a Bolsa tá em alta, vamos aproveitar!”

A falácia desse raciocínio é em acreditar que tanto o mendigo como o cidadão de classe média com acesso a escola e infraestrutura mínima (teto, cama, caneta, geladeira…), que estão em mesmo nível de poder e recursos. O desnível é tão grande que, para um mendigo, atividades simples como estudar e procurar emprego são inconcebíveis como regra geral.

Uso essa analogia para apresentar minha opinião de que é a mesma situação para a puta pobre: é uma falácia dizer que ela escolheu o caminho da prostituição e que pode a qualquer momento sair do prostíbulo e procurar emprego. Não consegue. Ela está aprisionada em uma série de jaulas físicas e psicológicas.

As mulheres estão em uma relação totalmente desigual em relação ao poder dos homens. Regulamentar a prostituição é legalizar a escravidão das que foram objeto de tráfico. A situação de desigualdade afeta profundamente as prostitutas, diz Gunilla Ekburg, da Division of Gender Equality, da Suécia.

Na maioria dos casos da puta pobre, ela não escolheu se prostituir e perdeu sua identidade anterior. A idade média da mulher que entra para a prostituição é de 14 anos, uma idade em que raramente decisões de qualidade são tomadas por conta própria.

Se ela escolheu, ela escolheu por necessidade de viver. A sua identidade é moldada para agradar os desejos de seus clientes. O fato de ser comprada a desumaniza. Regulamentar esse processo não vai diminuir a violência na indústria.

Se a mulher está por livre vontade na prostituição, o que estamos dizendo é “Esse é problema seu, foi você que escolheu e pode escolher sair”. É como dizer para uma mulher que é abusada pelo marido: “Por que você resolveu casar com esse traste? Separe-se dele! Você tem livre escolha”. Quem conhece a realidade dessa violência doméstica sabe que a escolha não é tão simples – é necessário, inclusive, criar programas de saída que auxiliem profissionais do sexo a abandonarem a indústria e buscar um novo trabalho.

Quem argumenta que a mulher está por livre vontade está, no fim das contas, apoiando aqueles que obtém lucros nessa indústria internacional bilionária.

4. Efeitos indiretos da legalização da prostituição

Quer ouvir uma história de terror? Conheça o “The Netherlands Club”, grupo de pedófilos que fazia filmes de velhos carecas asquerosos estuprando garotas de 5 a 8 anos, e algumas vezes incluía bebês de 12 a 15 meses de idade. Curiosamente, o grupo se localizava e produzia seu material no mesmo país da liberdade sexual.

Coincidência, ou será que a comemorada liberdade holandesa que deu corda para uma liberdade mais extrema e indesejada? É uma mera especulação.

5. Exames não estão condicionados à legalização e não cobrem a janela imunológica

O que o público geral pensa sobre a regulamentação é que no bordel legalizado a mulher estará segura e terá checagens de saúde. Em primeiro lugar, os exames são relativos por conta de janela imunológica e outros limites. Além disso, não são necessariamente condicionados à legalização: Gunilla diz que o sistema de checagem de saúde iniciou-se na França por volta de 1830.


Crédito: Giselle Carvalho | Isso não acontece apenas com menores de idade…

6. Regulamentar a prostituição = apoiar o cafetão

No ano 2000, a Holanda legalizou a prostituição, tornando-a um emprego como qualquer outro. Uma nova categoria oficial de profissão, o cafetão, aparece mudando o mercado local como um hub de prostituição internacional. Apenas 4 a 10% das prostitutas se registraram como tal.

Na Catalunha, os donos de negócio se uniram para fazer lobby e  conseguiram  que as mulheres empregadas tenham de fazer controles de saúde, colocando um selo de que esses locais estão protegidos, mas sem em realidade proteger os direitos da mulher.

Legalizar a prostituição é apoiar o cafetão ou “empreendedor da indústria do sexo”.

O lado negro é que muitas vezes por trás dos bastidores de uma bela casa legalizada existe um babaca viciado em heroína, que força a prostituta a transar sem camisinha com os brothers mais chegados. A mulher não tem nenhum direito.

O problema em locais como em Edinburgo, relata uma prostituta, é que depois de dar a licença, ninguém se importa em ir para verificar se os padrões mínimos estão sendo observados: ninguém se importa. O problema da legalização e institucionalização é que ele apaga e torna o abuso à mulher invisível. É como se não houvesse dano.

Nos países em que houve regulamentação, não há programas de saída ou muito poucos. Por quê? Por que sairia de algo que é normal? Não é um crime, não é uma violação. Por que um programa de saída?

Experiências como a da Holanda, Alemanha e Austrália mostram como a legalização da prostituição levou a uma explosão do número de bordéis e também aumentou um aumento da prostituição ilegal. As condições de trabalho não melhoraram e a quantidade de mulheres traficadas aumentou.

E o jovem Briedward?

Mesmo depois de considerar a possibilidade de sua amada Sylvia estar sendo escravizada por exploradores, o jovem Briedward continua determinado a encontrá-la para novo romance.

Screenshot de um fórum (quantas histórias dessas não existem por aí?)

Briedward não é o único que relata desconfiar de ter mantido relação com uma garota que poderia ser uma escrava sexual. Nos fóruns de discussão de sexo ao redor do mundo, existem outros relatos e até um certo consenso de que quando a prostituta e a casa apresentam certos comportamentos e padrões, possivelmente existe o caso de um ser humano traficado.

No que depender da sueca Marianne Eriksson, que foi Membro do Parlamento Europeu até 2004, devemos olhar para homens como Briedward.

Se a puta pobre está em uma condição desigual de poder, é o cliente quem tem a escolha. Marianne relata que existem entre 400 a 600 mulheres que são vítimas de tráfico na Suécia. Em países vizinhos, como a Noruega, existem mais de 5000. Na Dinamarca, aproximadamente 7000. Na Finlândia, entre 10000 e 15000. Irônica e afiada, pergunta se os homens suecos são menos tarados do que os de países vizinhos. Claro que não. Deve haver outros motivos e ela está confiante em acreditar que é pelo fato de ter criminalizado o comprador, o cliente.

Em 1999, a Suécia aprovou uma lei que protege as mulheres prostituídas e criminaliza os clientes e os cafetões. Medidas sociais também foram tomadas para ajudar mulheres a sair da prostituição. Em Estocolmo, uma linha de telefone de emergência foi criada.

O que é ruim não é a mulher, mas o sistema. Em vez de focar na prostituta, deveríamos atacar a demanda.

Um desdobramento muito triste do preconceito da sociedade contra a mulher é que existem hoje inúmeros grupos que cuidam de assuntos como direitos humanos, preconceito racial e globalização… e ignoram o tema específico do tráfico de mulheres.

Por que esses grupos que lutam contra os efeitos negativos da globalização na Europa não mencionam a prostituição, assim como silenciam os grupos anti-preconceitocontra a violência feminina? É o que pergunta Malka Marcovich, diretora do Coalition Against the Trafficking in Women Europe.

O que o Survivors of Prostitution and Trafficking Manifesto diz é que se deseja ver a prostituição descriminalizada nos países onde a polícia as prende e comete abusos, mas não se deseja ver os cafetões e casas de prostituição e os clientes descriminalizados.

Considerando a premissa inicial de que existe um desnível de poder, o que me parece mais correto a ser feito é um emponderamento das mulheres por meio da educação. Isso seria uma medida que as ajudaria muito mais do que legalizar (ou regulamentar, no caso do Brasil) a prostituição.

Entretanto, um ponto é que apenas a educação primária para garotas não é suficiente como uma estratégia anti-tráfico pois não basta para levar a um emprego e reduzir a pobreza no país de origem. Também não serve para valorizar a garota dentro de sua família ou competir com os atrativos que os traficantes prometem.

Campanha do governo de Madrid contra a prostituição

O papel da Lei: por uma sociedade sem prostituição

Como o #debatepdh fez a pergunta ampla a respeito da prostituição e sua legalidade, sendo complementado pelos leitores, arrisco um breve comentário a respeito do papel da lei, citando o Genealogies of Identity:

A legislação pretende não apenas punir criminosos, e a eficácia da lei não é apenas medida com o número de delinquentes capturados. A legislação é também representante das normas e valores de uma sociedade. Quando espancar crianças foi proibido, houve muitos que argumentaram que esta era uma lei sem sentido, dada a dificuldade em seu controle. Mas esta lei teve efeitos de padronização, e da mesma maneira uma lei que proíba a compra de serviços sexuais marcará como a sociedade deve ver a diferença existente na distribuição de poder entre o homem e a mulher.

É por isso que a política pública da Suécia é baseado em uma visão de uma sociedade sem prostituição. As leis devem ser encaradas como parte de um ecossistema maior, não como peças independentes ou cercas repressoras.

Na situação atual, apenas o rufianismo e o tráfico são proibidos, enquanto o ato de se prostituir e de consumir a prostituição não constituem violação. E enquanto as coisas continuarem assim, sempre haverá um Briedward disposto a pagar pelo serviço.

Fontes:

O que você pensa disso?

Seguimos com a votação e espaço aberto nos comentários, afinal o texto acima é contrário ao que o Fausto sustentou aqui no último artigo do debate.

Victor Lee

É o embaixador europeu da PapodeHomem e está sempre de malas prontas para ir onde tem mulher bonita. É autor do "From Victor With Love - Diário".


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  • http://chavecomunicacao.com.br/ Daniel Bender

    Victor, ótimo post, discordo de quase tudo :)

    Acho que você fez algumas conexões pouco lógicas.

    Tipo, tráfico de pessoas existe e é crime, envolvendo ou não prostituição. Outra, puteiros com algumas normas são melhores que puteiros sem nenhuma norma. Isso é óbvio.

    O melhor ponto, no entanto, é tratar do cotidiano das pessoas que entram na prostituição. Certamente a maior parte é por necessidade, ali pelos 14 anos. É óbvio que isto é errado e jamais seria legalizado. Não entendo como um ambiente MAIS organizado pode ser pior para isso.

    E lembrar do grupo de pedófilos é uma puta sacanagem. Como vemos nos jornais dia após dia, não é só na Holanda que gente doente (e criminosa) gosta de fazer coisas MUITO erradas com crianças.

  • http://twitter.com/alexcastrolll Alex Castro

    É mt racionalização a serviço de justificar a nossa fobia moralista anti-prostitutas.

    • Paula

      É pouca racionalização a serviço de justificar um comentário vomitado.

  • http://www.twitter.com/aimeusaco Bruno Almeida

    Foi em 2008que eu assisti o documentário “Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado”, de Joel Zito Araújo, que discute turismo sexual.Recomendo seriamente a todos que queiram conhecer um pouco mais a respeito dessa realidade – por meio de olhares que passam tanto pelas mulheres que se envolveram, como de personagens que compõem o cenário de um problema muito maior.A quem assistir a esse filme, ofereço o seguinte desafio: é possível chamar a todos os homens que são retratados nele como “Lobos” ou “Principies Encantados”?

  • Francisco

    “As mulheres estão em uma relação totalmente desigual em relação ao poder dos homens. Regulamentar a prostituição é legalizar a escravidão das que foram objeto de tráfico.”aí já não concordo.existem os dois lados desta profissão, puta e acompanhante digamos.Umas o fazem com empoderamento, outras não.Não me parece justo restringir um grupo por violações sofridas por outro grupo.Na citação acima, legalizar a prostituição não legalizaria a escravidão.Ser lavrador é uma profissão reconhecida, e o escravo que lavra o campo não deixa de ser um escravo.Existe claro toda uma questão de implementação.Temos a coisa do jeito que é. Se quisermos efetivamente uma mudança, devem ser estipuladas regras, que devem ser cumpridas e fiscalizadas. Isso provavelmente tornará as coisas mais limpas para as acompanhantes, embora carregue o problema da divulgação da identidade, já que tudo vai ser inserido em sistemas, imposto de renda, etc.Simplesmente proibir, não mudaria nada.Proibir o consumo, punir os usuários, colocaria em risco a atividade de escorts, que não são vitimas de nada e fazem o que fazem por escolha própria, além de cortar a renda desta mulheres de rua.Proibir o consumo também não mudaria em nada a questão do tráfico de mulheres, que já é crime, e cujo publico parece ser, pelo artigo, muito mais internacional.Me parece que existem muito mais mendigos homens do que mulheres. Talvez uma vez cortada a sua fonte de renda, esse seja o fim destas mulheres. O que a sociedade poderia oferecer para essas mulheres e homens sem condições de viver na própria sociedade?Ao meu ver o ideal seria manter um estado onde ninguém fosse obrigado a fazer essa escolha, mas que continuasse como escolha.

  • http://www.facebook.com/people/Paulo-Meireles-Filho/790588295 Paulo Meireles Filho

    O texto é muito oportuno, embora o assunto tratado represente apenas a ponta o iceberg. Pegando um gancho na ideia que “Em vez de focar na prostituta, deveríamos atacar a demanda” e o argumento do Pablo Fernandes, deveríamos focar na geratriz desse mal: o que leva uma pessoa a consumir drogas / o que leva alguém a pagar por sexo?
    Pode parecer simplório à primeira vista, mas para responder essas questões verdadeiramente seria necessária uma análise profunda de baixo para cima começando na própria base onde está assentada nossa estrutura social… Alguém encara o desafio?
    Parabéns pelo texto Victor! Pena que não foi compreendido pela maioria dos leitores, a julgar pelos mais de 2.300 votos que a enquete já recebeu… É fácil ser “liberal” com a miséria alheia, não?!

  • Dr Health

    Se na Suécia é brabo, na Noruega é pior.Lá se o cidadão for pego utilizando o serviço de prostitutas mesmo FORA DO PAÍS, ele é condenado da mesma forma. Bom pelo que vejo, o cara pra comer uma mulher gostosíssima das duas uma: Ou desenvolve uma lábia fenomenal (como o Victor falou, é o que o pessoal da comunidade de sedução procura), ou fica famoso/milionário. Como isso é para poucos, ao menos as putas de luxo terão sempre mercado garantido. E para essas ter lei ou não será indiferente.Já quanto às outras, eu não tinha pensado pelo lado trágico da coisa (até porque todas as vezes que utilizei serviço de prostitutas, eram de luxo, as outras nunca me interessaram). Realmente não tenho como discordar dos argumentos.

  • Dr Health

    Se na Suécia é brabo, na Noruega é pior.Lá se o cidadão for pego utilizando o serviço de prostitutas mesmo FORA DO PAÍS, ele é condenado da mesma forma. Bom pelo que vejo, o cara pra comer uma mulher gostosíssima das duas uma: Ou desenvolve uma lábia fenomenal (como o Victor falou, é o que o pessoal da comunidade de sedução procura), ou fica famoso/milionário. Como isso é para poucos, ao menos as putas de luxo terão sempre mercado garantido. E para essas ter lei ou não será indiferente.Já quanto às outras, eu não tinha pensado pelo lado trágico da coisa (até porque todas as vezes que utilizei serviço de prostitutas, eram de luxo, as outras nunca me interessaram). Realmente não tenho como discordar dos argumentos.

  • http://vidacasual.wordpress.com Felippe

    Belíssimo Texto. Realmente, a legalização da prostituição é um assunto muito controvérsio, e tem que se pensar em alguns(se não todos) os pontos em que você citou.
    Eu sou contra, afinal, há as prostitutas que trabalham por simples prazer, e seu corpo e beleza privilegiadas fazem ela ganhar muitíssimo com poucos programas com caras ricos e limpos.
    Porém o segundo tipo de prostituta é a que me preocupa. A prostituta recém saída de seus 17 anos, com filho pra criar e sem marido ou mãe para ajudar. Essa precisa ganhar alguns trocados ou passará fome, e isso implica em programas baratos em lugares PORCOS com homens SUJOS.
    Eu acho que a legalização só trará o segundo tipo de prostituta mais a tona, uma mulher com um trabalho infeliz, remuneração ridícula e pouco reconhecimento.

    Tem as duas faces da moeda.

    • Abc Gil

      Para mim sujo é o homem que deixa sua esposa em casa e vai para rua correr o risco de levar doença para casa.Não acho sujo um homem pobre, negro, mulato o nostestino totalmente fora do padrão (pele clara, olhos claros e cabelo liso) criado pela sociedade, pagar para sair um uma garota dessas.

  • Carolina

    eu não consigo parar de chorar com esse texto!

    =///

  • http://www.facebook.com/rodrigo.cambiaghi Rodrigo DAvola Cambiaghi

    Man… essa frase valeu por tudo
    “Em vez de focar na prostituta, deveríamos atacar a demanda.”

    Acredito que a lógica do mercado de prostituição siga a mesma lógica do tráfico de drogas.
    Não adianta ficar apreendendo toneladas de drogas e matando traficante enquanto houver usuários.

    Claro que dessa vez não lidamos com produtos e sim com seres humanos, o que complica beeem mais a história.

    Ta foda, preciso digerir melhor o texto antes de formar minha opnião, mas parabéns mesmo pelo texto Victor, achei do caralho!

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Chorar de bom ou de ruim, Carolina? ;-)

  • Pablo Fernandes

    Concordo contigo, bro.

    Quando diz que a lógica tem que seguir a do tráfico de drogas.

    Mas, nesse caso, o trabalho é muito maior.

    Excelente texto.

    Foda pra caralho, Victor.

  • http://twitter.com/RaphaC_Abreu Raphael Camargo

    Um filme excelente, mas com uma abordagem diferente é o Taken.

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    Só um reparo: a Sabriana citada no meu texto não era uma puta de luxo. Ela trabalhava na Augusta, faturando R$ 50 por programa. Pegando o Photo como um extrema e a Cracolândia como outro, ela seria uma puta classe média.
    Depois comento o resto.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Valeu Felippe – esse texto é apenas um no meio do longo #debatepdh que temos tocado faz mais de um mês, com diferentes abordagens. Por isso foquei em aspectos que os demais já haviam coberto (aliás, concordo com o Átila e o Fausto quando analiso pelo mesmo prisma que eles adotaram).

    Assim como você, a minha preocupação neste texto foi com a puta pobre, que raramente aparece.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Valeu, Rodrigo! Quando formar a opinião, compartilhe conosco pois queremos saber quais argumentos do #debatepdh inteiro foram os mais incisivos. Ah! E ainda tem mais um texto bastante interessante para sair do forno em breve, da B.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Tks, Pablo! Não tenho muito conhecimento sobre o tráfico de drogas, que imagino ter nuances diferentes, mas o princípio parece ser o mesmo sim. Seria legal se tivesse gente que pudesse complementar mais com essa analogia.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Bender – excelente!!! É discordando que a gente faz um debate bacana.

    Também questionei a lógica entre os diferentes pontos que levantei durante a pesquisa do texto e vai ser bom revisar contigo. Deixa ver se entendi o que você apontou:

    1. Tráfico de pessoas existe independente de prostituição

    O argumento que procurei apresentar é que com a grande demanda de prostituição existem maiores incentivos para traficantes, rufiões e exploradores.

    No caso de “empresários do sexo” que constroem um puteiro gigante de cinco andares, cobram bebida e entrada, aparentemente estamos lidando com algo inofensivo. Porém quando olhamos o ecossistema, isso promove uma cultura da putaria.

    Onde existe a demanda pelo serviço legalizado pode surgir brecha para quem quer oferecer o serviço às margens da lei.

    Logicamente que existem suecos que viajam para contratar prostituta fora da Suécia. Mas se olharmos para o comportamento geral dessa sociedade, dá para dizer que a demanda é menor do que por exemplo na República Tcheca (onde não apenas tchecos locais procuram os serviços mas também os turistas em Praga – inclusive existindo “The Prague SEX Guide” com mapa de puteiros e clubes de strip)

    Por isso, acho que os temas estão ligados.

    2. Puteiro com norma v. puteiro sem norma

    Dizem (não conheço) que havia um puteiro clássico chamado Everleigh House em Chicago, décadas atrás, onde as moças eram sofisticadíssimas, falavam vários idiomas, tocavam piano e eram treinadas por francesas. Aliás, era o único lugar onde se poderia conseguir um boquete (“french style”). Estou citando de memória o Superfreakonomics usado pelo Átila.

    Nessa casa, os controles de saúde e bem estar das profissionais eram excelentes. No modelo auto-regulamentação.

    E pelos relatos das prostitutas de Edinburg, as casas legalizadas podem ser uma terrível fachada para oficializar barbaridades.

    Nesse caso, acho que não há relação entre o puteiro com norma (do Estado) ou sem norma.

    3. Como ambiente mais organizado pode ser pior

    Aqui, o que acho que não fui feliz foi na ligação entre o caso sueco e o ponto principal do texto: na Suécia, o princípio norteador é de uma sociedade sem prostituição. Eles entendem que a prostituta em muitos casos não escolhe ser puta por causa da mencionada diferença de poder – é uma falsa escolha pois as circunstâncias da vida a conduzem para isso.

    E a regulamentação da prostituição, ainda que atenda consumidores e profissionais do estilo “luxo” ou mesmo “classe média” como disse o Fausto, acaba implicando em 1) maior demanda e 2) fachada de legalidade nos casos em que há abuso, como no caso de Edinburgh.

    Por isso, ainda que prejudique interesses legítimos da puta que conscientemente decide se prostituir, os danos às vítimas traficadas e aliciadas são um interesse jurídico maior que deve se sobrepor.

    4. Pedófilos da Holanda

    Verdade – dei uma apelada nesse comentário. Mas, enquanto fiz a pesquisa, e encontrei uma atrocidade dessas num país tão celebrado como desenvolvido, modelo a ser seguido, de gente madura etc etc não teve como eu não dar uma cutucada e provocar o debate! ;D

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Beleza, Alex? Que honra ter vc comentando aqui – gosto bastante do que você escreve e inclusive o Gitti tinha me recomendado alguns materiais seus para outros temas que temos na pauta.

    Não sei se a “fobia moralista anti-prostitutas” foi um comentário sobre o meu texto ou genericamente dentro do contexto #debatepdh

    Se foi sobre algo que eu apresentei, digo de coração aberto e sem nenhuma defesa de ego que eu não tenho nenhuma fobia, moralismo, ou sentimento anti-prostitutas (pelo menos na forma como eu mesmo possa compreender/identificar).

    Inclusive, eu dei um apoio total dentro das discussões da Equipe Editorial do PdH por email e também na forma de comment ao belíssimo texto do Fausto, com qual eu concordo.

    No caso da prostituta independente, reconheço que o que eu li do Fausto foi a melhor argumentação que vi até agora e com a qual eu concordo.

    Entretanto, o post de hoje foi para um tipo de prostituta que eu entendo ser muito ignorada/invisível: o caso da puta pobre aliciada e traficada. E que existem muitos Briedwards que fazem parte do jogo.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Obrigado pela dica, Bruno – não conhecia o material e certamente vai pra lista!

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Beleza, Francisco? Curti todos os comentários que você vem apresentando desde o começo do #debatepdh – show de bola ter gente que se importa a examinar os diferentes aspectos deste tema.

    Se entendi o principal ponto que você apresentou (me corrija se estiver errado), não é uma boa restringir algumas liberdades legítimas de certos para proteger outros grupos distintos, principalmente quando a efetividade é discutível.

    É isso?

    Se for o caso, é esse o ponto que estou conversando com o Bender num comentário acima. A posição do governo sueco, até onde eu entendi, é que o bem jurídico maior a ser protegido é a proteção às “putas aliciadas”, mesmo que isso signifique restringir direitos das “putas independentes” e dos clientes putanheiros.

    É uma questão de princípios – podemos argumentar tanto que uma abordagem (como a sueca) como outras (como a holandesa) são melhores ou piores dependendo de uma série de fatores.

    Sobre o ponto de proibir não mudar nada, o que você achou da citação do livro Genealogies of Identity, que conta a transformação em padronização quando se proibiu pais de darem umas palmadas em crianças? Será que realmente não mudou nada ou existe uma sutil mudança no rumo da sociedade?

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Valeu, Rapha! Tem um outro filme que usei na pesquisa, mas não citei pois em boa parte é sobre as putas independentes (e não sobre as aliciadas e pobres) chamado Yo Puta, que vale ser visto

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Valeu, Fausto – de fato, coloquei no mesmo saco tanto as putas de luxo descritas no começo do parágrafo como as “classe média” como a Sabrina para deixar todas no grupo das do grupo B: “b) o da mulher que tem o “domínio da situação”, avalia com toda a clareza os riscos e dispõe-se a corrê-los para ganhar dinheiro.”

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Obrigado, Paulo!

    Primeiramente, sobre os números da pesquisa (a última vez que olhei eram 2338 votos, sendo 71.99% dizendo SIM), isso é a continuação do #debatepdh que vem acontecendo desde 4 de maio: http://papodehomem.com.br/belas-mas-nao-prostit

    Sobre seu comentário sensacional, concordo plenamente. Li no Twitter o seguinte:


    nandosantos Seja homem: Pegue, em vez de pagar RT @papodehomem: mundo sem prostituição. Uma crítica aos homens que PAGAM por SEXO: http://bit.ly/cjrOWe

    Existem milhares de fatores que fazem um cara buscar uma prostituta que dá para encher umas cinco Wikipedias se formos listar tudo.

    Um dos movimentos que eu acompanho muito de perto já faz três anos é o da chamada “Comunidade de Sedução”, onde caras que possuem dificuldades com garotas resolvem assumir a responsabilidade e se dedicar em desenvolvimento pessoal para se tornarem homens melhores, mais confiantes e atraentes.

    A cada dia, troco emails e mensagens com centenas de caras, de comunidades brasileiras e internacionais, e o que escuto deles é que conforme eles avançam em sua habilidade com o sexo oposto de forma natural, cada vez menor (ou nula) é a busca por profissionais do sexo.

    Quem sabe é um dos caminhos para o tal “mundo sem prostituição”?

  • Pablo Fernandes

    Felippe,

    Vejo que com a legalização, o que mais vai acontecer é pai ordinário, marido safado usando de filhas e mulheres para conseguir uma renda a mais.

    Isso já existe e passará a existir ainda mais.

    Casos como os mostrados no post serão mais frequentes do que pensamos.

    A grande questão é: como acabar com isso antes mesmo da legalização?

  • Pablo Fernandes

    Victor,

    o estudo que você apresenta no post é de 2002, certo?

    Há alguma estatística atualizada da quantidade de meninas que são “exportadas” pra se prostituirem?

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Fausto, já falei com o Gitti sobre a minha pisada de bola e editamos o texto, para ficar mais correto na descrição da Sabrina. Valeu pelo toque!

  • Pablo Fernandes

    O que eu vejo Victor é que o tráfico é bancado por seus usuários, assim como a prostituição por seus clientes.

    A maneira de se acabar com algo que são os clientes que financiam, é ir em busca de tais clientes, conscientizando do que estão fazendo.

    No caso das drogas, vejo ainda mais problemas, porque além de uma ligação econômica a toda submissão ao produto em si. Toda ligação psicológica e toda dependência que se cria.

    Uma maneira de se coibir a prostituição seria punindo o cliente, com sanção penal e também multa. O risco de se chamar uma prostituta ou de ir até um puteiro seriam enormes.

    Imagino que assim seria uma maneira. Mas, sinceramente falando, vejo como algo utópico.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Sim – Não encontrei nada mais atual, e o da IBISS me pareceu o mais completo.

    É difícil encontrar estatísticas confiáveis em situações ilegais. O meu achismo é que nas áreas metropolitanas brasileiras é algo raro (mas não tenho experiência para afirmar). E que mesmo dentro do Brasil não aconteça na mesma proporção que em Israel, Itália, Suíça, Alemanha e Reino Unido por exemplo. Além de vítimas brasileiras, existem muitas do sudoeste asiático, européias do antigo bloco soviético e africanas.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    É utópico sim, Pablo. E a tal conscientização é essencial. Acho que muito cliente de prostituta nunca imaginou que tráfico ou algo assim possa acontecer.

    Em geral, a puta brasileira é descrita como alegre, que muitas vezes sente prazer e até engata namoros com clientes (fonte GP Guia e afins), diferente da americana ou européia que tem uma postura mais profissional fudeu-pagou-sai fora. Talvez exista mesmo um aspecto de nossa condição latina e de misturar o lado público e privado, o pessoal e o profissional. Sei lá.

    O motivo de eu pesquisar o assunto foi justamente por conta de uma experiência estranha que eu tive, muitos anos atrás, em Praga: em um puteiro, havia um clima muito esquisito. Vibe ruim do cão. Comentei o fato com um conhecido, que disse que lá provavelmente era ambiente de garotas traficadas.

    Ao ouvir isso, me bateu uma mistura de tristeza, compaixão, revolta e nojo de mim mesmo em participar de um ambiente que favorecia esse tipo de atividade. Este post que compartilho com a galera é uma forma que encontrei de dar uma contribuição para a conscientização de clientes.

  • Pablon

    Texto acima da média ( PDH ). Objetividade, clareza e coerência, parabéns!

    Com relação a legalização da prostituição, consumo e venda de drogas e outras “Doenças” não deveria haver sequer uma simples sombra de dúvida. É simplesmente ilógico.

    Percebi mais uma vez comentários do tipo “A fobia moralista”, e chego a conclusão que o que nos catapulta para o abismo mais profundo da decadência espiritual é justamente o combate impiedoso que alguns insistem em impor ao que conhecemos como “Instituição família”.

    É inegável que o desaparecimento da figura paterna – Forte – contribui com o desequilíbrio estrutural da sociedade moderna. Os pilares de uma sociedade saudável estão nas regras, leis e fundamentalmente na moral dos indivíduos, negar isto é tentar tapar o sol com a peneira.

    Todo esse liberalismo calcado principalmente no feminismo – Burro -, nos empurra silenciosamente para um trágico final, sinto medo.

    Contra a putaria e a favor de uma sociedade justa, decente e moralmente elevada.

  • Soraya

    Agora o PH postou um texto sensato sobre prostituição!!!

  • Antonio

    Papinho catolico. Mandou mal…

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    Pablo, as estatísticas são todas exageradas, além de imprecisas, porque a legislação brasileira considera que há tráfico internacional de pessoas mesmo quando a mulher viaja com a intenção de se prostituir (sem qualquer coação). Se uma irmã emprestou uma grana para ela pagar a passagem, por exemplo, essa mulher pode ser considerada traficante de pessoas.

  • Dr Health

    Você defende também que devemos permanecer virgens até o casamento?

  • http://www.facebook.com/people/Lucinda-Mateus/100000457591398 Lucinda Mateus

    Parabens pelo texto viu, totalmente completo, não foi somente um cometário sobre o assunto foi uma elucidação totalmente bem explicada, pra mim esse tema é muito polemico, na faculdade já fizemos inumeros debates a respeito da regularização da prostituição, agora penso que é dificil saber que temos uma “profissão”, coloquei entre aspas, porque não é regularizada, como pude ver no seu texto são inumeros os casos de abusos e de reais situações de escravidão que essas garotas passam, aqui no brasil temos uma das legislações maiores do mundo, mas como já dizem tamanho não é documento, ela é falha, e ausente, concerteza é bem possível que seja feita uma legislação especial e como de costume tudo continue na cladestinidade e como não temos fiscalização nada seja feito. Pra mim, com o que sei do juridico da situação e com o que aprendi com o texto, realmente é necessário regulamentar, mas como fiscalizar esses casos internacionais, e os reais abusos que acontecem mascarados e que não são nem mesmo sabidos por nós, no brasil de hoje conservador por natureza vai demorar para surgir em pauta esse tema para os legisladores, porem tenho que concordar com você que o que falta mais do que legislação é o instituto familiar que daria a base necessária para essas garotas que tantas vezes se veem nesses caminhos, antes de fazermos leis temos que atacar no fundo da alma da nossa sociedade que com valores torcidos, nos entrega situações como está para debater…Apesarde ser estremamente pragmática e saber que as leis são necessárias como boa jurista que sou sempre tenho que defender minha área né, mas pessoalmente gostaria de ir ao encontro do seu pensamento e com o pensamento desses paises que voce citou, contra prostituição, então no fim das contas sim a lei e não a prostituição…

    bjs lú

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Fausto, de fato eu fiquei bastante confuso quando via os números e argumentos, principalmente dos grupos feministas. Por exemplo, 15 mil mulheres traficadas na Finlândia me pareceu algo além do que poderia imaginar.

    Só no meio da pesquisa é que entendi que certos grupos classificam todas as mulheres (inclusive as sem coação) como tráfico, enquanto outros não. É um ponto importante e que pode gerar confusão mesmo.

  • http://taketothelimit.blogspot.com/ Zombie

    Sei que serei muito simplório no que irei dizer, mas…O problema todo é falta de estrutura familiar e educação. Para mudar o sistema como um todo, seria necessário melhorar esses aspectos, além de mudar a cultura como um todo, também. E prostituição existe desde que o mundo é mundo. Acho meio dificil ocorrer alguma alteração na procura atacando os consumidores, de verdade.A diferença entre a cultura sueca e a brasileira, por exemplo, é notória.Acho que a lei funciona lá, porquê o povo é mais instruído.Quanto a legalização, sou sim a favor. No sentido de “Tá ruim assim, porquê não fazer diferente para ver se melhora em algo?”Porém, algo me diz que não mudaria NADA a situação de boa parte dessas moças escravas.È só pensar. A lei existe para tanta coisa. Mas em lugares pobres, ainda continua mandando o dinheiro.Pensando melhor, no Brasil, a lei só funciona para quem tem dinheiro.Usando como exemplo básico um lugar pobre qualquer. Há sempre o figurão envolvido nesse serviço. Ele comanda toda ou boa parte do “podre” (drogas, prostíbulos, jogo, etc) da cidade. Acho que nesses lugares, não importa o quanto a lei seja, ele – por ter o poder – ainda será “imune” a isso.Vide traficantes em favelas, a policia encontra oposição dos próprios moradores, pois é “bonzinho” lá, distribui cestas básicas e tudo mais. Pensa um figurão politico, industrial, etc. A lei dificilmente irá impedi-lo, ele compraria a policia, no caso.Então, a lei pode até ser feita e aprovada. Mas não mudará em nada a situação nesses lugares. Resumindo, pode até fazer lei, mas sem mudar a instrução do povo e o acesso a melhores condições (Ou seja, algo bem básico), não vai adiantar nada. Já que certas pessoas entram por falta de escolha. É dever do governo propiciar oportunidades de melhoria de vida a elas. Em outras palavras, a oportunidade de escolher mesmo.Nós – como sociedade – também podemos fazer algo. Por isso são necessários debates como esse. E vamos que vamos rs

  • http://www.desfoque.wordpress.com Lucas

    A argumentação está bacana, mas não tem cristo no mundo que me convença de qualquer proposta de proibição ao hedonismo. Pra mim, a dinâmica é simples: tem quem pague e tem quem queira vender e, neste caso, ninguém tem nada a ver com isso. Aliás, ninguém nunca tem nada a ver com onde alguém gostar de enfiar o pinto, ou o que gosta de meter na veia, ou no nariz, ou se gosta de ser enfiado ou não. Entretanto, o que sempre me deixa confuso na minha própria argumentação é que existe a prostituição além do “tem quem pague e tem quem QUEIRA vender”, que é o exemplo dado, das putas pobres, forçadas, humilhadas. E isso é um problema seríssimo.Mas eu não gosto dessa abordagem coercitiva e legislativa pra lidar com problemas sociais. Sempre há uma gama de outras formas de se combater um problema – talvez mais difíceis e demoradas, sim, mas possivelmente mais eficazes – sem precisar recorrer a proibições e castrações a um direito que, pra mim, é inviolável: a possibilidade do ser humano de escolher o que quer pra si, desde que não prejudique outrem. E se o cara come a puta que QUER ser puta, ela fica feliz (com a grana) e ele fica feliz com a afogada de ganso e nada de ruim acontece. Não importa os motivos pelos quais o cara foi comer a puta, mas, pra mim, isso é um direito inviolável dele.E a mesma coisa com as drogas – se alguém QUER ficar chapado, é um direito. Tirando casos extremamente pontuais (gente que fica louca e sai matando, o que é muito raro mesmo), o usuário só prejudica diretamente a si mesmo, e eu também acho que deva ser um direito individual das pessoas que elas se prejudiquem se quiserem. Mas daí entra o mesmo caso da prostituição: tudo isso gera o crime organizado e ele sim mata pessoas, muitas delas. Mas, novamente, é uma abordagem simplista e coercitiva proibir o cidadão de escolher o que quer da vida, ao invés de investir em toda sorte de outras soluções. O Caso clássico do cara que planta e fuma sua própria maconha é simples mas revel bem algo que não prejudica ninguém e segue sendo um crime (não tenho certeza, mas considerando o cuidado com o qual os maconheiros escondem suas plantinhas, julgo ser proibido mesmo).Em ambos os casos, um argumento detona o outro e acaba que eu não sei exatamente qual posição tomar – só tenho certeza de que não gosto do uso da lei como medida primária para a resolução de problemas. Pelo contrário, ela deveria ser a última, quando não há mais um horizonte de possibilidades.Não sou expert em psicologia e sociologia, aliás, não sei nada disso, mas sempre tenho a impressão de que proibição gera interesse. Proibição gera medo e curiosidade, que gera risco e vontade, que gera interesse – gosto de citar o caso hipotético de proibição de venda de bebidas alcoólicas (que prejudicam muito mais a percepção de realidade do que uma inocente maconha) a todos. Imagina o mercado negro feroz que isso geraria – é só o viés inverso da perspectiva da liberação/proibição. E tem milhares de estudos por ai que valeriam como argumento pra isso, assim como existem outros milhares que me contestariam com força.Acho bom o “viva e deixe viver” mas também não consigo concordar com o fechar dos olhos pra tudo que acontece de ruim com essa filosofia. Obrigado, PdH, pelo ótimo texto e que me colocou nessa sinuca de bico MAIS UM VEZ. Aquilo que nos faz questionarmos nós mesmos nos engrandece =)

  • Paulo

    Prostituição está em todos os lugares: toda mulher é uma prostituta em potencial, pois todas podem comercializar sexo: sexo por dinheiro, sexo por carinho, sexo por segurança, sexo por um emprego, sexo por uma promoção, sexo por auto-estima. Sim, enquanto as mulheres se enxergarem como objetos de satisfação masculina, serão no fundo prostitutas potenciais. E esse argumento não é uma agressão, é uma constatação.A coisa tá mudando? Óbvio que sim.Outra coisa inegável é que as mulheres seguem as prostitutas. Até na moda. Antigamente nós podíamos distinguir uma prostituta por sua vestimenta, hoje, numa balada, várias mulheres se vestem como prostitutas (não enxerguem como crítica, só constatação). O que significa isso? O que significa as prostitutas estarem sempre na vanguarda da moda feminina? Seriam elas um ideal que todas as mulheres buscam? E se as criminalizarmos, elas teriam que ser presas? Teríamos que prender as alunas de faculdade que jogam charme para professores e para colegas para se dar bem em provas e trabalhos em equipe (e que às vezes vão mais longe do que jogar charme)?A coisa é muito complexa. Da mesma forma que vejo com naturalidade a prostituição que há em quase todas as mulheres (que são “vítimas” do sistema que elas também compõem), vejo com naturalidade as mulheres que são prostitutas assumidas, o que tem que ser combatido é o que já é combatido: danos aos direitos humanos de todos, inclusive das prostitutas.

  • Paulo

    E, de mais a mais, puta pobre aliciada e traficada já é defendida pela lei. O que mudaria?

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Complementando o post original que era muito longo e evitei alongar ainda mais… num fórum de discussão que participo, fizeram o comentário de que é estranho o fato das escravas sexuais não procurarem amparo policial.

    Isso me fez lembrar que algumas semanas atrás eu estava em Lausanne, na Suíça e entrei no ônibus. Próximo da cabine do motorista tinha uma caixinha com panfletos, e o título era “VOCÊ É ESCRAVA SEXUAL? Entre em contato conosco para ajudarmos”.

    Era um panfleto de um serviço social do governo, que sabe que existem muitas mulheres na rica e “desenvolvida” Suíça que estão em condição de aprisionamento psicológico.

    Vejam: a mulher tem a liberdade física para andar sozinha e pegar ônibus… mas o terror psicológico de seu DONO é tão grande que ela não procura por ajuda. Essas escravas em geral não são prostitutas de clube, mas sim escravas de um só indivíduo (que algumas vezes a oferece para amigos dentro de sua casa).

    Algumas vezes, elas são escravas compradas diretamente do tráfico. Em outra parte dos casos, é um tema que tem a ver com o casamento forçado: um europeu se oferece para casar com contrato para que a garota consiga passaporte europeu. E quando os papéis são assinados, ele esconde o passaporte original da garota e ameaça matar familiares dela caso ela tente escapar.

    O buraco é bem fundo mesmo.

  • http://presencadapeste.blogspot.com rayssa gon

    acho que esse foi o melhor artigo do PDH que li esse ano. foi pra lista dos melhores que ja li desde que comecei a acompanhar o site.

    muito lucido sem cair naquela chatice “engajada”, entende?

    vc apontou um problema (e seus varios fatores) deixando a reflexão por conta do leitor. bom mesmo. :)

  • http://garotacocacola.wordpress.com/ Vanessa Guedes

    Bender, o comentário não foi para mim, mas quero me meter na tua opinião. Nem li a resposta do Victor, mas vou te falar de cara, enquanto eu esquentei minha cabeça lendo tua resposta ao post.

    Eu acho que a Prostituição toca a fundo todas as mulheres, porque é o maior símbolo da merda que é a vida de qualquer mulher dentro dessa sociedade. Com ou sem dinheiro, bonita ou feia, inteligente ou burra.
    O ato da prostiuição é algo quase que exclusivo e automaticamente associado à figura feminina, mesmo que existam homens que também se prostituem. Isso nos mostra o que a objetificação massiva faz concosco e com o controle que a mídia tem sobre nós. Eu mesma já pensei em tomar esse rumo, parece algo muito fácil quando se quer levantar grana rápido e não se dispõe de nada mais eficiente à curto prazo. Não fui além porque tomei consciência de que estaria perpetuando o pensamento de que mulheres em geral são propriedade dos homens. Acho que tu mesmo exemplifica isso com aquela loja online que tu atualiza no GoogleBuzz todos os dias, com seus chaveiros e outros artigos que usam da imagem feminina como símbolo cool de homem moderninho e safadinho. Não acho isso bonito. Acharia legal se eu pudesse usar um chaveirinho com uma bunda de algum homem, e não fosse chamada de puta ou não fosse vista como uma desesperada ninfomaníaca, ou como uma mulher muito nojenta.
    Me dá vontade de chorar ao ler que alguém diz que discorda de quase todo o post, porque meu caro, lembrar de grupos de pedófilos não é sacanagem nenhuma, porque a prostituição muitas vezes justifica o pensamento animal de subjugar outros seres (crianças e animais) em prol do prazer. Masculino.

    É muito conformismo dizer que é melhor puteiros com normas do que puteiros sem normas. Um puteiro nem deveria existir, para começo de conversa. A não ser que puteiros com homens se prostituindo para mulheres fosse tão frequente quanto.
    Pagar para comer aquela gostosa naquele puteiro de alta categoria colabora para a permanência do pensamento machista de hoje.Colabora para que existam mais Brunas Surfisitinhas, e que caras normais financiem indeiretamente o tráfico e a escravização de meninas pensando que todas elas tem a vida glamourosa das putas cujos livros eles lêem.

    • Priscila

      Concordo em gênero, número e grau. Até por uma coisa q o próprio post levantou: as prostituas de luxo nem se consideram “putas”, mas “escorts”. E iam ser provavelmente as únicas afetadas por uma regulamentação, que na verdade seria oficializar, carimbar que é ok fazer outras pessoas de objeto sexual, que a demanda de prazer de uns justifica subjugar outros, o que acaba se estendendo para pessoas que não fizeram essa escolha. Pode ser uma prática milenar mas isso não a torna menos errada!

  • Francisco

    Como você disse, é uma questão de princípios.
    O principio de “proteger” todas as prostitutas, como se todas precisassem de proteção. Muitas precisam, outras não. As que precisam ser protegidas, precisam ser pois são escravas, não porque são prostitutas.
    Se elas precisam ser protegidas porque são prostitutas, é como o alex disse, muita racionalização para esconder um moralismo. Seria admitir que o ponto de vista é que ser prostituta é ruim e ponto.
    a citação que você trouxe, da mudança de valores revela justamente isso, que o ideal seria que a sociedade aprendesse que prostituição é sempre ruim.

    Demanda não é um bom argumento. Existe uma demanda pra tudo no mundo, comida, carros, drogas, computadores. Algumas, como as drogas, são vistas como prejudiciais à sociedade e proibidas, e o sexo não é uma dessas demandas a serem proibidas ao meu ver.
    Como há demanda, surge um mercado, e neste mercado sempre tem opções licitas e ilicitas. Você não pode comprar maconha, mas pode comprar vinho ou cigarro. Não deveria comprar peças de carro no mercado negro, embora sejam bem mais baratas.

    Com o sexo?
    Se entender que pagar por sexo em si mesmo é errado – moralismo.
    Se não, como num mercado não regulamentado descobrir quais são as prostitutas que fazem o que querem, quais são coagidas?
    Creio que num processo de regulamentação da profissão deveria ser estabelecido claramente um modelo de negócios que não leve à exploração. Existe diversos modelos baseados na internet que claramente não representam exploração, e permitem à mulher um controle total das suas atividades e gastos. Existem modelos onde uma mulher poderia trabalhar numa casa de prostituição sem ser uma escrava.

    O importante neste caso é a implementação.
    A implementação da regularização deve ser feita de uma maneira que traga vantagens para as prostitutas. Haverá diversas outras necessidades: advogados, contadores, despesas com impostos. Até aí a legalização não traz benefício algum, só mais despesas, que empurrarão os preços para cima e vão prejudicar as prostitutas de aderirem na concorrência com as ilegais. Talvez seja isso que tenha ocorrido na Holanda (só uma hipótese).
    Na legalização de uma nova atividade tem que existir incentivos e vantagens claras, tanto em segurança, imagem publica, serviços, qualidade de vida, renda. As prostitutas tem que saber que serão protegidas pela policia, caso sejam vítimas de agressão ou estupro por um cliente, deverão ter capacidade de realizar um processo caso um cliente não as pague. Isso que representa a legalização, uma inclusão na sociedade sem prejuízos à sua cidadania.

    Isso que precisa de uma mudança de cultura muito mais intensa.
    É fácil ordenar toda a sociedade a repudiar a prostituição, criminalizar os clientes, ainda mais em paises europeus, onde uma viagem aos países vizinhos se faz em poucas horas. Criminalizar a demanda não a faz cair, como já sabemos com o que acontece com as drogas no brasil. Não temos um sistema judiciário ágil o suficiente para lidar com todas as denuncias que surgiriam…
    Criminalizar também vai justificar um preconceito contra estas mulheres, que já é grande, quando pessoas justificam um assalto com “pensei que era uma prostituta”, como se então não haveria problema.

  • AC_Gomes

    Texto excelente Vitor, um dos melhores que já li aqui do PdH,

    embora eu discorde de alguns pontos e creio que haja outras soluções dentro da legalidade, esse texto foi capaz de abrir minha cabeça (e creio que a de muitos defensores da legalização) e mostrar um mundo mais amplo que é a prostituição.

    Entendendo melhor a situação podemos pensar em medidas mais eficazes contra a exploração sexual.

    Abcs

  • Pablon

    Na verdade, não. Aliás, para que se casar? Bobagem!

    Caro Dr, após ler alguns de seus comentários ( Coluna do Dr. Love ), aonde o Sr. relata não pretender se envolver com uma mulher muito “Rodada”, diga-nos, qual seria o número ( De parceiros ) mágico, o número que não lhe causaria tanto desconforto? Então reflita, a virgindade é um problema, ou o Sr. realmente, do alto de sua imensa sabedoria, gosta mesmo é de estar sobre o muro?

  • Pablon

    Para refletir:

    http://veja.abril.com.br/230408/p_092.shtml

    Afinal, existe alguma relação com o aumento da prostituição, ou não?

  • Túlio

    Essa discussão é de fundir a cuca mesmo… Cito dois dos trechos que me fizeram pensar mais nessa história toda:

    Victor Lee:
    “A posição do governo sueco, até onde eu entendi, é que o bem jurídico maior a ser protegido é a proteção às “putas aliciadas”, mesmo que isso signifique restringir direitos das “putas independentes” e dos clientes putanheiros.”

    Francisco
    “Se entender que pagar por sexo em si mesmo é errado – moralismo.”

    Consigo imaginar a complicação que seria legalizar um ambiente – mais que isso – um ecossistema criminoso. A quantidade de resistência seria enorme, vinda de cafetões, empresários relacionados, clientes e quem sabe até mesmo as prostitutas vítimas, de tão condicionadas que estão à sua condição.

    Mover uma sociedade moralista a legislar imparcialmente sobre prostituição já iria demorar um bocado. Implementar isto contra a resistência citada, demoraria décadas. É duro ver isto, mas realmente parece que o bem jurídico maior seria realmente proibir a prostituição e aproveitar todas as consequências diretas e mais curto-prazo citadas nesse debate. “Ganhar tempo” enquanto algo mais sensato não se concretiza no âmbito legal.

    Eu sou contra esta proibição, que parece tão inocente, já que nunca esta atividade vai deixar de existir. Mas diante dos fatos e do horizonte de possibilidades que temos… Para mim deixou de ser uma possibilidade ridícula e ignorável.

    Parabéns, Victor. Você realmente conseguiu expandir horizontes com seu texto.

  • http://chavecomunicacao.com.br/ Daniel Bender

    Oi Vanessa

    Um aparte: não discuto a valorização da mulher (ou do homem) prostituído. Acho ruim, pessoalmente não gosto de gente paga para fazer algo íntimo. Mas…

    O lance de usar imagens femininas cool, é porque nós homens gostamos de mulher. Mesmo. É o que está no topo da lista de preferências, 99% do que fazemos é para pegar (ou agradar) mulher. Gostamos da companhia, do jeito, da forma, até da falta de lógica delas. GOSTAMOS ABSOLUTAMENTE TUDO NAS MULHERES!

    Boa parte dos homens gostam até daquelas que exigem um pagamento para entregar aquilo que tanto gostamos, como um pouco de sua intimidade.

    Mas, cá entre nós, alguém que age deliberadamente para tirar um pouco da dignidade de outras pessoas não merece nosso respeito, certo?

    Acho errado você transformar essa conversa em homens x mulheres, porque há prostituição de ambos os sexos e de todo o tipo de orientação. Inclusive de animais. O fato é que homens tem mais impulso sexual, mas nem todos pensam só em mulher. Alguns gostam de cabritas.

    Lembro que tempos atrás um sujeito morreu numa fazenda com o cólon estourado depois de uma relação deveras amorosa com um cavalo. Detalhe: a fazenda era especializada nisso.

    Vanessa, obrigado pelo comentário. Gostei mesmo e acho que voltarei ao assunto no futuro.

  • Sandy

    … estou pensando aqui no comentário “a prostituição existe desde que o mundo é mundo”… no auge da sociedade machista prostituição para o homem, mais que diversão era sinal de afirmação como espécie dominante (macho), que subjuga o “sexo frágil” (diga-se para estes: mulheres, escravas, putas…) sem responsabilidades com as possíveis consequências do seu ato. Na sociedade capitalista a ação de pagar, comprar (como queiram) é uma forma de impor a vontade, o poder sobre o objeto adquirido, de demonstrar domínio, superioridade (!?) … então por muitas décadas as mulheres lutaram -e lutam até hoje- pela igualdade de direitos, de escolhas, de respeito etc, o que trouxe uma “liberdade” maior para nós, mulheres INSERIDAS na sociedade (diga-se de passagem: a nova novela de uma grande emissora ilustra um personagem como “pegadora de rapazes jovens”, a figura feminina experiente e poderosa que decide quem é que vai comer , coisa que não veríamos há alguns tempos atrás, ainda mais em horário nobre !!!) Considerando a questão da DEMANDA que alimenta a prostituição, nessa sociedade atual onde o sexo é explorado de uma forma tão aberta, em muitos casos vulgar, e porque não dizer, banalizado e inconsequente, o que leva uma pessoa dessa mesma sociedade moderna a continuar tendo o desejo de “pagar”, se em tantos casos uma balada é suficiente para conseguir levar alguém “pra cama”? Acho que não é somente falta de habilidade e dotes naturais… Penso que “pagar” reforça o pensamento machista dominante de mulher como objeto de posse: “eu a compro e ela é obrigada a se submeter aos meus caprichos” ( e isso é válido para os “dois” tipos de putas) coisa que quando se “pega” naturalmente alguém a idéia de “eu uso” é compartilhada: “eu uso E sou usado”, é uma troca, pois necessita existir o querer de ambos. Se no fundo não houvesse esse fetiche ignorante e arcaico, típico de algumas mentes egoístas que só pensam em seu “bel prazer”, países do primeiro mundo, com pessoas instruídas e endinheiradas não teriam mais prostitutas marginalizadas, o mundo não teria estupradores, muitos homens com boa lábia e “talento” não pagariam nunca por 20 minutos e somente as coitadas extremamente necessitadas seriam putas. Para polemizar: quem sabe se pelo fato de hoje a mulher poder decidir se “quer dar ou não e pra quem” é que muitos “doentes pedófilos” partiram a explorar de maneira bizarra e desumana cada vez mais as crianças, que como as mulheres no passado não tem poder de escolha? Qual a intenção de um pedófilo ao pegar uma criança, um bebê? não seria apenas auto-realização ao impor seu desejo egoísta sobre alguém indefeso? pois não existe reciprocidade… a prostituta escrava e marginalizada não está indefesa, aquém da sociedade, invisível, como foi comentado? Concordo quando disseram que o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo…

  • Dr Health

    Eu fiz uma pergunta apenas. Não precisa ficar todo defensivo e irônico.

    O que penso ou deixo de pensar, absolutamente (ainda mais depois dessa sua inépcia demonstrada para uma discussão sadia) não é da sua conta.

    “Pobrema” meu. Passar bem.

  • anonima

    Assunto difícil. Alguns comentários “soltos” (às vezes posso me perder um pouco nas divagações, qualquer coisa é só perguntar):

    “Se entender que pagar por sexo em si mesmo é errado – moralismo.”

    Será moralismo? Ou será que “pagar” por sexo não deveria ser conduta a ser revista? Pagar por qualquer coisa prevê um tratamento de mercadoria, uma relação de dominação/submissão e até uma relação de dono/propriedade. Quantos não usam o velho “eu estou pagando, exijo X, Y ou Z” em diversas situações do dia-a-dia? O que será que essas mulheres não tem que aguentar (ou apanhar) por não quererem fazer alguma coisa?

    O fato de alguém fazer sexo porque quer realmente não deve (não deveRIA) deixar ninguém surpreso ou contrário à situação. Mas mesmo assim até hoje os homens querem namorar/casar meninas que não tenham tido “muitos” parceiros, configuram a menina de saias curtas como “puta” (e com sentido de julgamento, de não ser algo “bom” ou admirável) e julgam o amigo que namora aquela menina mais extrovertida.

    Ou seja, apesar do discurso de “liberdade”, “igualdade” e outros “ades” cuspidos da boca para fora, o sexo ainda é tabu (não deveria) e quem vive dele é sim considerado inferior, menor, mercadoria ou propriedade de outros. Isso é moralismo…

    Juntando tudo isso, a pergunta para liberar a profissão deveria ser: você se casaria com uma prostituta? (já que seria uma profissão como qualquer outra) ou ainda: você incentivaria sua filha a se tornar prostituta? Ainda que isso não responda a pergunta de se as atuais prostitutas seriam ou não melhor tratadas com a legalização, dá a dimensão do quanto esta modificação na lei NÃO alteraria a curto ou médio (e para mim a longo) prazos o que verdadeiramente sentimos e como agimos diante dessas mulheres.

    No que me faz acreditar que muito antes de considerar a prostituição como legal, o mundo deveria ser preparado para ver a mulher como “igual”, como “capaz”, como ser “responsável” e, principalmente, ter suas decisões respeitadas. Enquanto xingarmos a Cicarelli e acharmos que o namorado que estava com ela é um “fodão” (falando da MESMA situação) não estaremos preparados para tratar alguém que usa o próprio corpo como mercadoria de forma justa e igual.

    E aí começamos a cair em áreas mais polêmicas ainda…Porque com tudo isso, com toda essa realidade e tratamento, o que faz uma mulher ser atraída para esse tipo de situação? Será que a maioria realmente gosta ou escolhe conscientemente essa vida? Será que mesmo essas chamadas “de luxo” realmente pensaram, raciocinaram e são felizes em suas escolhas? Será mesmo que isso é uma ESCOLHA? Tenho dúvidas… Muita gente acha que é feliz de um jeito, mas só se dá conta de que não é bem assim com algumas (várias) cabeçadas – ótimo texto sobre os baladeiros, há pouco tempo aqui mesmo no site.

    Se “perder” em um mundo de “luxo” e “glamour” é fácil… Curiosamente eu já fui abordada por esse mundo em algumas situações… Os apelos para quem tem mais informação dos que as pobres/ abandonadas/ sem família são diferentes, mas existem da mesma forma: promessas de uma vida no exterior, promessas de fama ao lado de jogadores de futebol, inúmeros elogios e sem-fim de cartões “no-limits”… muita risada, baladas “free pass”, gente bonita. Fácim fácim cair nessa… estudar e ralar como estagiária com certeza foi MUITO mais penoso, muito mais duro e difícil em um primeiro olhar.

    E isso é escolha? É escolha entrar nesse mundo de promessas e descobrir no meio do caminho que a vida é mais difícil do que parece? É escolha entrar e não poder sair? Porque depois que batem o carimbo de puta na testa de alguém, quantas sairiam disso, namorariam, casariam, escreveriam livros e seriam “felizes para sempre”? Para cada Bruna, quantas NUNCA conseguiriam isso? (“você se casaria com uma puta?”).

    Penso, penso, penso e sempre chego a conclusão de que não, não é escolha. Tratar seu corpo como mercadoria definitivamente não é o mesmo que escolher dar para o cara da balada na primeira noite. Dar envolve entrega, coragem, escolha, e um Johnny Walker com Activia… Entregar seu próprio corpo em troca de grana, para alguém que vc talvez nunca nem pegasse na mão envolve ilusão, relação desnivelada e outros pontos que não fazem parte de uma escolha. Talvez de uma des-escolha, algo a ser evitado. Pode ser a falta de estudo, de grana, de comida, de amor-próprio… Acho que devem ser raríssimos os casos de pessoas que tem a exata noção do que perdem (toda escolha envolve um custo), que tem oportunidade de ter os mesmos ganhos (financeiros por exemplo) e que continuariam nesta vida.

    Difícil, paradigma, complicado. Mas sou favorável a leis combatendo a prostituição sim. Às vezes as leis que protegem as pessoas delas próprias podem ajudar bastante.

  • http://direitoeatualidade.wordpress.com Bruno T.

    Vai ser difícil alguém me apontar uma única sociedade na história da humanidade em que não houve prostituição, seja por dinheiro, seja por escambo, seja pelo que for. É um fenômeno cultural e histórico, e acompanha os nossos desejos e nossa insegurança.

    O debate não é entre homem vs mulheres, e nem deve seguir nesse sentido. Há prostitutos e prostitutas; a diferença quantitativa se justifica por inúmeros fatores, muito mais históricos do que (bio)lógicos. Mas o que importa é que há ambos, e em quantidade considerável.

    A questão é: regulamentar a prostituição traria benesses? Discordo integralmente do texto publicado acima, e digo: sim, traria. Uma profissão regulamentada significa controle, significa proteção estatal a abusos. Com regras emanadas do poder público, as injustiças cometidas contra a ´profissão´ (e não mera atividade de fato, sem respaldo jurídico) são injustiçcas cometidas contra toda uma classe. O raciocínio da “união faz a força” é plenamente válido aqui: a violência contra as prostitutas, sejam elas pobres, sejam elas ricas, seria, muito mais facilmente, estatística, porque todas estariam sob o escudo da regulação.

    Não importa tanto se a prostituição foi a única escolha possível no meio de uma penca de tentativas mal-sucedidas de lidar com a brutalidade da vida. Julgar se é certo ou errado se prostituir é uma questão moral. Ainda que seja a única opção, é uma opção. E convenhamos: é uma opção que não traz malefícios a nenhum bem jurídico da comunidade. É a decisão de uma pessoa adulta – e aqui, claro, deve se dar atenção à questão da capacidade (18 anos) – de livre disposição de seu corpo. A liberdade aqui não é fulminada graças à inexistência de outros meios, mas mitigada. Ela subsiste, e demonstra sua força como forma de ganhar a vida por meios lícitos – e portanto não criminosos – até que a vida traga alguma oferta mais rentável.

    Organizar é necessário, e organização pressupõe regulamentação, luta de sindicatos, reivindicações pela punição daqueles que eventualmente abusem da prostituta, alçando-a a patamares de inferioridade incompatíveis com sua dignidade e sua liberdade de escolher o que é melhor para a sua vida naquele momento. Em suma, penso cada dia sem regulamentação da prostituição é um dia perdido para os direitos das prostitutas.

  • Francisco

    fácil descaracterizar escolhas que você não faria como des-escolhas, porque as percebe como ruins. Claro que muita gente se arrepende. Muita gente também se arrepende de fazer uma faculdade, de mudar de cidade em busca de um amor, de casar, de divorciar, e cada arrependimento dói, e daí? Ter o direito de escolher também dá o direito de fazer más escolhas, e de escolher depois denovo.

    Escolhas existem porque fazemos julgamentos, do que parece ser melhor naquele momento. Em nenhuma escolha temos “a exata noção” do que vamos perder e o que vamos ganhar. Além disso, todas as decisões envolvem poder. Tudo o que se faz com outra pessoa envolve poder, mas numa relação de dar na balada, digamos, existe um acordo implicito, do que cada um espera ganhar do encontro. Num encontro com uma prostituta, existe um acordo bem explicito, onde cada um expõe bem o que quer e quais são os limites.

    Se fazer algo por dinheiro faz do corpo mercadoria, então todos somos mercadoria, todos usamos nossos corpos e mentes para ganhar dinheiro oras. Trabalho envolve relações de poder.

    quanto ao argumento de casaria com uma, gostaria que sua filha fosse uma?
    quanto ao casar, primeiro me pergunto se toda prostituta no fundo quer casar. é inconcebível que uma mulher não queira casar? Além disso, se eu casaria é uma pergunta irrelevante. Não importa o meu julgamento moral, se prostitutas são boas esposas ou não. O mérito de uma mulher não está atrelado ao valor que ela tem como esposa afinal.
    Quanto a pergunta de uma filha, mesma resposta, com um adendo. Escolhas individuais tem que ser respeitadas, mesmo que a gente não goste delas. Muitos pais criam fantasias incriveis de como serão seus filhos, a maioria se desilude e eventualmente aceitam as escolhas que eles fizeram. Os que não, tem filhos frustrados que vivem em função dos desejos dos pais, imaturos.

  • Ane

    Pô Victor, me fez repensar várias das minhas conclusões.
    Nem consegui digerir tudo ainda, vou maquinar uma resposta e vir opinar aqui depois.
    Por ora, não podia deixar de comentar, parabéns! texto com objetividade notável.

  • Alencelia

    Posso te sugerir a leitura do trabalho de Lydia Cacho ?
    Lydia Cacho , jornalista mexicana , autora do libro “ Esclavas del Poder “ investiga a trata de mulheres no mundo . “¡Las mafias promueven la legalización! Ya está semilegalizada. ¿Cómo te explicas que vayas de Madrid a Guadalajara y te encuentres la carretera llena de prostíbulos? Hay una gran hipocresía de los progresistas y de algunas feministas que están promoviendo la legalización porque no están analizando el fondo del asunto. Cuando alguien dice: “Estoy a favor de la legalización de la prostitución y en contra de la trata”, está jugando a las muñecas.
    http://www.publico.es/espana/318552/legalizacio

    Don Victor …eu , aqui, pulando e aplaudindo o seu texto .

  • clayton

    Gostei muito do texto e desde já parabenizar a equipe do papo de homem pela serie sobre a prostituição.

    Sempre fui a favor da regulamentação da prostituição. Isso para garantir direitos tanto às garotas de programa quanto aos clientes. Confesso que depois que li esse texto fiquei pensando se a regulamentação seria mesmo o ideal ou se seria melhor o estado em que estamos agora onde não é crise se prostituir ou contratar uma prostituta mas sim explorar ou ganhar algum lucro com a prostituição alheia. Mas ainda assim vejo mais benefícios na regulamentação que na não regulamentação ou mesmo criminalização da prostituição.

    Em seus argumentos a temática “exploração” foi muito bem utilizada. Contudo, você concentrou tudo nas putas (lógico é o tema do texto) se esquecendo de dizer que esta mesma exploração que você definiu como inerente as putas, também ocorre em outra áreas de atividades aqui no Brasil. Desculpe não colocar as devidas fontes, mas possuo uma péssima memória, mas vira e mexe vemos reportagens nos jornais mostrando a exploração e até mesmo a escravização de trabalhadores do campo. Mas o que é isso? Se eles não se prostituem ou não são obrigados a se prostituírem como eles podem ser explorados? Esta é a questão que eu quero frisar: a exploração não esta ligada a prostituição e sim à demanda de conhecimento, educação e cultura alem de acesso à informação e aos direitos humanos e civis por parte da população. De uma forma geral é está parte da população e vai ser explorada independente de ela ser puta ou cortadora de cana.

    Pra reforçar meus argumentos cito o “aliciamento” de jovens jogadores de futebol por empresários inescrupulosos. Outro dia vi uma matéria falando que o ministério público, eu acho, tinha desbaratado um esquema onde os adolescentes eram selecionados, como em qualquer peneira, para treinar em uma equipe e então eram mantidos em ambientes insalubres com escassez de comida e etc. bem, não são explorados sexualmente e ainda assim são explorados. Como este há vários outros casos onde empresários “tomam” dinheiro das famílias de jovens jogadores com promessas de encaminhá-los a algum time de alguma ex-repuplica soviética ou algo assim onde iriam receber salários razoavelmente consideráveis. E o que isso tem com as putas? A mesma exclusão social que facilita o trabalho de aliciadores, cafetões, empresários ou qualquer outro nome que se possa dar a esta corja.

    Por isso defendo a regulamentação da prostituição, talvez não de imediato mas junto com uma política de propagação da educação e do acesso a informação pelo Brasil. Neste cenário talvez não tenhamos mais putas e sim acompanhantes/escorts.

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    Antes de entrar nos argumentos centrais do texto, queria chamar a atenção para um ponto que é pura desinformação: a associação higienista entre Aids e prostituição. Falar em exames e janela imunológica pode ser um argumento justo para combater a indústria pornográfica (=prostituição filmada), mas não a prostituição strictu sensu.

    Desde o surgimento da Aids, as profissionais do sexo de maneira geral se tornaram bastante zelosas com o uso do preservativo, bem mais do que as “mulheres normais”. É muito difícil encontrar uma puta disposta a transar sem camisinha, mesmo por um preço maior. A maioria se recusa até mesmo a fazer boquete sem camisinha (pesquise o item “oral sem” nos tópicos do GP Guia se não acredita em mim). Há pouco tempo ouvi de uma puta que entrevistei: “Eu nem sabia o que era sexo oral com camisinha antes de virar garota de programa”.

    Quantas mulheres com quem você transou (sem pagar) já colocaram uma camisinha na hora de cair de boca? Nunca conheci nenhuma.

    Qualquer estudo sobre Aids que você ler vai apontar, ao contrário, que a infestação por HIV vem aumentando não entre putas, mas entre as mulheres com parceiros fixos, principalmente as casadas.

    Citando um estudo (http://www.redesaude.org.br/Homepage/Dossi%EAs/

    “A partir dos anos 90, a transmissão heterossexual passa a predominar entre as mulheres,
    havendo ao longo da década um deslocamento das profissionais do sexo para mulheres com
    parceria fixa (…).
    Consideradas como as principais disseminadoras da infecção pelo HIV no início da epidemia, desde há muito as profissionais do sexo deixaram de ser as protagonistas na discussão sobre mulheres e Aids. Um grande esforço realizado a partir de projetos contínuos e interdisciplinares tem possibilitado uma expressiva redução na taxa de prevalência do HIV entre estas profissionais, bem como a formação de redes de informação e suporte, de e para estas profissionais.”

  • Dr Health

    Acrescentando ao que o Fausto disse e ao ponto que o Victor colocou anteriormente sobre janela imunologica e afins, o mesmo raciocínio se aplica às pessoas não usuárias de prostituição e aos relacionamentos em tese monogâmicos, logo, não tem pra onde correr. Explico:

    É o que eu chamo de paradoxo do risco do HIV: A puta, apesar de ter uma atividade sexual mais elevada que uma garota comum, ela, na imensa maioria dos casos, em momento algum abre mão do preservativo, e como bem falou o Fausto, pergunta pra uma garota comum se ela já chupou de camisinha? A primeira providência de um casal, em média, é alertar para o uso do preservativo… A segunda é deixar de usar. E nisso, vão entrar na roda todos os parceiros e parceiras anteriores, ou seja, uma verdadeira “suruba”.

    Tá, mas e os relacionamentos monogâmicos? Alguém pode garantir a fidelidade alheia (parafraseando Dr Love, não espere garantias da vida)? Esse justamente foi o motivo do crescimento do HIV nos heterossexuais, especialmente nas mulheres com parceria fixa (vi muito disso no meu estágio no ambulatório de infectologia da UFRJ). Confiar no cônjuge não deixa de ser uma estratégia de risco controlado, a grosso modo.

    Sendo assim, a única forma de se evitar a transmissão sexual do HIV é a abstinência TOTAL. Nem com o cônjuge, porque você não tem garantia da fidelidade dele. Repetindo, “confiança” é um risco controlado.

    Evitar a transmissão sexual do HIV é nada mais nada menos que uma administração de riscos. Cabe a cada um avaliar se vale a pena correr o risco e tomar suas precauções.

  • Convidado

    Texto digno do Papo de Homem… todos podiam ser assim.

  • Jão

    Achei o texto superficial…
    Vi pouco o modu operandis novo que poderia ser feito, tá certo que a puta pobre poderia se educar, sair da prostituição etc. Mas ainda me questiono: Como fazer isso?…(superficial, pois abordou de forma esparsa esta questão de operação)
    A gente pensa nos aspectos legais daquilo que se pode mudar, educação e condições iguais para todos….Igualdade? Aonde? Ninguém prega igualdade, dizem que cada um é um ser especial e blá, blá, blá…E a cabeça dessas meninas ou mulheres exploradas?
    Todo cara que se preze e que já foi a algum prostíbulo ou teve contato com prostitutas deve pensar na forma como a relação se dá…Dinheiro! Sexo fácil!
    Por maior que seja, pelo menos pra mim, o contrasenso de pagar por sexo, ainda terão mulheres predispostas a alugarem seus corpos e homens com a ideia de se aproveitarem disso!
    A legislação avança com a consciência social, mas e aquela menina que já dormiu com todos os seus amigos e inclusive contigo?….quem gostaria de ter um prostíbulo perto de sua casa?
    Bom, ainda estamos longe de uma legislação e prostituição organizada.

  • anonima

    Francisco, não tinha escrito “para vc”, só havia pego um gancho em uma frase que acho que foi vc que escreveu… Mas enfim… respondendo para você, a diferença é que se vc se arrepender de fazer uma faculdade, mudar de cidade, casar ou separar, sua vida não “acaba” nisso. É possível fazer outra faculdade, parar a primeira, mudar de cidade, separar ou casar de novo. Duro ou não, é possível mudar ou melhorar as escolhas que toma.

    O ponto que eu queria tocar é exatamente o quão lógica é esta escolha para uma menina de 18 anos (que vamos e convenhamos, na maior parte dos casos não é madura) com a mentalidade atual da sociedade em que vivemos. Hoje se a menina “entra” nesta vida e não há “volta” para a maioria delas. O julgamento moral que existe e predomina hoje não é teoria, é prática. Dificilmente ela poderia dizer que trabalhava como prostituta e que quer ser caixa de banco ou atendente de loja de roupas agora. E não será uma lei que melhorará isso… Se acontece com mulheres de uma forma geral, o que diremos de mulheres com esta profissão específica… Não é um embate homem x mulher. É um embate realidade atual x ideal.

    E minha questão é essa (acho que não fui clara no outro post). Se a prostituição se desse em termos iguais para os dois lados, como acontece com outras profissões, a regulamentação seria válida e desejável. Assim, se um funcionário de loja de roupas quiser mudar de emprego, ninguém vai deixar de empregá-lo porque ele era de outra loja ou de outra categoria de profissão. Ele tem escolha. Ele permanece na loja exatamente porque ele quer. É uma relação de ganha-ganha.

    Na relação dos homens do campo é diferente… mesmo sendo profissões regulamentadas ainda existe exploração e escravidão, abuso de poder, abuso de incapaz, etc. O campo ainda precisa destes homens e é só por isso que essas profissões são regulamentadas e não proibidas. A relação é de ganha-perde. Mantemos essa relação apenas enquanto precisarmos de verdade desse tipo de mão-de-obra. Aplicamos uma série de regras, regulamentações e leis para tentar minimizar os danos, muito mais do que em outras profissões, mas as desigualdades e abusos sempre vão existir enquanto essas profissões existirem, por ser inerente o tipo de relação de troca entre as partes. Uma parte sempre é muito mais forte do que a outra, que tem poucas opções de troca ou de saída.

    Com as prostitutas é mais ou menos esse segundo caso, e o que eu questiono é o quanto realmente precisamos desse tipo de mão de obra… Quais motivos levam alguém a achar que um corpo vale mais ou menos do que outro e pode ser usado para satisfazer uma vontade unilateral… Sei que a maioria vai dizer que não pensou assim quando procurou uma puta, mas no fundo é isso…

    Os textos todos foram ótimos, realmente fazem vc pensar fora da caixa. E no final chego a conclusão de que não é uma lei que fará com que as prostitutas passem a ser respeitadas, a terem seus direitos garantidos e uma vida mais “digna” (no sentido de necessidades básicas). O que mudaria tudo isso seria uma profunda mudança de pensamento e cultura, possível, mas não da forma como estão propondo. Da maneira atual proposta as prostis serão só representantes femininos dos “homens do campo” com o agravante de que não terão o apoio da opinião pública…

  • Smx

    Bom texto, boas informações e questionamentos.
    Continuo achando a legalização uma saída.

  • 1bertorc

    Eu entendo as ressalvas que as pessoas teem com a prostituição e os aspectos complexos que ela levanta… Mas não gosto nada, mas NADA mesmo do estado dizendo que as pessoas (não) podem fazer algo com seu corpo (alugar no caso…).

  • Paulo

    Gostei do texto.

    Mas meu comentário é mais focado nos respostas quem o texto recebeu.

    Muitos dos que comentam por aqui são a favor, e poucos (como eu) são contra ou não tem certeza, olhando pela enquete já da pra ver que essa a situação, mas algo que acho que não está passando para essas pessoas é que a maioria não é contra a legalização por que a acham imoral, mas sim por que acham que é uma medida que não traria resultados.

    Acho que é seguro dizer que a grande maioria dos usuários aqui é a favor da liberdade de escolha.

    Agora, você deixaria a seu filho de 10 anos começar a beber ou fumar? Não. Você não está dando a ele uma liberdade de escolher o que quer, e nem deveria ele é uma criança não tem mínima idéia do que iria acontecer se ele fizesse tudo que quer fazer. Muitas vezes é o caso da prostituta, ela acha que sabe os riscos e acha que se tomar cuidado nada vai acontecer, ou que a chance de uma desgraça é pequena. Ela diz “não quero trabalhar nas péssimas condições de uma camareira de hotel” mais esta pulando em um mundo que a condição de trabalho vão ser pior na grande maioria das vezes. Se todas as prostitutas – ou a grande maioria – tivessem uma condição de vida boa, nos não estaríamos tendo essa discussão.

    Me dói dizer que existem certas situações que o governo tem que interferir na liberdade de escolha das pessoas por que elas mesmas não seriam capazes de tomar a melhor decisão baseado apenas no que elas sabem.

    Se a legalização resolvesse todos os problemas, eu seria a favor sem pensar duas vezes, só que nos vivemos em um pais em que nem profissões já legalizadas funcionam, a grande maioria das empregadas domesticas não tem carteira assinada, por que acham que o governo tiraria uma parte do salário delas “para nada” ou “para pagar um imposto inútil” que é algo que escuto bastante, muitas não sabem dos benefícios que ganhariam com a carteira assinada.

    Não vivemos em um país de primeiro mundo, onde seria legalizar e com apenas investimento tudo seria fiscalizado e seguido a risca. Cafetões iriam subornar fiscais, burlar regras e continuariam tirando proveito das prostitutas, mesmo que elas estivessem dentro do “sistema”. Para funcionar precisaríamos primeiro de ver o sistema funcionando em outras áreas, áreas que já deveria estar funcionando a muito tempo.

    Não estou em cima do muro atoa ou para ser do contra, sou cético quanto aos resultados da legalização*. Como disse em outro post sobre o assunto, existem melhores formas de o governo investir para começar a amenizar o problema e não existe solução milagrosa.

    Eu posso ate estar errado, e quem sabe a legalização seja a melhor escolha no momento, minhas opiniões são baseadas, em apenas, situações que eu presenciei ou ouvi falar de amigos, vi na TV e no que li aqui no pdH, mas sei que a situação da grande maioria das mulheres nesse setor não é nem um pouco bonita.

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    Para começar: “as putas pobres são invisíveis”. Invisíveis para quem?

    Victor, no começo do texto, quando você afirma que vai mostrar um mundo de prostituição invisível e que “não aparece na mídia”, imaginei que fosse relatar alguma incursão que você tivesse realizado por sinistros bordéis europeus cheios de crianças e mulheres acorrentadas dos quais ninguém nunca ouviu falar.

    Mas não. Você escreveu um texto todo baseado em informações que encontrou na internet: documentários, blogs, relatórios, matérias de revistas. Para um tipo de “prostituição invisível”, até que ela aparece bastante no Google, não é?

    Na real, as putas pobres são as mais visíveis de todas. É só andar no parque da Luz, no Malecón, na avenida Atlântica… está ali, aos olhos de todo mundo que passa, no centro das principais metrópoles.

    Ah, mas a mídia não fala delas… Claro que fala! Tanto que você baseou seu texto em material da mídia.

    Todo o nosso imaginário está repleto de putas pobres. Nossa legislação, e a de vários países, foi toda construída com a intenção de defender essa figura: a mulher abusada e sem vontade própria, que só entrou na prostituição porque “não teve escolha” e foi “aliciada”, “levada a isso” por alguém. É essa figura da prostituta como mulher vitimizada que domina a literatura do século 19 (“Crime e Castigo”, “Oliver Twist”, “Lucíola”), passa pelos folhetins e chega às telenovelas e aos relatos do tipo “Chritiane F.”.

    Nem os filmes que você cita confirmam sua visão. Reveja “Uma linda mulher”: ela não é uma puta de luxo, ao contrário: o filme começa com Julia Roberts saindo do muquifo em que ela vive onde uma outra puta viciada em drogas acabou de ser assassinada. E Buñuel não mostrou uma ricaça se prostitindo para “garantir audiência e gerar aproximação com o público”, pelo contrário: com “Belle du Jour”, ele mais uma vez queria chocar a burguesia, mostrando uma situação que muitos nem imaginavam possível. Houve, sim, uma mudança de foco nos últimos anos. O que encantou nas histórias de “Secret Diary of a Call Girl”, “The girlfriend experience” e “Bruna Surfistinha” era a novidade dessa visão que não mostrava as putas como vítimas. Mas é uma mudança limitada: quando em uma novela das oito Giovana Antonelli interpretou uma puta de classe média feliz, o público reagiu e imediatamente exigiu que ela passasse a sofrer na trama; felicidade de puta era inaceitável!

    Então, você não está quebrando nenhum esterótipo ou revelando personagens invisíveis quando conta essas histórias tiradas de revistas e da internet. Está, sim, reforçando um estereótipo, o mais antigo de todos.

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    Tráfico de mulheres ou putas viajando a negócios?

    É claro que o tráfico de mulheres existe e é um crime do pior tipo, mas eu desconfio que tem dimensão muito menor do que o seu texto leva a crer, pois as notícias sobre esse tema costumam ser distorcidas e/ou exageradas.

    Posso falar isso com tranquilidade porque eu mesmo já fiz matérias sobre “quadrilhas de traficantes de mulheres” presos pela polícia. A matéria que eu fiz na época, para o Agora SP, daria munição para seus argumentos: dizia que os aliciadores levavam garotas à Europa com a promessa de trabalhar como “dançarinas, garçonetes e baby-sitters”. Ali chegando, elas seriam “forçadas a se prostituir”. Chocante, não é?

    Mas quando perguntei a uma das garotas se já havia feito programa, ela deu uma piscadinha com um sorriso maroto e respondeu:

    “Não, nunca. Mas se você quiser seu o meu primeiro cliente…”

    É óbvio que elas sabiam exatamente o que esperava por elas na Europa. Mulheres “iludidas com facilidade”? Isso é subestimar demais as mulheres. Qualquer mulher maior de idade sabe que um convite para ganhar US$ 2 mil por mês na Europa não é para trampar de garçonete.

    Mas a vontade da mulher não importa. Para a legislação, mesmo uma mulher que sai voluntariamente do Brasil para se prostituir na Europa está sendo vítima de tráfico. Se alguém a ajudou de alguma maneira (uma irmã que comprou uma mala para a viagem, por exemplo), é automaticamente um traficante. Mais uma vez, a mulher não é dona do próprio corpo.

    O problema do seu texto, e dos muitos textos que abordam essa questão (inclusive o relatório nacional que você menciona), é que não se preocupa em ouvir o que as mulheres têm a dizer. As prostitutas são vítimas!, dizem os homens e as mulheres bem intencionadas. Mas alguém ouviu as putas para saber se elas concordam com isso?

    A pesquisadora Adriana Piscitelli se preocupou em ouvir algumas delas. Dá para ler seus estudos, veja só, na internet. Veja aqui (http://www.mj.gov.br/services/DocumentManagemen…) um trecho de “Relatório: indícios de tráfico de pessoas no universo de deportadas e não admitidas que chegaram ao Brasil via o aeroporto de Guarulhos”, que entrevistou algumas trabalhdoras da “indústria do sexo”:

    “Os relatos de parte significativa dessas entrevistadas, contando com algum tipo de
    facilitação para exercer a prostituição no exterior, remetem à noção de tráfico, segundo o
    Código Penal. Todavia, essa parcela se reduz de maneira expressiva considerando a
    conceitualização de tráfico no Protocolo de Palermo. Embora várias contraíram dívidas, houve
    pouquíssimos casos de engano, controle, restrição da liberdade, violência e ameaças.”

    Nada disso indica que o tráfico e a escravidão de mulheres não exista. Mas é uma relidade bem mais limitada do que seu texto dá a entender, a ponto de ser usada como justificativa para jamais regulamentar a prostituição.

    • Mirko

      Fasuto como sempre, matando a pau. (atraso alguns anos, mas….)

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    Ah, a questão da escolha. Se a mulher é pobre e com baixa escolaridade, então ela é forçada a ser puta, certo? Errado. Há ligação entre prostituição e pobreza, como também há entre criminalidade e pobreza, mas não é automática. Tanto que há mulheres com grana e escolaridade que são putas e há ricos que roubam, da mesma forma como nem toda pessoa pobre vira bandido ou puta. Há outras questões envolvidas, sempre. E por isso há sempre um elemento de escolha.

    Vejam essa entrevista que fiz com Dunia Montenegro. Carioca de origem miserável, foi para Espanha onde virou stripper e depois garota de programa: Ela não teve escolha, dirá você, foi forçada a isso. Bom, ela não se considera vítima de nada.

  • David

    Pois é, as mulheres são boas, inocentes e ingênuas o mundo estaria bem melhor se elas estivessem no poder vide o exemplo de Margareth Tatcher. Já os homens são maus, cruéis, perversos lascivos e etc… o mundo estará bem melhor sem eles.

  • David

    Respondendo à anônima:

    “Será moralismo? Ou será que “pagar” por sexo não deveria ser conduta a ser revista? Pagar por qualquer coisa prevê um tratamento de mercadoria, uma relação de dominação/submissão e até uma relação de dono/propriedade. Quantos não usam o velho “eu estou pagando, exijo X, Y ou Z” em diversas situações do dia-a-dia? O que será que essas mulheres não tem que aguentar (ou apanhar) por não quererem fazer alguma coisa?”

    É sim uma relação de mercado, contudo como em toda relação de mercado de mercado O OFERTANTE(PROSTITUTA) PODE RETIRAR A SUA OFERTA(SEXO). Ou você acha que seria “certo” pagar pelo que foi ofertado e não receber? Você não percebeu mas com a legalização essas mulheres teriam meios (o Estado) de se protegerem dos abusos.

    “untando tudo isso, a pergunta para liberar a profissão deveria ser: você se casaria com uma prostituta?”

    Bem minha cara colega, COMO EM TODA A ESCOLHA INDIVIDUAL já vi alguns homens que casaram sim e não acho errado, bem como não acho errado alguns responderem que não casariam!!!! Logo seu argumento cai por terra. Pois assim como a fulana teve a opção de ser ou não e depois de largar a profissão ela deve assumir as consequências de suas escolhas.

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    Falar que o buraco é mais embaixo num debate sobre prostituição é sacanagem…

  • http://twitter.com/teonilia Marcela Teonilia

    Olha Victor eu sou curitibana, num trabalho de colégio, durante o 2º ano do ensino médio, sobre prostituição, fui levada pela minha mãe pra conhecer uma realidade suja e extremamente horrorosa da vida de meninas que eram iludidas.
    Elas vinham do interior do paraná com propostas de empregos em casas de família como empregadas, babás, acompanhante de velhinhos/as, quando chegavam em Curitiba eram jogadas numa das casas na rua da garagem da Pluma (ônibus), que é uma rua de entrada, não oficial da estrada para a cidade.
    Elas chegavam com a dívida da passagem, da comida e da hospedagem e eram obrigadas a fazer programas pq seus supostos empregos não tinham dado certo! E precisavam tbm pagar por roupas e maquiagem para poderem fazer programas, bem como com o aluguel do quarto…
    Garotas de 12, 13 e 14 anos, que iniciavam sua vida profissional e sempre tinham dívidas novas que as impediam de sair da casa. Aos 18 eram consideradas macacas velhas e tinham que fazer seus programas nas ruas, o incrível é que aos 18 elas realmente pareciam serem bem mais velhas!
    Não é regra que elas iniciam por escolha, até por sinal é extrema exceção.
    Eu, que era uma patricinha de colégio particular encarei uma realidade assustadora muito próxima, não se trata de Rondônia, Manaus ou Bahia. Curitiba! Minha querida cidade natal.
    Então acho que a conscientização e principalmente a retirada URGENTE dessas meninas desses locais é uma medida IMEDIATA!
    A legalização pode sim dar o direito sobre o corpo da mulher ao seu patrão, já que ela é seu produto e de produto espera-se bom desempenho e lucro!
    Acho muitíssimo válido esse olhar sobre o tema…
    Pq ninguém deve ter o direito a dispor de seu corpo senão vc mesmo/a!!
    Parabéns pelo post.
    Virei Leitora!
    Bjs.

  • http://www.facebook.com/jrp64 J.r. Pereira

    É interessante: quando se misturam ideais religiosos e posturas morais, sempre explode besteira.
    Prostituição sempre existiu, sempre existe, sempre existira. Fato.
    É a única profissão do mundo em que todos podem trabalhar e faturar um dinheirinho. Fato.
    Porém, quando se cogita na REGULAMENTAÇÃO da profissão, lá vem o pecado, o desatino e a burrice.
    — Pecado porque deus (leia-se a bíblia) condena. Portanto, seus robozinhos amestrados também. Mas os pastores podem organizar orgias e os padres traçam os coroínhas.
    — Desatino porque mistura-se a prostituição como consequência da miséria… E é verdade em muitos casos, mas NINGUÉM combate a miséria. Que causa a prostituição!!! De novo, tapa-se o sol com a peneira.
    — Burrice porque a prostituiçãoé um relacionamento comercial entre dois adultos! O que adultos fazem entre 4 paredes é problema deles. O justo seria permitir que os profissionais do sexo tivessem acesso a ambientes com segurança, saudável, limpo e organizado. Mas a sociedade expulsa esses profissionais para um canto da vida porque, de novo, deus castiga.

    — Já o lance da prostituição infantil, o grande “pavor” dos dias de hoje, de novo não se percebe que essas crianças estão “na zona” porque não tem escolas, seus pais não tem formação ou empregos e que, em muitos casos, o sexo é o que lhes resta!
    CLARO que é algo horrível e nauseante mas COMPREENSÍVEL pois o Estado FRACASSA em lhes dar apoio. No máximo lhes dá migalhas do Bolsa Família mas essas pessoas precisam de muitíssimo mais.

    — Quando não se regulamenta uma profissão, quando não se permite que hajam condições sociais, trabalhistas e econômicas para que as pessoas tenham um FUTURO, se prostituir é a alternativa mais simples. E é dessa expulsão que se cai na criminalidade.
    Não vai adiantar nada retirar essas “meninas” da zona, se à elas e seus familiares não lhes é dado um futuro.

  • http://www.facebook.com/jrp64 J.r. Pereira

    É tanto absurdo misturado com bobagem que nem dá pra saber mais nada!
    Nos EUA existem estabelecimentos de prostituição que contam com presença médica, ambiente requintado, higiênico e devidamente legalizado. Desde que adotaram posturas sanitárias, médicas e policiais nestes estabelecimentos, TODA a criminalidade ligada à prostituição foi ELIMINADA.
    Ora, é facílimo acabar com a baderna: legaliza, regulamenta, fiscaliza, policia e PRONTO!
    Não tem dessa rufião, cafetão e proxeneta se A FUNÇÃO ESTÁ LEGALIZADA e POLICIADA!
    Tem que parar de ver a prostituta como coitadinha. A MAIORIA DELAS está na profissão porque GOSTA! Os casos extremos deveriam ser amparados pela assistência social mas esses são DECORRÊNCIA da MISÉRIA.
    — Já a “pedofilia” tem outro interesse: é uma campanha orquestrada contra a igreja católica, promovida por políticos que recebem apoio de igrejas evangélicas.
    Claro que criança precisa ser amparada mas combater a miséria com geração de empregos, escola e futuro, ninguém quer!
    Tudo isso esconde o interesse da classe média brasileira em manter o pobre pisado, humilhado, calado e, claro, sem transar.
    Brasileiro é racista mas não se assume.

    • Carol

      Me desculpe, mas é muita ignorancia dizer que nos EUA ”
      TODA a criminalidade ligada à prostituição foi ELIMINADA.”. Em Ohio (estado que eu moro e trabalho com crianças vitimas de abuso e negligencia) somente há mais de 1000 menores sendo traficadas nesse exato momento. Convido a checar o site da Grace Haven, uma ONG que esta tentando abrir uma casa para refugio de mininas VITIMAS do comercio no trafico sexual.
      Crianças e adolescentes n se tornam prostitutas por livre e espontanea vontade. Elas sao vitimas de brutalidade chamada trafico sexual, quase que incompreensivel e inecreditavel p quem nunca buscou entender o assunto.

      É hora de sairmos das nossas bolhas de conforto e de ignorancia.. =/

  • http://www.facebook.com/jrp64 J.r. Pereira

    Agora, pra te deixar louco: se prostituição não é crime, se é uma profissão como outra qualquer, menores de idade que praticam sexo poderia ser consideradas APRENDIZES!
    Não tem aprendiz de torneiro mecânico, ferramenteiro, vidraceiro?
    Podia ter a aprendiz de prostituta mas HEI!
    É pecado, é errado, nem se pensa nisso, etc.
    Hipócritas.

  • Paulo

    Tolos! Querem impedir a água do rio de correr para o mar. Compra-se aquilo que é posto a venda, quer vocês concordem ou não. Obter sexo com uma mulher sem seu consentimento é estupro, já outros casos… se houve um acordo …. se são maiores de idade. Por que tudo é culpa do homem: se a criança chorou, o cachorro latiu, a mulher está infeliz, culpe o homem por seus problemas. Se permitem que um homem case com outro e ainda podem adotar uma criança, porque a mulher, maior de idade, não possa trocar sexo por dinheiro. O homem tem sem defeitos e sua parcela de culpa em algumas coisas; mas as outras pessoas têm que a assumir seus defeitos, erros e a sua parcela de culpa também. Vitimismo, coitadismo. É sempre mais fácil culpar os outros por seus erros. O homem é sempre o vilão. Se faço, é culpa do homem; se não faço, também é culpa do homem. E o imbecil do homem, engole tudo que lhe empurram goela abaixo.

  • http://hcalves.tumblr.com Henrique

    Muito bom o texto.

    Para os machos míopes, a pergunta derradeira: se a prostituição fosse legalizada, você deixaria sua filha ser uma prostitua?

    Qualquer homem e pai decente sabe os abusos e violências (físicas e mentais) que uma “puta” passa, independente de quão regulamentado for a profissão, e nunca aceitaria isso.

    Faz tanto sentido quanto incentivar filhos a usarem drogas.

    Mas quando é a filha do vizinho, aí você quer comer né?

    Sem mais.

  • http://www.facebook.com/jrp64 J.r. Pereira

    Ah, o velho e bom pensamento cartesiano moralista se manifesta! A velha retórica condenatória apelando para o confronto hipotético na esfera pessoal!
    Isso é tão rastaquera que, naturalmente, apenas os limitados e d emente estreita poderiam se fazer usar da mesma.
    Sem contar que mistura no mesmo balaio duas situações díspares, que são as drogas e o sexo por dinheiro…
    Tão ridículo…
    Mas eu me arrisco a responder com perguntas: você deixaria de amar seu pai se descobrisse que ele é homossexual?
    Deixaria de amar sua mãe, irmão, tia ou prima só porque ela é prostituta?
    Daria as costas a um amigo porque esse é viciado em drogas?
    Os verdadeiros valores vem do sentimento que temos pelas pessoas. Mas, acima de tudo, existe o RESPEITO pela decisão que elas tomam.
    Zelemos pelo bem estar de quem amamos, mas RESPEITEMOS suas decisões, mesmo quando estas contrariam nossos valores pessoais.
    Amor é isso e, lamento dizer, você não sabe o que é.

  • Anônimo

    Esse argumento, também chamado de Praga de Abraão (“E se fosse seu filho?”) é foda.

  • http://nao2nao1.com.br/ Gustavo Gitti

    Victor, Fausto,

    Vocês leram essa reportagem?

    http://revistatpm.uol.com.br/revista/99/reporta

    Abraço.

  • Paty

    Bom, eu sou nova no blog.. é a primeira vez que visito!! Mas achei a reportagem MUITO boa!! Com argumentos bons e justificados!!
    Eu sou contra a regulamentação da prostituição!! Mas acho que a regulamentação, infelizmente, nao mudaria muita coisa!! Concordo com a Sueca, acho que para mudar essa situação, deveria punir os usuários, nao as prostitutas, é a história da oferta e da procura, enquanto houver procura, haverá oferta!!
    Mas acho que deveriam existir mais meios para conscientizar e ajudar essas meninas… sei la… como cursos, as vezes até psicologos… nao sei ao certo… mas acho que para diminuir (pois acho acabar muito dificil, rsrs) essa situação, teria que “enfrentar” os dois lados, tanto da prostituta como do “usuario”!!

    É isso ai galera, voces estao de parabens com a reportagem, muito bem estruturada, e um assunto muitoo importante, que muitas vezes criticamos essas pessoas mas nao conhecemos sua realidade nem nada!!! E voces estao de parabens com o site tbm!! Ja até salvei o site nos meus favoritos!! rsrs

  • Duende

    O mais importante antes de qualquer decisão é ter informações.
    E uma questão dessas, com toda a intensidade que a cerca, precisa de soluções plenas. Essas soluções só são alcançadas com muito debate, um debate amplo.

    Quanto as leis, muito dos nossos “pensadores” ainda têm aquela visão racional de que o Direito é um fim em sí mesmo. Não há mais como suportar que isso seja verdade. O Direito é realização social, e não passa de instrumento para garantir que a Sociedade se aproxime cada vez mais da justiça e da dignidade humana.

    Não adianta só legalizar, tem que haver proteção as relações de trabalho, proteção as relações humanas em todas as suas dimensões. As informações que são traziadas com esse debate são muito boas e dão uma boa noção da dimensão que esse problema tem.

    Imoral é fechar os olhos para o sofrimento do outro por causa de convicções mesquinhas e desinformadas. Omissão consciente é tão vil quanto a comissão.

    É muito bom ver um debate conduzido com tanta informação.

  • Duende

    Acho que a busca e uma solução ou posicionamento só é possível com muito debate. E debate bem plural.

    Até agora muito foi dito e muito foi desmitificado.

    Em minha opnião o que deve ser buscado como norte é a dignidade do ser humano. Coisa de Direitos Humanos mesmo. Aquele que todo mundo fala que é coisa de bandido, como se não passasse disso.

    Hoje o Brasil não é modelo para ser seguido quanto a prostituição. Muito menos a Holanda, país em que os guias informam “não atrapalhem os negócios”!

    Qual o modelo certo? Legalizar? Criminalizar o cliente? Criminalizar a prostituta?

    Acho que é fácil descobrir qual seguir. Estou certo que se você toma como preocupação a liberdade de locomoção de quem foi enganada, a liberdade de escolha do ato sexual dessa mesma garota, ou da própria Sylvia que recebeu olhares de cobrança por estar somente conversando com seu cliente por parte de alguém na casa em que o nosso gringo apaixonado do texto disse ter retornado. Quem sabe usar google achou o início meio e fim ddessa história sobre Sylvia.

    Engraçado que quando o assunto é a Sylvia, Polonesa que em 2007 tinha 20 anos o clima não é tão pesado, mas quando você entra no mesmo site e começa a ver os predadores de outros países procurando por belas garotas na SUA cidade e descrevendo como elas parecem, a coisa muda de figura! Podendo até estar descrevendo uma amiga sua passando pela rua, e certamente alguém que segue a caracteristica que pode ser atribuida a sua irmã, namorada, amiga. Colocar o outro num lugar próximo ao seu não é nada inválido e pouco sagaz, é humano. Lógico que não é o único caminho. Quem diz que não há espaço para o subjetivo nesse processo de racionalização não está falando a verdade. A razão cinetífica já nos trouxe muitos retrocessos em nome de um processo de conhecimento com pedigree e mais correto.

    Enfim, nada como tentar conhecer o outro para tentar errar menos, ou falar besteira de menos.

  • http://www.facebook.com/guilherme.augusto.sg Guilherme Augusto

    Muito bom, o artigo. Gostei das fontes e das referências, embora discorde da sua opinião. Fala-se repetidas vezes em “legalizar a prostituição é X”, sem que haja uma implicação direta entre os dois fatos. É um non sequitur equivalente a dizer que o trabalho rural deve ser essencialmente ruim, já que observamos casos de escravidão entre eles, e que “legalizar o trabalho rural é endorsar a escravidão”. Negligência ocorre em todo lugar, em todos os negócios, em todas as circunstâncias. Não podemos fechar todos os supermercados porque tinha um cara que não tava vendendo frutas frescas. O que se faz é combater a negligência, e não proibir tudo o que dê possibilidade a ela.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Não conhecia esse caso da Noruega, Dr.

    Procurei informação e achei esse link da BBC
    http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7806760.stm

    Deve ser pelo fato de que o cidadao que realiza a compra fora da Noruega estará mais sujeito a repetir a operação voltando pra casa.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Pablon, notei que você menciona conceitos sobre o feminino e o masculino e como isso influencia nossa sociedade. Tem alguma recomendação interessante de livro ou blog a respeito?

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Soraya, o #debatepdh continua em breve com um texto bem bacana da B. e possivelmente uma entrevista bem bacana que o Fausto trará para nós, com alguém que tem experiência no assunto!

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Oi Lu – o objetivo é justamente trazer diferentes perspectivas para que todos possamos entender melhor o tema e tomar melhores decisões dentro da sociedade. Se quiser compartilhar alguns dos estudos que sua faculdade fez, será bem vinda!

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    É isso aí, Zombie. Eu tenho a tendência de ser otimista e achar que conforme a tecnologia possibilita a gente conhecer mais aspectos e perspectivas de temas que nos interessam, cada vez mais será difícil de manter estruturas onde o dinheiro fala mais alto. E que a educação também revele seu poder.

    Quem viver, verá :)

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Lucas,

    eu fico muito honrado em poder escrever textos que são lidos e discutidos por caras com uma cabeça como a sua.

    p.s. ah, e valeu pela recomendação do Toy Story 3 – já coloquei pra lista!

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Fala Paulo!

    Vc leu o excelente texto do Fausto? Acho que vai gostar bastante: http://papodehomem.com.br/eu-nao-vendo-eu-alugo

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    De acordo com as teorias de grupos feministas e de proteção às pessoas traficadas, ao realizar a criminalização do ato da compra do serviço sexual teríamos uma redução de demanda e consequente menor oferta… de modo que o tráfico de seres humanos para fins sexuais sofreria o impacto.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Rayssa, o “tom de autoridade” é um fantasma que assombra todo mundo que escreve. Acho que com os últimos textos eu tenho melhorado um pouco, mas de tempos em tempos me vejo escrevendo de modo a querer enfiar goela abaixo alguma idéia minha.

    Se você viu esse texto como um post que apresentou o problema e deixou a reflexão na mão do leitor, fico feliz de ter cumprido com o papel!

    E quando notar que deslizei e fiz um texto fechado, por favor me avise ;-)

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    É isso aí, bro. Temos que sempre despertar para diferentes dimensões de algo que já temos “opinião formada”.

    Abração!

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    É por essas e outras que a gente fez uma série bem comprida de debates, que ainda não acabou! Em breve tem mais!! :)

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Fala Bruno!

    Concordo com você que com a regulamentação asseguramos direitos e facilitamos punição dos infratores.

    Essa é a perspectiva jurídica, de onde vejo que você domina muito bem.

    Puxando o debate mais para a borda de Law and Economics, faço uma pergunta para provocar o debate: a tal regulamentação aumentaria, diminuiria ou seria um fator irrelevante na quantidade de oferta e demanda de prostituição?

    Caso a regulamentação aumente a quantidade de prostituição, quais as consequencias disso no problema apontado do tráfico (especialmente o tráfico internacional) de pessoas?

    Veja: eu nao tenho as respostas, estou apenas trocando idéias aqui, que é o objetivo do #debatepdh

    Abração!

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Concordo contigo Clayton – eu sempre voto nulo para toda eleição. No dia em que ver algum candidato que tenha uma atitude séria para educação, aí sim ele merecerá meu voto.

    Na esfera privada, contribuo com doações sempre que posso para ongs e entidades que ajudam população carente em educação. Sei que não muda muita coisa, mas é o pouquinho que posso fazer hoje… e espero fazer muito mais em breve.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Fausto e Mau: vou fazer dois comentários aqui.

    O primeiro é o que eu sei de experiência própria: concordo plenamente com vocês. A GP só faz com camisinha e é muito mais limpinha que muita moça de família.

    Agora, provocando a discussão, mantendo a linha do post: será que a realidade que eu, vocês dois e toda a turma do GP Guia não é apenas uma fatia do bolo?

    Quando penso em PUTA não estou pensando em Garota de Programa. Até as de 20 reais do Edifício Itatiaia (acho que é esse o nome) são GPs que se protegem. Mas será mesmo que a puta de bordel de estrada em Roraima usa uma camisinha por cliente? Não sei e tenho minhas dúvidas.

    Um artigo do NY Times investigou o assunto:
    http://www.nytimes.com/2001/11/29/world/rare-co

    Assim como na matéria acima, outros estudos constantemente comentam sobre as peripécias que as prostitutas fazem para convencer o cliente a usar camisinha… ou o valor extra que cobram para liberar desencapado para alguns clientes. O Superfreakonomics mencionado pelo Átila é um dos livros que eu lembro agora.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Beleza, Humberto?

    Acho que de tempos em tempos aparece notícia de que o eBay e o MercadoLivre removem anúncios de caras que querem vender um rim.

    Que acha do assunto?

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Fala Fausto!!

    Acho que é tudo questão de perspectiva de como analisamos o tema.

    Num comentário acima, você fala da situação das garotas de programa que sempre usam camisinha. Concordo: eu também nunca vi (nem procurei) nenhuma profissional de sexo que fizesse o trabalho sem proteção.

    É exatamente esse tipo de percepção que eu procurei combater no artigo, com todas as limitações e poréns que ele teve. A idéia de que a puta é a mesma coisa que a garota de programa. São dois tipos diferentes, com realidades diferentes.

    A regulamentação da garota de programa pode afetar negativamente a puta.

    Tanto você, como o Mauricio, como eu não conhecemos nenhuma prostituta que trabalhe sem proteção. E isso pode dar a aparência que é sempre assim.

    O lado invisível que eu procurei apresentar é que existem SIM as prostitutas que não usam camisinha, seja por falta de interesse / instrução delas, seja por falta de poder de barganha com clientes, seja pelo fato de serem escravas.

    Relatório da ONU no caso da Tailândia que conta como as prostitutas adolescentes são mais procuradas pelo fato dos clientes acharem que tem menos chances de estarem infectadas: http://data.unaids.org/Publications/IRC-pub05/j… <- isto mostra como elas trabalham sem camisinha e frequentemente acabam contaminadas.

    Um segundo relatório da ONU também relata que em casos de abuso e tráfico, não existe uso de camisinha: http://data.unaids.org/Topics/Human-Rights/hr_r

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Acho que as garotas podem sim ser iludidas com facilidade, Fausto.

    Veja essa história que aconteceu na Turquia: um grupo de caras fingiu gravar um Big Brother e colocou em cárcere privado garotas de 15 anos para vender fotos para redes de pornografia infantil:
    http://www.thefirstpost.co.uk/53374,news-commen

    Você, eu e todos os que lêem o PdH fazem parte de uma parcela privilegiada que tem acesso a informação e capacidade de discernimento. E mesmo assim, vez ou outra, nos enganamos e nos frustramos com certas expectativas.

    Quando recebemos aqueles emails “Parabéns, você ganhou um milhão, clique aqui”, todos nós apagamos sem mesmo abrir. Mas existe gente que vai e clica.

    Em um comentário acima, eu contei que em ônibus e praças da Suíça é comum encontrarmos panfletos de orientação para mulheres que são escravas sexuais, oferecendo ajuda.

    Existem diferentes modalidades dessas escravas. Uma é a escrava pessoal, após golpes de “trabalhar de babá”, venda em mercado negro ou após um contrato de casamento para conseguir cidadania européia. Basicamente, elas têm o passaporte tomado e ficam reféns psicológicas do cara (ou caras) que a aprisiona. Ela pode ir ao supermercado, pegar ônibus… mas não arrisca fugir pois mesmo se conseguir, existem as ameaças de morte de familiares.

    Mas a modalidade relacionada à prostituição é quando a casa onde ela trabalha e tem uma certa autonomia. De onde aparecem essas prostitutas? Algumas vezes, é o próprio pai que vendeu, pelo preço de um televisor. Veja esse vídeo onde garotas da Albânia são vendidas e transportadas clandestinamente para a Itália:

    http://www.youtube.com/watch?v=do9KXid5vT0

    Fausto, sei que você é um cara com enorme experiência no assunto e nas situações onde uma garota de programa brasileira oferece seus serviços para um cliente brasileiro realmente eu concordo que é decisão dela e ninguém tem nada a ver com isso.

    O que estou procurando compartilhar é situação (vou largar mão de usar “invisível” pois você corretamente apontou que é na mídia que vemos) menos intuitiva para nós. Nem sempre a prostituta está no business por vontade própria e o crime organizado tem que ser combatido.

    Nesse ponto, acho que ambos concordamos.

    O que nós parecemos ainda ter uma visão muito diferente é na quantidade que isso acontece. Você diz que é uma realidade bem mais limitada do que meu texto dá a entender.

    Realmente, é difícil medir.

    Pelo pouco que eu conheço da realidade brasileira, acontece muito pouco (cliente e profissional brasileiros). Mas deixo a pergunta aberta de como é a situação na borda do Acre. Não sei.

    E digo que fora do Brasil, particularmente em lugares como Turquia e Israel, a quantidade de mulheres traficadas de modo sinistro é perturbadora.

    Ilustrei o post com o caso do jovem Briedward pois muitos dos clientes que frequentam os puteiros fora do Brasil não possuem a menor idéia (ou preocupação) de que a garota pode ser uma vítima de tráfico.

    Finalizo o comentário com mais uma história que ilustra meu ponto: garotas que achavam que estavam indo fazer turismo e acabaram de repente parando na Turquia, numa sala onde foram obrigadas a se despir… e, recusando, espancadas a ponto de ficar inconscientes e ir para o hospital:

    http://www.globalpost.com/dispatch/worldview/09

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Valeu por compartilhar a história, Marcela. Saber que existe situação desse naipe em Curitiba é algo que me deixa ainda mais preocupado.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Para quem continua achando que a quantidade de prostitutas aliciadas é pequena, tem um relato da Marcela logo abaixo de escravidão rolando na capital do Paraná.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Gostei do comentário, Guilherme. De fato, faltou o link entre diferentes pensamentos – isso aconteceu principalmente nos momentos em que reproduzi/sintetizei pontos de vista que precisariam de muitas páginas para serem mencionados corretamente.

    Vou lembrar disso para todos os próximos artigos – valeu pelo feedback!

  • Pablo Fernandes

    Saiu hoje o novo post do #debatepdh: “BDSM e prostituição: pagando pra sofrer?”

    (http://papodehomem.com.br/bdsm-prostituicao-pag…).

    Que brilhantemente finaliza o nosso debate citando um outro aspecto do sexo profissional: a Dominatrix.

    Espero vocês no #debatepdh lá também.

  • Pablo Fernandes

    Rodrigo,

    Saiu hoje o novo post do #debatepdh: “BDSM e prostituição: pagando pra sofrer?”

    (http://papodehomem.com.br/bdsm-prostituicao-pag…).

    Que brilhantemente finaliza o nosso debate citando um outro aspecto do sexo profissional: a Dominatrix.

    Dá uma passada e deixe seu comentário por lá também. ;)

  • Pablo Fernandes

    J.r,

    Saiu hoje o novo post do #debatepdh: “BDSM e prostituição: pagando pra sofrer?”

    (http://papodehomem.com.br/bdsm-prostituicao-pag…).

    Que brilhantemente finaliza o nosso debate citando um outro aspecto do sexo profissional: a Dominatrix.

    Dá uma passada e deixe seu comentário por lá também. ;)

  • Pablo Fernandes

    Vanessa,

    Saiu hoje o novo post do #debatepdh: “BDSM e prostituição: pagando pra sofrer?”

    (http://papodehomem.com.br/bdsm-prostituicao-pag…).

    Que brilhantemente finaliza o nosso debate citando um outro aspecto do sexo profissional: a Dominatrix.

    Dá uma passada e deixe seu comentário por lá também. ;)

  • Pablo Fernandes

    Paulo,

    Saiu hoje o novo post do #debatepdh: “BDSM e prostituição: pagando pra sofrer?”

    (http://papodehomem.com.br/bdsm-prostituicao-pag…).

    Que brilhantemente finaliza o nosso debate citando um outro aspecto do sexo profissional: a Dominatrix.

    Dá uma passada e deixe seu comentário por lá também. ;)

  • Pablo Fernandes

    Lucinda,

    Saiu hoje o novo post do #debatepdh: “BDSM e prostituição: pagando pra sofrer?”

    (http://papodehomem.com.br/bdsm-prostituicao-pag…).

    Que brilhantemente finaliza o nosso debate citando um outro aspecto do sexo profissional: a Dominatrix.

    Dá uma passada e deixe seu comentário por lá também. ;)

  • Pablo Fernandes

    AC,

    Saiu hoje o novo post do #debatepdh: “BDSM e prostituição: pagando pra sofrer?”

    (http://papodehomem.com.br/bdsm-prostituicao-pag…).

    Que brilhantemente finaliza o nosso debate citando um outro aspecto do sexo profissional: a Dominatrix.

    Dá uma passada e deixe seu comentário por lá também. ;)

  • http://hcalves.tumblr.com Henrique

    Você falou muito bonito, mas disse nada.

    O que tem a ver com amor o que eu disse?

    O que disse é, se prostituição é uma prática tão comum, normal, e que se regulamentada, não tem mal nenhum, mesmo assim, um pai incentivaria a filha a ser prostituta? Afinal, é só mais uma profissão qualquer.

    Menciono filha porque é uma maneira de trazer o problema para perto. Enquanto os problemas acontecem com os outros, infelizmente, o ser humano médio está pouco se fodendo. É egoísta por natureza (ainda mais quando se trata em pagar por sexo).

    Agora quando a situação atinge o cerne da vida pessoal e a família, os falsos liberais aparecem.

  • Curiosa_sp

    Olha, como mulher que conhece outras mulheres, e que já saiu com garoto de programa, eu digo: é muito bom sair com um GP, pois ele em troca da contraprestação, só quer lhe dar prazer, e isso significa numa das melhores transas que uma mulher pode ter!!! Eu sei que isso nada tem haver com a discussão, mas bem que poderia abrir uns bordéis feitos para a mulherada!!! Seria muito bom ter os serviços de um homem tb.

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    A Sabrina, mencionada no meu artigo anteiror, foi escravizada em Florianópolis (para ver como essa diferença entre putas/prositutas não existe). E nem por isso ficou contra a prosituição ou a sua legalização. Pois entende que combater o trabalho escravo não é o mesmo que combater o trabalho.

  • http://www.botecosujo.com/ Fausto Salvadori Filho

    A Sabrina, mencionada no meu artigo anteiror, foi escravizada em Florianópolis (para ver como essa diferença entre putas/prositutas não existe). E nem por isso ficou contra a prosituição ou a sua legalização. Pois entende que combater o trabalho escravo não é o mesmo que combater o trabalho.

  • Augusto-Bolzan

    É lógico que a legalização da prostituição ira ajudar criminosos.Alias,é pior.O fato de uma legalização a prostituição tornara criminosos em inocentes,afinal não é mas crime.Isso é bem absurdo.Em relação aos diferentes tipos de prostitutas acredito que existam aquelas que optaram por fazer com consiência o que se torna menos pior,mas não deixa de estar errado.Um exemplo seria um suicida,que opta em tirar a própria vida.Hora,ele optou só por isso não deveriamos impedir?O fato do ser optar por um suicidio demostra que ele é um ser ignóbil e necessita de ajuda para sair deste problema.O mesmo a prostituta.Por mais que uma mulher decida por consciência se prostituir é necessario que a mesma seja guiada a não tomar esta atitude pois é um erro.

  • http://fromvictorwithlove.com/diario Victor Lee

    Tem uma palestra no TedTalks com fatos interessantes:

    - no mundo, existem dezenas de milhões de mulheres a menos do que homens. Motivo? Aborto seletivo ou simplesmente os pais preferem dar o alimento ao filho homem, e elas são largadas e recebem menos atenção médica

    - existe o problema da prostituição da puta pobre em países subdesenvolvidos que ainda deve ser controlado

    http://blog.ted.com/2010/08/17/our-centurys-greatest-injustice-sheryl-wudunn-on-ted-com/

    Essa palestrante aí ilustra melhor do que eu tentei fazer a respeito do problema de gênero atual no planeta (repito: meu texto não tem nada a ver com a GP de flat, e sim com a mulher explorada e traficada)

  • Priscila

    Adorei o post, li quase todos os comentários e só queria observar o seguinte: apesar de realmente não ser uma discussão homem x mulher, pois se trata de relações humanas e de como são encaradas socialmente, a maioria dos que acham que não tem problema legalizar a prostituição e se prostituir é homem, e das que consideram degradante é mulher (inclusive eu).

    Não degradante “em si” num sentido moralista, até porque isso acontece em outras esferas sem envolver dinheiro explicitamente. Mas porque isso perpetua um tipo de dominação que só começou a ser contestada a menos de um século e que, justamente por esse ranço sociohistórico, faz com que pra muitos prostitutas não sejam sequer gente, quanto mais profissionais.

    Para que a gente pudesse legalizar a profissão, primeiro teríamos de construir realmente a noção de que a mulher é dona de seu corpo, o que ainda não existe. Quanto não conversei com amigas que fingem ter orgasmos com seus namorados para não chateá-los, quando se trata simplesmente de uma questão de tempo e adequação do estímulo, e que muitos caras levam como problemas na performance deles… Claro que é muito mais fácil procurar alguém que pelo prazer vai exigir uma coisa simples e direta, o dinheiro, e nenhum tipo de envolvimento emocional ou de atenção diferente da que o cara queira dar – e digo isso sem sarcasmo, não acho nada errado caras procurarem prostitutas.

    Agora, se o ponto de partida de mulheres não-prostitutas já inclui esse tipo de submissão automática, fica muito complicado falar em escolha consciente e em ser dona do próprio corpo. E mais complicado ainda considerando que grande parte das que estão nesse meio não fez a escolha, o que já é condenado por lei mas que não conta com fiscalização porque socialmente ainda é aceitável que “precisa haver alguém pra saciar necessidades de outros alguéns”.

    Li o outro post, e concordo com muitos dos argumentos de lá, mas o problema maior é que a legalização iria atingir um número muito pequeno de pessoas, e justamente as que já se vêem como profissionais. Talvez ajudasse a reconhecer socialmente a profissão, mas o lado (a meu ver) inadmissível é que iria não iria simplesmente oficializar serviço, mas legitimar uma postura de objetificação dos corpos que precisaríamos ser muito, muito mais evoluídos para conseguir levar de forma sadia.

  • http://profiles.google.com/ellencl6 Ellen Lemos

    Assunto muito delicado, e me faz lembrar de um filme. Eu nao assisti, mas gostaria muito de ver. A filha desse moço vai para a Europa com uma amiga e acaba sendo “pega” para o trafico sexual. Ela e a amiga sao drogadas e o pai percebe e tenta resgatar ela, alguem sabe o nome desse filme?

  • http://osexoeasmulheres.blogspot.com Deb.

    Victor

    Excelente texto, parabéns.

    Não vou nem entrar na questão do regulamentação, pois isso é uma controvérsia sem fim. Há vários argumentos a favor (inclusive vindos de representantes da classe, em busca de direitos e segurança), vários contra. Mas o ponto pacífico é que esse tráfico de mulheres tem de ser combatido, essas redes internacionais têm de ser desbaratadas. O problema é que se sabe que elas contam com a conivência de “autoridades”… e é aí que o bicho pega.
    ..

  • http://discordando-do-mundo.blogspot.com Leonardo Xavier

    Eu confesso que nunca tinha pensado a respeito do assunto. No entanto, eu acho que eu concordo com a questão das pessoas que utilizam o serviço no caso de tráfico humano para exploração sexual serem co-responsabilizados juntamente com os traficantes.

    No entanto, eu acho que a questão da proibição da prostituição me levanta uma questão maior:”Será que o Estado tem o direito de intervir no modo como usamos o nosso corpo?”

  • http://hcalves.tumblr.com Henrique

    A falácia está em achar que legalizar significa organizar alguma coisa.

    Não organiza porra nenhuma, porque a única coisa capaz de alcançar isso são cidadãos conscientes. Coisa que o Brasil não tem nem de longe.

    Ou você acha que o zé mané vai ligar na Secretaria de Saúde pra denunciar o puteiro onde ele paga um extra pra poder comer a moça sem camisinha? HA-HA-HA

    Nesses casos, legalizar é dar um atestado de hipocrisia, onde todos fazem tudo errado, mas no papel estão “dentro da lei”.

  • Anônimo

    a questão da legalização da prostituição pra mim é como o plesbicito do desarmamento

    o foco está errado

    as prostitutas que vivem bem hoje continuaram vivendo bem com a legalização e as que se fodem assim continuarão também ressaltando, será apenas um benefício para cafetões, para garotas do interior serem exploradas nas capitais etc…

    como no desarmamento que já é assunto pra outro post, as pessoas de bem já estão desarmadas com ou sem o estatuto do desarmamento.

  • http://twitter.com/edegar EDEGAR NEUMANN

    O nome do filme é Taken
    ou
    Busca Implacável
    . O ator é o Liam Neeson.

  • nick

     Cara, achei o texto interessantíssimo. Nao parei pra ver todos os links que voce deixa solto aí na página, mas com certeza eu vou checar sim.

      Tem um ponto muito debatido aqui em casa sobre esse assunto: minha irma cita as atrizes pornos como prostitutas. Afinal de contas, é sexo por dinheiro, mesmo que glamurizado. Isso talvez entre no impasse (nao sei se é impasse. Nao pesquisei nada sobre…) : elas pertencem/pertenceriam a que sindicato?! ao das atrizes, ou ao das garotas de programa?…

       bom! fiz esse comentário as tres da matina, sem muito oq falar. so pra deixar algo a mais que vi que nao tá sendo citado aqui. O calor da discussao do que um ou outro acredita deixou de lado algo que talvez deixe isso mais aceitável para a sociedade: Indústria Pornográfica.

       Tenho uma opniao muito mas densa sobre legalizaçao ou nao da prostituiçao. Voltarei pra comentar a qualquer momento.

        abraço

  • Jorgesmith11

    Não sou a favor de legalização, não porque alguém vai tirar proveito das mulheres. Não creio em inocência total por parte de ninguém, muito menos de mulheres dispostas a assumir os riscos. Sou contra essa idéia por crer que o sistema é muito aproveitador, e elas (principalmente as de beira de estrada) é que vão pagar o pato. A corda sempre quebra do lado mais fraco.

  • Matheusdegre

    Parabenizo o autor do texto e dos que concordam com ele pelas boas intenções. Compartilho-as.

    Entretanto, culpar o “cliente” da prostituta, bem como o usuário de drogas, enfim, esse discurso de que “enquanto há demanda há oferta”, é errado e retrógrado.

    Não sou especialista no assunto, mas algum sociólogo, por favor, salve esse debate! 

  • Thamy_matraca

    Acredito que todos os comentários coerentes possam ser validos pq na verdade o assunto engloba “muitos outros assuntos”,isso é bom para abrirmos a mente discutirmos algo muito sério, concordo parcialmente com a maioria tanto da opinião que relaciona os generos hxm, a pedofilia, a cultura etc. 
    Minha opinião não esta totalmente definida, mas pendo mais para não legaização, pois não eu por exemplo não sentiria orgulho de exibir minha carteira de trabalho com “profissional do sexo” etc… pretendo dar continuidade ao meu post..

  • Peter

    Gosto de comer putas, e estou cagando se elas são felizes ou não. Para os homens que são contra a prostituição, deixo uma pergunta. Vocês são machos ???

    • Abnara

      TEM GOSTO P/ TUDO!…COMER Ñ,SER COMIDO SEU OTÁTIO,É A BOCA Q COME A BANANA OU VICE VERSA?…KKK
      HOMENS Q SÃO CONTRA PROSTITUIÇÃO,SÃO HOMENS D VERDADE!…

  • Abnara

    PROSTITUIÇÃO É UMA COISA Q Ñ DEVERIA EXISTIR…
    SEXO C TROCA POR SEXO,Ñ POR DINHEIRO!…SEXO É ALGO ÍNTIMO,PORTANTO DEVE SER DIVIDIDO C/ QUEM C TENHA INTIMIDADE,SEXO É P/ PROCRIAÇÃO E PRAZER,Ñ É TRABALHO!…AS FIGURAS Q C PROSTITUEM GERALMENTE ODEIAM OS CLINTES Q SERVEM D CHACOTA ENTRE AS COLEGAS!…PUTAS SÃO COMO MÁQUINAS E TB VEEM OS CLIENTES APENAS COMO MÁQUINAS D FAZER DINHEIRO,CRIAM UMA PROFUNDA DECPÇÃO C/ AS PESSOAS DO SEXO AO QUAL ATENDEM,PENSANDO Q TODOS SÃO IGUAIS,MAS NA VERDADE,QUEM PROCURA ESSE TIPO D COISA,SÃO OS PIORES TIPOS!…OU SÃO INSENSÍVEIS,OU PERDEDORES FRACASSADOS C/ BAIXO ESTIMA…POIS A PARTIR DO MOMENTO Q 1 PAGA,C DESNIVELA!…E D DUAS UMA,OU A PESSOA C SENTE POR CIMA,POIS QUEM PG MANDA,OU POR BAIXO,POIS PRECISA PAGAR P/ ISSO…MAS NO FUNDO TODOS OS ENVOLVIDOS TEM 1 SÉRIO PROBLEMA D CARÁTER!…E SÃO UNS FRACOS INCAPAZES D C RELACIONAREM D IGUAL P/ IGUAL C/ UMA PESSOA D VERDADE!…

  • joao bispo dias dias

    eu entendo que nois homens temos o direito de usar as prostitutas,se proibem,pode ate haver um aumento de pedofilia no brasil,isso por que as novinhas sao vulneraveis,e seria muito mais facil do que as adultas que aperfeicoavam uma cultura de parceiro fixo e namorados apenas.isso ta acontecendo devido a influencia de evangelicos no congresso.isso e preconceito deles.a liberdade religiosa nao os dar, direito de acabar com a diversao dos catolicos que e mulher.

  • Sra. Mary Smith

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    obrigado
    Sra. Mary Smith

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