A menina sonhadora feliz cabeça-de-vento

Alex Castro

por
em às | Cultura e arte, Resenhas


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Sinopse do filme. Menino conhece menina. Em um enterro. Frequentam vários outros funerais juntos. Começam relacionamento. Menina tem câncer terminal. Menina morre, menino amadurece. Final feliz. Como não?

Inquietos, de Gus van Sant (que estreou ontem), é um filme fofo. (Talvez fofo demais.) Bem sessão da tarde. (Que talvez seja melhor você esperar pra assistir na própria sessão da tarde.) A mensagem do filme: aproveite a vida. (Se você já não sabe disso, será que vai ser um filme que vai te ensinar?)

A história passada do menino: perdeu os pais num acidente de carro, ficou três meses em coma sem esperanças de acordar, voltou à consciência por milagre, foi expulso da escola por mandar pro hospital um colega que fez pouco de seus pais, tem um amigo imaginário camicase japonês (pista: alguém cujo gesto primordial foi se matar), frequenta como penetra enterros de desconhecidos, tem uma relação de menino mimado com a tia que largou sua própria vida para criá-lo.

A história passada da menina: ela têm câncer.

Preciso dizer mais?

Se você já entendeu, pode parar por aqui. O resto do texto é nota de rodapé.


Link YouTube | Trailer de Inquietos. Com impagáveis legendas em português de Portugal.

O teste Bechdel

O Teste Bechdel tem como objetivo chamar atenção para o fato de grande parte da produção cultural contemporânea ser feita por homens, para homens, sobre homens. Para passar no teste, a obra precisa somente atender um requisito aparentemente simples:

Existem duas ou mais personagens femininas que conversam entre si sobre um assunto que não seja homem?

O teste não mede a qualidade nem o “feminismo” de um filme. O fato de um filme passar no teste não quer dizer que seja feminista, politicamente correto, ou mesmo bom. O fato de não passar não quer dizer que seja machista, ou ruim.

O problema não são esses filmes individualmente. O problema é a gigantesca maioria dos filmes serem assim.

Alguns filmes famosos que não passam no teste:

  • Matrix
  • A rede social
  • Toda a trilogia do Senhor dos anéis
  • A primeira trilogia de Star wars
  • Corra, Lola, corra

E, naturalmente, Inquietos, de Gus van Sant.


Link YouTube | O teste Bechdel, bem explicadinho. Em inglês.

A menina sonhadora feliz cabeça-de-vento

O termo foi inventado pelo crítico de cinema Nathan Rubin para descrever a personagem de Kirsten Dunst em Tudo acontece em Elizabethtown – e também centenas de outras personagens previsivelmente parecidas do cinema contemporâneo. Em inglês, “manic pixie dream girl”. E eis como ele a define:

aquela criatura efervescente e superficial, existente apenas nas imaginações febris de sensíveis escritores e diretores, cujo único objetivo é ensinar jovens reprimidos e sorumbáticos a abraçar a vida e seus infinitos mistérios e aventuras.

Alguns filmes famosos com a menina sonhadora feliz cabeça-de-vento:

  • Quase famosos
  • Joe contra o vulcão
  • Essa pequena é uma parada
  • Bonequinha de luxo
  • Se meu apartamento falasse
  • Doce novembro
  • Totalmente selvagem
  • Outono em Nova York
  • Um beijo a mais
  • Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

O grande problema dessa personagem é que ela não possui existência individual. Ela só existe para que o protagonista masculino cresça, mude, melhore, evolua, avança. Tudo é em função dele.

Basta conferir: ao final do filme, quem foi que mudou e quem permaneceu igual? Via de regra, uma obra narrativa é sobre aquele personagem que passa por uma viagem interior que resulta em algum tipo de mudança; os personagens que não mudam, os coadjuvantes, estão na trama para catalizar esse processo.

Por ser aérea e fofinha, mas também livre e independente, a menina sonhadora feliz cabeça-de-vento simultaneamente evoca o fetiche da pureza e o tabu da pedofilia (afinal, ela age como uma criança, é pura, lúdica, brinca, etc) mas também é mulher (pode ser desejada ou abordada sexualmente sem culpa e sem medo), embora não forte ou agressiva (ninguém que vá ameaçar o homem, ganhar mais que ele, disputar o controle da relação, etc). Ou seja, para grande parte dos homens, é a mulher perfeita.

O Alexandre Soares Silva escreveu uma vez que sonhava com um filme onde uma cafona e caliente mulher latina conhecesse um alemão rígido e reprimido e, ao final do filme, aprendesse com ele as alegrias da repressão emocional. Não sei se seria um bom filme, ou se passaria o teste Bechdel, mas com certeza seria uma grande novidade no cenário cinematográfico mundial.

Inquietos, de Gus van Sant. Scott Adams já abriu processo: o cachecol esvoaçante teria sido plágio da gravata do Dilbert.

Inquietos, de Gus van Sant. Scott Adams já abriu processo: o cachecol esvoaçante teria sido plágio da gravata do Dilbert.

Inquietos, de Gus van Sant

Apesar de ser um filme fofo, o grande problema de Inquietos é que ele ignora a moça morrendo de câncer.

Mal sabemos quem ela é. Praticamente não tem história pregressa. Não conhecemos seus amigos, não sabemos em qual escola estudou. Sua mãe e sua irmã (o que fazem? do que vivem?), quando aparecem, é pra conversar com ela sobre seu novo namoradinho. Quais eram seus planos de vida? Não sabemos. De onde vem o dinheiro para manter um guarda-roupa retrô divino, capaz de chamar atenção até de um homem quase hétero como eu, completamente incompatível com a casa onde mora e a vida que leva? Talvez o maior mistério do filme.

Sabemos apenas que é linda (claro), fofíssima (sempre) e que encara o seu câncer terminal suuuuper na boa.

O filme inclusive faz um esforço comovente para não mostrar nenhum dos aspectos, digamos, mais concretos e visíveis da doença – aspectos esses tão conhecidos de quem já teve um familiar com câncer. Tirando um breve convulsão, já no perto do final, anunciando sua morte iminente, nada em sua aparência física ou comportamento indica a doença terminal.

(Afinal, se ela estivesse feia, deformada ou sem cabelo, não seria linda e não nos importaríamos com ela – gente feia sofrendo é o que não falta na vida real! E se estivesse confusa, deprimida, histérica, em crise, ela seria um peso emocional para nosso herói e, sinceramente, ele acabou de perder os pais e ser expulso da escola, não pode lidar com isso agora! Ele precisa de alguém que ajude a ele, poxa!)

"Talvez o objetivo da sua vida seja apenas servir de aviso para os outros." Sensacional pôster desmotivacional da www.despair.com

"Talvez o objetivo da sua vida seja apenas servir de aviso para os outros." Sensacional pôster desmotivacional da www.despair.com

Então, ela é apenas mais uma menina sonhadora feliz cabeça-de-vento, que conhece um menino e muda a vida dele.

Pois o filme claramente é sobre ele e só sobre ele. Sobre a viagem de aprendizado dele. Sobre o amadurecimento dele. Sobre ele superar o trauma de perder os pais.

Narrativamente falando, até mesmo a morte de dois adultos em um acidente de carro ou uma expulsão da escola são retratados mais como tragédias do que o fato de uma menina ter câncer terminal. Afinal, tanto o acidente quanto a expulsão têm consequências práticas e emocionais na vida do menino, o deixam traumatizado, rebelde, à deriva. Já o câncer da menina aparentemente não tem peso algum, não tem consequência alguma: que saibamos (e não sabemos mais porque o filme jamais volta seu olhar para esse lado), a menina está vivendo sua vida exatamente como vivia antes.

Ao longo do filme, ela não muda. Não aprende. Não evolui. (Essas são prerrogativas dele.) Aparentemente, ser jovem e ter câncer terminal não leva a nenhum aprendizado, a nenhum insight, a nenhuma questão existencial, a nada. Leva apenas a querer mudar a vida de um emo que perdeu os pais, foi expulso da escola e vê pessoas que não existem.

Mas, pô, não é o suficiente? O que mais uma jovem mulher pode desejar antes de sua morte prematura além de saber que mudou a vida de um homem?

Alex Castro

alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // esse é um texto de ficção. // se gostou, venha aos meus encontros (os próximos são no RJ e SP em julho) ou receba meus novos textos por email.


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  • http://www.facebook.com/people/Tiago-Xavier/100001465290255 Tiago Xavier

    Engraçado que isso me remeteu às discussões sobre a qualidade da série Crepúsculo, que deve ser uma das poucas na cultura pop centrada em uma personagem feminina.

    Direto eu escuto críticas, justificadas, sobre a má qualidade do roteiro / dos livros, dos personagens fracos e da péssima atuação no cinema.

    Mas quantas produções de fantasia ou ficção científica de péssima qualidade foram feitas para contar histórias masculinas? Antes de criticar o lobisomem lá sem camisa e o vampirão que brilha brigando pela menina, devíamos olhar para as nossas Bond Girl. Se nós podemos, elas também podem.

    Não que Crepúsculo seja um avanço, de forma alguma. Uma história de fantasia com uma protagonista que é quase um fantoche em um mundo criado pra justificar a contenção da sexualidade feminina – e, segundo eu escutei, criticar o aborto no último filme – merecia uma análise como foi feita aqui.

    • http://pulse.yahoo.com/_Z2AYIPKLMPKJDYRGWPKS2QZR6I Brenno

      Crepúsculo é um porno para preadolescentes pudicas.Siga meu raciocínio uma menina completamente sem atrativos,normal,sem ser sedutora ganha o coração de 2 super humanos,que são mais bonitos,fortes e rápidos do que uma deprezinha de 16, 17 anos jamais conseguiria.

      Depois claro existe problemas na trama e taus,mais o ponto mais importante é que o publico alvo (garotas 12-14,ou no caso das mais sonhadoras até mais) fora atendido nas suas ilusões de irresistibilidade,príncipe encantado e esses sonhos que Gitti discute, esses que daqui a uns anos acabaram com a paciência delas em relação a homens reais e não tão interessantes de longe.

      O único problema do gênero é que as pessoas acreditam em besteiras,principalmente em filmes de romance ou drama, que nem os caras que assistem filme porno e acham que tem uma rolinha enquanto tem o mesmo passarinho que todo mundo.

    • AnninaB

      Detalhe de Crepúsculo: a menina é obcecada pelo vampirinho. Sem ele, não consegue viver.

    • http://www.facebook.com/people/Mauro-Ferreira-Rebouças/1697573806 Mauro Ferreira Rebouças

      Mas será que crepúsculo passa nesse teste bechdel?

    • Andrea Riccio

      sem contar que o objetivo dela, durante TODA a saga, é única e exclusivamente ficar e se manter com o vampiro. obsessivamente.
      então, mesmo que esse filme pareça fugir pela tangente ou, entre muitas aspas, tenha como protagonista uma mulher, ela em momento algum é o foco da narrativa – além de ter um objetivo de vida bem, digamos, pobre.

    • Yan Vianna

      Também li o Crepúsculo para poder crítica.

      Jogos Vorazes é centrado em uma menina. E apesar de ser um adolescente com dúvidas e insegurança a personagem é bastante madura por ter que ajudar a sustentar sua familia e evoluí bastante ao longo dos livros. E os homens no livro são apenas coadjuvantes na história, mesmo assim apresentam uma evolução, mas por si só e não decorrente do contato com a garota. Acho que é um exemplo muito mais válido.

  • lhr

    Excelente texto.

  • http://incelencamalditadopavor.blogspot.com/ Thiago Bastos Zucarini

    Alex, esse tópico pegou em cheio meus preconceitos e até filmes que eu gosto muito: é verdade. Mas como estou pensando agora, a maioria dos filmes da Sandra Bullock e até aquela “Legalmente Loira” que parece ser bobinho mas é nesse estilo. Só pensei nesses mesmo.

  • Fernanda

    podia avisar antes que tem spoiler.

    • Daniel Felipe

      Concordo…Até pensei em ver o filme, mas…Já tá tudo resumido alí.

      • http://twitter.com/dudurocha Eduardo Rocha

        Quer dizer que vocês não achavam que ela ia morrer?
        E

  • http://diariosproibidos.blogspot.com/ Samyta Nunes

    Genial, Alex. Sou incapaz de acrescentar algo…
    Eu nunca tinha ouvido falar desse teste, adorei!!! E fiquei impressionada com a quantidade de filmes que não passaram.
    Obrigada, muito obrigada mesmo pelo artigo!!!
    Bjs

  • Yolanda Costa

    Amei o texto e aprendi algo. Nunca tinha ouvido falar no teste nem pensado em certos filmes dessa maneira. Mas faz sentido. Agora vou analisar os meus filmes preferidos.

  • http://www.facebook.com/people/Nessa-Guedes/100001617941613 Nessa Guedes

    Existem alguns muitos posts na blogosfera comentando esse texto, mas são todos em blogs de mulheres. Acho excelente ver o assunto sendo tocado aqui.
    ;D

  • Likapaar

    Só Alex Castro mesmo pra me fazer retornar aqui!
    Parabéns por mais um brilhante texto!

  • http://twitter.com/gibarino Giovanna Barino

    Adorei o texto. Food for thought, and it did get me thinking. =D

  • Marcosaugustonunes

    É realmente um troço engraçado no filme. Ela está morrendo de câncer, e se move como se tivesse a certeza que seu destino seria o Nosso Lar. Fica ligadona nos passarinhos como exemplares da efemeridade e beleza da experiência da vida. O filme inverte o Ensina-me a Viver colocando uma jovem a morrer, como em Love Story, mas uma jovem que usa a morte para ensinar os outros enquanto se mostra infinitamente satisfeita consigo mesma. Mas gostei duma coisa: no final, quando o carinha vai falar no velório, nada se diz. Ele fica quieto, sorrindo, lembrando. As famosas últimas palavras não são ditas, mas vemos as famosas últimas imagens, porque é cinema e não literatura. O clichê é o mesmo só que o Gus, ao menos, mostra que, apesar de não se livrar do clichê, sabe que está fazendo cinema. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo, mas… é alguma coisa.

  • Fernando Daher

    Alex, muito bom você trazer essa discussão aqui pro Papo de Homem. Só tenho uma crítica: a Annie Hall (de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) não é nunca um exemplo de “Manic Pixie Dream Girl”!

    Fundamentar como a Annie é uma personagem mal-compreendida e inovadora levaria mais do que um mero comentário. Seria necessário um artigo. Vou me valer das palavras alheias: http://www.canonballblog.com/?p=3206

    Abraços!

  • http://www.facebook.com/naninha Ariana Mendonca

    O filme me lembrou Ensina-me a viver.. Outro bem antigo que também fala de um rapaz que não dá muito valor à vida e acaba mudando seus conceitos através de uma mulher.. bem mais velha, neste caso…

    Não vi o filme e sim a peça, muito legal, por sinal :)

    http://www.teatros.art.br/teatro-das-artes-sp/historico/ensina-me-a-viver-2/

  • anelí

    fato tudo no texto

  • Marcela P.

    A grande verdade é que emocionalmente um homem dificilmente muda a vida de uma mulher, homens são muito lineares.

    • Braulio Langer Fernandes

      como assim?

    • http://www.facebook.com/maddy.marques Maria Luisa Marques

      dafuck?

    • Giuliana Rodrigues

      O que achei massa foi você tratar dos homens como se fossem os personagens femininos rasos e pré-definidos que queríamos mudar. Só que você não falou dos personagens, falou dos nossos amigos mesmo. Dizer que “Homens são lineares” é como dizer que “mulheres são fofas” ou “mulheres são mais centradas”. Isso é estupidez, essa generalização.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1839784005 Coelho Fernando

    Cara,eu não entendi Restless dessa maneira não. Ela não está sendo IGNORADA por ele. Ele simplesmente encara a morte de maneira normal e natural. Ai está a genialidade do filme: ela se apaixona por ele simplesmente pq ele não trata ela com dó e encara a doença dela e realidade com naturalidade. Ou seja, ela se sente segura ao lado dele, em uma realidade que é mais comum a ela…uma realidade entre a vida e a morte. Perceba em uma parte em que ela diz que tem 3 meses de vida e ele responde “É, tem como fazer muita coisa em 3 meses.” Depois eles se preocupam em viver intensamente alguns momentos. Enfim. Um filme belo! Uma lição de vida ! A única coisa que eu não entendi a simbologia foi o fantasma. Afinal, o que ele representa ? 

  • Marcia Dias

    Será que “Meu Primeiro Amor” é o contrário da menina cabeça de vento?
    Fiquei pensando nesse filme que marcou minha infância e percebi que é um dos poucos que quem morre é o menino e não a menina.

  • Pingback: Qual é a função das revistas femininas? | PapodeHomem

  • Jean

    Ótimo texto, me fez perceber a função de personagens centrais vazios, como no caso de crepúsculo, e vários outros.

  • Pingback: Personagem roupa. « A Peça que Estava Faltando

  • Pingback: Juventude em Revolta « analisando qualquer coisa

  • Áurea Luz

    A lista de meninas-feliz-cabeça-de-vento-sonhadoras é muito maior. Em
    500 dias com ela é a mesma coisa. Só que “herói” sofre muito.
    Sobre o comentário de Crepúsculo, se para as mulheres que foram influenciadas pelas princesas dos contos-de-fada, várias meninas-feliz-cabeça-de-vento-sonhadoras, ou as jornalistas (sempre elas) das comédias românticas e séries (Sexy and the City marcou época), que são engraçadas, sexies e inteligentes sofrem no mundo real sem encontrar The Big Love, imagina aquelas que querem ser iguais a Bela Swan (diga-se feia e sem sal) e ter dois, DOIS caras fodões brigando por elas!!!
    Pobre geração…

  • Lu

    Um blog para homens que não repete o estereótipo machista :D parabéns!
    Sou mulher e acompanharei vocês o/

    • acesso único

      é um blog gay, se não percebeu… caí aqui por acaso por causa do face e já fiquei nauseado… Por isso essa simpatia das mulheres. Se uma mulher quiser REALMENTE se depreciar, é só dar trela ao pensamento gay. Vai sentir empatia, mas gay só respeita mulher por se sentir como ela. Simplesmente não conta.

  • tradutor

    narrativamente falando? ?????????????????????

  • Pingback: As revistas femininas | Entrestantes – Do pó à palavra

  • Isadora

    Sou formada em cinema e essa sempre foi uma questão que me incomodou. Meu projeto de mestrado vai ser sobre isso, inclusive, e quando faço filmes meus, tento sempre ficar atenta as personagens femininas (que são maioria) pra não repetir a receita.

    São filmes feitos POR e PARA homens. Mesmo dentre os filmes feitos “para mulheres”, grande parte ainda possuem personagens femininas mal construídas, rasas, com pouca profundidade emocional, enquanto os homens possuem uma extensa gama de sentimentos – principalmente sentimentos contraditórios que fazem dos personagens mais humanos, mais complexos como todos somos – enquanto mulheres são geralmente seguem uma linha pré-estabelecida de acordo com poucos traços de personalidade: “a certinha” “a fofa” a “introspectiva” a “sexy” a “forte e durona” e quando alguns dessas personalidades são mescladas, são sempre as mais próximas, as que se complementam: a menina fofa, introspectiva, sonhadora. Dá uma falsa sensação de que conhecemos aquele personagem, mas geralmente é só um molde pronto de uma mulher pela cabeça de um homem. E ninguém é assim, todo mundo tem personalidades mais complexas do que isso, sentimentos e modos de ser contraditórios, crescimento emocional, desenvolvimento etc…

    Isso pode ser explicado a princópio pela quantidade muito superior de homens diretores e roteiristas e pela falta de empatia deles com as mulheres, a idealização, a rotulação. E muitas vezes as poucas diretoras mulheres acabam repetindo a receita, porque é isso que vemos sempre, é isso que faz sucesso, ninguém para pra pensar no assunto. Um documentário que fala um pouco dessa questão é Miss Representation (2011) da diretora Jennifer Siebel Newsom… Tinha ele completo no youtube, mas agora fui procurar e parece que tiraram (novidade), mas deve se achar fácil por aí pra quem se interessar, é realmente MUITO bom.

  • Luciana

    Muito bom o texto! Quando o vi, tinha gostado, mas com reservas. Deu para perceber que se tratava de um filme com algo “infantil”, mas você me fez vê-lo sob uma perspectiva nova e muito interessante. Obrigada!

  • Pingback: aos leitores - alex castro

  • Pingback: Como se sente uma mulher | PapodeHomem

  • Julhana Bianchini Pohlmann

    Falando em câncer terminal, com uma protagonista mulher: Uma Lição de Vida. O filme inteiro se trata da filosofia, elocubração, meditação, reflexão que a protagonista faz da sua vida e tudo o que aprendeu com a doença. Não sei se ele passaria no teste, mas me veio na cabeça.
    Parabéns pelo texto, simplesmente genial. Me senti contemplada nos meus pensamentos e ideais! Sempre tive essa sensação ao ver os filmes – eles não me representam como mulher – e agora, finalmente, alguém colocou minhas impressões em palavras. Obrigada!

  • Juliana

    Gostei, só não concordo em ‘Bonequinha de Luxo’ ser um exemplo de menina sonhadora cabeça-de-vento. Ela é independente, faz o que quer, e é quem muda no final. Ela acaba ‘aceitando o amor’ de alguém que faz bem a ela, por opção. O homem não mudou, não deixou de ser quem ele era, ela amadureceu. Enfim, só uma opinião.

  • Guilherme Belmont

    qual a graça dum filme no qual mulheres falam de bolsas, sapatos e maquiagens?

    • convidado

      1 – legal essa generalização hem? Porque mulher ou só fala de homem ou de bolsa, sapato e maquiagem.
      2 – “qual graça dum filme no qual os homens só falam de futebol, cerveja e carro?”

  • Luiz Cláudio

    Interessante. Eu estou atualmente escrevendo um romance e a personagem central é uma mulher. Vou prestar atenção nisso agora quando continuar a história.

    • Cristina

      Eu também! Embora ela conquiste na história a duras penas e meio contra a vontade espaços e uma importância crucial tida como tipicamente masculina, passando da famosa “feliz sonhadora cabeça-de-vento” para uma líder forte, determinada e capaz de mudar as coisas com o próprios esforço, munida desse novo ponto de vista gostaria de rever e aprofundar as “motivações” da personagem.

  • Maria Ana

    Achei o texto muito legal, e me interesse muito por esse assunto. As vezes nos esquecemos desse machismo nosso de cada dia, que sofremos até inconscientemente. Após esse texto vou ter uma completa outra visão ao ver filmes que tenhas essas caracteristicas, ou ao rever esse filme. Porém, não concordo com o fato que Annie Hall seja uma dessas Manic Pixie Dream Girl, ao meu ver, ela em certos aspectos, é o completo contrário desse esteriótipo.

  • Jan

    Fiquei feliz de ler !!!! Assistir filmes é sempre uma experiência meio frustrante pra mim. Me sinto menos sozinho…

    No
    mesmo tom do artigo, eu queria um dia ver um filme cuja heroína, ou até
    personagem secundário ou vilã, não pudesse ser qualificada de bonita de
    jeito algum. Se alguém conhecer um desses, por favor me indiquem. Até a
    Daria é bonita debaixo do disfarce de nerd. E não venham me dizer que a
    Bridget Jones não é bonita. Tenho reparado que na hora que elas têm um
    papel importante no roteiro, até as mulheres supostamente subversivas –
    as “machas”, ou as ditas feministas, ou as ditas inteligentes, ou
    bizarras etc. – sempre têm que ser objetos estéticos capazes de honrar
    uma capa das revista. Entender : (quase?) nenhum modelo feminino NÃO é
    bonito. Entender : seja bonita e depois seja aquilo que te agrade.
    Entender : NÃO seja aquilo que te agrade, pois “ser bonita” é uma
    pratica que exige uma conformidade e vigilância de todo instante ; é uma
    pratica que impede concretamente muitas outras ; é uma prisão cujas
    paredes são nossos julgamentos estético-morais. A partir dai, qual filme
    tem a sua moral explicita não poluída pela moral implícita? Usualmente
    sou chamado de politicamente correto depois de argumentos desses.
    Politicamente correto ??? Essa expressão se aplica mais a mim, ou ao
    filme que não sai da norma por um cabelinho a fim de não atrapalhar a
    nossa gula gozadora? Eu sofro na minha vida de ver mulheres que eu amo
    se auto-reprimirem cotidianamente em nome do meu prazer visual. F… meu prazer visual.

    • Bárbara Frugoli

      “Anticristo” do Lars Von Trier, apresenta uma personagem que pra mim, não tem nada de bonita fisicamente, o que é fantástico. Ela parece mesmo uma dessas mulheres que a gente vê no trem todo dia.

    • Lili

      Ouvi de uma amiga depois de ver “before sunrise”: “como é que ela (a protagonista) tem coragem de fazer um filme com o cabelo daquele jeito?”
      Não me entenda mal, Julie Delpy é linda (magra, dentes perfeitos, pele lisinha, boca corada e etc) mas, nesse filme, ela parece mesmo com uma das mulheres que vemos andando de trem na vida real.
      Quando li a sua frase “eu queria um dia ver um filme cuja heroína, ou até
      personagem secundário ou vilã, não pudesse ser qualificada de bonita de
      jeito algum.”
      o que eu pensei foi: e será que existe alguma mulher, na vida real, que não possa ser qualificada de bonita de jeito nenhum? Sinceramente, ainda não vi. Se você olhar bem, de determinado ângulo, quando ela está com determinado olhar… minha avó, por exemplo, fica linda quando fala da sua infância, mesmo não tendo nenhum dente (e não usando dentadura).
      Pode ser ingenuidade ou poesia de minha parte, mas nos acho todas bonitas. E acho normal colocar mulheres com belezas estereotipadas nos filmes, afinal quem é que vai ter tempo de procurar seu ângulo preferido nesse caso? A beleza precisa ser mais óbvia, assim como são as histórias e personagens.
      O que me irrita profundamente são coisas inverossímeis como enfermeiras de salto alto, mulheres que acordam maquiadas e coisas assim. Como você disse, mulheres que deixaram de fazer outras coisas para tentarem satisfazer o prazer visual de alguém (adorei isso). Nesse filme não tem. Adoro o cabelo da Celine! E acho que ela fica ainda mais linda justamente por isso.

      Lili.

      • Dany Franco

        Nunca tinha visto Before Sunrise, mas quando li seu comentário fiquei curiosa e fui procurar imagens dele… Ela é absolutamente linda naturalmente! Gostei muito, a ausência de make e o cabelo ‘livre’ provando que a beleza é presente sem produção. Vou ver com certeza. Sobre esse blog, a primeira sensação que tive foi ‘porque um blog feminino coloca um nome irônico desses?’ Nem pude acreditar que havia homens tão livres de machismo! Parabéns ao autor do texto!

  • Luis Henrique Mourão

    Muito bom o texto. Lembra um trecho do poeta/escritor/historiador Eduardo Galeano:

    “”Atrás de todo grande homem, existe uma mulher.” Frequente homenagem, duvidoso elogio: reduz a mulher à condição de encosto de cadeira. A função tradicional: a mulher é filha devota, abnegada esposa, mãe sacrificada, viúva exemplar. Ela obedece, decora, consola e cala. Na história oficial, esta sombra fiel só merece silêncio. No máximo, outorga-se uma ou outra menção às senhoras dos próceres.”

  • Lis

    Ótimo texto! Desconhecia o termo, vou tentar aplicar a outras narrativas.
    Só discordo quando menciona o filme Quase Famosos. Acredito que Penny Lane também tenha passado por uma modificação: ela não é a mesma personagem ao final do filme. É palpável a mudança que a personagem sofre, principalmente depois de ter quase morrido de overdose. É claro que ela está ali como coadjuvante da personagem principal – o garoto – mas ela também se modifica.
    Gostei muito do seu estilo de escrever. Lerei mais :)

  • Eduardo

    Bom, ele mudou de mulheres planas para mulheres com problemas mentais.

  • Patricia

    Entendi o ponto dela (no vídeo), mas achei esse teste uma grande bobagem. Se eu tiver um filme cujo foco seja acompanhar a vida de uma personagem mulher e o filme for tão centrado nela que qualquer outra personagem que apareça falando com ela seja irrelevante o suficiente pra que saibamos seus nomes, de acordo com o teste esse filme não passa em termos de presença feminina. Se eu pegasse “o Show de Truman” e incluísse 2 personagens femininas que apareceriam em rápidos trechos variados ao longo do filme conversando sobre qquer coisa irrelevante para o roteiro, desde que não fossem conversas sobre homens, o filme passaria, mas continuaria sendo basicamente a respeito do Truman.
    Existe realmente o esteriótipo e por causa dele de fato a maioria dos filmes são centrados em homens mas do jeito que foi colocado é como se tudo fosse um grande complô industrial do patriarcado, e não acho que seja. De uma maneira geral acho uma mensagem um pouco complicada, porque parece dar a entender que temos que moldar a liberdade de criação pra tornar a cultura mais “igual” pra todos. Nao acho que seja esse o problema; o problema talvez esteja em uma indústria de entretenimento cansada que só aprova os mesmos roteiros de sempre. Pra ter retorno financeiro. Não por sexismo. De qquer maneira é uma reflexão interessante, principalmente pra aspirantes a roteiristas, por exemplo.

  • clarissa

    o filme realmente retratou dessa forma, mas se tiver paciência e vontade, leia o livro. retrata bem mais a vida da personagem feminina do que da masculina, e suas mudanças ao longo dos anos. é interessante também que ela evolui e conquista seus sonhos na vida, enquanto ele só se afunda.

  • Romulo Sarzenski

    Sinceramente, achei esse texto de um
    tremendo delírio.

    Só porque o filme foca na história de um
    personagem masculino, agora ele é machista? Nunca li nada mais absurdo.. qual o
    problema de manter o foco principal em apenas um personagem, uma história de
    vida? A grande maioria dos filmes ou livros obedece essa linha. Independente do
    protagonista ser homem ou mulher. Isso porque não se trata da droga do gênero
    do personagem principal, e sim da HISTÓRIA que se pretende mostrar através
    dele.. E não é porque a história do homem seja necessariamente mais importante
    ou interessante que a da mulher, mas simplesmente porque a proposta do diretor
    é focar nessa, e pronto acabou. Parem de mimimi. Isso é perfeitamente normal.
    Até parece que não existem centenas de filmes protagonizados por mulheres cujos
    parceiros não passam de meros coadjuvantes. Um bom exemplo é Juno. No caso do
    filme em questão aqui, sonhadora cabeça-de-vento possui um papel de destaque
    maior do que de mera coadjuvante. Ela é co-protagonista: http://pt.wikipedia.org/wiki/Personagem

    Agora vem me dizer que ela “só” serviu
    na história pra amadurecer o cara. Como se inspirar alguém a mudar pra melhor
    não fosse uma das conquistas mais nobres que um ser humano é capaz de obter.
    Como se isso não fizesse dela uma personagem fantástica e em muitos sentidos à
    frente do protagonista masculino. Ela é muito mais forte, madura, sábia e
    encantadora que o protagonista. Coisa que, aliás, muitos parecem não ter
    percebido. Contraste estranho pra um filme supostamente machista. Se o filme se
    absteve de aprofundar mais a história dessa menina, não lhes ocorreu que talvez
    tenha sido justamente pra conferir a ela uma certa aura de mistério, captar o
    carisma do público pela figura da “doce menina estranha e
    desconhecida”? Mas NAAAO.. é porque ela é mulher, e a mulher é um lixo
    insignificante pra quem ninguém liga os detalhes da história. Certo.

    Ah, mas o problema é esse.. ele é um homem. Eu
    tinha esquecido. Sendo mulher, não se pode fazer bem a um homem. Ele é o
    “inimigo” né. Se fosse uma amiga ou outra companheira que ela tivesse
    ajudado a amadurecer, a evoluir, aí não teria nenhum problema. Mas como foi um
    cara, aí vira machismo. Afinal de contas, o fanatismo míope impede de enxergar
    aqui a simplicidade de uma história de amor onde um SER HUMANO muda a vida de outro
    SER HUMANO, e em lugar disso quer fantasiar apenas a história de opressão onde
    uma mulher é “usada” pra mudar a vida de um homem.

    Na boa, só uma expressão define esse texto..
    complexo de inferioridade.

    Sem mais.

    • Antigona

      Você não leu o texto com atenção:

      “O teste não mede a qualidade nem o “feminismo” de um filme. O fato de um filme passar no teste não quer dizer que seja feminista, politicamente correto, ou mesmo bom. O fato de não passar não quer dizer que seja machista, ou ruim.

      O problema não são esses filmes individualmente. O problema é a gigantesca maioria dos filmes serem assim.”

  • Alice

    Achei incrível o texto, só não entendi porque o filme Bonequinha de Luxo está na lista. No final, é a protagonista quem sofre uma mudança, causada pelo mocinho. Sabe-se mais do passado da Holly do que sobre o passado do Paul. Eu diria que nesse caso, o homem funciona como o catalisador!!

    • Angélica

      Pensei a mesma coisa. Embora Holly seja uma menina sonhadora feliz e cabeça-de-vento, o enredo é todo sobre ela, mostra que ela é mais que isso.

      • Júlia Chartouni Rodrigues

        Sim, também pensei a mesma coisa! Faz sentido até aplicar a análise para o livro, mas para o filme, não…

  • Renata Aquino

    Rapaz autor deste texto, te admiro imensamente.

  • Luca Pilares

    Todas as comédias românticas são feitas para mulheres. Acho justo que alguns filmes sejam feitos para um público masculino e outros para um público feminino, já que a forma de pensar dos gêneros aparenta ser diferente…

    • Antigona

      O problema é que a maioria dessas comédias românticas também NÃO passam no teste!

  • Felipe

    Bem, n vi a Rede Social, mas imaginando q gira em torno de uma história real e o criador foi um homem, n vejo pq é relevante ele passar nesse teste.

  • Jordana

    “Pronta para Amar” é um filme bem enaltecedor dessa mulher do novo século!! Vale a pena assistir…

  • Andrea Riccio

    legal. ou seja… basicamente, o cinema contemporâneo (e a arte como um todo, mas o foco do texto é claramente cinematográfico) é construído em torno do velho chavão: “por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”? em outras palavras, desde sempre essa imagem da maior importância do homem ante a mulher e da mulher como um mero objeto de evolução masculina prevalece, ainda que entuxada sem que percebamos? awesome.

  • mau diniz

    É triste o machismo do mundo, com seus preconceitos e dogmas, seguidos e ensinados sem nem mesmo serem notados, geração após geração.

  • meg

    assisti recentemente, Lola Versus. Muito bom, pois mostra a evoluçao da Lola nesses aspectos. Boa reflexao sobre o assunto. Tb gosto muito de Sex and the city (a serie, os filmes nao) pq tb mostra o ponto de vista das personagens e a evoluçao delas.

  • Arjuna

    Acho um tanto injusto citarem guerra nas estrelas quando mais da metade do elenco ou é feito de lata ou são alienígenas peludos que sequer conseguem manter um diálogo inteligível.

    • Ana Carolina

      Tem 2 mulheres, peludas ou de lata, que ficam na mesma cena por 2 segundos?

  • joao

    E 100% das novelas tem como publico alvo as mulheres, assim como 90% da programaçao da globo.

  • http://www.facebook.com/YurinNenduziak Yu Nenduziak

    Bem, não discordo da matéria, porém acho que as vezes o filme aborda a visão do personagem masculino, talvez não mostre tanto da mulher pois mostra como o cara vê as coisas.
    Mas enfim, muito boa matéria, parabéns!

  • Nirav Bodhi

    Filme bacana: The orgasm diaries

  • Jac Peruzzo

    Texto excelente! Abriu meus olhos!

  • Manoela Cavalcanti

    concordo demais ctg!

  • Vanessa

    Estava pensando, e talvez “P.S. Eu te amo” passe no teste, pois ele morre no inicio do filme e a partir dai mostra ela amadurecendo. Nunca tinha visto nada sobre essa ideia, por isso posso estar errada. Eu ainda estou pasma com isso, e acho q muita gente só se tocou disso agora tambem. Otimo!

  • Anonimo

    Perai… é serio? então os que trabalhamos com arte temos que nos amoldar a algúm tipo de padrão ISO cultural ou de género? isso vai fazer do filme algo bom… ou simplesmente políticamente correto?

  • Anonimo2

    Nem a moça do video acima, nem “thievery corporation” passam no teste Bechdel! 0_0

  • http://about.me/guiemi Guilherme Teixeira

    Tô digerindo as informações do texto com calma.

    Mas só um parêntese, pessoal: o filme O Senhor dos Anéis, que é baseado em três livros escritos por um católico na década de 30-40, e que se ambienta na fantástica Terra-média, cenário claramente inspirado nos moldes sociais medievais europeus, obviamente não passa no teste mesmo.

    Seria incoerente para o enredo se passasse, inclusive. Infelizmente, né, mas é a real. Abraços, gente.

    • Thalles

      Também pensei que o filme seria ruim se passasse. Qual a lógica de uma idade média com feministas? ( e vivas ainda)

  • Emanuele Lange

    Eu não acho que “Quase Famosos” se enquadre na sonhadora cabeça de vento.
    No inicio a personagem feminina tem sim aquela caracteristica leve/desencanada/encantadora/descolada irreal. Mas ao longo do filme mostra que essa atitude leva ela a ser tratado como um objeto, um premio a ser apostado numa mesa de poker e a narrativa evolui com ela deixando pra trás uma relação destrutiva em busca do seus verdadeiros desejos (representado por Marrocos).
    Existe também a irmã, que tem diversos dialogos com a mãe sobre assuntos que não envolvem homens, e sim liberdade e independencia e apesar de sua participação no filme ser pequena, no final ela deixa claro que ter seguido o seu próprio caminho e buscado a independencia foi a melhor escolha.

  • Lia

    Alguém já viu “Minha vida sem mim”????

  • Pingback: Como se sente uma mulher | Me Amarro

  • Johnny

    Bom, poderíamos dizer então que a mulher é como o Deus Cristão, que faz com que quem interage com ele cresça? Que o homem então é falho por si só, e precisa da mulher para evoluir e virar gente, enquanto a mulher é perfeita do jeito que é? Creio que esse é um oturo ângulo para se observar. Mas realmente, a maioria dos escritores não têm criatividade o suficiente para criar uma personagem feminina de verdade ;(

  • Isabelle

    Não vou falar dos outros mas, Bonequinha de Luxo, definitivamente não é um filme machista. Talvez, somente, numa leitura superficial de seu conteúdo. A começar pelo nome do filme: Cafe da manha na Tiffany’s, e não Bonequinha de luxo…. Holly Golightly, é uma personagem marcada por uma história pessoal trágica, de miséria, abuso e sofrimento. Diante desta realidade ela resolve viver a fantasia de ser uma mulher refinada, da cidade grande, somente que para isso ela precisa se prostituir, exatamente por não haver oportunidades para ela, em sua simplicidade e falta de cultura, de inserção na verdadeira vida de luxo e riqueza da sociedade novaiorquina. Fica evidente no filme o quanto ela finge pra si mesma ser alguém que não é…a cena inicial do filme mostra Holly sonhando na frente da vitrine da Tiffany’s, após uma noite de trabalho, uma loja de joias luxuosas, resta óbvio também o quão distante ela estava daquela realidade sonhada!! Ela vive na fantasia para encarar a dureza da vida que leva, como se essa fosse a única forma possível para ela conseguir enfrentar seu cotidiano, que é de uma prostituta, que sonha em ser resgatada por um homem rico e viver seu sonho. Ocorre que o filme mostra exatamente o contrário, o personagem percebe que sua realização está longe daquela fantasia, ela prefere viver com o homem que descobriu amar….ele, o personagem masculino , no filme, é um gigolo sustentado por uma amante, incapaz de se sustentar sozinho, diferentemente de Holly, e é ela, e não ele que provoca a mudança do parceiro, ela o resgata da fantasia de viver achando que passaria o resto da vida sonhando em ser escritor, vendendo, ele também , serviços sexuais pra uma mulher!! Acho muito superficial analisar este filme como machista, porque Holly não é uma menina felizcabeçadevento, longe disto, ela usa deste ardil pra encarar seu cotidiano, e acaba mudando a vida do homem, ela é densa, é forte, é inspiradora pra ele, ela É A PROFUNDIDADE DO FILME. Acha-la cabeça de vento é fruto de uma análise muito rasteira do filme. Isso sem falar no livro, onde Capote descreve-a como personagem com muito mais nuances, e eventualmente, ainda mais intensa!

  • Bruno Müller

    Quem qualificou Noivo Neurótico, Noiva Nervosa como “A menina sonhadora feliz cabeça-de-vento” não entendeu patavina desse filme. Toda a história gira em torno justamente de uma mulher do interior que se envolve com um homem intelectualmente sofisticado, AMADURECE, e supera as neuroses da relação entre os dois, buscando uma vida que seja satisfatória para SI MESMA, e não uma mera extensão dos gostos e pensamentos do parceiro. No fim eles se separam, ele permanece estagnado com um intelectual de classe média resmungão (“incapaz de aproveitar a vida”, como diz a protagonista Annie Hall), enquanto ela muda de vida, se transforma e segue uma forma vida que lhe parece mais apropriada. No início do filme ela está perdida, no fim é uma pessoa madura e segura de si. Já ele é um personagem constante. Arruinou três relacionamentos com as suas neuroses, medos e paranoias, e mesmo assim elas o impedem de mudar, e o único otimismo que ele consegue extrair no final do filme é que nós temos que aproveitar aquilo que é bom dos relacionamentos, enquanto eles duram,

  • yolanda

    Qd assisti ao filme achei tão doce. A música, a fotografia, além da história dos personagens. Mt obrigada, Alex, por ter me ajudado a enxergar esses aspectos – vou ver esses filmes com a criticidade mais aguçada.

  • Daniel

    Se um filme for feito pra atender determinados pre-requisitos como ter diálogos entre mulheres só pra não ser chamado de machista perderia a liberdade poética pra ser politicamente correto.
    O Senhor dos anéis por exemplo não passa no teste sugerido mas tem a personagem da Ewen que luta contra o esteriótipo de mulher indefesa e parte para a guerra pra defender seu povo. O que quero dizer é : ela é uma personagem feminina que não é relegada a um papel esteriotipado . As vezes o filme tem uma história e personagens que transcendem a sexualidade e trazem questões universais. Alien por sua vez tem uma protagonista mulher e não é um filme sobre mulheres e para mulheres, é um suspense e terror com uma personagem forte

  • Naty Maria

    Por isso eu amo Titanic. É muito dramático, muito melado. Mas passa no teste, mais de uma vez. E mostra a história da transformação de uma mulher. Ela é a personagem principal do filme. Nem dá pra questionar isso. Amo e a cada dia tenho mil motivos para aumentar esse amor..

    =]

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  • Larissa Braga

    Tem um filme de temática muito similar com a Dakota Fanning chamado Now is Good, em que a paciente com câncer evolui emocionalmente. E sofre, e fica feia, e se revolta… mas tudo com motivo. Sugiro uma comparação entre as duas obras. Adorei a crítica!

  • momo

    É muito complicado achar um filme que passe no teste, pelo menos pra mim. Mas depois de alguns minutos me peguei pensando na trilogia jogos vorazes (livro). Sei que é uma série adolescente e segue bastante os clichês voltados para essa idade, e as meninas fúteis também adoram, mas na teoria passaria no teste. Existem mais de duas personagens, elas conversam entre si, nem todos assuntos são sobre homens (apenas alguns).

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  • Ana Carolina

    Pois é, mas o que me dá um nó no cérebro é que eu não acho que esses filmes sejam feitos para homens. Nó estamos falando de romancezinhos, do tipo que, se os homens gostam, eles não admitem. =P Eu lembro de um monte de meninas achando liiiiiindo Um Amor Para Recordar, e mesmo essa capa (bonita, admito)… Eu acho que o filme está mirando no público feminino.

    Não estamos falando de comédias românticas, estamos falando daqueles filmes sobre um casal, que a sua amiga fala que chorou muito vendo. Que pode até se enquadrar em comédia romântica, mas tem esse elemento lencinho a mais.

    Então a minha pergunta/dúvida/espanto/desespero é: (por que) essa história sobre uma menina linda, esquisita e perfeita que conquista em um instante o coração de um menino problemático e faz ele entender o sentido da vida/se soltar/largar o crack/passar de ano faz sucesso com as meninas?

  • Tati

    Excelente texto! Já saí muitas vezes irritada do cinema. Essas expressões culturais se naturalizam tanto que muitas vezes se tornam invisíveis e você tem que explicar porque certos comportamentos e falas são sexistas…

  • Kássia Santos

    Pensei neste filme.

  • Lorena Alves

    Ótimo texto. Eu tou querendo escrever um livro e vi que realmente, a minha protagonista estava muito cabeça-de-vento. De repente se eu mudá-la e ela seja uma criatura diferente ela consiga enriquecer mais a história.
    Obrigada pela dica!

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  • Luana

    Me sento da mesma forma.

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  • Carol

    Uma dúvida: sempre achei que esse tipo de menina, que realmente aparece em MUITOS filmes, era algum tipo de modelo livre e independente contrário à repressão social que as meninas sofrem…realmente um modelo a ser seguido por outras meninas…nunca tinha pensado por esse ponto de vista, narrativo, q mostra a personagem feminina muitas vezes como secundária, presente apenas para mudar o homem…….e q esse papel representa um tipo de ideal para o público masculino…meninas livre, linda, solta, sem grande peso emocional pro personagem, aberta etc………não seria uma interpretação correta pensar q nessas narrativas a mulher aparece como um ser mais evoluído e maduro, mais forte etc, e não seria uma coisa boa que o homem aprenda com ela (e nao seja ele a ditar as regras):::: Enfim, continuo enxergando o machismo do ponto de vista narrativo, pelos motivos citados e pq realmente homens são normalmente os personagens principais, mas fiquei com essa dúvida….. aguado opiniões de voces….abs!

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