A felicidade está em descobrir o que você já tem

Leo Babauta

por
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Quando eu decidi transformar a infelicidade com a minha vida em felicidade, há cerca de 7 anos, eu tinha algumas ideias sobre como iria fazer isso.

Eu ia acabar com as minhas dívidas e perder peso e arranjar um emprego melhor e organizar minha casa e entrar em forma e me tornar produtivo e escrever um livro.

E eu acabei fazendo mesmo todas essas coisas, e muitas outras. Foi ótimo. Elas mudaram a minha vida, e eu sou bem feliz agora.

Só que não foram essas coisas que me trouxeram a felicidade.

O que eu descobri é que eu já tinha tudo que eu precisava para ter felicidade, mas isso estava enterrado debaixo das minhas inseguranças, meu descontentamento com a vida e o meu desprezo por mim e pelo meu corpo. Eu já tinha tudo, mas esse “tudo” estava soterrado.

Você também tem tudo que precisa para ser feliz, agora mesmo. Não precisa mudar nada a seu respeito ou a respeito da sua vida. Só precisa enxergar o que já está aí.

Deixe-me mostrar o que eu descobri sobre mim mesmo, e como eu me tornei feliz.

"Faça da felicidade um hábito"

Mudando a minha vida

Quando eu decidi ser feliz, eu queria mudar a minha vida. Eu tinha uma vida ideal que queria criar, e achava que se eu criasse aquela vida eu seria feliz.

É tudo fantasia. Nós todos fazemos isso: nós fantasiamos o tempo todo com um parceiro ideal, os filhos ideais, o trabalho ideal, a casa, o carro, o computador, as roupas, as viagens, os móveis, a TV e, claro, o corpo. Se tivermos todas essas coisas ideais, esta fantasia perfeita, seremos felizes, certo?

Não. Porque, em primeiro lugar, a fantasia não tem como se tornar real. Nós podemos acreditar que estamos realizando tudo, mas a realidade nunca vai se comparar à fantasia.

Por exemplo, eu sei disso porque, ao organizar a minha casa em uma filosofia minimalista, isso não me deu automaticamente um senso de satisfação. Eu precisei aprender isso separadamente.

Mas me organizar me ensinou muito: eu aprendi por que eu não jogava coisas fora – por medo –, e também que o medo não tinha fundamento. Eu aprendi que podia ficar bem mesmo sem toda aquela falsa segurança, e que já era forte o bastante para viver a vida sem um monte de coisas desnecessárias.

Eu ainda recomendo às pessoas que simplifiquem suas vidas, mas não por causa da fantasia que você pensa que vai criar, mas simplesmente porque você acaba aprendendo coisas sobre você mesmo quando faz isso.

Quando eu perdi peso, continuei infeliz com o meu corpo. Ele ainda não era perfeito. E vamos ser honestos: ele nunca será perfeito, no sentido de se equiparar à fantasia das capas masculinas de revistas. Eu nunca vou chegar nessa fantasia.

Por outro lado, perder peso me ensinou que eu poderia curtir me exercitar e ter uma alimentação mais saudável. Eu aprendi que essas coisas não eram tão assustadoras quanto eu pensava, e que eu não precisava usar a comida como uma muleta em momentos de stress, medo, solidão e tédio.

Eu enxerguei essas verdade em todas as áreas da minha fantasia: aprendi que me esforçar pela minha fantasia nunca iria funcionar, que eu nunca “chegaria lá”, e que mesmo que eu chegasse perto, eu não estaria feliz. Mas aprendi no caminho que eu não precisava da minha antiga bagagem, e que tudo que eu precisava para ser feliz já estava em minha posse.

O que você precisa para ser feliz

E então, o que te faz feliz? O que você precisa para ter felicidade?

Você pode se esforçar o quanto quiser para ser feliz com coisas externas: casa, carro, uma companhia amorosa, comida, drogas, compras. Mas essas coisas não te tornam feliz, ao menos não por muito tempo, e quando elas não te dão uma felicidade contínua, você precisa continuar em busca de mais. A sua felicidade sempre vai depender dos caprichos dessas condições e pessoas externas.

Você também pode encontrar a felicidade interna. Pode aprender que você tem coisas incríveis aí dentro, que são bonitas se você aprender a aceitá-las pelo que são – sem tentar compará-las com alguma fantasia. Pode aprender que a vida é sempre incrível, do jeito que é, sem fantasias. Pelo fato dessa felicidade ser interna, você não se sujeita a perdê-la porque algumas pessoas não estão de bom humor ou porque eventos externos tiraram do lugar a sua fonte de alegria.

Isso significa jogar fora todas as fantasias, uma por uma. Significa olhar para dentro e aprender a estar OK com o que você vê.

Não é um processo que ocorre do dia para a noite, mas tudo de incrível já está dentro de você. Não precisa de fantasia nenhuma.

Texto originalmente publicado no site ZenHabits

Leo Babauta

Sou casado, tenho seis filhos, moro em San Francisco. Escrevo, corro e sou vegano. Criei e escrevo no site ZenHabits.net. Aqui está a Minha História.


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  • http://www.estrategistas.com/ Paulo R. Ribeiro

    Leo Babauta é o cara. Zen Habits é um de meus sites favoritos.

    • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

      Concordo :)

  • Juliano Batista

    Ótimo texto, parece até que o autor é budista, pois os budistas compartilham esta filosofia de felicidade interna :]

  • Nélio Oliveira

    Olá! Gostei muito do que li, neste texto e no seu site. Quem traduz seus textos pro PdH?

    • Nélio Oliveira

      Aliás, gostei tanto do que li que acabei de comprar seu livro (em português, “Quanto Menos, Melhor – Concentre-se no Essencial e Livre-se do Estresse”, um título quase estressante de tão longo… rs…).

    • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

      Neste caso, a tradução foi minha. Está a contento?

      • Nélio Oliveira

        Rapaz, quisera eu saber inglês ao ponto de opinar quanto à qualidade da tradução… rs… Pra mim o texto tá ótimo!

        Eu leio bem em inglês (quase todo mundo que gosta de quadrinhos acaba aprendendo, ainda que “na marra”), falo até bem e escrevo marromeno.

        Só uma pergunta: você vai repassar os comentários pra ele? Vai dar um trabalhão, hein?

      • http://www.facebook.com/fabiobracht Fabio Bracht

        Haha, nem se eu quisesse. Realmente, seria impossível.

        E a proposta aqui nem é essa. Queremos apenas oferecer as palavras dele aos leitores, porque julgamos que se alinham com o que a gente acredita, e dar a vocês a oportunidade de discutirem elas aqui nesse espaço. :)

  • Daniel Monteiro

    É tão verdade, que muitos ricos são pobres no único lugar onde se pode ser livre, no inconsciente do ser.Pobre de alma, pobres de qualidade de vida, são estressados..Vão ser as pessoas mais ricas de um cemitério.

    • Francisco

      Augusto Cury detected!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100003736155299 João Paulo Machado

    Leo Babauta no PDH? TOTAL WIN!

  • ?!

    Que bom que ele conseguiu transformar sua vida. Mas acho que se engana quando diz que não ele não precisa de “fantasia” nenhuma. Uma “fantasia” minimalista não deixa de ser uma “fantasia”. Aliás, os objetivos não são delírios fantásticos. Por exemplo, ele cita a “fantasia” do corpo da capa de revista e diz que ela é impossível. Tirando o “photoshop”, é óbvio que é possível, quem figura a capa comprova que é possível. A questão central é: realmente preciso disso? É realmente importante para mim? Ele conseguiu achar o que era importante para ele sem precisar chegar ao corpo de capa de revista: exercitar-se, comer bem. Da mesma forma que a falta de móveis o ensinou organização, mas será que o importante é o minimalismo ou a organização? O que me choca é a frase: “Eu precisei aprender isso separadamente” (o senso de satisfação da decoração minimalista). Desculpe-me, mas acho que se primeiro você tenta o minimalismo e depois aprende a gostar dele é como se amoldar a uma doutrina. É vestir uma “fantasia” minimalista sem percebê-la, acreditando que ela é o mais próximo do “natural”. Aliás, uma percepção minha (talvez muito equivocada, corrijam o quanto quiserem) é que essa onda minimalista-zen prega o “menos”, “o mais natural / essencial” sem problematizar direito em que casos são necessários. Tudo se aplica ao “menos”, “o mais natural / essencial”. Parece até um contraponto bobo só para marcar distinção perante o mundo moderno frenético e consumista. Quem quer tanto o “menos” pode abdicar da própria vida (num mosteiro ou em suicídio). A morte também é “natural”.

    • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

      Acho que a questão não é ser minimalista no sentido de se desfazer de tudo propositalmente, mas sim no sentido de se desfazer daquilo que não precisamos. Não acumular bagulhada e etc. É claro que ninguém precisa chegar na paranóia de Steve Jobs e deixar a casa sem móveis pela mania da perfeição minimalista estética.

      Não acho que querer menos signifique que a pessoa tenha que se matar ou ir para um mosteiro virar monge. Podemos fazer isso no dia-a-dia, de forma saudável. Não está sendo pregada uma idéia doutrinadora, aliás, não está sendo pregado nada. Acho a tendência acumulativa e de desejar coisas infinitamente e nunca estar satisfeito com nada algo que nos desvia realmente do foco que é a satisfação, de realizar aquilo que realmente queremos e não o que somos pressionados a fazer por status ou coisas do tipo, ou mesmo apego.

      • ?!

        Felipe, evitar excessos é necessário em diversas ocasiões. Nisso concordo com você. Só acho que falta ver que o que distingue o minimalismo do bom senso é que ele quer que reinterpretemos a nossa vida em direção ao “menos”. Ele simplesmente dá valor ao “menos”. Assim, fora de contexto, como objetivo de vida. Para você ver a total maluquice de valores, veja mais essa frase do
        http://mnmlist.com/minimalist-faqs/

        “However, I have decided it would be most unethical for me to throw out my children, just because I now believe in downsizing. It was a tough decision, but I’m sticking by it.”

        Oh, Really? Foi uma decisão difícil entre manter os seis filhos que ele já tinha ou manter-se fiel ao conceito do minimalismo? Sério que o cara pensou por algum segundo em abandonar seus filhos porque supostamente uma prole numerosa não condiz com o minimalismo?

      • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

        haha Realmente, isso aí foi absurdo, né.
        Mas vc não devia desprezar o minimalismo só por causa de absurdos como esse. Absurdos existem em quaisquer áreas que vc for pesquisar pelo mundo afora. O minimalismo, em si, pode ser comparado à ciência, no sentido de que é um método válido mas que pode ser usado tanto insana quanto saibamente.

  • http://twitter.com/BrisaFeliz Fernanda Magalhães

    Olha quem encontro numa tarde de domingo, aqui, no PdH: Leo Babauta!
    Uma das mentes mais inteligentes e admiráveis que conheço, aqui, no mundo virtual.

    Simples e direto como no “Pequeno guia para a vida” no qual, ele sugere que simplifiquemos nossas vidas.

    Ótimo texto, me acrescentou muito.

    Abs.

  • José

    Obrigado.
    Eu simplesmente precisava ler isso.
    Eu passo por um momento assim, simplesmente, estou simplificando minha vida. Mas quem disse que é fácil?, estou encarando meus medos, desafiando meu ego, minhas inseguranças, tentando perdoar meus erros, vendo tudo que deixei passar, sentindo raiva, frustração… Mas no meio disso tudo, está nascendo um grade homem com sentimentos nobres.
    Só gostaria de dizer obrigado por ter me ajudado, hoje, a ver que realmente estou no caminho certo. Cada dia eu avanço, seja como for, estou a aprender, nas suas palavras, como é “estar OK com o que sou”.

    • Klaiton Pereira

      Estou passando exatamento pelo mesmo man!

  • Kleber

    Cara, sinceramente seu texto traz um tom de depressão e uma grande parte de fracasso. Vc deseja uma coisa faça, se vc qr pegue, se não qr manda se fuder, meu vc consegue oq quiser. Eu sempre faço o q penso e oq quero, os meus ideais sempre existirão e eu sempre vou continuar a conquista-los. É uma questão de disciplina.

  • http://www.twitter.com/quelmt Raquel

    Cara… a vida não é sempre incrível. tem seus momentos bons, maravilhosos, ruins, péssimos e mais ou menos e… ponto. Não nascemos só para sermos ou nos sentirmos felizes a maior parte do tempo.

    • Lucas Bosco

      Fale por você, porque eu nasci para ser feliz a maior parte do tempo, sim.

    • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

      Acho que vc está pensando em felicidade no sentido mais usual no Ocidente, que é o mesmo de ter prazer. Realmente isso não pode acontecer o tempo todo, está certíssima. Mas a questão acho que é que na nomenclatura oriental, cuja base aqui é o Zen, felicidade é mais como um estado subjetivo fundamental, na base de todos os outros, até das emoções negativas. Tem um video do monge Matthieu Ricard no TED em que ele explica bem isso aí.

      Inclusive, cientistas já fizeram uns experimentos sensacionais com ele, provando essa coisa da felicidade…ele é chamado de o homem mais feliz do mundo. http://www.nerdworkingbr.blogspot.com.br/2012/07/uma-longa-experiencia-em-meditacao-pode.html

      • http://www.twitter.com/quelmt Raquel

        Oi Felipe! Sim, você está certo. Estou pensando em felicidade nesse sentido mais usual, mais hedonista. Acho que no ocidente esse tipo de “felicidade como estado subjetivo fundamental” seria mais conhecido como plenitude para nós. Valeu pelo link e parabéns pelo blog, gostei do texto. Só desconfio que esse interesse ocidental pela meditação vem antes dos beatles… só explodiu com os beatles porque… beatles são beatles né? haha! Procurarei ver o vídeo do monge! valeu!

      • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

        De nada, Raquel!

        Bom, com certeza antes dos Beatles já devia ter gente por aqui falando de meditação, mas o verdadeiro “bum” veio nessa época mesmo. Tanto é que até o Steve Jobs embarcou nessa. Inclusive, tem uma revista em quadrinhos chamada O Zen de Steve Jobs, que fala sobre o período em que ele foi discípulo de um mestre zen nos EUA. Comprei a revista, pretendo escrever uma resenha sobre depois que ler. Fica ligada que vou postar no blog hehe

      • http://www.twitter.com/quelmt Raquel

        Hey, vi a palestra do monge. Sensacional! Valeu pela dica! :) segue o link caso alguém ainda passa por aqui:

        http://www.youtube.com/watch?v=8gutp4_c3V8&feature=relmfu

  • Eduardo

    Oi Leo!
    Tive um problema que resultou num estranho problema: envelheci uns 15 anos em 1 ano. Com quase 40, tinha cara de 25 e de repente pareço ter 50. Não é fácil. Receber na cara que tá velho é duro viu. Sempre li o seu zenhabits e posso dizer que sempre fui um, é meio clichê mas va lá: cara legal. Mas o fato é que perdi o gosto por tudo. Perdi até a minha namorada. Tento racionalizar mas as rugas no espelho não estão deixando. Meu foco é nelas, é impressionante, quase uma obsessão. Nem terapia ajudou. Até meus livros favoritos de budismo (adoto como filosofia de vida) agora parecem banais. Espero melhorar, mas que tá difícil tá viu.
    Abs.

    • Caroline Souza Emilio

      A cara não pode ficar assim, envelhecer faz parte da vida…as rugas significam experiência de vida e não velhice propriamente dita…

  • Leonardo

    Q bosta… papo de fracassado!

  • esaigh

    Só de ter 6 filhos já merece uma medalha. O texto é só uma constatação da grandiosidade desse cabra. Tá de parabéns!

  • everton maciel

    mais um budista de apartamento

    • http://twitter.com/Edubds Eduardo Baiano

      Que comentário infeliz, Everton. ¬_¬

    • Braulio Langer Fernandes

      O que seria um budista de apartamento? =p

      • Nélio Oliveira

        E mais importante que isso: essa fotinha dele é ele mesmo ou o Reinaldo Azevedo?

  • http://twitter.com/Edubds Eduardo Baiano

    Muuuuito bacana. Lendo esse texto em plena segunda-feira pós-feriado. E nesse feriado em que fiquei quase 100% do tempo o que em casa, fiz mais ou menos esuansas mesmas decisões. Decidi ser feliz com o que eu sou. Com o que eu tenho. Com o meu hoje. E quanto, a fantasia, tem que existir sim, contanto que você não adie a sua vida por causa delas, como eu costumava fazer. Aquela velha história de “minha vida vai começar quando eu estiver em emprego tal, morando em tal lugar, dirigindo carro tal…” Chega a ser cansativo pensar assim!!

  • Raul Rafael Aureliano Antunes

    Gostei da frase final…
    “Não é um processo que ocorre do dia para a noite, mas tudo de incrível já está dentro de você. Não precisa de fantasia nenhuma.”

    O resto, é muito Zen…

  • Juliana Soares

    Maravilha de texto!
    É por aí mesmo, e quando vejo os comentários desqualificantes percebo que é um caminho ainda difícil, para todos nós, mas é o caminho. E é escolha.

  • http://www.facebook.com/leonardo.dominiscki Leonardo Dominiscki

    Eu gosto do processo de busca dessas ‘fantasias’

  • http://www.facebook.com/people/Isa-Belli/1584206490 Isa Belli

    A-mei. Parabéns, Leo!!!

  • http://alinenardi.com/ Aline Nardi

    Seu texto é muito bacana. Eu comecei a ler os comentários, mas decidi manter a leitura do texto como principal influência para meu primeiro comentário.
    Obviamente, se eu chego com uma puta bagagem intelectual vou desmoralizar seu textinho de autoajuda. Infelizmente o conhecimento em excesso embaça nossa visão, então conseguir captar a essência fica difícil pra muitas pessoas. Creio que a isso também se dê a questão “essa tal felicidade”, falar dela soa autoajuda e nós, seres egoístas e inteligentes, não lemos autoajuda!
    Não há como generalizar, mas pra mim, – pra mim mesmo, pra minha pessoa – ser feliz é estar satisfeita, leve, em paz.
    Ter tomado finalmente uma decisão depois de dias de indecisão, é felicidade. Passar um tempo com meus filhos depois de um dia cheio, ainda que por uma horinha de pipocas, tevê e bate-papo, é felicidade. Me deleitar com o rosto de meus convidados, quando provam um prato feito por mim, é felicidade. Sair de vestido num dia quente, olha só que coisa simples, é felicidade.
    Felicidade é relativa, é seu particular, aquilo que mexe contigo, não é possível generalizá-la. Ouso dizer que estamos na época das não generalizações, mas isso seria outro artigo.
    Essa essência do teu texto é ótima. Aquilo que te faz feliz não necessariamente é o que me faz feliz, mas tudo bem, que bom, que coisa mais feliz ser um ser humano, ter a capacidade de analisar e refletir sobre minhas próprias ideias, opiniões e ações, ser capaz de repensar, ponderar e decidir retroceder em algumas coisas, avançar em outras, me perdoar, perdoar aos outros, conseguir falar o que estou sentindo num dado momento, conseguir expressar melhor e estar bem com isso.
    Acho que todos buscamos a felicidade principalmente na autenticidade, não exatamente no natural ou minimalista – porque eles são só rótulos, sei, autenticidade é um também, mas são palavras pequenas demais pra tanto significado.
    Imprimindo uma experiência pessoal aqui, eu faço terapia há 7 meses. Estou num tipo de renascimento, reencontrando minha essência, minha voz na minha arte, minha voz enquanto pessoa, meu eu em cada coisa. A gente simplesmente se perde no meio do caminho. Caminhar, agir, viver sem viver de fato, são coisas importantes, mas menores do que pensar, refletir, analisar, ponderar e agir motivados por decisões centradas, sérias, mesmo erradas, mas reflexionadas.
    Como sou sonhadora: I have a dream… rs. Sonho mesmo que um dia poderemos dizer de nós mesmos, enquanto sociedade, sermos formados de ‘gente fina, elegante e sincera’.

  • http://www.facebook.com/raperroni Rafael Augusto Perroni

    Cara, tem uns comentários que me deixam pasmo com a ignorância dos caras.

  • João Gavazzi

    Quem joga para a plateia dificilmente ganha, acho que
    o importante mesmo é levantar um dia de manhã e perceber que você não está
    encenando para ninguém, você para automaticamente de se esforçar para
    impressionar os outros.

    Se você não se sentir grato de despertar todo o dia
    de manhã, talvez algo esteja errado. E se mesmo assim ainda não se convenceu que
    você não tem muitos problemas e deve se manter firme, olhe para os lados, de
    repente procure uma ONG que faça visita a asilos, orfanatos e hospitais psiquiátricos
    e veja realmente quem deveria se preocupar com os problemas.

    A vida passa rápido de mais para se preocupar se eu
    vou ter dinheiro ou não para trocar de carro no final de ano.

    Às vezes você pergunta para alguém qual é o seu
    objetivo, algumas querem viajar, outras quem dinheiro, outras carros novos,
    outros querem virar empresários de sucesso para poder ter tudo isso junto (nada
    contra isso), dificilmente você pega uma resposta como quero ter uma empresa para
    gerar renda e oportunidades para as pessoas, dificilmente as pessoas pensam nas
    outras ou tentam ser generosas ou mesmo tentam entender um novo ponto de vista
    como o sugerido por esse texto sem um desconforto porque vai contra as suas próprias
    convicções na qual tem a certeza de serem a verdadeira.

    Uma vez eu aprendi um exercício muito interessante,
    chama-se “Valeu a pena”. Ele consiste no seguinte, em algum momento estaremos a
    alguns minutos de nossa morte (todos vão passar por isso), e nesses minutos se
    você pudesse saber que seriam eles, você olha para trás e se pergunta valeu a
    pena?

    Temos que aproveitar enquanto existe tempo para mudar
    a resposta dessa pergunta.

    Talvez vala a pena quantas pessoas você não deixou
    dormir com frio utilizando o dinheiro daquela preciosa 10º blusa da Lacoste que
    você queria tanto para comprar alguns
    cobertores.

    Abraços.

    • Nélio Oliveira

      Meu amigo, esse exercício que você sugere é muito interessante, e nessa linha eu gostaria que você visse este vídeo:
      http://www.youtube.com/watch?v=FdyLpmZxaik.

      Depois que vi esse vídeo eu repensei MUITAS coisas sobre minha existência. ;)

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100000462006489 Ana Beatriz Agra

    A felicidade é um estado de espírito, nunca é plena e constante. A busca por ela nos instiga a melhorar e com o passar do tempo ir vendo que muitas fantasias podem iludir mais que ajudar.

  • generic bullshit reader

    não percam semana que vem quando o mesmo cara que falou pra vc largar suas fantasias mandar vc nunca desistir dos seus sonhos. zzzzzzzzz…

    • Kleber

      hahaha, mano o texto é totalmente de fracassado!!

  • Pingback: Ter ou não ter, eis a questão - Textos Mensagens Reflexões

  • http://www.facebook.com/pedroturambar Pedro Américo

    Interessante como as coisas acontecem.

    Assim como várias pessoas insatisfeitas – no meu caso é muito mais uma preocupação séria sobre saúde – eu já comecei e parei oito milhões de vezes toda essa história de ter uma vida mais… humm… legal.

    Comecei mais uma dessas hoje. Moro há quase 3 anos num prédio que tem uma academia muito bem equipada. Dos quase 1100 dias que estive aqui, fui umas 7 vezes nessa academia. Contando com hoje….

    (acho inclusive que isso daria um texto)

    De qualquer forma, estou começando de novo. E ler esse texto exatamente hoje, fez diferença para mim. Assim como assistir ao emocionante vídeo que o @NelioOliveira:disqus postou. Esse é daqueles textos que qualquer dia eu pensaria “Cara, você tá falando algo que todo mundo sabe… a fórmula é por aí mesmo, mas é difícil fazer”.

    Mas não hoje. Quando estamos nessa fase de recomeçar pela milésima vez, a primeira coisa que vemos logo ali na frente é mais um óbvio fracasso. E é nessa fase mais vulnerável que precisamos de apoio. E hoje tive isso em dose dupla aqui.

    Obrigado PdH! =)

  • Anna

    Comentário de gente que nunca ouviu falar no Leo Babauta e no que ele representa para o minimalismo a nível mundial. tsc, tsc. Gostei da tradução, mas acredito que ele tenha textos que se encaixem melhor no contexto do PDH, até porque uma parcela do público é meio receosa e acha isso de busca pela felicidade “uma bichisse”.

  • Maucir Nascimento

    Muito bom esse texto. Peço permissão para usá-lo no meu blog e – obviamente – lhe dar os créditos pela criação do mesmo.

  • Flávio

    Me lembrou o conceito do “Amor Fati” em Nietzsche, do qual sou grande fã e seguidor. (interpretado de uma maneira eu-centrada e baseada na ação e não na passividade)

  • Villa

    Cara, gostei do texto mas em alguns momentos parece que você é do tipo “Não vou conseguir e vou contentar-me com o que tenho”. Pra mim isso é algo de perdedor pois o impossível é apenas uma opção mas SÓ EM ALGUNS MOMENTOS DO TEXTO você é assim. Do resto você é um exemplo que muitas pessoas poderiam e deveriam seguir. Parabéns!

  • Jeferson Moraes

    Há dois tipos de fantasias, diga-se de passagem.

    Um tipo de fantasia utópico ou com excesso de idealização, pelo qual se prevê o
    que a felicidade é e como atingi-la, isto é, a aquisição de um carro novo, casa
    própria, o emprego dos sonhos, a mulher ideal e assim sucessivamente, como foi
    bem lembrado no post… O outro tipo de fantasia, se é que posso denominá-lo
    assim, é um excesso de paranóia, e é justamente nesse estado que se prevê o que
    é infelicidade e ela é a realidade contrária daquele tipo de fantasia utópica
    pela qual o princípio Ter para Ser é válido (embora equivocadamente). Ter para
    ser feliz…

    Contudo, Ter deve ser apenas uma meta. O fluxo da vida é o movimento, e isso até cientificamente. No oriente é dito, por exemplo, que o verdadeiro repouso se faz em movimento. O Ter para Ser feliz para mim é desequilíbrio. Ter é importante, é movimento, e apenas um complemento do Ser… Pode até ser correto dizer Ser para Ter, e quando a noção de Ser é plenamente compreendida, Ter se torna um movimento natural e harmônico.
    Disso resulta que todo homem e toda mulher têm o direito de Ser, e isso implica em conscientização de que a felicidade é puramente imaterial, interna, e que ela existe quando o movimento se torna silencioso. Portanto, para mim felicidade não é nem estado, é natural e inerente ao ser humano, e a infelicidade sim é um estado, pois é o desequilíbrio e também a ignorância do Ser… uma falsa percepção, a influência sobre o Id pela constantes construções de personalidades na vida cotidiana…

    Ser para ter é totalmente recomendável. Percebe-se que o homem ainda não aprendeu a equilibrar as dicotomias, e por isso há tanta polarização ideológica, filosófica, etc. Há quem ignora o Ter, pois reconhece que possui o que é preciso para se considerar feliz e com isso negligencia o movimento ou o Ter. E Ser e Ter são dicotomias que devem ser apenas equilibradas (Yin e Yang, por exemplo) e isso se aplica diversamente.

  • marcfranz

    Se a felicidade está em descobrir o que você já tem, o que acontece com os que não tem nada? Se houvesse uma fórmula para a felicidade, o problema do ser humano estaria resolvido. Somos tão preocupados em ser felizes que ás vezes não nos damos conta do quanto já somos.

  • brunowjr

    mais um texto fraquíssimo! se liga, PDH

    • http://www.facebook.com/arthur.s.mendonca Arthur Silva Mendonça

      por que o texto é fraco ?

  • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

    Vi muitas pessoas aqui comentando dizendo que a postura do texto parece ser meio passiva e tal. Além de outras críticas. Mas os estudos hoje atestam que a procura direta pela felicidade acaba produzindo cada vez menos felicidade. Ao que tudo indica, a velha idéia do zen budismo de que a felicidade está em nos focarmos no agora é eficiente. E isso está extremamente ligado ao que o texto mostrou, sobre já sermos felizes mas não percebermos isso. Claro, tal coisa não significa que devamos perder o desejo de buscar coisas melhores pra nós, mas a questão é que às vezes nos perdemos e vivemos somente para buscar, buscar e buscar e nunca apreciamos nem a própria busca nem o que já conquistamos, o que já temos e o que somos.

    • Nina

      Falou e disse, Felipe.

      • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

        :D

  • Guest

    Cmm aque só pra ler depois.. ha =)

  • http://www.facebook.com/adrieldbz Adriel Santana

    Sou só um garoto de 19 anos, que esta quase reprovando na faculdade, e que por acaso descobriu o PDH, e fico encantado com os artigos e mais ainda com as discussões nos comentários! Mas o que aprendi foi que “cada um tem seu tipo de felicidade” e precisamos sim fantasiar as vezes, pois muita coisa nesse mundo foi movida por sonhos e fantasias! E talvez esse meu comentário esteja totalmente fora do contexto do artigo, fazer o que não estou no nível intelectual do pessoal ai ahsuhau t+!

    • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

      Vc está certo no que disse, Adriel, mas cho que foi meio descontextualizado sim. haha É sobre um outro nível de felicidade que fala-se aqui. Algo mais profundo do que isso que vc citou, que talvez seja melhor traduzido como prazer e satisfação. A felicidade referida aqui é a típica do pensamento oriental, que refere-se a um estado mais constante do que o prazer, que não existe sem a dor igualmente.

      Ah, uma dica: achei essa sua frase bem curiosa “que esta quase reprovando na faculdade,” suahuahsua Pra entender, dá uma clicada aqui (http://www.nerdworkingbr.blogspot.com.br/2012/09/por-que-erros-de-portugues-se-espalham.html) Escrevi sobre errinhos desse tipo no meu blog hehe

      Abraço

      • http://www.facebook.com/adrieldbz Adriel Santana

        Pois é como eu disse, fiz muita cagada na vida, mas só agora depois dos 18 percebi que matar aulas de português pra ir paquerar e jogar bola não é tão legal quanto era! e Gostei do Blog!

  • Pathy Pimentinha

    Adorei seu post.
    Tô compartilhando no meu blog, tá!
    =))

    Pathy
    http://www.minhasversoes.blogspot.com

  • No meu caso, morar om pessoas que não respeitavam meu espaço e me estressavam, era necessária a mudança de casa para eu ser feliz. Me digam como que a minha felicidade já estava lá e eu não sabia? Não tinha como ser feliz dependente de pais, com irmãos que se metem e magoam, sem saber como se administra uma casa apesar de ser adulta. Essa parte eu não entendi. Valeu.

    • http://www.facebook.com/felipec.novaes Felipe Carvalho Novaes

      É difícil compreender mesmo, Rô. Recomendo que veja o video do monge em uns comentários acima.

  • Vesna Sherali

    Belo texto, vale a pena conferir!

  • Pingback: Ter ou não ter, eis a questão - Texto Mensagem Reflexão - RONAUD.com

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