Vamos oferecer um curso de equilíbrio emocional para homens. Começa quinta que vem e ainda há vagas.

Você está prestes a morrer. E resolve postar um vídeo de despedida no YouTube

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Ok, a gente é jovem e vai viver para sempre. Até descobrir que isso não é verdade.

Tem gente que não gosta de falar sobre a morte. Pensar na extinção da própria vida causa ojeriza – o que é compreensível, apesar de não fazer muito sentido temer algo que é inerente à vontade do homem e comum a todos.

Quando alguém tão próximo morre, fica intensamente escancarado que as pessoas morrem! A frase não é tão redundante assim, pois vivemos como se a morte literalmente não existisse. É como se precisássemos ver para crer, o que é extremamente limitado. Ainda que a morte seja tão óbvia, a ignoramos o tempo todo. É espantoso que aquilo que sempre foi implacável possa causar tanta confusão e desespero quando se apresenta: é como se nos pegássemos desprevenidos sobre algo que sempre soubemos de antemão.

Stela Santin, no texto "Para uma vida plena, lembre-se da morte"


Mas, se por um momento você conseguir deixar de lado este temor (ou seja lá o nome que você dê para isso que sente ao pensar na morte – em especial, na sua morte), sugiro um exercício realmente salutar: contemplar o fim. Pensar no que vai deixar neste mundo e no que vai encontrar no próximo – caso você acredite num próximo. Imaginar o que valeria a pena fazer se você tivesse apenas uma semana de vida. Ou um dia.

Para este exercício, você nem precisa estar na pele de Shaun Wilson-Miller.

Shaun Wilson-Miller tem 17 anos. Ele sofre de uma doença cardíaca crônica. Fez dois transplantes de coração que não responderam bem. Um terceiro está fora de cogitação pelos médios de Melbourne, na Austrália.

Ou seja, Shaun não tem muito tempo de vida. Ele vai morrer em breve e sabe disso.

Em vez de se desesperar, o adolescente gravou um vídeo de despedida e postou no YouTube.

Link YouTube |

Tradução:

"Oi, pessoal. Eu tenho más notícias que quero contar a vocês. Eu tenho rejeição crônica do coração e eu não estarei por aqui tanto tempo quanto imaginei. Mas quero dizer que tem sido um passeio maravilhoso e eu não tenho arrependimentos. Vivam a vida ao máximo porque vocês nunca sabem o que pode acontecer. Eu só quero agradecer à toda minha família e aos meus amigos que fizeram parte da minha vida. Por favor, não chorem por mim. Eu ficarei bem. Eu peço a todos os meus amigos que se certifiquem de que o meu pai ficará bem. Eu sentirei muita saudade. Amo todos vocês. Eu sei que são más notícias, mas também tenho boas. Eu agora tenho uma namorada chamada Mary, e estou tão feliz agora que nada pode me deixar para baixo. Eu espero viver nos seus corações, amigos, pois vou sentir saudades de todos vocês e os amo muito. Tchau. Com amor, Shaun. Vejo vocês.”

Penso que vamos viver melhor quando a morte não for mais algo a temer. E fico curioso para saber: qual é a sua relação com a morte?


publicado em 04 de Maio de 2012, 07:10
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Rodolfo Viana

É jornalista. Torce para o Marília Atlético Clube. Gosta quando tira a carta “Conquiste 24 territórios à sua escolha, com pelo menos dois exércitos em cada”. Curte tocar Kenny G fazendo sons com a boca. Já fez brotar um pé de feijão de um pote com algodão. Tem 1,75 de miopia. Bebe para passar o tempo. [Twitter | Facebook]


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