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Vida de barbeiro: um mini-documentário sobre barbas, navalhas e ser homem

Que profissional é esse para quem entregamos nosso próprio pescoço, cabeça e rosto?

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"O barbeiro é barbeiro não por escolha financeira, mas por escolha de vida. Ele gosta do que faz."

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Nunca vou me esquecer do seu Albênzio. Me lembro até hoje de sua figura. Um metro e sessenta e alguns centímetros, franzino, cabelo clássico, já pra lá dos seus cinquenta anos, sempre de camisa branca e pente no bolso."O barbeiro é barbeiro não por escolha financeira, mas por escolha de vida. Ele gosta do que faz."

Gostava de sentar no passeio observando o movimento e jogando conversa fora, quando não estava atendendo clientes.

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Me recebia em sua barbeira ali na esquina da avenida Amazonas com a Francisco Sá como quem revê um sobrinho querido, "que vamos fazer com essa juba hoje, hein? como vão as menininhas?". O papo de tiozão das antigas caía como luva. Do alto de meus quinze anos, me sentia hominho ao estar lá.

Escutava histórias de meu pai, tio e avô que nenhum deles contava – mas Albênzio, que cortava o cabelo de todos desde sempre, sabia. Não me perguntava se Albênzio era o melhor lugar pra se aparar as madeixas, era apenas o lugar certo, onde ia a família.

Há algo de especial em se sentir acolhido.

Algo ainda mais bonito acontece quando um homem permite a outro que o trate com afeto. E alguém deslizar a navalha por sua face, nuca, bochechas e pescoço, meticulosamente traçando linhas e buscando fazer de você mais atraente, é carinho puro. Na barberia se conta dos cornos, se pede opinião que tem medo de buscar em outro canto, xinga o time adversário e a política, ri das piadas bestas e o agradecimento pelo serviço prestado é real, no aperto de mão, "mês que vem tô de volta, separa aquela edição especial da revista tal pra mim, hein".

No dia em que o irmão de Albênzio me recebeu dizendo, cabeça baixa, "ele se foi", tomei um susto. Chorei. Sentei no ferrante mesmo assim e cortei o cabelo com seu irmão, também barbeiro. Voltei triste pra casa e estou contando disso só agora, quinze anos depois.

A barbearia foi, por décadas, a segunda casa dos homens.

O ressurgimento dessa cultura toca fundo em nosso emocional. Não é de se elaborar muito, é estar lá, cortar o cabelo, fazer a barba, discutir seu estilo, ser aceito. E no mês que vem o ritual se repete.

Pra entender e captar esse sentimento, fomos às ruas conversar com os donos e principais responsáveis por várias barbearias em São Paulo: a 9 de Julho, a Corleone, a Cavalera e o Barber Shop Realli.

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Aí nasceu o "Vida de Barbeiro", esse mini-documentário feito com bastante amor, jogando a luz em quem merece. Dedicamos o trabalho a todos os donos da navalha – e, por minha conta, mando um salve especial ao seu Albênzio.

Longa vida às barbearias.

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Nosso percurso sobre barbas

(estamos quase no fim)

Mecenas: Philips

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publicado em 14 de Abril de 2016, 16:20
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Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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