Novilínguia, Duplipensar, os dois minutos de ódio e a Polícia do Pensamento, o Ministério da Verdade. 

São, esses, termos que poderiam muito bem compor a retórica de algum governo de hoje em dia. A pós-verdade, eleita palavra do ano de 2016 pelo dicionário Oxford, conversas sociais e políticas cujo o tom não é conciliador ou "resolvedor", mas apenas pessoas crispadas elegendo O Inimigo e o atacando conjuntamente pela catarse, a libertação do desapontamento pelo cansaço físico.

Mas estamos falando de um vocabulário próprio de um clássico da literatura mundial já com quase de 70 anos. O livro 1984 nos conta sobre um futuro autoritário, conservador e distópico, escrito pelo inglês George Orwell, em que um regime totalitário, de constante vigilância e manipulação, opera sobre as vidas de muita gente, incluindo o jovem Winston Smith e Júlia.

Acontece que os últimos acontecimentos, especialmente e mais especificamente envolvendo o mais novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e suas alegações de votos ilegais nas últimas eleições e suas contestações à imprensa americana, cresceu a curiosidade e procura da obra de Orwell, que acabou ficando no topo das vendas na Amazon na última semana, um bestseller de mais de meio século.

Outros livros que tiveram alta procura foram o romance It Can't Happen Here ("Isso Não Pode Acontecer Aqui", escrito em 1935 por Sinclair Lewis) e o The Origins of Totalitarism ("Origens do Totalitarismo", não-ficção da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt).

E o que mais pode ser lido?

Daqui, eu recomendo mais umas leituras, já que estamos no embalo:

Complô contra a América, do escritor americano Philip Roth, que conta o que teria acontecido se os Estados Unidos tivessem flertado com o nazismo de Adolph Hitler na época da Segunda Guerra Mundial;

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Admirável Mundo Novo, outra distopia, do inglês Aldous Huxley, mas com a ótica voltada para uma sociedade anestesiada;

O artigo "Somos todos viciados na droga da felicidade", que publicamos aqui an casa, que conta justamente das similaridades e diferenças entre 1984 e Admirável Mundo novo nos nossos dias de hoje.

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna <a>Do Amor</a>. Tem dois livros publicados