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Será possível viver e morar no espaço em breve?

Um cientista da computação russo está propondo isso e convencendo muitas pessoas de que é possível

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Imagine um cenário no qual um empresário multibilionário resolve fundar uma colônia espacial e proclamá-la independente de qualquer país na Terra. Ele jura que suas intenções são as melhores possíveis e consegue atrair a atenção de mais de 200 mil 'terráqueos' dispostos a contribuir (até financeiramente) com este país e se mudar pra lá num futuro próximo.

Parece pouco provável pra você? Apenas a premissa de uma série distópica ou de um filme de ficção científica? Pois é exatamente isso que o cientista da computação russo Igor Ashurbeyli está propondo e, até onde parece, caminhando para conseguir.

Bem-vindo à Asgardia

Uma visão do protótipo das instalações da nação extraterrestre de Asgardia.

Fundada em 2016 com a intenção de ser a primeira "nação espacial" do mundo(?), Asgardia é um projeto liderado por Ashurbeyli e composto por uma equipe internacional de pesquisadores e cientistas que se propõem a criar condições para que os humanos passem a viver em satélites em órbita terrestre e também na Lua seguindo suas próprias leis.

Com a intenção de se tornar uma nação, Asgardia abriu inscrições pela internet para pessoas do mundo inteiro que quisessem pedir cidadania. É sério. Qualquer cidadão de país que admita dupla-cidadania pode se tornar um 'asgardiano' e, até agora, mais de 200 mil pessoas já compraram essa ideia, entre eles mais de 10 mil brasileiros, o quarto país com mais adeptos à nação espacial.

Em grande parte, essas pessoas parecem ter sido seduzidas pela primeira promessa da nação: lançar um satélite para o espaço contendo os dados de seus primeiros cidadãos o que, segundo eles, fará com que o nome dos pioneiros fique registrado para sempre na história da nação depois que ela tenha sido de fato constituída. Agora, esse lançamento ganhou até data: setembro de 2017.

O Asgardia-1, um satélite do tipo CubeSat compacto, é composto por dois cubos de 10 cm e carregará a carga equivalente a um pen drive de 512 GB. Além de cumprir a promessa inicial, o satélite visa coletar dados da exposição de seus componentes à radiação, facilitando a manutenção de futuros equipamentos lançados, e demonstrar a capacidade de armazenamento de dados em órbita terrestre.

Porém, cientes de que um satélite como este não deve durar mais do que cinco anos no céu, até que seja derrubado ou queimado pela fricção atmosférica, os líderes prometem garantir que os dados de seus 'fundadores' não serão perdidos uma vez que será eito um download dos arquivos no satélite de comunicação Globalstar. E é aí que o projeto começa a esbarrar em problemas.

Uma visão geral do satélite que Asgardia pretende lançar em setembro.

Desde a Guerra Fria, todos os países que desejam chegar em órbita terrestre (incluindo Irã e Coreia do Norte) assinaram um acordo chamado Tratado do Espaço Exterior que regula a 'corrida espacial'. Segundo ele, qualquer nave ou satélite espacial está submetido à jurisdição do país pelo qual ele foi lançado.

No caso do Asgardia-1, por exemplo, além de seus dados ficarem hospedados num satélite americano, ele próprio será considerado uma nave estado-unidense já que será lançado a partir do foguete American Orbital ATK Antares, nas instalações da NASA em Virgínia. 

Os criadores do projeto, porém, garantem que, no futuro, seus satélites serão lançados por países não-signatários do Tratado e assim, não só as naves quanto os cidadãos asgardianos poderão respeitar 'apenas' suas próprias leis.

Em paralelo ao lançamento, a nação ataca em outra frente para atingir seus objetivos ambiciosos e quer ser reconhecida pela ONU. Isso mesmo. Além de já contar com o número mínimo de cidadãos exigido para constituir um país, Asgardia está votando e aprovando através de seu site oficial sua própria constituição, além de um hino, uma insígnia e uma bandeira 'oficial'.

A opção mais votada para bandeira até agora é sugestão de um grego (7335 votos).

Segundo seus próprios especialistas, ficara faltando apenas o reconhecimento de pelo menos um membro da Organização para que a nação ganhe credibilidade para entrar com o pedido de reconhecimento. O que, novamente, é visto com otimismo pelos asgardianos.

Em grande parte, este otimismo se deve à premissa que Asgardia se impõem de ajudar a proteger a Terra e a constelação de satélites orbitais através da composição de uma frota chamada Urbocops que fará um patrulhamento de possíveis ameaças extraterrestres, como asteroides.

Além disso, a Nação quer ajudar a proteger o conhecimento científico e cultural da Terra, criando uma base desmilitarizada e acessível em órbita, ou seja, longe das ameaças de destruição terrestres.

O que os asgardianos não contabilizam como empecilho, porém, é que sua Constituição diz sobre dar "imunidade aos segredos comerciais", "não interferir nos negócios dos Estados da Terra com base no princípio da reciprocidade" e a permissividade que o documento dá para que suas próprias leis e regulamentações possam diferir consideravelmente das da Terra, inclusive sem respeitar nenhum acordo pré-estabelecido. Em resumo: Asgardia quer ter independência total da Terra.

Se isto já não fosse suficiente para representar um risco militar para muitos países, Asgardia vem sendo acusada de ser nada mais do que uma tentativa de criação de um novo paraíso fiscal, neste caso, extraterrestre.

O que se sabe, porém, é que até agora Asgardia vem sendo inteiramente financiada por Ashurbeyli e seus confundadores, mas tem planos de fazer um crowdfunding entre seus cidadãos e até de passar a cobrar impostos numa possível criptomoeda própria que promete ser lançada "na quantidade relacionada aos parâmetros ideais da Lua", por mais que ninguém explique o que isso quer dizer.

Concluindo: que viagem!


publicado em 22 de Junho de 2017, 19:16
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Redação PdH

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