Hoje é o dia mundial do rock. Celebre escutando sua banda favorita com o volume no talo. Nós faremos isso ao som desse cláaassico show do AC/DC no estádio do River Plate — sim, os hermanos arrebentaram e foram uma platéia histórica.

Como conversar com homens sobre violência contra as mulheres?

Esse é um material para prevenir agressões, diminuir a reincidência e salvar vidas.

Trabalhamos com todo nosso coração nos últimos 5 meses nesse projeto. 

Mapeamos mais de 50 grupos reflexivos para homens autores de violência, mostramos como conversar com homens que detestam o tema, como iniciar um grupo, como sair do ciclo de violência, como montar um plano emergencial para pessoas em relações abusivas e como identificar os sinais mais comuns de abuso. E é com tremenda alegria que colocamos mais um sonho no mundo.

A origem

Há pouco mais de um ano lançamos — com um livro-ferramenta, uma pesquisa e um minidocumentário — a plataforma "Derrubando Muros e Construindo Pontes: como conversar com quem pensa muito diferente de nós". Foi um esforço conjunto com o Instituto Avon, após estruturarmos uma pesquisa online de amplitude nacional.

Para dar continuidade e aprofundar a discussão iniciada com o "Construindo Pontes e Derrubando Muros", realizamos uma nova pesquisa que ouviu mais de 3 mil pessoas. A ideia é que, em parceria com a comunidade do PdH, pudéssemos criar um novo livro-ferramenta que fosse direto ao ponto, atendendo às demandas de ativistas e de pessoas realmente interessadas em promover esses diálogos.

Sabemos que, às vezes, a conversa sobre gênero e violência pode ficar bastante tensa, ainda mais em tempos tão polarizados e repletos de desinformação. 

Ao observarmos as caixas de comentários pela internet, é fácil vermos como levantar questões sobre gênero e violência podem ser gatilhos que proliferam ainda mais agressão, relativização e culpabilização das vítimas. 

Claro que não basta evitar os termos relativos a esses tópicos. Precisamos trazer os homens para a conversa, não como uma forma de reduzir sua responsabilidade, mas ao contrário, de trazê-los para perto de problemas dos quais eles fazem parte e podem ser agentes transformadores.

Pra isso, nós do Instituto PdH (Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento em Florescimento Humano, nosso braço de pesquisa) desenvolvemos junto ao Instituto Avon o guia "Como conversar com homens sobre violência contra as mulheres".

Baixe nosso livro-ferramenta "Como conversar com homens sobre violência contra as mulheres"

Faça download do livro clicando na imagem

Baixe aqui a versão desktop, melhor pra ver no computador.

Baixe aqui a versão celular, adaptada pra whatsapp.

O livro oferece caminhos práticos para dialogar com quem sofreu e também com quem cometeu abuso, explica o que é o ciclo da violência e indica sinais comuns de abuso.

Situações de violência em um casal são relacionais, mais profundas e complexas do que aparentam à primeira vista, e cabe bastante atenção ao mergulharmos nas nuances desse tema.

Ouvimos diversos especialistas com experiência direta na condução de grupos reflexivos com homens autores de violência, como Adriano Beiras (Instituto NOOS), Sérgio Barbosa ("Tempo de Despertar") e Flávio Urra (grupo "E agora, José?").

Além disso, conta também com um mapeamento nacional com mais de 50 grupos reflexivos para homens autores de violência, realizado em parceria com o professor e pesquisador Adriano Beiras, da UFSC.

Clique na imagem pra baixar — o mapeamento está no final do livro

Caso você não possa participar de um desses grupos, por qualquer motivo, o livro inclui um guia de como montar um desses grupos reflexivos na sua cidade. 

Sumário de tudo que vão encontrar no livro:

Já sabe, só clicar na imagem pra baixar — recheamos o livro de conteúdos preciosos e úteis

Por que falar com homens sobre violência contra as mulheres importa? E qual o impacto da nova lei aprovada pelo Senado?

70% das agressões são dentro de casa, 65% dos autores são os próprios parceiros ou ex-parceiros

O Plenário do Senado aprovou no último dia 5 de fevereiro o projeto de lei que permite aos juízes obrigar os autores de violência contra mulheres a frequentar centros de reabilitação e a ter acompanhamento psicossocial. O que reduz a taxa de reincidência de 65% pra até 2% em São Paulo, por exemplo.

“As duas alterações promovidas pela Câmara não modificaram o propósito do projeto original. A frequência a esses grupos de apoio e reeducação não apenas contribui para reduzir as reincidências, mas concorre também para a proteção emocional do próprio agressor, que terá oportunidade de se reeducar para conviver melhor com a sociedade em geral e com sua família em particular”, escreveu o relator do projeto, senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ). (Fonte: Agência Senado)

Se o objetivo é reduzir a incidência e reincidência de violência e abuso contra as mulheres, é de fundamental importância que o trabalho passe também a ser de reeducação, desconstruindo noções nocivas que reforcem e justifiquem o comportamento violento. O diálogo entre pares é uma poderosa ferramenta nesse processo.

“Cada vez mais é visível um consenso de que é fundamental intervir em homens autores de violência contra mulheres, à parte dos serviços já dedicados às vítimas. Dada a complexidade da temática, é necessário atuar em diferentes frentes, de forma a contemplar todos os envolvidos/as” , pontua Adriano Beiras, professor do departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e colaborador do Instituto NOOS.

A metodologia usada por nós

Para articular este material, passamos pelas seguintes etapas:

1. Articulamos uma rede estratégica com ativistas referência no assunto

Buscamos ativistas que já lideram grupos reflexivos com homens autores de violência para aprendermos com eles qual material seria mais eficaz produzirmos para ajudar no diálogo com pessoas indiferentes ou resistentes ao tema.

2. Sonhamos o projeto coletivamente

Realizamos um workshop presencial de aprofundamento com pessoas com pontos de vista distintos sobre o tema violência de gênero, para entender os principais obstáculos nessas conversas.

3. Escutamos a rede e buscamos aliados em escala 

Abrimos uma breve pesquisa online, por meio da qual escutamos mais de 3.500 pessoas, para entender, dentre outras coisas, quais temas para elas mais gostariam de ver sendo produzidos por nós. E pedimos a elas para deixarem o contato, caso desejassem receber e divulgar os materiais no lançamento.

Como usar esse material?

1. Baixe esse livro, leia, distribua, use à vontade

2. Baixe o livro "Construindo pontes e derrubando muros: como conversar com quem pensa muito diferente de você?" e leia o guia prático de como fazer isso, na segunda metade do material. Distribua e use à vontade.

3. Combine o melhor dos dois materiais e use como combustível para ações práticas.

* * *

Esse material é todo de vocês. Queremos que  os utilizem e os espalhem aos quatro cantos.

Compartilhem, discutam em rodas ou em duplas. Mas, principalmente, coloquem o conhecimento presente no dia-a-dia. Testem, critiquem, inspirem outras pessoas.

Mandem e-mails pra nós (posts arroba papodehomem ponto com ponto br , escrevemos assim pra evitar spam), contando como tem sido, se serviu ou se não serviu, se precisamos melhorar o material em algum ponto. Spoiler: sabemos que sim. 

Suas contribuições são pra lá de bem vindas. Queremos ver essa conversa acontecendo.

Mãos à obra?


publicado em 20 de Fevereiro de 2020, 12:27
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