Quebrando a caixa-preta da sexualidade masculina

Conversamos com o Lam Matos sobre como podemos ampliar a visão do sexo quando a nossa masculinidade é tão fechada para o assunto

Homem é só quem tem pinto? A gente só transa com o nosso pau?

Às vezes parece que nós, homens, somos um bando de meninos com uma caixa de pandora às avessas, em que guardamos tudo o que tem de curioso e interessante quando o assunto é sexo para seguir adiante com o feijão com arroz de sempre. Limitados, infantis, cheios de vontades que não ousamos contar nem pra nós mesmos, como se um subterfúgio fosse a confissão de algo que não queremos que as outras pessoas imagine que sejamos.

Uma pena, não?

Há uma imensidão de brincadeiras e conversas e posturas sobre a sexualidade masculina. Não é preciso tapar o sol com a peneira. 

No evento Homens Possíveis, que o PapodeHomem realizou agora em dezembro, nós conversamos sobre a sexualidade dos homens no "Quebrando a caixa-preta da sexualidade masculina".

Na conversa, Sidnei DiSessa (psicólogo com mais de 30 anos de prática, especializado em sexualidade masculina) e Lam Matos (coordenador nacional do IBRAT — Instituto Brasileiro de Transmasculinidades) colocam na mesa todo um peque de opções e variedades de se pensar o sexo.

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Para além disso, eu conversei com o Lam Matos para falar um pouco mais do tema, na entrevista aqui embaixo:

Lam Matos: "construir uma masculinidade saudável também é olhar para o nosso passado e entendermos quem nós fomos e quem queremos ser"

1. Quais os primeiros olhares que os homens podem ter para ver a própria sexualidade de maneira mais ampla?

Lam: Os homens, falando aqui dos homens trans e dos homens cis, devem olhar pra própria sexualidade e entender que nada, nem ninguém, é definido nem definitivo.

Entender que as relações, seja com sexo ou social, deve ser revista e adaptada para os novos significados que temos dado ao corpo e as novas masculinidades.

2. Pegando o beabá, como fazer, da masculinidade, uma cultura menos falocêntrica?

Lam: É preciso primeiro entender que o falo não é e nem tem nenhum tipo de poder superior a nada nem ninguém.

Para sermos menos falocêntricos (e eu me incluo, porque não é por ter nascido sem um falo que eu não possa ser falocêntrico), temos que abrir mão desse falo e olharmos para dentro de nós e entendermos o privilégio que temos enquanto gênero masculino.

3. Claro que cada um trilha seu próprio caminho de conhecimentos, mas quais dicas ou conselhos você acha importantes para que homens trans construam uma masculinidade menos tóxica, mais positiva e saudável para eles mesmos?

Lam: Especificamente para homens trans, e transmasculinos não-binários, construir uma masculinidade menos tóxica é observar qual modelo dessa masculinidade estamos tomando para nós e o quão necessária ela realmente é.

Construir uma masculinidade saudável também é olhar para o nosso passado e entendermos quem nós fomos e quem queremos ser.

Nosso passado construiu o nosso presente, e este é o responsável pelo nosso futuro.

Mecenas: Natura Homem

Natura Homem acredita que existem tantas maneiras de exercer as masculinidades quanto o número de homens que existem no mundo. Apoiar eventos como o Homens Possíveis e a caminhada do PapodeHomem como um todo são algumas das maneiras que encontramos para caminhar lado a lado com vocês ao longo de 2017.

Seja homem? Seja você. Por inteiro.

Natura Homem celebra todas as maneiras de ser homem.

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publicado em 04 de Janeiro de 2018, 00:00
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Jader Pires

É escritor e editor do Papo de Homem. Seu livro de contos é o Ela Prefere as Uvas Verdes. Está no Facebook, no Instagram e escreve semanalmente sua newsletter, a Meio-Fio, com contos/crônicas e uma curadoria cultural todas às sextas, direto no seu e-mail.


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