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Por que ainda é tão difícil encontrar roupas adequadas para homens gordos

A indústria da moda ainda não está preparada para atender à demanda crescente de peças masculina grandes, frustrando os gordinhos que querem se vestir bem

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Há alguns meses, quando publicamos uma tradução falando sobre a situação desagradável que pessoas obesas têm que enfrentar quando precisam/querem viajar de avião ou de ônibus, recebemos uma enxurrada de e-mails agradecendo pelo artigo. Aparentemente, existe uma carência por espaço tanto nos meios de transporte quanto nos de comunicação.

Nesses e-mails muita gente abriu o coração sobre os problemas que enfrentam por não estarem no peso considerado ideal ou simplesmente por não se encaixarem no modelo-padrão utilizado pela indústria para produzir de tudo: de cadeiras a carros, de camas a camisetas. E é na hora de encontrar roupas, um item tão básico do nosso dia a dia, que esse desprezo pelos obesos mais aparece.

“Eu só queria poder entrar numa loja que eu gosto, escolher uma peça de roupa, pedir a do meu tamanho e comprá-la. Tão simples quanto isso.”

O que só vem à cabeça de pessoas magras em ocasiões muito específicas do ano quando têm que se preocupar em presentear um amigo ou familiar, acontece diariamente com pessoas obesas que precisam/querem comprar roupas novas, mas simplesmente não conseguem.

Apesar de sabermos que tanto pessoas gordas podem estar saudáveis quanto pessoas magras podem estar doentes (e que a obesidade também pode ser consequência de problemas de saúde, não apenas causa), ainda existe um pensamento muito forte de que a obesidade esteja associada à preguiça ou ao desleixo, o que atinge diretamente aos homens e mulheres obesos. Mas especificamente no caso da moda masculina, o problema é ainda maior.

"Você engordou"

Com o interesse dos homens por moda/estilo/vestuário é algo mais recente do que o das mulheres, há muito mais barreiras para serem quebrados por eles do que por elas. Estima-se que o mercado de roupas femininas plus size movimente anualmente cerca de US$ 20,4 bilhões, enquanto o masculino fica em US$ 1 bilhão.

Esse seria um valor suficientemente significativo para ser considerado pela indústria como um mercado interessante, com potencial de crescimento. Porém, a cadeia de produção apresenta uma série de problemas que dificultam o foco nesse mercado:

1. O processo de produção das peças sempre se baseia num tamanho médio e os demais tamanhos apenas são replicados em proporções maiores ou menores. Acontece que para modelos muito grandes, esse processo acaba criando distorções bizarras como o fato da estampa ficar muito pra cima. (O Bruno Passos, especialista em moda do PapodeHomem e dono de uma marca/confecção de roupa masculinaexplicou como isso acontece).

2. Para evitar este tipo de problema, é necessário que as confecções criem um ‘novo molde’, o que, na prática, significa uma peça inteiramente nova na produção e não apenas mais um tamanho, tornando o processo mais caro.

Não tem roupa pra mim?

3. Por esse motivo, a grande maioria das confecções resolvem simplesmente abrir mão desses tamanhos e as poucas que os fazem precisam cobrar mais por essas peças já que elas custaram mais para serem feitas. Mas este nem é o problema principal.

4. Cientes de que esses modelos custam mais caro, as confecções apostam no modelo mais básico/comum possível para aumentar ao máximo a possibilidade de um consumidor se interessar por ela. Nesse caso, enquanto o objetivo das peças de tamanho “normal” é agradar o gosto dos clientes, o objetivo das peças grandes é apenas servir.

5. Carente de opções, pessoas obesas se sentem desmotivadas a consumir. Além de ser difícil de encontrar, não são poucos os relatos de pessoas que foram mal tratadas em lojas ou que simplesmente sentem vergonha de perguntar se existe tal peça do seu tamanho, o que alimenta um círculo vicioso: se compra menos porque se produz menos e se produz menos e porque se compra menos.

Para conseguir superar esse problema, existem algumas alternativas, mas todas elas parecem exigir um esforço grande de ambas as partes.

Do lado do consumidor seria necessário fazer mais barulho, exigir mais opções das marcas que goste. Assim como nós recebemos vários e-mails agradecendo à publicação da tradução, que tal lotar a caixa de e-mail de sua marca de preferência pedindo para ser considerado na hora da produção?

Do lado dos produtores, seria necessário ouvir essa demanda e também dar espaço para mais estilistas obesos terem liberdade para criarem peças mais adequadas para seus próprios biotipos. Afinal de contas, temos visto que incluir profissionais diversos na cadeia de produção é a melhor forma de garantir representatividade no produto final.

Mas enquanto nada disso acontece, a gente vai ajudando você a se virar com o que tem, afinal, que mal tem tentar se vestir bem?


publicado em 18 de Agosto de 2017, 00:05
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Redação PdH

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