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Seis dicas de Arne Naess para um bom debate

Entre as mil coisas que fez, Arne Naess estudou e escreveu extensamente sobre debate, diálogo, resolução de conflitos e comunicação. Tinha grande admiração pelo pensamento e trabalho de Gandhi (a propósito, se você acha que este senhor foi algo como um monge bonzinho de tanga, olhe de novo. Aposto que você não aguentaria três dias nas sandálias dele) e pelas noções de resistência pacífica e não-violência que ele explorou profundamente na teoria e na prática.

(Para quem não viu, já falamos um pouco sobre lógica argumentativa aqui no PapodeHomem. E também já andamos apresentando Arne Naess.)

Agora, porque afinal é importante aprendermos a pensar e debater de um jeito melhor, a dialogar, conversar apropriada e eficientemente?

Para Naess (como para Gandhi), essa importância não tem muito a ver com "vencer discussões". Debate bom não é quando alguém ganha a discussão, mas quando quem vence é o bom senso e a clareza de visão, e quem perde é o engano, o preconceito e a ingenuidade.

Nas palavras de Naess:

Precisamos nos esforçar mais para entender as outras pessoas. Se nos comunicamos bem, fica mais difícil vermos o modo de vida dos outros como sendo incompreensíveis ou inferiores. Se vemos suas vidas como sendo mais abertas e generosas, sempre haverá algo que poderemos aprender aí. Uma melhor comunicação com nossos camaradas seres humanos é o pré-requisito mais importante para resolução de problemas, grandes ou pequenos.

Fazendo o equivalente à resumir Joyce a um tuíte, aqui vão, isoladas, seis dicas básicas e importantes de Arne Naess para um bom debate público:

1. Evite irrelevância tendenciosa

Exemplos: ataques pessoais, alegações sobre a motivação do oponente, explicar razões para uma discussão.

2. Evite citações tendenciosas

Citações não devem ser alteradas em favor do assunto em debate.

3. Evite ambiguidades tendenciosas

Ambiguidades podem usadas para apoiar críticas.

4. Evite o uso da falácia do espantalho

Atribuição de pontos de vista ao adversário que este não tem.

5. Evite afirmações tendenciosas sobre fatos

Informações passadas adiante nunca devem ser falsas ou incompletas e não se deve omitir informações relevantes.

6. Evite tons de voz tendenciosos na sua apresentação

Exemplos: ironia, sarcasmo, pejorativos, exageros, ameaças sutis (ou explícitas).

Apenas como uma observação, particularmente eu não acho que deveríamos ser muito restritos, sérios, duros, formais com isso tudo. O ponto é conseguirmos cultivar um espaço amigável, onde todos possam se sentir confortáveis pra falar, participar, compartilhar. É só que, ainda assim, saber que estes métodos existem e tentar minimamente aplicá-los pode nos ajudar muito a fazer isso, e também a melhorar as nossas relações no dia a dia – e mesmo nosso rendimento no trabalho, nos estudos, em reuniões diversas. A conversa flui melhor, a comunicação se estabelece de um jeito bem mais fácil (ou menos penoso), as pessoas são ouvidas e consideradas. E se aproximam.

Que outras dicas práticas você adicionaria à esta pequena lista? Do que sente falta quando participa de conversas e discussões?


publicado em 25 de Agosto de 2012, 10:42
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Fábio Rodrigues

Trabalha em espaços onde se pode aprender como melhorar as relações, cultivar o mundo interno e florescimento humano — sem oba-oba, com os pés no chão do cotidiano. Coordenador do lugar, tutor no CEBB Joinville, professor do programa Cultivating Emotional Balance, artista visual, pai do Pedro.


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