Link Youtube | Dê o play e leia o texto. 🙂
O Terno é uma banda muito interessante. Um rock que fala de temas urbanos e muitas vezes pesados, porém com a proteção de uma aura de humor. Então, quando menos espera, você está se divertindo enquanto se lembra das travas que a sua culpa gera, observando a cidade cinza, refletindo sobre sua mania de ser mal agradecido e não reconhecer as coisas boas que a vida traz.
O gostoso é que em cada apontamento emocionalmente denso sempre vem uma catarse, uma redenção que deixa pra trás o peso da situação retratada. O Terno é otimista em meio ao sofrimento e à solidão.
Importante dizer que esse texto não é sobre o Terno. Mas a comparação de certa forma se apresenta como necessária.
É bem interessante observar a evolução do Tim Bernardes como artista e compositor, desde 66, a primeira música do primeiro disco do Terno, onde ele retratava sua dificuldade criativa, em encontrar seu lugar como artista e músico em meio ao bolo de referências e também sobre a necessidade de inovar, recebendo ataques críticos de todo lado. Uma ansiedade compreensível.
Mais dois discos do Terno depois, ele vem agora lançar seu primeiro trabalho solo.
A introdução com um piano delicado e uma atmosfera nostálgica que quase remete à infância já desperta o mix de doçura, saudade e dor por já não estar no lugar ou com a pessoa certa.
Recomeçar é um disco íntimo. A sensação é de estar ouvindo o Tim cantando sozinho no seu quarto, procurando notas e acordes que expressem o que os pensamentos da noite estão pedindo.
As letras são tão diretas que é como se você estivesse ouvindo o desabafo de um amigo ou uma DR gravada. "Tanto faz", "Não", "Ela", são todas canções pungentes.
Se acabou de terminar uma relação, pode ser interessante ouvir com o lenço do lado. Você vai precisar.
Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.