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O #PreçoJusto é um manifesto

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Fui convidado pela equipe do PapodeHomem para deixar aqui minhas considerações sobre o manifesto #PreçoJusto, ao que aceitei no ato, principalmente por se tratar de um dos espaços que mais gosto na internet.

Desde que foi lançado, o manifesto recebeu todo tipo de resposta possível, desde o amor desmedido e cegueira de pessoas que preferem acreditar em tudo ao invés de pesquisar e formar sua própria opinião, até o ódio igualmente descabido de quem se coloca sempre como “do contra” dentro da web e foi buscar dos mais sórdidos argumentos para tentar derrubar o manifesto. Tanto um extremo quanto o outro são igualmente rasos, mas fomentam um dos objetivos principais do #PreçoJusto, o debate.

Quando um manifesto é lançado, muito mais que simplesmente gritar a rebeldia, seu propósito principal é fazer com que o tema vire assunto. Pra mim, a maior alegria é ver uma massa consideravelmente grande de pessoas pesquisando, argumentando e debatendo o tema, uns atacando, outros defendendo, mas acima de tudo se informando. Somente assim inicia-se uma revolta: com informação e uma pitada de incentivo.

Não é uma questão de ser contra ou a favor, concordar ou discordar, assinar ou não assinar, mas dialogar, pensar junto

O #PreçoJusto veio justamente pra isso, fazer com que milhares de pessoas se informem e, quem sabe, consigam enxergar o absurdo que encontramos dentro do cenário tributário brasileiro: a hiper-mega-extrema-absurda taxação desmedida de produtos importados no Brasil.

Muitas teorias foram criadas acerca da criação do manifesto, desde o interesse por audiência (o que, se me permitem, “não faz sentido” pois ela já existe), passando pelo desejo egoísta de comprar um videogame (por favor…) e chegando até o cúmulo de tudo ser na verdade uma ação viral para propagar o jornal Brasil 247, então acho que cabe utilizar deste espaço para desmentir algumas bobagens. De cara deixo claro que não, não se trata de um viral.

Decidi criar o manifesto há cerca de 2 meses, quando, buscando temas entre o público do Não Faz Sentido, percebi que muitos reclamavam da questão dos preços de produtos eletrônicos no Brasil. Pesquisei bastante sobre a questão dos impostos e, ao observar exatamente onde iria atacar com minha crítica, fui atrás de pessoas engajadas e de alto conhecimento no assunto. Por isso, uni-me ao jornal Brasil 247, mais precisamente ao seu editor-chefe, Leonardo Attuch, ninguém menos que o ex-editor chefe da Isto É Dinheiro, um jornalista especializado em economia com profundo conhecimento, que não só auxiliou na elaboração do texto do Não Faz Sentido como mobilizou toda uma infra-estrutura para suportar o manifesto. Acreditem, mais de 330 mil assinaturas em 3 dias não é pra qualquer infra.

Em nenhum momento anunciei o #PreçoJusto como um projeto de lei, pois não o é. O manifesto é nada mais que… Um manifesto, cuja concepção da palavra é exatamente “uma declaração pública de princípios e intenções, que objetiva alertar um problema ou fazer a denúncia pública de um problema que está ocorrendo”. Nosso objetivo? Avisar a Brasília: o povo está puto com isso.

Conseguimos? Bem, ao que parece, estamos próximos. Os passos seguintes não dizem respeito a mim, pois o máximo que posso fazer é mostrar o problema, unir as reclamações e apresentar ao nosso Executivo e Legislativo – como pretendo, em breve, entregar a nossa Presidente. A partir daí, está nas mãos dos que nos representam e, se tudo der certo, conseguiremos uma representação ativa para abraçar a campanha (contatos nos bastidores já meio que garantem que iremos consegui-la… e forte).

“Ora, mas tanta gente passando fome e você só quer saber de comprar seu videogame.”

Seguindo esse preceito, nós não podemos reclamar de rigorosamente nada no mundo enquanto há gente passando fome. Lembre-se disso quando reclamar que seu bairro está sem luz, ou sua rua está esburacada. Ora, tem gente passando fome, você não pode reclamar. Isso é uma grande bobagem.

Eu não sou o Bono Vox, meu público é exatamente consumidor de produtos de mídia e eletrônicos importados, o que eu fiz foi puramente atrelar um tema que gera insatisfação em massa no povo brasileiro e cruzar isso com o público alvo do Não Faz Sentido para ter força o suficiente para brigar por algo em Brasília… E, conforme já frisei no vídeo, esse é somente o primeiro passo: se o manifesto der certo (e tudo indica que já vai dar certo), o objetivo é ir além.

Não me peçam para, em meu primeiro manifesto, já querer resolver todas as mazelas que desgraçam o mundo. Eu não sou Jesus, nem Buda… E normalmente quem utiliza desse discurso superficial está sentado há anos em sua cadeira sem fazer rigorosamente nada.

Ao Raphael Gaudio e a todos que escrevem textos defendendo que os produtos importados necessitem de taxação para não prejudicar a indústria nacional, deixo três pontos:

1. Praticamente não há indústria nacional nos segmentos apontados.

2. Concordo que deve haver a taxação, mas numa medida justa, como no máximo 30%, não chegando aos 250% como vemos no Brasil.

3. Por mais besteiras que possa ter feito, se Collor tivesse seguido o pensamento de vocês, teríamos até hoje no Brasil somente eletrodomésticos de quinta categoria, brinquedos de arame e plástico fajutos e “carroças” no lugar de carros nas ruas. Foi justamente sua política de “abrir as pernas para os produtos importados” que fez com que o povo brasileiro saísse das péssimas condições dos produtos nacionais e revolucionasse a própria indústria brasileira, que foi obrigada a se adaptar ao alto grau de qualidade dos gringos.

O #PreçoJusto está aí, volto a frisar, para mostrar somente uma coisa aos nossos representantes em Brasília: estamos insatisfeitos com os altíssimos impostos cobrados em mídias e eletrônicos importados. Se você está feliz e acha justo pagar 200% a mais por um produto, ótimo, mas se você, como eu, fica indignado com esse estupro, já sabe onde assinar: www.precojustoja.com.br .

Por fim, deixo as palavras de Steve Jobs ao receber o convite de abrir uma Apple Store no Rio de Janeiro (fonte: Gizmodo Brasil):

"Não podemos nem exportar os nossos produtos com a política maluca de taxação superalta do Brasil. Isso faz com que seja muito pouco atraente investir no país."

Já passou da hora. Preço justo já.

P.S.: Aos que reclamam da linguagem do vídeo do Não Faz Sentido, amigos, pela enésima vez, é uma interpretação e foi a fórmula que deu certo no “programa”. Pedir para mudar isso seria como pedir para o George Carlin não fazer seus discursos utilizando "fuck," "cock", "dick", "assholes" e tantos outros. Agora com licença que vou ali fazer uma auto-flagelação com chicotes por ter criado o mínimo grau de comparação entre mim e o gênio Carlin. Obrigado.


publicado em 30 de Abril de 2011, 11:17
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Felipe Neto

Ator, criador do canal "Não Faz Sentido". Trabalha na Globo e Multishow.


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