"Mais pessoas morrem por fumar do que por assassinato, AIDS, suicídio, drogas, acidentes de carro e álcool juntos"

Grandes companhias de cigarros terão que veicular esta propaganda por um ano nos Estados Unidos

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Essa é uma frase que aparece no comercial pago para ser veiculado em nome das grandes companhias de cigarro americanas, as Altria, R.J. Reynolds, Lorillard e Philip Morris.

Depois de quase vinte anos de batalhas judiciais, a Suprema Corte dos Estados Unidos as gigantes do tabaco começaram a difundir uma propaganda admitindo que seus produtos matam, que, segundo a newsletter do Canal Meio, são "anúncios em que admitem ter violado a lei quando esconderam saber que seus produtos poderiam matar e que, intencionalmente, projetaram cigarros para atrair e viciar".

A propagandas são cruas e diretas. Não há rodeios para dizer algo se redimindo e também não há o empurrão para a culpa.

"Fumar mata, em média, 1.200 americanos por dia", diz a propaganda. "Mais pessoas morrem todos os anos por fumar do que por assassinato, AIDS, suicídio, drogas, acidentes de carro e álcool juntos".

Combinados. Todos os "males da sociedade" (a violência urbana, os acidentes de carro, os malefícios diretos e indiretos do álcool), juntinhos, não dá o tanto de gente que padece para os problemas que o cigarro acarreta.

Link YouTube

As propagandas serão veiculadas por um ano em horário nobre na televisão dos Estados Unidos, nos três grandes canais.  

Sobre parar de fumar

No brasil, ainda que ocupemos a nada honrosa oitava posição em números absolutos de pessoas que fumam (7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens, segundo a pesquisa da publicação científica The Lancet, divulgada pela Folha de S. Paulo em abril deste ano), tivemos uma redução das mais significativas, com uma queda que viu despencar o número de fumantes diários de 29% para 12% entre homens e 19% para 8% entre as mulheres.

Eu fumei. Dos 13 aos 29 anos (hoje estou com 34).

E meus amigos de longa data que digam o quanto eu gostava da "chupeta do capeta", como eu chamava os cigarros que fumava. E me alegra muito ver toda essa movimentação contra o tabaco, tendo o Brasil como exemplo de ação. Hoje vejo bem menos gente fumando do que via há, sei lá, dez anos. Hoje vejo mais jovens que não fumam dos que os que fumam. Um pequeno recorte, mas reconfortante.

Mas ainda tem gente pra cacete comprando maços e seguindo a rotina do viciado em nicotina.

Para esses, eu escrevi aqui no PapodeHomem um pequeno artigo, o "Parar de fumar: eu sei como", que pode ajudar nesse processo de se descobrir sem o cigarro, como lidar com os altos e baixos, como se portar sendo a pessoa que não fuma, e quer ajudar quem fuma.

É gostoso pra caralho. Mas é dar muito por muito pouco.


publicado em 30 de Novembro de 2017, 00:00
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Jader Pires

É escritor e editor do Papo de Homem. Seu livro de contos é o Ela Prefere as Uvas Verdes. Está no Facebook, no Instagram e escreve semanalmente sua newsletter, a Meio-Fio, com contos/crônicas e uma curadoria cultural todas às sextas, direto no seu e-mail.


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