A necessidade de parecer seguro o tempo todo cria homens incapazes de revisar a própria opinião. Homens fingem ter certeza porque foram ensinados que dúvida é fraqueza. Desde cedo, a regra é clara: responda rápido, sustente posição, não hesite. Quem vacila perde respeito. Quem admite que não sabe perde autoridade.

Então a gente aprende a improvisar convicções.

Opina sem entender.
Defende sem refletir.
Decide para não parecer inseguro.

Isso não é maturidade. É medo social.

O problema é que essa necessidade de parecer seguro o tempo todo cria homens incapazes de revisar a própria opinião. Incapazes de ouvir. Incapazes de mudar.

Isso não é força. É rigidez.

O “não sei” ameaça um modelo antigo de masculinidade: o homem que controla tudo, que domina o ambiente, que nunca falha.

Mas controle absoluto é fantasia.
E sustentar fantasia exige atuação constante.

Dizer “eu não sei” quebra esse teatro.
Expõe limite.
Expõe humanidade.

E, paradoxalmente, expõe força. Porque assumir ignorância exige mais segurança do que sustentar uma mentira confortável.

O problema nunca foi a falta de resposta.
Foi a vaidade de precisar parecer certo.

Homens que não admitem dúvida tendem a repetir erros com convicção.
Homens que admitem dúvida evoluem.

Talvez o medo não seja de não saber. Talvez seja de deixar de cumprir o papel que ensinaram a você. Mas amadurecer exige abandonar personagens e alguns ensinamentos. 

É óbvio que não dá pra dizer “não sei” pra tudo. Tem coisas que precisamos saber e se não sabemos, precisamos aprender. Não dá pra ser um homem a mercê da decisão e da sabedoria dos outros. Inclusive, isso pode se tornar um lugar muito cômodo, sobrecarregando outras pessoas à sua volta, especialmente as mulheres.

Reconhecer que não sabemos tudo precisa ser um exercício de humildade, não de estagnação, fuga ou covardia. 

Texto escrito por Armando Colussi – @armcolussi – escritor e diretor criativo, com mais de 15 anos de atuação no mercado cultural.

Andrio Robert Lecheta

Palestrante, Professor, Mestre e Doutor em Educação (UFPR) com pesquisas sobre masculinidades. Atualmente trabalha no departamento de Comunicação do Instituto PDH liderando a equipe editorial.