Vamos oferecer um curso de equilíbrio emocional para homens. Começa quinta que vem e ainda há vagas.

Como ir pra Cuba passo-a-passo

Um guia de 2016 pra você conhecer Havana antes que a ilha transforme-se em mais uma Miami

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O primeiro semestre foi movimentado para os lados do Caribe.

Primeiro, houve Obama. O anúncio da viagem e reaproximação diplomática, mesmo que ainda sem muitos resultados concretos, surpreendeu. O último presidente americano a pisar em solo cubano havia sido Calvin Coolidge, em 1928. Tal quebra de tabu virou os olhos do mundo para Cuba, que logo foi palco para outros eventos históricos.

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Em março, o Rolling Stones fez um show para cubanos, de portões abertos, num antigo complexo esportivo construído pela União Soviética. A Chanel promoveu um dos seus megashows, esse sim, somente para a alta cúpula militar e poucos convidados, em plena Paseo del Prado.

Pra completar, duas franquias milionárias do cinema gravaram cenas pelas ruas da capital: Velozes e Furiosos e Transformers.

Tudo em pouco mais de 6 meses.

Isso, naturalmente, aumentou a procura por viagens para Cuba e, independente da sua motivação, seja ideológica ou em busca do mojito perfeito, é preciso atentar-se. Nada muito elaborado, mas que deve ser avaliado e recordado para curtir sem surpresas tudo o que o povo cubano pode nos oferecer e ensinar.

É preciso tirar visto para entrar em Cuba?

Sim. Sem dor de cabeça. Você pode retirar o visto, uma simples tarjeta mais inocente que cadastro de videolocadora, na embaixada cubana ou com a companhia aérea.

As empresas de aviação que fazem o voo para Havana saindo do Brasil são a Copa Airlines, a Taca, a Aeromexico e a Avianca. No dia do voo, compre o visto no próprio balcão de check-in pelo valor de R$ 70.

A companhia pode estar sem tarjetas. Assim, você necessitará comprar o visto durante a conexão na Cidade do Panamá, também no balcão da empresa. Lá, o documento custa 20 US$.

Dica: no dia do voo, ligue para o balcão da companhia no Aeroporto de Guarulhos e confira se há vistos a disposição dos passageiros. Caso não, já vá com as doletas separadas, pois o visto é solicitado no embarque do aeroporto do Panamá para Havana.

Qual dinheiro levar?

Cuba possui duas moedas correntes: o Peso Cubano e o CUC (cê-ú-cê). O Peso, ou moneda nacional, é o dinheiro que grande parte dos cubanos recebem os salários e pagam o consumo. Você não vai precisar disso. Troque o dinheiro por CUC.

O CUC é a moeda que circula em setores do turismo. Restaurantes, hotéis, museus, artesanato, tudo é cobrado em CUC, que tem paridade do dólar americano (1 CUC = 1 US$). Mas, calma lá. Isso não significa que o dólar seja a melhor moeda para levar.

O bloqueio econômico praticado pelos Estados Unidos faz com que operações de câmbio de dólar americano para CUC sejam taxadas em 10%. Já o Euro tem boa circulação, assim como o dólar canadense.

Hoje, o esquema mais vantajoso é levar Euros para comprar CUC em Cuba. De preferência, já no Aeroporto Internacional José Martí.

Cartão de crédito? Esquece. Alguns restaurantes e hotéis até aceitam, mas somente MasterCard. Outro problema é depender do sistema, que apresenta muita instabilidade. Em três tentativas, não obtive sucesso de conexão.

Sacar dinheiro é possível. Confira no site do Banco Metropolitano o guia de caixas eletrônicos espalhados por Havana. Só um alerta: os saques incidem 6,38% de IOF, além das taxas do seu banco e do banco local. Isso pode render uma notícia nada agradável ao fechamento da fatura.

A comida é barata em Cuba. Você pode encontrar uma pizza bem honesta por 5 CUC e beber cerveja local, como Cristal, Presidente ou Bucanero, por 1.50 CUC. Um refrigerante Cuba Cola custa, em média, 1 CUC, assim como uma garrafa pequena de água.

Não é difícil encontrar marcas estrangeiras, como Coca-Cola e Heineken. São, naturalmente, mais caras. O refri é na maioria das vezes 1.75 CUC, enquanto a cerveja 2 CUC.

Uma pessoa gasta, na base da economia, em torno de 25 CUC por dia em Havana. Contando: rango, museu, água e muita caminhada. Uma maneira de economizar é abusar dos pequenos cafés em residências de Havana Velha. Dá pra fazer uma refeição boa gastando pouco.

Como arrumar hospedagem?

A maneira mais econômica de passar alguns dias em Havana é buscando as casas particulares que alugam quartos, uma prática já oficializada pelo governo cubano – antigamente, os aluguéis eram feitos de maneira clandestina. Além de pesar pouco no bolso (25 a 30 CUC/dia), possibilita uma experiência única de interação com as famílias e cotidiano cubano.

Hospedagem, inclusive, que ficou ainda mais fácil depois da visita de Obama. Isso porque, junto com a comitiva oficial americana, viajaram executivos do Google, Facebook e Airbnb. Essa última, com a missão de oferecer aos usuários a possibilidade de buscar por quartos na ilha.

Demorou pouco para o governo local compreender as vantagens do serviços e autorizar que os cubanos a cadastrarem suas casas. Desde então, você pode, antes de sair do Brasil, localizar a casa, interagir com o proprietário e pagar a hospedagem. Tudo na nossa moeda.

Caso prefira fazer à moda antiga, é fácil encontrar uma residência que ofereça quartos ao andar pelas ruas de Havana. Basta localizar essa placa na fachada da residência – e são muitas, pois é um excelente acréscimo para a renda dos cubanos. Outra maneira é pesquisando no Casas-Cuba.

Havana Velha ou Vedado? Qual o melhor bairro?

Havana Velha é o coração pulsante de Havana, é onde transpira a história. Os principais bares, restaurantes, centros históricos, museus e pontos turísticos estão naquele perímetro.

O fervo tá por ali. Logo, é impossível ir para Havana e não passar algumas horas em Havana Velha – assim como desejar voltar no dia seguinte para conferir o que faltou.

Já o Vedado é um bairro em franco crescimento. Representa a “Nova Havana”, com galerias e comunidades artísticas. É onde a juventude de Havana se encontra. Destaca-se pela transformação no visual, onde bares, hamburguerias e café são inaugurados com boa frequência.

Ao contrário de Havana Velha, percebe-se um ar de renovação no Vedado. Uma juventude que nasceu no meio do regime militar e está criando uma nova identidade para Cuba.

Essa era minha dúvida antes de viajar. Qual bairro ficar. Fiquei no Vedado, mas fui muito para Havana Velha. Hoje, respondo essa pergunta sem medo de errar: viagem curta, de 3 dias, Havana Velha. Agora, se você tem mais tempo, fique em Vedado.

Como é a Internet?

Há Internet em Cuba. É limitada e alguns sites não abrem, é verdade. Mas há. E fácil de encontrar.

A Internet domiciliar, bom, essa não existe. Empresas, como restaurante e albergues, podem adquirir, mas por um valor altíssimo. A solução encontrada pelo governo foi disponibilizar Wi-Fi em praças públicas, onde você pode se conectar mediante ao pagamento de 1 CUC por 20 minutos.

E aí, meu amigo, você, impreterivelmente, em algum momento vai esbarrar por uma praça com esse visual:

O silêncio da praça é quebrado pelos cubanos utilizando Skype para conversar com amigos e parentes. Uma janela com o mundo livre, mesmo que por poucos minutos.

Hotéis também oferecem o serviço, mas por um valor muito mais alto: 8 a 10 CUC por hora.

E a televisão?

Existem 6 canais de TV. Porém, Cuba é uma ditadura. Consequentemente, todos são do Estado.

Durante o dia, a programação divide-se em produções educativas, documentários sobre a revolução socialista e novelas brasileiras – sim, Avenida Brasil foi um fenômeno em Cuba. Atualmente está sendo exibida Império, mas eles não estão gostando muito.  

Ainda há canais segmentados, como o de shows, com apresentações de artistas como Rage Against The Machine, Fito Paez e Carlos Santana. Já o de esportes faz a retransmissão de programas da ESPN e FOX, dando destaque para o Baseball, esporte mais popular do Caribe.

Há cerca de 6 anos, o canal de esportes começou a transmitir futebol. Em especial, o Campeonato Espanhol. Jogos da Premier League, Bundesliga, Campeonato Italiano e Brasileirão também são transmitidos. Mas só os jogos do Santos, o clube brasileiro mais popular na ilha, muito devido a herança deixada por Pelé.

Essa limitação na variedade faz com que pendrives e HDs sejam demasiadamente pirateados pelos becos de Havana. Filmes e séries possuem grande valor para quem possui aparelho de televisão com entrada USB.

Ou seja: em caso de viagem à Cuba, leve um pendrive com filmes, séries e músicas para presentear o dono da casa que vai te hospedar. Será muito bem recebido.

Onde ir?

Você vai adorar o Museu da Revolução. Entrada: 8 CUC.

Também vai curtir horas no Museu Nacional Belas Artes. Entrada: 5 CUC.

Praça da Revolução, Casa de Las Américas, Teatro Nacional, Biblioteca Nacional, a Real Fábrica de Tabacos Partagás, Hotel Nacional e todos os incríveis lugares que qualquer guia tradicional de Havana apresenta.

Porém, quero destacar dois locais nem tão populares que possuem muito da fervorosa renovação de Havana que faz brilhar os olhos de quem aguarda por tempos de mudança.

Primeiro, o El Callejon de Hammel. Esse beco é o epicentro da cultura afro-cubana em Havana. Um lugar diferente de tudo, que preza pela expressão cultural para valorizar a realidade de um povo que, entre tantas coisas em conjunto, partilha do mesmo orgulho pela pátria.

O projeto comunitário envolve teatro, música e muitas galerias de arte. Todo olucro é dividido pela cooperativa formada pelos moradores. Eles possuem a responsabilidade de qualificar o Callejon e mantê-lo atrativo para os turistas que diariamente passam por ali – a maioria deles, ‘pescados’ por integrantes do projeto que perambulam pelo Vedado em busca de estrangeiros que demonstram interesse em artes.

Vá e prepare-se para ficar encantando com as muitas cores. De preferência, vá aos domingo, onde a música toma conta da rua.

A Fábrica de Arte Cubano é o que melhor expressa a nova representatividade da arte cubana.

Trata-se de, como o próprio nome diz, uma antiga fábrica de óleo que virou uma espécie de galeria de artes. A estrutura é de colocar qualquer centro de exposições sul-americnao no chinelo. São três palcos para shows, muitos bares, intervenções de todas as maneiras e muitas, mas muitas exposições de fotos, telas e vídeos.

Esse projeto foi criado com a intenção de resgatar e incentivar o trabalho de artistas cubanos e promover um intercâmbio cultural com os gringos. Na oportunidade que tive de estar lá, haviam shows de um grupo francês e outro australiano, além da exposição da identidade visual do Carnaval de Olinda (PE) em 2016.

O F.A.C. ainda tem em seu conceito a meta de elevar e promover a integração de jovens com as artes. Para isso, realiza sequentes oficinas gratuitas com grupos vulneráveis de crianças e adolescentes nos bairros mais pobres.

O local abre de quinta à domingo, a partir de 19h, e a entrada é 4 CUC. Dica: o lugar acumula filas de dar volta no quarteirão. Portanto, chegue cedo, aproveite a vista do El Cocienero, bar que fica ao lado, e relaxe. Quando o rolê abrir, dirija-se e siga o baile.

A política, como em toda ilha, também tem espaço na F.A.C.. Esse era uma intervenção que usa técnica de água e luz para ilustração. Quando cheguei, estava assim.

Quando voltei, assim.

¯\_(ツ)_/¯

Outras dicas do editor:

Tenha paciência. O assédio nas ruas de pessoas oferecendo táxi ou charutos é grande. E quando eu falo grande, é grande mesmo, quase insuportável. Vá preparado e não esquente a cabeça.

As ruas são muito seguras. Cuba possui 11 milhões de habitantes. Cinco milhões são policiais. Apesar do aparato nas ruas ser discreto, há muita segurança. Isso porque as penas são realmente duras. Fique tranquilo durante suas caminhadas.

Possua sempre moedas. Os cubanos não pedem dinheiro nas ruas. Na sua maioria, querem que você colabore comprando algo devido a limitação mensal de consumo. Mas as moedas são indispensáveis na hora de usar banheiros de restaurantes ou das rodoviárias.

Atenção com o troco. Muito cuidado para não pagar em CUC e receber um troco em Peso Cubano. As moedas são parecidas. A tática para não se confundir é simples: o Peso Cubano tem a foto de líderes da revolução. Já o CUC, de monumentos.

Os táxis cubanos são compartilhados. Não assuste caso o taxista pare no meio do caminho para pegar um cubano durante a sua corrida. Faz parte da cultura comunista de compartilhamento. O "motora" não vai mudar a rota, apenas deixar o compatriota no caminho, sem mexer no preço da viagem ou atrasar seu passeio.

Chorar não custa nada. Os cubanos são bons de negócio. Pode chorar a vontade que você derruba o preço de qualquer coisa, especialmente os artesanatos e táxi.

Vá de calça. Caso tenha interesse em curtir um tradicional show de salsa, leve uma calça na mochila. É proibido entrar em bermudas nas casas noturnas.

Revista. Antes de viajar, faça download da Revista La Habana. Um guia digital com tudo o que acontece na cena cultura de Havana, com horários, endereços e dicas.

Por do sol no Vedado. É onde os cubano curtem o final do dia e noite, seja tocando violão ou bebericando rum em caixinha.

Alguns passam horas observando o estreito que separa o Golfo do México com o Oceano Atlântico. Cerca de 160 km dali está a Flórida.

Tenho a sensação que muitos a conseguem ver.

Mas então, vale a pena viajar até Cuba?

É evidente que sim.

Ora, é Cuba. Como em qualquer viagem, experimente ir disposto a ver, aprender, ouvir.

O que eu trouxe? Lições da solidariedade que só elucidam a nossa ingratidão. Que a pior miséria é a da alma. E cada nação faz valer sua existência de uma forma específica.

Vai pra Cuba pra ver.


publicado em 20 de Julho de 2016, 00:00
File

Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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