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Botando o pai na estrada | Garagem #7

Dos prazeres de se viajar em família

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Eu sou um cara muito família. E devo a isso ao fato de ter viajado muito com meus parentes. Sim, leitores conheci do Sul até o Nordeste brasileiro – além de outros países – viajando com meu pai, mãe e tios. Consegui passear muito naquela época maravilhosa da vida que temos 90 dias de férias por ano. Ô, saudade!

Poder passar mais tempo com cada um deles sempre foi legal para mim. Me sentia e ainda sinto muito amado e respeitado por todos. Não que a minha seja perfeita, ok, longe disso! Temos, sim, brigas e também parentes bem esquisitos. Contudo, eu cresci viajando com a família e isso contribuiu pra muito do que eu sou hoje.

Porém, estamos aqui para falar de motores não é mesmo? Então, vou contar duas viagens com meu pai que me marcaram demais. Ambas foram com carros com grandes motores e muitos quilômetros percorridos.

O primeiro, um poderoso Chevrolet S-10 4.3 V6 cabine dupla e a segunda viagem a bordo de um Dodge Caravan também com motor V6.

Sabe aquela sensação de "já vi esse filme"?

O paraíso das águas quentes

Tenho certeza que você já ouviu falar de Caldas Novas, em Goiás. Se não, ao menos já ouviu o nome Pousada do Rio Quente (ou Hot Park – prefiro o nome em português, bem mais classudo). Saindo do interior de São Paulo são longos 700 Km de viagem. Nessa época eu não tinha idade para dirigir, então, meu pai foi o tempo todo no volante da S-10. Caso você seja solteiro e faça xixi numa garrafa, são umas 7 horas de viagem. Porém, no nosso caso tínhamos no carro avós e um motor V6 4.3 com sede de final de maratona que era a alegria dos frentistas. Assim, no total levamos cerca de 9 horas de viagem.

Para mim, foi uma eternidade! Com paradas e mais paradas, chuva e estrada ruim, aquilo simplesmente não chegava nunca. Paramos em cidades que até hoje não sei o nome, comi um pão de queijo que mais parecia uma bola de frescobol e abastecemos várias e várias vezes. Mas, acreditem se quiserem, meu pai conseguiu não só conciliar um aborrecente como eu com meus avós de idade avançada utilizando a maestria e a paciência de um monge tibetano. Ao final, conseguimos ir e voltar todos e inteiros e bem graças a ele.

Essa viagem me impactou muito na época, pois foi a mais longa que já tinha feito até então. Na minha cabeça egoísta eu me perguntava se não seria melhor ter ido de avião ou de ônibus ou qualquer outra coisa. Hoje entendo que o que meu pai queria, de fato, era um momento familiar.

Sabe aquela frase “Mares calmos não fazem bons marinheiros”? Ela não podia ser mais verdadeira. Cada perrengue que passamos juntos parecia que nos deixava mais unidos. Espero um dia poder fazer uma dessa com meus filhos, se possível para um lugar sem sinal de celular ou wi-fi e sem a menor pressa. Outra coisa que ficou evidente nesses dias é que, para meu pai, a família sempre veio em primeiro lugar e é assim que são passados grandes conhecimentos paternos: pelo exemplo.

A nossa S-10 era prata e sem rodas douradas

On the road

A segunda viagem mais marcante com meu pai foi em terras norte-americanas.

Viajamos para a ensolarada Los Angeles e, de lá, alugamos uma gigante Dodge Caravan vermelha. O carro era simplesmente legal demais!

Sim, eu sei que vocês estão vendo uma van com câmbio automático nada legal. Mas a “nossa” era a versão V6 com 280 cv de potência câmbio no painel e aqueles bancos que mais parecem poltronas de primeira classe giratórias e sem contar as portas elétricas. Com quatro pessoas e pouca bagagem ela acelera gostoso, viu?

Essa vermelha deixou saudades

Nosso trajeto passava por São Francisco (com direito a jogo do 49ers) e terminava em Las Vegas – e olha que nesta época e nem jogava Poker ainda. Porém, o mais legal é que pela primeira vez eu e meu pai iríamos revezar o volante do carro durante a viagem. Imagina a responsa de dirigir em outro país com familiares nos bancos de trás e seu pai do lado.

É óbvio que passamos vários sufocos, principalmente na parte de abastecer e estacionar – coisas de marinheiro de primeira viagem internacional de carro. Claro que quase ficamos sem combustível no meio do caminho e tivemos paradas emergenciais de caráter sanitário no meio do nada.  

Se para Goiás foram 2 dias na estrada (além do período que ficamos lá) nos EUA foram 12 dias andando de carro. Não tem como ser perfeito. Chega um momento que todos estão cansados, com fome e querendo chegar logo no próximo hotel. Foram nessas horas que o nosso “capitão” era a salvação, mantendo todos sãos, calmos e salvos.

Para mim, foi legal demais dirigir com meu pai ao meu lado, ouvindo conselhos e histórias das viagens que ele já tinha feito. Do lado do passageiro também foi legal ajudar ele a encontrar o caminho certo para os hotéis, passeios e também banheiros mais próximos possíveis.

Essa viagem me marcou pois foi a última antes da minha irmã entrar para a faculdade. Tanto meu pai como todos nós sabíamos que seria difícil reunir a família para uma viagem assim novamente. Também foi muita coragem dele organizar tudo por conta, sem guias, sem excursões e falando muito pouco inglês. Foi também a última viagem em que não participei do planejamento, apenas fui. Vou levar pra sempre a alegria que via nele com a minha irmã e comigo falando inglês e a ajudando na comunicação com hotéis e restaurantes.

Sabe, depois que a gente começa a trabalhar as férias ganham um outro valor – eu diria muito maior. Usar esse tempo precioso para ficar com os filhos, viajar para destinos que muitas vezes são mais legais para os filhos do que para eles mesmos é uma prova de amor.

São coisas assim que o dinheiro não paga e que o tempo nunca vai apagar. Quero um dia poder proporcionar isso para meus filhos também. Poder mostrar o mundo e descobrir o mundo ao lado deles. Talvez, ser pai seja um pouco disso tudo. Saber manter a calma quando o mundo está caindo sobre a sua cabeça com três pessoas falando ao mesmo tempo na estrada, no meio da chuva. Saber educar pelo exemplo e pela razão e não pela autoridade ou opressão e, principalmente, saber conduzir a sua família em segurança até o destino.

Eu, minha irmã e nosso herói

P.S: Antes que comecem as pedras nos comentários. Sim, eu disse que o próximo texto seria sobre a Ferrari - Rosso Corsa, lembra?! Porém, este é um especial, galera, no próximo Garagem eu cumpro a promessa. ;)

Um convite especial: venha para o PAI, nosso evento anual sobre paternidade

Já estão abertas as vendas de ingressos pro nosso evento anual, o PAI. Estamos super empolgados de ter a chance de fazer o evento mais uma vez e queremos transformá-lo em uma tradição do Papo de Homem. Como foi um pedido da própria comunidade, esse ano vamos focar em aspectos práticos da paternidade. Tudo o que você precisa saber pra não quebrar cabeça com a rotina da paternidade.

O corpo de palestrantes está lindo. Temos desde algumas mulheres importantes, como a Rita Monte, contando sobre o que os pais podem aprender sobre companheirismo entre pais com os grupos de mães, até o Tiago Korch falando sobre como fica o sexo após a chegada dos filhos, passando pelo Ismael dos Anjos contando sobre como a forma como somos criados afeta a forma como criamos nossos filhos. Vai ser bem bonito!

Você pode ver mais detalhes no Sympla e já garantir o seu.


publicado em 14 de Agosto de 2018, 19:54
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Lucas Rizzollo

Jornalista especializado em carros e motos. Nascido com gasolina nas veias e fanático pelo o assunto desde sempre. Quando não está lendo ou escrevendo joga Poker e também Futebol Americano. Você pode seguir no Instagram.


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