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Aumento de pênis funciona? O que dizem as pesquisas?

Spoiler: aumento peniano é praticamente um mito.

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Recebi há duas semanas um curto e direto email de um leitor:

Olá, gostaria de saber se bombas penianas ou extensores penianos funcionam mesmo ou é apenas temporário?”

Perguntei se ele se referia aos penis pumps e aos pesos de amarrar no pênis, e ele respondeu: “Também, mas existem vários equipamentos para o aumento peniano, algum seria eficaz?”.

Comecei a pesquisar revisões de pesquisas científicas para lhe dar uma resposta precisa, mas lembrei dos amigos que já me fizeram perguntas parecidas e dos inúmeros anúncios de métodos físicos ou medicamentosos para aumentar o pênis. Por isso, resolvi responder àquele leitor por aqui.

Não lembro de ter atendido algum homem com essa demanda, apenas poucas mães que temiam que seus filhos tivessem o pênis muito pequeno, mas que estavam em um estágio de desenvolvimento adequado para a idade ou eram obesos, nos quais a gordura púbica cobria parte do pênis, e uma pequena compressão da região “apertando a gordura para dentro” exibia um órgão genital de tamanho condizente à idade.

Sendo assim, todas as informações que trago aqui são advindas de pesquisas científicas disponíveis na internet, no portal estadunidense PubMed. Ele é acessível a qualquer pessoa, embora o texto completo de alguns artigos seja pago.

Por que aumentar meu pênis?

Em fevereiro deste ano, escrevi nessa coluna sobre sete dúvidas relacionadas ao pênis e uma delas era “meu pênis é pequeno?”.

Mostrei como as medidas podem variar conforme a etnia e a região, citando uma pesquisa estadunidense de 1942, talvez a primeira sobre o tema, que mostrou que a média de comprimento peniano entre adultos era de 13,3 cm, variando 1,6 cm para mais ou para menos, e uma de 2007 com crianças e adolescentes brasileiros que mostrou uma média de 14,5 cm (variando 1,6 cm para mais ou para menos) entre jovens de 18 anos.

As medidas eram feitas na face superior do pênis flácido, tracionado pela ponta, sem considerar o prepúcio. Também apontei que, para a Medicina, os pênis realmente pequenos são aqueles menores que 2,5 desvios-padrão da média para a idade: considerando 13,3 cm para um adulto, essa medida seria de 9,3 cm.

Quando o pênis é menor que isso, dá-se o nome de micropênis, que não é uma doença em si, mas geralmente o sintoma de algum problema genético ou endócrino – quando não se trata de um erro de medida ou, novamente, de uma pessoa obesa. Os tratamentos são dirigidos à causa primária do problema e podem envolver desde reposição hormonal até cirurgia.

Mas essas são situações raras. Me parece que a grande demanda ou as dúvidas relacionadas ao aumento peniano vêm de homens que queriam ter “um ou dois centímetros a mais” ou um pênis “um pouco mais grosso”.

Então, antes de comentar sobre os métodos, eu preciso perguntar: por que? Por que essa preocupação com o tamanho do pênis? Por que as olhadelas no banheiro, por que as perguntas sobre as experiências pregressas das parceiras e parceiros?

A resposta não deve ser novidade para os leitores regulares do Papo de Homem. Há uma masculinidade hegemônica que oprime mulheres e outros homens, caracterizada por uma sexualidade ativa, impulsiva, exacerbada, com práticas sexuais centradas no falo – daí o desespero diante da disfunção erétil e ejaculação precoce e a sensação de que “um pouco de pênis a mais não faria mal”. Machismo, patriarcado e falocentrismo andam juntos, fomentando a indústria dos remédios para ereção e dos métodos para aumento do pênis.

Métodos de aumento do pênis

Acha que não tá grande o bastante? Eis os métodos que se vê sendo propagandeados por aí. 

Os métodos mais populares de aumento peniano são:

  1. Dispositivos a vácuo (penis pump): uma ampola onde o pênis é inserido e uma bomba que suga o ar do recipiente, criando uma pressão negativa e tracionando o pênis.

  2. Extensores penianos (penis extensors): consistem em armações articuladas (como o Andropenis® e o JES-Extender® ou pequenos pesos para pendurar no pênis, ambos visando a tração do órgão. Além do comprimento, eles se propõem a aumentar a circunferência (grossura) do pênis.

  3. Anéis penoescrotais: usados frequentemente em associação com medicamentos inibidores da fosfodiesterase-5 (sildenafil, vardenafil e tadalafil), visam aumento do pênis pela pressão interna exercida pelo sangue nos corpos cavernosos.

  4. Exercícios: também chamados de jelqing ou milking, têm origem árabe e consistem na manipulação do pênis semiflácido com auxílio de gel lubrificante, de forma a apertá-lo e puxá-lo desde sua base até a base da glande repetidas vezes durante algumas dezenas de minutos. O fórum Thunders Place, há 15 anos no ar, recomenda a seus leitores não gastarem dinheiro “com comprimidos, unguentos e dispositivos largamente comercializados”, pois “você vai ganhar mais rapidamente usando suas mãos e lubrificante”.

  5. Medicações: costumam ser compostos herbais que prometem aumentar o fluxo de sangue no pênis e, com isso, seu tamanho, mas nem sempre especificam sua composição.

  6. Injeção de silicone: frequentemente realizada por não profissionais. É recomendada principalmente para aumento da circunferência do pênis.

  7. Injeção de toxina botulínica A: sim, aplicar botox no pênis.

  8. Lipoaspiração da gordura suprapúbica, exibindo mais a base e dando-lhe um aspecto visualmente maior.

  9. Cirurgia: o método mais consagrado é a dissecção do ligamento suspensor, isto é, cortar a estrutura que liga a base do pênis ao osso púbico, “soltando” um pouco o pênis, que se projeta para fora.

Quais deles funcionam?

Quase nenhum. Pesquisadores da Itália e Holanda revisaram dezenas de artigos científicos, e as conclusões são muito parecidas.

Dispositivos a vácuo podem ser úteis na disfunção erétil, mas não demonstraram alteração física após seis meses de uso. Anéis penoescrotais têm apenas duas pesquisas indicando eficácia, segundo a revisão italiana. Os exercícios penianos têm atraído a atenção de homens no mundo todo devido à sua facilidade, baixo custo e segurança, mas não têm comprovação científica, tampouco as medicações.

De acordo com uma pesquisa israelense, a injeção de silicone líquido parece ter algum efeito a curto prazo, especialmente na grossura do pênis, mas o risco de complicações é desencorajador, mesmo quando o procedimento é realizado por profissionais. Elas incluem dor, equimose e mudança da cor da pele; a injeção nos corpos cavernosos pode levar a embolias, impotência ou priapismo – uma ereção que não regride, causando dor e inchaço e podendo levar a morte de tecido peniano. Se o silicone alcança a circulação, pode causar embolia em outras partes do corpo ou pneumonite.

Um estudo egípcio demonstrou que a injeção de toxina botulínica A é uma alternativa para pessoas com hiperatividade da retração peniana, quando o pênis amolecido parece muito pequeno porque “entra muito no corpo” em situações de frio, medo ou vergonha, mesmo que o comprimento ereto não seja um problema. O procedimento alivia a retração peniana e aumenta seu comprimento flácido.

Algumas pesquisas têm mostrado que os extensores penianos promovem algum aumento no comprimento do pênis, mas não em sua grossura; entretanto, são estudos não controlados, ou seja, não foi feita comparação com outros métodos ou com grupos de homens que não fizeram intervenção alguma.

Na verdade, uma revisão estadunidense deste ano concluiu que todos os métodos para aumento da grossura do pênis devem ser considerados experimentais. Os extensores penianos são úteis no pós-operatório da cirurgia peniana, para evitar sequelas, e têm sido estudados como um tratamento não cirúrgico da Doença de Peyronie, uma fibrose dos corpos cavernosos que deixa o pênis muito torto (não custa dizer: é normal ele ser um pouco curvo) e leva a ereções dolorosas e disfunção erétil.

A lipoaspiração da gordura suprapúbica é eficaz, mas não altera o pênis em si.

A cirurgia é a intervenção bem estabelecida para o aumento peniano, com ganhos de 1 a 2 centímetros de comprimento – um ganho de dois centímetros. No entanto, é o procedimento mais invasivo de todos, não há consenso quanto à técnica cirúrgica, há grande controvérsia quanto às suas indicações, e ela não está livre de sequelas.

As complicações podem ser aquelas de qualquer cirurgia, como dor, sangramento e infecção, ou mais específicas, como deformidade peniana, encurtamento paradoxal do pênis, formação de granuloma e disfunção erétil.

A satisfação dos pacientes a curto e longo prazo é desapontadora. Por tudo isso, o procedimento costuma ser reservado a pessoas para as quais qualquer ganho de comprimento parece compensar os riscos – como pessoas com micropênis, amputações parciais do órgão, doença de Peyronie ou alterações resultantes de trauma peniano.

* * *

Ou seja, entre ditames machistas, procedimentos ineficazes e risco de efeitos colaterais, é melhor pensar duas vezes antes de tentar aumentar seu pênis.


publicado em 26 de Março de 2019, 18:44
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Antônio Modesto

Médico de Família e Comunidade e doutor em Medicina Preventiva pela USP. Professor na Faculdade de Medicina da Unicid. Carioca de sotaque e paulistano de coração, toca cinco instrumentos mas nenhum bem. Tem estudado gênero, saúde dos homens e medicalização da vida.


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