Pais de primeira viagem e pais experientes, preparamos um evento de um dia inteiro pra vocês. É o "PAI: os desafios da paternidade atual". 20/08 — ingressos à venda!

A pulseira e o bom e velho medo de não ser homem

As coisas que a gente inventa pra não perder a carteirinha de homem

  • Nossos atuais Mecenas:
  • Advertisement
    130x250 1 jpg

Você provavelmente já ouviu dizer que a moda atual nada mais é que releituras de peças de outro tempo.

Colares, anéis, e, principalmente, as pulseiras têm se tornado cada vez mais presentes no universo do “homem moderno”. Ou melhor dizendo, voltaram a ser acessórios importantes no vestuário masculino.

Estamos em 2017 e parece difícil de acreditar, mas tem um monte de gente que acha que joias e bijuterias são coisa de mulher, ou “frescuras” dessa nova geração metrossexual. Se você se enquadra nesse grupo, talvez precise saber que, na verdade, os homens sempre usaram pulseiras. Em todos os continentes, em todas as épocas, homens prendiam pedras, couros e metais aos pulsos.

A pulseira mais antiga encontrada por arqueólogos vem da Rússia, e data de 75 mil anos antes de Cristo. Alguns as usavam para se proteger física ou espiritualmente, outros para mostrar sua superioridade social, ou também para pedir favor aos deuses. Em muitos casos, a função era simplesmente carregar consigo um símbolo da sua cultura que o diferencia dos outros.

Na verdade, os homens ocidentais só pararam de usar pulseira há uns 1.000 anos, com a chegada da idade média, aquela era de trevas em que os estudos praticamente congelaram. Isso incluía, claro, a estética. Assim, todos viviam em função do medo da igreja e de Deus e as roupas também eram escolhidas segundo esse critério.

Antes disso, no antigo Egito, os homens usavam grandes braceletes de osso ou madeira, como forma de servir aos deuses. Os braceletes que tivessem um escaravelho cravado, por exemplo, trariam renascimento e, por isso, deveriam ser enrolados junto ao dono durante a mumificação. Braceletes de ouro mostravam o poder e nível social do indivíduo, e isso foi um símbolo em diversos lugares e eras: conquistadores, reis e imperadores, se mostravam superiores pelo ouro que adornava suas cabeças, pescoços e pulso.

O grande conquistador Mongol, Gengis Khan, usava tiras de couro nos punhos, assim como as que formavam parte do uniforme dos soldados gregos. Mais que um adorno, para esses homens era uma forma de munhequeira que protegia e dava força.

Os soldados gregos mais abastados ostentavam usando uma pulseira de ouro imitando uma cobra enrolada em um dos braços. A tradição continuou durante o império romano, tornando-se quase obrigatória e se espalhou por outros locais da Europa.

Na China, a tradição das pulseiras começou há uns 4 mil anos antes de Cristo. Era de costume dar uma pulseira de jade para recém-nascidos acreditando que a pedra tem poder de proteger e de curar alguns males físicos.

Além disso, entre os adultos, acredita-se que a pedra pode facilitar o contato com o mundo espiritual e que ela ajuda a proteger tanto os vivos quando os espíritos dos entes falecidos de outros maus espíritos.

Na Bulgária, em primeiro de março, homens e mulheres amarram em seus pulsos fitas de pano brancas com vermelho esperando que isso agrade a Baba Marta (vovó março) e que ela traga dias mais quentes acabando com o inverno cortante.

Em partes da América pré-colombiana, os nativos usavam pulseiras com uma pedra preta, chamada Azabache, esculpida em forma de mão em figa, para se protegerem do mal olhado alheio. Claro, se você precisava de uma figa, era porque tinha conquistas significativas e invejada pelos outros.

Dentre os índios brasileiros, os costumes variam entre as tribos, mas geralmente são os homens que confeccionam as braçadeiras e pulseiras de penas. Imagina que um trança cheia de penas presa ao redor do seu braço era um dos itens essenciais do ritual que declara que um menino agora já é um homem feito.

Da mesma maneira, na África, mesmo havendo as diferenças entre os povos, no geral, acredita-se que as contas possam ajudar na saúde e na espiritualidade das pessoas. Dependendo das cores, essas podem trazer tranquilidade, proteção, fertilidade etc. Alguns acessórios africanos são símbolos mais mundanos, servindo para diferenciar, por exemplo, o homem guerreiro do sábio ancião. Na umbanda, as guias podem ser usadas como colares e muitas vezes também vem enroladas nos pulsos. Elas funcionam como um para-raio de más energias e como elo de conexão entre o indivíduo e um ente espiritual .

No ocidente, a Idade Média não acabou só com a vaidade masculina. Ela se propôs a moralizar o mundo, eliminar o supérfluo, e se encarregou de criar muitos dos conceitos de pecado e vergonha que não existiam até então: o sexo passa a ser algo sujo que só é perdoado pela benção de trazer filhos; o sexo com pessoas do mesmo gênero, que até então para os romanos nunca havia sido problema, se torna pecado mortal; a nudez passa a ser vergonhosa e proibida até para marido e mulher; e qualquer forma de vaidade ou riqueza torna-se repreensível diante da miséria em que se vivia.

Depois da era medieval, as pulseiras só voltaram a fazer parte do cotidiano masculino no mundo ocidental lá pelos anos 60, quando o movimento hippie e outros começam a questionar diversos padrões estéticos e de comportamento. Homens começaram a deixar o cabelo crescer, adotaram novas cores e se desprenderam da ideia de que a boa estética masculina estava sempre ligada ao terno ou ao uniforme militar.

Daí em diante, apesar de não se tornar parte do vestuários do homem comum, a pulseira passa a ser elemento de estilos de grupos isolados. As de couro preto, por exemplo, viraram parte do rock. Algumas pulseiras de ouro se revelavam demonstrações de poder de homens ricos e extravagantes (muitas vezes considerados pouco elegantes).

A ideia do “homem de verdade”, da “coisa de homem” e de que “acessórios não são coisas de homem”, é uma construção relativamente recente na nossa sociedade, nascida de uma era de intolerância e pouco conhecimento. Por sorte, esses conceitos vêm se dissolvendo. Parte dessa mudança se deve a maior igualdade de gênero que tem sido conquistada. Enfeitar os pulsos, e se preocupar com a estética no geral, não foi e nem deve ser vista como exclusividade feminina.

Como a história mostra, homens vem amarrando coisas em seus pulsos durante milhares de anos para dizer algo sobre si: de onde vieram, a que grupo pertencem, em que acreditam, ou que posição ocupam.

E, aliás, quanto menos a gente ficar rotulando e definindo quem é que merece a carteirinha de homem, melhor, não?

Mecenas: Vivara Lifestyle for Men

Suas roupas dizem um bocado sobre você e ajudam a traduzir a mensagem que quer passar. Cada vez mais os homens têm percebido a importância de ter um look coerente com seu estilo e de usar acessórios que ajudam a compor essa mensagem.

A nova linha “Lifestyle for Men” da Vivara foi pensada e criada para homens que gostam de se vestir bem e são reconhecidos por seu estilo. A nova linha, tem conceitos ligados à força, ao intelecto, ao espírito livre e aventureiro e à espiritualidade do homem contemporâneo.

A coleção é composta por pulseiras de couro ou prata e diversos pingentes colecionáveis, os quais traduzem esse conceito étnico em linhas gráficas e texturas que exibem um contraste entre o preto e prata, formando símbolos do universo masculino.

As joias da nova coleção poderão ser encontradas em todas as lojas Vivara, quiosques e no e-commerce da marca.


publicado em 31 de Janeiro de 2017, 00:05
13081812 10207801606336128 979469056 n

Gabriella Feola

Jornalista, viajante, apaixonada por músicas latinas e acredita que sexo deveria ser tão conversado quanto esportes.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Nossos atuais Mecenas: