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A gente não quer só gozar, a gente quer inteiro (e não pela metade)

Mais que o orgasmo, o tesão da entrega é o que envolve toda a delícia do sexo

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Todo mundo no mundo gosta de sexo. É o ápice do prazer, o supra-sumo do contato corporal.

Contato. Esse é o segredo.

O orgasmo é só o ponto final de uma frase muito bem escrita. É fundamental pra se fazer valer o todo, mas como fator determinante, se torna a coisa mais brochante do mundo. A gente não quer orgasmo, amigos. É bem mais que isso.

Então me explica: porque puxar cabelo dá sempre mais vontade?

Basta perguntar pra qualquer um o que mais se gosta no sexo. Vai ouvir, como resposta, o cheiro, a pressão do tórax contra os seios, o carinho, a força bruta, os olhinhos fechados, as mãos puxando a cintura. O que move todo o sexo, para culminar no tão desejado orgasmo, é o contato humano. Sim, o mesmo contato que você pode ter fora do sexo. O que a gente mais busca é exatamente o que conseguimos fora dele.

Basta perceber como o seu dia melhora na enésima potência quando se ganha um abraço gostoso daquela amiga deliciosa, quando recebe um cafuné do amigo que você jura que levaria pra cama se não fosse a relação de trabalho. Sem a risada da mãe, sem o tapinha nas costas do pai, sem as discussões e confissões de irmãos, o cotidiano fica mais frio, mais sem graça. Assim como uma punheta. Ela não é ruim, o gozo vem. Mas o contato humano que vai fazer esse gozo explodir, não simplesmente acontecer.

O que o corpo não tem, a cabeça inventa. Quando se masturba, a imaginação não te leva ao gozo sozinho, no quarto ou no banheiro, mas sim para os braços de alguém, ao corpo de alguém, como se tivesse te tocando em vez da própria mão. A imaginação é um paliativo para um colo gostoso, um aconchego no final do dia. A gente quer é pele. A gente quer toque.

Isso nos leva à entrega.

Para ter toque, precisa-se tocar. Há de se ter a entrega de tocar, de buscar o tal toque. Cumprimentar alguém com um verdadeiro aperto de mão, um abraço em troca de um elogio. Não é papo de hippie, é só o lado humano que há de haver em todos os seres humanos. Andar de mãos dadas, beijar no rosto, se deixar ser beijado(a). Essa entrega faz, do sexo, essa medalha mais do que merecida.

Por isso o sexo bom é o sexo sujo, suado. Saliva, mãos, os cheiros, o gemido que só chega ao ser tocado. Mostrar o pau quando ela quer ver é lindo. Mas a sensação estúpida só aparece ao ser tocado, ao sentir a mão envolvendo o pau. Não os dedos, a mão toda. O contato humano deve ser pleno, exacerbado. Quando a gente tem isso, não há cristo que nos faça desejar a castidade, não há sociedade que nos deixe com qualquer tanto de "puritanos".

O que produz calor e, com afinco, fogo? Fricção. Atrito

Felizes são os homens que querem tirar mulheres da vida dos prostíbulos, que encontram nelas, não uma oportunidade de jorrar, não a hora certa de mandá-la embora, mas sim o contato mais puro e acalentador. Palmas praqueles que se apaixonam por todas e quaisquer mulheres que lhes dão um mínimo de atenção. Vocês sim fazem a vida valer a pena, chafurdam as profundezas das relações humanas e exploram ao máximo essa delícia de ganhar um olhar, de tirar um sorriso, de fantasiar toda uma aproximação das peles, de ansiar a quentura da respiração no cangote, a textura da língua dentro da boca.

Sem esse contato, seríamos apenas Adãos e Evas correndo nus e sem o conhecimento da vergonha, mas também com o desconhecimento de ter um ao outro, de perceber que só valeria a pena todo o rolê de um pudesse se colar no outro, mesmo que com duas folhas de parreira entre eles e sem a proteção que vinha lá de cima. Ora bolas, de que vale uma vida de cuidados renascentistas se o melhor de despir uma mulher na idade média era justamente saber que, depois de muitos minutos desenlaçando aqueles vestidos bufantes era encontrar, enfim, o contato dos corpos, o descobrimento (em todos os sentidos que puder imaginar) da pele?

Não somos plenamente nós mesmos se não contamos com esses contatos de observar, de sentir, de viver sem medo de se machucar.

Esse desafogo não promete e nem intenciona uma solução, uma resolução de vida ou apontamento de qualquer espécie. A coisa tá aí pra qualquer um, desde que o mundo é tido como mundo. Encoste, cole, se acople. Não há nada mais contraditório do que perder a oportunidade de se sentir, enfim, humano.

Tendo isso em vista, conhecendo a noção de que o contato humano provoca todo esse fogaréu, não tenha maiores preocupações. Goze. Pode gozar.

Porque, se o que eu disse pode ser notado como verdade, se o orgasmo é mesmo um ponto final, não tenha cuidados demasiados para não chegar ao fim, afinal, há sempre um parágrafo novo a ser escrito. Quem sabe não seja mais potente que o anterior?

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publicado em 10 de Junho de 2012, 21:01
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Jader Pires

É escritor e editor do Papo de Homem. Seu livro de contos é o Ela Prefere as Uvas Verdes. Está no Facebook, no Instagram e escreve semanalmente sua newsletter, a Meio-Fio, com contos/crônicas e uma curadoria cultural todas às sextas, direto no seu e-mail.


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