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A genialidade do jazz de Snoopy

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Peanuts não era só uma tirinha foda. Também tinha a série animada que era uma verdadeira obra de arte. E os longas igualmente faziam jus à qualidade poética e filosófica que tanto prezava Charles M. Schulz. Tudo isso fez parte da infância de muita gente. Fez parte da minha. E, se você for uma pessoa de sorte, deve ter feito parte da sua também.

E, como não havia detalhe que passasse despercebido pelo primor estético e artístico do autor (e também do cuidado e carinho dispensado pelos produtores), a trilha sonora era igualmente pensada com todo o esmero possível.

Diante disso, é irônico e ao mesmo tempo uma grande pena que nós, os auto-intitulados adultos, muitas vezes enxerguemos obras feitas para crianças como trabalhos de menor importância. E, por isso, pela nossa cegueira arrogante de quem pensa saber de tudo, deixamos passar despercebidos estes detalhes que nos influenciam em camadas bem sutis da nossa própria experiência de vida.

No caso dos especiais em animação do Snoopy, as cenas  sempre contavam com jazz da melhor qualidade como pano de fundo para os diálogos afiadíssimos que saiam da cabeça de Charles M. Schulz. Até então, eu não sabia. Simplesmente era levado por aquelas trilhas que faziam qualquer circunstância parecer maior e ainda mais tragicômica.

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Certamente, havia alguma coisa de cruel naquelas músicas. Pobre Charlie Brown, se as pessoas riam do seu infortúnio e tristeza, asseguro que grande parte disso se deve à doçura e inocência dos temas que tocavam ao fundo. Se tiver de caçar um culpado, aponto sem piedade Vince Guaraldi, o homem que emprestou sua genialidade, dando o tom daqueles diálogos sensacionais que tanto nos emocionaram.

Vince Anthony Guaraldi, na verdade nasceu Vincent Anthony Dellaglio, na São Francisco de 1928. Usava um bigode estiloso, como só o humor ensolarado da cidade poderia fazer usar. E soube traduzir aquele suspiro decepcionado e desistente do Charlie Brown, o isolamento criativo de Schroeder, a fúria explosiva de Lucy, a sagacidade não-intencional da Patty Pimentinha e, claro, cada uma das facetas e alteregos estilosos do Snoopy, em temas que tocam as exatas memórias infantis de felicidade e nostalgia.

Alguns, claro, acabaram tornando-se mais clássicos que os outros, como o tema de Lucy e Linus.

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São dois os especiais que tiveram o toque de Vince Guaraldi:  "O Natal de Charlie Brown" e "Um menino chamado Charlie Brown", os quais tiveram, cada um, um álbum homônimo. Suas composições foram usadas em mais dezessete especiais para a TV.

Além disso, ele lançou Oh Good Grief!, um álbum com reinterpretações de alguns temas e mais um álbum em duas partes, chamado "Vince Guaraldi and the Lost Cues From the Charlie Brown TV Specials", com as peças que não saíram na trilha sonora oficial dos especiais anteriores – como a sensacional Joe Cool, tema do Snoopy quando encarna seu alter ego legal pra caralho de mesmo nome.

Link Youtube | Ninguém é mais cool que o Snoopy Joe Cool. Ninguém. Nem Chet Baker

A trilha feita por Vince Guaraldi também já inspirou outros artistas de jazz a fazerem suas contribuições. Dave Brubeck, Wynton e Ellis Marsalis, George Winston, David Benoit e Cyrus Chestnut, só para citar alguns. Nem mesmo B.B. King resistiu ao charme de Snoopy. Entendo perfeitamente todos eles.

Charlie Brown sabia tudo sobre rejeição, apatia e derrota. Sabia tudo sobre beleza, amor, lealdade e amizade. E, esperto como ele só, sabia também o que realmente significava um bom jazz.

Link Youtube | Tema do Woodstock

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publicado em 30 de Março de 2013, 21:12
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Volta e meia grava e disponibiliza no Soundcloud. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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